Santa Catarina abriga espécie de árvore considerada “super rara” ainda pouco conhecida pela ciência

22/11/2022 11:21

Ecólogos da UFSC dizem que o Crinodendron brasiliense é uma espécie em perigo de extinção

 

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O fruto do Crinodendron brasiliense se parece com um pequeno abajur. Foto: Rafael Barbizan e Sophia Kusterko

 

Crinodendron brasiliense ou cinzeiro-pataguá é uma árvore considerada “super rara”, encontrada durante um estudo de campo numa pequena área localizada nas regiões montanhosas do Planalto Serrano Catarinense. “Estávamos fazendo a medição de árvores de um projeto de monitoramento no Parque Nacional de São Joaquim, onde acabamos encontrando 59 indivíduos da espécie, o que despertou a nossa atenção para investigá-la”, diz o ecólogo Eduardo Luís Hettwer Giehl.

Com esse objetivo em mente, Eduardo Giehl e Rafael Barbizan – pesquisadores no Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, lideram um estudo inédito, cuja proposta de pesquisa envolve o monitoramento do cinzeiro-pataguá com o objetivo de realizar um levantamento mais abrangente dessa espécie de árvore ameaçada de extinção e restrita à região. 

A extinção de populações e espécies é algo que afeta o ecossistema e a biodiversidade. Para o professor Eduardo e a equipe de pesquisadores, a dor da perda de uma única espécie é imensa, maior ainda quando pouco se sabe sobre ela. “Para nós é um abalo muito grande perder uma espécie, queremos preservar todas e o cinzeiro-pataguá está numa situação bem delicada”, explica o ecólogo.
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Novo episódio do podcast UFSC Ciência discute futebol, política e poder

17/11/2022 15:15

A Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC) publicou nesta quinta-feira, 17 de novembro, um novo episódio do podcast UFSC Ciência, com o tema Futebol, política e poder. 

O podcast mostra que, diferente do que muita gente diz por aí, futebol e política se misturam, sim. E não é de hoje. Os megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, têm sido palco de demonstrações de poder e vêm sendo utilizados como instrumento de política interna e externa por governos de todo o mundo. 

Além de apresentar exemplos históricos e atuais de usos políticos dos megaeventos, o episódio discute o que está por trás dos enormes investimentos que o Catar vem fazendo no futebol, as relações da modalidade com as ditaduras militares na América Latina e movimentos de resistência surgidos do esporte, como a Democracia Corinthiana. Aborda, ainda, projetos que buscam mostrar que um outro mundo esportivo é possível. 

Os entrevistados desta edição são os professores Paulo Capela, do Centro de Desportos, e Juliano Pizarro, doutor pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC.

Ouça o UFSC Ciência no site, pelo Spotify, pelo Apple Podcasts ou outras plataformas.

Tags: copa do mundocopa do mundo 2022futebolpodcastpodcast UFSC CiênciapolíticaUFSCUFSC CiênciaUniversidade Federal de Santa Catarina

Nem bicho, nem planta: o que nos ensina o conhecimento dos fungos

03/11/2022 10:01

Projeto da UFSC busca catalogar a primeira lista de fungos ameaçados de extinção do Brasil

 

Elisandro Ricardo Drechsler-Santos: “a funga da serra catarinense, inclusive do Parque Nacional de São Joaquim, tem várias espécies novas, endêmicas e algumas estão ameaçadas de extinção”. Foto: Camila Collato

 

Uma bela xícara de café acompanhada de um pãozinho fresco, queijos e, em seguida, um suco de frutas é capaz de tornar qualquer hora do dia gloriosa, concorda? Agradeça aos fungos por isso e muito mais: os fungos estão presentes em quase toda a produção de alimentos. São responsáveis pelo avanço da medicina para tratar doenças físicas e mentais. Sequestram naturalmente e liberam o carbono, além de favorecer distintos processamentos industriais. E há uma série de usos diários dos fungos ainda pobremente conhecidos.

Muitos acreditam equivocadamente que são plantas, mas também não são animais – os fungos são organismos com a sua forma própria de vida. A comunidade de animais de um determinado local é tratada como Fauna, a de plantas, como Flora. E existe ainda uma terceira classificação: a dos fungos, conhecida como Funga. Assim, Fauna, Flora e Funga formam os três grandes grupos de organismos eucariontes da natureza. Apesar de sua importância reconhecida para a manutenção dos ecossistemas, da biodiversidade, e até mesmo para a indústria farmacêutica, essa categoria de seres vivos é pouco explorada pela ciência. Nesse sentido, o objetivo do pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos é criar um sistema de dados para catalogar, identificar e popularizar o conhecimento acerca da Funga.

Apenas 7% dos fungos são conhecidos pela ciência. Acredita-se que existam cerca de 1 a 5 milhões de espécies, no entanto, apenas 150 mil são catalogadas. Estudar e entender a Funga de um local é importante para a conservação não apenas das espécies de fungos, mas de todo o ecossistema. Essa é a missão do projeto MIND. Funga, coordenado pelo professor Ricardo. “A gente tem no Brasil aproximadamente 50 espécies que já foram avaliadas e a maioria delas são espécies ameaçadas de extinção. No entanto, não existe uma política ainda de reconhecimento disso”, explica o pesquisador. 

A ameaça de extinção

É comum ouvir-se falar sobre plantas e animais em ameaça de extinção. No entanto, pouco se conscientiza sobre o risco das espécies de fungos em perigo. Um dos objetivos do MIND. Funga é catalogar essas espécies na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). 

O pesquisador é claro: os fungos são essenciais para a estabilidade climática (dado seu papel no sequestro de carbono no solo) e para preservar a saúde ecossistêmica. No entanto, os fungos têm sido negligenciados em políticas ambientais e de conservação. Um descuido com inúmeras consequências, afirma o cientista. “Quando os fungos são colocados em risco, colocam-se em risco os ecossistemas que dependem deles. Com isso, perdemos a chance de realizar avanços, encontrar soluções para problemas ambientais graves, como mudanças climáticas e degradação da terra”, afirma.

E complementa o raciocínio observando que não existe ainda uma lista vermelha nacional de fungos, ou seja, os fungos não são reconhecidos no nosso território. O pesquisador busca estudar a distribuição das espécies para aplicar os critérios da IUCN e classificá-las em níveis de ameaça. Além disso, com engajamento com outros micólogos e liquenólogos, em breve haverá uma proposta ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), para que essas espécies sejam oficializadas também em uma lista no âmbito nacional.

Esse processo de reconhecimento e inclusão das espécies ameaçadas de extinção na lista de alerta vermelho é importante, pois auxilia e chama atenção para criação de políticas públicas que visem à conservação da Funga e, por consequência, da biodiversidade. Como os fungos não são reconhecidos no território brasileiro, Elisandro acredita que seja necessário fazer uma ponte entre pesquisadores e governo, para que seja feito um trabalho em conjunto em prol da manutenção dessas espécies.

Por que os fungos devem ser conservados?

Os fungos são seres fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas, pois junto com as bactérias heterotróficas são decompositores da matéria orgânica. Eles atuam como agentes recicladores da matéria, visto que ao fazerem o processo de decomposição devolvem os nutrientes para o solo e o gás carbônico para a atmosfera. Estes componentes serão reaproveitados pelas plantas, que eventualmente servirão de alimento para os animais herbívoros, reiniciando assim o ciclo da natureza. Os fungos podem ser descritos como o “elo” entre seres vivos e componentes não vivos do meio ambiente.

Outro motivo para que os fungos sejam conservados são os seus esporos. Elisandro explica que os esporos dos fungos são micropartículas liberadas no ar que auxiliam a formar as gotas de chuva. O pesquisador diz que “uma floresta preservada não só transpira umidade para formar nuvens, como também as partículas que estão no ambiente agregam essa umidade em forma de gota e fazem com que caia a chuva”. 

Além de sua importância para o equilíbrio ambiental, os fungos também podem ser explorados de maneira consciente pelos mais variados setores da indústria. Muitos alimentos, produtos e medicamentos utilizados no dia a dia dependem desses seres. Um exemplo clássico é a Penicilina, antibiótico descoberto a partir de fungos do gênero Penicillium.

Taxonomia

A ciência de reconhecer e descrever espécies novas é chamada de taxonomia, uma ciência básica que fornece elementos essenciais para outras ciências posteriormente, que são as ciências aplicadas. “Mais do que nunca o cientista no mundo é reconhecido, e em nosso país existe atualmente essa urgência de a sociedade reconhecer as universidades. Porque é dentro das universidades, principalmente as públicas e federais, que acontece a pesquisa”, enfatiza Elisandro. 

Para o pesquisador, quando descrevemos uma nova espécie de fungo, estamos mostrando para a sociedade em geral que existe uma caixinha de surpresas biotecnológicas, surpresas medicinais e surpresas na alimentação que podem ser explorados pela ciência aplicada, e podem retornar para a população não só como produtos importantes para a sociedade, mas também do ponto de vista econômico-financeiro.

O aplicativo de identificação

Complementar à pesquisa de Elisandro, em fase de testes, está a criação de um aplicativo para smartphones que permite, através da captura de imagens, reconhecer as espécies de fungos. Para isso, foram reunidos especialistas em identificação de fungos e inteligência artificial da UFSC dedicados ao desenvolvimento de um sistema moderno de reconhecimento de macrofungos a partir de um banco de imagens e informações.

Esse aplicativo faz parte do programa Ciência Cidadã MIND. Funga, ou seja, conta com a participação de voluntários para auxiliar no registro das imagens que irão compor o banco de dados. Em uma primeira etapa, cidadãos residentes próximos à região das Matas Nebulares de Santa Catarina utilizaram outro aplicativo desenvolvido por uma das pesquisas do grupo para fotografar os fungos em seu ambiente natural e registrar dados como localização, substrato, data da imagem etc. Esses dados estão sendo utilizados inicialmente em um projeto piloto, como base para mapeamento e monitoramento dessas espécies de fungos, bem como para compor o banco de dados do aplicativo de reconhecimento de espécies.

