Professora da UFSC ministra conferência de abertura de Congresso Internacional em Bogotá

09/10/2018 18:18

A professora Paula Brügger, do Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciência Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (ECZ/CCB/UFSC), ministrará a conferência de abertura do VIII Congresso Internacional sobre Formação de Professores de Ciências. O evento ocorrerá de 10 a 12 de outubro, na Universidad de la Salle, em Bogotá, Colômbia. Com o tema “Para a construção de sociedades sustentáveis”, o objetivo do congresso será debater a formação de professores para a consolidação de sociedades sustentáveis, a partir do reconhecimento de um pluralismo sistêmico que leve à reflexão sobre a articulação entre ciência e cultura nos processos de formação cidadã.

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Aluna de Iniciação Científica da UFSC recebe prêmio em evento internacional sobre tubarões e raias

11/06/2018 10:41

Luiza Machado da Camara Canto, aluna do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina recebeu o prêmio de melhor pôster na 10ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios (SBEEL), apresentado no evento Sharks International Conference, em João Pessoa, Paraíba. Luíza recebeu o prêmio pelo trabalho intitulado “Raias da REBIO do Arvoredo e adjacências: padrões de distribuição espacial e sazonal”, orientado pelo professor Renato Hajenius Aché de Freitas, do Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB).

O projeto “Raias da REBIO do Arvoredo e adjacências: padrões de distribuição espacial e sazonal” tem como objetivo analisar a ocorrência de raias na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, investigando padrões de distribuição sazonal e espacial das espécies mais vistas na região. Com os resultados desta pesquisa, será possível conhecer um pouco mais sobre a biologia das raias da REBIO do Arvoredo, além de poder contribuir com futuros projetos de manejo e conservação.
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Professor da UFSC leva experiência de taxonomia a alunos de escola municipal de Florianópolis

03/04/2018 13:58

Professor Luiz Carlos de Pinho conversa sobre ciência com os alunos da escola municipal Adotiva Liberato Valentim. (Foto: Ascom/PMF)

Uma iniciativa do professor Luiz Carlos de Pinho, do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em conjunto com a Escola Básica Municipal de Florianópolis, Adotiva Liberato Valentim, foi parar na Zootaxa. É que a unidade educacional foi homenageada com o nome de um inseto descoberto na Amazônia pelo professor. No periódico, Pinho relata todo o caminho percorrido: da descoberta até o batismo do animal: “Aedokritus adotivae”.

Tudo começou quando o professor foi convidado pela escola para assessorar uma turma de terceiro ano do ensino fundamental sobre “Novas espécies de animais”. Anualmente, todas as classes do estabelecimento trabalham um tema dentro do projeto global “Aprender a conhecer, pesquisa de corpo inteiro”. A ideia é que um especialista ajude a criançada, que já possui igualmente dois profissionais orientadores da escola – no caso desta turma, a professora Joseane Maria Aguiar Amorim e a bibliotecária Adriana Kuhn – a responder as dúvidas que motivaram a escolha do tema, como “Qual a rotina de um cientista na floresta?”, “As novas espécies evoluem de outras?” e “Como uma nova espécie é identificada pelos cientistas?”.
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Professores da UFSC se manifestam pela criação de novas Unidades de Conservação Marinha no país

09/02/2018 13:44

Ilha da Trindade. Foto: Maria Eduarda Alves dos Santos

Dois professores do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (ECZ/CCB/UFSC) se manifestaram, na primeira semana de fevereiro, favoravelmente à proposta de criação de duas novas áreas de conservação marinha no país. Sergio Ricardo Floeter, que é coordenador da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota-Mar), divulgou, no dia 2 de fevereiro, uma carta expressando “forte apoio à proposta de criação dos dois novos mosaicos de áreas marinhas protegidas no Brasil: um no Arquipélago Trindade e Martim Vaz (incluindo montes submarinos) e outro no Arquipélago de São Pedro e São Paulo”.

