Estudo pode levar a novos tratamentos contra o câncer e doenças autoimunes

16/04/2019 08:59

Uma descoberta realizada por equipe de pesquisa internacional, com a participação de pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pode sugerir novos caminhos para o tratamento de câncer e de doenças autoimunes. O estudo que foi publicado no final de 2018 na revista Nature (2018), revela que a atividade de células imunes, em particular das células T, pode ser manipulada para aumentar a imunidade contra o câncer ou bloquear doenças autoimunes, como alergia ou colite.

A publicação na Nature tem coautoria da professora Alexandra Latini, do Departamento de Bioquímica do Centro de Ciências Biológicas, da pós-doutoranda Débora da Luz Scheffer e da doutoranda Bruna Lenfers Turnes, todas vinculadas ao Laboratório de Bioenergética e Estresse Oxidativo (LABOX) da UFSC.

Pesquisadoras do LABOX Alexandra Latini, Bruna Turnes e Débora Scheffer. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/UFSC

As células T participam na resposta imune e detectam proteínas estranhas presentes, por exemplo, em patógenos – assim que as encontram, as células T proliferam para combater as ameaças ao organismo. Porém, um problema comum é que as células T podem ser direcionadas contra as próprias proteínas do corpo, levando a reações alérgicas e doenças autoimunes. “Em contrapartida, um câncer consegue se desenvolver porque nossas células imunológicas normais não o reconhecem como inimigo”, afirma a professora Alexandra Latini.

No estudo da Nature, os pesquisadores mostram que a BH4 (molécula solúvel sintetizada por todas as células do organismo) controla a proliferação das células T, e que, se a produção de BH4 é bloqueada, a atividade delas é diminuída, “fato que seria necessário em doenças que cursam com processos inflamatórios crônicos, como a colite”, diz Latini. Por outro lado, se a produção de BH4 na célula T é estimulada, a atividade antitumoral também é impulsionada. “O trabalho mostrou, que o bloqueio genético ou farmacológico da síntese de BH4 limita a proliferação e infiltração de células T maduras em condições inflamatórias. As modificações na biologia da célula T induzidas pelo bloqueio na síntese de BH4 envolveram alterações na função mitocondrial e no metabolismo do ferro. No entanto, um aumento na agressividade das células T foi observado quando a via metabólica da BH4 foi ativada geneticamente, provocando um aumento de atividade antitumoral”, explica a professora.
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UFSC na mídia: pesquisadores estudam alternativa de tratamento contra o câncer

28/09/2017 17:41

Engenheiros mecânicos e médicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se juntaram para estudar uma alternativa de tratamento contra o câncer. Os profissionais estão desenvolvendo um tipo de implante com medicamentos que pode substituir a quimioterapia convencional.

A reportagem foi veiculada no Jornal da Record, em 27 de setembro, e pode ser conferida aqui.

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Trabalhos da UFSC ajudam a elaboração de novas recomendações da Espen

31/10/2016 16:00

Dois estudos realizados na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram selecionados para criar uma recomendação específica sobre o uso de ácidos graxos ômega-3. Esses estudos correspondem à pesquisa de mestrado de Juliana de Aguiar Pastore Silva e à tese de doutorado de Michel Carlos Mocellin, ambos do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN). Os trabalhos tiveram orientação do professor Erasmo Benicio Santos de Moraes Trindade, em parceria com os professores Tânia Silvia Fröde, Everson Araújo. Nunes, Yara Maria Franco Moreno e Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates. As pesquisas colaboraram para a elaboração de 44 recomendações.
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Cápsulas de óleo de peixe contribuem no tratamento de câncer colorretal

11/10/2012 13:24

O estudo realizado pelo mestre em Nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina, Michel Carlos Mocellin, mostra que o consumo diário durante nove semanas de duas gramas de óleo de peixe em cápsula contendo 600 mg dos ácidos graxos ômega-3 reduz os níveis da proteína C-reativa (PCR), composto que indica a presença de inflamações. Os ácidos graxos ômega 3 são componentes orgânicos encontrados na gordura dos peixes de água fria, em sementes e no óleo de linhaça. O consumo diário da cápsula também evita o aumento no risco de complicações inflamatórias e nutricionais quando avaliada pela relação da PCR com albumina sérica, proteína mais abundante do soro sanguíneo. O estudo envolveu 11 adultos portadores de câncer colorretal em quimioterapia assistidos no ambulatório do Centro de Pesquisas Oncológicas de Florianópolis (CEPON-SC).