Elisandro comenta que esse banco já conta com informações de mais de 500 espécies de fungos. “Eu estou falando de aproximadamente 20 mil imagens de fungos. Essa base de dados é utilizada para treinar uma rede neural convolucional (Convolutional Neural Network / CNN).  Essa rede neural, ela aprende sozinha com os padrões que encontra nas imagens. É isso que a gente chama de Inteligência Artificial”, diz o pesquisador. Essa parte da IA é desenvolvida em parceria com equipe do Prof. Aldo von Wangenheim do Research institute on Digital Convergence – INCoD, também da UFSC. 

O aplicativo chamado de MIND.Funga app servirá tanto para professores da rede básica e superior em práticas pedagógicas quanto para especialistas contribuírem para popularizar a diversidade das espécies de fungos. 

“Eu tenho um compromisso com a ciência, mas ao mesmo tempo eu tenho um compromisso com a sociedade. E isso me faz querer mostrar para as pessoas o que nosso grupo descobre. Por isso nós estamos desenvolvendo esse aplicativo, para popularizar o conhecimento”, conta o biólogo. O aplicativo está em desenvolvimento e logo uma versão preliminar deverá estar disponível para testes.

Em geral, os estudos para acessar a diversidade e conhecer as espécies costumam ser mais acessíveis, do ponto de vista financeiro. Para o andamento deste projeto específico, os recursos foram disponibilizados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Com isso, o pesquisador foi capaz de ir além do objetivo previsto inicialmente. “Eu consigo dar bolsa, eu consigo ir para campo, eu consigo fazer biologia molecular, eu consigo produzir livros” comenta Elisandro.

O pesquisador:

Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, de 43 anos de idade, é Professor Associado do Departamento de Botânica da UFSC, atuando como orientador no Mestrado Profissional PROFBio-UFSC e Mestrado e Doutorado no PPG em Biologia de Fungos, Algas e Plantas (PPGFAP) da UFSC. Pesquisador do CNPq, especialista membro do grupo “IUCN SSC Mushroom, Bracket, and Puffball Specialist Group” e coordenador do grupo de pesquisa MIND.Funga (mindfunga.ufsc.br). 

Entre em contato com o pesquisador

Prof. Elisandro Ricardo Drechsler-Santos
Laboratório de Micologia (MICOLAB)
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Centro de Ciências Biológicas (CCB)
Departamento. de Botânica
Telefone: +55 (48) 37212889
Celular: +55 (48) 996268188
E-mail: drechslersantos@yahoo.com.br
Florianópolis – 88040970 – Brasil

 

 

Maria Magnabosco / Estagiária de jornalismo / Núcleo de Apoio à Divulgação Científica / UFSC
Rafaela Souza / Estagiária de design / Núcleo de Apoio à Divulgação Científica / UFSC


Edição
Denise Becker / Núcleo de Apoio à  Divulgação Científica / UFSC

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Banco de fezes: pesquisador busca financiadores para montar laboratório que pode salvar vidas

17/10/2022 09:25

Cientista da UFSC explica como o armazenamento de amostras pode ser usado para tratar doenças e controlar infecções

  

A disbiose pode ser intestinal, vaginal, da pele e do pulmão. (Foto: Centro de Controle da Disbiose)

Fezes – sim, fezes – podem ser usadas para o tratamento de doenças, para controle de infecções e até para melhora em quadros do espectro autista.  O transplante da microbiota intestinal (TMI), mais conhecido como transplante de microbiota fecal (TMF), vem sendo aplicado como método eficaz em todo o mundo para tratar problemas causados por bactérias multirresistentes a antibióticos e muitas outras condições. Esse é o principal tema de pesquisa de Carlos Zárate-Bladés, professor e médico que criou o Centro de Controle da Disbiose e lidera uma equipe de pesquisadores no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

Boliviano que mora em Florianópolis desde 2015, Zárate-Bladés comenta que a transferência de microrganismos de uma pessoa pode restabelecer o equilíbrio da microbiota intestinal. “O transplante de microbiota se consolidou para tratar uma infecção de repetição causada pela bactéria Clostridioides difficile, que provoca diarréia no paciente podendo evoluir para a inflamação do cólon. Esse patógeno é responsável por alta taxa de mortalidade em pacientes internados em hospitais; com o transplante, o sucesso da recuperação é superior a 90% para essa infecção em específico”, salienta o pesquisador.

A alteração da microbiota é chamada de disbiose, que pode ser intestinal, mas também vaginal, de pele, de pulmão e de qualquer outra mucosa do corpo. O desequilíbrio costuma provocar o aparecimento de doenças de diversos tipos, sendo a mais comum associada ao uso de antibióticos, mas também pode ser um problema consequente por uma outra doença de base.  

Outras alterações são atribuídas a pessoas com doenças inflamatórias intestinais como a colite ulcerativa e a doença de Crohn são condições que podem se beneficiar com esse tratamento. Assim, o objetivo do pesquisador Carlos Zárate-Bladés é desenvolver a técnica do Transplante da Microbiota Intestinal (TMI) no Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC). Isso envolve investimentos para uma estrutura adequada, realização e manutenção da pesquisa. 

Devido à baixa incidência de efeitos colaterais, o transplante de fezes é recomendado pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDAS) e pela Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ESCMID). O primeiro transplante de fezes no Brasil foi realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, em 2013. Existe um banco de fezes no Hospital da Universidade Federal de Minas Gerais, que vem realizando de forma rotineira o transplante desde 2017. 
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Santa Catarina pode ser modelo para os outros estados no controle de bactérias do tipo MRSA

10/10/2022 08:50

Pesquisadora da UFSC está coordenando um projeto para estudar a Staphylococcus Aureus resistentes a Meticilina (MRSA)

 

A microbiologista Fabienne Ferreira estuda MRSA desde a sua graduação (Foto: Rafaella Whitaker)

 

A resistência das bactérias aos antibióticos é um grande desafio para a saúde pública no mundo. Uma dessas bactérias é Staphylococcus aureus resistentes à Meticilina, conhecida pela sigla MRSA. Apesar de serem organismos comensais, ou seja, que interagem com o ser humano sem causar doença, em algumas situações, o desequilíbrio da relação dessa bactéria com o hospedeiro pode ser prejudicial à saúde. O estudo conduzido por Fabienne Antunes Ferreira, microbiologista e pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), busca entender essas interações entre o organismo humano e esses patógenos, mais especificamente no estado de Santa Catarina.

O objetivo do estudo é entender por que em Santa Catarina a incidência dessas bactérias resistentes a antibióticos parece ser menor em comparação com outros estados do país. No Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná, cerca de 30 a 60% de Staphylococcus aureus são MRSA. No entanto, em Santa Catarina, essa taxa reportada foi de 2 a 8%. “Talvez, Santa Catarina possa ser um modelo futuro para inibir o crescimento dessas bactérias, já que aqui é naturalmente inibido de alguma forma”, explica a pesquisadora.
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UFSC Explica: urna eletrônica

23/09/2022 16:12

A urna eletrônica é tema do novo episódio da série de vídeos UFSC Explica, produzida pela Agência de Comunicação (Agecom) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Três pesquisadores, de diferentes áreas do conhecimento, falam sobre o histórico das eleições no Brasil, os casos de fraude relacionados ao voto impresso, o desenvolvimento da urna eletrônica brasileira e os diversos testes e auditorias feitos antes, durante e depois da votação.

Quando e por que foi criada a urna eletrônica? Quem faz a auditorias das urnas? Como funciona a apuração? Existe uma sala secreta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)? Já houve algum caso de fraude? Essas e outras perguntas são respondidas ao longo do vídeo.

Conheça os entrevistados:

Julian Borba possui graduação em Ciências da Administração e mestrado em Sociologia Política pela UFSC e doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política da UFSC e um dos coordenadores do Grupo de Investigación de Participación Política, da Associação Latino-Americana de Ciência Política. Desenvolve pesquisas sobre participação política, comportamento eleitoral e atitudes e valores políticos.

Marcelo Ramos Peregrino Ferreira é doutor em Direito pela UFSC, membro e fundador das academias catarinense (Acade) e brasileira (Abradep) de Direito Eleitoral e presidente da Conferência Americana dos Organismos Eleitorais Subnacionais para a Transparência Eleitoral (Caoeste). Entre 2012 e 2014, foi juiz eleitoral do TRE/SC, diretor da Escola Judiciária Eleitoral Des. Irineu João da Silva do TRE/SC, integrante da Comissão do Conselho Federal da OAB para Mobilização para a Reforma Política e ouvidor da Justiça Eleitoral do Estado de Santa Catarina. Já atuou como observador internacional das eleições da Colômbia (2018), do Peru (2019), de El Salvador (2021) e do Equador (2021).

Ricardo Felipe Custódio é graduado e mestre em Engenharia Elétrica pela UFSC e  doutor em Ciência da Computação pela UFRGS. É professor do Departamento de Informática e Estatística e supervisor do Laboratório de Segurança em Computação (Labsec) da UFSC. Suas áreas de pesquisa incluem assinatura digital de documentos eletrônicos, infraestrutura de chaves públicas e gestão de identidades eletrônicas.

Confira abaixo o vídeo, também disponível no canal da UFSC no Youtube:

Para saber mais

A página Fato ou Boato foi criada pelo TSE para desmentir conteúdos falsos. A iniciativa integra o Programa de Enfrentamento à Desinformação, que atualmente mobiliza mais de 70 instituições, entre partidos políticos e entidades públicas e privadas, para enfrentar os efeitos negativos provocados pela desinformação relacionada à democracia.

Em suas 28 páginas, o Guia da urna, elaborado pela Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) do TSE, conta a história do surgimento da urna eletrônica, destaca a evolução tecnológica, as barreiras de segurança e as diversas possibilidades de auditoria no equipamento ao longo de 26 anos de uso nas eleições. Também aborda a experiência de impressão do voto eletrônico em 2002 e a declaração de inconstitucionalidade da impressão do voto, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, por colocar em risco o sigilo e a liberdade do voto. 

O livro Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira, de autoria da jornalista Fernanda Soares Andrade, conta a história da criação da urna eletrônica brasileira e as mudanças que sua utilização trouxe ao longo dos anos. O e-book tem também o objetivo de esclarecer a população sobre o funcionamento e a segurança da urna. A obra foi redigida com base em documentos do TSE e depoimentos de pessoas que participaram do desenvolvimento da urna.

