Seminário Memórias do Corpo recebe submissões de trabalho até 30 de setembro

18/09/2019 10:17

A UFSC irá receber o Seminário Memórias do Corpo, de 29 a 31 de outubro, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura, com apoio do Núcleo de Literatura Brasileira Atual (Núcleo Literatual) e Núcleo Literatura e Memória (NuLIME), e parcerias com o Instituto de Estudos de Gênero (IEG) e o Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH). 

O seminário contará com conferências, mesas-redondas e comunicações orais. O evento tem por objetivo propor debates conceituais sobre memória e corporalidade no âmbito dos estudos acadêmicos dentro dos eixos temáticos Memória, corpo e afetos; Memória, corpo e estética; Memória, corpo e política; Memória, corpo e mídia.

Serão privilegiados os trabalhos que contemplem um ou mais eixos temáticos propostos pela comissão organizadora. As submissões poderão ser realizadas até 30 de setembro de 2019 pelo formulário online. Apenas serão considerados os trabalhos enviados pelo sistema de inscrições do evento. Poderão apresentar trabalho sob a forma de comunicação oral estudantes de pós-graduação e pesquisadoras/es.

Mais informações na página do evento.

 

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Chamada para apresentação de trabalhos no 1º Encontro sobre Memória e Direitos Humanos

07/08/2019 12:01

O 1o Encontro sobre Memória e Direitos Humanos é organizado pelo Instituto Memória e Direitos Humanos da UFSC e ocorrerá nos dias 25 e 26 de setembro, no Auditório da Reitoria da UFSC. O Encontro tem como tema Violências de Estado no Passado e no Presente e visa debater o tema com enfoque em seus avanços, recuos, e desafios presentes e futuros. Além de mesas redondas e palestras, estão programadas sessões de apresentação de trabalhos.

Estudantes, professores, pesquisadores e membros da comunidade estão convidados a propor trabalhos relacionados à temática do Encontro até dia 12 de agosto de 2019. Todas as propostas deverão ser submetidas exclusivamente pelo e-mail oficial do evento: .

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Palestra sobre Ditadura, memória e transição para a democracia na Argentina ocorre dia 25 de setembro

21/09/2018 15:08

Ludmila Catela. Foto: divulgação

Na terça-feira, 25 de setembro, a UFSC recebe a pesquisadora Ludmila Catela para a palestra “Ditadura, memória e transição para a democracia na Argentina”. O evento ocorre na sala 102 do Centro Socioeconômico (CSE), a partir das 14h20.

A palestra é gratuita e não há necessidade de inscrição para participar.

Sobre a palestrante

Ludmila Catela é doutora em Antropologia Cultural e mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professora da Universidade Nacional de Córdoba (Argentina), investigadora do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina (CONICET) e é fundadora e diretora do Arquivo Provincial da Memória de Córdoba (APM)

Mais informações pelo email 

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Retrospectiva UFSC 2017: maio e junho

02/02/2018 12:55

Maio e junho são os últimos meses do primeiro semestre. Neste período geralmente há o encerramento das atividades acadêmicas e inicia-se o curto recesso do meio do ano, antes da retomada

Reitor Cancellier discursa nos 25 anos da Agecom. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

do segundo semestre. São meses também permeados por marcos históricos mundiais, nacionais e locais. Em 2017, no entanto, as relevantes datas desse período tiveram, cada uma, singularidade.

Todos os anos as gestões de reitoria comemoram seus aniversários de posse, costumeiramente ocorridas em maio. Neste maio, no entanto, a administração do então reitor Cancellier celebrou aquele que seria seu único aniversário de gestão. É neste período também que a Agecom celebra seu aniversário, mas em 2017 esta celebração foi especial, pois a Agência completou 25 anos.