O professor Alberto Lindner também se manifestou favoravelmente à proposta de criação de um Monumento Natural no entorno da Ilha da Trindade, do Arquipélago Martin Vaz e do monte submarino Columbia. “Entretanto, a fim de preservar as espécies marinhas oceânicas, do mar profundo, e as espécies recifais de grande mobilidade, recomendo que o referido Monumento Natural proposto inclua toda a Zona Econômica Exclusiva do entorno de Trindade e Martin Vaz. Com cerca de 460.000 quilômetros quadrados, essa seria a maior Unidade de Conservação de proteção integral do Brasil e a maior do Oceano Atlântico”, argumenta.

Conforme informa o site do ICMBio, “os monumentos naturais são unidades de proteção integral e teriam, entre outros objetivos, o de garantir a recuperação dos recursos pesqueiros. Já as APAs [Área de Proteção Ambiental] são uma categoria menos restritiva, admitindo várias atividades sustentáveis nos seus limites.”

No texto apresentado por Sérgio Floeter — representando os pesquisadores da Rede Sisbiota-Mar —, ele explica que “a iniciativa da criação de áreas de exclusão de pesca (Unidades de Conservação de Proteção Integral), como os MONAs (Monumentos Naturais) no entorno desses arquipélagos, pode finalmente dar uma resposta ao problema da sobrepesca e outros possíveis impactos, preservando assim esses patrimônios para as próximas gerações”.

As ilhas oceânicas brasileiras, segundo os professores, “são importantes refúgios para a biodiversidade marinha, além de repositórios de produtos naturais marinhos (potenciais fármacos) e genéticos únicos, assim como uma grande quantidade de espécies endêmicas. Comparativamente com ambientes costeiros do Brasil, as ilhas oceânicas ainda estão em um estado de conservação muito melhor”.

Ilha da Trindade. Foto: ICMBio/Divulgação.

Consulta Pública

A manifestação dos docentes se dão por ocasião das consultas públicas, promovidas nos dias 7 e 8 de fevereiro pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), para discutir as propostas de criação de duas unidades de conservação marinhas. No dia 7, uma audiência ocorreu em Recife (PE); e no dia 8, em Vitória (ES) — respectivamente na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco e na Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo. Em Recife foram avaliados os estudos sobre o arquipélago de São Pedro e São Paulo. Em Vitória, debateu-se a respeito do arquipélago de Trindade e Martim Vaz.

Conforme consta na página do MMA, a “consulta pública é uma das etapas de criação de UCs e está prevista na Lei 9.985/2000, que regula o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). Trata-se de uma reunião para se ouvir a opinião dos vários setores da sociedade envolvidos com o tema. […] Após as consultas, o passo seguinte é a assinatura e publicação dos decretos de criação das unidades. A previsão é que isso ocorra até o final de março.”

Na audiência realizada em Recife, conforme consta em matéria publicada no site do ICMBio, “as mais de 60 pessoas que participaram solicitaram o aumento da área atual proposta pelo ICMBio e ainda sugeriram limitar a possibilidade de mineração na futura Área de Proteção Ambiental (APA)”. Em Vitória, o debate suscitou duas alterações na proposta. Uma delas, com o objetivo de aumentar a área de proteção integral, sugere “transformar em uma única reserva dois blocos que pelo projeto original estão separados: um que fica em cima do Monte de Columbia, na cadeia Vitória/Trindade, e outro que pega a Ilha de Trindade e Martinho Vaz”, informa a notícia publicada no site da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. A segunda sugestão se refere à maior restrição das atividades de mineração na área de preservação.

Foto: Marinha da Ilha da Trindade/Divulgação.

Debate

O assunto tem gerado debate entre pesquisadores e especialistas na área. Em artigo publicado no blog de ciência do jornal O Estado de S. Paulo, o jornalista Herton Escobar questiona a eficácia da criação de unidades de conservação, sem que se estabeleça também os procedimentos de fiscalização: “Até que ponto essas áreas serão efetivamente protegidas? O governo vai mesmo se comprometer com os recursos humanos, logísticos e financeiros necessários para garantir a segurança dessas áreas tão grandes e tão remotas? Ou elas serão mais dois ‘parques de papel’, usados apenas para cumprir a Meta de Aichi e fazer bonito nos fóruns internacionais — sem, na verdade, proporcionar qualquer camada adicional de proteção aos ecossistemas marinhos, além do que já existe hoje?”

