Nota técnica analisa mortandade de organismos e cheiro de água podre na Lagoa da Conceição

25/02/2021 11:38

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina divulgaram uma nota técnica sobre a  mortandade de organismos e o cheiro de água podre na Lagoa da Conceição. De acordo com o documento, a “análise dos dados até o presente momento sustenta duas hipóteses complementares: aceleração do processo de eutrofização do sistema com floração de algas; e a expansão da zona morta, área com baixíssimas concentrações de oxigênio”.

Entre as recomendações, estão a não-realização de obras de dragagem ou alargamento do Canal da Barra, uma vez que estes podem intensificar a influência marinha sobre a laguna; monitoramento do ecossistema da Lagoa da Conceição; e a mitigação de danos e restauração ambiental e ecológica. Além disso, há a necessidade de remoção imediata dos animais mortos e da matéria orgânica acumulada nas áreas rasas e superficiais, para evitar o agravamento da crise e problemas de saúde pública; interdição imediata do uso da Lagoa da Conceição para atividades de contato primário, como banho; produção de material de divulgação e de advertência em relação às áreas de risco de algas tóxicas; e diagnosticar e tratar os indivíduos afetados por toxinas de algas.

Leia a nota técnica completa.

A nota reforça que “apesar de ter sido observado um avanço do comprometimento da saúde da Lagoa da Conceição, representado pela mortandade dos organismos e o cheiro de água podre, o cenário geral reforça a tese de que ainda há tempo para a remediação dos danos e para uma integral restauração dos produtos e serviços desta laguna de inestimável valor para Florianópolis, para Santa Catarina e para o Brasil. A (não) gestão nacional da pandemia é um bom exemplo de como o descaso à ciência pode ter consequências desastrosas. Portanto, se faz necessária uma postura atenta de todos os órgãos envolvidos para que estes equívocos não se repitam no que tange a situação atual da laguna”.

Assinam a nota pesquisadoras e pesquisadores laboratórios e projetos: Ecoando sustentabilidade; Laboratório de Ficologia – LAFIC (paulo.horta@ufsc.br; rorig@gmail.com);- Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha – LOQUI (alessandra.larissa@ufsc.br); Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha – LBCM (paulo.pagliosa@ufsc.br); Núcleo de Estudos do Mar (NEMAR); e Veleiro Eco.

Atualização às 12h28, com alteração na formatação e referências da nota.

 

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Pesquisadores da UFSC emitem relatório sobre desastre ecológico na Lagoa da Conceição

17/02/2021 17:42

O grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que está monitorando os efeitos do rompimento da barragem da lagoa de Evapoinfiltração (LEI) da Casan sobre o ecossistema da Lagoa da Conceição produziu o primeiro relatório. O documento apresenta a análise de oito amostragens coletadas ao longo de duas semanas após o desastre. A barragem da lagoa da Casan que armazenava esgoto tratado rompeu-se no dia 25 de janeiro, após dias de fortes chuvas, despejando na laguna toneladas de sedimentos (areia) e de matéria orgânica.

O sedimento arenoso transportado pela enxurrada depositou-se numa área às margens da lagoa, modificando a topografia do local. Este ponto, para efeitos de estudo, foi designado como Ponto zero pelos pesquisadores. As amostras estabelecem comparações entre o Ponto zero e outras áreas de controle da lagoa. Além de areia depositada no Ponto zero, “observou-se sedimento lamoso com elevada concentração de biodetritos (raízes, folhas, galhos em diferente estágio de decomposição)”. Esse material ficou concentrado na coluna da água marginal durante os primeiros dias do evento, mas acabou dissipado pelo sistema da laguna.

Considerando que 90% do volume da barragem da Casan tenha chegado à Lagoa, os pesquisadores estimaram a quantidade de Nitrogênio Inorgânico Dissolvido (NID) e Fósforo Total (PT) lançados na laguna pelo evento. “Esses valores representam 15 dias da carga emitida de N (nitrogênio) e 61 dias da carga emitida de P (fósforo) pela bacia hidrográfica via rios no sistema”, conforme o relatório. O documento cita como agravante da situação o fato de o ponto onde ocorreu a concentração dos detritos apresentar “uma característica hidrodinâmica de baixas velocidades médias, o que dificulta a dispersão, principalmente nas partes mais profundas da laguna”.