Além das datas locais, em 2017 dias referentes a acontecimentos nacionais e mundiais também receberam abordagem especial, como o centenário da greve geral que impactou profundamente o regime czarista na antiga Rússia, abrindo as portas à revolução que daria origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Nacionalmente, maio possui importância por ser o mês da abolição legal da última escravatura do mundo, a do Brasil. Em 2017, especialmente diante do atual cenário nacional e do crescimento dos movimentos sociais que abordam a temática na universidade, o dia 13 reverberou mais forte na instituição, como com o VI Reflexões sobre o 13 de maio, repleto de atividades de ensino, arte e cultura, e promovido pelo coletivo Kurima.
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Tags: 11º FITA21º FAM25 ano da AgecomAgecomAgecom 25 anosAgência de Comunicação da UFSCCancellierColeta Seletiva SolidáriaFAMFestival Internacional de Teatro de AnimaçãoFITALuis Carlos Cancellier de OlivomemóriaMuseu PatrimonialMuseu Patrimonial da UFSCreitorRetrospectivaRetrospectiva UFSC 2017Semana de DançaUFSC ExplicaVI Reflexões sobre o 13 de Maio

Arte e memória em novos vídeos na programação da TV UFSC

19/05/2017 09:25

A TV UFSC exibe a partir desta semana novos interprogramas das séries Canal Memória e A Cor da Nossa Tela. Um dos destaques é a entrevista com Orestes Guerreiro, que conta que foi testemunha de um encontro secreto que ocorreu em Florianópolis, antes do golpe de 1964. Orestes relata que o encontro reuniu a cúpula dos governos do Brasil, Chile, Uruguai e Cuba, para discutir a ameaça da derrubada de governos democráticos.

Outro destaque é a entrevista com o artista Hugo Rubilar. Artista chileno radicado em Florianópolis há mais de 20 anos, fala da importância de descobrir a arte ainda na infância e da influência do lugar em seu processo criativo.

O artista plástico Décio David lembra, em um episódio de “A Cor da Nossa Tela”, as suas origens artísticas na dança e o seu direcionamento, logo em seguida, para as artes plásticas. Influenciado Valda Costa e Martinho de Haro, o artista tomou seu próprio caminho com muitas cores e inspirado na arte popular.

As séries Canal Memória e A Cor da Nossa Tela são dirigidas pelo cineasta Zeca Nunes Pires e buscam valorizar artistas e contar histórias que constroem a identidade local. Para acompanhar, basta sintonizar a TV UFSC pelo canal 63.1 na tv digital aberta, pelo canal 15 da NET ou conferir os episódios no Youtube (www.youtube.com/user/tvufsc). Confira todas as estreias da semana:

 

Canal Memória

Encontro Secreto:

Paulo Wright:

Governador Celso Ramos:

Rolf Mathias Hass:

Átila Ramos:

A Cor da Nossa Tela

Hugo Rubilar:

​Décio David:

Patrícia Di Loreto as Crianças do Lar Recanto do Carinho:

Tags: artememóriaProgramaçãoTV UFSCvídeos

UFSC cria Comissão da Memória e Verdade

22/12/2014 13:54

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio de seu Conselho Universitário (CUn), aprovou por unanimidade a criação da Comissão da Memória e Verdade da UFSC, durante sessão extraordinária realizada na última terça-feira, 16 de dezembro. A Comissão será formada por dez membros da comunidade universitária e trabalhará durante o período de um ano para apurar e identificar atos arbitrários, violentos e de cerceamento das liberdades individuais e dos direitos humanos que atingiram a comunidade da UFSC no período de 1º de abril de 1964 a 5 de outubro de 1988. Após a aprovação do Conselho, a criação da Comissão será oficializada por meio de publicação no Boletim Oficial da UFSC.

Dentre as justificativas para criar a Comissão, foram citadas, além da necessidade de apuração, a prerrogativa de que a UFSC deve revisitar fatos desse período, estabelecer marcos de memória que demonstrem à comunidade a apuração desses fatos e registrar as experiências para futuras gerações. A Comissão ficará responsável por acessar os arquivos da UFSC e externos à Universidade, colher depoimentos, realizar audiências públicas e apresentar, no prazo de um ano, um relatório final circunstanciado ao Conselho Universitário. Além disso, a Comissão deverá estudar e propor medidas de reparação aos atingidos por ações repressivas na UFSC, bem como propor demais medidas em defesa da institucionalização da memória das ocorrências investigadas.
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TV UFSC entrevista professor Fernando Ponte sobre 50 anos do Golpe de 64

