Exercícios em locais poluídos podem trazer riscos à saúde e aumentar exposição à covid-19, aponta estudo

02/09/2021 14:02

Pesquisadores verificaram que a intensidade e a duração das atividades influenciam diretamente o acúmulo de poluentes no trato respiratório. Foto: Clem Onojeghuo/Unsplash

Um artigo publicado na revista científica Environmental Research demonstra como a realização de atividades físicas em ambientes poluídos pode levar à inalação de partículas nocivas e ao seu acúmulo no sistema respiratório, bem como aumentar a exposição ao coronavírus. Os resultados, além de ampliarem a discussão sobre os riscos dessas práticas para a saúde, ajudam a entender como o SARS-Cov-2 é transportado até o pulmão durante os exercícios. Baseado em modelos teóricos e simulações matemáticas com diferentes cenários, o trabalho envolveu pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade de São Paulo (USP).

Os testes tiveram o objetivo de calcular como a intensidade e a duração das atividades físicas impactam a quantidade de material particulado – partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar – que se deposita em nosso trato respiratório. Apesar de os materiais particulados abrangerem distintos tipos de substâncias, incluindo poeira e areia, por exemplo, o foco da pesquisa foram os poluentes. “Essencialmente, o que estamos tratando aqui no texto é essa partícula oriunda da poluição atmosférica, de atividade industrial, queimadas e, principalmente, da combustão dos veículos automotores, pode ser gasolina, diesel, álcool, qualquer combustível”, afirma Ramon Cruz, professor do Centro de Desportos (CDS) da UFSC e um dos autores do artigo.

Dados previamente coletados em outro estudo permitiram simular o que acontece no sistema respiratório humano durante uma corrida. Foram consideradas três intensidades: moderada, intermediária e severa, com duração de até 90, 60 e 20 minutos, respectivamente. O tempo foi definido em função das particularidades de cada uma.
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Pesquisa avalia que erva-mate pode colaborar com o tratamento de pessoas com doença genética

01/09/2021 13:01

Infusão de folhas de erva-mate (Ilex paraguariensi) mostrou resultado promissor para o tratamento da hemocromatose hereditária. Foto: United States Botanic Garden/Wikimedia Commons/CC BY-SA 3.0

Um estudo desenvolvido na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) avaliou o efeito da infusão de folhas de erva-mate (Ilex paraguariensis A. St. Hil.) para reduzir a absorção de ferro em portadores de hemocromatose hereditária, uma doença genética caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro e que pode levar ao  comprometimento de órgãos e sistemas. Com resultados promissores, capazes de contribuir para o tratamento da enfermidade e uma melhor qualidade de vida dos pacientes, o trabalho foi conduzido pela pesquisadora Cristiane Manfé Pagliosa para sua tese de doutorado, realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição sob orientação dos professores Edson Luiz da Silva e Francilene G. K. Vieira. 

A pesquisa foi dividida em duas etapas. Inicialmente foram realizados testes em laboratório para definir a melhor forma de preparo da infusão, para que atingisse as propriedades desejadas e mantivesse maior estabilidade para seu armazenamento. As folhas utilizadas foram provenientes de cultivo orgânico e sem a presença de contaminantes que pudessem oferecer risco à saúde.

A segunda fase consistiu em um ensaio clínico com 14 pacientes com hemocromatose hereditária em fase de tratamento. Cada um ingeriu, em três momentos diferentes, uma refeição padronizada enriquecida com sulfato ferroso, um composto químico comumente usado em suplementos para reposição de ferro, e 200 ml de bebida (uma a cada dia): água, infusão de folhas de erva-mate e suspensão de Silybum marianum, um produto vendido em farmácias para tratamento de problemas no fígado. A finalidade foi avaliar o efeito do consumo de cada uma na inibição da absorção do ferro.
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Grupos da UFSC desenvolvem projetos de carros autônomos

16/07/2021 11:32

Carros autônomos da UFSC ainda não estão em funcionamento, mas as equipes já fazem testes com o carro elétrico da Ampera Racing. Foto: divulgação/Ampera Racing

No Centro Tecnológico (CTC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), três grupos se uniram para o desenvolvimento de veículos autônomos – com capacidade de se deslocarem sem motoristas para conduzi-los –, com projetos que visam tanto ao uso em competições quanto nas ruas e estradas brasileiras. O trabalho envolve o Laboratório de Processamento de Imagens e Computação Gráfica (Lapix), a equipe de competição Ampera Racing e o Programa de Educação Tutorial – Metrologia e Automação (PET-MA) e reúne alunos de graduação e pós-graduação e profissionais de Ciências da Computação e das engenharias Elétrica, Eletrônica, Mecânica, de Produção Elétrica e de Controle e Automação, sob orientação do professor do Departamento de Informática e Estatística da UFSC Aldo von Wangenheim.

Os trabalhos ocorrem em duas frentes que se complementam e abrangem o desenvolvimento de software e hardware. Enquanto a Ampera Racing está focada em produzir um carro para levar para competições, em um trabalho pioneiro que pode colaborar para a implementação de disputas estudantis com automóveis do gênero no país, o Lapix se dedica a veículos que possam ser utilizados nas vias brasileiras – com suas estradas de terra, buracos e interrupções no pavimento, condições bastante diferentes daquelas dos países desenvolvidos com base nos quais a maioria dos modelos vêm sendo projetados mundo afora. Simultaneamente, membros do PET-MA preparam um protótipo para realização de testes de ambas as iniciativas.

Outro diferencial que os projetos da UFSC apresentam em relação aos demais veículos autônomos é a técnica empregada para reconhecimento de terreno e obstáculos. O sensor mais utilizado atualmente, chamado Lidar, baseia-se em um sistema de Iasers para mapear seus arredores. Apesar de individualmente eles não serem nocivos, os riscos que uma exposição ampliada e contínua possa oferecer aos pedestres preocupam os pesquisadores.
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Pesquisadores desenvolvem novo kit de diagnóstico rápido e barato para Covid-19

07/07/2021 09:22

Novo kit de diagnóstico tem custo estimado de R$ 30, menos de um terço do valor do RT-PCR. Foto: André Pitaluga

Um kit de diagnóstico para detecção do novo coronavírus, que pode ser aplicado diretamente em unidades básicas de saúde, fornecendo o resultado em até 45 minutos, com baixo custo e alta precisão. A inovação, que pode contribuir para o enfrentamento da Covid-19, teve a patente depositada, após mais de um ano de trabalho de pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em parceria com a empresa SPK Solutions.

Simples, rápido e barato, o kit de diagnóstico identifica o material genético do SARS-CoV-2, utilizando uma técnica chamada de RT-LAMP. Em testes de validação, com mais de mil amostras, o exame apresentou precisão equivalente ao RT-PCR, considerado como padrão-ouro para o diagnóstico da Covid-19. Para amostras da orofaringe – coletadas com um tipo especial de cotonete, conhecido como swab, introduzido no nariz dos pacientes – o teste demonstrou 96% de sensibilidade e 98% de especificidade.

