Pesquisadores da UFSC desenvolvem teste rápido e barato para monitoramento de algas nocivas

18/06/2026 10:37

Pesquisador André Akira Yoshikawa, doutorando em Biologia Celular e Desenvolvimento da UFSC, é o principal autor do estudo que descreve o método inovador de identificação de algas nocivas em ecossistemas aquáticos. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu uma solução tecnológica inovadora para monitoramento ambiental: um teste molecular rápido, econômico e eficaz que detecta a presença da alga nociva Prorocentrum cordatum diretamente nos ambientes onde ela pode desenvolver florações e liberar toxinas. O método destaca-se por ser portátil, de baixo custo e capaz de fornecer resultados em cerca de uma hora, o que representa um avanço significativo para a gestão de riscos em ecossistemas costeiros.

A Prorocentrum cordatum é considerada uma “espécie sentinela”: quando observada em concentração excessiva, é um sinal de alerta para possíveis marés vermelhas (quando há liberação de toxinas na água em função da floração das algas) ou eutrofização (redução drástica do oxigênio na água em função de sua multiplicação excessiva). Por utilizar uma técnica molecular – chamada de Amplificação Isotérmica Mediada por Loop (LAMP) – o teste identifica a presença da alga, e não sua toxina, e isso pode favorecer a adoção de medidas de mitigação antes da floração propriamente dita. A pesquisa, desenvolvida no âmbito de um edital público para monitoramento das condições ambientais da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, foi detalhada no artigo A field-ready molecular workflow for sample-toresult detection of the harmful dinoflagellate species Prorocentrum cordatum (Prorocentraceae, Dinoflagellata) in coastal Brazilian waters, publicado em maio no periódico European Journal of Phycology.
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Mutirão liderado por laboratório da UFSC remove 184 quilos de lixo da Lagoa da Conceição

11/05/2026 16:39

Participantes recolheram 184 quilos de lixo das margens e entorno da Lagoa da Conceição. Foto: Divulgação

Cerca de 30 pessoas participaram no dia 8 de maio do 3º Encontro de Limpeza da Lagoa, iniciativa do Laboratório de Camarões Marinhos (LCM) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com apoio do Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) e de entidades e empresas locais. A ação resultou no recolhimento de 184 quilos de lixo das margens e áreas próximas da Lagoa da Conceição. Os materiais passaram por triagem e remoção de excesso de areia e água, e em seguida foram encaminhados à Autarquia de Melhoramentos da Capital (Comcap) para descarte adequado.

Materiais foram organizados e encaminhados à Comcap para destinação correta. Foto: Divulgação

Durante o evento foram organizadas também atividades de proteção da fauna, educação ambiental e outras ações voltadas à sustentabilidade, promovendo o envolvimento da comunidade na conservação ambiental e incentivando reflexões sobre o descarte correto de resóduos e os impactos da poluição nos ecossistemas lagunares.

Segundo Cláudia Machado, bióloga e técnica de laboratório no LCM/UFSC, a participação da comunidade é fundamental para fortalecer a conscientização ambiental. “Apesar de ser uma iniciativa coletiva, o impacto individual dessa ação é realmente significativo”, destacou. Além dos dois laboratórios da UFSC, a ação teve parceria da empresa de canoagem havaiana Tribuzana Va’a, da ONG R3 Animal e da Fruteira do Geraldo.

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Laboratório da UFSC denuncia descaso após 5 anos de tragédia ambiental em Florianópolis

26/01/2026 10:36

Pesquisadora da UFSC é narradora do curta que expõe problemas ambientais da Lagoa (Reprodução)

O Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação da UFSC (LEIMAC) lançou um curta-documentário sobre os cinco anos da tragédia ambiental ocasionada pelo rompimento da barragem da lagoa de evapoinfiltração da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) na Lagoa da Conceição, um dos santuários ecológicos de Florianópolis. O material está disponível no Youtube e foi filmado e editado pelo premiado cineasta ambiental Todd Southgate, residente da cidade. Com dados, o vídeo expõe a continuidade dos problemas no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição.

Em 25 de janeiro de 2021, a estrutura liberou milhares de litros de efluentes. A enxurrada atravessou uma extensa área de dunas protegidas, inundou ruas, destruiu 75 casas e lançou toneladas de sedimentos e matéria orgânica na Lagoa da Conceição, um dos principais cartões-postais de Florianópolis.

Em julho daquele mesmo ano, segundo o curta, a Casan instalou um sistema emergencial de bombeamento de efluentes, com autorização da Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis, para evitar um novo desastre. Esse sistema segue em funcionamento até hoje. De acordo com a produção, quase cinco anos depois do desastre ainda ocorre o despejo de efluente dentro do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição.

A narração e condução do curta é feita pela pesquisadora da UFSC Michele de Sá Dechoum, do Departamento de Ecologia e Zoologia. Um dos seus orientandos, Thiago Ellert, então aluno de graduação em Biologia na UFSC, desenvolveu um estudo para avaliar os impactos do despejo de efluentes sobre a vegetação de restinga no Parque e constatou que a vegetação original estava sendo soterrada e apresentava sinais claros de perda de vigor.