01/04/2014 11:01

Professor Fernando Ponte de Sousa fala à TV UFSC sobre os 50 anos do golpe militar. Foto: Henrique Almeida / UFSC

O convidado do programa UFSC Entrevista desta segunda-feira, 31 de março, foi o sociólogo Fernando Ponte de Sousa, professor voluntário do Centro de Filosofia e Ciências Humanas e coordenador do projeto Memorial dos Direitos Humanos. Na conversa com Djalma Júnior, Fernando Ponte resgata a memória de um dos acontecimentos mais traumáticos da sociedade brasileira: os 50 anos do Golpe Militar de 1964 no Brasil.


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Arqueologia, Memória e História Indígena

23/08/2012 11:01

O  Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia (LEIA) da UFSC organiza o simpósio “Arqueologia, Memória e História Indígena”, que será realizado na UFSC de 7 a 9 de novembro no auditório do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MARquE).  As vagas são limitadas.

O evento é fruto de uma parceria  entre o recém- criado LEIA da UFSC, o Laboratório Interdisciplinar de Estudos sobre Tecnologia e Território (LINTT), sediado no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e o  Laboratório de Tecnologias Tradicionais (LTT), da UFRGS. O  simpósio dá continuidade aos seminários do LINTT,  na sua terceira edição, sendo que a primeira fora do estado de São Paulo e  unindo-se à VI Semana de Arqueologia e Patrimônio da UFSC. Nesta edição, o seminário será promovido pelo LEIA, reforçando o vinculo deste novo centro no grupo de pesquisa CNPq sobre Tecnologia e Território, no qual os outros dois laboratórios  já fazem parte.

Informações e inscrições: http://leia.ufsc.br/simposio e 

Tags: arqueologiaHistória IndígenaLEIAMArquEmemória

Lançamento: Nos Rastros da Memória

18/06/2012 11:16

A professora Clarícia Otto, do Centro de Ciências da Educação da UFSC, lançou no dia 15 de junho o livro Nos Rastros da Memória. A apresentação da obra lançada pelo Núcleo de Publicações do CED aconteceu durante o curso de extensão “A memória social em debate: oralidade, escritas, patrimônio e educação”. A capacitação é uma das atividades do Grupo de Pesquisa Patrimônio, Memória, Educação, coordenado pelas professoras Andréa Ferreira Delgado e Clarícia Otto.

Experiências docentes foram os motes que levaram a autora a investigar com maior acuidade as articulações entre história e memória e a sua mobilização no processo de ensino-aprendizagem, especialmente no ensino de História. A obra pode ser adquirida no Núcleo de Publicações do CED.

Mais informações:

Tags: CEDeducaçãomemóriaUFSC

Relatos e apresentações científicas marcam 3ª Semana de Arquivologia

04/05/2012 12:11
Relatos e apresentações na Semana de Arquivologia

Foto: Brenda Thomé/bolsista de Jornalismo na Agecom

Com a palestra “Arquivo, memória e patrimônio: experiências de pesquisa a partir do acervo do Arquivo Histórico de Joinville”, da professora da UFSC Janine Gomes da Silva, foi encerrada na manhã desta sexta-feira, dia 4, a III Semana Acadêmica de Arquivologia. O evento, aberto quarta-feira no auditório do Centro de Ciências da Educação, contou com apresentações científicas, relatos de experiências de estágios por alunos do curso, lançamento de livro, palestras e shows artísticos. O curso, criado em agosto de 2009, começou a funcionar em março do ano seguinte e chegou agora na quinta fase.

Além da palestra de encerramento, falaram durante o evento os professores Norberto Dallabrida, Gladys Mary Ghizoni, Janice Gonçalves, todos da Udesc, e Clarissa Stefani, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, que abordaram temas como arquivos educacionais, memória e patrimônio e ergonomia aplicada ao setor de arquivos. De sua parte, os alunos relataram experiências com arquivos diversos, pertencentes a historiadores, empresas privadas e à própria Universidade Federal de Santa Catarina, como a Pró-reitoria de Ensino de Graduação e o Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia.