Em dezembro de 2021, a Escola Judiciária Eleitoral da Bahia lançou o livro 25 anos da urna eletrônica: tecnologia e integridade nas eleições brasileiras, composto de trabalhos escritos por pesquisadores especializados no tema, professores de Direito Eleitoral e outras pessoas que fizeram parte do processo de desenvolvimento da urna. A publicação aborda a história das eleições no Brasil e da origem da urna eletrônica brasileira, seu protagonismo no combate à fraude eleitoral e uma análise crítica sobre os riscos do retrocesso envolvidos na impressão do voto eletrônico. Aborda, também, o combate à desinformação, os desafios à inovação do processo de votação eletrônico e o futuro do uso da tecnologia na democracia brasileira.

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DIVULGA UFSC – 14/09/2022 – Edição 1908

14/09/2022 12:20

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Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) | www.divulga.ufsc.br – 14/09/2022 – Edição 1908
UFSC registra aumento expressivo de excelência acadêmica na avaliação da Capes

A UFSC está comemorando os resultados preliminares da Avaliação Quadrienal dos programas de pós-graduação realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Dos 67 programas acadêmicos avaliados, 43 mantiveram as notas obtidas há quatro anos, 19 tiveram notas maiores que em 2017 e três foram avaliados pela primeira vez. Apenas dois programas tiveram pontuação mais baixa em relação ao último levantamento. A Avaliação Quadrienal da Capes escrutina mais de 7,5 mil cursos do Sistema Nacional de Pós-graduação e leva em conta critérios quantitativos e qualitativos. Na nova avaliação, a UFSC passou a ter 26 programas com notas 6 ou 7, considerados de excelência acadêmica – 39% do total. Na avaliação de 2017, o nível de excelência foi obtido por 20 programas (31%). Continue a leitura >>.


Reitoria apresentará ao MPF proposta de controle social da frequência dos servidores técnico-administrativos

A Reitoria da UFSC vai apresentar ao Ministério Público Federal a proposta de adoção do controle social para aferição da frequência dos servidores técnico-administrativos da instituição. A ideia é desenvolver uma ferramenta semelhante ao Planejamento e Acompanhamento de Atividades Docentes (Paad), o sistema de controle das atividades desenvolvidas pelos professores, tais como ensino, pesquisa, extensão e funções administrativas. A sugestão passará agora pelo crivo da Procuradoria-Geral Federal junto à UFSC. A outra proposta é a adoção de um sistema chamado Minha Frequência, que tem similaridades com o Sisref mas utiliza softwares livres. Continue a leitura >>.

Especial: como o uso de método e conhecimento científicos auxiliam em investigações judiciais

 

Não são raras as vezes em que aquele seu seriado preferido de investigação começa com uma clássica cena: um detetive adentrando em um ambiente apinhado de peritos que fotografam, coletam amostras, fazem demarcações e simulações no local onde ocorreu um crime. A resolução de casos policiais sempre foi um assunto de grande interesse do público e um dos pontos centrais da curiosidade da audiência é o desenrolar do processo de investigação. Para isso, entram em ação as ciências forenses – um conjunto de métodos e conhecimentos científicos necessários para esclarecer questões específicas que auxiliarão e darão suporte à justiça. Confira a reportagem multimídia >>.


Ensino

Pós-Graduação em Ciência da Computação abre inscrições para mestrado e doutorado

A coordenadoria do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) da UFSC está com inscrições abertas para o processo seletivo destinado ao preenchimento de vagas em nível de mestrado e doutorado com ingresso a partir de março de 2023. Para o mestrado, as inscrições ocorrem até 10 de outubro e estão disponíveis 37 vagas. E, para o doutorado, o período de inscrição vai até 1º de novembro, e são oferecidas 26 vagas. Continue a leitura >>.

Secretaria de Relações Internacionais promove curso sobre provas de proficiência da língua italiana

O Núcleo Institucional de Línguas e Tradução (Nilt), da Secretaria de Relações Internacionais (Sinter), promove a primeira edição presencial do curso Provas de proficiência da língua italiana. O objetivo é familiarizar o aluno com os exames de proficiência CELI, CILS, e PLIDA. Serão abertas 15 vagas e o período de inscrições vai até dia 27 de setembro. As inscrições podem ser realizadas através do link. Continue a leitura >>.

UFSC sedia seminário sobre línguas indígenas do Sul da Mata Atlântica

O III Seminário de Línguas Indígenas do Sul da Mata Atlântica, voltado à divulgação de políticas linguísticas envolvendo três línguas indígenas faladas no sul da Mata Atlântica, será realizado nos dias 20 e 21 de setembro, no auditório de Centro de Comunicação e Expressão (CCE). O evento é resultado de uma parceria entre estudantes indígenas, docentes do curso de Licenciatura Intercultural Indígena (LII) e o grupo de Políticas Linguísticas Críticas e Direitos Linguísticos da UFSC, com apoio do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL). Continue a leitura >>.


Extensão

UFSC e Justiça Federal realizam debate sobre justiça restaurativa

O grupo de pesquisa Poder, controle e dano social, do Departamento de Direito da UFSC, e o Centro de Justiça Restaurativa (Cejure) da Justiça Federal da 4ª Região realizam o debate Justiça restaurativa: mudando as lentes sem abrir mão da crítica. O evento será na próxima terça-feira, 20 de setembro, às 14h, no Programa de Pós-Graduação em Direito, na sala 303 do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ). Não é necessário inscrição prévia para essa atividade. Continue a leitura >>.

Abertas as inscrições para grupo reflexivo ‘Velho, eu?’, do Departamento de Psicologia

Estão abertas as inscrições para o grupo reflexivo Velho, eu?, parte do projeto de extensão vinculado ao Laboratório de Psicologia Social da Comunicação e Cognição (Laccos), do Departamento de Psicologia da UFSC. O objetivo da iniciativa é, por meio de intervenções em grupo, com o suporte dos conhecimentos da Psicologia Social e da Psicologia do Envelhecimento, compartilhar de experiências, informações e reflexões sobre o processo de envelhecimento e a vivência da velhice na atualidade. Continue a leitura >>.


Pesquisa

Informe Necat: casos ativos de covid-19 atingem menor patamar de 2022

O Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat) da UFSC publicou um novo Informe Semanal sobre a covid-19 no estado. Na semana entre 3 e 9 de setembro, os casos ativos sofreram uma redução de 29%, indicando que 1.025 pessoas deixaram de fazer parte do contingente de contaminados existentes no estado. Com isso, a média caiu de 748 para 381 registros diários. De acordo com o Informe, embora a circulação do vírus ainda continue expressiva em Santa Catarina, esse foi o menor patamar do indicador no ano de 2022. Continue a leitura >>.


Gestão

Abertas inscrições de processo seletivo para afastamento integral em programa de pós-graduação

O Departamento de Desenvolvimento de Pessoas (DDP), da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp), iniciou na última terça-feira, dia 13 de setembro, as inscrições do processo seletivo de classificação dos interessados em solicitar afastamento integral para participação em programa de pós-graduação stricto sensu (mestrado, doutorado e pós-doutorado). A ação é voltada a servidores docentes e técnico-administrativos em Educação da UFSC. O período de inscrições vai até 16 de outubro. Continue a leitura >>.


Cultura

Igrejinha recebe ‘Duo Baobá’ com repertório de chorinho nesta quinta, dia 15

O projeto Igrejinha Musical, nova ação do Departamento Artístico Cultural (DAC) da UFSC, apresenta o Duo Baobá, uma parceria musical entre o violonista David Cardona e a flautista Mayara Araújo, que explora a sonoridade da música brasileira e latina. A apresentação será nesta quinta-feira, 15 de setembro, às 19h, na Igrejinha da UFSC. O evento é gratuito e aberto à comunidade, com entrada liberada por ordem de chegada. Continue a leitura >>.

Arquivo Central realiza exposição virtual com tema ‘Fundação Universidade de Santa Catarina’

A Coordenadoria do Arquivo Central divulgou na terça-feira, 13 de setembro, a exposição virtual com o tema Fundação Universidade de Santa Catarina, organização que realizou ações preparatórias para a criação da Universidade Federal de Santa Catarina. Entre os documentos expostos encontram-se esboços do estatuto da Fundação, planos para a cidade universitária com ações para organização hierárquica e do espaço físico da Universidade nas décadas de 1950 e 60, bem como aqueles destinados à instalação da instituição. Continue a leitura >>.

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Servidora da UFSC aplica arqueologia forense em pesquisa sobre centro de tortura da ditadura militar

22/08/2022 17:25

Foto: Aline Lourenço Campanha/Memorial da Resistência de SP

A servidora Maryah Elisa Morastoni Haertel, técnica de laboratório de Física do Campus de Blumenau da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é uma das integrantes da equipe que pesquisará, usando a arqueologia forense, o prédio onde funcionava o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. Para o local eram levados e torturados os presos durante o período da ditadura militar.

O objetivo do estudo é ampliar o conhecimento científico em relação ao local e ao que aconteceu ali naquela época, além de esclarecer fatos de possíveis violações de direitos humanos à sociedade. A ideia é preservar a memória para que as futuras gerações conheçam a história e percebam o valor da democracia. O trabalho também buscará identificar desaparecidos políticos por meio de exames de DNA, caso isso seja possível.

Intitulada Arqueologias do DOI-Codi do II Exército (São Paulo): leituras plurais da repressão e da resistência, a pesquisa é coordenada pela professora Cláudia Regina Plens, do Laboratório de Estudos Arqueológicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e inclui pesquisadoras – todas mulheres – de mais cinco universidades. Essa é a primeira vez que um centro de tortura da ditadura militar no Brasil será pesquisado por meio da arqueologia forense, que é a aplicação de métodos e técnicas arqueológicos e forenses para o esclarecimento de acontecimentos, fatos e possíveis crimes ocorridos.
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Tags: arqueologiaarqueologia forenseCampus BlumenauditaduraUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

DIVULGA UFSC – 15/08/2022 – Edição 1887

15/08/2022 10:08

 

 

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Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) | www.divulga.ufsc.br – 15/08/2022 – Edição 1887
Nota de repúdio: UFSC se manifesta quanto à ação da PM em ato pela democracia

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apresenta veemente protesto contra o uso da força excessiva, truculência e abusos cometidos pela Polícia Militar do Estado de Santa Catarina na prisão de uma estudante da Universidade que participava do ato em defesa do Estado Democrático de Direito. A jovem, detida supostamente por fazer pichações, foi imobilizada à força, em atitude de nítida truculência. No momento da prisão fica evidente a atitude injustificável dos policiais, que deveriam estar no ato para garantir a segurança dos manifestantes. Continue a leitura>>. Leia também: Vice-reitora da UFSC participa de audiência de custódia de estudante presa.