“A partir de estudos realizados, mostramos que a vegetação nativa foi sendo soterrada, apresentou sinais de perda de vigor e foi mudando à medida que o tempo foi passando. O número de plantas nativas foi diminuindo, e plantas nativas características de áreas degradadas foram se tornando cada vez mais dominantes, como resultado do excesso de nutrientes despejados. Adicionalmente, a contaminação das lagoas naturais que existem no Parque já estava acontecendo mesmo antes da instalação daqueles tubos – ou seja, as lagoas estavam sendo contaminadas pela lagoa de evapoinfiltração. Contaminar essas lagoas naturais significa mais uma forma de impacto sobre a natureza. Em outras palavras: perdemos biodiversidade, perdemos beleza cênica e perdemos serviços ambientais essenciais para a qualidade de vida das pessoas”, registra o material de divulgação do curta.

 

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Laudo da UFSC indica que espuma na Lagoa é causada principalmente por poluição

17/10/2025 16:41

Registro da espuma na parte norte da laguna, evidenciando peixes mortos. Foto: Divulgação/UFSC

Um laudo assinado por cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) indica que espumas identificadas na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, são causadas principalmente por algas potencialmente nocivas, formadas em ambientes com a presença de poluição. Essas algas são de origem marinha ou de sedimentos ressuspendidos no fundo – areia e lama remexidas e misturadas na água novamente.

Em análise in vivo de seis amostras coletadas entre segunda e quarta-feira, 13 e 15 de outubro, os pesquisadores destacaram o impacto da ação humana e descartaram um efeito natural do ecossistema. O grupo identificou, nas amostras coletadas, as algas Raphidophyceae, que formam as chamadas marés marrons.

Elas representam risco de mortalidade de organismos aquáticos, como peixes e crustáceos, indicam pesquisadores. Isso ocorre devido à liberação de um muco pegajoso que bloqueia as brânquias – sistema de respiração dos animais – e que eventualmente produz também toxinas, conforme os especialistas. Há risco de intoxicação humana se a produção de toxinas for comprovada.

O laudo, assinado pelos pesquisadores Leonardo Rörig, Paulo Horta, José Bonomi, Alessandra Fonseca e Paulo Pagliosa, indica a urgência da remoção emergencial da espuma e adoção de medidas também emergenciais de descontaminação e de remediação da poluição na Lagoa.

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Documentário de crianças orientadas pelo Jornalismo da UFSC será exibido na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

26/07/2024 13:38

O documentário Vem Cá Meu Boi! A Costa da Lagoa e seu Boi de Mamão, produzido pelo projeto de extensão Jornalismo e Ação Comunitária (JAC), do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em conjunto com a Escola Básica Municipal da Costa da Lagoa, foi selecionado para a 23ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

De forma a estimular o protagonismo infantil e a priorizar a voz das crianças durante todo o processo, partiu delas a escolha do formato de documentário, o tema, a seleção de fontes, assim como a roteirização e condução das entrevistas e o manejo dos equipamentos.

A mostra exibe audiovisuais para crianças do Brasil de forma gratuita, valorizando o cinema nacional. A exibição está marcada para o período de 12 a 19 de outubro, no Centro Integrado de Cultura (CIC), de Florianópolis. 

O trabalho foi realizado junto a turmas de terceiro e quarto anos do Ensino Fundamental, orientadas pela professora de Tecnologia Educacional Nali Pedroso. Trata-se de um videodocumentário de 20 minutos sobre a cultura do boi de mamão da Costa da Lagoa – uma comunidade tradicional de Florianópolis, localizada na porção norte da Lagoa da Conceição, onde vivem aproximadamente 1.200 pessoas e só é acessível por barco ou trilha.
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Relatório apresenta diagnóstico de integridade ecológica da Lagoa da Conceição

12/12/2023 15:23

Diagnóstico e identificação dos problemas estruturais existentes que atingem a integridade ecológica da Lagoa da Conceição são o tema da Nota Técnica Nº 4/2023do  Programa Ecoando Sustentabilidade. Os pesquisadores do programa são representantes da Universidade Federal de Santa Catarina na Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição, criada para colaborar com o Poder Judiciário para adotar uma governança com responsabilidade ambiental para o local. O documento servirá como subsídio na elaboração do Plano Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição (PJ-PLC).

Confira a íntegra da nota técnica.

Uma das autoras da nota, a professora do Departamento de Geociências da UFSC Alessandra Larissa Fonseca espera que seja possível iniciar a restauração da Lagoa da Conceição e áreas de proteção permanente adjacentes. Os problemas atuais, aponta, podem ser potencializados pelas mudanças climáticas, com eventos de calor extremo e chuva excessiva – o aquecimento leva à diminuição de oxigênio na água e uma precipitação considerável carrega mais poluentes para a Lagoa.

O documento integra a ação civil pública 5012843-56.2021.4.04.7200 (JFSC) e alerta que “a urbanização, a falta de tratamento adequado de esgoto e as demais intervenções humanas na bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição estão promovendo a perda do patrimônio natural, cultural e econômico da Ilha de Santa Catarina. O cenário futuro é preocupante, considerando os diversos projetos e interesses que estão sendo apontados pelos gestores locais, como a construção da ponte nas rendeiras, Plano Diretor Municipal, o projeto de Macrodrenagem, intervenções no canal e o aterro de áreas rasas”.
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Pesquisa da UFSC mostra dano causado pelo lançamento de esgoto nas dunas em Florianópolis

18/10/2023 12:46

Lançamento de efluentes da Casan no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. Foto: Michele de Sá Dechoum.

O lançamento de efluentes de esgoto, mesmo que tratado, no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição (PNMDLC), em Florianópolis (SC), causou impactos negativos na vegetação de restinga. A avaliação é de um estudo desenvolvido no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A investigação mostrou que há um maior nível de soterramento e menor vigor da vegetação nativa na área atingida pelo efluente em comparação com uma área natural.
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Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental da UFSC comemora 20 anos com evento e lançamento de e-book

16/10/2023 17:27

O Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco da Universidade Federal de Santa Catarina (GPDA/UFSC-CNPq) irá celebrar seus 20 anos no dia 8 de novembro, às 19h, com o lançamento do e-book “Direito Ecológico na prática: Ação Estrutural da Lagoa da Conceição”. O evento é aberto a todos e ocorre no auditório do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ/UFSC)

O e-book é fruto de um projeto de extensão desenvolvido com o objetivo de proteger a Lagoa da Conceição, após protestos dos moradores em face do desastre ambiental ocorrido em  25 de janeiro de 2021, com o rompimento da estrutura de evapoinfiltração da Estação de Tratamento administrado pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (ETE/CASAN). O projeto resultou em uma Ação Civil Pública Estrutural, que tornou-se marco da litigância estratégica ecológica planetária, pois luta pelos valores intrínsecos da natureza, de forma sistêmica e reconhece os seus direitos subjetivos. A Lagoa é considerada um bem difuso ecológico e imaterial da cidade de Florianópolis.

Mais informações na página do GPDA, pelo Instagram ou pelo e-mail melissa.melo@ufsc.br

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UFSC na mídia: projeto quer usar biodiversidade para recuperar Lagoa da Conceição

27/02/2023 18:20

Ao analisar gramas marinhas, algas e outras amostras da biodiversidade da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pretendem entender melhor a situação da vida no local e propor soluções para sua recuperação ambiental. O assunto foi tema do programa Balanço Geral, da NDTV, na sexta-feira, 24 de fevereiro.

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UFSC participa de ação de limpeza da Lagoa da Conceição

18/11/2022 17:29

A Estação de Maricultura Prof. Elpídio Beltrame (Emeb), vinculada ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (CCA/UFSC), realizou nesta sexta-feira, 18 de novembro, uma nova edição da Ação de Limpeza da Lagoa da Conceição, em parceria com a escola de remo Tribuzana Va’a. A atividade foi iniciada com uma aula de canoagem, seguida de remada até o ponto de início da coleta de resíduos, e contou com a participação de servidores da UFSC e terceirizados e da comunidade local da Barra da Lagoa.

Foto: Arquivo Pessoal

Foram percorridos aproximadamente 3km. Ao longo do trajeto, o grupo encontrou todo o tipo de materiais: garrafas PET, isopor, cordas, rede de pesca, pneu, restos de pranchas e skates e plásticos de diversas origens e formas. Foram coletados cerca de 50 sacos com capacidade de 50kg cada. A equipe defende que esse tipo de iniciativa deva ser replicado em outros locais e comunidades.

Mais informações na página do Emeb e no Instagram da Tribuzana Va’a.

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UFSC abre inscrições para representação na Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição

17/11/2022 15:55

A Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicou o Edital 2/2022/GR, de chamamento público para representação da UFSC na Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição (CJ-PLC). A ação tem como finalidade assessorar na adoção de medidas estruturantes necessárias para garantir a integridade da Lagoa da Conceição por meio de uma governança ecológica.

Os interessados devem se inscrever pelo formulário até 24 de novembroA análise das inscrições será realizada por uma comissão e irá considerar a afinidade dos objetivos do grupo de pesquisa ou laboratório com as finalidades da CJ-PLC. 

Mais informações no edital e no anexo (regimento interno da CJ-PLC).

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Pesquisadores da UFSC estimulam engajamento social na Câmara Judicial de Proteção da Lagoa

07/07/2022 18:10

Pesquisadores ligados ao Grupo de Pesquisa Direito Ambiental e Ecologia Política na Sociedade de Risco (GPDA/UFSC) estão convocando entidades da sociedade civil organizada a integrarem a Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição (CJ-PLC). A Câmara foi criada pela Justiça Federal no âmbito da Ação Civil Pública nº 5012843-56.2021.4.04.7200, promovida pelo GPDA em nome da ONG Costa Legal; Associação Florianopolitana das Entidades Comunitárias (Ufeco); Associação Pachamama e Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (Anab). Laboratórios técnicos e grupos de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) também foram convocados a integrar a Câmara Judicial.

Lagoa da Conceição sofre com efeitos da ocupação humana no seu entorno (Foto: Divulgação)

A instalação da Câmara Judicial foi recentemente confirmada pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4). Ela tinha sido criada liminarmente em junho de 2021 pelo juízo da 6ª Vara Federal de Florianópolis, “com a finalidade de assessorar este Juízo na adoção de medidas estruturais necessárias para garantir a integridade ecológica do ente natural através de uma governança judicial socioecológica”, escreveu na sentença o juiz Marcelo Krás Borges.

A decisão do TRF4 estabelece que a CJ-PLC será formada por 22 membros, sendo dez representantes de órgãos governamentais da administração pública federal, estadual e municipal – incluindo os réus na ação -, e também dez representantes da sociedade civil organizada. Neste último grupo estão as entidades autoras da ação civil pública e a comunidade acadêmica, representada por laboratórios e grupos de pesquisa da UFSC.

A Justiça federal também lançou um edital para seleção de representantes da sociedade civil que integrarão a Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição (CJ-PLC). Ele tem o objetivo de selecionar uma entidade representante de moradores; uma entidade representante de pescadores; uma entidade de defesa do meio ambiente; uma entidade representante de populações tradicionais e uma entidade representante do segmento empresarial local (veja informações abaixo).

“A Câmara Judicial da Lagoa, com participação plural, nos dará uma oportunidade de construir a tomada de decisão ouvindo os principais atores, dentro de um engajamento civil verdadeiro, tendo como objeto central a restauração e recuperação deste bem ecológico, voltando a prestar serviços ecológicos sistêmicos”, afirma o professor José Rubens Morato Leite, coordenador do GPDA. As atribuições da CJ incluem responder questionamentos do Juízo, podendo elaborar relatórios e critérios técnicos, além de programa de ações de prevenção e recuperação do ecossistema da Lagoa da Conceição.

O professor Morato Leite e o pesquisador Humberto Francisco Campos Filpi elaboraram um artigo em que explicam como deverá funcionar a Câmara, cujo regimento interno prevê reuniões periódicas e realização de audiências públicas, “para promover o engajamento e ampla participação da sociedade civil na elaboração e aprovação do Plano Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição (PJ-PLC)”, diz o texto do artigo.

INSCRIÇÕES:

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas entre os dias 7 e 14 de julho de 2022 por e-mail (scflp06dir@jfsc.jus.br), acompanhado da seguinte documentação:

– Formulário de Inscrição com os seguintes documentos anexados:

– (i) Estatuto Social atualizado;

– (ii) Comprovante de inscrição e situação cadastral do CNPJ

– (iii) Certificado de funcionamento, servindo para tanto declaração de qualquer órgão público;

– (iv) Relatório simplificado com as ações desenvolvidas pela entidade que estejam em consonância com a finalidade da CJ-PLC;

– (v) Carta, objetiva e concisa, justificando e expondo os motivos pelos quais a entidade deseja compor a CJ-PLC na respectiva vaga;

 

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Edital de pesquisa apoia estudos que beneficiem a Lagoa da Conceição e o Estado de Santa Catarina

24/02/2022 18:37

Foto: Francieli Regina de Oliveira/Fapesc.

Nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) divulgou um edital para apoio financeiro a estudos que beneficiem a região da Lagoa da Conceição, a cidade de Florianópolis e o Estado de Santa Catarina. A chamada pública está alinhada aos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem por finalidade fornecer recursos para projetos em qualquer área do conhecimento.

O edital é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e a Fapesc. Serão destinados R$ 3,2 milhões aos projetos, sendo que a Casan fará o repasse de R$ 2 milhões,  e a UFSC e a Fapesc repassarão R$ 600 mil cada uma. 
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Pesquisadores da UFSC emitem nota técnica sobre consequências do rompimento de barragem na Lagoa da Conceição

25/11/2021 10:17

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicaram nesta quinta-feira, 25 de novembro, uma nota técnica conjunta sobre os dez meses da data do rompimento da barragem da Lagoa de Evapoinfiltração (LEI) da Casan, na Avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O documento é assinado pelo Projeto Ecoando Sustentabilidade, Laboratório de Ficologia (LAFIC), Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui), Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha (LBCM), Núcleo de Estudos do Mar (Nemar) e Veleiro Eco.

A nota técnica fala sobre os processos que ocorreram após o desastre de janeiro deste ano, dentre eles: florações de algas, mortandade de peixes, anoxia (falta de oxigênio na água), coloração e mau cheiro nas águas, sucessão ecológica, entre outros. O documento responde ainda a argumentos apresentados no parecer técnico e autorização emitida pelos órgãos ambientais para nivelamento do “delta arenoso” formado.

Os pesquisadores abordam no texto a necessidade de um tratamento de efluentes que vise remover poluentes de forma mais efetiva e descrevem as características geomorfológicas e a sucessão de vegetação e de organismos que ocorreu na região de impacto, onde se formou o baixio. Eles ressaltam a importância da vegetação e macrofauna presentes no local, com destaque para a função de biorremediação, remoção de nutrientes e poluentes, e o motivo para que não fosse removido.

De acordo com a nota, a Lagoa da Conceição vem sofrendo as consequências do crescimento populacional, sub-dimensionamento da rede de tratamento de efluentes domésticos, ligações alternativas e inadequadas, desde a década de 80, quando o balneário passou a ser visto com bons olhos por turistas e especulação imobiliária. Estima-se que, em 2016, apenas 15% da população da localidade era beneficiada pelo sistema de tratamento de efluentes e as demais moradias possuíam sistemas alternativos.

> Leia a íntegra da nota técnica

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Estação de Maricultura do CCA promove dia de limpeza na Lagoa da Conceição

27/10/2021 16:31

A Estação de Maricultura Elpídio Beltrame promoveu, nesta quarta-feira, 27 de outubro, o “Dia de Ação EMEB” para limpeza da Lagoa da Conceição. A estação é uma das unidades externas do Centro de Ciências Agrárias (CCA), vinculada ao Departamento de Aquicultura e fica localizada às margens da Lagoa da Conceição, na região da Barra da Lagoa, e do Parque Estadual do Rio Vermelho. O volume aproximado da coleta foi de 30 sacos de 50 quilos, além de telhas, madeiras e tubos de PVC.

A ação é realizada periodicamente e conta com a participação técnicos, colaboradores , professores e alunos na ação de coleta de resíduos. Foram coletados ao longo do dia materiais como vidros, plásticos, madeiras, partes de utensílios de pesca, entre outros, que deverão ser separados em recicláveis e não recicláveis e destinados de forma ambientalmente adequada.

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Nota técnica alerta para a presença de metais em peixes da Lagoa da Conceição

03/09/2021 19:30

Pesquisadores cinco laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) assinam uma nota técnica alertando para a presença de metais em peixes capturados na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Alguns desses metais apresentam concentrações consideradas acima de valores aceitáveis e podem trazer risco para a saúde humana. Ao final da nota, os especialistas recomendam que seja iniciado um monitoramento sistematizado e permanente do pescado da Lagoa e das possíveis fontes de contaminação. A análise teve colaboração de laboratórios da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

O estudo foi liderado pelo programa de extensão Ecoando Sustentabilidade, em parceria com os moradores da Costa da Lagoa e o Laboratório de Determinações II da Furg, e analisa a concentração de 11 metais/metalóides em carapevas e linguados da Lagoa da Conceição. Os níveis de alguns elementos ultrapassa o limite máximo permitido na legislação. A nota estima que o risco de doenças, inclusive câncer, é elevado para as concentrações registradas de zinco, arsênio e chumbo.
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Pesquisadores da UFSC alertam sobre sistema de bombeamento provisório na região da Lagoa da Conceição, em Florianópolis

06/07/2021 10:30

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicaram na última segunda-feira, 5 de julho, uma nota técnica conjunta sobre a instalação do sistema de bombeamento emergencial de efluentes no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Em visita técnica no dia 26 de junho, os pesquisadores verificaram as intervenções provisórias e temporárias realizadas para evitar um novo rompimento, a exemplo do ocorrido no primeiro semestre.

A nota afirma que foram constatados diversos impactos sobre os ecossistemas presentes nas dunas da Joaquina, protegidos pelo Parque Natural Municipal da Lagoa da Conceição, e a instalação de dois tubos de grande calibre para o lançamento de efluentes a partir da Estação de Tratamento da Lagoa da Conceição (ver foto).

O Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, instituído pela Lei Municipal n° 10.388/2018, protege cerca de 700 hectares de ecossistemas naturais na costa leste da Ilha de Santa Catarina. Estão entre os objetivos desta unidade de conservação: a manutenção da diversidade biológica e das paisagens de beleza cênica, e a proteção de características relevantes de natureza geológica e geomorfológica.

> Leia a íntegra da nota técnica

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Justiça federal determina criação da Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição

14/06/2021 16:49

A Justiça Federal concedeu uma liminar que institui um sistema de governança ecológica, envolvendo múltiplos atores, para a defesa e preservação da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. A decisão liminar foi proferida em uma Ação Civil Pública Estrutural promovida por pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental e Ecologia Política (GPDA) e do Observatório de Justiça Ecológica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em nome de entidades da sociedade civil organizada.

O juiz Marcelo Krás Borges, da 6ª Vara Federal de Florianópolis, que deferiu a proposta da Ação Civil Pública, determinou em sua decisão a instituição liminar da Câmara Judicial de Proteção da Lagoa da Conceição, “com a finalidade de assessorar este Juízo na adoção de medidas estruturais necessárias para garantir a integridade ecológica do ente natural através de uma governança judicial socioecológica”. A Câmara será formada por representantes de 15 instituições, entre órgãos públicos, representantes da comunidade acadêmica e das entidades autoras. A UFSC vai participar através de três laboratórios e um núcleo de estudos (veja abaixo a lista dos integrantes).

A ação judicial tem como autores a União Florianopolitana das Entidades Comunitárias (Ufeco), a ONG Costa Legal e a Associação Pachamama. O juiz aceitou um pedido dos autores e o Ministério Público Estadual (MPSC) e Ministério Público Federal (MPF) ingressaram na ação como parte interessada na causa, ao lado das associações. No outro polo da ação figuram como réus o Município de Florianópolis, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis, o Estado de Santa Catarina, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina.
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Grupo promove evento sobre Lagoa da Conceição e direitos da Natureza

29/03/2021 11:13

O Grupo de Pesquisa Direito Ambiental e Ecologia Política na Sociedade de Risco (GPDA) promove, no dia 8 de abril, das 10h às 12h, o webinar Lagoa da Conceição e Diretos da Natureza: Juridicidade Ecológica, que contará com sete palestras e uma mesa de abertura para tratar da fundamentação jurídica de uma Ação Civil Pública Estrutural (ACP) pela defesa da natureza como sujeito de direito.

A proposta se insere nas discussões sobre o desastre ocorrido em janeiro de 2021 na Lagoa da Conceição, com o rompimento da estrutura da lagoa de evapoinfiltração da ETE da Lagoa da Conceição. O evento será um espaço de debate acadêmico com palestras dos participantes da ACP que integram o grupo de pesquisa. Para receber o link de acesso da transmissão online é necessário se inscrever no formulário.

 

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Nota técnica aborda estratégias para a recuperação da Lagoa da Conceição

08/03/2021 16:13

Fotografia tirada pela comunidade da Costa da Lagoa, na qual se observa a coloração marrom pelo excesso de microalgas

O Projeto Ecoando Sustentabilidade (PES) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicou nesta segunda-feira, 8 de março, sua Nota Técnica Nº 04, que trata da atualização das condições ambientais da Lagoa da Conceição após o rompimento da lagoa de evapoinfiltração da Estação de Tratamento de Esgoto da Casan e das chuvas intensas. O documento tem como assunto a descoloração da água e estratégias de recuperação da Lagoa. 

O estudo baseou-se em amostras coletadas na última semana. A primeira, de 2 de março, foi enviada por moradores da Costa da Lagoa da Conceição, que visualizaram água turva e manchas escuras. No dia 3, acompanhando a vistoria técnica da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), a equipe do PES fez coletas ao longo de toda a laguna para identificar e quantificar a comunidade das microalgas (fitoplâncton) e avaliar a presença da alga nociva Fibrocapsa japonica. No dia 6 de março, em função de demandas de moradores e vídeos enviados pelas associações, foi realizado o levantamento das condições da água com formação de manchas de coloração marrom e verde e mortalidade de peixes.

Além da análise da condição atual da Lagoa, o documento traz uma série de ações emergenciais necessárias para reduzir os prejuízos socioambientais e sugestões para a recuperação do ecossistema. Também alerta para os riscos de tomar banho ou praticar esportes no local, bem como os relacionados à coleta e ao consumo de peixes e mariscos.

Leia a nota técnica completa.

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Nota técnica analisa mortandade de organismos e cheiro de água podre na Lagoa da Conceição

25/02/2021 11:38

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina divulgaram uma nota técnica sobre a  mortandade de organismos e o cheiro de água podre na Lagoa da Conceição. De acordo com o documento, a “análise dos dados até o presente momento sustenta duas hipóteses complementares: aceleração do processo de eutrofização do sistema com floração de algas; e a expansão da zona morta, área com baixíssimas concentrações de oxigênio”.

Entre as recomendações, estão a não-realização de obras de dragagem ou alargamento do Canal da Barra, uma vez que estes podem intensificar a influência marinha sobre a laguna; monitoramento do ecossistema da Lagoa da Conceição; e a mitigação de danos e restauração ambiental e ecológica. Além disso, há a necessidade de remoção imediata dos animais mortos e da matéria orgânica acumulada nas áreas rasas e superficiais, para evitar o agravamento da crise e problemas de saúde pública; interdição imediata do uso da Lagoa da Conceição para atividades de contato primário, como banho; produção de material de divulgação e de advertência em relação às áreas de risco de algas tóxicas; e diagnosticar e tratar os indivíduos afetados por toxinas de algas.

Leia a nota técnica completa.

A nota reforça que “apesar de ter sido observado um avanço do comprometimento da saúde da Lagoa da Conceição, representado pela mortandade dos organismos e o cheiro de água podre, o cenário geral reforça a tese de que ainda há tempo para a remediação dos danos e para uma integral restauração dos produtos e serviços desta laguna de inestimável valor para Florianópolis, para Santa Catarina e para o Brasil. A (não) gestão nacional da pandemia é um bom exemplo de como o descaso à ciência pode ter consequências desastrosas. Portanto, se faz necessária uma postura atenta de todos os órgãos envolvidos para que estes equívocos não se repitam no que tange a situação atual da laguna”.

Assinam a nota pesquisadoras e pesquisadores laboratórios e projetos: Ecoando sustentabilidade; Laboratório de Ficologia – LAFIC (paulo.horta@ufsc.br; rorig@gmail.com);- Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha – LOQUI (alessandra.larissa@ufsc.br); Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha – LBCM (paulo.pagliosa@ufsc.br); Núcleo de Estudos do Mar (NEMAR); e Veleiro Eco.

Atualização às 12h28, com alteração na formatação e referências da nota.

 

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Pesquisadores da UFSC emitem relatório sobre desastre ecológico na Lagoa da Conceição

17/02/2021 17:42

O grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que está monitorando os efeitos do rompimento da barragem da lagoa de Evapoinfiltração (LEI) da Casan sobre o ecossistema da Lagoa da Conceição produziu o primeiro relatório. O documento apresenta a análise de oito amostragens coletadas ao longo de duas semanas após o desastre. A barragem da lagoa da Casan que armazenava esgoto tratado rompeu-se no dia 25 de janeiro, após dias de fortes chuvas, despejando na laguna toneladas de sedimentos (areia) e de matéria orgânica.

O sedimento arenoso transportado pela enxurrada depositou-se numa área às margens da lagoa, modificando a topografia do local. Este ponto, para efeitos de estudo, foi designado como Ponto zero pelos pesquisadores. As amostras estabelecem comparações entre o Ponto zero e outras áreas de controle da lagoa. Além de areia depositada no Ponto zero, “observou-se sedimento lamoso com elevada concentração de biodetritos (raízes, folhas, galhos em diferente estágio de decomposição)”. Esse material ficou concentrado na coluna da água marginal durante os primeiros dias do evento, mas acabou dissipado pelo sistema da laguna.

Considerando que 90% do volume da barragem da Casan tenha chegado à Lagoa, os pesquisadores estimaram a quantidade de Nitrogênio Inorgânico Dissolvido (NID) e Fósforo Total (PT) lançados na laguna pelo evento. “Esses valores representam 15 dias da carga emitida de N (nitrogênio) e 61 dias da carga emitida de P (fósforo) pela bacia hidrográfica via rios no sistema”, conforme o relatório. O documento cita como agravante da situação o fato de o ponto onde ocorreu a concentração dos detritos apresentar “uma característica hidrodinâmica de baixas velocidades médias, o que dificulta a dispersão, principalmente nas partes mais profundas da laguna”.

Até o momento foram sistematizados e analisados os dados parciais de pH, temperatura, salinidade e concentração de oxigênio dissolvido (OD), o que permite avaliar a extensão do desenvolvimento da zona morta promovida pelo lançamento do efluente tratado da Casan. “Os parâmetros físico-químicos da água revelaram efeito significativo do efluente sobre a disponibilidade de OD e valores de pH”. Nos ambientes relacionados ao Ponto zero, sob influência direta da lama, os valores de oxigênio dissolvido foram equivalentes aos observados nos ambientes mais profundos da lagoa, onde ocorre uma zona morta.

As análises permitem considerar que a alta carga de sólidos suspensos totais lançada nas águas da laguna (estimada em 5,08 toneladas) está comprometendo a vida da comunidade bêntica, organismos que vivem sobre e dentro do sedimento, como poliquetas e berbigão. “Isso ocorre pois o denso material rico em matéria orgânica se depositou no sedimento, sufocando-o, impedindo a oxigenação do sedimento e a circulação da água na interface sedimento-água, por onde esses organismos retiram seu alimento e efetuam as trocas gasosas para o seu metabolismo”.

Em conclusão, o relatório recomenda a continuidade do monitoramento em toda a laguna por mínimo seis meses, além do início imediato de ações de mitigação e restauração do ecossistema. Os pesquisadores caracterizam a Lagoa da Conceição como um ambiente altamente suscetível à entrada de matéria orgânica e nutrientes e ressaltam que a falta de ações imediatas de mitigação pode levar a laguna a ultrapassar o seu “limite ecológico”, amplificando a frequência de eventos com formação de zona morta.

“Reforçamos que o planejamento das ações deverá assegurar o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade das diferentes formas de uso da região. É fundamental que o processo de restauração dos ambientes afetados pela LEI Casan contemple a revisão dos métodos de tratamento (para o sistema terciário) e de disposição dos efluentes da ETE em questão, até que alternativas mais robustas e seguras sejam discutidas e implantadas para garantir a saúde dos ambientes e a integridade das pessoas”.

O relatório é assinado por pesquisadoras e pesquisadores dos seguintes laboratórios e projetos: Projeto Ecoando Sustentabilidade; Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha – LBCM; Laboratório de Ficologia – Lafic; Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui), Núcleo de Estudos do Mar (Nemar) e Veleiro Eco.
Confira aqui a íntegra do relatório.

 

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Pesquisadores da UFSC emitem nota técnica sobre balneabilidade da Lagoa da Conceição

09/02/2021 14:02

Uma nota técnica sobre a balneabilidade da Lagoa da Conceição após o rompimento de lagoa artificial da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), no dia 25 de janeiro, foi emitida nesta segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021. Assinam o documento pesquisadores da UFSC que atuam nos seguintes laboratórios e projetos: Ecoando Sustentabilidade; Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha (LBCM); Laboratório de Ficologia (Lafic), Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui), Núcleo de Estudos do Mar (Nemar); e Veleiro Eco.

Confira a nota na íntegra.

 

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UFSC na mídia: Lagoa da Conceição tem “zona morta” após desastre ambiental, diz pesquisador da UFSC

29/01/2021 15:18

Rompimento da lagoa artificial de tratamento de efluentes da Casan causou danos ambientais na Lagoa da Conceição e materiais aos moradores – Foto: Leo Munhoz/ND

O rompimento de um reservatório de esgoto tratado da Casan lançou na Lagoa da Conceição uma grande quantidade de matéria orgânica, o que está provocando uma drástica redução dos níveis de oxigênio na água. O alerta foi feito pelo biólogo e professor dos cursos de pós-graduação em Ecologia e Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta. O deslizamento da lagoa de decantação aconteceu na última segunda-feira, dia 25 de janeiro.

“Fizemos a análise da água e constatamos que está com excesso de matéria orgânica, está eutrofizada, o que quer dizer que está fora de seu equilíbrio porque vem recebendo uma quantidade maior de nutrientes de matéria orgânica do que aquele sistema é capaz de absorver”, explica o biólogo na reportagem. A diminuição no oxigênio pode trazer problemas para os organismos que vivem no fundo da lagoa, como siris, camarões e linguados.

Veja íntegra da reportagem em: https://ndmais.com.br/meio-ambiente/lagoa-zona-morta-desastre-ambiental/?utm_source=whatsapp&utm_campaign=wp-florianopolis&utm_medium=wp-grupos

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Pesquisadores da UFSC alertam para danos ambientais da enxurrada na Lagoa da Conceição

27/01/2021 12:17

Foto mostra impacto da enxurrada e sedimentos na Lagoa da Conceição (Foto: Divulgação)

Uma nota técnica assinada por pesquisadores dos projetos Ecoando Sustentabilidade e Veleiro Eco e dos laboratórios de Ficologia (Lafic), de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui) e do Núcleo de Estudos do Mar (Nemar) alerta para os possíveis prejuízos ambientais e riscos para a saúde humana do despejo de grande volume de esgoto tratado na Lagoa da Conceição, provocado pelo rompimento de uma lagoa de decantação da Casan. O incidente ocorreu na última segunda-feira, 25 de janeiro.

Na nota, os pesquisadores sugerem a realização de análises e o monitoramento “químico, biológico e ecológico” na laguna, para mensurar os impactos do derrame e subsidiar a adoção de medidas de mitigação e restauração ecológica.

O documento destaca que “a retenção de esgotos tratados em lagoas de maturação, decantação, evaporação ou infiltração é uma prática tecnicamente correta, desejável e preferível ao lançamento direto e contínuo dos efluentes em corpos de água naturais”. Alerta porém que é necessário o monitoramento da qualidade dessas águas e da estabilidade dos taludes e barragens associadas.

Apesar da alta eficiência do tratamento do esgoto in natura, o grande volume de esgoto tratado contido no reservatório, “ao ser despejado pontualmente e bruscamente, representa uma entrada altamente impactante de compostos químicos e componentes biológicos estranhos à Lagoa da Conceição”. Esse despejo atípico de nutrientes e matéria orgânica “pode quebrar a resiliência ecológica remanescente e acelerar o processo de eutrofização, com consequente expansão das zonas mortas já observadas nas regiões mais profundas da lagoa”. A eutrofização é o crescimento exagerado de algas, levando à diminuição do oxigênio na água.

Os pesquisadores destacam que a variação de salinidade decorrente da intrusão rápida de grande quantidade de água doce pode ter efeitos sobre organismos como plâncton, nectos e bentos (organismos que vivem no fundo da lagoa). As comunidades bênticas, consideradas de elevada importância para o equilíbrio ecológico do sistema, podem ser afetadas também pelos sedimentos (areia) arrastados pela enxurrada.

Além dos prejuízos ambientais, o derrame também pode apresentar riscos à saúde humana. Conforme a nota técnica, ainda que o líquido extravasado seja de esgoto tratado, não se descarta a possível presença de patógenos residuais. Por isso será necessário analisar a qualidade da água, para monitorar a presença de patógenos já identificados na região, como o vírus da hepatite A. O documento sugere que, por precaução, seja limitado ou proibido o contato de pessoas nas áreas afetadas e entorno “até que seja realizada caracterização detalhada do evento, por meio de análises químicas e biológicas da água e do sedimento”.

Veja a íntegra da Nota Técnica

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