“O diferencial do kit é integrar todas as etapas do diagnóstico molecular, com uma metodologia adequada ao point-of-care [local de atendimento]. É um método simples, barato e robusto, que permite realizar o diagnóstico no local onde ele é necessário”, destaca o pesquisador do IOC e coordenador do projeto, André Pitaluga.
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Professor da UFSC participa da descoberta de estrela gigante que quase desapareceu no centro da galáxia

01/07/2021 16:35

Representação artística da estrela VVV-WIT-08. Ilustração: Amanda Smith

Na região central da Via Láctea, a mais de 25 mil anos-luz daqui, o “quase desaparecimento” momentâneo de uma estrela gigante intriga os cientistas. Em 2012, a VVV-WIT-08, como foi nomeada, foi encoberta por cerca de 200 dias por um objeto enorme e misterioso, capaz de ocultar 97% do brilho de um corpo celeste aproximadamente cem vezes maior do que o Sol. A descoberta foi descrita em artigo publicado em junho na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e contou com a participação de dois brasileiros em meio ao grupo internacional de astrônomos: o professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Roberto Kalbusch Saito e o pesquisador do Laboratório Nacional de Astrofísica Luciano Fraga.

É comum que estrelas apresentem oscilações em seu brilho – seja por características intrínsecas a elas, como é o caso das variáveis pulsantes que se expandem e contraem periodicamente; seja por causa de objetos que passam entre a estrela e o observador, causando um efeito de eclipse. O que aconteceu com a VVV-WIT-08, contudo, nunca foi observado antes (apesar de haver casos com algumas similaridades). Até o momento, ao menos, ela é uma estrela única. 

“É uma estrela que, a princípio, tu olhas a curva de luz dela, que é a variação de brilho ao longo do tempo, e é sempre constante, a estrela não varia. A não ser em um evento em 2012 quando ela quase desapareceu. Ela perdeu 97% do brilho e depois voltou ao brilho normal de novo. E desde então, até hoje, com todo o acompanhamento que a gente fez dela, ela segue sem nenhuma mudança de brilho, e isso não é esperado para uma estrela. Então, o comportamento diferenciado é que ela teve um único evento, em mais de uma década de observação, em que ela perde uma quantidade de brilho muito grande, quase 100%”, explica Roberto.
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Pesquisa da UFSC sugere a efetividade de ações públicas na prevenção de cânceres relacionados às vias aéreas

29/06/2021 10:42

Uma pesquisa realizada por estudantes dos cursos de Fonoaudiologia, Medicina e Fisioterapia da Universidade Federal de Santa Catarina sugere que a estabilidade de casos de cânceres de pulmão, traqueia e brônquios, entre 2009 e 2013, pode estar relacionada à efetividade de ações realizadas na atenção primária, advindas da implementação de políticas públicas de promoção e prevenção da saúde. “As propostas do Programa Nacional de Controle do Tabagismo tiveram ampla adesão de distintas esferas, o que tem impactado em ações voltadas tanto ao tratamento do tabagismo na atenção básica quanto em medidas para a demanda e a oferta de produtos do tabaco, e, consequentemente, impactando na redução da exposição passiva a este agressor”, explica a professora do departamento de Fonoaudiologia, Karina Mary de Paiva, sobre a diminuição dos índices de cânceres associados ao consumo de tabaco.

 

A incidência de câncer de pulmão, traqueia e brônquios nas regiões brasileiras, 2002-2013.

 

Segundo o estudo, o câncer é uma doença multifatorial, dependente de fatores intrínsecos e não modificáveis, como a genética, e fatores extrínsecos e modificáveis, como hábitos individuais que promovam a qualidade de vida. “As ações de promoção e prevenção da saúde devem ser direcionadas aos fatores modificáveis, como forma de conscientizar a população quanto à importância da adoção de hábitos saudáveis e mudanças no estilo de vida para a redução da incidência do câncer. Reitera-se a importância das ações na atenção básica voltadas à prática de atividade física,  alimentação saudável e controle do tabagismo, por meio de grupos de promoção da saúde em unidades de saúde. Além disso, vale destacar a importância das academias ao ar livre, e neste sentido, ressalta-se que a atenção primária em Florianópolis é uma das melhores no nosso país”, acrescenta a professora.

Apesar da estabilidade, a região Sul, neste mesmo período, registrou os maiores índices de incidência de cânceres relacionados às vias aéreas e manteve, entre 2002 e 2013, uma média maior que a nacional, com destaque para a maior ocorrência no sexo masculino comparado ao feminino. O estudo, publicado na revista Saúde e Pesquisa, buscou elucidar a relação entre a incidência de câncer nas regiões brasileiras com a implementação de políticas públicas àquela época, destacando a importância de se promover ações preventivas com foco na redução dos índices desta doença, por meio, principalmente, do diagnóstico precoce e da atenção básica à saúde. O grupo também analisou as taxas de incidência de câncer de esôfago, estômago, cólon, reto, ânus, próstata, lábio, cavidade oral, melanoma maligno da pele e outras neoplasias malignas de pele.

A região Sul apresentou os maiores índices de incidência para o cânceres de esôfago, estômago, próstata, lábio e cavidade oral, melanoma de pele e outras neoplasias malignas de pele, quando comparada às outras regiões do País. As outras neoplasias malignas de pele foram consideradas as principais causas de câncer no estudo, tendo os valores mais altos e em ambos os sexos. A partir de 2003, o Sul apresentou uma elevação nas taxas dessa doença, com aumento final de 139,0%, ficando acima da média nacional de 112% no período analisado.

Estudo traz dados detalhados sobre incidência de câncer no País

O câncer de esôfago obteve aumento de 21,1% e, posteriormente, apresentou uma tendência de declínio, chegando a 20,3% em 2013 e ficando acima da média nacional (10,9%). O câncer de estômago também apresentou índices maiores que a média nacional (23,2%), com aumento de 29,9%. Já o câncer de lábio e cavidade oral também obteve valores acima da média nacional (14,1%), no Sul, com aumento de 19,9%. No caso dos melanomas de pele, houve um aumento de 10,6% na região, apresentando taxas superiores à média nacional (5,6%). Os valores de incidência dessas doenças foram maiores para o sexo masculino em relação ao feminino.

No caso de cânceres relacionados ao sexo, o de próstata apresentou crescimento do índice em todo período analisado, terminando com o dobro dos valores  iniciais. A região Sul também ficou acima da média nacional (48,8%), com aumento de 58,5%. O Sul ficou em segundo lugar para os índices de câncer de mama feminina, com aumento de 58,7%, ficando atrás apenas da região sudeste (68,7%), ambas acima da média nacional (49,2%). Esta doença obteve elevação nos índices em todas as regiões brasileiras. O câncer de colo uterino também apresentou aumento na região (22,2%), ficando abaixo apenas da região Centro-Oeste (24,7%).

Os cânceres relacionados às porções finais do trato gastrointestinal (cólon, reto e ânus) obtiveram aumentos expressivos nos índices em toda análise, ficando abaixo, nos dados finais, apenas do câncer de mama em mulheres, de próstata em homens e “outras neoplasias de  pele” em ambos. Destaca-se o rápido aumento na região Sul, praticamente dobrando seus valores entre os anos de 2003 (21,6%) e 2005 (43,5%).

Apesar da mobilização em prol do diagnóstico precoce, com campanhas como o Outubro Rosa contra o câncer de mama e o Novembro Azul contra o de próstata, a professora Karina Mary de Paiva explica que há uma grande tendência de procura por serviços de saúde na presença de agravos e doenças, o que compromete o sucesso do tratamento em função da evolução do quadro clínico.