Auditório da Reitoria da UFSC recebe ato cívico em defesa da democracia

O auditório da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ficou lotado dia 11 de agosto, para realização do ato em defesa do estado democrático de direito. O evento foi organizado pelo Sindicato dos Professores (Apufsc) em conjunto com 27 entidades da sociedade civil. O reitor Irineu Manoel de Souza e a vice-reitora Joana Célia dos Passos estiveram presentes. O ato foi realizado simultaneamente à leitura da Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito. Continue a leitura » ».

UFSC ganha quatro menções honrosas em Prêmio Capes de Tese

A Universidade Federal de Santa Catarina conquistou quatro menções honrosas no Prêmio Capes de Tese – Edição de 2022, um dos mais tradicionais da pesquisa no Brasil. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 11 de agosto, no Diário Oficial, e trazem destaque a estudos da UFSC desenvolvidos em quatro áreas do conhecimento: Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Linguística e Literatura e Nutrição. No total, 49 trabalhos foram premiados e outros 96 receberam menção honrosa. Continue a leitura>>.


Gestão

Médica infectologista assume a superintendência do HU/UFSC

A médica Ivete Ioshiko Masukawa é a nova superintendente do Hospital Universitário (HU/UFSC). Ela foi nomeada por meio de portaria publicada na última sexta-feira, 12 de agosto, depois de ser indicada pelo reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Ivete faz parte do corpo clínico do HU desde 2004, onde atuou como médica infectologista no Serviço de Controle de Infecção. Formada em Medicina pela UFSC, fez residência médica e mestrado em Moléstia Infecciosa e Parasitária pela Universidade de São Paulo (USP). É especialista em Administração Hospitalar, tendo atuado como chefe da Divisão Médica do HU/UFSC entre 2021 e 2022. Também participou da administração do Hospital Nereu Ramos, da Secretaria de Estado da Saúde, até 2020. A médica assume a 14ª gestão do HU desde a sua fundação, em 1980. Vai substituir a também médica Joanita Angela Gonzaga Del Moral, que ocupou o cargo até 22 de julho deste ano. Atualmente, a superintendência estava sendo exercida interinamente pelo gerente administrativo Michel Maximiano Faraco. Continue a leitura>>.

Profor divulga cursos de formação continuada para docentes

O Programa de Formação Continuada divulgou a agenda de atividades formativas para o semestre letivo 2022.2. Os cursos ofertados são uma oportunidade para conhecer e compartilhar experiências e práticas pedagógicas. O Profor tem o objetivo de proporcionar o aperfeiçoamento pedagógico continuado aos professores, sendo de caráter obrigatório para aqueles que estão em estágio probatório e facultativo aos demais docentes da instituição. Há pelo menos 19 cursos com inscrições abertas. Os cursos serão ministrados nas modalidades remota e presencial, conforme programação. Continue a leitura>>.

 


Extensão

UFSC oferece cursos para pessoas com 50 anos ou mais

O Núcleo de Estudos da Terceira Idade (Neti/UFSC) abre na segunda-feira, 15 de agosto, inscrições para as vagas remanescentes de seus cursos de extensão. São ofertadas aulas em diversas áreas, como danças, teatro, contação de histórias, matemática e nutrição, além de cursos de alemão e italiano, de uma oficina sobre as árvores da UFSC e de grupos reflexivos sobre envelhecimento. A relação completa de vagas remanescentes, com datas e horários, pode ser conferida neste documento. Para participar, é necessário ter 50 anos ou mais. As inscrições para todas as atividades podem ser realizadas pelo site neti.ufsc.br até quarta-feira, 17 de agosto. Mais informações no site do Neti e no edital de atividades de extensão. Continue a leitura>>.

Abertas as inscrições para evento de inovação e empreendedorismo da UFSC Curitibanos

Estão abertas as inscrições para o Conexão Contestado, 1º Seminário Regional de Inovação e Empreendedorismo, que ocorre de forma híbrida, nos dias 14 e 15 de setembro, no Mercado Público Municipal de Curitibanos e no Youtube da UFSC Curitibanos. O público-alvo são estudantes de ensino médio, acadêmicos, empresários e público interessados na temática. A inscrição gratuita poderá ser feita por meio do site oficial do evento. Continue a leitura>>.


Ensino

UFSC oferece cursos gratuitos de matemática básica e introdução ao cálculo nas férias de agosto

O Programa de Pós-graduação em Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove, entre os dias 19 e 24 de agosto, cursos concentrados e gratuitos de Matemática Básica (120 vagas) e Introdução ao Cálculo (120 vagas). Cada curso será oferecido em dois turnos, com 60 vagas cada (confira o cronograma abaixo). As inscrições podem ser feitas até  17 de agosto. Os cursos serão ministrados por doutorandos em Física. Continue a leitura>>.

Pós-Graduação em Engenharia Ambiental está com inscrições abertas para mestrado

O Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental (CTC/UFSC), está com inscrições abertas para o processo de seleção do mestrado, voltado ao período letivo que terá início no terceiro trimestre de 2022, conforme calendário da UFSC. Serão disponibilizadas 13 vagas para o curso, conforme nos limites estabelecidos por linhas de pesquisa no edital. As inscrições se encerram em 28 de agosto, às às 23h59 (horário de Brasília). A homologação das inscrições está prevista para dia 29 de agosto, e as avaliações dos candidatos (curriculum vitae, pré-projeto e arguição) irá ocorrer entre 30 de agosto e 2 de setembro. A divulgação do resultado definitivo será em 5 de setembro de 2022. Confira a íntegra do edital e outras orientações neste link.


Pesquisa

Semifinalista da Olimpíada Brasileira, equipe do Colégio de Aplicação da UFSC vai lançar satélite próprio

A equipe Sagittarius A*, formada por estudantes do 9º ano do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é semifinalista da Olimpíada Brasileira de Satélites (Obsat). Os quatro integrantes do grupo – Isabella de Freitas, Rosa Maria Miranda, João Vitor Caetano e Marcos Bueno – terão a oportunidade de lançar o satélite que desenvolveram. Para isso, a equipe irá viajar até Santa Maria, no Rio Grande do Sul, nesta próxima sexta-feira, dia 12 de agosto. Continue a leitura>>.

UFSC Explica: dark web

Dark web é o tema do novo episódio da série de vídeos UFSC Explica. Três pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de diferentes áreas do conhecimento, abordam questões como segurança, anonimato e privacidade on-line em um mundo cada vez mais conectado e no qual os dados dos usuários se tornaram moeda de troca. Quais as diferenças entre deep e dark web? O que garante o anonimato dos usuários da dark web? Como acessá-la? Quem e o que podemos encontrar por lá? Essas e outras perguntas são respondidas ao longo do vídeo. Continue a leitura>>.

 


Comunidade

Campus Trindade: acesso à UFSC pelo bairro Pantanal será fechado temporariamente

A Prefeitura Municipal de Florianópolis irá fechar provisoriamente a entrada, via bairro Pantanal, ao Campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a partir da próxima segunda-feira, 15 de agosto. O acesso à rua Engenheiro Andrey Cristian Ferreira pela rua Deputado Antônio Edu Vieira será interditado por um período de 20 dias corridos, em função da obra de duplicação no local. Continue a leitura>>.

 

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UFSC Explica: dark web

11/08/2022 15:30

Dark web é o tema do novo episódio da série de vídeos UFSC Explica. Três pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de diferentes áreas do conhecimento, abordam questões como segurança, anonimato e privacidade on-line em um mundo cada vez mais conectado e no qual os dados dos usuários se tornaram moeda de troca. 

Quais as diferenças entre deep e dark web? O que garante o anonimato dos usuários da dark web? Como acessá-la? Quem e o que podemos encontrar por lá? Essas e outras perguntas são respondidas ao longo do vídeo.

Conheça os entrevistados:

Barbara Idaerla Santos Calderon: é bacharela e mestra em Relações Internacionais pela UFSC, além de estudante da graduação em Sistemas de Informação da mesma instituição. Seu mestrado teve foco em Economia Política Internacional, e sua dissertação incidiu-se sobre a área de intersecção entre as Relações Internacionais e os Sistemas de Informação. Em 2017, publicou o livro Deep e dark web: a internet que você conhece é apenas a ponta iceberg, pela editora Alta Books. Poder, economia política internacional, cibercultura e atuações do Estado e da sociedade na esfera cibernética estão entre seus interesses de pesquisa.

Enrique Muriel-Torrado: professor no Departamento de Ciência da Informação e no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFSC. É graduado em Biblioteconomía y Documentación e licenciado em Documentación pela Universidad de Extremadura, mestre em Documentación Digital pela Universitat Pompeu Fabra e mestre e doutor em Información Científica pela Universidad de Granada. Sua área de pesquisa abrange temas como direitos autorais, copyright, copyleft, desinformação, sociedade da informação e serviços e ferramentas em unidades de informação.

Jean Everson Martina: professor do Departamento de Informática e Estatística e membro do Laboratório de Segurança em Computação (Labsec) da UFSC. Possui graduação e mestrado em Ciências da Computação pela UFSC e doutorado em Ciências da Computação pela University of Cambridge. Atua principalmente nos seguintes temas: assinaturas digitais, sistemas operacionais embarcados, execução segura de código, proteção de chaves criptográficas, computação forense, formalização de protocolos, verificação formal, modelagem de cerimônias de segurança e projeto de software seguro.

Confira abaixo o vídeo, também disponível no canal da UFSC no Youtube.

Tags: dark webUFSCUFSC ExplicaUniversidade Federal de Santa Catarina

Pesquisa busca entender processos envolvidos na metástase e no reaparecimento de cânceres

18/07/2022 16:07

Células tumorais que se disseminam para a medula óssea sobrevivem mesmo após o tratamento quimioterápico e podem levar ao reaparecimento da doença. Foto: National Cancer Institute/Unsplash

Em seu novo projeto de pesquisa, o professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Edroaldo Lummertz da Rocha procura compreender o processo de metástase do câncer de mama para a medula óssea e como se dá seu envolvimento no reaparecimento do tumor mesmo muitos anos após o tratamento com sucesso do tumor primário. O trabalho, que pode colaborar para o desenvolvimento de novas terapias que reduzam a propensão de reaparecimento de tumores, foi um dos dez selecionados na quinta chamada pública de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira, uma instituição privada de fomento à ciência.