Até o momento foram sistematizados e analisados os dados parciais de pH, temperatura, salinidade e concentração de oxigênio dissolvido (OD), o que permite avaliar a extensão do desenvolvimento da zona morta promovida pelo lançamento do efluente tratado da Casan. “Os parâmetros físico-químicos da água revelaram efeito significativo do efluente sobre a disponibilidade de OD e valores de pH”. Nos ambientes relacionados ao Ponto zero, sob influência direta da lama, os valores de oxigênio dissolvido foram equivalentes aos observados nos ambientes mais profundos da lagoa, onde ocorre uma zona morta.

As análises permitem considerar que a alta carga de sólidos suspensos totais lançada nas águas da laguna (estimada em 5,08 toneladas) está comprometendo a vida da comunidade bêntica, organismos que vivem sobre e dentro do sedimento, como poliquetas e berbigão. “Isso ocorre pois o denso material rico em matéria orgânica se depositou no sedimento, sufocando-o, impedindo a oxigenação do sedimento e a circulação da água na interface sedimento-água, por onde esses organismos retiram seu alimento e efetuam as trocas gasosas para o seu metabolismo”.

Em conclusão, o relatório recomenda a continuidade do monitoramento em toda a laguna por mínimo seis meses, além do início imediato de ações de mitigação e restauração do ecossistema. Os pesquisadores caracterizam a Lagoa da Conceição como um ambiente altamente suscetível à entrada de matéria orgânica e nutrientes e ressaltam que a falta de ações imediatas de mitigação pode levar a laguna a ultrapassar o seu “limite ecológico”, amplificando a frequência de eventos com formação de zona morta.

“Reforçamos que o planejamento das ações deverá assegurar o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade das diferentes formas de uso da região. É fundamental que o processo de restauração dos ambientes afetados pela LEI Casan contemple a revisão dos métodos de tratamento (para o sistema terciário) e de disposição dos efluentes da ETE em questão, até que alternativas mais robustas e seguras sejam discutidas e implantadas para garantir a saúde dos ambientes e a integridade das pessoas”.

O relatório é assinado por pesquisadoras e pesquisadores dos seguintes laboratórios e projetos: Projeto Ecoando Sustentabilidade; Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha – LBCM; Laboratório de Ficologia – Lafic; Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui), Núcleo de Estudos do Mar (Nemar) e Veleiro Eco.
Confira aqui a íntegra do relatório.

 

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Pesquisadores da UFSC emitem nota técnica sobre balneabilidade da Lagoa da Conceição

09/02/2021 14:02

Uma nota técnica sobre a balneabilidade da Lagoa da Conceição após o rompimento de lagoa artificial da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), no dia 25 de janeiro, foi emitida nesta segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021. Assinam o documento pesquisadores da UFSC que atuam nos seguintes laboratórios e projetos: Ecoando Sustentabilidade; Laboratório de Biodiversidade e Conservação Marinha (LBCM); Laboratório de Ficologia (Lafic), Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui), Núcleo de Estudos do Mar (Nemar); e Veleiro Eco.

Confira a nota na íntegra.

 

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UFSC na mídia: Lagoa da Conceição tem “zona morta” após desastre ambiental, diz pesquisador da UFSC

29/01/2021 15:18

Rompimento da lagoa artificial de tratamento de efluentes da Casan causou danos ambientais na Lagoa da Conceição e materiais aos moradores – Foto: Leo Munhoz/ND

O rompimento de um reservatório de esgoto tratado da Casan lançou na Lagoa da Conceição uma grande quantidade de matéria orgânica, o que está provocando uma drástica redução dos níveis de oxigênio na água. O alerta foi feito pelo biólogo e professor dos cursos de pós-graduação em Ecologia e Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta. O deslizamento da lagoa de decantação aconteceu na última segunda-feira, dia 25 de janeiro.