De acordo com a coordenadora do curso, professora Eliane Maria dos Santos Bahia, o principal objetivo das semanas acadêmicas de Arquivologia é dar visibilidade ao curso. Outra meta é trazer para a Universidade os principais debates que estão em pauta nas mesas de discussões do segmento no Brasil e no mundo. No dia 28 de agosto haverá uma aula magna com o respeitado professor José Maria Jardim, da UniRio, para os calouros do segundo semestre de 2012.

A professora Ursula Blattmann, que também ajudou a implantar o curso, destaca a importância crescente dos profissionais da arquivologia, área que ganha força com a necessidade de guardar e preservar as documentações de escolas, hospitais, cartórios e empresas públicas e privadas. “Não há profissionais especializados atuando em todos esses lugares”, afirma a professora. Por isso, é comum ocorrer a destruição de acervos, seja por problemas de acondicionamento, seja por fatores externos, como enchentes (a exemplo do que ocorreu no ano passado em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí).

O curso da UFSC é o primeiro do Estado (há apenas 15 no Brasil) e surgiu em função do campo que se abre para este campo no país. A demanda cresceu a partir da sanção das leis 8.159, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados, e 12.527, chamada de Lei de Acesso à Informação, que faculta a todos os brasileiros o acesso a arquivos sigilosos, como os que remetem ao período da ditadura militar.

Na UFSC, onde o curso tem 150 alunos (outros 30 entrarão no segundo semestre), a primeira turma será formada em 2013.

Por Paulo Clóvis Schmitz/jornalista na Agecom

 

Tags: ArquivologiamemóriaUFSC

Duda Machado, música na memória, poesia no punhal

15/03/2012 09:51

Como anotações repetidas num diário

Não há mais nada para ser adiado.

No ar coberto pelo pó, a memória

esbarra nos rastros do que pôde ser

vivido como revelação e início.

O espelho que aguarda,

o mar de antes,

a miséria tão certa como a esquina,

o que os corvos sabem (?).

 Dentro da falha que persiste,

a persistência em querer ver.

A surpresa ante o próprio

 entusiasmo repentino.

 E a escuridão – desejada feito música.

 (Adivinhação da Leveza, Editora Azouge, 2011)

Encontro de Duda Machado, Rodrigo de Haro e Sérgio Medeiros
Duda (primeiro à esquerda), Rodrigo e Sérgio:
conversa sobre música e poesia

Em visita à Editora da UFSC, Duda Machado, poeta, ensaísta, tradutor e professor universitário, conversa com editor Sérgio Medeiros e poeta Rodrigo de Haro sobre relações entre música e poesia

Ele foi, ao lado de Waly Salomão, o letrista predileto das fases mais vanguardistas de Gal Costa e JardsMacalé na década de 60. Mas nunca tocou um instrumento, a não ser “três anos infelizes de sanfona” para atender a um desejo do pai. Quem esquece Gal cantando “Doce amor”, com sua garra vocal e performática, “como um punhal que brilha”? E a voz de Elis Regina também assina uma comovente gravação de “Doente Morena”. Antes da experiência musical, ele já havia investido seu talento na arte cinematográfica. Cinéfilo colecionador e frequentadorcompulsivo de salas de projeções, com pouco mais de 20 anos estava decidido pela carreira de diretor. Chegou a realizar um curta-metragem e alguns esboços de roteiro que acabou deixando na gaveta, intimidado pelo trabalho prático exigido pelo aparato de produção. Embora as incursões na música e no cinema não o tivessem satisfeito inteiramente, encorajaram-no para umterceiro projeto: escrever poesia e dar vazão a uma intensa leitura do gênero. Dessas experiências artísticas produtivamente frustrantes o Brasil viu nascer um de seus mais expressivos poetas contemporâneos.