Definida como a disseminação de células cancerosas para órgãos secundários, a metástase é a principal causa de morbidade e mortalidade relacionada ao câncer. Após a resseção do tumor primário, as células tumorais que se disseminaram para a medula óssea no início da formação do tumor sobrevivem mesmo após o tratamento quimioterápico, levando ao reaparecimento da doença meses ou anos após o tratamento bem-sucedido do tumor primário. “Ao chegar na medula óssea, estas células tumorais do câncer de mama entram em um estado de quiescência, permanecendo em repouso por muitos anos, se escondendo da destruição mediada por células imunológicas, e também sendo resistentes ao tratamento quimioterápico. Porém, por fatores ainda pouco compreendidos, estas células tumorais em repouso são reativadas anos depois, levando ao surgimento de metástases ósseas, que podem também se espalhar para múltiplos órgãos”, explica Edroaldo.

Ainda não está claro, no entanto, como essas células tumorais metastáticas se adaptam e sobrevivem na medula óssea durante os estágios iniciais do desenvolvimento do tumor, adquirem quimiorresistência durante o tratamento adjuvante e são reativadas para gerar metástase óssea, e possivelmente para outros órgãos. O estudo de Edroaldo pode ajudar a compreender os detalhes celulares e moleculares desses processos – o que é fundamental para encontrar possibilidades terapêuticas.
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Tags: câncerDepartamento de Microbiologia Imunologia e ParasitologiaLabcancerUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Equipes de competição desenvolvem energia para mobilidade

15/07/2022 12:08

 

Leia a reportagem especial completa em multimídia

 

Imagem: UFSC Baja

Quando se fala em desenvolvimento tecnológico, também se fala em energia. Isto porque é ela que sustenta essas tecnologias. Porém, o que vemos é um cenário em que os recursos energéticos tradicionais estão se esgotando e causam dano ambiental severo.

Este talvez seja até um ponto da discussão já incorporado ao senso comum: dependemos de energia, mas exaurimos o planeta para gerá-la. Aí vêm as fontes alternativas, renováveis e menos poluentes que apresentam novidades, mas enfrentam resistência para se popularizar. Falta infraestrutura para suportá-las, ou pouco as pessoas sabem a respeito.

As equipes de competição ligadas aos centros de tecnologia dos campi de Florianópolis e Joinville projetam, manufaturam e concorrem com seu produto em eventos de inovação tecnológica. Multidisciplinares, são formadas por alunos de diferentes cursos e centros.

Na UFSC, algumas são ligadas à matriz energética alternativa: Babitonga e Vento Sul com barcos solares, e Eficem e Ampera Racing com veículos elétricos. Outras equipes, como a UFSC Baja, que tem carros a combustão, começam a buscar alternativas.

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Tags: barco solarcarro de corridacarro elétricoCombustãoenergiaenergia limpaEnergia RenovávelEquipes de Competição da UFSC

Perda dentária não pode ser desvinculada das opressões estruturais, aponta estudo de professor da UFSC

12/07/2022 09:00

Um estudo realizado com três diferentes bases de dados e a partir de informações de 107.935 pessoas concluiu que as intersecções do sexismo estrutural com o racismo estrutural e a desigualdade de renda aumentam as chances de perda dentária total em idosos com 65 anos ou mais dos Estados Unidos da América (EUA). A investigação utiliza a teoria ecossocial sobre a distribuição de saúde e doença nas populações humanas para demonstrar como o corpo manifesta questões associadas à vida, às características identitárias e ao trabalho, por exemplo.

A pesquisa foi liderada pelo professor João Luiz Dornelles Bastos, do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, e lança um olhar para a perda dentária – tecnicamente denominada de edentulismo – a partir das características dos indivíduos e dos estados onde eles vivem. Helena M. Constante, Helena S. Schuch e Dandara G. Haag, junto com a professora Lisa M. Jamieson, são co-autoras do trabalho, publicado no Journal of Public Health Dentistry.

As análises foram baseadas em três fontes de dados: o questionário da Behavioral Risk Factor Surveillance System – sistema de pesquisas telefônicas relacionadas à saúde nos Estados Unidos, além de um estudo que estimou os níveis de racismo e sexismo estrutural e desigualdade de renda para cada estado norte-americano e do censo demográfico do país.

As iniquidades raciais no edentulismo e as estimativas de racismo e sexismo estrutural e de desigualdade de renda foram plotadas em mapas que destacam, em cores, onde esses problemas são mais preocupantes. Os indicadores gerais confirmam uma hipótese de que a perda dentária total é condicionada por questões estruturais: nos estados com altos níveis de racismo, sexismo e desigualdade de renda, os respondentes negros são mais afetados pela perda dentária total do que os brancos.

Clique para ampliar (Fonte: autores)

Segundo o professor, o estudo é o primeiro a demonstrar empiricamente o fato. “Se você reside num estado norte-americano em que os níveis de racismo, sexismo e desigualdade de renda são elevados, a chance de você ter perda dentária completa é mais elevada, especialmente se você for negro. Supomos que esses estados têm serviços de saúde menos acessíveis e apresentam maiores níveis de segregação, forçando a população negra a ter condições de trabalho e de moradia precárias”, contextualiza. “A restrição no acesso aos serviços de saúde bucal e as piores condições de vida e trabalho são causas importantes da perda dentária”, explica.

Os níveis de racismo e sexismo estrutural e desigualdade de renda foram extraídos de um estudo sobre os impactos dos sistemas de opressão na saúde, liderado pela socióloga Patricia Homan, do Programa de Saúde Pública da Universidade da Flórida. O racismo estrutural, por exemplo, foi reconhecido a partir de nove indicadores de desigualdade racial em cinco diferentes domínios da vida: judicial, educacional, político, econômico e habitacional.

Conforme os pesquisadores, os resultados do trabalho dão credibilidade à hipótese de que as iniquidades raciais em saúde bucal não podem ser desvinculadas de forças sociais que alocam poder e recursos de forma injusta e diferenciada entre os grupos populacionais. “A distribuição desigual dessas causas fundamentais das iniquidades em saúde não é alcançada apenas ao longo de linhas raciais, mas também com e através de linhas de gênero e classe, como as estudiosas da interseccionalidade têm argumentado há muito tempo”, observam, no texto.

Causas diversas

Professor investiga perda dentária a partir da abordagem da teoria ecossocial

Bastos explica que a perda dentária total pode ter diversas causas, desde a doença periodontal, de natureza inflamatória, considerada um problema frequente entre idosos, até a extração dos dentes em razão da cárie dentária, doença provocada por bactérias presentes na boca.

Mas, segundo o pesquisador, há outros fatores a serem considerados. Ele cita como causas intermediárias o acesso restrito a serviços de saúde bucal de qualidade. “O que acontece quando um profissional lhe atende poucas vezes? Ele não consegue tomar medidas para prevenir a perda dentária. Não consegue restaurar, não consegue tratar aquela doença periodontal que está amolecendo já o dente”.

Além disso, ele lembra que muitas vezes o paciente só tem acesso a um serviço mutilador, em que a abordagem do profissional pode ser, ao invés de conservar o dente, extrai-lo. “Essa é uma prática ainda disseminada: um tratamento mutilador que é oferecido para as pessoas, principalmente os segmentos mais excluídos da população”.

O estudo, por outro lado, aborda o que seriam as chamadas ‘causas distais’ do problema: aquelas que estão na estrutura, na base da perda dental entre os idosos. “O artigo trata das causas das causas. Nos estados em que os altos níveis de sexismo estrutural se combinam com altos níveis de racismo estrutural ou desigualdade de renda, a chance de perda dentária é mais elevada”, disse. Nos mapas plotados no estudo, é possível perceber que os níveis mais altos de racismo estrutural, sexismo estrutural e desigualdade de renda estão concentrados regionalmente, com alguma predominância no sul.

Estados como Minnesota e West Virginia apresentaram frequências ligeiramente mais altas de edentulismo entre brancos do que negros. Já no Havaí, por exemplo, a prevalência de edentulismo foi de 58,8% entre negros e 6,7% para brancos, correspondendo a uma diferença de 8,2 vezes – a maior do país. “Vale a pena mencionar que a magnitude da iniquidade racial no edentulismo foi maior nas regiões Sul, Centro-Oeste e Meio-Atlântico, onde níveis mais elevados de sexismo estrutural e desigualdade de renda foram observados. As regiões Oeste e Noroeste também foram marcadas por altos níveis de racismo estrutural e de iniquidade racial na perda dentária”, pontuam, no artigo, os pesquisadores.

Brasil está no horizonte das investigações

Segundo o professor, a pesquisa foi realizada com dados norte-americanos por conta da disponibilidade de informações. “Em outros países, é preciso que pesquisadores se dediquem a esse tópico para estabelecerem os critérios da pesquisa”. Para o Brasil, por exemplo, ele lembra da dificuldade de acesso a determinados indicadores, como os de distribuição racial no sistema prisional, que poderiam contribuir com a definição dos níveis de racismo. Outra questão são os investimentos escassos em pesquisa. “Mesmo assim, temos muita gente mobilizada para fazer esses trabalhos, incluindo, por exemplo, os membros do Grupo Temático de Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva”, comenta.

Bastos se refere à abordagem ecossocial, que trata do conceito de incorporação ao considerar que o corpo é retrato do meio em que vive. “O ponto é que a gente incorpora na nossa biologia, no nosso corpo humano, todo o ambiente em que a gente vive e todas as nossas experiências”, diz. “Por isso, é preciso levar em consideração processos mais amplos, como o racismo estrutural, o sexismo estrutural e a desigualdade de renda, incluindo seus impactos sobre a saúde”.

Demonstrar empiricamente isso é uma forma de considerar o que se chama de interseccionalidade – sistemas de opressão que operam em conjunto e se co-constituem. “A desigualdade racial na perda dentária foi modulada pelos níveis de sexismo. O racismo é o principal processo, mas ele não opera isoladamente, age em conjunto com outros sistemas de opressão”. O professor, que investiga a temática racial desde o início da carreira, agora trabalha na síntese de dados de toda a população estadunidense, não só dos idosos, foco do artigo.

Amanda Miranda, jornalista da Agecom/UFSC

Tags: edentulismoJournal of Public Health Dentistryperda dentáriaPrograma de Pós Graduação em Saúde Coletiva

UFSC e Epagri pesquisam macroalgas utilizadas na produção de biofertilizante

11/07/2022 17:25

Estudo foi desenvolvido com macroalga Kappaphycus alvarezii, no município de Palhoça. Crédito: Epagri/Divulgação

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) realizaram pesquisas com macroalgas utilizadas na produção de biofertilizante – agente que não contém substâncias agrotóxicas e é capaz de atuar no cultivo de plantas, elevando sua produtividade. O estudo foi implementado em Palhoça, município da Grande Florianópolis líder na maricultura, com a espécie Kappaphycus alvarezii, que depois de processada se transforma em biofertilizante.

O trabalho começou em 2008 e aponta que o Estado tem capacidade de produzir a macroalga no litoral, sem risco ao meio ambiente e agregando valor à cadeia produtiva da maricultura. Na parceria, a UFSC desenvolve metodologias de cultivo da Kappaphycus alvarezii, estuda a cadeia produtiva do ponto de vista socioeconômico e ambiental, além de viabilizar os cultivos em tanques para manter as linhagens no inverno e participar das negociações de licenças para o início da atividade comercial em Santa Catarina. Em abril deste ano, os maricultores de Palhoça receberam autorização dos órgãos ambientais para iniciar a produção comercial do vegetal.

Essa espécie de macroalga pesquisada é uma das mais comercializadas no mundo e atende a diversos mercados, desde a indústria alimentícia, farmacêutica, cosmética, até o agronegócio. É conhecida como matéria-prima para a fabricação de carragenana, um coloide muito utilizado como espessante e estabilizante na indústria alimentícia. Em termos ambientais, o cultivo de macroalgas pode auxiliar a minimizar a eutrofização e as ocorrências das marés-vermelhas, uma vez que – assim como as microalgas – as macroalgas competem pelos nutrientes dissolvidos na água e os utilizam para seu próprio crescimento.

Posicionamento do biofertilizante no mercado

Alex Alves dos Santos, pesquisador da Epagri, explica que os estudos seguem para detalhar a composição do biofertilizante em cada estação do ano, já que a alga se desenvolve de maneira distinta em diferentes temperaturas de água. Serão analisadas os macro e micronutrientes presentes em amostras do vegetal colhidas no verão, inverno, outono e primavera. Com o resultado desta avaliação, os pesquisadores poderão definir as propriedades específicas do biofertilizante, o que vai permitir posicionar o produto no mercado. “É uma cadeia produtiva nova, que está começando a ser implantada, então, são muitos os desafios, sendo que o principal é o posicionamento do produto no agronegócio nacional”, relata Alex.
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Tags: biofertilizanteMacroalgaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Egresso da UFSC desenvolve cadeira de rodas para cães com barras flexíveis e baixo custo

11/07/2022 14:00

Apesar de não ter qualquer tipo de deficiência, Teresa Cristina, a Tetê, foi uma das primeiras a testar a cadeirinha. Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC

Uma cadeira de rodas para cachorros de baixo custo, com tamanho e cores personalizáveis, design inspirado em carros esportivos e hastes flexíveis que permitem a movimentação lateral do animal, enquanto mantém sua coluna estável. Tudo fabricado por impressão 3D. Essa é a Petwheels, desenvolvida pelo designer de produto Artur Donadel Balthazar como parte de seu projeto de conclusão de curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob orientação de Regiane Trevisan Pupo, professora do Departamento de Expressão Gráfica e coordenadora do Pronto 3D – o Laboratório de Prototipagem e Novas Tecnologias Orientadas ao 3D. 

O invento, que teve sua patente depositada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi) em fevereiro deste ano, encontra-se em fase de testes, mas já é possível destacar uma série de diferenciais em relação às cadeiras de rodas disponíveis atualmente no mercado. O principal deles são suas barras laterais: ao mesmo tempo em que garantem a estabilização da coluna, elas são maleáveis e permitem que o animal mexa seu tórax para os lados, um movimento natural dos cachorros, impedido pelas cadeiras de rodas comuns.

“Isso é um diferencial que nenhuma outra cadeirinha apresenta, e que eu percebi durante a etapa de observação. A questão do cachorrinho é muito difícil, porque tu não tens um ser humano com quem tu podes conversar e perguntar o que está sentindo. O cachorrinho, tu tens que observar e tentar te colocar no lugar dele. Durante a pandemia, eu fiquei bem limitado em termos de poder visitar locais, então observei muito pela internet e tentava sempre entender o que o cachorrinho estava sentindo ali. Uma coisa que eu percebi bastante forte é justamente essa questão da imobilidade dele. Uma vez que ele está com a cadeirinha, ele fica imóvel. Parece que ele não consegue se mexer para lugar nenhum. Ele está ali tendo que fazer aquele movimento travado”, relata Artur. 
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Tags: designPatenteUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Estudo da UFSC avalia impactos negativos provocados por amendoeiras sobre vegetação de restinga

11/07/2022 09:44

Amendoeira na Praia da Daniela

Em recente estudo realizado em áreas de restinga no sul do Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina mostraram que a árvore invasora Terminalia catappa – a amendoeira –  pode alterar as condições do ambiente de tal forma que algumas plantas nativas deixam de ocorrer onde ela está presente, o que também altera associações entre plantas nativas. À medida que o tempo passa e que mais árvores de amendoeira crescem e ficam com as copas mais amplas, a tendência é que a vegetação nativa da restinga, dominada por plantas de baixo porte e que precisam de luz, seja substituída por árvores e trepadeiras que toleram sombra.

O artigo, intitulado Efeitos diretos e indiretos de uma árvore exótica invasora em comunidades vegetais costeiras, foi liderado por Brisa Marciniak de Souza, Leonardo Leite Ferraz de Campos e Lucas Peixoto Machado, pós graduandos do Programa de pós-graduação em Ecologia. O trabalho foi desenvolvido em uma parceria entre o Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação (Leimac) e o Group for Interdisciplinary Environmental Studies, ambos da UFSC.

Segundo o estudo, a completa mudança na alteração da vegetação pode comprometer a resiliência desses ecossistemas e o papel que exerce frente a eventos climáticos extremos. A vegetação rasteira existente nas dunas que ficam próximas à praia são uma barreira de proteção importante, responsáveis por proteger casas e outras estruturas existentes em regiões costeiras. “Se essas plantas rasteiras são substituídas por árvores invasoras e outras plantas de maior porte, podemos estar perdendo justamente a vegetação que garante proteção contra erosão no caso de ressacas e marés altas atípicas, eventos que têm sido caso vez mais frequentes”, explica a professora Michele de Sá Dechoum, uma das autoras do estudo.

Com muitos nomes populares no Brasil, que variam entre amendoeira, castanheira, chapéu-de-sol, sete-copas, dentre outros, a Terminalia cattapa é uma árvore nativa da região costeiras na Malásia. Registros históricos contam que a espécie foi introduzida acidentalmente no Brasil, mas, posteriormente, novas introduções intencionais ocorreram para uso da árvore para sombra e para uso ornamental. Atualmente a espécie invade áreas de restinga, manguezal e outros ecossistemas costeiros ao longo de toda a costa brasileira.

No estudo, os pesquisadores compararam áreas sob a copa de indivíduos adultos de amendoeira com áreas onde a amendoeira não está presente. Tanto as plantas nativas quanto condições ambientais locais foram avaliadas em cada uma das áreas. O estudo foi realizado em uma área de restinga localizada na Estação Ecológica de Carijós, unidade de conservação localizada na porção noroeste de Florianópolis.

“A situação é bastante preocupante, considerando um estudo preliminar realizado pelo Leimac que mostrou que a amendoeira vai ser beneficiada com o aumento de temperatura, o que levará à intensificação dos efeitos da invasão biológica a longo prazo”, contextualiza a professora. Neste sentido, ações de eliminação de indivíduos da espécie são necessárias, especialmente em áreas destinadas à conservação. Destaca-se ainda a necessidade de informação pública sobre a problemática e a recomendação de substituição dessas árvores por plantas nativas da região.

Tags: Group for Interdisciplinary Environmental StudiesLaboratório de Ecologia de Invasões BiológicasLeimacPrograma de Pós-Graduação em Ecologia

Florestas em regeneração contribuem para diversidade de espécies e biomas nas Américas, indica estudo

01/07/2022 16:00

Foram analisadas 1.215 florestas em processo de regeneração do Oeste do México ao Sul do Brasil. Foto: Mário Espírito Santo

Um estudo publicado na revista científica Science Advances nesta sexta-feira, 1º de julho, mostra que as florestas em processo de regeneração em áreas agrícolas abandonadas não são todas iguais e podem ajudar a restaurar e conservar as distintas regiões ecológicas (biomas) das Américas. Um grupo de pesquisadores analisou 1.215 áreas em florestas em processo de regeneração do Oeste do México ao Sul do Brasil. Eles encontraram uma grande variação nas espécies de árvores entre regiões, resultado combinado da história evolutiva do continente e de condições ambientais atuais.

O estudo da rede internacional 2ndFOR, que envolve mais de 100 pesquisadores de 18 países, descobriu que a composição de espécies de florestas jovens em regeneração é muito variável em todo o continente, formando 14 regiões florísticas distintas. Segundo os cientistas, isso é surpreendente, pois até então se pensava que essas florestas jovens seriam dominadas pelo mesmo pequeno conjunto de espécies pioneiras generalistas.

