Revestimento criado pela UFSC pode impactar ruído dos trens

08/07/2025 09:42

Trilhos de Joinville, cidade onde a pesquisa se desenvolve

A Universidade Federal de Santa Catarina lidera um estudo que terá impacto direto na saúde pública: a equipe coordenada pelos professores Yesid Ernesto Asaff  e Thiago Fiorentin, do curso de Engenharia Ferroviária e Metroviária da UFSC Joinville, busca a redução de ruído ferroviário, considerado uma das principais fontes de poluição sonora em áreas urbanas. O trabalho é realizado em parceria com a Vale, empresa multinacional brasileira de mineração, e chegou à criação de um revestimento sustentável, em processo de patenteamento.

O estudo indica que, conforme a União Europeia, cerca de 22 milhões de pessoas sofrem com os efeitos do tráfego ferroviário em todo o continente, com consequências que vão desde distúrbios do sono até problemas cardiovasculares. No Brasil, o avanço está a caminho com protagonismo de um dos únicos cursos de Engenharia Ferroviária do país. “A Vale, que transporta minério de ferro pela ferrovia Vitória-Minas, enfrenta desafios como o ruído gerado pelos trens. Como a UFSC é uma das poucas universidades brasileiras com graduação em Engenharia Ferroviária, a empresa buscou parceria com pesquisadores especializados no tema. A colaboração começou em 2017 com projetos relacionados a ruído ferroviário e, em 2023, evoluiu para o desenvolvimento deste revestimento”, explica Fiorentin.

Segundo o professor, a Vale participa definindo critérios de aplicação, como limites técnicos e viabilidade econômica, além de proporcionar testes em ferrovias, compartilhando dados operacionais e financiando o projeto. “Historicamente, o tratamento do ruído ferroviário tem se concentrado no uso de barreiras acústicas. No entanto, o alto custo e a dificuldade de instalação dessas estruturas em áreas urbanas densamente ocupadas tornaram essa alternativa pouco viável”, aponta o pesquisador Vítor Gustavo Gomes Catão, do Laboratório de Acústica e Vibrações.

O projeto da UFSC busca mitigar o ruído diretamente na fonte. O grupo avança na pesquisa de um novo revestimento para os trilhos, feito com carga mineral proveniente do próprio resíduo gerado pela mineração da Vale, promovendo assim uma alternativa sustentável e de baixo custo.

O professor aponta que o revestimento desenvolvido tem alguns benefícios: redução do ruído ferroviário, sustentabilidade por usar os rejeitos minerais e redução de custos, já que ele diminui a corrosão dos trilhos, que têm alto valor de reposição. Segundo ele, os principais desafios enfrentados foram a seleção dos materiais do rejeito compatíveis com diluição em água e eficazes no controle de ruído e o ajuste de propriedades como viscosidade, aderência e resistência a intempéries, como os raios UV.
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UFSC lidera rede inédita internacional para melhorar saúde das ostras

07/07/2025 15:43
Ostra da espécie Magallana gigas

Por meio de dois projetos internacionais, rede de pesquisa vai investigar saúde das ostras cultivadas em Florianópolis e identificar possíveis causas de mortalidade (Foto: Divulgação/CCB/UFSC)

Uma rede inédita que envolve pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Brasil, e de instituições da França e do Chile está dando início a um grande projeto que visa incrementar a saúde das ostras. O objetivo será identificar patógenos potencialmente envolvidos nas mortalidades desses animais no verão. Dessa forma, será mais fácil definir estratégias preventivas para o cultivo, alinhadas ao conceito de Saúde Única.

Na UFSC, a rede vai envolver 13 pesquisadores de departamentos de ensino do Centro de Ciências Biológicas (CCB), do Centro de Ciências Agrárias (CCA) e do Centro de Ciências da Saúde (CCS), com colaboração de uma pesquisadora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A parceria engloba ainda as universidades de Montpellier e de Perpignan, o Ifremer (instituição de pesquisa francesa dedicada ao conhecimento dos oceanos) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), na França; e a Pontificia Universidad Católica de Valparaíso (PUCV), a Universidad Católica del Norte (UCN) e o Centro de Estudios Avanzados en Zonas Áridas (Ceaza), no Chile. No total, serão cerca de 30 pesquisadores envolvidos com as atividades nos três países. Além deles, a rede também vai contar com a participação de pós-doutorandos e alunos de mestrado e doutorado de cinco programas de pós-graduação da UFSC: Aquicultura, Biotecnologia e Biociências, Bioquímica, Farmácia e Ciências dos Alimentos.
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Homenagem destaca trajetória de Rodolfo Pinto da Luz, ex-reitor da UFSC com expressão nacional

04/07/2025 18:07

Comunidade foi recebida para homenagem no Templo Ecumênico da UFSC. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

A extensa e marcante trajetória do professor Rodolfo Joaquim Pinto da Luz na vida pública foi bastante destacada na homenagem realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na manhã desta sexta-feira, 4 de julho, no Templo Ecumênico, no campus da Trindade, em Florianópolis. O evento reuniu familiares, amigos, autoridades e membros da comunidade universitária, sendo um momento de memória e reconhecimento de sua notável jornada acadêmica e política.

Entre as muitas singularidades de sua caminhada, destacaram-se seus três mandatos como reitor, seu papel crucial na expansão da infraestrutura universitária e sua atuação em diversos cargos públicos ligados à educação e cultura. O falecimento do professor Rodolfo, ocorrido na última quinta-feira, 3 de julho, representou uma perda significativa para a UFSC, que agora carrega a responsabilidade de honrar seu legado, o qual permanece vivo não apenas nas estruturas físicas, mas também nos valores da instituição.

O evento ressaltou a relevância de Rodolfo para a UFSC, para Santa Catarina e para o Brasil. Durante sua trajetória, ele dedicou pelo menos 12 anos à liderança da maior universidade do estado de Santa Catarina. Foi reitor de 1984 a 1988, de 1996 a 2000 e de 2004 a 2008. Sua história com a UFSC começou na década de 1960, como estudante de Direito, curso no qual se tornou professor em 1973. Além disso, também atuou como Procurador Federal junto à Universidade.

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Professor da UFSC questiona o uso de animais em laboratórios e muda sua trajetória de pesquisa

04/07/2025 16:42

O professor Aguinaldo Roberto Pinto no Laboratório de Imunologia Aplicada na UFSC. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC.

O professor Aguinaldo Roberto Pinto, do departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (MIP/UFSC), vinha desenvolvendo estudos sobre vacinas desde 1996. Naquele ano, ele ingressou no doutorado em Imunologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e estava entusiasmado com a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento de uma vacina experimental utilizando uma abordagem nova a partir do DNA. Em 2000, ele defendeu a tese “Vacinação de camundongos BALB/c com o gene da gp43 de Paracoccidioides brasiliensis: estudo da resposta imune” e seguiu pesquisando sobre vacinas ao longo da década seguinte. 