Foi, portanto, o trabalho poético que ganhou definitivamente o artista Carlos Eduardo Lima Machadoe colheu os frutos de sua passagem por essa variedade de linguagens artísticas sobre as quais a obra do poeta baiano se constrói. Em visita a Florianópolis antes do Carnaval, Duda Machado se reuniu com o multiartista Rodrigo de Haro em um encontro promovido pelo amigo e também poeta, Sérgio Medeiros, diretor da Editora UFSC. Com o objetivo de planejar, em parceria com o Curso de Cinema da UFSC, uma grande mostra de filmes que exploram a questão do inumano, a ser realizada em abril, a pequena confraria dedicou-se a uma longa tarde de revisitação à memória da história cultural brasileira. A empatia entre o poeta catarinense Rodrigo de Haro e o baiano Duda Machado, que ainda não se conheciam, mas compartilharam esses momentos históricos, foi imediata e faiscante como o encontro entre dois velhos amigos.

Além de poeta, ensaísta e tradutor, Duda Machado é professor de teoria literária na Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais. Sua primeira obra poética veio em 1977, aos 33 anos, já morando no Rio de Janeiro, sob o sugestivo nome Zil, gíria que significa miscelânea. A segunda, intitulada Crescente, foi publicada somente uma década depois. Em 1997 escreveu Margem de uma onda (1997) e, em parceria com Guto Lacaz, Histórias com poesia, alguns bichos &cia., divertido livro de poemas para crianças. Transitando entre a docência e a produção poética, Duda fala nesta entrevista sobre a relação entre música e poesia e sobre seu último livro, Adivinhação da leveza, pela Azougue Cultural. Aborda ainda, com eloquência, a importância da efervescente Salvador dos anos de 60 e 70na sua formação e na de outros expressivos artistas nacionais. Conta como esse movimento conseguiu driblar o golpe de 64 e a sociedade conservadora para instaurar na capital baiana um polo de vanguarda na produção cultural para o País.

Raquel Wandelli: Teremos algum desdobramento poético desta conversa, além do projeto da I Mostra Internacional do Bestiário no Cinema?

Duda: Não chegamos ainda à mesa de anatomia [risos]. Por enquanto estamos nos divertindo em nossas conversas, evocando diversas situações onde, embora não tenhamos vivido juntos, fomos contemporâneos. O humor prevalece.

Raquel Wandelli: Você é professor, poeta, tradutor. Como se dá a articulação nessas diferentes, esferas de atuação na sua produção?

Duda: Seria ilusório dizer que essas atividades se articulam de forma harmoniosa. Em primeiro lugar, porque fazer poesia é algo muito exigente e ainda que possa se tornarcompatível com as outras atividades às vezes torna a relação entre elas muito tensas, sobretudo pela necessidade de concentração.

Raquel Wandelli. A teoria ajuda a atividade poética e vice-versa?

Duda: Aparentemente poderia ajudar, mas assim como as minúcias da realidade concreta costumam dissolver as ideias que fazíamos em relação à própria realidade, as minúcias do ato de compor poemas (e tudo no poema é minúcia, capaz de arrastar consigo aestrutura de composição) dissolvem a possibilidade de uma ligação entre a parte teórica e a prática de escrever.  Em termos intelectuais, não vejo essas atividades como opostas ou capazes de criar antagonismos. A atividade crítica de muitos poetas mostra mais do que compatibilidade, pois expõe certa interação entre crítica e poesia. Mas nem sempre a atividade de escrever crítica se transpõe para a crítica que é inerente ao ato de escrever poemas. Ambas trazem consigo fortes exigências. Muitas vezes, as exigências de escrever crítica com densidade pode se chocar com as exigências mais fortes (quando se é poeta) de compor poesia.

Raquel Wandelli. E essa contradição tem consequências produtivas para o poeta?

Duda. São consequências muito variáveis. Desde momentos de exclusão de uma das atividades, até um convívio precário que tem de ser pacientemente elaborado e mantido. Há momentos em que você queria ter disponibilidade de tempo completa para o poema, mas isso não quer dizer, no entanto, que essa disponibilidade pudesse ser mesmo usada. Essa aspiração pode ser produtiva porque faz você se virar para arrumar tempo.

Raquel Wandelli: Como você vê as possibilidades de explorar as aproximações entre crítica literária, tradução e poesia propriamente dita?

