Lista nacional da funga em extinção tem duas espécies endêmicas de SC descobertas por grupo da UFSC

09/07/2026 12:12

Fungo Philloporia minuta, endêmico de SC, integra lista nacional de espécies de funga ameaçadas de extinção. Foto: Felipe Bittencourt/MIND.Funga/UFSC

A publicação da primeira Lista Nacional das Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) marca um momento crucial para a conservação ambiental no Brasil ao equiparar os fungos aos animais e às plantas no que diz respeito a políticas de proteção. Das 24 espécies de fungos brasileiros reconhecidas formalmente sob alguma categoria de ameaça, 18 ocorrem em Santa Catarina (veja lista abaixo). Além disso, duas delas são endêmicas do estado, ou seja, só têm registro de ocorrência em território catarinense, e foram identificadas por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Wrightoporia porilacerata, espécie descrita em Santa Catarina, também tem registros de ocorrências no Paraná. Foto: Elisandro Ricardo Drechsler-Santos/MIND.Funga/UFSC

As espécies Phylloporia minuta e Trichaptum fissile foram descritas pelo grupo de pesquisa MIND.Funga, do Laboratório de Micologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB), a partir de materiais coletados em um parque na região central de Blumenau e em áreas de transição entre restinga e manguezal, em Florianópolis, respectivamente. Uma terceira espécie de destaque, a Wrightoporia porilacerata, também foi descrita originalmente em SC, mas possui registros no Paraná. Diante do isolamento geográfico das duas primeiras, elas despontam como fortes candidatas para integrar uma futura lista estadual de espécies ameaçadas, na avaliação do professor Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, coordenador geral do MIND.Funga e Chair do IUCN SSC Brazil Fungal Specialist Group – entidade ligada à União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), maior rede de organizações ambientais do mundo.
(mais…)

Tags: funga brasileirafunga catarinensefungos ameaçados de extinçãoMind.FungaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Teste rápido para detecção de Covid-19, desenvolvido com participação da UFSC, ganha prêmio do Ministério da Saúde

26/06/2026 13:36

Pesquisador André Pitaluga, da Fiocruz, apresentou a experiência de desenvolvimento do kit diagnóstico de Covid-19, que contou com participação da UFSC e outras instituições. Foto: Divulgação ExpoEpi

O teste rápido de diagnóstico molecular para detecção da Covid-19, desenvolvido em 2021 por uma força-tarefa de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC), recebeu um prêmio do Ministério da Saúde em evento realizado em abril, em Brasília (DF).

Entre mais de 1.500 trabalhos submetidos, o teste rápido conquistou o segundo lugar na categoria “Mais Ciência para o SUS”, na área “Preparação, vigilância e resposta às emergências em saúde pública”, na Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (ExpoEpi).

De acordo com a professora Luísa Damazio Rona Pitaluga, do Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UFSC, a equipe apresentou a experiência bem-sucedida no desenvolvimento e validação do kit de diagnóstico molecular rápido para Covid-19, que permitiu confirmar ou não casos da doença de forma mais rápida e barata, em meio à emergência de saúde pública da pandemia. A invenção foi patenteada e deu impulso para a linha de pesquisa em diagnóstico molecular point-of-care, que vem sendo expandida e aplicada a testes para diversos outros patógenos e espécies sentinela – como é o caso da microalga Prorocentrum cordatum, que ocorre em ambientes como a Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

Além da UFSC, Fiocruz, IFSC e Dive-SC, a pesquisa para o desenvolvimento do teste rápido contou também com apoio da iniciativa privada, prefeituras, secretarias municipais de saúde e Ministério Público.

Tags: CCBCovid-19ExpoEpiFIOCRUZIFSCInstituto Federal de Santa Catarinaministério da saúdeUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Pesquisa da UFSC coloca a ciência a favor do ambiente e da economia

28/04/2026 17:01

Um projeto desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) colocou a ciência a favor do meio ambiente e da economia, em um trabalho realizado em Canoinhas, no Planalto Norte catarinense.

Araucaria angustifolia é espécie presente em áreas florestais no Planalto Norte Catarinense (Foto: Ministério do Meio Ambiente/Divulgação)

Ao longo de aproximadamente seis meses, entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025, a equipe coordenada pelo professor Tiago Montagna, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias (CCA), avaliou os impactos de uma eventual supressão de cerca de 40,8% de um fragmento de Floresta Ombrófila Densa na diversidade genética de populações de Araucaria angustifolia (araucária), Ocotea porosa (imbuia) e Curitiba prismatica (cerninho), espécies ameaçadas ou de ocorrência restrita. O estudo foi realizado em uma área de 12,8 hectares (ha) da Cia. Canoinhas de Papel, localizada no município do Planalto Norte de Santa Catarina.

A pesquisa foi demandada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), órgão responsável pelo licenciamento ambiental no Estado, como requisito para a expansão da planta industrial da empresa. Contratado pela Restauração Ambiental Sistêmica Ltda, o trabalho foi executado pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais da UFSC. “O objetivo central foi avaliar se a supressão de 5,22 ha poderia causar perdas relevantes de diversidade genética nas espécies-alvo, comparando-se indivíduos da área destinada à supressão com os da área de conservação (7,58 ha)”, explicou o coordenador do projeto.

Resultados

Para a realização da pesquisa foram coletadas amostras foliares, posteriormente submetidas a análises iso-enzimáticas no Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento e Genética Vegetal da UFSC. Em linhas gerais, os resultados apontaram que as populações de araucária e imbuia apresentavam níveis elevados de diversidade genética, superiores ou compatíveis com médias já reportadas para o Estado. Contudo, a eventual supressão acarretaria redução populacional: cerca de 55% dos indivíduos de araucária, 70% dos de imbuia e 40% dos cerninhos seriam eliminados. “Isso implicaria maior risco futuro de perda de diversidade por deriva genética”, apontou o estudo. Para o cerninho, a diversidade genética revelou-se baixa, mas a população local é numerosa (mais de 2 mil indivíduos), o que atenua os riscos imediatos de perda. 

“Apesar das perdas potenciais, o parecer final concluiu que a supressão é viável, desde que acompanhada de medidas de compensação, como a coleta e produção de mudas a partir de sementes de indivíduos portadores de alelos exclusivos, o cessar das roçadas realizadas no local e o incremento do tamanho populacional das espécies alvo na área de manutenção”, ressaltou o professor Montagna.