A inflamação crônica pode levar ao desenvolvimento de câncer ou mesmo surgir paralelamente a carcinogênese – processo de formação do tumor. O principal mecanismo promotor da inflamação relacionada ao câncer é a ativação de fatores de transcrição – que iniciam, estimulam e encerram o processo de transcrição gênica para a produção de substâncias inflamatórias – em células tumorais, imunitárias e do tecido subjacente ao tumor. Estes fatores de transcrição recrutam células do sistema imunitário para a região tumoral, estimulando a produção e secreção de substâncias químicas, como as citocinas, que coordenam o processo inflamatório. Também deve-se considerar que o tratamento anticâncer – cirurgia, radio e/ou quimioterapia – com alta capacidade de nocividade orgânica contribui com a inflamação por causar o desequilíbrio das funções celulares ou stress celular- processo chamado de injúria celular.

Potencial em modular a inflamação

O estudo foi pioneiro ao avaliar os níveis plasmáticos de citocina IL-17A – proteína produzida durante um processo inflamatório – neste modelo clínico. Quando avaliadas algumas citocinas pró e anti-inflamatória, não foi observado diferenças significativas entre o grupo que recebeu a suplementação de óleo de peixe e aquele que não recebeu. Ao analisar o nível da PCR no sangue, nota-se um aumento na produção dessa proteína no grupo que não recebeu óleo de peixe e uma redução no grupo suplementado ao final das nove semanas de estudo. Passado o período de testes, os pacientes que receberam diariamente a cápsula de óleo de peixe tiveram uma concentração de 1,46 mg/L de PCR no sangue – a concentração da PCR normal em um adulto é de até 5 mg/L. “Estes últimos resultados sugerem potencial atividade do óleo de peixe, mais especificamente dos ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 presentes no óleo de peixe, em modular a inflamação relacionada ao câncer”, afirma Mocellin.

Os prováveis mecanismos que atribuem ao óleo de peixe à redução da atividade inflamatória envolvem modificações na composição de membranas celulares, produção de metabólitos lipídicos com atividade anti-inflamatória e alterações na expressão gênica de sinais de transcrição responsáveis pela síntese de citocinas pró-inflamatórias. Adicionalmente, os pesquisadores observaram que a suplementação pareceu exercer efeito protetor contra a perda de peso induzida pela doença e pelo seu tratamento – indivíduos que receberam óleo de peixe ganharam ou mantiveram seu peso (1,2 kg), à medida que os indivíduos do grupo sem suplementação perderam (-0,5 kg).

A inflamação tem uma série de efeitos indesejados no câncer que incluem: menor resposta e resposta alterada ao tratamento, promoção e progressão do tumor, aumento da demanda energética e perda de peso, o que acaba culminando com uma pior evolução clínica do paciente. Por isso, os pesquisadores acreditam que seja importante modular o processo inflamatório ativo e permanente, presente no ambiente tumoral.

Confirmação de pesquisa

Os resultados desta dissertação confirmam o estudo desenvolvido pelo grupo de pesquisa de autoria da mestre Juliana de Aguiar Pastore Silva, no qual 23 indivíduos portadores de câncer colorretal em quimioterapia foram suplementados com 2 g/dia de óleo de peixe durante nove semanas. “Acreditamos que as evidências fornecidas por esses estudos sustentem a afirmação de que 2 g/dia de óleo de peixe, contendo aproximadamente 600 mg de ácidos graxos ômega-3, seja um potencial colaborador no tratamento quimioterápico do câncer de cólon e reto”, garante Mocellin. Perspectivas futuras incluem a suplementação em diferentes tipos de câncer (gástrico, esofágico, pancreático e hematológico) e análises de linhagens celulares produtoras de citocinas específicas.

O projeto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) e pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC. Durante as pesquisas, o estudo contou com o apoio dos profissionais do CEPON-SC, além do Laboratório Santa Luzia, Phytomare Suplementos e Laboratório de Investigação de Doenças Crônicas do Departamento de Fisiologia da UFSC.