Duda: No caso da tradução, pode-se dizer que traduzir e fazer poemas podem ser apenas variantes. É verdade que não traduzo de modo contínuo há muito tempo, desde que me tornei professor. Traduzir profissionalmente foi algo que fiz para sobreviver, numa época em que fiquei sem emprego. Veja que as traduções de livros que fiz foram sempre de prosa (crítica ou ficção).  As poucas traduções de poemas foram publicadas em revistas ou jornais.Consegui sugerir algumas traduções de livros que foram aceitas e acho que fiz um bom trabalho. Por exemplo, As Cartas Exemplares de Flaubert, o fabuloso Marcel Schowb de Vidas Imaginárias ouO Bom Soldado, de Ford Madox Ford. Mas também fiz muitas sem nenhum prazer.

Raquel Wandelli: Você foi letrista de música, cineasta, poeta, tradutor… Como essa passagem por diferentes linguagens e atividades se expressa no seu trabalho poético?

Duda. Devo muito à música e também à pintura e ao cinema. É bom lembrar que a adesão a cada uma dessas atividades se deu em épocas distintas. Por volta dos 26 anos, eu queria mesmo era ser diretor de cinema, mas percebi que minha praia não era essa.Quando escrevi letras de música não escrevi poemas. Minha proximidade com Torquato Neto, Caetano, Gilberto Gil e a admiração pelo que faziam me levou a fazer letras para JardsMacalé. Mas eram letras para serem cantadas, não para existirem como leitura no papel.Só depois dessapassagem pelo cinema e pela composição de letras de música julguei que poderia começar a escrever poemas, embora soubesse que havia uma grande diferença entre as duas coisas, letra e poesia.

Raquel Wandelli. Você toca algum instrumento?

Duda: Meu pai me obrigou a tocar sanfona, o que me fez muito infeliz durante três anos [risos]. Não toco nenhum instrumento, mas na minha família ouvia-se música o tempo todo.

Raquel Wandelli. A música interfere na sua poesia? De que forma?

Duda.  Não sei responder com clareza a esse respeito. Se você fala do impacto damúsica popular sobre o que escrevo, não consigo ver a relação. É até provável que haja interferência, se penso,por exemplo, na música popular brasileira mais tradicional que ouvi muito quando era adolescente em Salvador.No meu caso, foi diferente, mas quero deixar claro que a convivência entre letrista e poeta pode ser possível e fecunda.  Para falar de um caso especial, Jorge Luís Borges foi contista, poeta e letrista. Quando Borges escreveu suas milongas, se não me engano, já era um poeta consolidado.

Raquel Wandelli: Há uma onda da critica literária que reivindica o específico da poesia e com base nisso procura desfazer o estatuto poético do que se faz em letras de música. O que você pensa sobre essas objeções?

Duda:É preciso ser capaz de reconhecer que letras de músicas podem ser igualadas ao que se considera como o melhor da poesia. Não creio que seja o meu caso. Há evidentemente uma especificidade da poesia, o que não quer dizer que a letra da canção não possa alcançar essa mesma qualidade.

Sergio Medeiros: Há um grupo de poetas e críticos aos quais se alistam Régis Bonvicino, Nelson Acher, Paulo Franchetti para quem no Brasil os poetas foram subestimados em relação a Caetano, Gil, Chico Buarque, Arnaldo Antunes.

Duda. Se não me engano, João Cabral disse que havia toda uma dimensão da lírica que deveria ser deixada de lado, pois a canção popular e

ra suficiente para isso.É uma discussão que volta e meia vem à tona. A questão se complica porque no Brasil a música popular é bem sucedida, tem um grande público e a poesia não. Nem a atual, nem a de qualquer outra época. Parece que houve um momento de valorização das obras de Caetano, Gil, Chico Buarque que levou a uma equivocada comparação com vantagem sobre a poesia daquele momento. Mas nada de definitivo, claro e consistente pode se dizer sobre essas relações. Por isso nunca me detive nesse papo reativo, nessa competição numa pista inexistente. Há algo de ressentido no fato de poetas estarem dando notas a músicos-letristas brasileiros.