O estudo foi realizado de maneira transversal retrospectivo com dados obtidos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) e do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2017 e março de 2018. “É de suma importância considerar as diferenças entre as regiões brasileiras no planejamento de ações, com foco no atendimento oncológico, considerando a descentralização dessas ações para garantir sua efetividade”, expressam os autores.

Para conferir o artigo Incidência de câncer nas regiões brasileiras e suas associações às Políticas de Saúde na íntegra, clique aqui

 

Luana Consoli/Estagiária de Jornalismo da Agecom/UFSC

Tags: Câncer nas vias aéreasCâncer no BrasilfisioterapiaFonoaudiologiamedicinaPesquisadores da UFSC

Cientistas da UFSC criam produto natural e inovador para tratamento da mastite bovina

26/05/2021 11:55

Doença atinge praticamente todos os rebanhos leiteiros. Foto: Eduardo Amorim/Flickr – CC BY-NC-ND 2.0

Pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveram um gel antimicrobiano à base de ingredientes naturais para o tratamento da mastite bovina, uma das principais doenças que atinge vacas leiteiras. O produto, que teve seu pedido de patente depositado no início de maio junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) por meio da Secretaria de Inovação da UFSC (Sinova), pode atender a uma demanda antiga de produtores de sistemas orgânicos e agroecológicos, bem como colaborar para a diminuição do uso de antibióticos nos sistemas de criação convencionais. O trabalho foi executado no Laboratório de Bioquímica e Produtos Naturais (Labinat) e fez parte da pesquisa de doutorado de Gabriela Tasso Pinheiro Machado, realizada no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas sob orientação da professora Shirley Kuhnen e co-orientação de Luciana Aparecida Honorato e Maria Beatriz Veleirinho.

A mastite bovina é caracterizada pela inflamação do tecido da glândula mamária e pode ser causada por diferentes espécies de bactérias. A enfermidade é dividida em duas categorias: a mastite clínica, na qual há sintomas visíveis e mudanças físicas na aparência do leite e da mama; e a mastite subclínica, de mais difícil diagnóstico, uma vez que não apresenta manifestações aparentes na vaca ou no leite. Em ambos os casos, contudo, há redução da quantidade e da qualidade do leite. Segundo Gabriela, a doença está presente em praticamente todos os rebanhos leiteiros e pode gerar grandes prejuízos para os produtores. Seu tratamento, em geral, envolve a utilização de antibióticos, mas, além do risco de as bactérias desenvolverem resistência aos medicamentos tradicionais, o uso de antibióticos é limitado na produção orgânica e agroecológica de leite – o que torna bastante complicado o tratamento e o controle da mastite nesse tipo de sistema. 

O gel antimicrobiano criado na UFSC foi pensado justamente para atender às necessidades desse grupo de produtores. Ele é totalmente elaborado com matérias primas naturais: k-carragenana, uma substância extraída de algas marinhas vermelhas, mucilagem de linhaça e extrato de macela. Nenhum dos ingredientes foi escolhido por acaso. Os dois primeiros ajudam a dar a consistência adequada – a viscosidade do gel permite que o material permaneça por mais tempo no interior da glândula mamária e que as partículas sejam liberadas gradativamente ao longo do tempo. Há registros, aliás, de que a linhaça já vem sendo utilizada por produtores de leite orgânico para prevenir a mastite devido ao seu potencial antimicrobiano. O extrato de macela, por sua vez, havia sido alvo de estudos prévios do Labinat, que constataram que a planta possui atividade antimicrobiana e, mesmo em doses altas, não é tóxica para humanos ou animais.
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Pesquisa da UFSC e Udesc resulta em composto que pode auxiliar em diagnóstico médico e interagir com DNA

17/05/2021 17:14

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade do Estado de Santa Catarina mimetizou, em laboratório, uma enzima que pode apresentar duas funções importantes para a medicina e a ciência: tanto pode ser utilizada como biossensor para diagnósticos médicos quanto para clivar o DNA – procedimento que pode contribuir com a cura de doenças. O trabalho foi capa da revista European Journal of Inorganic Chemistry, da casa editorial Wiley, dando relevância mundial à produção científica das instituições públicas do estado.

Para compreender a pesquisa, segundo explica a professora Rosely Peralta, do Departamento de Química, é importante saber que o trabalho com enzimas é de alta complexidade, por isso a ciência tem buscado sintetizar compostos que são capazes de reproduzir – ou, na linguagem técnica, de mimetizar seus efeitos. Ao invés das enzimas, os pesquisadores desenvolvem, então, miméticos.

No caso da pesquisa publicada pelo grupo, que faz parte do mestrado da pesquisadora Alana M. Homrich, o trabalho envolveu um mimético da catecol oxidase, uma metaloenzima binuclear de cobre que promove reações específicas de oxidação. O escurecimento de uma maçã partida ao meio é um exemplo prático de como essa reação permeia a vida cotidiana.

O trabalho desenvolvido a partir da parceria consistiu em mimetizar este composto pensando na reação de oxidação de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina. Isso porque tais reações ajudam na identificação de determinados tipos de doenças. “Na primeira parte do trabalho fizemos a caracterização desse processo, que pode contribuir como biossensor no diagnóstico médico”, explica a professora. Isso acontece porque esses tipos de hormônios produzem outras substâncias que podem ser quantificadas, sinalizando a existência de alguma doença e auxiliando no diagnóstico.

Uma segunda aplicação para o composto mimetizado pela pesquisa é a clivagem do DNA, a principal molécula presente nos seres vivos. A interação desse mimético com o DNA possibilita que ele “quebre” a molécula exatamente no lugar desejado – por exemplo, em uma ligação específica que possa ter relação com doenças ou mesmo no ataque a células tumorais.

De acordo com a professora, há muitos pesquisadores trabalhando com a proposta de mimetizar a atividade da catecol oxidase, o que demonstra a importância da parceria de longo histórico com os professores Fernando Xavier e Rogério Gariani, do Laboratório de Síntese & Catálise (SinCa), da Udesc Joinville e também do professor Hernán Terenzi, do Departamento de Bioquímica da UFSC. “Nós escrevemos este trabalho, mas não imaginávamos que poderíamos ser capa da publicação, o que foi uma grande conquista”, reforça Rosely, que continua orientando pesquisas que buscam moléculas capazes de atuar como melhores catalisadoras de reações químicas.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Estudo aponta que toxinas presentes na Lagoa do Peri podem atingir o mar e contaminar ostras e mexilhões

14/05/2021 12:15

Coleta de dados também envolveu o Canal do Sangradouro e a Praia do Matadeiro. Foto: arquivo pessoal

Pesquisadores do Laboratório de Ficologia (Lafic) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) identificaram a presença de quantidades elevadas de uma toxina proveniente de cianobactérias na Lagoa do Peri e a possibilidade de a substância, que pode ser letal em altas doses, chegar ao mar da Praia do Matadeiro e contaminar mariscos e ostras. O trabalho, que também conta com a colaboração de cientistas da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), envolveu coletas quinzenais, realizadas em 2018 e 2019, na Lagoa do Peri, no Canal do Sangradouro, que conecta a lagoa ao mar, e na Praia do Matadeiro, além de experimentos em laboratório com mexilhões. Os resultados foram publicados na revista científica internacional Harmful Algae, a mais importante do mundo no tema de florações de algas nocivas e ficotoxinas.