Entretanto, em determinado momento de sua carreira, Aguinaldo decidiu mudar os rumos de suas investigações e hoje o desenvolvimento de imunizantes não está mais em seu horizonte. O principal motivo dessa transição é o fato de o professor deixar de acreditar que animais possam ser usados como cobaias em estudos que visam algum possível benefício aos humanos. Para Aguinaldo, o emprego de animais em testes de laboratórios tem validade científica duvidosa. “Com os novos recursos científicos e tecnológicos atualmente disponíveis, em breve será considerada uma prática antiga e ultrapassada”, observa.
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Pesquisa da UFSC analisa riscos da presença de cães nas praias e diretrizes para regulamentação

01/07/2025 16:28

Apesar da proibição, é comum encontrar cães nas praias de Florianópolis. Foto: Eduardo Cuducos/Flickr/CC BY-NC 2.0

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) avalia os diversos impactos da presença de cães nas praias. O estudo realizado pela médica veterinária Carla Roberta Seára Willemann traz contribuições para a discussão sobre a regulamentação de pets nas praias de Florianópolis, com análises dos riscos para a saúde humana, animal e ambiental, bem como de experiências de praias pet friendly pelo mundo. Aponta, ainda, medidas fundamentais para que se possa liberar a presença de cães de maneira segura, como investimento em saneamento básico e controle de animais errantes.

Apesar da proibição, determinada pela Lei Complementar Municipal nº 94/2001 e pela Lei Complementar CMF nº 60/2003, que altera a Lei Municipal nº 1224/1974, é bastante comum encontrar cães, sozinhos ou acompanhados de seus tutores, nas praias de Florianópolis. O assunto envolve questões sociais, culturais, econômicas, ambientais e de saúde, e a polêmica em torno do tema não é nova. Desde 2018, foram apresentados pelo menos quatro projetos de lei buscando revogar a proibição de cachorros nas praias do município. Atualmente, está em tramitação na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei Complementar nº 1956/2024, que pode permitir a presença de cachorros em praias de Florianópolis, desde que vacinados e devidamente acompanhados por seus tutores.

“De um lado, existe uma demanda crescente por espaços públicos onde os tutores possam desfrutar momentos de lazer com seus cães. De outro, há um cenário sanitário que já apresenta riscos, como a presença de parasitas zoonóticos em fezes de cães em praias, evidenciada em estudos anteriores. Com o adensamento populacional na região da Grande Florianópolis e o consequente aumento do número de animais de estimação, esses desafios tendem a se intensificar”, comenta Carla, que realizou a pesquisa para sua dissertação de mestrado, sob orientação das professoras Patrizia Ana Bricarello e Maria José Hötzel.
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Barco solar da UFSC leva inovação e sustentabilidade para passeios em Itajaí

30/06/2025 16:29

Barco Guarapuvu foi desenvolvido pela equipe universitária Vento Sul. Foto: divulgação/Equipe Vento Sul

O Guarapuvu, barco solar desenvolvido pela Equipe Vento Sul na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será uma experiência de inovação e sustentabilidade durante o Itajaí Boat Show 2025, considerado o maior evento náutico do Sul do Brasil. O público será convidado a embarcar, de forma gratuita, no futuro da navegação por meio de uma experiência única de um passeio no veículo desenvolvido por estudantes e professores.

O evento ocorre de 3 a 6 de julho, mas a experiência conduzida pela equipe da UFSC será somente nos dias 5 e 6, sábado e domingo, das 11h20 às 17h. Para participar, é necessário se inscrever neste formulário ou na página do evento. Também é necessário ser maior de 18 anos e ter peso inferior a 100 kg. Além disso, recomenda-se levar uma roupa extra e uma toalha, por precaução.

Silencioso, eficiente e 100% movido a energia solar, o barco oferece uma forma sustentável de explorar as águas do Rio Itajaí-Açu. “Diferentemente das embarcações convencionais, ele não utiliza combustíveis fósseis nem gera ruídos, calor ou emissão de gases, o que representa um novo paradigma em mobilidade aquática sustentável. Além disso, foi inteiramente desenvolvido por uma equipe universitária, demonstrando a capacidade de inovação da pesquisa pública brasileira”, destaca o professor do Departamento de Engenharia Mecânica Rafael Cerqueira, que orienta a equipe.
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Professor da UFSC vai reconstruir história de marfins do Museu Nacional de Belas Artes em pesquisa internacional

30/06/2025 10:02

Peças estudadas têm uma origem oficial que será investigada em pesquisa internacional liderada pela UFSC

O professor Sílvio Marcus de Souza Correa, do departamento de História da UFSC, vai conduzir uma investigação internacional que pretende reconstruir a história de marfins do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MNBA) em um projeto de pesquisa premiado pelo Centro Marc Bloch de Berlim, na Alemanha. Ele busca identificar as origens e o percurso de quatro peças lavradas da coleção africana e compreender se o conjunto foi um presente protocolar de Léopold Senghor, então Presidente do Senegal, durante a sua visita oficial ao Brasil em 1964.

Ele explica que esta hipótese carece de averiguação. Além disso, pairam dúvidas sobre a origem dos marfins, a sua antiguidade e sua procedência. “O objetivo principal é reconstituir o percurso desses marfins desde o seu ‘mundo de produção’ até a sua entrada no ‘mundo museal'”, comenta.

Para isso, uma equipe irá trabalhar ao longo de um ano. As atividades devem se realizar em etapas bimestrais. Na primeira etapa da pesquisa, a equipe deve reunir dados em documentos de arquivos no Brasil e no Senegal. Numa segunda etapa, a análise deste material permitirá um estudo comparativo com outros marfins lavrados em outros acervos museológicos, especialmente na França, Bélgica, Alemanha e Portugal.

Ainda haverá uma terceira etapa, na qual os pesquisadores devem se reunir para apresentar os resultados preliminares sobre os marfins lavrados do Museu. O trabalho será apresentados e também terá um relatório final associado à organização de um seminário com o apoio do Museu Théodore Monod de arte africana, em Dacar, e também da Universidade Gaston Berger de Saint-Louis.

A pesquisa de proveniência de objetos culturais, segundo o professor da UFSC e coordenador do projeto, é a nova tendência na museologia de países como a França e a Alemanha. A equipe de pesquisa que será coordenada pelo historiador brasileiro é formada por pesquisadores da França, da Alemanha e do Senegal. A iniciativa surgiu durante a pesquisa de pós-doutorado do professor, em 2023. “Na altura, eu pesquisava as coleções de arte africana em acervos museológicos do Brasil. Numa visita à reserva técnica do MNBA, encontrei esse conjunto de marfins lavrados”, explica.