Raquel Wandelli: E há por outro lado também os que criticam alguns músicos por fazerem composições que privilegiam a palavra literária e não a música, usando como exemplo parte da obra de Chico Buarque…

Rodrigo de Haro: Mas a natureza do madrigal já se faz dessa literalização da música. Ou seja, ela também está na gênese da poesia. Os sonetos de Shakespeare, por exemplo, foram escritos para serem cantados.

Duda: Música e poesia podem se interpenetrar. O registro da letra é outro, afetado pela música da canção. O que não tem sentido é fazer uma sistema de hierarquizações. Afora isso, há as complicações da produção que dirige apenas para o consumo.

Sérgio Medeiros: Os poetas chineses faziam letras que o rei musicava, por exemplo…

Duda:Esse exemplo ajuda a demonstrar que se trata de processos de produção diferentes, que podem ser integrados em determinadas tradições e contextos culturais. Acho muito pobre essa mania brasileira de definir o que e o que não é melhor entre poesia e letra de canção.

Rodrigo de Haro: A poesia é irrefutável.

Sérgio Medeiros: Essa frase diz tudo. A poesia, não importa se aparece em música ou na escrita, é irrefutável.

Duda: É isso! Nossa época implodiu a concepção do poético, que pode estar em qualquer lugar.

Raquel Wandelli. Você gostaria que um poema seu fosse musicado?

Duda: Não gostaria de maneira nenhuma [risos].

Raquel Wandelli. O que você diria sobre o seu último lançamento, Adivinhação da leveza, pela Azougue Cultural em relação ao conjunto de sua obra?

Duda. Adivinhação da leveza é um verso que concluiu um poema em torno da persistência e das modificações do passado. Acho um livro com diferenças decisivas em relação ao anterior, Margem de uma onda. O primeiro marco diferencial é que a maior parte dos poemas está concentrada no tópico da memória, como se os fossem compondo uma espécie de poema único. Para chegar a eles, o tempo se impôs e, com ele, a memória.

Raquel Wandelli: De que modo o passado se torna matéria-prima da sua poesia?

Duda: Implicitamente. O poeta trabalha de todos os modos e sempre. Ao escrever, está sempre dentro de uma combinação de memória (pessoal, de poemas de outros) e de certa invenção que se exerce sobre estas memórias.

Raquel Wandelli. Você viveu uma polisdiversidade, por assim dizer: nasceu na Bahia, morou no Rio de Janeiro, agora leciona em Ouro Preto. Como a memória das cidades aparece em sua poesia e qual é o lugar de Salvador?

Duda. Sempre misturo as cidades na memória poética, mas Salvador é primeiríssima. Fica na lembrança por causa da infância e da formação na juventude. Na minha juventude, Salvador possuía umaextrema vivacidade cultural. Aquelasimultaneidadede música, pintura, dança, a

rte experimental formou toda uma geração [entre eles Glauber Rocha, Caetano Veloso, Waly Salomão, João Ubaldo Ribeiro, Rogério Duarte, Roberto Pinho, José Carlos Capinan, Gilberto Gil, Carlos Nelson Coutinho e o próprio Duda Machado]. Naquele lugar pequeninodo mundo tudo que havia de mais arrojado na arte estava à disposição do público, como ouvir John Cage na sala de concertos da Reitoria ou assistir às produções teatrais de qualidade que Martins Gonçalves e Luís Carlos Maciel dirigiram na Escola de Teatro.

Raquel Wandelli. Como começou essa avant-garde baiana?