A Raphidiopsis raciborskii é uma cianobactéria – uma das categorias de microalgas – que produz uma das mais poderosas e letais toxinas naturais conhecidas: a saxitoxina, também chamada de toxina paralisante. Apesar de a Lagoa do Peri não ser um corpo de água poluído, essa cianobactéria encontra ali condições para proliferar, especialmente no verão. Desde 1994, há registros de sua presença no local, e os dados coletados desde então demonstram que vem aumentando a população da microalga. 

Os níveis de saxitoxinas encontrados na lagoa ao longo do estudo passaram de seis microgramas por litro nos dias de maior calor – um valor alto e que pode oferecer risco à fauna e à flora local, bem como às pessoas que se banham ali. Para efeito de comparação, o limite máximo permitido no Brasil para a água tratada – aquela que chega às torneiras de nossa casa – é de três microgramas por litro.

“Foi um dado bem ilustrativo de um período de verão, de calor. E, depois acabou escoando, em função de chuva, para a saída da lagoa e em direção ao mar. Ou seja, foi um dado bem sintomático do que pode acontecer numa chuva forte de verão, porque no verão tem mais da cianobactéria, ela produz mais toxinas, e, como chove mais, nós temos maior possibilidade dessa água ir para o mar”, explica Leonardo Rörig, professor do Departamento de Botânica da UFSC e um dos autores do estudo. 
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Pesquisa da UFSC aponta que preservação da araucária é mais eficiente quando comunidades locais participam

11/05/2021 10:08

Fotos do acervo do pesquisador

Uma pesquisa realizada no Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica da Universidade Federal de Santa Catarina aponta o manejo colaborativo como a estratégia mais eficiente para garantir a preservação e a sustentabilidade da Floresta das Araucárias, um dos principais ecossistemas presentes no sul e sudeste do Brasil. No artigo Collaborative management as a way to enhance Araucaria Forest resilience, publicado pela revista Perspectives in Ecology and Conservation, o doutorando do Programa de Pós-graduação em Ecologia, Mario Tagliari, apresenta dados que reforçam a perspectiva de que a interação entre comunidades locais e um determinado ecossistema pode resultar em um sistema resiliente. O trabalho faz parte da tese orientada pelo professor Nivaldo Peroni.

O estudo contou com 97 entrevistas de pequenos proprietários entre os estados do Sul do Brasil e uma região de São Paulo próxima a Serra da Mantiqueira para entender como ocorre o uso e manejo das árvores da espécie Araucaria angustifolia, popularmente conhecidas como araucária – a árvore do pinhão. A proposta era entender esta interação e construir um modelo teórico que contrastasse com um modelo clássico de preservação: o modelo top down, que utilliza as Unidades de Conservação e a legislação rigorosa como estratégia. Desta forma, o bottom-up incluiria comunidades locais que usam e manejam os recursos da Floresta de Araucárias por meio do conhecimento ecológico tradicional ou TEK – Traditional Ecological Knowledge.

O caminho para que o pesquisador chegasse a esse objeto de estudo está ligado a suas origens. Natural de Pato Branco, Paraná, ele cresceu acostumado com a paisagem da floresta das araucárias. Mas foi em 2012, depois que começou a estudar as variedades de pinhão na região de Urubici, que o contato com os pequenos agricultores lhe fez perceber pontos relevantes sobre a interação entre grupos humanos e uma das árvores mais tradicionais do Sul. “A principal espécie dessa mata é a Araucária, que não só caracteriza a paisagem como estrutura toda a biodiversidade que está abaixo dela, além de ser fundamental para a subsistência de inúmeros pequenos agricultores na região”, explica.

Tagliari explica que, no caso da fauna, desde o homem até espécies de grande porte dependem do recurso quando a árvore produz o pinhão. “Cutia, veado-catingueiro, paca, macaco-prego, bugio-ruivo, gralha-azul; temos também o papagaio-roxo e o papagaio-charão que vêm na sua rota migratória em busca do pinhão. Trata-se de uma espécie-chave ecológica fundamental para a manutenção desse ecossistema, central para tudo”, pontua.

Estratégias de preservação podem gerar impasse

O pesquisador conta que essa centralidade para a biodiversidade local somada à exploração madeireira desordenada ao longo do século XX faz com que a Araucária seja protegida por políticas ambientais. Além das Unidades de Conservação, geridas pelo estado, e Reservas Particulares do Patrimônio Natural – áreas privadas cuja abrangência é integralmente voltada para a Conservação-, existem ainda as Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanentes (APPs). A primeira refere-se à uma porcentagem obrigatória em áreas privadas destinadas à conservação, geralmente 20% na região da Floresta de Araucárias. Já as APPs são áreas com limites de uso e exploração que podem estar dentro de uma propriedade privada.

Conforme o estudo, nestas áreas privadas voltadas à conservação pode emergir um dilema envolvendo comunidades socioeconomicamente vulneráveis. “O impasse tende a ocorrer quando a legislação é rígida. Além das áreas obrigatórias destinadas à preservação da biodiversidade, as araucárias ainda pequenas podem ser cortadas em áreas cultiváveis para que depois não ‘atrapalhem’ o uso alternativo do solo, seja com cultura de alimentos, como milho e mandioca ou pecuária, já que são protegidas. Surge um impasse socioambiental e econômico porque essas pessoas têm um papel fundamental na preservação da espécie, mas ao mesmo tempo não são valorizadas pela manutenção da espécie”, explica.

Esse impasse só não seria maior devido à importância econômica do pinhão, que movimenta milhões de reais a partir do uso e manejo de mais de 8000 toneladas por ano. Na pesquisa, os autores também identificaram que o repasse proveniente da comercialização é menor na base da cadeia: ou seja, quem extrai e coleta é o grupo que menos recebe. “Curiosamente, o que as pessoas pouco sabem é que o pinhão que encontramos no mercado ou compramos na beira das estradas do RS, SC e PR é quase que inteiramente coletado via extrativismo”, comenta o doutorando. Isso significa que os pequenos agricultores ou coletores de pinhão desempenham um trabalho quase artesanal: escalam as araucárias, derrubam as pinhas – que são as estruturas que contêm os pinhões – e colhem manualmente as sementes boas para consumo.

O estudo registra que a legislação brasileira proíbe qualquer forma de extração de araucária, salvo raras exceções que permitem o manejo controlado. Além disso, as áreas estritamente protegidas podem excluir os povos locais e indígenas da participação na conservação da biodiversidade. Há, neste sentido, uma ‘barreira psicológica’ que pode motivar uma decisão com custo ambiental por parte dos proprietários de terras com araucária: ao mesmo tempo que a preservação é exigência legal, ela leva o pequeno produtor a se questionar sobre o quanto a manutenção da espécie pode inviabilizar outros usos da propriedade para sua subsistência.

Participação promove ganhos

O modelo teórico proposto pelo estudo utiliza as entrevistas que mapeiam o saber ecológico tradicional dos pequenos proprietários e um vasto repertório bibliográfico para entender qual a importância desses agentes para a manutenção das matas. “Estas estratégias, desenvolvidas em conjunto com grupos humanos locais por meio do compartilhamento de decisões entre governos, instituições e usuários de recursos, têm maior probabilidade de produzir benefícios para o sistema socioecológico como um todo”, anotam os cientistas, no texto do artigo.