“Fizemos a análise da água e constatamos que está com excesso de matéria orgânica, está eutrofizada, o que quer dizer que está fora de seu equilíbrio porque vem recebendo uma quantidade maior de nutrientes de matéria orgânica do que aquele sistema é capaz de absorver”, explica o biólogo na reportagem. A diminuição no oxigênio pode trazer problemas para os organismos que vivem no fundo da lagoa, como siris, camarões e linguados.

Veja íntegra da reportagem em: https://ndmais.com.br/meio-ambiente/lagoa-zona-morta-desastre-ambiental/?utm_source=whatsapp&utm_campaign=wp-florianopolis&utm_medium=wp-grupos

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Pesquisadores da UFSC alertam para danos ambientais da enxurrada na Lagoa da Conceição

27/01/2021 12:17

Foto mostra impacto da enxurrada e sedimentos na Lagoa da Conceição (Foto: Divulgação)

Uma nota técnica assinada por pesquisadores dos projetos Ecoando Sustentabilidade e Veleiro Eco e dos laboratórios de Ficologia (Lafic), de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha (Loqui) e do Núcleo de Estudos do Mar (Nemar) alerta para os possíveis prejuízos ambientais e riscos para a saúde humana do despejo de grande volume de esgoto tratado na Lagoa da Conceição, provocado pelo rompimento de uma lagoa de decantação da Casan. O incidente ocorreu na última segunda-feira, 25 de janeiro.

Na nota, os pesquisadores sugerem a realização de análises e o monitoramento “químico, biológico e ecológico” na laguna, para mensurar os impactos do derrame e subsidiar a adoção de medidas de mitigação e restauração ecológica.

O documento destaca que “a retenção de esgotos tratados em lagoas de maturação, decantação, evaporação ou infiltração é uma prática tecnicamente correta, desejável e preferível ao lançamento direto e contínuo dos efluentes em corpos de água naturais”. Alerta porém que é necessário o monitoramento da qualidade dessas águas e da estabilidade dos taludes e barragens associadas.

Apesar da alta eficiência do tratamento do esgoto in natura, o grande volume de esgoto tratado contido no reservatório, “ao ser despejado pontualmente e bruscamente, representa uma entrada altamente impactante de compostos químicos e componentes biológicos estranhos à Lagoa da Conceição”. Esse despejo atípico de nutrientes e matéria orgânica “pode quebrar a resiliência ecológica remanescente e acelerar o processo de eutrofização, com consequente expansão das zonas mortas já observadas nas regiões mais profundas da lagoa”. A eutrofização é o crescimento exagerado de algas, levando à diminuição do oxigênio na água.

Os pesquisadores destacam que a variação de salinidade decorrente da intrusão rápida de grande quantidade de água doce pode ter efeitos sobre organismos como plâncton, nectos e bentos (organismos que vivem no fundo da lagoa). As comunidades bênticas, consideradas de elevada importância para o equilíbrio ecológico do sistema, podem ser afetadas também pelos sedimentos (areia) arrastados pela enxurrada.

Além dos prejuízos ambientais, o derrame também pode apresentar riscos à saúde humana. Conforme a nota técnica, ainda que o líquido extravasado seja de esgoto tratado, não se descarta a possível presença de patógenos residuais. Por isso será necessário analisar a qualidade da água, para monitorar a presença de patógenos já identificados na região, como o vírus da hepatite A. O documento sugere que, por precaução, seja limitado ou proibido o contato de pessoas nas áreas afetadas e entorno “até que seja realizada caracterização detalhada do evento, por meio de análises químicas e biológicas da água e do sedimento”.

Veja a íntegra da Nota Técnica

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Projeto da UFSC sobre manejo de pinus invasores na Lagoa da Conceição completa 10 anos

01/06/2020 08:00

O projeto de extensão da UFSC Restaurando ecossistemas e paisagens – Manejo de pínus invasores no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição (Florianópolis, SC) completa 10 anos este ano. Para comemorar a data, nesta segunda-feira, dia 1º de junho, na Semana do Meio Ambiente, será lançado um vídeo comemorativo.