Inéditas

A equipe de trabalho foi integrada por seis pesquisadores, incluindo docentes, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais e graduandos em Agronomia que atuaram em todas as etapas, desde a coleta em campo às análises laboratoriais e interpretação dos dados.

“Do ponto de vista científico e social, o projeto contribuiu com informações inéditas sobre a diversidade genética dessas espécies em Canoinhas, fornecendo subsídios para o manejo e para a conservação em cenários de impacto ambiental.  Além disso, gerou protocolos que podem ser replicados em outros empreendimentos e orienta estratégias de restauração, assegurando que a expansão industrial ocorra de forma menos danosa ao patrimônio genético florestal”, salientou o professor Tiago Montagna. “Assim, este estudo representa não apenas um requisito técnico para o licenciamento, mas também um avanço no conhecimento científico e prático sobre a conservação genética de espécies-chave da Mata Atlântica”, definiu o docente.

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) foi a responsável pela gestão administrativa e financeira da iniciativa. “A Fapeu teve papel central na viabilização do projeto, administrando os recursos e garantindo a infraestrutura necessária para a execução”, destacou o professor Tiago Montagna.

Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em https://fapeu.org.br/revistafapeu

Tags: CCANúcleo de Pesquisas em Florestas TropicaisRevista da Fapeusupressão de vegetaçãoUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Mestranda da UFSC representa SC no Programa Brasileiro de Professores no CERN, na Suíça

15/04/2026 17:48

Anna Carolina Momm, licenciada em Física pela UFSC e mestranda do PPGECT. Foto: Divulgação

A professora de Física Anna Carolina Momm, 25 anos, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), embarca na próxima sexta-feira (17 de abril) para Genebra, na Suíça, onde irá participar de atividades formativas no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN). Anna foi selecionada entre candidatos de todo o país no edital do Programa Brasileiro de Professores no CERN, voltado a professores e professoras que lecionam Física e Ciências na rede pública de educação básica, e será a representante de Santa Catarina no grupo de 24 docentes que integrarão a viagem de estudos.

Licenciada em Física pela UFSC desde 2024 e professora concursada da Escola de Educação Básica José Maria Cardoso da Veiga, na localidade de Enseada do Brito, em Palhoça, Anna Carolina considera que essa iniciativa dos órgãos de fomento brasileiros são essenciais para valorizar o papel dos professores e elevar a qualidade da educação pública.

“Tenho uma expectativa enorme de visitar o CERN. Será um privilégio conhecer um dos centros de pesquisa mais importantes do mundo. Irei transpor os conhecimentos discutidos para a sala de aula, no ensino de Física Moderna e Contemporânea, além de aprofundar o trabalho sobre as Mulheres Cientistas no Projeto de Ensino que eu coordeno”, menciona Anna, que também atua no projeto Meninas na Ciência da UFSC. Ela destaca que seu envolvimento em projetos com esse escopo apresentam impacto real e potencial de multiplicação do conhecimento, o que pode ter contribuído, segundo ela, para seu desempenho no processo de seleção, mesmo sendo licenciada há pouco tempo.

Acelerador de partículas do CERN. Foto: Maximilien Brice/CERN

Os 24 participantes da viagem de estudos passarão por atividades formativas nos laboratórios do CERN entre os próximos dias 20 e 25 de abril. A programação envolve palestras, visitas legais, exposições e oficinas que introduzirão os participantes à temática da Física de Partículas e à pesquisa de ponta realizada no CERN. Os selecionados irão receber passagens aéreas de ida e volta (desde suas cidades de origem), ajuda de custo de 200 francos suíços, seguro saúde, deslocamentos entre aeroporto e alojamento, na Suíça, hospedagem em acomodação compartilhada, três refeições diárias, taxas acadêmicas e materiais didáticos das atividades formativas.

Fundado em 1954, o CERN fica situado na fronteira franco-suíça, próximo a Genebra, e é o maior laboratório de física de partículas do mundo. Seu objetivo é investigar os componentes fundamentais da matéria, utilizando aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC) para compreender as leis do universo.

O Programa Brasileiro de Professores no CERN é realizado em colaboração entre a Sociedade Brasileira de Física (SBF), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ana Paula Lückman / ana.paula.luckman@ufsc.br
Jornalista – Agecom UFSC

Tags: CERNPPGECTPrograma Brasileiro de Professores no CERNPrograma de Pós-Graduação em Educação Científica e TecnológicaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Estudo da UFSC revela que mosquito transmissor da malária é, na verdade, cinco espécies diferentes

20/03/2026 10:40

Pesquisadoras da UFSC Kamila Voges (à esq.) e Luísa Rona Pitaluga, autoras do estudo que identificou espécies crípticas do mosquito Anopheles cruzii, transmissor da malária na Mata Atlântica. Foto: Divulgação

O mosquito Anopheles cruzii, que era considerado como uma única espécie transmissora da malária em áreas de Mata Atlântica, é, na verdade, um complexo de cinco linhagens geneticamente distintas. A descoberta pode revolucionar as estratégias de controle da doença no Sul e Sudeste do Brasil e é resultado de pesquisa com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicada em fevereiro na revista Communications Biology, do grupo Nature.

Desde o início do século XX, quando foi registrada uma epidemia de malária durante a construção da ferrovia São Paulo-Santos, o mosquito Anopheles cruzii é conhecido como o principal vetor da doença em áreas de Mata Atlântica. No entanto, a pesquisa conduzida por pesquisadores da UFSC revelou que esse “vilão”, na verdade, não está sozinho. Utilizando tecnologia genômica de ponta, os pesquisadores descobriram que o mosquito que era tratado como uma única espécie são, na verdade, pelo menos cinco espécies crípticas — insetos que possuem a mesma aparência externa, mas que são geneticamente incapazes de se reproduzir entre si.