Mais informações:

Michel Carlos Mocellin

Professor  Erasmo Benicio Santos de Moraes Trindade

 

Fonte: Michel Carlos Mocellin
Edição: Poliana Dallabrida/ Estagiária de Jornalismo da Agecom / UFSC

Foto: SXC

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Especial Pesquisa: Estudos geram conhecimento sobre funcionamento molecular do câncer

24/02/2011 10:35

O câncer é uma doença que altera o equilíbrio das células normais. A trajetória esperada para estas pequenas estruturas que formam os seres vivos é a divisão, crescimento, multiplicação e morte. Mas, por algum motivo, o câncer muitas vezes promove a divisão celular sem controle.

A quimioterapia procura atacar essa multiplicação descontrolada das células tumorais. Porém, atinge também outras células, provocando sintomas como queda de cabelo, vômitos, diarréia e enfraquecimento do sistema imunológico, nossa defesa contra as doenças.

Um dos desafios da ciência atual é investigar drogas “inteligentes”, que ataquem com eficiência não apenas as consequências, mas as causas do câncer, sem provocar tantos efeitos colaterais. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participa desse esforço. Entre os estudos estão trabalhos desenvolvidos em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Na UFSC atuam professores, estudantes de pós-graduação e de graduação do Departamento de Química (ligado ao Centro de Ciências Físicas e Matemáticas) e do Departamento de Bioquímica (ligado ao Centro de Ciências Biológicas). A meta é aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos moleculares envolvidos com o câncer, aproveitando o potencial da engenharia genética e da nanobiotecnologia.

Manipulando o DNA
Os trabalhos são estimulados pelo avanço das investigações envolvendo a genômica, capaz de mapear os genes de diversos organismos. Esse conhecimento tem influenciado a busca por estratégias que possam ser utilizadas para manipular o DNA (moléculas que contêm as instruções genéticas dos seres vivos) e o RNA (responsável pela síntese de proteínas, principais compostos constituintes dos seres vivos e que estão em produção constante pelas células).

A pesquisa investiga processos químicos como a degradação das proteínas e ácidos nucléicos (DNA e RNA), explicam os professores da UFSC Ademir Neves e Hernán Terenzi, pesquisadores do projeto que tem apoio do CNPq.

Segundo eles, a expectativa é avançar o conhecimento sobre fenômenos que possam dar suporte ao desenvolvimento de agentes quimioterápicos capazes de bloquear a expressão gênica do câncer. Esse processo traz esperanças para conter a multiplicação descontrolada das células “doentes”.

As equipes investem também na síntese de nucleases artificiais. Elas são enzimas que degradam o DNA e podem colaborar com o desenvolvimento futuro de drogas para combater o câncer (entre outras doenças, já que são pesquisas de base e podem gerar benefícios em aspectos não previstos pelos pesquisadores).

O grupo tem pesquisas neste campo há vários anos e resultados importantes já foram alcançados. São estudos que se destacam em processos de síntese e caracterização de novos complexos químicos e para algumas nucleases artificiais os mecanismos das reações foram completamente esclarecidos. Em 2007, por exemplo, o professor Ademir Neves publicou o primeiro exemplo de um modelo sintético para hidrolase (um tipo especial de enzima), conhecimento importante para compreensão da osteoporose e do câncer nos ossos.

As equipes investem também no estudo de nanopartículas metálicas de alta qualidade, que tenham tamanho e dispersão controlados. A idéia é que estas partículas possam ser usadas como “sondas” na determinação da estrutura do DNA e como  drogas quimioterápicas.

Além de já ter capacidade de obter e caracterizar estas partículas, o grupo realiza testes de atividade anti-tumoral in vitro, em células de tumor de pulmão de origem humana. Há ainda estudos para avaliar a toxidade dos novos compostos, realizados no Laboratório de Medicamentos a Base de Metais, do Departamento de Química da UFMG.

“Esperamos que as pesquisas tragam contribuições para obtenção de outros biomateriais e tratamento de diversas doenças.”, destaca o professor Ademir Neves, coordenador geral do projeto que já colabora com a formação de profissionais de alto nível.

Mais informações:

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

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