No comparativo entre os dois modelos de preservação – sem e com a participação das comunidades, a análise conclui que sem a participação é possível que se crie barreiras entre grupos humanos e a prioridade de preservação, além da perda do saber local e da resiliência socioecológica. Com isso, o sistema também continua vulnerável a pressões externas, como o desmatamento, ou até mesmo ineficaz frente às mudanças climáticas.

Em contrapartida, benefícios do manejo colaborativo podem resultar no comércio de pinhão sustentável, no turismo sustentável e em modelos que utilizem Programas de Pagamento por Serviços Ambientais, nos quais grupos de pequenos agricultores possam ser compensados pela manutenção dos remanescentes da floresta. “Acredita-se que até 33% dos remanescentes de toda a Floresta de Araucárias estejam nas Reservas Legais, enquanto apenas 10% estejam inseridos em Unidades de Conservação e Reservas Particulares”, indica o pesquisador.

Há, ainda, um potencial de conservação de remanescentes de Floresta com Araucária nas propriedades rurais com a possível recuperação e expansão de Florestas de Araucárias. “Nosso modelo tenta prever como seria para a mata a possibilidade de um manejo colaborativo. Manter a floresta preservada e o conhecimento tradicional dos pequenos proprietários gera um feedback positivo, fazendo com que a floresta cresça e se expanda, como indígenas fizeram com essa floresta no passado, devido à forte relação entre os assentamentos indígenas e o consumo do pinhão”.

Para estes modelos, entretanto, é necessário que se pense em políticas ambientais que incluam os produtores e a comunidade nas áreas de ocorrência da Floresta de Araucárias. “Estratégias de conservação apenas restritivas devem ser balanceadas com o manejo colaborativo, onde as limitações de um modelo possam ser amparadas pelas qualidades de outro, pois ambos modelos não são excludentes, mas sim complementares”, conclui.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Doutoranda da UFSC é premiada por projeto que pode antecipar casos graves da Covid-19 em pacientes

10/05/2021 08:55

A identificação de quadros graves da Covid-19 é tão necessária quanto imprevisível. O projeto de Franciele de Matos Morawski, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mostra resultados promissores na realização de prognósticos que antecipam se o paciente irá desenvolver um quadro grave da doença. O projeto, intitulado Eletrodo biocompatível e biodegradável aplicado ao monitoramento de pacientes infectados com COVID-19, recebeu o prêmio de primeiro lugar na edição do Tech Women Paper Contest 2021 – Soluções e Inovação de Tecnologia em Sustentabilidade.

O método elaborado por ela é parecido com um glicosímetro: utiliza-se uma gota de sangue em contato com o sensor, que identifica por meio de correntes os níveis de interleucina-6 (IL-6) no sangue do paciente. “Os estudos têm demonstrado que os pacientes internados com Covid-19 apresentam uma elevação da interleucina-6 no sangue, principalmente quando eles evoluem para casos mais graves. Quando o paciente é internado, você conseguiria fazer uma avaliação desses níveis de interleucina-6 de uma maneira rápida e barata, com um sensor que possibilita o monitoramento da proteína em tempo real e, a partir disso, auxiliar a equipe médica para tomar decisões sobre manter o paciente em observação e fazer um maior acompanhamento”, afirma a pesquisadora.

O sensor é de fácil fabricação, além de ser biocompatível e biodegradável. Foram utilizados na sua construção a quitosana, proveniente da casca dos crustáceos, e um outro agente ligante verde para realizar a imobilização de um anticorpo no eletrodo, que irá reagir proporcionalmente com a quantidade de proteína IL-6 no sangue do paciente, o que garante uma alta eficiência. O prognóstico é disponibilizado em cerca de meia hora. “Os testes que temos disponíveis hoje não conseguem satisfazer as necessidades da equipe médica para conseguir visualizar o quadro e ministrar os remédios. Por exemplo, há um remédio que inibe o IL-6, que tem se mostrado promissor contra o Covid, que custa em média R$ 7 mil, mas se você não sabe se o paciente tem um nível elevado dessa proteína, não tem por que aplicar. Então, é preciso ter esse mapeamento: e só com um sensor em tempo real você consegue perceber”.

Esse mapeamento pode ser utilizado em pacientes positivados e que apresentam sintomas da doença. Inicialmente, o projeto, que começou a ser planejado em 2018, tinha como objetivo traçar o aumento do biomarcador inflamatório IL-6 como um biomarcador de câncer. Mas a proposta se tornou promissora para combater o coronavírus. Além de apresentar resultados mais rápidos do que o método ELISA – que se baseia em reações antígeno-anticorpo- , a utilização do eletrodo também é mais barata.

Com a aprovação do Comitê de Ética, o trabalho passa para a etapa científica final, em que será realizada uma parceria com o Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC), para comparar amostras de pacientes dosando a proteína IL-6 com os dois métodos citados.

Imagem de Francielle durante a premiação

O desenvolvimento da pesquisa de Franciele ocorreu sob orientação da professora Cristiane Jost, em parceria com o professor André Bafica do departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, para desenvolver o trabalho aplicado na área de diagnóstico clínico. A partir dessa parceria, e em conjunto com a pós-doutoranda Greicy Dias, foi possível realizar os testes, ensaios clínicos e validação da pesquisa.

Durante a premiação da edição do Tech Woman Paper Contest, Franciele reconhece a importância de ter realizado seu trabalho sob orientação e colaboração de mulheres, demonstrando sua admiração e inspiração pelas participantes do evento. “Eventos que incentivam esse tipo de iniciativa e premiam mulheres que estão trabalhando com pesquisa e se dedicando acabam dando uma nova perspectiva para o nosso trabalho, como se fosse um combustível para continuar”.

Confira a premiação:

Luana Consoli/Estagiária de Jornalismo da Agecom/UFSC
Imagem de destaque:  fernando zhiminaicela por Pixabay 

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Pesquisadores propõem técnicas para aprimorar a análise de riscos de transgênicos

04/05/2021 13:11

Parte dos experimentos foi feita em estufa da Fazenda Experimental da Ressacada, na UFSC. Foto: Rodrigo Sant’anna

Os transgênicos representam 94% de toda a soja, o milho e o algodão plantados no Brasil, segundo dados de 2019 do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Agrobiotécnicas (Isaaa). A área plantada com as sementes geneticamente modificadas no país só é superada pela dos Estados Unidos. Apesar dessa ampla utilização e distribuição, muitas incertezas permanecem em relação à segurança desses organismos que, em um processo de melhoramento genético, tiveram um gene de outra espécie adicionado aos seus. Antes de chegar nas mãos do agricultor, todos eles têm que passar por um processo de avaliação de risco, que considera – ou ao menos deveria considerar – possíveis prejuízos para seres humanos, animais e o meio ambiente. Essas análises realizadas atualmente, contudo, são bastante limitadas e não levam em conta potenciais “efeitos colaterais” que a inserção de um novo gene podem desencadear, principalmente quando combinada a situações de estresse comuns durante o cultivo, como a seca ou a aplicação de agrotóxicos.