A consulta pública segue disponível para a participação de qualquer cidadão interessado no tema. As sugestões devem ser enviadas para o e-mail 

A carta da Rede Sisbiota-Mar está disponível aqui.

A carta assinada pelo professor Alberto Lindner está disponível aqui.

Mais informações sobre o processo de criação das duas Unidades de Conservação Marinha estão disponíveis no site do ICMBio.

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC

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Pesquisadora da UFSC participa de Conferência Internacional de Direitos Animais em Luxemburgo

11/09/2017 17:03

A Conferência Internacional de Direitos Animais (International Animal Rights ConferenceIARC) ocorre anualmente, desde 2011, em Luxemburgo. Este ano, pela primeira vez, o evento contou com a participação de uma pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina. A professora Paula Brügger, do Departamento de Ecologia e Zoologia (ECZ/UFSC), apresentou duas palestras durante os quatro dias de conferência — de 7 a 10 de setembro. Também estiveram presentes no evento pesquisadores e profissionais de diversos países, sendo muitos deles referência na área de Direitos Animais, como a psicóloga Melanie Joy e o advogado Steven Wise.
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Pesquisadora da UFSC participa de expedição oceanográfica de 9 mil km pelo Pacífico

31/08/2017 17:57

Foto: Noelie Pansiot/Divulgação.

35 dias e cerca de 9 mil quilômetros percorridos no Oceano Pacífico, com saída da cidade de Keelung, em Taiwan, e chegada em Lautoka, nas ilhas Fiji. Esse foi o trajeto da expedição Tara Pacific, promovida pela instituição francesa Tara Foundation. Entre os seis pesquisadores a bordo, a única brasileira era Andrea Santarosa Freire, do Departamento de Ecologia e Zoologia (ECZ) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Não tínhamos sábado nem domingo, trabalhávamos todos os dias, desde as 7h da manhã. Foi muito cansativo, mas ao mesmo tempo uma experiência incrível!”, relata Andrea.

O convite para integrar a expedição internacional surgiu por sua ampla experiência na área de pesquisas oceanográficas – Andrea é a vice-coordenadora do projeto MAArE – e, sobretudo, por seu envolvimento no projeto Veleiro de Expedições Científicas e Oceanográficas (Veleiro ECO) da UFSC, que está em fase final de construção e em breve será lançado no mar. “No processo de construção do Veleiro ECO na UFSC, aos poucos amadurecemos um convênio científico internacional com a Tara Foundation. O projetista do Veleiro ECO é o mesmo do Veleiro Tara. Quando o professor Orestes Estevam Alarcon [coordenador do Veleiro ECO] me convidou para participar do projeto, sugeri desde o início o Tara como inspiração.”
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Projeto MAArE lança livro e portal de dados que proporcionam um mergulho no fundo do mar

25/08/2017 13:02

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC.

De um lado, a beleza, a criatividade. De outro, o método, a produção de conhecimento. A aproximação e o diálogo entre arte e ciência — duas áreas geralmente distantes entre si — foi o caminho escolhido para a concepção do livro que o Projeto de Monitoramento Ambiental da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Entorno (MAArE/UFSC) acaba de lançar. A obra, juntamente com um portal de dados, foram apresentados ao público em cerimônia realizada na quarta-feira, 23 de agosto, no Centro Integrado de Cultura (CIC) de Florianópolis.

Na solenidade, o biólogo João Paulo Krajewski, responsável pelas fotografias que ilustram o livro, ressaltou a qualidade e o ineditismo do projeto: “Foi a primeira vez que um projeto desse tipo solicitou a participação de um artista, um fotógrafo, desde o começo. Essa foi uma diferença muito grande. A arte pode trazer informações, pode trazer as belezas do fundo do mar.” Nesse caso, como se trata de uma reserva biológica, nem mesmo a mínima e restrita parcela da população que está apta a mergulhar pode ver “o que está lá em baixo”, como afirma João. As fotografias de altíssima qualidade, portanto, proporcionam uma oportunidade única de conhecer a rica biodiversidade presente neste pequeno trecho do litoral catarinense.