No estudo, os cientistas da UFSC, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) utilizaram a filogenômica — a análise de milhares de genes — para mapear o DNA desses mosquitos. O resultado confirmou que o complexo An. cruzii é formado por cinco linhagens distintas, batizadas de A, B, C, D e E. As equipes fizeram coletas de mosquitos em áreas de Mata Atlântica em dez cidades da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. As análises mostraram que a linhagem A é mais amplamente distribuída na região costeira, incluindo Florianópolis, enquanto as demais apresentaram características mais locais – como a linhagem E, observada apenas nas amostras coletadas no município de Santa Teresa (ES).
(mais…)

Tags: Centro de Ciências BiológicasCommunications BiologyDepartamento de Biologia Celular Embriologia e GenéticaepidemiologiamaláriaMata Atlânticamosquitosmosquitos vetoressaúde públicaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Projeto da UFSC avalia minhocas e outros organismos como bioindicadores da qualidade do solo

03/02/2026 09:28
Coleta de minhocas

Coleta de minhocas. Foto: Divulgação

Projeto de pesquisa desenvolvido no campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está investigando como minhocas, micro minhocas, colêmbolos e ácaros podem atuar como bioindicadores da qualidade do solo.  A iniciativa é uma das primeiras no Brasil a aplicar o conceito de Faixa Normal de Operação (Normal Operating Range – NOR) às comunidades de fauna do solo, integrando parâmetros biológicos, físicos e químicos para compreender a dinâmica natural desses organismos ao longo do tempo.

Coordenado pela professora  Júlia Carina Niemeyerdo Departamento de Agricultura, Biodiversidade e Florestas e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais (PPGEAN), o projeto é conduzido pelo Núcleo de Ecologia e Ecotoxicologia do Solo (Necotox) da UFSC Curitibanos. A pesquisa conta com financiamento internacional da Bayer AG, Crop Science Division, da Alemanha, e da CloverStrategy, de Portugal, além do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos.

A fauna do solo desempenha funções ecológicas essenciais, como a fragmentação da matéria orgânica, a formação de agregados, a ciclagem de nutrientes e a regulação da microbiota. A presença abundante e diversificada desses organismos está diretamente associada à boa estrutura do solo, à fertilidade e à oferta de serviços ecossistêmicos, refletindo em maior produtividade agrícola. Por serem sensíveis a alterações ambientais, esses organismos também funcionam como importantes bioindicadores. “Ao identificarmos padrões sazonais naturais, a NOR poderá ser utilizada como uma ferramenta de monitoramento capaz de diferenciar variações naturais das alterações causadas por práticas agrícolas ou impactos ambientais, como o uso de agrotóxicos”, explica Júlia Niemeyer.

Metodologia e áreas de estudo

As coletas de amostras de solo estão sendo realizadas na região do Planalto Catarinense, nos municípios de Curitibanos e Frei Rogério, contemplando quatro sistemas distintos de uso do solo: mata nativa, pastagem, sistema de plantio direto e sistema de preparo convencional. As primeiras coletas ocorreram nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2025, e as análises laboratoriais foram conduzidas no Laboratório Auxiliar de Ecotoxicologia e Biologia do Solo da UFSC Curitibanos. Segundo a pesquisadora, a escolha desses ambientes permite representar um gradiente de intensidade de uso e impacto sobre o ecossistema do solo. Os trabalhos tiveram início em 2025 e seguem até o final de 2026, envolvendo 18 participantes, entre pesquisadores nacionais e internacionais, profissionais das instituições parceiras, além de pós-graduandos e bolsistas de graduação da UFSC. Entre os colaboradores está a bióloga e taxonomista de minhocas  Marie Bartz.

Resultados e impactos esperados

Análises preliminares já indicam que o tipo de uso do solo e fatores climáticos influenciam a composição e a abundância da fauna ao longo do ano. Esses dados reforçam o potencial dos organismos estudados como indicadores ecológicos capazes de refletir impactos positivos ou negativos das práticas agrícolas. “O principal benefício do projeto é fornecer parâmetros ecológicos para o biomonitoramento do solo. Assim, será possível avaliar se variações nas populações estão dentro do esperado para determinada época do ano ou se resultam de impactos antrópicos”, ressalta Júlia Niemeyer.  A expectativa é que os resultados subsidiem políticas públicas, promovam práticas agrícolas mais sustentáveis e contribuam para o aprimoramento da avaliação de risco de agrotóxicos no Brasil, além de orientar estratégias de recuperação de áreas degradadas.

 

Tags: Biodiversidadecampus curitibanosfaunaMinhocasNecotoxpesquisa UFSCPPGEANsaúde do soloUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC na mídia: reportagem do Globo Rural destaca pesquisa que aprimora manejo no cultivo de ostras

02/02/2026 10:24

Reportagem do programa Globo Rural veiculada na TV Globo no último domingo (1º de fevereiro) destacou os resultados de uma pesquisa com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que deve aprimorar a produção de ostras em Florianópolis.

O estudo, desenvolvido ao longo de dois anos em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SC), mostrou que as diferenças de salinidade, temperatura e circulação das águas das baías norte e sul tornam cada região mais propícia para distintos estágios do cultivo. Na baía norte, onde há menos circulação marítima e águas mais quentes, as condições são ideias para o plantio das sementes e crescimento das ostras, com menor índice de mortalidade. Na baía sul, os moluscos que começaram a se desenvolver no norte encontram maior circulação marítima e águas mais frias, o que favorece a engorda até o ponto de consumo.

Oceanólogo Claudio Blacher, do Laboratório de Moluscos Marinhos, em participação na reportagem do Globo Rural. Foto: Reprodução/TV Globo

O oceanólogo Claudio Blacher, supervisor do Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) da UFSC, explica, na reportagem, que na baía sul as águas têm temperaturas mais baixas em função da ocorrência do afloramento de águas de fundo no processo de circulação marítima daquela região. Isso traz mais oxigenação e renovação da água, além de oscilações de temperatura mais frequentes do que as observadas na baía norte.

Com o achado, maricultores das regiões de Santo Antônio de Lisboa, no norte, e do Ribeirão da Ilha, no sul, têm trabalhado em parceria e aprimorado os ganhos com a atividade. A reportagem do jornalista André Lux ouviu produtores que destacaram os benefícios já observados com a nova dinâmica de produção.

Assista à reportagem do Globo Rural

Tags: Globo RuralLaboratório de Moluscos MarinhosLMMmariculturaprodução de ostrasreportagemSebrae-SCServiço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas EmpresasUFSCUFSC na mídiaUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC lidera pesquisa pioneira sobre repercussões da cirurgia de redesignação em mulheres trans

29/01/2026 09:45

Um estudo pioneiro, de abrangência nacional, liderado por pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está mapeando as repercussões da cirurgia de redesignação sexual (CRS) em mulheres trans brasileiras. O projeto Redesignadas envolve a parceria entre o Laboratório de Pesquisas, Tecnologias e Inovação em Enfermagem Psiquiátrica, Atenção Psicossocial e Transgeneridades (MentalTrans), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e o Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (Inamur).