História

Detalhes das peças investigadas

Segundo Correa, a base da coleção africana do MNBA vem de uma compra realizada no início da década de 1960 pelo seu então diretor José Roberto Teixeira Leite. “Depois de quase dois anos como adido cultural na embaixada do Brasil em Accra, Gasparino Damata trouxe cerca de uma centena de objetos de arte africanos para vender no país”, comenta. Mas estes quatro marfins investigados foram adquiridos pelo MNBA depois. “A informação que precisa ser comprovada é que os marfins foram um presente do presidente do Senegal, Léopold Sédar Senghor, no quadro de sua visita oficial ao Brasil em 1964″.

O professor conta que, no catálogo do MNBA de 1982, consta que os marfins são do Benim. Apesar disso, não há consenso entre especialistas em arte africana quanto ao fato. “Alguns especialistas em arte africana e, especialmente arte em marfim africano, me disseram que, provavelmente, aqueles marfins são da Costa do Loango”, diz.

Outro objetivo é saber se os marfins lavrados foram adquiridos pelo presidente do Senegal ou se já se encontram em outra coleção museológica como, por exemplo, aquela do museu do Instituto Fundamental da África Negra de Dacar (Senegal). “Outra dúvida é sobre a doação ao MNBA. Quem foi o doador? Senghor, o presidente senegalês ou o seu sobrinho, Henry Senghor, que foi embaixador do Senegal no Rio de Janeiro naquela época? “, questiona.

Financiamento e cooperação internacional

O Fundo Franco-Alemão de pesquisa de proveniência de objetos da África subsaariana abriu edital no início deste ano para pesquisadores que trabalham na intersecção de questões ligadas à história da arte, à proveniência dos objetos de coleção e às novas práticas museais.

Além do financiamento do Centro Marc Bloch de Berlim, o projeto tem o apoio da associação franco-senegalesa Rede de Valores Culturais Solidários, do Instituto Nacional de História da Arte de Paris, do Museu de Arte Africana Théodore Monod de Dacar e do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

A equipe internacional de pesquisa conta com profissionais com formação na Escola do Louvre, no Instituto Nacional de História da Arte e na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, na Université Cheikh Anta Diop de Dacar e no Museu de História Natural do Instituto Leibniz de Pesquisa para Evolução e Biodiversidade de Berlim.

Para o professor, trata-se de um projeto de pesquisa em rede internacional que dará visibilidade às coleções africanas em museus do Brasil. Ele destaca ainda a importância do apoio à investigação científica do Centro Marc Bloch de Berlim, instituição de pesquisa franco-alemã para as áreas de humanidades e ciências sociais e das instituições museológicas de quatro países (Brasil, Senegal, França e Alemanha).

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UFSC no Summit Cidades: palestras e estande com conhecimento, tecnologia e inovação

27/06/2025 11:33

Estande da UFSC no Summit Cidades 2025. Fotos: SECOM/UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) teve uma participação inédita no Summit Cidades 2025, realizado de 24 a 26 de junho no CentroSul, em Florianópolis. Atuando como parceira institucional do evento, a UFSC marcou presença com um estande próprio durante os três dias, além das palestras de gestores universitários e pesquisadores. A participação da instituição promoveu uma ampla interlocução com diferentes setores da sociedade.

O estande da UFSC destacou uma série de projetos que refletem o impacto da Universidade no desenvolvimento social, econômico e tecnológico. Essa ação foi organizada de forma conjunta pela Secretaria de Comunicação (Secom) e o Departamento de Inovação (Sinova), integrada ao eixo “Conexão Externa” do Programa de Inovação e Empreendedorismo (Inova UFSC), que busca potencializar essas atividades, além de fortalecer parcerias estratégicas e novas oportunidades.

O reitor, Irineu Manoel de Souza, participou de um podcast no estande da UFSC

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, esteve presente no primeiro dia e reforçou a relevância da participação da Universidade em um evento nacional como o Summit Cidades. “A UFSC tem o compromisso de contribuir para o desenvolvimento da sociedade por meio da ciência, tecnologia e inovação. Estar aqui, apresentando nossos projetos e dialogando com diferentes setores, é essencial para fortalecer nosso papel como universidade pública e ampliar nosso impacto social”, afirmou o reitor. Durante o evento, ele também cumprimentou autoridades locais e nacionais, como o prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto, e o ex-presidente da República, Michel Temer.
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Estudo da UFSC reconstrói história da evolução genética da vitivinicultura catarinense e indica futuro do setor

23/06/2025 13:30

Doutor em História pela UFSC, Gil Karlos Ferri se dedica à área de pesquisa em História Ambiental. Foto: reprodução/acervo pessoal

De maneira inédita, um estudo desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGH/UFSC) reconstruiu a trajetória socioambiental do melhoramento genético de videiras (Vitis vinifera) no Planalto catarinense. A pesquisa demonstra que a evolução genética foi um dos principais fatores que permitiu o crescimento e estabelecimento da produção vitivinícola na região e indica quais serão os próximos passos do setor.

Segundo a tese de doutorado de Gil Karlos Ferri, as chamadas “variedades Piwi” prometem revolucionar a produção vitivinícola catarinense ao reduzir a utilização de agrotóxicos devido à sua resistência a diversos patógenos. Entre eles, uma das principais pragas dos vinhedos da região: os fungos. 

Defendida em 2024, a tese intitulada Variedades Piwi: a vitivinicultura no Planalto de Santa Catarina (Brasil) e as pesquisas de melhoramento genético de videiras sob a perspectiva da História Ambiental Global foi orientada pela professora Eunice Sueli Nodari, do PPGH/UFSC, e coorientada pelo professor Rubens Onofre Nodari, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais (PPGRGV/UFSC).  
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UFSC sobe duas posições e é a 8ª melhor universidade do país em ranking mundial

23/06/2025 12:13

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ocupa o posto de oitava melhor universidade do Brasil de acordo com o QS World University Rankings 2026, divulgado na quinta-feira, 19 de junho. A Universidade subiu duas posições em comparação ao ranking do ano passado.

Foram classificadas 1.501 instituições de 106 regiões, sendo 32 instituições do Brasil. No ranking global, a UFSC ficou na faixa 801-850. O ranking não especifica a posição exata das universidades dentro desses intervalos.