“Hoje, basicamente, eles fazem uma caracterização molecular do evento que foi inserido. Vou dar um exemplo: a Monsanto, que é uma das empresas, vai lá e faz a modificação genética de um gene ou dois, faz a caracterização daquilo que foi inserido e uma análise composicional de cerca de 50 a 60 compostos nutricionais. É basicamente isso, tem outros parâmetros agronômicos, mas não tem nenhum nenhum estudo aprofundado de possíveis modificações no metabolismo da planta”, explica Rafael Benevenuto, pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Rafael faz parte de um grupo que congrega cientistas da UFSC, do Centro de Biossegurança da Noruega (GenØk) e da Agência Federal Alemã de Conservação da Natureza (BFN), sendo este último o principal financiador do estudo. Com o projeto GMOmics – Técnicas ômicas como ferramentas úteis para abordar lacunas emergentes na avaliação de risco de organismos geneticamente modificados, os pesquisadores pretendem colaborar para o aprimoramento das análises de segurança a partir do uso de tecnologias que permitam uma visão mais abrangente do que acontece na planta que foi alvo da modificação genética.
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Cientificamente Falando: exoplanetas é tema de novo episódio da série animada

28/04/2021 19:10

‘Cansado da vida na Terra? Que tal procurar outro planeta?’ – com essas duas perguntas o novo episódio do Cientificamente Falando apresenta o conceito de exoplaneta e os desafios da ciência em encontrar planetas distantes e analisar suas condições iniciais para abrigar vida.

A humanidade se questiona há séculos sobre a possibilidade de haver vida em outros planetas e se será possível um dia migrarmos a algum deles. Para responder se um planeta é habitável são dois os desafios: encontrar os planetas e identificar se possuem condições para abrigar vida. Encontrar planetas tem como desafio a impossibilidade de visualizar corpos sem luz própria, ao que duas técnicas são exibidas no vídeo animado. Uma vez descobertos um planeta, a pergunta é: pode abrigar vida?
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Sistema gratuito automatiza análise de regiões costeiras e pode impactar políticas públicas

26/04/2021 10:09

Uma ferramenta para análise e mapeamento das regiões costeiras que processa imagens de  satélite e define as linhas de costa via Computação em Nuvem – ou seja, sem necessidade de armazenamento no dispositivo – é um dos resultados do projeto Bay Squeeze, coordenado, na UFSC, pelo professor Antonio Klein, do Laboratório de Oceanografia Costeira. Um artigo publicado no periódico Environmental Modelling and Software apresenta e detalha o sistema, ainda em desenvolvimento, produzido com a parceria da Universidade do Vale do Itajaí e colaboração da Universidade Federal de Rio Grande, e do COLAB +ATLANTIC LVT, de Portugal. Seus resultados podem prever impactos comparando o passado e o presente e orientando políticas públicas de gestão costeira.

Denominado C.A.S.S.I.E. – Coastal Analysis System via Satellite Imagery Engine, o sistema automatiza um processo que até então dependia da digitalização de fotografias aéreas, com cálculos de sua resolução e comparação com as imagens de satélite disponíveis a uma determinada altitude. “Mais recentemente algumas aplicações comerciais foram desenvolvidas. E outro grupo desenvolveu um sistema que as imagens da área de interesse são baixadas no computador.  O C.A.S.S.I.E. faz todo processamento e definição da linha de costa na ‘nuvem’, a partir de imagens de satélites disponíveis de forma gratuita via Google Enginee, em diferentes plataformas”, explica Klein.

 

Ferramenta mostra histórico de erosão e acresção em Itapoá, no Litoral Norte (Imagem: Israel Efraim de Oliveira/Univali)

 

O trabalho de análise das costas possibilita desde a avaliação do impacto da ação humana nas praias e mangues, por exemplo, até a compreensão dos efeitos naturais e processos de erosão e acreção – perda ou acréscimo de sedimentos, respectivamente. As chamadas linhas de costa marcam o limite entre água e terra e podem representar diagnósticos ambientais necessários para políticas públicas.
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Pesquisadores da UFSC Curitibanos analisam a capacidade da cereja-do-mato de combater tumores

13/04/2021 13:15

Pouco conhecida e explorada comercialmente, a Eugenia involucrata é uma árvore frutífera nativa do Sul do Brasil. Foto: Mauricio Mercadante/CC BY-NC-SA 2.0

A cereja-do-mato ou cereja-do-rio-grande, como também é conhecida, é uma fruta nativa do Sul do Brasil e especialmente abundante na região de Curitibanos. Apesar de muito saborosa, ótima para comer pura ou em geleias, ela ainda é pouco conhecida e explorada comercialmente. Foi com a intenção de investigar as propriedades da fruta e colaborar para sua valorização que um grupo interdisciplinar do Campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deu início ao projeto de pesquisa que, atualmente, dedica-se a investigar o potencial dos extratos de Eugenia involucrata – nome científico do pé de cereja-do-mato – para combater tumores.

O estudo, que começou em 2016, envolveu a avaliação da composição e das propriedades antioxidantes de diferentes partes da planta – fruta, folhas e sementes – e confirmou que ela pode ser uma importante fonte de compostos bioativos (substâncias que não são essenciais para o funcionamento do corpo, mas trazem diversos benefícios para a saúde). O que chama mais atenção, contudo, são os experimentos relacionados à capacidade antitumoral da cerejeira. O trabalho, alerta a professora do Departamento de Agricultura, Biodiversidade e Florestas Evelyn Winter, ainda está em fase inicial – passou apenas por testes com culturas de células em laboratório –, mas os resultados preliminares são promissores. 

Os extratos da planta foram aplicados em células de câncer de pâncreas, um tipo bastante agressivo e com alta taxa de mortalidade, e os resultados foram comparados com o quimioterápico gencitabina, utilizado no tratamento da doença. Observou-se que o extrato de cerejeira matou mais células tumorais e foi menos tóxico para as células saudáveis que o medicamento padrão. Ele também diminuiu a multiplicação do tumor e, consequentemente, seu crescimento e propagação – o que pode indicar a capacidade de evitar a metástase do câncer. 
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Estudos genéticos desenvolvidos na UFSC contribuem com a identificação de produtos tradicionais de SC

08/04/2021 09:28

Uma mesa com ostra e cachaça pode dizer mais sobre Santa Catarina do que se imagina, mais especificamente sobre as cidades de Florianópolis e Luiz Alves, no Vale do Itajaí, a cerca de 135 quilômetros da Capital. Comprovar que esses produtos têm suas peculiaridades e são diferentes do que se encontra no mercado é um dos objetivos de um projeto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com o Sebrae – o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Com ferramentas da genética e da biotecnologia, os cientistas têm encontrado respostas que chamaram a atenção de outras regiões do país. A pesquisa é coordenada pelo professor Valdir Stefenon, do Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento e Genética Vegetal.

O pontapé inicial do estudo envolve uma proposta do Sebrae de buscar entender por que a iguaria produzida em Luiz Alves é especial. “Os produtores locais diziam que a cachaça era diferente e que isso já vem acontecendo há cinco ou seis gerações, mas queriam provar que era isso mesmo”, conta. O segredo, na verdade, estava na caracterização biológico-molecular da levedura de fermentação de cachaça e aguardente utilizada pelos alambiques da cidade, conforme aponta o relatório das análises.