O estudo entrevistou 144 mulheres trans que passaram pelo processo de transgenitalização (conjunto de procedimentos médico-cirúrgicos que visam alinhar o corpo com a identidade de gênero da pessoa trans), com o objetivo de compreender as repercussões da cirurgia na saúde mental e física dessas mulheres. A coleta de dados foi feita por meio de questionários socioeconômicos, entrevistas individuais e grupos focais em cada região do Brasil, ao longo das diferentes etapas do estudo.
(mais…)

Tags: cirurgia de redesignação sexualdia da visibilidade transInamurInstituto Nacional de Mulheres RedesignadasLaboratório de Pesquisas Tecnologias e Inovação em Enfermagem Psiquiátrica Atenção Psicossocial e TransgeneridadesMentalTranspessoas transPrograma de Pós-Graduação em EnfermagemProjeto RedesignadasUFSCUniversidade Federal de Santa Catarinavisibilidade trans

Pesquisadores da UFSC contribuem para consenso inédito sobre diagnóstico da lipodistrofia

14/01/2026 08:32

Um grupo de 15 especialistas da Rede Brasileira para o Estudo das Lipodistrofias (Brazlipo), entre os quais três professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicou um consenso inédito focado no diagnóstico e tratamento da lipodistrofia parcial familiar (FPLD), doença rara que afeta a distribuição de gordura no corpo e o metabolismo. O artigo, publicado no periódico Diabetology & Metabolic Syndrome, propõe critérios clínicos e laboratoriais adaptados à diversidade étnica da população brasileira, visando facilitar o diagnóstico preciso.

Professores Alexandre Hohl, Simone van de Sande Lee e Marcelo Ronsoni representam o HU-UFSC na rede nacional de estudo da lipodistrofia e participaram da elaboração do consenso diagnóstico. Foto: Divulgação

O professor Alexandre Hohl, que atua na área de Endocrinologia e Metabologia no Departamento de Clínica Médica da UFSC e é um dos autores do estudo, ao lado dos também professores Marcelo Ronsoni e Simone van de Sande Lee, explica que a lipodistrofia é um grupo raro de doenças que provoca a perda de gordura em áreas específicas do corpo onde essa gordura deveria estar. “Não é ‘magreza’ simples, mas sim uma perda patológica do tecido adiposo subcutâneo, que faz com que a gordura passe a se acumular em locais errados, como fígado, músculo, pâncreas e coração. Isso leva a um grau muito intenso de resistência à insulina, triglicérides muito elevados, esteatose hepática e maior risco de pancreatite e doença cardiovascular”, esclarece.
(mais…)

Tags: Departamento de Clínica Médicadoenças crônicasendocrinologia e metabologiaHospital Universitáriolipodistrofialipodistrofia parcial familiarUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC identifica mosquito transmissor da febre amarela silvestre pela primeira vez em SC

11/12/2025 08:57

Bióloga Sabrina Fernandes Cardoso durante coleta de espécimes para a pesquisa, em Braço do Norte. Foto: Divulgação

Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) confirmou a ocorrência do mosquito Haemagogus leucocelaenus, vetor da febre amarela silvestre, em áreas de mata de cinco municípios de Santa Catarina: Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Braço do Norte, São Martinho e Pedras Grandes. É o primeiro registro oficial da presença dessa espécie no Estado, o que contribui para reforçar a importância da imunização contra a febre amarela. Desde 2018, Santa Catarina é área de recomendação para vacinação contra a doença, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A febre amarela é uma doença viral infecciosa grave que pode evoluir rapidamente, se não for diagnosticada e tratada imediatamente. O vírus Flavivirus circula por dois ciclos de transmissão. No ciclo urbano, a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos infectados – no caso, o mosquito Aedes aegypti, que também transmite outras doenças, como a dengue, a chikungunya e a zika. Já no ciclo silvestre, os transmissores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em áreas de floresta e infectam principalmente os macacos.
(mais…)

Tags: Aedes aegyptiBraço do NorteDepartamento de Biologia Celular Embriologia e Genéticafebre amarelaHaemagogus leucocelaenusPedras GrandesRio FortunaSanta Rosa de LimaSão MartinhoSecretaria de Estado da SaúdeUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC lidera Instituto Nacional para estudo e desenvolvimento de bioprodutos

01/12/2025 11:05

Professora Débora coordena grupo que vai estudar e gerar bioprodutos de impacto para a indústria (Fotos: Gustavo Diehl)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conta, a partir desta segunda-feira, 1 de dezembro, com uma unidade multipropósito de pesquisa com foco na sustentabilidade e na tecnologia:  o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Biofábricas. O novo INCT da UFSC terá recursos de cerca de R$ 11 milhões e envolve redes de pesquisadores formadas a partir da colaboração entre universidades, institutos de pesquisa, associações e indústrias de todas as regiões. O objetivo é desenvolver bioprodutos de interesse tecnológico e escalonamento da produção para transferência das tecnologias para o setor produtivo, cooperativas e pequenas e médias empresas na área biotecnológica.

Pelo menos 45 pesquisadores de dez instituições estão envolvidos com o primeiro workshop do grupo, que ocorre no departamento de Engenharia Química e de Alimentos. “O principal objetivo, além de formar essa rede de pesquisa que tem por objetivo consolidar nacionalmente atividades de pesquisa, extensão e formação de recursos humanos, é montar uma biofábrica, uma unidade capaz de produzir biomoléculas em um nível de produção maior, até para consolidar as pesquisas já existentes nos grupos”, explica a professora e pró-reitora de Pós-Graduação, Débora de Oliveira, que coordena o projeto.

Primeiro workshop da rede é realizado na UFSC

O INCT ainda tem, como objetivos específicos, criar mecanismos para intensificar a interação entre os seus pesquisadores, o setor produtivo e o setor público. Isso auxiliaria a UFSC a se firmar como referência nacional na área e como vetor de disseminação de informação e conhecimento técnico especializado para pesquisadores, técnicos e produtores. Para isso, o grupo pretende produzir pelo menos dez novos produtos e bioprocessos nos próximos anos.