A classificação é elaborada anualmente pela Quacquarelli Symonds (QS) e leva em conta nove critérios de avaliação:

  • Reputação acadêmica (que representa 30% da nota final, considerando uma avaliação anual) – baseada em uma pesquisa global com acadêmicos;
  • Citações por docente (20%) – indicador de impacto da pesquisa científica;
  • Reputação entre empregadores (15%) – mede a percepção do mercado de trabalho sobre os egressos da instituição;
  • Razão entre corpo docente e estudantes (10%) – avalia a capacidade de ensino;
  • Rede internacional de pesquisa (5%) – mede a colaboração internacional em pesquisas;
  • Sustentabilidade (5%) – avalia os esforços institucionais relacionados à sustentabilidade social e ambiental;
  • Empregabilidade e resultados de ex-alunos (5%) – considera o impacto e o sucesso dos egressos;
  • Proporção de docentes internacionais (5%);
  • Proporção de estudantes internacionais (5%) – esse dois últimos refletem a capacidade de atrair talentos de outros países, promovendo um ambiente acadêmico internacionalizado.

A UFSC também se sobressai em rankings internacionais, como o Times Higher Education (THE) e a University Impact Rankings.

O resultado completo dos rankings QS World University pode ser acessado no site oficial da QS.

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‘UFSC sem Fronteiras’ oferece suporte a estudantes internacionais, migrantes e refugiados

18/06/2025 11:04

Luzia Maweza contando sua experiencia com o projeto. Foto: Divulgação

Problemas com a variação linguística, dificuldades de adaptação em sala de aula e o sentimento de exclusão por parte dos colegas foram alguns dos desafios enfrentados por Luzia, estudante migrante de Angola, ao ingressar no curso de Serviço Social da UFSC e se adaptar à vida em Santa Catarina. A situação começou a mudar quando ela se envolveu com o projeto UFSC Sem Fronteiras, uma iniciativa de extensão voltada à integração e permanência de estudantes internacionais, migrantes e refugiados.

Assim como Luzia, muitos vivenciam trajetórias semelhantes. Atualmente, a UFSC conta com cerca de 73 estudantes do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) e 583 estudantes internacionais regulares de graduação, conforme levantamento da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), realizado em 13 de maio. Muitos desses estudantes chegam ao Brasil sem acompanhamento institucional e enfrentam dificuldades de adaptação, como as relatadas por Luzia.

Elisa Schemes, representante do Programa de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G) e ligada à Secretaria de Relações Internacionais (Sinter), explicou que o projeto em questão nasceu da vivência de acompanhamento dos estudantes que ingressam via PEC-G. Este é um programa do governo brasileiro que oferece vagas gratuitas em cursos de graduação para estudantes estrangeiros de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais. Segundo ela, a intenção é estender o suporte que já era oferecido pela Sinter e pelo Programa Institucional de Apoio Pedagógico aos Estudantes (Piape) a todos os demais estudantes internacionais da UFSC.

A coordenação do projeto está a cargo de Janaina Santos, também coordenadora do Piape. Com doutorado na área de migrações e refúgio, ela já atuava na aproximação com coletivos e organizações de apoio a pessoas migrantes e refugiadas. Janaina fez parte da comissão na UFSC que implementou a política de acesso específico para cursos de graduação voltado a pessoas refugiadas, solicitantes de refúgio e portadoras de visto humanitário. O processo seletivo para esse público existe na UFSC desde 2022 e oferece 10 vagas por ano. 

Segundo explica Janaina, o UFSC sem Fronteiras reúne estudantes de Graduação e Pós-Graduação migrantes, pessoas refugiadas, solicitantes de refúgio e internacionais para a realização de ações de acolhimento, integração acadêmica, acompanhamento das trajetórias estudantis, atividades culturais e artísticas.
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Decisão coletiva e histórica: UFSC exerce sua autonomia e altera o nome do campus na Trindade

17/06/2025 18:42

O reitor e presidente do CUn, Irineu Manoel de Souza, abriu a sessão especial sobre a alteração do nome do campus sede da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

“Aprovado por 56 votos favoráveis a alteração do nome do campus”. O anúncio do resultado final da votação do Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se mesclou ao som das manifestações e aplausos dos participantes da sessão especial, que ao concluir este processo, comemoraram e se emocionaram com a decisão coletiva e histórica da instituição.

O momento foi concretizado na tarde desta terça-feira, 17 de junho, no Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, com transmissão ao vivo pelo canal do CUn no YouTube. A decisão final, originalmente prevista para a última sexta-feira, 13 de junho, foi adiada após um pedido de vistas, aumentando as expectativas do público interno e externo à Universidade em torno da sessão de hoje. Para que essa alteração fosse aprovada, foi determinado pelo CUn o regime de voto aberto e quórum qualificado de três quintos dos membros.

O conselheiro-relator, Hamilton de Godoy Wielewicki, reiterou os trechos finais do seu parecer antes da votação

Antes da votação, os trechos finais do parecer aprovado foram apresentados pelo conselheiro Hamilton de Godoy Wielewicki, que destacou a importância de uma decisão fundamentada e ponderada, baseada nas evidências reunidas pela Comissão Memória e Verdade (CMV-UFSC). O parecer apontou que o ex-reitor João David Ferreira Lima, homenageado no nome do campus, teve sua trajetória associada a situações que configuraram graves ameaças aos direitos humanos durante o regime militar brasileiro (1964-1985). O relator defendeu a mudança e sugeriu a seguinte redação para o Estatuto da UFSC: “Art. 1º A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), autarquia de regime especial vinculada ao Ministério da Educação (Lei nº 3.849, de 18 de dezembro de 1960 – Decreto nº 64.824, de 15 de julho de 1969), é uma instituição de ensino superior e pesquisa, multicampi, com sede no Campus Universitário localizado no Bairro Trindade, em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina”.

A sessão foi marcada novamente pela ampla participação de movimentos estudantis, servidores técnicos e docentes, e a comunidade externa, evidenciando o impacto e a relevância do tema. O debate gerou intensas discussões dentro e fora da academia, com manifestações de apoio à mudança e críticas de setores que questionaram a revisão histórica conduzida pela UFSC. O reitor Irineu Manoel de Souza, presidente do Conselho Universitário, abriu os trabalhos estabelecendo as regras para o funcionamento da sessão, como a proibição de novos pedidos de vistas, com o objetivo de evitar mais adiamentos. Esta foi a quarta reunião do Conselho dedicada às discussões relacionadas às conclusões da Comissão Memória e Verdade (CMV), criada para investigar e propor ações sobre eventos ligados ao período da ditadura militar.

A proposta de alteração do nome do campus, que atualmente homenageia o ex-reitor João David Ferreira Lima, origina-se da sexta recomendação da Comissão para Encaminhamento das Recomendações Finais (CER), aprovada com base no relatório da CMV-UFSC. Das 12 recomendações aprovadas, a de número 6 propõe revisar homenagens a personalidades que, de alguma forma, colaboraram com o regime militar.
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Foguete de sondagem feito por estudantes da UFSC ganha dois troféus em competição internacional

16/06/2025 13:54

Foguete ultrapassou a velocidade do som, voando a mais de 1.500 km/h. Foto: Divulgação/ESRA

A equipe de foguetes de sondagem experimental Kosmos Rocketry do Campus de Joinville da 𝖴niversidade 𝖥ederal de Santa Catarina (UFSC) ficou em terceiro lugar em uma das categorias da maior competição de foguetes de sondagem experimental do mundo, a International Rocket Engineering Competition (IREC).