Duda: Trata-se de uma história bem conhecida que se deveu à iniciativa de um reitor (o primeiro reitor e fundador da UFBA) chamado Edgar Santos que criou na Bahia um poderoso polo de produção artística. Ele trouxe o compositor erudito de vanguarda, maestro, flautista e crítico de arte Hans-Joachim Koellreutter para dirigir a Escola de Música e os Seminários Livres de Música em Salvador que ele concebeu. Trouxe o ensaísta português Agostinho da Silva, que criou o Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao); a polonesa YankaRudzka, diretora da Escola de Dança e o cenógrafo. Trouxe do Rio de Janeiro o diretor de teatro Martins Gonçalves para dirigir a maravilhosa Escola de Teatro. E ainda o arquiteto [como fazia questão de ser chamada] Lina Bo Bardi, uma italiana com concepção inovadora sobre o museu e as artes populares, que estava à frente do Museu de Arte Moderna da Bahia. Lina, se não me falha a memória, ajudou a fundar uma espécie de cinemateca muito ativa onde eram exibidos os grandes filmes europeus e americanos. Glauber, Caetano, Gil, Tom Zé, por exemplo, como eles próprios já disseram, descendem desse ambiente único.

Raquel Wandelli. Pode-se dizer que durante os 15 anos à frente da reitoria da Federal da Bahia ele abriu as portas e caminhos para um renascimento multicultural que se expandiu para São Paulo e Rio e gerou o Cinema Novo e a Tropicália…

Duda.Sim, foi aí que esses artistas se formaram para depois fundarem ou se incorporem aos movimentos de que você fala.

Raquel Wandelli. E como Edgar Santos se segurou com a perseguição aos artistas e aos intelectuais nas universidades pela Ditadura Militar?

Duda. Edgar Santos não foi cassado ou coisa semelhante. Perdeu o cargo de reitor em 1961, quando Jânio Quadros escolheu outro nome da lista tríplice que era enviada ao presidente da República. Edgar foi para o Rio e faleceu no ano seguinte.

Lembro-me de uma coisa curiosa. Eu era estudante de Ciências Sociais na Bahia em 1965 e tive como professor Perseu Abramo, que havia sido expulso da Universidade de Brasília. Suponho que deve ter havido alguma negociação com os militares para que ele fosse admitido na UFBA.

Raquel Wandelli: E a sociedade da época apoiava o seu trabalho?

Duda.Muita gente era contraEdgarna época. Isso dentro e fora da universidade. Queriam a sua cabeça e da sua equipe, “aqueles malucos” que “traziam veados pra Bahia”, como se dizia nos lares e nas ruas de Salvador.

Raquel Wandelli. Voltando a sua obra, você parece experimentar várias propostas estéticas sem se confundir com nenhuma delas… Você acha que conseguiu criar um caminho próprio?

Duda: Acho que posso falar de meu primeiro livro,Zil, como exemplar dessa minha orientação. Em Zil, fiz alguns poemas concretos e construções visuais. Mas não se trata de uma simples adesão à poesia concreta, pois o verso predomina. Sempre achei que a tendência da horaPoeta Duda Machado visita a Editora da UFSC

tinha que ser a minha [risos]. Zil é uma gíria queexprime uma variedade de coisas, várias coisas ao mesmo tempo. Minha poesia tem, desde o início, algo de hibrido. Por exemplo, na relação entre lírica e distância da lírica.

Raquel Wandelli: Qual de seus livros mais o agradam?

Duda: Como não poderia deixar de ser, o último. A elaboração do poema pode ser sempre aprimorada, mas tenho apreço especial por

Margem de uma onda. Dizem que a última etapa do poeta ou do artista é encontrar dentro de suas próprias marcas estilísticas um modo de dissolver tudo o que ele fez até então.

 

Raquel Wandelli é jornalista na Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, professora de Jornalismo na Unisul e doutoranda em teoria literária na UFSC com a tese “Devires do inumano na literatura e na arte”. Publicou pela Editora da UFSC e IOESP Leituras do hipertexto; viagem ao Dicionário Kazar. Assina diversos ensaios publicados em livros, revistas e jornais sobre literatura, cinemae cultura em geral.

 

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IV Colóquio de História e Arte

12/09/2011 08:49

O Programa de Pós-Graduação em História da UFSC, dentro da Linha de Pesquisa Política, Escrita, Imagem e Memória promove de, 27 a 29 de setembro de 2011, nas dependências do CFH, o IV Colóquio de História e Arte, que contará, além das conferências e apresentações de trabalho, com programação cultural. Mais detalhes sobre a programação na página do Labharte: http://www.labharte.ufsc.br/index.html.

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