Fotos: Acervo do pesquisador

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Professor visitante da UFSC faz parte de grupo que encontrou a ‘mítica’ partícula de odderon, procurada há quase 50 anos

05/04/2021 14:23

Roman Pasechnik é professor visitante do Programa de Pós-graduação e Física da UFSC e pesquisador da Universidade de Lund. Foto: Gunnar Ingelman

Foram 48 anos de buscas que envolveram pesquisadores de todo o mundo até que, finalmente, fossem encontradas evidências da partícula de odderon – um elemento um tanto estranho, chamado de esquivo e até de mítico pela comunidade científica internacional e que, apesar do nome, na verdade, não é bem uma partícula (mas a gente já fala sobre isso). A descoberta, descrita em artigo publicado na revista científica The European Physical Journal C, envolveu uma extensa análise de dados experimentais do Grande Colisor de Hádrons do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), localizado na fronteira entre a Suíça e a França, e do Tevatron, antigo acelerador de partículas do Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), dos Estados Unidos. O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisa sueco-húngaro, do qual faz parte Roman Pasechnik, professor visitante do Programa de Pós-graduação em Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador de física de partículas da Universidade de Lund, da Suécia.

O caráter internacional do achado remete à sua origem. A existência da partícula de odderon foi proposta em 1973 pelo romeno B. Nicolescu e pelo polonês L. Lukaszuk, que, na época, trabalhavam na França e publicaram o estudo em um periódico italiano. Os cálculos dos dois físicos indicaram que havia uma quase-partícula até então desconhecida, o que desencadeou uma caçada mundial.

O “quase” ali de cima significa que o odderon não se trata de uma partícula propriamente dita, como são os prótons, elétrons e nêutrons, por exemplo. As quase-partículas podem ser melhor descritas como fenômenos que ocorrem nesses sistemas microscópicos. No caso, o odderon é algo que se forma brevemente quando prótons se chocam em colisões de alta energia e, em vez de se estilhaçar, ricocheteiam e se espalham. “Nós o observamos indiretamente apenas como um estado multiglúon virtual sem massa bem definida e existindo apenas em uma escala de tempo minúscula”, explica Pasechnik.
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Pesquisa investiga notificação de vitaminas e minerais em rótulos de alimentos para crianças

05/04/2021 10:03

A nutricionista e pesquisadora da UFSC Amanda Corrêa Martins avaliou em sua dissertação de mestrado a notificação de vitaminas e minerais em alimentos industrializados direcionados ao público infantil e a sua sinalização na parte principal do rótulo. Essa estratégia de marketing consiste em destacar, por meio da Informação Nutricional Complementar (INC), a presença de vitaminas e minerais na composição dos alimentos. Com isso, mesmo alimentos ultraprocessados podem ser vistos como saudáveis aos olhos das crianças.

Essas substâncias podem estar na composição de forma natural ou por seus ingredientes, e “é possível também que os fabricantes adicionem esses micronutrientes de forma assintética para fins comerciais”, destaca Amanda. De todo modo, essa informação é importante para auxiliar o cliente nas suas escolhas alimentares, visto que a INC corresponde a “qualquer representação que possa afirmar, sugerir ou implicar alguma propriedade nutricional do alimento”, como indica a nutricionista.

O problema surge com o uso isolado da Informação Nutricional Complementar, isto é, apenas para fins comerciais. É direito do consumidor ter acesso a informações adequadas e claras sobre os alimentos que consome. Para garantir isso, a rotulagem de alimentos contém lista de ingredientes, tabela nutricional e a Informação Nutricional Complementar (INC). Esses elementos têm a função de indicar e informar sua composição e a quantidade de cada nutriente.

Outro ponto levantado pela nutricionista é como isso pode interferir na alimentação da criança: “A ideia de ingerir vitaminas e minerais por meio de alimentos industrializados pode afetar negativamente a ingestão de frutas, verduras, legumes, carnes, leite e derivados, desestimulando uma alimentação saudável nessa fase da vida.” Durante a infância é papel dos pais contribuir com a formação dos hábitos alimentares dos seus filhos e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, priorizando alimentos in natura, como vegetais, tubérculos, legumes, ou então, minimamente processados.

“Contém vitamina C” é um exemplo do uso da Informação Nutricional Complementar e pretende despertar o interesse no consumidor por conter essa vitamina. “Às vezes esse alimento pode de fato ser rico em vitamina C, mas quando a gente vai olhar no rótulo, na lista de ingredientes, na tabela de informação nutricional, a gente vê que tem características que tornam ele um alimento não indicado para o consumo da criança”, reforça a pesquisadora.

Compreender o uso da INC foi o objetivo da dissertação da nutricionista sob a orientação da professora Paula Lazzarin Uggioni e coorientação da professora Vanessa Mello Rodrigues. O trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (Nuppre) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre a rotulagem de alimentos. 
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Estudo revela que savanas nativas se expandem no coração da Amazônia após incêndios florestais 

05/03/2021 16:48

Incêndios têm provocado alterações na abundância de espécies de árvores e na composição do solo. Foto: Katie Maehler/Mídia Ninja [CC-BY-NC]

Florestas no coração da Amazônia já estão sendo substituídas por savanas nativas devido a incêndios florestais recorrentes, revela um estudo publicado na última quarta-feira, 3 de março, na revista científica internacional Ecosystems. A partir de imagens de satélites dos últimos 40 anos e de pesquisas de campo, os cientistas constataram uma série de mudanças na composição do solo e na distribuição de espécies de árvores. O trabalho foi conduzido por Bernardo M. Flores, pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Milena Holmgren, professora da Universidade Wageningen, na Holanda.

Os autores destacam que, por muito tempo, as partes periféricas da Floresta Amazônica foram consideradas as mais vulneráveis, à medida que as atividades humanas avançavam ao longo do Arco do Desmatamento – região que vai de leste e sul do Pará em direção oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre. O artigo divulgado nesta semana, contudo, refere-se a uma paisagem de ecossistemas inundáveis no médio Rio Negro, uma região remota, longe da fronteira agrícola, na qual manchas de savana de areia branca ocorrem espalhadas em meio a áreas bem preservadas.

Os pesquisadores mapearam, por meio de imagens de satélite, quatro décadas de incêndios florestais e coletaram informações detalhadas em campo, visando avaliar alterações na abundância de espécies de árvores e nas propriedades do solo em florestas queimadas em diferentes momentos do passado. Eles salientam que os incêndios florestais mataram praticamente todas as árvores, permitindo que a camada superficial do solo, rica em argila, sofresse erosão com as inundações anuais e se tornasse gradualmente arenosa. Além disso, os tipos de árvores mudaram à medida que as espécies típicas das savanas de areia branca se tornaram cada vez mais dominantes nas florestas queimadas, junto com as plantas herbáceas nativas.
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Pesquisa interdisciplinar busca medir vulnerabilidades e resiliência da Amazônia

02/03/2021 12:14

Estudo envolve especialistas em matemática, computação, ecologia e processos hidrológicos. Foto: Deliane Penha

Em seus mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia é bastante heterogênea. Suas milhares de espécies de plantas habitam ambientes diversos, repletos de particularidades e sujeitos a variados tipos de perturbações de origens naturais e humanas – como secas, queimadas e desmatamentos. Entender como esses distúrbios afetam o crescimento e a morte da vegetação é essencial tanto para a implementação de políticas de conservação e recuperação do bioma quanto para sabermos o que esperar do futuro da maior floresta tropical do mundo.