A Kosmos participou na categoria de 30k ft Sólido SRAD, com um foguete de um estágio, que foi completamente desenvolvido por estudantes. O projeto atingiu cerca de Mach 1.27 – o que significa 1,27 vezes a velocidade do som, algo em torno de 1.570 km/h – e atingiu 24.190 pés de altitude (quase 7,4 quilômetros).

Com esse resultado, a Kosmos conquistou dois troféus: um pela performance na categoria e outro, o Sportsmanship Awards, exclusivo para equipes com especial espírito competitivo. Ao todo, 185 grupos, de 20 diferentes países, participaram da competição, entre 9 e 14 de junho, no estado do Texas, nos Estados Unidos. O evento é promovido pela Experimental Sounding Rocket Association (ESRA), uma organização sem fins lucrativos fundada em 2003.

Conforme a equipe Kosmos, a competição foi também o primeiro voo do foguete, resultado de dois anos de pesquisas. Conforme a equipe, o maior obstáculo foi o desenvolvimento do motor, que utilizou um propelente menos eficiente do que o utilizado por concorrentes nos Estados Unidos. Por essa razão, o motor precisou ser maior para que pudesse fornecesse um empuxo próximo dos foguetes motores menores.

Kosmos recebeu dois reconhecimentos: pela performance de voo e pelo espírito de equipe. Foto: Divulgação/UFSC/Joinville

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Inteligência artificial criada na UFSC é utilizada para manutenção da malha rodoviária em MG

16/06/2025 12:42

Instalação de câmera na viatura que irá monitorar estradas. Foto: Divulgação/DER/MG

Um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi adotado pelo Governo de Minas Gerais para monitorar as condições da malha rodoviária estadual. A cooperação, resultado de uma parceria firmada entre o estado e o laboratório em novembro de 2024, tem o objetivo de desenvolver estudos técnicos, metodologias e ferramentas para a manutenção e planejamento no âmbito do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG). Com a adoção da nova tecnologia neste mês, Minas é o primeiro estado a implementar o recurso nas rodovias sob sua responsabilidade e também nas concedidas.

Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do Brasil, equivalente a cerca de 16% do somatório de rodovias estaduais, federais e municipais de toda a malha viária existente no país, de acordo com o governo do estado. Do total de 272 mil km de rodovias, 22 mil km são rodovias estaduais pavimentadas sob responsabilidade do DER-MG, que serão alvo do levantamento. Antes feito de forma praticamente manual, o acompanhamento passa a contar com tecnologia para apontar com mais agilidade e precisão as condições da malha mineira e dar celeridade ao planejamento das ações de melhorias na infraestrutura rodoviária. A cooperação entre o governo mineiro e a UFSC tem a participação da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

Ferramenta detecta e classifica elementos

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Feira de Cursos da UFSC Joinville chega a 1,2 mil visitantes e supera público das edições anteriores

12/06/2025 18:39

Público conheceu diferentes atividades da Universidade na quarta-feira, 11 de junho. Foto: Divulgação/UFSC

A 3ª Feira de Cursos do Campus de Joinville da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebeu mais de 1.200 visitantes na quarta-feira, 11 de junho, superando o público das edições anteriores. Participaram do evento estudantes de Santa Catarina e do litoral do Paraná, como os que vieram de Guaratuba. Ao todo, alunos de 23 escola e outros 100 visitantes individuais estiveram na feira, que começou às 8h e se estendeu até as 17h.

A Feira de Cursos é realizada anualmente desde 2023. Em Joinville, a primeira edição contou com aproximadamente 700 estudantes e a segunda, em 2024, com cerca de 900. Esta edição do evento contou com Mostra de Projetos, que apresentou cerca de 40 iniciativas de pesquisa e extensão desenvolvidas por estudantes e professores.

O espaço teve como objetivo divulgar a produção científica da Universidade, estimular parcerias com empresas e o setor público, promover a ciência para estudantes do Ensino Médio e incentivar uma cultura de inovação e interdisciplinaridade. A programação da mostra incluiu exposição de pôsteres e protótipos, palestras sobre inovação, propriedade intelectual e mercado, painéis com especialistas, sessões de networking e dinâmicas interativas com demonstrações práticas.

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Abertas as inscrições de escolas para 15ª edição da Feira Redescobrindo a Matemática da UFSC

11/06/2025 09:11

Estão abertas as inscrições de escolas para a 15ª edição da Feira Redescobrindo a Matemática (Fermat) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O evento ocorrerá em 29 de setembro, das 9h às 12h e das 13h às 18h, no Colégio de Aplicação da UFSC, em Florianópolis.

O tema da Fermat será A Matemática do Egito Antigo e contará com estandes de jogos, desafios e trívias envolvendo Matemática, atividades que podem ser aproveitadas por todas as idades, garantindo a aprendizagem e o entretenimento de todos os participantes.

O objetivo do evento é promover aprendizagem sobre como a Matemática se faz presente tanto nos dias de hoje como nos primórdios da história humana. A iniciativa é organizada pelo Programa de Educação Tutorial (PET) de Matemática da UFSC. O programa é vinculado ao Ministério da Educação (MEC) e desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão, realizando ações de interesse da comunidade.

Conforme o site do PET, o objetivo da feira “é mostrar a Matemática de uma forma lúdica e interessante. Durante o evento são apresentados diversos jogos, exposições, desafios e fatos curiosos que visam instigar o raciocínio lógico dos visitantes. Cada um dos estandes é um mundo de possibilidades para ver essa temida área de conhecimento de uma maneira não usual”. A feira, com o nome de Fermat, também lembra o matemático francês do século XVII Pierre de Fermat (ilustração ao lado).

As inscrições para escolas e grandes grupos podem ser realizadas por meio do formulário. Mais informação no Instagram do programa ou pelos emails:  fermat@pet.mtm.ufsc.br e grupo@pet.mtm.ufsc.br.
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UFSC tem infraestrutura inédita e pioneira para pesquisa com células animais

05/06/2025 16:12

Estrutura é inédita na região (Foto: Mateus Mendonça)

Carne celular, clonagem, estudo de doenças, produção de medicamentos. Tudo isso pode parecer desconectado à primeira vista, mas há um ponto em comum: a necessidade de células animais. Um novo espaço na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), inédito no estado, vai ajudar a estabelecer novos parâmetros para pesquisas nas áreas de saúde, biologia e biotecnologia. Trata-se do Multicell — o banco de células da UFSC — localizado no Centro de Ciências Biológicas, mas idealizado em parceria com o Centro de Ciências da Saúde, por pesquisadoras dos dois centros. O espaço começou a receber suas primeiras linhagens celulares e se prepara agora para uma nova etapa de estruturação.