A professora do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Catarina Jakovac, autora principal do estudo, explica que “espécies pioneiras típicas de florestas jovens são geralmente abundantes e dispersas por animais generalistas, então pensamos que a maioria delas estaria presente em várias regiões como as espécies Trema micrantha e Guazuma ulmifolia”. No entanto, o estudo mostrou que essa ampla distribuição não é a regra nessas florestas em regeneração, e que 80% das 2.164 espécies analisadas estavam presentes em apenas uma região florística. Isso significa que diferentes grupos de espécies prosperam em cada região, e, portanto, a regeneração de florestas pode ajudar a conservar a diversidade de biomas nas Américas.
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Tags: Centro de Ciências Agrárias (CCA)Departamento de FitotecniaRevista ScienceUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Aditivos alimentares têm risco potencial à saúde das crianças

14/06/2022 10:00

Em recente estudo publicado na Revista de Saúde Pública acerca do consumo de aditivos alimentares na infância (Aditivos alimentares na infância: uma revisão sobre consumo e consequências à saúde), é apontado que os aditivos comumente usados não costumam ser avaliados em conjunto, ou seja, cada pesquisa examina um tipo de aditivo separadamente. Logo, com as evidências científicas disponíveis, ainda não existe conhecimento sobre os efeitos à saúde, decorrentes do consumo diário de alimentos que tenham dois ou mais aditivos diferentes que interagem entre si e com os outros componentes do alimento industrializado.

Apesar disso, é com base nos poucos estudos existentes que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agência reguladora ligada ao Ministério da Saúde, que atua com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), decide quais aditivos podem ser usados nos alimentos e qual quantidade é segura para consumo humano.

Estes aditivos alimentares são substâncias químicas adicionadas nos alimentos para fins tecnológicos, isto é, conservar, colorir ou intensificar a cor, melhorar textura, intensificar o sabor, controlar acidez, entre outras funções. Logo, os aditivos não conferem aos alimentos qualquer atribuição nutricional. No Brasil, há 23 classes de aditivos permitidas e, portanto, 23 funções diferentes que estas substâncias podem desempenhar nos alimentos. Todos eles são devidamente aprovados pela Anvisa.

Por trabalhar com dados científicos para produzir suas recomendações, a falta de evidência neste assunto dificulta a tarefa da Anvisa de estabelecer regras e instruções sobre o uso de aditivos em alimentos industrializados. No momento, os valores considerados seguros para o consumo humano são determinados pela quantidade de aditivo em relação ao peso corporal. Considerando que as crianças apresentam peso corporal proporcionalmente menor do que os adultos, a toxicidade dos aditivos pode ser maior nessa faixa etária.

“As crianças estão consumindo aditivo, desde o primeiro dia de vida delas”, relata a nutricionista Mariana Kraemer, autora do estudo, atuante no Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com bolsa da Capes.

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Biodiversidade catarinense: é possível equilibrar a utilização dos recursos naturais e a preservação da natureza?

27/05/2022 19:40

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A  biodiversidade ou diversidade biológica está relacionada às riquezas naturais. No estado de Santa Catarina,  ela está ameaçada pela destruição de habitats, sobre exploração dos recursos naturais, invasão por espécies exóticas, além das mudanças no clima. Em meio a um cenário de perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos, formas de preservação e mitigação de danos aos ecossistemas tornaram-se uma necessidade. Animais, plantas, fungos e microrganismos fornecem alimentos, medicamentos e subsídios indispensáveis para a sobrevivência da humanidade.

Diante desse cenário, as pesquisas científicas têm papel crucial. O Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD) – Biodiversidade de Santa Catarina liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) faz parte de uma rede nacional de pesquisas e é apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Atualmente, o projeto “Biodiversidade de Santa Catarina: Investigando a ecologia histórica e os efeitos de manejo para restauração e conservação da Mata Atlântica do Sul do Brasil”, coordenado pelo professor Selvino Neckel de Oliveira, busca entender os efeitos de distúrbios na biodiversidade e encontrar formas de mediar e equilibrar o uso dos recursos naturais aliado à conservação da natureza.
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Tainha de laboratório: UFSC é pioneira na reprodução de espécie em cativeiro

24/05/2022 10:20

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Coleta de sêmen para fecundação em cativeiro. Crédito: Acervo Lapmar

Quando o mês de maio chega e o frio se intensifica, uma visitante assídua aparece nas águas do litoral catarinense: a tainha. Com a pesca artesanal, o peixe se mantém símbolo da tradição, mas ainda é subexplorado comercialmente. Pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no entanto, podem contribuir para o nascimento de alternativas economicamente viáveis, capazes de garantir a oferta da tainha durante o ano inteiro e agregar valor à sua produção.

O Laboratório de Piscicultura Marinha (Lapmar) foi o primeiro do mundo a conseguir reproduzir todo o ciclo de vida da espécie Mugil liza em cativeiro. O projeto teve início em 2014, quando 14 exemplares adultos selvagens (quatro fêmeas e dez machos) foram capturados em Laguna, no Sul do estado, e transportados para a unidade de pesquisa da UFSC, instalada em Florianópolis.

Esse primeiro lote de reprodutores foi mantido em um tanque de 12 m3, onde as fêmeas receberam indução hormonal para liberação dos ovos; enquanto os machos liberaram sêmen quando submetidos a massagens abdominais. A fecundação dessa espécie ocorre na água e, no estudo pioneiro, a eclosão das primeiras larvas foi registrada 48 horas após a desova. Por cinco anos, todas as desovas realizadas no Lapmar utilizaram os exemplares selvagens. Somente no fim de 2019, alguns meses antes da pandemia, a experiência foi consumada com exemplares da primeira geração nascida em cativeiro, chamada F1.

A principal contribuição do trabalho concebido na UFSC foi o domínio do ciclo de vida da espécie. Com o desenvolvimento integral dessa geração no laboratório, os pesquisadores conseguiram acompanhar o processo de maturação sexual e constataram que os machos apresentavam espermatozoides viáveis por volta dos 11 meses de idade, quando atingiam em torno de 24 a 25 cm de comprimento. As fêmeas, por sua vez, estavam aptas à reprodução somente aos três anos, com cerca de 40 cm.

A pesquisa demonstrou regularidade nos índices de desova e na qualidade dos ovos, permitindo um grande avanço no controle da reprodução da tainha fora do seu habitat natural. O domínio desta técnica torna possível produzir o peixe todos os meses do ano e escalonar sua produção. Neste mês de maio, a equipe do Lapmar iniciou o trabalho de preparação para a desova da segunda geração (F2).

Larva 7 dias após a eclosão do ovo. Crédito: Acervo Lapmar

O engenheiro de aquicultura Caio França Magnotti, supervisor do Laboratório de Piscicultura Marinha, começou a trabalhar na UFSC em 2013 e acompanhou todas as pesquisas desenvolvidas na instituição sobre a espécie desde então. Para ele, ainda que seja complexo garantir que os peixes fiquem aptos à desova no ambiente do laboratório, a parte mais crítica do processo são os primeiros 15 dias após a eclosão do ovo. “É uma fase praticamente microscópica. Você quase não vê a larva. Você não pode encostar nela, que ela morre. Então, qualquer deslize, uma temperatura diferente, um choque mecânico ou um choque de luz, como acender e apagar a luz, pode causar a morte. É muito delicado”, pondera.

A origem do laboratório

O Lapmar foi criado em setembro de 1990 para atender uma demanda de produção de tecnologias e de difusão de conhecimentos sobre peixes marinhos em cativeiro, especialmente de espécies presentes no litoral catarinense. É hoje o mais antigo laboratório do gênero no país dedicado à pesquisa, ao ensino e à extensão. Instalado na Barra da Lagoa, leste da Ilha de Santa Catarina, ele faz parte da Estação de Maricultura Professor Elpídio Beltrame (EMEB) – unidade externa do Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSC.

Professor Vinícius foi por mais de três décadas supervisor do Lapmar. Crédito: Acervo pessoal

O surgimento e a história do laboratório estão intimamente ligados à trajetória de um profissional: o professor Vinícius Ronzani Cerqueira. O docente se aposentou no último mês de abril, após dedicar mais de três décadas à UFSC e à supervisão do Lapmar. Ao cursar o doutorado na França, terra natal de seu ídolo, o oceanógrafo Jacques Cousteau, Vinícius já planejava que, quando retornasse ao Brasil, abriria uma linha de pesquisa nova, para estudar nossos peixes. O foco desde o princípio foi desbravar a piscicultura marinha brasileira.

“Quando a gente começou não havia nenhum grupo de pesquisa com esse objetivo: estudar as espécies marinhas nativas. Foi difícil começar algo inovador. Já havia publicações sobre peixes marinhos, mas eram poucas. Por isso, insisti nessa área e peguei essa oportunidade para trabalhar”, revela o professor. No início o serviço foi árduo e era executado por Vinícius com a colaboração do seu primeiro orientando, o estudante Aliro Bórquez Ramirez, engenheiro formado no Chile e hoje reitor da Universidad Católica de Temuco, cuja dissertação foi a primeira defendida no curso de Aquicultura da UFSC, em 1991.

Ao longo da carreira, o professor Vinícius se dividia entre as atividades no Lapmar e os compromissos como docente no CCA, onde chegou a ocupar as funções de chefe de Departamento e coordenador da graduação e pós-graduação. Em muitas oportunidades, levou a família ao local de trabalho nos fins de semana. “Era um trabalho que não podia parar. Além do meu ofício como professor de segunda a sexta-feira, aos sábados e domingos muitas vezes precisava visitar o laboratório. Dependendo da fase de desenvolvimento em que os peixes estavam, ficar dois dias sem ninguém verificá-los era muito arriscado”, recorda.

O projeto começou com o estudo da reprodução do robalo-peva (Centropomus parallelus), por meio da investigação acerca da criação de larvas e juvenis – esta última é uma fase da vida do peixe que se inicia a partir de 30 a 40 dias depois do nascimento, quando possui entre 2 e 3 cm, e termina com a maturação sexual). A experiência serviu de base para o trabalho com o robalo-flecha (Centropomus undecimalis) pouco tempo depois.
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Estudo identifica espécies vulneráveis de aves em áreas com núcleos agroflorestais

19/05/2022 09:19

Ouvindo o canto dos passarinhos, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina chegou a importantes resultados sobre os chamados Sistemas Silvipastoris com núcleos agroflorestais, áreas de pastagens com núcleos agroflorestais implantados para beneficiar as propriedades e o meio ambiente na região do encosto da Serra do Rio do Rastro. Além de sombrearem o pasto e resultarem em um alimento de melhor qualidade para o gado leiteiro, as agroflorestas inseridas na pastagem estão atraindo aves inéditas para esse tipo de região. Agroflorestas são áreas que reúnem cultivo de interesse do produtor e plantas da floresta.