A capacitação e a formação de especialistas, com a realização de workshops e produção e publicação de artigos, também faz parte dos objetivos do grupo, que pretende gerar até R$15 milhões em novos negócios, além de auxiliar na criação de pelo menos uma nova startup por região a partir das suas pesquisas. Para atingir os objetivos, o INCT conta com cerca de R$11 milhões em investimentos aprovados, a maior parte deles (cerca de R$5 milhões) em bolsas.

Fazem parte do INCT como colaboradores pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Canadá, Espanha, México, Argentina, Dinamarca, Polônia, Coreia do Sul, Índia e Paquistão. A Rede de Biotecnologia da Região Sul (Rede SulBiotec), Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) e diferentes empresas também apoiam a articulação.

Tags: bioprocessosbioprodutosINCTinovaçãoInstituto Nacional de Ciência e Tecnologia - BiofábricasPatentespesquisasustentabilidade

UFSC na mídia: reportagem da NSC mostra pioneirismo da UFSC com pesquisas em maricultura

26/11/2025 15:30

Carlos Henrique Miranda Gomes, técnico do Laboratório de Moluscos Marinhos da UFSC, em entrevista à reportagem da NSC TV. Foto: Reprodução

Reportagem da série “Riquezas do Mar”, da NSC TV, destacou, nesta terça-feira (25 de novembro), o pioneirismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nas pesquisas em maricultura no litoral de Santa Catarina. Cerca de 40 anos após as primeiras prospecções e estudos, o estado desponta hoje como responsável por 91% da produção nacional de ostras e mexilhões, com 8,7 mil toneladas de moluscos colhidas em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados na reportagem.

A UFSC é a principal produtora e fornecedora de sementes de ostras e mexilhões para os produtores, de acordo com o biólogo Carlos Henrique Miranda Gomes, técnico do Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM). Segundo ele, anualmente são produzidas entre 45 e 70 milhões de sementes, que são comercializadas para os maricultores. Carlos destaca também o bom resultado da parceria da Universidade, que produz as sementes, com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que atua na capacitação dos produtores.

As pesquisas em torno do cultivo da macroalga Kappaphicus alvarezii, que já envolve produtores no litoral catarinense, e do ouriço-do-mar Echinometra lucunter, ainda em etapa de laboratório, também foram abordadas na reportagem de Jean Raupp. A macroalga produzida em Santa Catarina é utilizada principalmente na produção de biofertilizantes, mas também pode ser empregada nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética, como explicou a bióloga Carmen Simioni, pós-doutoranda em Biologia Celular e Desenvolvimento. Já o ouriço-do-mar, iguaria utilizada na gastronomia oriental, ainda irá passar por testes em cultivos no mar. A perspectiva é que em até dois anos e meio essa espécie passe a ser produzida em escala comercial, de acordo com o pesquisador Cassio Ramos.

Assista à reportagem da NSC TV.

Tags: Laboratório de Moluscos MarinhosMacroalgasmariculturamexilhõesmoluscosostrasouriço-do-marUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Controle de cinco fatores de risco prolonga vida em até 14 anos, aponta estudo com coautoria da UFSC

04/11/2025 17:22

Tabagismo é um dos cinco fatores de risco cardiovascular que, controlados na meia idade, podem levar a aumento na expectativa de vida

Pessoas que conseguem controlar cinco fatores de risco cardiovascular frequentes na faixa dos 50 anos de idade podem aumentar em até 14 anos sua expectativa de vida. A conclusão é de uma grande pesquisa global que envolveu dados de mais de 2 milhões de participantes, coordenada por um consórcio científico liderado pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha, e que contou com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por meio do estudo EpiFloripa – Condições de Saúde de Adultos e Idosos de Florianópolis.

O artigo Global effect of cardiovascular risk factors on lifetime estimates, publicado no The New England Journal of Medicine (NEJM) em março de 2025, considera a relação entre aumento da expectativa de vida saudável e o controle de cinco fatores de risco cardiovascular: hipertensão arterial, hiperlipidemia, obesidade/sobrepeso, diabetes e tabagismo.

O principal resultado da pesquisa indica que a ausência desses cinco fatores de risco aos 50 anos está associada a uma expectativa de vida significativamente mais longa: são mais 13,3 anos adicionais de vida livre de doença cardiovascular, no caso das mulheres, e 10,6 anos para os homens. Os anos adicionais de vida total para quem controla os cinco fatores de risco na meia idade são de até 14,5 para mulheres e 11,8 para homens.
(mais…)

Tags: Departamento de Saúde PúblicaEpifloripaEstudo EpiFloripafatores de risco cardiovascularGlobal Cardiovascular Risk ConsortiumThe New England Journal of MedicineUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

10º episódio do ‘Estúdio Ciência’ aborda importância dos estudos de Arqueologia no Brasil

14/10/2025 17:09

Pirâmides do Egito, grandes escavações e até dinossauros são elementos que costumam surgir no imaginário das pessoas quando se fala em Arqueologia. Mas será que isso está correto? No décimo episódio do Estúdio Ciência, o historiador e arqueólogo Lucas Bueno, professor do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que a Arqueologia é a ciência que estuda as sociedades humanas. O episódio será exibido no canal aberto 63.1 nesta quarta-feira, 15 de outubro, às 18h, e também no YouTube.

Lucas faz pesquisas em Arqueologia Brasileira e tem experiência em estudos sobre tecnologia lítica, povoamento da América, arqueologia do Brasil Central, da Amazônia e da região sul do Brasil. Na entrevista, ele esclarece que a Arqueologia pode estudar as sociedades humanas em qualquer tempo e lugar – não necessariamente apenas no passado – a partir das coisas materiais. “A arqueologia também pode estudar as sociedades do presente através dos artefatos”, explica ele.

(mais…)

Tags: arqueologiaarqueologia brasileiraDivulgação CientíficaIFSCProgramação TV UFSCTV UFSCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Qualidade do ar é o tema do nono episódio do programa ‘Estúdio Ciência’, da TV UFSC

08/10/2025 14:10

Você sabia que o acúmulo de anestésico no ar dentro de um centro cirúrgico pode causar sonolência na equipe médica que está tratando um paciente? Como controlar a qualidade do ar interna em ambientes com pouca ventilação? Os aparelhos de refrigeração influenciam nessa equação? Essas questões sobre a qualidade do ar são parte do assunto do nono episódio do Estúdio Ciência, programa da TV UFSC, exibido às quartas-feiras, às 18h, no canal aberto 63.1, e no YouTube.

