Pesquisadora da UFSC integra conselho editorial de revista do grupo Nature

08/10/2020 11:38

Oportunidade para a pesquisa de ponta da área de geociências produzida no Brasil e América do Sul: é assim que a professora da UFSC Regina Rodrigues (Coordenadoria Especial de Oceanografia) avalia sua indicação para compor o Conselho Editorial da revista Communications Earth & Environment, da nova série de periódicos open source do grupo Nature. Ela é a única da América do Sul no comitê composto por cientistas da Europa, Ásia, América do Norte e Oceania. O escopo da revista, aponta Regina, “são todas as áreas das ciências da Terra e planetárias, de atmosfera a oceanos, da hidrologia à geologia. Inclui todos os aspectos do sistema terrestre e clima, principalmente meio ambiente”.

O convite para participar do processo seletivo veio no final de julho, num e-mail explicando a proposta da revista: “Achei interessante, além dos benefícios e responsabilidades como membro do Editorial Board (em ver como as decisões são tomadas), a oportunidade de ajudar a pesquisa do Brasil. A Communications Earth & Environment quer construir a revista com a comunidade científica: ajudar a guiar a direção do editorial da revista, conversar com autores e leitores, particularmente da nossa área geográfica, sugerir conferências, visitas em laboratórios, escrever editoriais sobre assuntos regionais que não recebem tanta atenção”, exemplifica Regina. Após uma entrevista por telefone de quase uma hora com a editora-chefe do periódico, Heike Langenberg, a resposta positiva veio no início de agosto e começo oficial, em 1º de outubro.

Agora, a cientista da UFSC realiza o treinamento para manusear os sistemas da revista – ela terá de lidar com até cinco papers por mês na área de clima, dinâmica da atmosfera e oceanos, decidir com os outros colegas se um artigo vai ou não para revisão, achar revisores, fazer a comunicação entre revisores e autores, além de trabalhar com os três editores in-house da publicação.

O contato inicial dela com Heike Langenberg foi quando publicou um artigo na Nature Geoscience – o processo entre a submissão e publicação do artigo demorou seis meses. “Foi quando conheci ela profissionalmente”, diz Regina. Logo em seguida, o periódico publicou um relatório destacando a importância da diversidade no processo de revisão dos pares em suas páginas: mulheres são 22% dos autores e pessoas da América do Sul são mais raras ainda, apenas 1%. “A ideia da Drª Heike e do grupo Nature é a inclusão de pessoas de diferentes países e gêneros para aumentar a diversidade no processo científico. Na entrevista ela disse que, além de eu ter um excelente histórico de publicações, queria construir um Comitê Editorial diverso”, fala a professora da UFSC.

Este enviesamento do processo, Regina enfrentou quando tentou publicar um artigo na revista Nature Climate Change, do mesmo grupo. O editor informou, como motivo para a recusa, que o artigo sobre o sistema de monções da América do Sul e ondas de calor marinhas no Oceano Atlântico era “muito regional”. Na mesma época, a revista editou um artigo sobre algum aspecto climático de Alberta, uma província no Canadá. “É difícil não achar que tenha um pouco de preconceito. Quando tentei na Nature Geosciences, Drª Heike aceitou. É uma especulação minha, mas acho que uma editora mulher já tem mais esse tipo de preocupação”, opina.
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Cientistas pedem mudanças de políticas públicas socioambientais em artigo na revista Nature Ecology & Evolution

03/02/2020 13:19

Um alerta sobre a necessidade de o Brasil restaurar a governança dos serviços ecossistêmicos é o tema de artigo publicado na revista Nature Ecology & Evolution nesta segunda-feira, 3 de fevereiro, com co-autoria de professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina. O manifesto Help Restore Brazil’s Governance of Globally Important Ecosystem Services tem o apoio de 1.230 pesquisadores de diversas áreas e chama atenção para o “desmantelamento das políticas socioambientais do país”.

Três linhas de ação prioritárias são sugeridas no documento: o desenvolvimento de agroindústria sustentável; proteção e restauro de ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos; e fortalecimento dos direitos dos povos indígenas e tradicionais.

Os primeiros autores do artigo-manifesto são a pós-doutoranda do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC Carolina Levis e o pós-doutorando do Departamento de Biologia Vegetal da Unicamp Bernardo Flores. Carolina afirma que a costura para conseguir o apoio dos 1.230 pesquisadores iniciou dois meses atrás, antes da confirmação da publicação na Nature Ecology & Evolution, quando uma versão em português ficou disponível para visualização e assinatura. “Através da nossa rede de contatos (no total, são nove autores), circulamos para o máximo de pessoas possíveis por apenas uma semana, para diminuir o risco dessa mensagem circular antes do artigo ser aceito”.
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Pesquisa revela um dos mecanismos capazes de tornar células resistentes à morte celular

28/05/2019 12:00

O desenvolvimento de métodos para análise de proteínas de membranas envolvidas na morte celular resultou na descoberta de um mecanismo que evita essa ocorrência. O estudo publicado na Nature Communications tem a participação de Guilherme Razzera, professor do Departamento de Bioquímica do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e de pesquisadores de instituições de Portugal, Holanda e Alemanha.  O trabalho colaborativo demonstrou a possibilidade da transformação de células de câncer de cólon em células resistentes à morte.

Guilherme explica que as ceramidas, um grupo de lipídios presentes em todas as membranas,  induzem à morte celular quando acontece um aumento de sua quantidade dentro da mitocôndria, organela responsável pela maior parte da produção de energia do corpo. “Quando o aumento acontecia, desencadeava um processo de morte. E a gente não sabia exatamente qual era o mecanismo que envolvia isso”.

O pesquisador conta que houve a simulação computacional da membrana para ver exatamente quem participava desta morte em células de câncer de cólon. ”Descobrimos que se trocássemos especificamente uma parte de uma proteína (chamada VDAC2), essa morte não acontecia mais”. Posteriormente, houve testes em células reais de câncer de cólon e o resultado foi o mesmo: elas deixaram de ser induzidas à morte. “O trabalho é importante porque a gente conseguiu testar um mecanismo computacionalmente e validar isso experimentalmente. Foi a primeira vez que simulamos a membrana de uma mitocôndria”, relata Guilherme, que completa: “A célula vai continuar cancerígena. Mas agora se sabe o caminho que induz à morte. Então, podemos estimular a morte de células cancerígenas”.

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Egressos da UFSC publicam carta na Nature

22/02/2011 10:59

Dois egressos do curso de Biologia da UFSC, Carlos André Zucco e Gustavo de Oliveira Santos, atualmente doutorandos em Ecologia  na UFRJ, mas desenvolvendo pesquisa para a tese no Pantanal Sul-Matogrossense, junto à Embrapa de Corumbá, publicaram uma carta na seção de correspondências da prestigiada revista científica Nature. A publicação é uma das mais antigas e reconhecidas revistas científicas do mundo.

Na correspondência Carlos e Gustavo relacionam os trágicos acontecimentos ocorridos, neste início de ano, na região serrana do Rio de Janeiro, com a expansão sem planejamento de cidades e atividades urbanas sobre áreas de preservação permanente, como topo e encostas de morros e em áreas de drenagem. Os autores advertem para o risco da mudança do Código Florestal, com relaxamento da proteção legal conferida às áreas de preservação permanente, e indicam que estas mudanças vão na direção oposta às necessárias para garantir a segurança social e ambiental da população brasileira.

Mais informações: mjzucco@mbox1.ufsc.br

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