A professora  Gislaine Fongaro, coordenadora do banco, explica que o primeiro passo para a plena operação da estrutura vai até agosto de 2025, com os recursos do Programa MultiLab SC – Laboratórios Multiusuários da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). O investimento permitiu a compra de equipamentos, estruturação de um novo espaço físico e também a compra de células de bancos internacionais.

Sem um banco de células, os pesquisadores que utilizam células vivas como parte dos seus estudos e investigações precisam comprá-las de bancos internacionais. A nova estrutura da UFSC atuará colaborando para pesquisas institucionais, como centro de suporte, abrindo uma frente de trabalho que dará mais autonomia e independência a cientistas de diferentes áreas biotecnológicas.
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Laboratório da UFSC utiliza mesma técnica que a Nasa para análise de solo

05/06/2025 15:01

Técnica LIBS para análise de amostras no Lamaf. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Em Marte, o robô Perseverance da Nasa realiza análises do solo utilizando a técnica de Espectroscopia de Emissão Óptica com Plasma Induzido por Laser (LIBS). Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a mesma técnica será utilizada no Laboratório Multiusuário de Agro-Fotônica (Lamaf), inaugurado em dezembro de 2024 no Centro de Ciências Físicas e Matemática (CFM), em Florianópolis. Aqui na Terra, equipamentos inéditos em Santa Catarina ajudarão a fazer a análise rápida e precisa do solo e podem evitar doenças em plantações.

Idealizado por meio de uma parceria entre o Centro de Ciências Agrárias (CCA) e o Departamento de Física, o Lamaf integra tecnologias de ponta em espectroscopia óptica. Com a incidência de luz, a técnica LIBS permite o reconhecimento de todos os componentes químicos de uma amostra, podendo ser utilizada para verificar a presença de fertilizantes, minerais, resíduos de cimento, vidro e outros. Com isso, além de pesquisa aplicada, o laboratório poderá oferecer análises para atividades de agropecuária e de licenciamento ambiental. 

O Lamaf surgiu da necessidade de atender demandas do setor agropecuário catarinense, especialmente das cadeias de hortaliças, suínos e aves, setor responsáveis por aproximadamente 64% das exportações e por 30% do PIB estadual, segundo dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). A UFSC poderá contribuir diretamente para o aumento da produtividade e da sustentabilidade dessas cadeias, oferecendo soluções como monitoramento de fertilidade do solo e detecção de contaminantes. 

Alinhada aos princípios da Química Verde e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), a abordagem do laboratório dispensa o uso de reagentes químicos poluentes. Além da LIBS, outras duas tecnologias complementares —  Raman e OCT —, aliadas à inteligência artificial, fornecem informações de modo mais rápido e completo do que os métodos tradicionais. Análises de solo, líquidos e vegetais podem ser realizadas todas pelo mesmo laboratório.
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UFSC e IMA inauguram primeira estação pública de monitoramento da qualidade do ar

05/06/2025 13:41

Representantes da UFSC e do IMA no local de instalação da primeira estação pública de monitoramento da qualidade do ar no estado. Fotos: Roberto Zacarias/SecomGOVSC

Na tarde desta quarta-feira, 4 de junho, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediou um evento no Gabinete da Reitoria para celebrar o convênio que oficializa a parceria com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). O objetivo do acordo é a instalação da primeira estação pública de monitoramento da qualidade do ar no estado, um projeto que consolida Santa Catarina como referência nacional no setor. Localizada próxima à Biblioteca Universitária (BU), a unidade já está em operação e disponibiliza dados precisos e acessíveis ao público, representando um avanço expressivo na gestão ambiental.

O evento contou com a presença de lideranças acadêmicas e ambientais, incluindo o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza; a vice-reitora, Joana Célia dos Passos; o superintendente de Projetos da Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq), William Gerson Matias; o professor e responsável pelo projeto, Leonardo Hoinaski; o diretor de Controle, Passivos e Qualidade Ambiental do IMA, Diego Hemkemeier Silva; o gerente de Resíduos e Qualidade Ambiental do IMA, Fábio Castagna da Silva; e a assessora de gabinete Amanda Ramos Silveira, representando a presidente do IMA, Sheila Maria Martins Orben Meirelles. Estagiários envolvidos no projeto também participaram do encontro.

O reitor Irineu Manoel de Souza falou da relevância do projeto para a Universidade e para a sociedade. “É um momento muito significativo para todos nós. Este equipamento de monitoramento do ar, que o IMA está instalando em parceria com o Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, reforça nossa missão de prestar suporte científico e tecnológico à sociedade. A Universidade está muito satisfeita em participar de um projeto que também envolve estudantes, docentes e técnicos, fortalecendo o papel acadêmico e a colaboração com o poder público”, destacou.

A vice-reitora, Joana Célia dos Passos, enfatizou o impacto social da iniciativa. “Mais do que uma parceria entre a UFSC e o IMA, este equipamento é um instrumento essencial para a formulação de políticas públicas que impactam diretamente a qualidade de vida da população. É isso que deve mover a universidade e o poder público: garantir que a ciência e as políticas públicas transformem a vida das pessoas”, afirmou.
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Feira de Cursos da UFSC leva informação e diversão para estudantes de Ensino Médio

03/06/2025 12:37

Feira reúne milhares de estudantes de Ensino Médio interessados em conhecer a UFSC

Carlos Gomes e Kauã Pires, da Escola Técnica de Comércio de Tubarão (ETCT), e um grupo de alunas do Colégio Luterano de Joaçaba estão entre os milhares de estudantes que participam da terceira edição da Feira de Cursos da UFSC, realizada nos dias 3 e 4 de junho,  das 8h às 17h, no campus de Florianópolis da Universidade Federal de Santa Catarina. O evento, voltado principalmente a estudantes do Ensino Médio, ocorre no Centro de Cultura e Eventos e tem como objetivo apresentar as diversas oportunidades de formação oferecidas pela universidade, que é gratuita, pública e referência em ensino superior no Estado.

Durante a visita, Carlos e Kauã, ambos com 17 anos, destacaram a recepção acolhedora e a clareza das informações compartilhadas nos estandes. Carlos, interessado em Biologia Marinha, afirmou que gostou bastante da experiência e espera retornar em outras edições. Já Kauã, que estagia na área de Engenharia Civil em Tubarão, está conhecendo as possibilidades de curso e pretende ingressar na UFSC no próximo ano. Entre os estandes que mais chamaram sua atenção estão os de Engenharia Civil de Joinville, Biologia e Engenharia Civil. Carlos destacou as interações nos estandes de Ciências Sociais e Biologia como as mais marcantes.