O convidado desta quarta-feira, 8 de outubro, é o engenheiro mecânico Marcelo Luiz Pereira, que é professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Marcelo é especialista em temas como condicionamento de ar, ventilação, salas limpas, controle de contaminação e qualidade do ar.

Estúdio Ciência é uma parceria entre a UFSC e o IFSC. Toda semana, o programa traz divulgação científica e curiosidades do mundo da ciência para a tela da TV UFSC e para o YouTube.

Apresentado pelo divulgador científico, professor do IFSC e doutor em Física pela UFSC Marcelo Schappo, o programa é uma conversa de cientista para cientista que vai passear por diversas áreas do conhecimento e descomplicar temas para o grande público da TV UFSC.

Tags: Divulgação CientíficaEngenharia MecânicaEstúdio CiênciaIFSCProgramação TV UFSCqualidade do arTV UFSCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Ferramenta gratuita desenvolvida na UFSC facilita avaliação de pacientes com dor no quadril

01/10/2025 14:00

Plataforma foi desenvolvida para auxiliar profissionais da saúde a monitorarem a qualidade do movimento dos pacientes. Foto: divulgação

Durante seu mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o fisioterapeuta e pesquisador Diogo Almeida Gomes desenvolveu uma ferramenta on-line gratuita que permite avaliar, de forma simples, rápida e acessível, a qualidade do movimento de pessoas com dor no quadril. Elaborada em colaboração com fisioterapeutas, a Simpli-Fai, ou Escala de Desempenho do Agachamento Unilateral para Indivíduos com Síndrome do Impacto Femoroacetabular, foi construída com a proposta de ajudar profissionais da saúde a monitorar pacientes e direcionar sua reabilitação. 

Diogo realizou o trabalho no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, sob orientação da professora Heiliane de Brito Fontana e coorientação de Marcelo Peduzzi de Castro. O trabalho foi desenvolvido junto ao Grupo Pesquisa em Biomecânica Musculoesquelética (BSiM/UFSC), a partir de uma ideia que surgiu durante o projeto de extensão Biomecânica e controle motor do tronco e dos membros inferiores: ciência aplicada à prática – uma colaboração entre a UFSC, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a clínica de fisioterapia em que Diogo trabalhava.

Segundo o pesquisador, a ideia veio de sua própria experiência trabalhando em uma clínica de fisioterapia. As metodologias disponíveis para a avaliação até então eram caras e difíceis de aplicar, demandavam muito tempo dos profissionais – tanto para a avaliação do paciente quanto para a análise de dados.

“Com esses métodos mais tradicionais, de avaliação biomecânica, de avaliação quantitativa, tu precisas de todo um aparato, precisa posicionar marcadores no paciente, conectar com um software, precisa ter todo um ajuste de posição também de quem está avaliando, de quem está sendo avaliado, de testes. Então, uma avaliação dessas, quando bem feita, pode levar de duas a três horas, enquanto o procedimento da nossa avaliação, utilizando a escala, pode durar de um minuto a um minuto e meio”, explica Diogo.
(mais…)

Tags: Campus de AraranguáfisioterapiaPrograma de Pós-Graduação em Ciências da ReabilitaçãoUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Crianças brasileiras atingem puberdade e crescem mais cedo que americanas e europeias, indica estudo da UFSC

18/09/2025 11:21

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apontou que as crianças brasileiras tendem a entrar mais cedo na puberdade e experimentar de forma mais precoce os picos de crescimento pubertário em comparação a crianças do hemisfério Norte do globo.

O artigo, publicado em agosto no American Journal of Human Biology, sugere que as descobertas podem contribuir significativamente no acompanhamento do desenvolvimento infantil em áreas como o esporte, a educação e a pediatria.

A pesquisa analisou dados longitudinais de estatura de 398 crianças — 197 meninas e 201 meninos — com idades entre 6 e 19 anos do Colégio de Aplicação (CA) da UFSC, em Florianópolis, ao longo de 13 anos, entre 1997 e 2010, a fim de descrever as curvas de velocidade de crescimento durante a puberdade em jovens do Brasil.

Os dados foram recuperados por iniciativa de professores do Centro de Desportos (CDS) da UFSC, em colaboração com professores de Educação Física do CA, e já haviam sido utilizados para análises parciais, que resultaram em pelo menos uma dissertação de mestrado. Até o momento, contudo, um estudo mais aprofundado, considerando todos os dados disponíveis, não havia sido realizado.

A análise das informações recuperadas faz parte do doutorado em Educação Física de Luciano Galvão, que, sob orientação do professor Humberto Carvalho, buscou organizar dados longitudinais de crescimento infantil específicos do Brasil para compreender e interpretar seus impactos na formação física de atletas juvenis no país. A pesquisa também contou com a participação de Fábio Karasiak, Victor Conceição e Diego Augusto Santos Silva.

Conforme o estudo, a idade média para o início da puberdade (pubertal takeoff) em meninas foi de 8,41 anos e em meninos, 11,19 anos. Já a idade média em que as crianças atingiram o pico da velocidade de crescimento (APHV, Age at Peak Height Velocity), o popular “estirão”, foi aos 11,30 anos para as meninas e aos 13,55 anos para os meninos.

Os números indicam que a faixa etária em que as crianças brasileiras atingiram a APHV foi ligeiramente mais precoce do que as relatadas em estudos longitudinais clássicos do século XX, como nos estudos de Fels (Estados Unidos), Harpenden (Inglaterra) e Leuven (Bélgica), que tipicamente situavam a idade de pico entre 11,4 e 12,2 anos em meninas e entre 13,4 e 14,4 anos em meninos.

“Não existem dados e estudos longitudinais tão específicos e completos no Brasil. Sempre chamou a atenção essa ideia de conseguir conflitar os valores que encontramos com os valores que são bastante difundidos e trabalhados no hemisfério Norte, no caso, na Europa e na América do Norte. Nesse sentido, estamos fazendo esse trabalho, visando comparar e trazer dados brasileiros”, explica Luciano.