A pesquisa de doutorado de Gisele Francioli Simioni, intitulada Biodiversidade de aves: a importância do componente arbóreo em sistemas pastoris, teve parte dos seus resultados publicados no artigo Response of birds to high biodiversity silvopastoral systems: Integrating food production and biodiversity conservation through applied nucleation in southern Brazil, que circulou no periódico Agriculture, Ecosystems & Environment, um dos mais relevantes da área. A tese foi orientada pelo professor Abdon Luiz Schmitt Filho, com coorientação dos professores Alfredo Celso Fantini, Fernando Joner e Benedito Côrtes Lopes. O artigo também é assinado por Joshua Farleyd e Alexandre Moreira.

Pica-pau de cabeça amarela (Fotos: acervo da pesquisadora)

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Tags: Biodiversidade de avesLaboratório de Sistemas Silvipastoris e Restauração Ecológicanúcleos agroflorestaisSistemas Silvipastoris

Pesquisa mostra o crescimento e a contribuição do audiovisual para a economia de SC

18/05/2022 11:09

Atividades de produção e pós-produção cinematográfica, de vídeos, de programas de televisão e de publicidade são as mais representativas de SC. Foto: Osarugue Igbinoba/Unsplash

Um grupo de pesquisadores da UFSC divulgou na última terça-feira, 17 de maio, os resultados do estudo Retratos do audiovisual catarinense: economia e políticas públicas. Financiado pelo Prêmio Catarinense de Cinema, lançado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o projeto é um mapeamento do setor baseado em dados de até 2021. Além de trazer informações sobre trabalho e renda, perfil das empresas de produção audiovisual, cursos de ensino superior e TVs públicas, o material indica caminhos para o desenvolvimento e o fortalecimento de políticas públicas e para uma maior articulação entre mercado e universidade. 

“Esse é o primeiro estudo feito em Santa Catarina que reúne economistas e pessoas ligadas ao campo do cinema, do audiovisual, que juntaram esforços para desenvolver uma metodologia nova para auferir os dados econômicos e institucionais”, comenta o professor do curso de Cinema Alfredo Manevy. Além dele, estiveram envolvidos no projeto Eva Yamila da Silva Catela, professora do Departamento de Economia e Relações Internacionais, Hoyêdo Nunes Lins, docente dos programas de pós-graduação em Economia e em Relações Internacionais, e Caroline Mariga pesquisadora e realizadora audiovisual graduada em Cinema pela UFSC.

Em diálogo com diversos agentes e entidades do audiovisual do estado, a equipe levantou e analisou dados de instituições como a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também foram considerados trabalhos preexistentes, como um realizado no âmbito da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e entrevistados produtores, distribuidores, professores e gestores. Tudo isso possibilitou a disponibilização de informações quantitativas e qualitativas sobre questões como geração de emprego, tipos de mão de obra, arrecadação de impostos, processos criativos e modelos de negócios, conquistas em políticas públicas, gargalos existentes e desafios para o futuro.

Crescimento e arrecadação 

O crescimento do setor na última década impressiona. O trabalho revela que, entre 2010 e 2019, aumentou 429% o número de agentes econômicos atuando no audiovisual catarinense – passando de 90 para 476 agentes no período. 40% deles estão localizados em Florianópolis. Os demais se distribuem, principalmente, entre Joinville, Blumenau, Itajaí, Chapecó e Balneário Camboriú. As atividades de produção e pós-produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão e as relacionadas à publicidade são as mais representativas, com 43% do total de agentes.
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Equipe de foguetes da UFSC é uma das quatro brasileiras em competição internacional

12/05/2022 15:34

Kosmos Rocketry é formada por 25 integrantes e dois professores orientadores. Foto: Arquivo pessoal

A Kosmos Rocketry, equipe de competição de foguetes do Centro Tecnológico de Joinville (CTJ), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está em preparação para participar da Spaceport America Cup (SAC), a maior competição de foguetes universitários do mundo, nos Estados Unidos, que ocorre entre os dias 21 a 25 junho deste ano. O time está entre as quatro equipes brasileiras selecionadas para participar da competição. “Ainda não caiu a ficha. Acho que só vai cair quando a gente estiver lá nos Estados Unidos lançando o foguete”,  diz João Pedro Sandrin Golynski, capitão da equipe.

O foguete VLK-1 (Veículo Lançador Kosmos) irá concorrer na categoria de 3 km de apogeu. A preparação para o evento começou em 2021. “Começou pelo mental. A equipe tem que estar preparada. Tivemos que fazer um processo mental, que iria ser puxado”, recorda. O primeiro passo foi submeter o projeto técnico, contar como funciona a gestão e o marketing da equipe, além de explicar a visão para o futuro da área e como movimentam a comunidade local. Depois veio uma sequência de três atualizações, para saber quais atividades foram realizadas pela equipe durante os meses seguintes. 

VLK-1 (Veículo Lançador Kosmos) Foto: Divulgação Kosmos Rocketry Team

 

Agora, eles estão a caminho da competição. “A nossa preparação está assim, domingo a domingo, das oito da manhã às oito da noite no laboratório. Trabalhando, projetando, escrevendo para se preparar para ir pra lá”. A equipe está realizando testes com o motor do VLK-1. O último foi um teste estático, no dia 3 de maio, para verificar a segurança do sistema de propulsão. Segundo ele, o motor alcançou 91% do impulso teórico.

Para conseguirem ir ao evento, a Kosmos contou com investimento de patrocinadores, financiamento da Pró-Reitoria de Extensão da UFSC (PROEX) e da FAPESC, vendas de workshops e produtos colecionáveis. Além disso, um financiamento coletivo, que ainda está ativo, pode ser acessado pelo site https://www.kosmosrocketry.com/crowdfunding/

Criada em 2013, essa não é a primeira competição em que a equipe irá participar. Em 2020, eles ganharam o 10° lugar geral da competição e o 4° lugar – Combustão Sólida de 1 km de Apogeu Prêmio de Sportsmanship, no Latin America Space Challenge (LASC).

A equipe também estará presente no SpaceBR Show, uma feira da indústria espacial, que ocorrerá entre os dias 17 e 19 de maio em São Paulo. O evento terá a participação de startups e empresas do mercado espacial internacional e, além disso, um Fórum Híbrido (presencial e online), onde serão debatidas ideias e oportunidades locais e globais para o setor. “A gente pretende muito fazer negócio na feira. Chegar com o nosso plano de patrocínio, nosso plano de negócio e conectar essas pessoas. Queremos mostrar a nossa tecnologia e nosso potencial”, diz João Pedro Sandrin Golynski, capitão da equipe.

 

Para mais informações, acesse o site.

Instagram: @kosmosrocketry

 

Leticia Schlemper/Estágiaria de Jornalismo da Agecom/UFSC

 

 

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Pesquisa mostra como desigualdades econômicas afetam a letalidade de crianças por covid

06/05/2022 16:17

Disparidades econômicas e regionais se relacionam às taxas de óbitos e de acesso a testes, tomografias e raios X entre crianças e adolescentes hospitalizados por covid-19. Foto: Piron Guillaume/Unsplash

Nos municípios mais pobres do Brasil, crianças internadas por covid-19 tiveram quase quatro vezes mais chance de morrer que as moradoras dos municípios de maior PIB per capita. Entre os adolescentes, o risco foi quase o dobro. As disparidades também se reproduzem entre as regiões do país: no Nordeste, a letalidade de crianças foi 2,5 vezes maior que no Sudeste. Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

Conduzido pela pesquisadora Caroline Fabrin, durante seu mestrado, e orientado pela professora e epidemiologista Alexandra Boing, o trabalho revelou como as desigualdades socioeconômicas impactaram o cuidado hospitalar e a letalidade de crianças e adolescentes internados por covid-19 no Brasil entre março de 2020 e dezembro de 2021. Para isso, valeu-se de dados de mais de 22 mil pessoas, de 0 a 18 anos, retirados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), que registra hospitalizações e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o território brasileiro e cujo preenchimento é obrigatório para serviços de saúde públicos e privados. 

Além de demonstrar como as disparidades econômicas e regionais associaram-se à taxa de óbitos de crianças e adolescentes hospitalizados por covid-19, o estudo também mostrou discrepâncias na realização de testes e exames. Tomografias foram duas vezes mais comuns nos municípios do maior decil de PIB per capita do que nos municípios mais pobres. Tiveram, também, quase o dobro da frequência entre crianças da região Sul, na comparação com as do Norte do país. Coletas de amostra biológica para diagnóstico e raios X também foram mais recorrentes nos locais de maior renda. Os achados mantiveram-se consistentes durante as duas ondas de covid-19 analisadas. 
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A culpa é do cérebro? Professor da UFSC populariza a neurociência nas redes

04/05/2022 14:27

Professor Andrei Mayer gravando um episódio de podcast em estúdio improvisado em seu apartamento. Foto: Julio Cavalheiro/Secretaria de Estado da Comunicação (Secom)/Santa Catarina.

O que acontece na mente quando pensamos? Como o cérebro faz cálculos? De onde vem o raciocínio lógico? Por que dormimos? Desde a infância e adolescência, o professor Andrei Mayer se pergunta sobre os mistérios relacionados ao funcionamento do cérebro humano. Também adorava acompanhar a programação do canal “Animal Planet”, o que inclusive influenciou na sua decisão de escolher o curso de Biologia quando chegou o momento de prestar vestibular. Hoje, aos 35 anos, ele procura encontrar essas respostas não só para saciar sua curiosidade, mas também para divulgá-las ao máximo de pessoas possível. Com cerca de 72 mil seguidores no Instagram e 107 mil inscritos em seu canal no Youtube, o professor tem se destacado como um popularizador da neurociência no Brasil.

Andrei é docente do Departamento de Ciências Fisiológicas do Centro de Ciências Biológicas (CFS/CCB/UFSC) e está vinculado a dois programas de pós-graduação: o Programa Multicêntrico de Pós-graduação em Ciências Fisiológicas (PMPGCF/UFSC) e o Programa de Pós-graduação em Neurociências (PPGNeuro/UFSC). Leciona na graduação e pós-graduação, orienta estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado. Mas de tudo o que faz atualmente, o que mais lhe motiva é a divulgação científica.
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