Quem também aproveitou a feira foi um grupo do terceiro ano do Colégio Luterano Santíssima Trindade, de Joaçaba — formado por Anna Luíza (17), Amanda Giumbelli (16), Luíza Giumbelli (16) e Gabrielle Becker (17). Para elas, a experiência é significativa em um momento decisivo da vida escolar. “Ajuda a gente a descobrir do que gosta, seja para quem ainda não tem certeza, seja para quem quer confirmar uma escolha”, afirmam. Entre os estandes que mais chamaram a atenção do grupo estão Medicina, Ciências Biológicas e Fonoaudiologia.
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UFSC inicia recuperação ambiental com plantio de mudas e melhoria da qualidade das águas

30/05/2025 10:39

Reitor Irineu Manoel de Souza participa de mutirão para o plantio de mais de 100 mudas nativas nesta Semana do Meio Ambiente UFSC. A ação faz parte do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas do Campus Trindade (PRAD-TRI). (Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC)

Após um processo que durou mais de 12 anos, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) dá início à fase de execução de seu Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas do Campus Trindade (PRAD-TRI), em Florianópolis. A execução do PRAD-TRI marca um avanço significativo no cumprimento de uma sentença judicial que determina a recuperação da qualidade da água dos córregos e da revegetação e cercamento das Áreas de Preservação Permanente (APP) no campus, além da correção e monitoramento das ligações da rede de esgoto, e a promoção de atividades de educação ambiental. 

“É uma reparação histórica de uma dívida da UFSC com a sociedade, então, é muito importante estar aqui”, disse o reitor Irineu Manoel de Souza enquanto participava de um mutirão de plantio de árvores nativas no campus, atividade prevista no PRAD e que integrou a Semana do Meio Ambiente UFSC. O mutirão reuniu cerca de 30 pessoas – estudantes, servidores, trabalhadores terceirizados e pessoas da comunidade – na manhã desta quinta-feira, 29 de maio, em uma área próxima ao Alojamento Indígena. Houve, ao longo do dia, o plantio de cerca de 100 mudas e a área ainda receberá outras 130 árvores, e cercamento do local de preservação. Ao todo, estima-se que 2600 novas árvores serão plantadas no âmbito do PRAD-TRI, para reflorestamento e compensação ambiental.

A coordenadora de Gestão Ambiental da UFSC, Anna Cecilia (Ciça) Petrassi, destaca que, para além de realizar a recuperação ambiental, o PRAD-TRI é uma iniciativa multifacetada, que visa à melhoria da qualidade de vida no campus. “Estamos muito felizes por ter recebido o apoio para a execução do PRAD ocorrer durante esta gestão na UFSC”, elogia. 

>> Acesse aqui o projeto executivo do PRAD-TRI
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Carlos Nobre defende transição energética e práticas regenerativas para frear colapso

27/05/2025 13:01

Professora Regina Rodrigues e Carlos Nobre participam de EcoTalks, na Semana do Meio Ambiente da UFSC (Fotos: Gustavo Diehl/Agecom)

A transição para práticas agrícolas e pecuárias regenerativas é uma das principais estratégias para enfrentar os efeitos da emergência climática e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Brasil. O alerta foi dado pelo climatologista Carlos Nobre, um dos maiores nomes de estudos do clima no país e no mundo, que também destacou o papel de uma rápida transição energética para que o país enfrente o desafio global. Em estudo ainda não publicado, ele e outros cientistas preveem que medidas como estas podem levar o país a cumprir a meta de carbono zero até 2040.

Os dados foram trazidos durante palestra na Semana do Meio Ambiente, promovida pela Coordenadoria de Gestão Ambiental (CGA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizada no Auditório da Reitoria, com mediação da professora Regina Rodrigues, da coordenadoria de Oceanografia. Segundo Nobre, menos de 15% da agricultura brasileira é regenerativa, mas esse percentual tem potencial para crescer rapidamente, liberando grandes áreas para restauração florestal e freando o impacto do aquecimento da Terra. Regina lembrou que os relatórios do Painel Intergovernamental do Clima acumulam evidências sobre o impacto da ação humana para o aumento na emissão dos gases de efeito estufa, principalmente o gás carbônico.

Nobre acrescentou que a ciência atua globalmente para explicar porque a temperatura aumentou 0,35 graus de 2022 até agora e, por que, por exemplo, tivemos o mês de janeiro de 2025 como o mais quente da história. O risco de influência na segurança alimentar e energética foi confirmado pelo cientista, que ressaltou que a quantidade de vapor da água que foi para a atmosfera também bateu recorde. “Temos pancadas de chuva mais curtas e mais fortes e recorde de ondas de calor, tudo porque se joga mais energia na atmosfera”.

A apresentação reuniu estudantes, docentes, pesquisadores e representantes da sociedade civil em um momento de reflexão sobre os limites do planeta. Nobre, que também é um dos principais nomes mundiais no estudo da Amazônia, reforçou que o mundo já não vive mais uma fase de “mudança”, mas sim de emergência climática. “Se continuar nesse nível de aumento de temperatura os eventos extremos não diminuirão mais”.

Há 35 anos, o cientista fez alertas sobre o chamado ponto de não retorno da Amazônia, que seria uma espécie de incapacidade de regeneração da floresta, com prejuízos incalculáveis para a humanidade. Ele voltou a alertar sobre o risco, acrescentando que estamos muito próximos deste ponto. “Há 35 anos fizemos os primeiros estudos que alertavam para isso. Hoje, estamos à beira desse ponto – e o mesmo vale para o Cerrado e a Caatinga”, afirmou.  Segundo ele, o projeto de lei que prevê a liberação do desmatamento em áreas sensíveis, a chamada “PL da devastação”, representa “a total devastação dos nossos biomas” e é “absolutamente inconstitucional”.
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Exposição traz raridades e territórios Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng para a UFSC

27/05/2025 08:53

Entrada da exposição conta com vídeos produzidos nos três territórios (Fotos: Gustavo Diehl)

Uma casa de reza. Uma nascente de água. Uma barragem. Os símbolos de território para os povos Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng em Santa Catarina contam a história do passado e do presente a partir de uma firme convicção de respeito à ancestralidade daqueles que ocupam o Estado há milênios. Esses três povos atuam como autores e também são parte da própria obra na exposição “TERRAS e ÁGUAS. História dos Territórios Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng. Ontem, Hoje, Sempre”, recém aberta ao público no Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral – MArquE/UFSC.

A exposição é uma porta para a história, as tradições, as manifestações culturais e até mesmo as dores dos povos indígenas que têm territórios em Santa Catarina. Sua montagem começou há dois anos e envolveu o curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica e a ação Saberes Indígenas na Escola, com coordenação do professor do Departamento de História Lucas de Melo Reis Bueno, todos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

“São 11 curadores indígenas destes três povos contando sobre o território. Cada um tem suas especificidades, mas a ideia é reforçar a ancestralidade dos territórios indígenas”, explica Bueno. Por isso, sob essa lógica, o território não é só uma demarcação, mas um olhar para o mundo, que começa logo nas escadas do MArquE, com sons de cânticos e da natureza dando as boas-vindas aos visitantes.

Peças de artesanato foram selecionadas pelos povos indígenas, curadores da exposição instalada no museu

Na entrada, um mapa do tamanho da parede dá a ideia da dimensão da região Sul a partir da distribuição das Terras Indígenas e sítios arqueológicos associados aos três povos, marcados por características e tradições bastante diferentes.

A semelhança, segundo explica o professor, estaria no chamado tronco Jê, origem das línguas dos Kaingang e Laklãnõ-Xokleng. As diferenças e particularidades dos povos, no entanto, começam a aparecer já no primeiro ambiente, com a exibição de depoimentos e imagens dos territórios – tudo captado exclusivamente para a exposição.

Com tomadas de imagens aéreas captadas com o uso de drones é possível visualizar ambientes preservados, com mínimas intervenções e a presença das florestas. Homens e mulheres dos três povos também compartilham suas histórias e dão vida à experiência.
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Em 15 anos, parceria entre UFSC e ONG restaurou cerca de 200 hectares de restinga em Florianópolis

23/05/2025 16:42

Equipe do projeto Restaura Restinga atuando nas dunas da Lagoa da Conceição. Foto: Todd Southgate

Neste 22 de maio, Dia Internacional da Diversidade Biológica, a parceria entre o Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação da Universidade Federal de Santa Catarina (Leimac/UFSC) e o Instituto Hórus completou 15 anos. Desde 2010, por meio de um programa de voluntariado, a aliança estabelecida entre as instituições foi responsável por eliminar mais de 420 mil espécimes de plantas exóticas invasoras em áreas de restinga de Florianópolis.

A ação, liderada e idealizada por mulheres desde sua origem, restaurou cerca de 200 hectares de restinga nesse período. A maior parte da área restaurada se encontra no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, primeira região de foco do trabalho da parceria, onde foram eliminadas praticamente todas as árvores de pinheiro americano (Pinus elliottii).

“É uma unidade de conservação que cobre 500 hectares de restinga. Ao longo de um pouco mais de 10 anos, trabalhamos mensalmente nessa área. Conseguimos praticamente acabar com os problemas de invasão por pinheiros americanos introduzidos aqui. Nesse período, foram mais de 420 mil plantas eliminadas”, afirma Michele de Sá Dechoum, professora Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC e uma das coordenadoras da iniciativa.

Além da remoção das invasoras, o projeto também reintroduz as plantas nativas à região. A produção das mudas plantadas é feita com critério técnico, com coleta local de sementes de plantas matrizes marcadas. “Mais importante do que eliminar as plantas, o nosso maior objetivo é restaurar áreas de restinga. Fazer com que a gente crie espaço para plantas nativas, animais nativos, toda nossa biodiversidade”, ressalta a professora.
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Estudo da UFSC aponta áreas de preservação ameaçadas por espécie invasora

23/05/2025 08:31

Pesquisadores fazendo o manejo do coral-sol na REBIO Arvoredo – Ilha do Arvoredo – Santa Catarina (Foto: Marcelo Crivellaro – Acervo PACS Arvoredo)

Um estudo inédito publicado na revista Marine Pollution Bulletin utiliza a modelagem para prever a potencial distribuição e avaliar o risco de invasão do coral-sol (Tubastraea spp.) em Áreas Marinhas Protegidas federais brasileiras.A pesquisa revela quais dessas áreas estão mais ameaçadas e aponta a indústria de petróleo e gás como um fator chave no alastramento da espécie invasora. O artigo é fruto do trabalho de conclusão de curso da acadêmica de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina, Millene Ohanna, e foi orientado pelo pesquisador Thiago Silveira no Laboratório de Ecologia de Ambientes Recifais, e coordenado pela professora Bárbara Segal, do departamento de Ecologia e Zoologia.

Os resultados destacam que a variável mais importante para a distribuição do coral-sol nos modelos foi a extração de petróleo e gás. As estruturas associadas a esta indústria servem como habitats favoráveis e vetores de dispersão. Ao avaliar o risco de invasão para as áreas federais, o estudo classificou as com maior vulnerabilidade, considerando a adequabilidade de habitat indicada pelo modelo e o nível de proteção. A Reserva Extrativista Arapiranga-Tromaí (MA), o Monumento Natural das Ilhas de Trindade e Martim Vaz (ES) e Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (PE) foram identificadas como as mais ameaçadas pela invasão do coral-sol.

A pesquisa também aponta para o alto risco de invasão na região próxima à foz do Rio Amazonas, uma área de grande relevância biológica e que tem sido alvo de discussões sobre planos de exploração de petróleo. O modelo prevê que esta área possui habitat adequado e está sob risco devido à proximidade potencial com atividades da indústria de petróleo e gás.

O coral-sol (Tubastraea coccinea e Tubastraea tagusensis), espécie invasora na costa brasileira, pode alterar habitats e comunidades nativas. Sua introdução no Brasil ocorreu no final da década de 1980 na Bacia de Campos, Rio de Janeiro, principalmente por conta da bioincrustação em estruturas artificiais da indústria de petróleo e gás, como plataformas e navios de perfuração. Desde então, ele se espalhou por mais de 3000 quilômetros da costa brasileira, colonizando tanto estruturas artificiais quanto recifes naturais.

Reserva Extrativista Arapiranga-Tromaí (Foto: Instituto Chico Mendes)

Diferentemente do que ocorria até então, esta pesquisa incluiu variáveis ambientais – como temperatura, salinidade e batimetria – e antropogênicas, relacionadas a atividades humanas, como a proximidade a áreas de extração de petróleo e gás, portos e naufrágios. A inclusão de fatores humanos foi importante pois a introdução e dispersão do coral-sol estão frequentemente ligadas a essas atividades.

Controlar espécies invasoras é um dos maiores desafios para a conservação da biodiversidade. Os pesquisadores explicam que a modelagem de distribuição espacial, como a utilizada no estudo, é uma ferramenta decisiva para prever onde espécies invasoras podem se estabelecer.

A precisão da modelagem, particularmente com a inclusão de preditores antropogênicos, oferece uma base científica robusta para o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Coral-Sol. O estudo enfatiza que confiar apenas em preditores ambientais pode levar a uma alocação menos eficaz de recursos.
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