As descobertas da UFSC também se alinharam com o estudo de larga escala Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), iniciado nos anos 1990, na Universidade de Bristol, na Inglaterra. Contemporâneo aos dados brasileiros, o ALSPAC estimou a idade de pico de crescimento em 11,7 anos para meninas e 13,5 anos para meninos.

De forma semelhante, os valores estimados de velocidade média durante o pico de crescimento (PHV) foram modestamente menores do que os de estudos históricos e do ALSPAC. De acordo com os pesquisadores, isso reforça a ideia da tendência secular do crescimento mais precoce durante a puberdade em crianças de todo o mundo, provavelmente influenciada por melhorias na nutrição, saúde e condições de vida.

(mais…)

Tags: American Journal of Human BiologyCentro de Desportos (CDS)Colégio de Aplicação (CA)crescimento infantilEducação FísicaestudopesquisapuberdadeUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Funcionamento e uso da IA é tema do novo episódio do ‘Estúdio Ciência’ da TV UFSC

16/09/2025 18:05

Desde 2022, quando o ChatGPT foi apresentado ao mundo, crescem a oferta e o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para as mais variadas tarefas. Como funcionam essas ferramentas e o que esperar delas no presente e no futuro é o tema do sexto episódio do Estúdio Ciência, programa da TV UFSC, exibido às quartas-feiras, às 18h, no canal aberto 63.1, e no YouTube.

O convidado desta quarta-feira, 17 de setembro, é o doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor licenciado do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Mario de Noronha Neto.

Estúdio Ciência é uma parceria entre a UFSC e o IFSC. Toda semana, o programa traz divulgação científica e curiosidades do mundo da ciência para a tela da TV UFSC e para o YouTube.

Apresentado pelo divulgador científico, professor do IFSC e doutor em Física pela UFSC Marcelo Schappo, o programa é uma conversa de cientista para cientista que vai passear por diversas áreas do conhecimento e descomplicar temas para o grande público da TV UFSC.

Tags: Divulgação CientíficaEstúdio CiênciaIFSCinteligência artificialProgramação TV UFSCTV UFSCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC faz parceria com a Nasa para estudo sobre ruído de motores de aviões

27/08/2025 18:20

LVA tem a única bancada para a avaliação experimental de liners acústicos do Hemisfério Sul. Foto: divulgação/LVA/UFSC

Uma pesquisa realizada em colaboração entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Nasa, a agência espacial estadunidense, pode ajudar a projetar novos materiais para a redução do ruído de motores de aviões. Os resultados dos experimentos feitos no Laboratório de Vibrações e Acústica (LVA), localizado no Centro Tecnológico (CTC) da UFSC, em Florianópolis, e no Nasa Langley Research Center, no estado de Virgínia, nos Estados Unidos, foram publicados na revista científica internacional Aerospace Research Central.

Os testes foram feitos com liners acústicos, materiais utilizados para diminuir o ruído dos motores de aviões. Para o desenvolvimento de dispositivos eficientes e, consequentemente, de motores mais silenciosos, é essencial caracterizar e medir a capacidade desses dispositivos reduzirem os ruídos, nas condições mais próximas possíveis às reais de operação. 

Isso demanda infraestrutura e conhecimento altamente especializados. No mundo, há apenas seis bancadas para a avaliação experimental de liners acústicos, e a UFSC tem a única em todo o Hemisfério Sul. 
(mais…)

Tags: CTCLaboratório de Vibrações e AcústicaLVANASAUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

‘Estúdio Ciência’, disponível online, debate por que algumas pessoas não acreditam no pouso na Lua

27/08/2025 15:15

Por que algumas pessoas não acreditam que os astronautas tenham pousado na Lua em 1969? Outras já questionam até o voo suborbital da cantora Katy Perry, em abril deste ano, que teria sido apenas encenado e filmado na Terra. Essas teorias, que nascem tão logo os feitos sejam anunciados, fazem parte do debate do terceiro episódio do Estúdio Ciência, programa da TV UFSC, exibido às quartas-feiras, às 18h, no canal aberto 63.1, e no YouTube.

O convidado desta quarta-feira, 27 de agosto, é o físico Luiz Henrique Martins Arthury, professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) no campus de Jaraguá do Sul.

O Estúdio Ciência é uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Toda semana, o programa traz divulgação científica e curiosidades do mundo da ciência para a tela da TV UFSC e para o YouTube.
(mais…)

Tags: astrofísicaDivulgação CientíficaEstúdio CiênciafísicaIFSCpouso na luaProgramação TV UFSCTV UFSCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Grupo da UFSC cria IA que facilita acordos de conciliação em ações contra companhias aéreas

20/08/2025 13:50

Com uma base de dados com cerca de 1,8 mil sentenças, a ferramenta de uso gratuito desenvolvida na UFSC é capaz de “prever” os valores indenizatórios das ações de conciliação. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Você já viajou de avião, perdeu seu voo devido a atrasos da companhia aérea e acabou não comparecendo a um evento importante? Ou já teve sua mala extraviada durante a viagem? No Brasil, casos como esses, que podem configurar ações cíveis de danos morais ou materiais na esfera judicial, são muito comuns. 

Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), o Brasil concentra 98,5% de todas as ações judiciais contra companhias aéreas no mundo. O levantamento publicado pela Abear em 2024 aponta que, em média, a cada um (1,04) voo são registradas duas ações no setor no país. Em comparação, nos Estados Unidos, por exemplo, os mesmos dois processos são registrados a cada 5,17 mil voos.

Com base nesse cenário, que gera transtornos ao setor aéreo e à Justiça brasileira, o grupo de pesquisa Governo Eletrônico, Inclusão Digital e Sociedade do Conhecimento (Egov) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveu a Concil-IA, uma inteligência artificial (IA) que facilita os processos de conciliação entre consumidores e empresas aéreas em casos de danos morais e materiais.
(mais…)

Tags: ação judicialAssociação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear)CCJConcil-IAConselho Nacional de Justiça (CNJ)CTCDireitoFórum Desembargador José Arthur BoiteuxGoverno Eletrônico Inclusão Digital e Sociedade do Conhecimento (Egov)Inteligência Artificial (IA)pesquisaTribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC)UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Etnomatemática é tema do ‘Estúdio Ciência’ da TV UFSC, programa disponível online

19/08/2025 17:53

Será que a nossa matemática é a única que existe? Ou será que ela pode aprender com outras culturas? A Etnomatemática, que pode ser entendida como a análise das práticas matemáticas em diferentes contextos, foi o tema do segundo episódio do Estúdio Ciência, programa da TV UFSC, exibido às quartas-feiras, às 18h, no canal aberto 63.1, e no YouTube.