O livro, que está disponível para download no site do MAArE, foi elaborado com o intuito de difundir o conhecimento científico em uma linguagem leve e acessível, de forma a despertar o interesse da população e a valorização da vida marinha que ainda está preservada. A professora Bárbara Segal Ramos, coordenadora do projeto, ressaltou o esforço da equipe em traduzir a informação científica e torná-la mais agradável a todos: “O livro expressa nosso encantamento por esse ambiente da Rebio do Arvoredo. Está muito bem ilustrado. Espero que o público tenha a sensação de realmente mergulhar nessa reserva marinha ao folheá-lo.”

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Entre os milhares de registros que fez ao longo de três anos, João Paulo selecionou 1600 imagens que poderiam entrar no livro. Os registros foram feitos de forma muito cuidadosa, usando técnicas fotográficas especiais, com lentes pouquíssimo usadas em fotografias submarinas. Também foram utilizados drones, para imagens aéreas; montagem de fotos, para a composição de panorâmicas; lentes macro, para registrar mínimos detalhes, possibilitando fotografar organismos minúsculos e invisíveis a olho nu.

Em termos visuais, outro destaque da obra é uma montagem fotográfica que mostra como teria sido o fundo do mar da reserva na década de 1960. “Inserimos, em uma foto atual, animais que existiam naquela época e que não são mais visto hoje em dia, como os tubarões-mangona e os grandes meros. Das 140 pessoas que participaram do MAArE, nenhuma observou esses animais durante a vigência do projeto. Isso mostra claramente que há uma sobrepesca. O ambiente que vemos hoje é sem dúvida diferente do que era anos atrás. Por isso é tão importante o monitoramento ambiental. O projeto MAArE retrata em tabelas, gráficos, números, textos e imagens o que é a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo hoje.”  

Portal de dados

Para o desenvolvimento do portal de dados, o projeto MAArE contratou a empresa SKYmarket, especializada em informática para biodiversidade, cujo foco de atuação é a centralização, organização, integração e disponibilização de dados ambientais. No caso do MAArE, foram gerados mais de um milhão de dados biológicos e oceanográficos. “Foi um desafio grande, maior do que imaginávamos. Eram mais de 20 conjuntos diferentes de dados, de natureza diferente, formato diferente, metodologias de coletas diferentes. E nós tínhamos que unir tudo isso em um único sistema e armazenar, organizar, padronizar, validar, integrar, sincronizar, permitir controle e consultas”, explica Rafael Fonseca, representante da empresa.

O portal foi projetado de forma modular, para garantir maior flexibilidade na manutenção e expansão de suas funcionalidades, permitindo que novos módulos sejam desenvolvidos e facilmente acoplados. O processo de desenvolvimento do sistema seguiu  os princípios de software livre e adotou padrões internacionalmente reconhecidos. “Trabalho nessa área há 16 anos e não conheço nenhuma outra iniciativa que chegou a um resultado tão animador”, afirma Rafael. O link para portal de dados estará disponível em breve na página do MAArE.

Preservação

O chefe da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, Ricardo Castelli Vieira, ressaltou a relevância do MAArE para a gestão da unidade de conservação: “A Reserva do Arvoredo é a segunda reserva biológica marinha que temos no país. Só há mais uma outra, que é a Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas. O Brasil hoje, em termos de áreas marinhas protegidas, está totalmente deficiente. Estamos aquém dos compromissos internacionais. Precisamos muito ampliar nossas áreas marinhas, consolidá-las e valorizar o que elas têm hoje. Daí a importância desses projetos para preservarmos os ambientes marinhos. O MAArE foi um divisor de águas, pois levou para a gestão da unidade, a gestão do conhecimento.”

O pró-reitor de pesquisa, professor Sebastião Roberto Soares, elogiou o trabalho dos pesquisadores — “o livro e o portal demonstram a pujança do que foi feito nesses três anos” — e também discursou sobre a importância da preservação ambiental: “Nossas reservas biológicas são ainda uma porção de terra e de mar tão insignificante em relação a todo o território nacional, que é difícil entender como não despertam a sensibilidade de alguns dos nossos dirigentes. Precisamos garantir o respeito dessas áreas.”

Mais informações na página do MAArE.

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC

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Pesquisadores da UFSC revelam segredos da vida marinha no atol das Rocas

30/06/2015 14:17

“Você já imaginou sentir a maré chegando e, junto com ela, o seu maior predador? Saber que em alguns momentos as correntes marinhas serão tão fortes, e o perigo de virar comida tão evidente, que a única coisa que você fará até que a maré volte a baixar é fugir e se esconder?” Assim é como os pesquisadores do Departamento de Ecologia e Zoologia (ECZ) do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descrevem os segredos da vida marinha no atol das Rocas, onde grandes predadores, como tubarões, ainda convivem com peixes menores.

O trabalho idealizado por Guilherme Ortigara Longo, durante sua tese de doutorado em Ecologia, analisou o comportamento dos organismos marinhos do local – o único atol do oceano Atlântico sul – e como os fatores externos, como a maré, o influenciam.

Publicado no periódico on-line PLOS ONE, o estudo reuniu outros 17 pesquisadores, que se envolveram diretamente em sua segunda elaboração. O projeto é parte da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, liderada por Sergio Ricardo Floeter, do ECZ/CCB/UFSC. A expedição que gerou o artigo durou 25 dias, em 2012 – depois da primeira visita, os pesquisadores já retornaram ao local pelo menos três vezes.

Cardume em piscina no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Cardume em piscina no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

 

Segundo Renato Morais Araujo, um dos autores do artigo, o local, distante 230 km da costa nordeste do Brasil, é interessante para estudar a vida marinha devido ao seu distanciamento da costa. “O atol está isolado de muitos impactos da sociedade, o que faz dele um excelente modelo para que sejam estudados vários processos biológicos com uma influência reduzida do ser humano”, explica. “O atol das Rocas é um laboratório natural importantíssimo, que nos permite refletir sobre o efeito que podemos ter sobre os ecossistemas marinhos. Estudos comparativos podem permitir o desenvolvimento de estratégias de conservação mais efetivas, para que outros locais possam trazer a imagem que Rocas nos traz à mente: a de um paraíso protegido.”

Piscina aberta. Foto: Sérgio Ricardo Floeter/UFSC.

Piscina aberta. Foto: Sérgio Ricardo Floeter/UFSC.

Os atóis se formam tipicamente em torno de ilhas vulcânicas, a partir do crescimento de corais – no atol das Rocas, as algas calcárias são as principais responsáveis por essa formação. Ao longo de milhões de anos, algumas dessas ilhas começam a afundar, enquanto os recifes continuam crescendo, formando uma barreira em formato de anel com diversas piscinas naturais. No atol das Rocas, parte dessas piscinas continua se comunicando com o resto do oceano, enquanto outras ficam completamente isoladas do mar aberto, constituindo ambientes calmos (piscinas fechadas).

Quando a maré baixa, os animais dessas piscinas ficam presos até que ela suba novamente. Essas diferenças determinam, por exemplo, quais peixes, algas e corais habitam cada ambiente, e a forma como esses organismos interagem. Os pesquisadores observaram que os peixes-cirurgiões (Acanthurus chirurgus), por exemplo, alimentam-se dez vezes mais ao ficarem presos em piscinas fechadas durante a maré baixa.

 

Tubarão no Atol das Rocas. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Tubarão no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Outras formas de vida importantes à pesquisa foram os tubarões, que – revelou o estudo – dificilmente ficam presos em piscinas fechadas durante a maré baixa, mas são comumente encontrados em piscinas abertas. À medida que a maré começa a subir, eles nadam para dentro do atol, ficando, muitas vezes, com apenas parte do corpo envolta em água.

O estudo também indica que a alimentação dos peixes-cirurgiões em piscinas fechadas durante a maré baixa pode influenciar as algas que recobrem o fundo. Esses peixes preferem consumir um tipo específico de alga (Digenea simplex), rica em açúcares e pouco abundante em piscinas fechadas, porém comuns em piscinas abertas, onde os peixes se alimentam menos.

Piscina fechada no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Piscina fechada no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

 

O estudo

Pesquisadores da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota-Mar) realizaram um esforço conjunto para desvendar alguns dos segredos da vida marinha no atol das Rocas, em um trabalho multidisciplinar, que investigou da composição química das algas à abundância de peixes.

 

Atol das Rocas

Além de toda sua beleza e particularidades, o atol das Rocas é uma das únicas reservas marinhas do Brasil – criada em 1978 – e uma das primeiras do mundo. Atividades extrativistas, como pesca e coleta, são proibidas em reservas biológicas. A partir de 1991, a fiscalização no atol foi fortalecida pelo estabelecimento de uma estação permanente de pesquisa e monitoramento. Desde então a Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas vem se consolidando como uma das mais efetivas áreas de proteção marinha do Brasil, abrigando uma abundante fauna e servindo de berçário para aves, tartarugas e até tubarões.

Mais informações no site Sisbiota-Mar ou pelo e-mail .

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Fotografia: Renato Morais Araujo/ECZ/CCB/UFSC

 

 

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Doutorando da UFSC e bolsista no Ciência sem Fronteiras é premiado em evento nos EUA

16/04/2014 17:43

Guilherme Longo foi premiado com o primeiro lugar durante o 43rd Benthic Ecology Meeting, na cidade de Jacksonville, Flórida. Longo é bolsista de Doutorado da UFSC e do Ciência Sem Fronteiras. (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

O estudante de doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bolsista do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), Guilherme Ortigara Longo, conseguiu o primeiro lugar com um trabalho apresentado no 43rd Benthic Ecology Meeting, na cidade de Jacksonville, Flórida, ocorrido em março de 2014. O brasileiro está no Georgia Institute of Technology, onde realiza estudos de ecologia química aquática, especialmente em recifes de coral.

O trabalho desenvolvido por Guilherme busca mostrar que algas que estão competindo quimicamente com corais podem ficar mais “saborosas” para os herbívoros, fato que acaba ajudando os corais a se livrar delas, beneficiando, assim, a saúde do recife como um todo. “Esse resultado é particularmente importante porque ressalta o papel dos herbívoros, como peixes e ouriços, na recuperação de recifes de coral. Eles controlam, potencialmente, as populações de algas e mantém colônias de corais mais saudáveis”, explica. O professor que trabalha com Guilherme nos EUA, Mark Hay, é um dos pioneiros no assunto.

Os resultados obtidos foram apresentados no encontro na Florida, uma das reuniões mais importantes do mundo para o estudo de organismos como macroalgas e invertebrados marinhos. “Minha participação foi fortemente incentivada pelo professor e apoiada pelo Georgia Institute of Technology. Certamente o fato de já estar nos EUA foi um dos fatos que tornou possível minha participação neste congresso. O próximo passo é publicar um artigo científico com esses resultados como parte da minha tese de doutorado”, conta.

Premiação no México
Guilherme Longo teve também outro trabalho premiado durante o doutorado-sanduíche. Foi em outubro de 2013, no 1º Congreso Panamericano de Arrecifes Coralinos, em Mérida, no México. “Apresentei os resultados de outro capítulo da minha tese de doutorado, desenvolvido inteiramente no Brasil, e o trabalho também foi premiado, dessa vez em terceiro lugar. Os resultados compõem a primeira avaliação integrada de ambientes recifais rasos do Atol das Rocas, incluindo dados sobre a cobertura de corais e algas, comunidade de peixes e processos ecológicos importantes como herbivoria”, lembra.

Este trabalho é um dos frutos da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, contou com a participação de pesquisadores de diferentes instituições no Brasil e está sendo finalizado para publicação. Foi coordenado pelo orientador de Guilherme, Sergio Floeter, professor do Departamento de Ecologia e Zoologia na UFSC, responsável pelo Laboratório de Biogeografia e Macroecologia Marinha (LBMM). Além da bolsa para o doutorado-sanduíche nos Estados Unidos, Guilherme é bolsista pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no Brasil, como estudante de doutorado da UFSC.
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UFSC pesquisa sapinho ameaçado de extinção

28/02/2013 17:29

O Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC estuda um dos menores anfíbios documentados pela ciência brasileira – e que se reproduz em uma das maiores reservas de minério de ferro do mundo, a Serra de Carajás, no Sudoeste do Estado do Pará. Com tamanho um pouco maior do que o de uma unha da mão, o Pseudopaludicola canga vive restrito aos terrenos encharcados da Serra de Carajás. Entre 12 espécies de Pseudopaludicolaregistradas na América do Sul, é uma das mais raras em termos de distribuição geográfica.
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