É justamente com a intenção de desenvolver ferramentas que possam colaborar com essa compreensão que um grupo interdisciplinar de pesquisadores se uniu, sob coordenação da professora do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Marina Hirota. A proposta da equipe é identificar os mecanismos relacionados às respostas de diferentes espécies de plantas à falta de água para, então, desenvolver um framework – uma espécie de modelo que possa ser aplicado para medir a resiliência da floresta, ou seja, sua capacidade de resistir e recuperar-se diante de situações adversas. O projeto de pesquisa é financiado pelo Instituto Serrapilheira, instituição privada de fomento à ciência, e conta com a participação de especialistas em matemática, computação, ecologia e processos hidrológicos da UFSC, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Rutgers University (Estados Unidos), da University of Birmingham (Inglaterra) e da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha).

Marina explica que a seca na Amazônia tem se intensificado de forma recorde nos últimos anos. As mudanças climáticas e de uso da terra e o aumento do desmatamento já provocam alterações no regime de chuvas, na vulnerabilidade da floresta ao fogo e na mortandade de espécies. E, se nada for feito, essas questões só irão se exacerbar. A previsão dos cientistas é que o aumento da temperatura e a diminuição das chuvas provoquem secas cada vez mais prolongadas e severas – daí a necessidade de contarmos com dados confiáveis e a capacidade de fazer previsões.
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Projeto da UFSC propõe pequenas mudanças de hábito com grande impacto ao meio ambiente

02/02/2021 14:31

A inquietação de um grupo de alunos sobre hábitos de consumo, dentro e fora da Universidade Federal de Santa Catarina, gerou o projeto UFSC sem plástico. A iniciativa foi criada em 2018 e o trabalho continua sendo difundido, agora com foco na pandemia de Covid-19 e no consequente isolamento social. O principal objetivo desta ação estudantil permanece o mesmo: reduzir e até mesmo erradicar a utilização de plásticos de uso único, além de sensibilizar a comunidade interna e externa à instituição sobre a importância de escolhas mais conscientes e que causam grande impacto ao meio ambiente.

Com a suspensão das atividades presenciais de ensino e administrativas na UFSC, em março de 2020, o projeto prossegue incentivando práticas sustentáveis pelas mídias sociais. Dentre as atividades, nesse período de trabalho e de aprendizagem remotos, o lançamento de um manual sobre como gerar menos resíduos, incluindo um tópico sobre reciclagem.

“Acreditamos que uma universidade onde tem a educação ambiental como uma de suas prioridades, possui um efeito multiplicador e gerará um futuro melhor a sua cidade e aos seus cidadãos”. Assim esclarece a nutricionista Isadora Abrantes Bertoli, que juntamente com a oceanógrafa Lisiane Eble Heinzen de Liz, idealizaram o UFSC sem plástico. Ambas na época eram, respectivamente, alunas da graduação e da pós-graduação na Universidade, e a proposta estava inserida no Programa “Universidade Lixo Zero”. O grupo cresceu e se diversificou, aberto à participação voluntária de alunos de todos os cursos, que colaboram em atividades que vão desde gestão à identidade visual. A iniciativa conta, ainda, com o apoio da Coordenadoria de Gestão Ambiental (CGA) da UFSC.
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Professor da UFSC desenvolve software livre que pode baratear produção de novos fármacos

01/02/2021 09:05

Um programa computacional poderá ser um aliado da indústria farmacêutica para agilizar o processo de descoberta de novos fármacos. O software BAT.py foi desenvolvido pelo professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Germano Heinzelmann. Ele simula, a partir de cálculos físico-matemáticos, a interação entre a proteína e as moléculas que podem originar novas drogas, agilizando uma etapa inicial e barateando custos.

Heinzelmann assina o artigo Automation of absolute protein-ligand binding free energy calculations for docking refinement and compound evaluation, recentemente publicado no periódico Scientific Reports, do grupo Nature. O professor da UFSC estuda o tema há cerca de 10 anos, com passagem pela Austrália e parcerias em San Diego, considerado um centro mundial de biotecnologia. O texto tem a co-autoria do professor Michael K. Gilson, da escola de Farmácia da Universidade de Califórnia, que atua com supercomputação e utilização de dados para acelerar a descoberta de drogas. 
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Gigante na Maricultura: produção da macroalga traz benefícios ao meio ambiente e ao produtor

22/01/2021 15:29

A macroalga Kappaphycus alvarezii é pesquisada na UFSC há mais de 10 anos. Foto: Divulgação

Mesmo sendo 2020 um ano em que a pandemia de Covid-19 paralisou muitas atividades econômicas, em se tratando da produção da macroalga Kappaphycus alvarezii houve dois avanços importantes. Em meio a tantas notícias nada animadoras para alguns setores estratégicos em Santa Catarina, este pode comemorar a liberação e a regularização, por parte dos órgãos ambientais e de fiscalização, do cultivo comercial dessa espécie no litoral catarinense.

Os dois marcos ocorreram, respectivamente, nos meses de fevereiro e de dezembro, e são os fundamentos legais para que a macroalga desponte como uma nova alternativa de renda aos maricultores da região, ao lado da reconhecida produção de ostras, mexilhões e vieiras. A emergência sanitária não interrompeu o trabalho de pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há mais de uma década e é essa história, cujo desfecho já foi antecipado, que será contada a seguir.

A pesquisa

A macroalga foi introduzida no Brasil, em 1994, pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Edison José de Paula, que trouxe um clone da espécie proveniente do Japão. O desafio da sua pesquisa era suprir a ausência de uma espécie nativa economicamente viável para a Maricultura. Os primeiros experimentos foram realizados no município de Ubatuba, no litoral paulista, e, concomitantemente, buscava-se a legalização desse tipo de cultivo no país.
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UFSC na mídia: descoberta de professores integra catálogo internacional de busca por vida extraterrestre

11/01/2021 20:01

Estrela VVV-WIT-007 marcada ao centro. Foto: divulgação

Destaque na publicação internacional Air and Space Magazine, a VVV-WIT-07 é uma estrela tão peculiar que talvez a explicação para seu comportamento seja atividade extraterrestre. O objeto, identificado pelo projeto VVV (VISTA Variables in the Via Lactea), que tem como um dos líderes o astrônomo Roberto Saito, e como co-autor da descoberta Raymundo Baptista,  ambos professores do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pode abrigar estruturas extraterrestes e, por esse motivo, foi incluído em catálogo internacional do mais reconhecido projeto científico internacional de busca por vida inteligente fora da Terra.
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Pesquisa da UFSC pode dar respostas sobre origem e circulação do novo coronavírus no Estado

08/01/2021 15:00

De onde vêm as variantes do novo coronavírus identificadas em Santa Catarina? Como elas chegaram até aqui? São mais próximas àquelas identificadas na Europa, nos Estados Unidos? Há muitas perguntas que podem ser respondidas a partir do sequenciamento do genoma do microorganismo em cem amostras coletadas nas diferentes regiões do Estado. O trabalho é liderado pelo professor Glauber Wagner, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). O pesquisador faz parte do Laboratório de Bioinformática do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Núcleo de Bionformática e Biologia Computacional do Centro de Ciências Biológicas.

Segundo o professor, a ideia é verificar quais variantes do vírus estão em circulação no Estado. As amostras de pacientes diagnosticados com Covid-19 em diferentes regiões do Estado são processadas e amplificadas para depois seguirem para a etapa de sequenciamento, realizada pela Biome-Hub, empresa parceira.

Estudos podem dar mais informações sobre vírus que circula no Estado (Fotos: Divulgação/Mauricio Vieira/Secom)

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