Michele de Sá Dechoum, docente do Departamento de Ecologia e Zoologia (CCB/UFSC) e coordenadora do projeto, relata um pouco desta experiência como forma de “agradecer imensamente a todas e todos que, de forma direta e indireta, nos ajudaram e seguem nos ajudando a restaurar ecossistemas e paisagens. E prosseguimos, pois ainda temos muito trabalho pela frente”, ressalta a pesquisadora.

Acrescenta que a principal motivação desta atividade “são os quase 200 hectares de restinga que já foram restaurados nesses 10 anos de trabalho conjunto, em um esforço comunitário. Protegendo espécies nativas e o funcionamento de ecossistemas garantimos também nossa saúde e nosso bem-estar. Estamos também restaurando paisagens, esse importante componente da nossa identidade e da nossa cultura”.
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Pesquisadores da UFSC divulgam nota técnica sobre manchas na Lagoa da Conceição

21/05/2020 09:27

Uma nota técnica sobre as extensas manchas de espuma na superfície da Lagoa da Conceição, especialmente nas margens norte e leste do Canto da Lagoa, junto à ponte da avenida das Rendeiras e ao longo da rua Vereador Osni Ortiga, em Florianópolis, aponta que, associados à escuma (manchas) “observaram-se peixes e camarões mortos. A análise microscópica das amostras revelou ser material orgânico em decomposição e grande quantidade de material de biofilme bêntico (crescido junto ao fundo). Este biofilme, com aspecto de espuma aerada densa, estava composto por uma massa mucilaginosa e fibrilar formada por bactérias, microalgas do grupo das diatomáceas (diversas espécies bênticas), além de cianobactérias (Oscillatoria) e dinoflagelados, alguns potencialmente tóxicos (Prorocentrum e Gymnodinium)”.

A nota é assinada pelo Laboratório de Ficologia (Lafic), – Laboratório de Oceanografia Química e Biogeoquímica Marinha, Núcleo de Estudos do Mar (Nemar), Veleiro Eco, e Daniele Damasceno Silveira, do Laboratório de Reuso de Aguas (LaRA) e se baseia em averiguação, análises e coleta de material dos pesquisadores da UFSC, que complementam e corroboram análise realizada por laboratório particular.
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Laboratório da UFSC divulga nota sobre floração de algas na Lagoa da Conceição

10/01/2020 12:11

Foi registrada a presença de algas como diatomáceas, cianobactérias, algas verdes e vermelhas na Lagoa da Conceição. Foto: Divulgação

O Laboratório de Ficologia (Lafic) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgou uma nota sobre a floração de algas na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, percebida no início deste mês de janeiro. O texto ressalta que as amostras analisadas não apresentam espécies produtoras de toxinas. O evento, entretanto, pode ser “resultado de um processo de eutrofização devido à poluição da lagoa por excesso de esgoto sem tratamento ou não adequadamente tratado”.

> Leia a íntegra da nota divulgada pelo Lafic:

O Laboratório de Ficologia da Universidade Federal de Santa Catarina vem a público esclarecer sobre o evento de floração na Lagoa da Conceição, documentado pela comunidade nas primeiras semanas de janeiro.  A massa flutuante observada é composta por algas diversas, como diatomáceas, cianobactérias, algas verdes e vermelhas. Há algas vivas e em decomposição. Destaca-se que não se observou na composição das amostras analisadas espécies produtoras de toxinas.
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TV UFSC: ‘Estação Verão’ apresenta Lagoa da Conceição nesta semana

18/02/2016 09:45

O tema do novo episódio do “Estação Verão”, da TV UFSC, é a região da Lagoa da Conceição. O local reúne praias, dunas, montanhas e a maior laguna de Florianópolis, com aproximadamente 15 quilômetros quadrados. A Lagoa ainda conta com lendas e tradições que são importantes para a história da cidade: a renda de bilro, o turismo local e a poluição da lagoa são temas do “Estação Verão” desta semana.

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