O convidado desta quarta-feira, 20 de agosto, é o professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), matemático e doutor em Educação Científica e Tecnológica, Sérgio Florentino da Silva.

O Estúdio Ciência é uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Toda semana, o programa traz divulgação científica e curiosidades do mundo da ciência para a tela da TV UFSC e para o YouTube.

Apresentado pelo divulgador científico, professor do IFSC e doutor em Física pela UFSC Marcelo Schappo, o programa é uma conversa de cientista para cientista que vai passear por diversas áreas do conhecimento e descomplicar temas para o grande público da TV UFSC.

 

Tags: Divulgação CientíficaEstúdio CiênciaetnomatemáticaIFSCProgramação TV UFSCTV UFSCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

‘Estúdio Ciência’, novo programa da TV UFSC, estreia desmitificando o uso do cérebro

12/08/2025 16:18

Será mesmo verdade que só usamos 10% da capacidade de nosso cérebro? Será que desperdiçamos mesmo a maior parte do potencial desse órgão, que consome muita energia do corpo e tem mais de 80 bilhões de neurônios?

Em um bate-papo descontraído entre pesquisadores, essas questões fazem parte do primeiro episódio do Estúdio Ciência, novo programa da TV UFSC, que estreia nesta quarta-feira, 13 de agosto, às 18h, no canal aberto 63.1, e no YouTube da TV UFSC.

(mais…)

Tags: cérebroDivulgação CientíficaEstreiaEstúdio CiênciafísicaProgramação TV UFSCTVUFSCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Pesquisa da UFSC usa movimentos oculares para aprimorar leitura crítica de textos on-line

22/07/2025 15:25

Tecnologia de rastreamento ocular registra o foco visual do leitor durante a leitura de telas on-line; metodologia foi utilizada como ferramenta de instrução na pesquisa de Juliana do Amaral. Foto: Divulgação/LabLing/UFSC

Já é bem estabelecido na literatura científica o fato de que a leitura em meio digital tem importantes diferenças em relação à leitura no meio analógico, principalmente nas mídias com suporte em papel. Essa premissa, que vai além de meras preferências subjetivas ou fadiga ocular, é o ponto de partida da pesquisadora Juliana do Amaral, pós-doutoranda no Laboratório da Linguagem e Processos Cognitivos (LabLing), vinculado aos programas de pós-graduação em Linguística e em Letras-Inglês da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em artigo publicado no Journal of Computer Assisted Learning no início de julho, Juliana demonstra que modelar o comportamento na navegação e avaliação de conteúdo on-line otimiza a experiência de leitura em páginas web, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico e a revisão de crenças pré-estabelecidas.

Vários estudos já confirmaram que há um déficit de compreensão quando se lê em computadores ou smartphones, na comparação com conteúdos impressos, de acordo com a pesquisadora. Uma importante metanálise, Don’t Throw Away Your Printed Books, demonstrou que as pessoas que leem em telas digitais compreendem menos os conteúdos. Além disso, os estudos indicam que não é possível aprimorar sua compreensão nas leituras em tela com o passar do tempo e a aquisição do hábito.

Desinformação e leitura crítica

Embora a leitura de textos narrativos mais longos em dispositivos que simulam o manuseio de livros, como o Kindle, seja menos afetada, a complexidade aumenta com textos expositivos e informativos, especialmente em páginas web, que exigem competências digitais específicas. Na análise de Juliana, estudar e aprimorar as competências de leitura tem especial relevância no cenário de desinformação favorecido pelas mídias digitais interativas. “Desenvolver a competência de avaliação de fontes é fundamental. No ambiente digital, onde não há controle de qualidade e qualquer um pode publicar, é crucial saber identificar a autoria, suas credenciais e o veículo de publicação”, analisa.

(mais…)

Tags: aprendizagemcompetências de leiturainstrução por modelagemLablingLaboratório de Linguagem e Processos Cognitivosleitura crítica de mídiaLinguísticarastreamento ocular

Pesquisa da UFSC analisa riscos da presença de cães nas praias e diretrizes para regulamentação

01/07/2025 16:28

Apesar da proibição, é comum encontrar cães nas praias de Florianópolis. Foto: Eduardo Cuducos/Flickr/CC BY-NC 2.0

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) avalia os diversos impactos da presença de cães nas praias. O estudo realizado pela médica veterinária Carla Roberta Seára Willemann traz contribuições para a discussão sobre a regulamentação de pets nas praias de Florianópolis, com análises dos riscos para a saúde humana, animal e ambiental, bem como de experiências de praias pet friendly pelo mundo. Aponta, ainda, medidas fundamentais para que se possa liberar a presença de cães de maneira segura, como investimento em saneamento básico e controle de animais errantes.

Apesar da proibição, determinada pela Lei Complementar Municipal nº 94/2001 e pela Lei Complementar CMF nº 60/2003, que altera a Lei Municipal nº 1224/1974, é bastante comum encontrar cães, sozinhos ou acompanhados de seus tutores, nas praias de Florianópolis. O assunto envolve questões sociais, culturais, econômicas, ambientais e de saúde, e a polêmica em torno do tema não é nova. Desde 2018, foram apresentados pelo menos quatro projetos de lei buscando revogar a proibição de cachorros nas praias do município. Atualmente, está em tramitação na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei Complementar nº 1956/2024, que pode permitir a presença de cachorros em praias de Florianópolis, desde que vacinados e devidamente acompanhados por seus tutores.

“De um lado, existe uma demanda crescente por espaços públicos onde os tutores possam desfrutar momentos de lazer com seus cães. De outro, há um cenário sanitário que já apresenta riscos, como a presença de parasitas zoonóticos em fezes de cães em praias, evidenciada em estudos anteriores. Com o adensamento populacional na região da Grande Florianópolis e o consequente aumento do número de animais de estimação, esses desafios tendem a se intensificar”, comenta Carla, que realizou a pesquisa para sua dissertação de mestrado, sob orientação das professoras Patrizia Ana Bricarello e Maria José Hötzel.
(mais…)

Tags: CCAmedicina veterináriaPós-Graduação em AgroecossistemasUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina