Pesquisa da UFSC mostra que plástico PET intoxica microcrustáceo na base da cadeia alimentar

07/03/2025 16:28

Estudo foi realizado no Laboratório de Toxicologia Ambiental (Labtox). Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Um estudo conduzido no Laboratório de Toxicologia Ambiental (Labtox) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou que o descarte inadequado de garrafas PET pode causar uma série de efeitos tóxicos em um pequeno crustáceo de água doce, a dáfnia. Por meio de testes em laboratório, os pesquisadores mostraram que a degradação do PET na água causa danos em células e mitocôndrias e afeta a reprodução, a alimentação e a locomoção desses animais, que estão na base da cadeia alimentar. Os resultados foram publicados na revista científica internacional Science of The Total Environment e fizeram parte da pesquisa de doutorado de Bianca Vicente Costa Oscar, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental.

“Pela literatura, a gente já sabe que os materiais plásticos, quando são liberados na água, sofrem fragmentação e liberam compostos químicos. Só que até que ponto essa fragmentação, cada vez em pedaços menores, interfere no organismo dos animais? E até que ponto esses compostos que o PET libera interferem também na vida do animal?”, questiona Bianca.

O animal escolhido para os testes foi a dáfnia (mais especificamente a espécie Daphnia magna), um microcrustáceo que pode chegar a cinco milímetros de comprimento. Elas vivem em água doce e se alimentam de partículas finas de matéria orgânica em suspensão, incluindo leveduras, bactérias e microalgas. Por outro lado, servem de alimento a peixes e diversos outros animais aquáticos. Então, qualquer impacto na população de dáfnias pode desequilibrar toda a cadeia alimentar. 
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Professora da UFSC assume cargo no GSI e prioriza criação de Agência de Cibersegurança

06/03/2025 14:14

Professora e pesquisadora Danielle Ayres, da UFSC. (Foto: Arquivo Pessoal)

A professora Danielle Jacon Ayres Pinto, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), anunciou recentemente sua nomeação para ocupar um cargo da alta gestão do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. O cargo que levará a professora para Brasília inclui, entre outras atribuições, a proteção e segurança da informação do Governo Federal, tratados e acordos firmados com o Brasil.

Danielle Ayres é a nova diretora do Departamento de Segurança da Informação da Secretaria de Segurança da Informação e Cibernética do GSI. Sua área de pesquisa e estudos se relaciona diretamente com essa função, já que ela coordena, junto com a professora Graciela De Conti Pagliari, o Núcleo de Pesquisa em Política Internacional, Segurança e Defesa (NPSeD) da UFSC. 

Seus estudos e pesquisas acadêmicas são voltados às Relações Internacionais, na linha de Estudos de Paz e Segurança, e Estudos de Defesa. Esse diálogo entre a nova atuação e as suas investigações é, para a pesquisadora, um dos desafios mais esperados. 

“Vai ser interessante entender os caminhos da construção da política pública, nas esferas do poder tanto do Executivo como do Legislativo e como se dará a aplicação dessas políticas públicas na esfera do Judiciário. Essa costura fina vai ser a questão mais importante que eu acho que eu terei dentro desse cargo”, adianta Danielle.

A pesquisadora chega com um objetivo claro em mente: a criação da Agência Nacional de Cibersegurança no GSI. A medida precisará passar pela aprovação do Legislativo, além de demandar um código de conduta que atenda às demandas do Poder Judiciário e da Constituição. Como benefício, a agência trará para o Poder Executivo uma capacidade de ação maior na área da segurança da informação e cibernética.
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Projeto da UFSC altera técnicas de cultivo e aumenta produção de vinhos em Nova Trento

24/02/2025 12:46

Iniciativa identificou variedades de uvas que apresentaram boa adaptação ao clima. Foto: Divugalção/Fapeu

Um projeto desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está revolucionando a vitivinicultura de Nova Trento, município do Vale do Rio Tijucas. Apesar das origens italianas e de ser uma tradicional região produtora de vinhos, a quase totalidade da produção vinícola local é feita de uvas recomendadas para vinhos de mesa, com grande parte da matéria-prima oriunda do Rio Grande do Sul. Além da carência de conhecimento técnico atualizado entre os produtores e a falta de de infraestrutura adequada para sustentar a expansão e modernização, outro grande adversário é o clima da região.

“No início do projeto, em 2020, havia uma série de dúvidas, como: ‘seria possível produzir uvas viníferas sob cultivo protegido na região de clima subtropical?’; ‘essas uvas teriam qualidade adequada para vinificação?’; e, por fim, ‘os vinhos produzidos teriam um padrão de qualidade?’”, lembra o professor Alberto Brighenti, coordenador da iniciativa e docente do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSC. O trabalho é executado em uma propriedade localizada na comunidade de Vígolo, conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), e é acompanhado por técnicos e pesquisadores do Núcleo de Estudos da Uva e do Vinho (Neuvin). O projeto ainda tem apoio da prefeitura de Nova Trento e a parceria do viticultor Ricardo Cipriani, empresário do ramo da fruticultura e egresso do curso de Agronomia da UFSC.

Florada do Chardonnay, variedade usada na produção comercial de um espumante fabricado na região. Foto: O Herege/Divulgação

Após quatro anos do projeto, a produção tornou-se comercial, com lançamento de marca própria (O Herege), que conta com um espumante elaborado com a variedade Chardonnay e um vinho rosé, a partir de uvas Marselan. O primeiro passo, além das questões técnicas, foi enfrentar o clima subtropical úmido, propício para a disseminação de doenças fúngicas que afetam variedades viníferas menos adaptadas à região. “Em quatro anos de avaliações e três ciclos produtivos foram testadas uma dezena de variedades, diferentes estilos de vinificação e diferentes produtos. É possível pontuar que a variedade vinífera Marselan apresenta uma boa adaptação ao cultivo protegido em região subtropical. Os espumantes da variedade vinífera Chardonnay também apresentam boa qualidade. Dentre as variedades destinadas ao consumo in natura, a Niágara Rosada aparece como uma boa opção, porque sua colheita é realizada precocemente, o que permite um bom retorno financeiro”, relata o professor Brighenti.

Cultivo protegido

Para blindar a produção, foi adotada a técnica do cultivo protegido, que permite uma melhor manutenção da umidade ao vinhedo e resguarda as plantas dos danos e doenças provocadas por adversidades climáticas e fitossanitárias. “A cada ciclo produtivo, os parâmetros de avaliação e seus resultados têm se tornado mais sólidos. As consecutivas obtenções de dados possibilitam uma comparação de resultados fundamentada e segura para sustentar a adequação de técnicas e, consequentemente, contribuir para o desempenho do setor vitivinícola da região”, pontua o coordenador do projeto. Agora, o grupo de pesquisa está testando o cultivo de variedades PIWI (Pilzwiderstandsfähige Rebsorten), híbridos que possuem genes de resistência a doenças fúngicas, como a Calardis Blanc.

Outro resultado inédito já alcançado foi a implementação de duas colheitas por ciclo produtivo, resultado do ajuste do calendário de colheita e das podas produtivas e que resulta em maior produtividade das variedades. A expectativa é que os resultados alcançados no local se espalhem por todo o município e região. “O estabelecimento de técnicas e tecnologias para viabilizar a produção de uvas viníferas nesse local pode estimular outros produtores a ingressarem nessa atividade, pode contribuir para a expansão da fronteira vitícola do Estado e, por fim, contribuir para a criação de novos empregos e de novas empresas neste ramo”, observa Brighenti.
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Estudantes da UFSC vão ajudar a construir novo motor da Red Bull da Fórmula 1

24/02/2025 08:38

Lucas Paiva (esquerda) e Gustavo Vieira Alcântara com as peças do carro da equipe Ampera. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Três estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram selecionados para um estágio em tempo integral na Inglaterra por meio do programa Student Placement da Oracle Red Bull Racing, integrando a equipe da escuderia de Fórmula 1. A partir de 2026, a Red Bull começará a produzir seus próprios motores e os estudantes farão parte dessa equipe.

Dois deles, Lucas Paiva e Gustavo Vieira Alcântara, do curso de Graduação em Engenharia Elétrica, estarão envolvidos na Red Bull Powertrains. Essa equipe será responsável, entre outras coisas, pelo projeto mecânico para Internal Combustion Engine (ICE) e Energy Recovery System (ERS), pelo desenvolvimento mecânico, pela calibração e controles, pela validação e testes e pelas operações técnicas. A outra estudante selecionada para o estágio, do curso de Engenharia Mecânica, preferiu não comentar o assunto neste momento. 

Gustavo contou como recebeu a notícia que foi aprovado para o estágio: “eu estava na aula, entre 7h e 8h, quando recebi uma ligação com o código +44 da Inglaterra. Era a equipe falando em inglês sobre a vaga. Eu simplesmente parei de prestar atenção no resto. Fiquei em choque! Saí da aula correndo para contar para todo mundo. Durante uns 30 minutos, parecia que eu estava sonhando. Foi uma sensação incrível”.

Lucas, que participa do Ampera Racing, grupo de Fórmula SAE formado por alunos da UFSC, contou que até se atrapalhou no inglês ao receber a notícia. “Eu achei que eu tinha ido mal na última entrevista, principalmente porque eles estavam muito ocupados com as últimas corridas do calendário. Quando recebi a ligação e ouvi alguém falando, eu pensei assim: ‘Ah, OK. Talvez tenha sido alguma coisa’. É, até não costumo ter dificuldade com inglês, mas lembro que com essa emoção foi muito difícil”.  
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Professora da UFSC integra equipe premiada em desafio internacional de biodiversidade

21/02/2025 08:04

Trabalho em equipe rendeu o terceiro lugar para o Brazilian Team, formado por pesquisadores brasileiros de diversas regiões e parceiros internacionais. (Foto: Divulgação)

A professora Juliana de Paula Souza, do Departamento de Botânica do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi uma das cientistas premiadas no desafio XPRIZE Rainforest, patrocinado pelo Instituto Alana. A competição teve duração de cinco anos e terminou em novembro de 2024, durante a cúpula do G20 no Brasil. A experiência, segundo a docente, foi marcante por demonstrar a força da cooperação entre pesquisadores de diferentes áreas.

“Um dos resultados mais positivos dessa experiência foi a constatação de que a colaboração entre cientistas de áreas aparentemente tão distantes quanto as de biológicas (no nosso caso, Botânica), tecnologia (Robótica e Inteligência Artificial) e socioeconomia é fundamental para acelerar o processo de levantamentos e estudos em biodiversidade”, aponta. 

A professora complementa que a velocidade com que a destruição de hábitats vem ocorrendo pede que a ciência desenvolva soluções também ágeis. “É esse conhecimento que alicerça a construção de políticas públicas de preservação e recuperação de áreas degradadas. O que eu percebi trabalhando com esses colegas da tecnologia é que muitas das dificuldades, algumas até impeditivas para a coleta e processamento de dados biológicos, podem ter soluções simples e às vezes muito baratas”, reflete a pesquisadora. 
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Egresso da UFSC recebe prêmio Mérito Científico no Prêmio Jovem Cientista

20/02/2025 09:00

Darlisom Sousa Ferreira, premiado na categoria Mérito Científico, na 30° edição do Prêmio Jovem Cientista. Reprodução: PEN/UFSC

Darlisom Sousa Ferreira, egresso do doutorado e pesquisador de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC), foi premiado na categoria Mérito Científico, na 30° edição do Prêmio Jovem Cientista.  A cerimônia ocorreu em Brasília, em 12 de fevereiro, com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

De acordo com a premiação, a indicação de Darlisom Ferreira ao título na categoria Mérito Científico é resultado de qualificação, experiência, capacidade de formação de pesquisadores e produção científica, especialmente em áreas relacionadas à Conectividade e Inclusão Digital. Ele foi o primeiro enfermeiro a receber a premiação, segundo o Departamento de Enfermagem da UFSC. 

Darlisom Sousa Ferreira é docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem em Saúde Pública da da Universidade do Estado do Amazonas (ProEnSP/UEA), pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA e  coordenador local do Doutorado Interinstitucional em Enfermagem UFSC-UEA. Sua tese de doutorado Práxis educativa de enfermeiros na Estratégia Saúde da Família: do real conceptualizado à inovação tecnológica, sob a orientação da professora Flávia Regina Souza Ramos, propõe um marco conceitual e a prototipação de um aplicativo móvel para a práxis educativa de enfermeiros na Estratégia Saúde da Família. “Gosto de pesquisa-ação, pesquisa participante, metodologias grupais e, a partir delas, produzir conhecimento. Minha paixão é a pesquisa qualitativa, participativa com os sujeitos (para eles e com eles)”, afirma Darlisom.

O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, com o apoio de mídia da Editora Globo, do Canal Futura e patrocínio da Shell. O Prêmio Jovem Cientista impulsiona a pesquisa no país e investe em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução dos desafios da sociedade brasileira. A primeira edição do Prêmio Jovem Cientista aconteceu em 1981, com o tema Telecomunicações. A cada edição do Prêmio Jovem Cientista é indicado um tema importante para o desenvolvimento científico e tecnológico, com prioridade nacional, que atenda às políticas públicas do governo federal e seja de relevância para a sociedade brasileira.

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UFSC homenageia cientistas e doa livros no Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência

11/02/2025 13:01

Pesquisadoras de diversas áreas foram recebidas no Gabinete da Reitoria. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado nesta terça-feira, 11 de fevereiro, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) homenageia pesquisadoras da Universidade e realiza a doação de exemplares do livro infantil Meninas Brilhantes: a História de Estrela à prefeitura de Florianópolis. Nos próximos dias, também receberão o livro Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville.

Pela manhã, a vice-reitora Joana Célia dos Passos e o reitor Irineu Manoel de Souza receberam, no Gabinete da Reitoria, um grupo de sete mulheres cientistas de diversas unidades acadêmicas, categorias e áreas do conhecimento. Conforme ressaltou Joana, o encontro teve o objetivo de prestar uma homenagem a algumas das pesquisadoras que estão produzindo e transformando a ciência em nossa universidade, “que carregam as marcas de um protagonismo que mobiliza as meninas, que mobiliza as suas estudantes”.

Foi, também, um momento para as pesquisadoras se conhecerem e falarem sobre seus trabalhos e trajetórias, além de discutirem a importância da representatividade para incentivar outras mulheres e meninas e alguns dos desafios e caminhos para a promoção da equidade de gênero nos diversos aspectos da vida acadêmica. Compareceram à reunião sete pesquisadoras:
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Mudanças climáticas agravaram inundações em SC, analisam organização global e UFSC

05/02/2025 09:08

Lestada é evento extremo local que precisa de mais pesquisa.
Foto: Pixabay/Divulgação

As mudanças climáticas agravaram as inundações de janeiro registradas no litoral de Santa Catarina por conta do fenômeno conhecido como “lestada”. A constatação foi divulgada em documento da World Weather Attribution (WWA), organização mundial que atua para dar respostas ágeis e com evidências científicas sobre o impacto das mudanças climáticas em eventos extremos, como ondas de calor, tempestades e inundações.

A professora de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues, assinou a análise em colaboração com o pesquisador da organização, Ben Clark. “Esses eventos são comuns em anos de La Niña fraca, como ocorreu em dezembro de 1995, quando 165 milímetros de chuva caíram na região metropolitana de Florianópolis em 36 horas. No entanto, o volume de chuva do evento mais recente em um período tão curto não tem precedentes”, pontua o documento.

Regina explica que, como esse evento é muito localizado, não é possível fazer o trabalho de atribuição às mudanças climáticas porque os modelos utilizados pela organização não conseguem executar a simulação. “Porém, nesses casos, a gente levanta os dados e casos semelhantes (regiões próximas) para inferir que teve influência das mudanças climáticas, dado o volume das chuvas em tão pouco espaço de tempo”.

O estudo traz os dados do acumulado de chuva registrado em diversas cidades catarinenses e na capital, Florianópolis, que atingiu, em menos de 48 horas, quase o dobro de volume esperado para janeiro. “Até o momento, as tendências recentes apontam para um aumento significativo da precipitação extrema na região”, indica o estudo, que traz referências da literatura mundial e também do relatório do IPCC AR6, de 2023, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Eventos duas vezes mais prováveis

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Grupo de alunos da UFSC é selecionado em programa internacional de computação

03/02/2025 08:45

Membros do Laboratório de Computação Embarcada (ECL – Embedded Computing Lab). Foto por ECL

O Grupo Osiris, formado por egressos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi selecionado entre mais de 80 propostas enviadas por equipes de 19 países para um programa de fomento e incentivo na área de projetos de circuitos integrados (CIs). O processador arquitetado pelo grupo está em fase de fabricação e a primeira remessa dos chips protótipos do processador, batizado de OSIRIS I, deve ser entregue em abril de 2025. Com aplicação possível em contextos residenciais a industriais, a tecnologia possui baixo consumo energético.

O grupo acredita que um dos grandes diferenciais que possibilitou o sucesso do projeto no programa foi a experiência prática adquirida em laboratórios da UFSC, como o Laboratório de Computação Embarcada (ECL – Embedded Computing Lab) e o Laboratório de Circuitos Integrados (LCI –Integrated Circuits Laboratory). Nos laboratórios, integrantes do grupo puderam explorar conceitos de microeletrônica fundamentais para desenvolver projetos focados em eficiência energética, como o processador OSIRIS I. “A convivência em laboratórios, aliada ao suporte técnico e científico, não apenas aprimora as habilidades dos estudantes, mas também impulsiona a pesquisa nacional em tecnologia de semicondutores, fortalecendo a competitividade do Brasil nesse setor estratégico”, afirma o Grupo Osiris, em material de divulgação. 

Formado por Rafael Oliveira, Nicole Citadin, Deni Alves, Thiago Maia, entre outros estudantes e egressos, o Grupo Osiris é uma iniciativa de estudantes da UFSC dos cursos de Ciências da Computação e Engenharia Eletrônica. Em fevereiro de 2023, eles criaram uma  primeira versão do processador RISC-V e, no ano seguinte, receberam suporte financeiro para a fabricação do circuito integrado, finalizaram uma versão completa e estão em processo de fabricação. 

O projeto OSIRIS I foi selecionado para o programa UNIC-CASS, uma iniciativa da IEEE Circuits and Systems Society (CASS), uma sociedade que busca promover o avanço de projetos nas áreas de eletrônica e computação. “Estudantes conseguem enviar seus projetos e viabilizar a fabricação de um chip, o que seria bem difícil por outras vias, quase que impossível”, explica Rafael. 

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Pesquisadoras da UFSC analisam caso inédito de decisão judicial que condenou um país por não combater a crise climática

22/01/2025 14:56

Três pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicaram um  artigo sobre uma decisão judicial sem precedentes, que responsabilizou um país europeu por não agir ativamente no combate à emergência climática. Com o título El Tribunal Europeo de Derechos Humanos y el caso de la Asociación de Señoras por el Clima contra Suiza, o trabalho foi publicado na Revista Papeles, cuja edição teve como tema La Tierra clama por Justicia Ecológica. As autoras Letícia Albuquerque, Adriana B. Aparicio e Gabrielle T. Fagundez integram o Observatório de Justiça Ecológica (OJE/UFSC), vinculado ao departamento de Direito da universidade. A pesquisa faz parte do projeto Speak4Nature, financiado pela União Europeia, do qual o Programa de Pós-graduação em Direito (PPGD/UFSC) faz parte. 

O artigo analisa a decisão histórica do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) no caso “Verein KlimaSeniorinnen Schweiz e outros v. Suíça”, julgado em 9 de abril de 2024, condenando o país por inação frente à crise climática. Esta foi a primeira vez em que o TEDH sentenciou um Estado por não adotar medidas contra o aquecimento global, estabelecendo assim uma relação direta entre a proteção dos direitos humanos e as obrigações ambientais.
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“Lestadas” que atingiram SC são fenômenos únicos e locais, explica professor da UFSC

22/01/2025 11:36

Fenômeno transbordou laguinho no Campus de Florianópolis da UFSC. Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC

Chuvas fortes e intensas, com valores acima de 200 mm, passando de 350 mm em algumas regiões, num período de poucas horas. O fenômeno meteorológico que assustou os catarinenses de algumas regiões do Litoral no dia 16 de janeiro trouxe, em um único dia, quase o dobro da média de chuva esperada para janeiro. As Lestadas são chuvas orográficas, quando o ar úmido é forçado a subir ao encontrar barreiras naturais. O fenômeno local é estudado pelo professor Reinaldo Haas, do departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

“O vento sopra de leste e encontra as montanhas. O ar úmido é forçado a subir devido à presença de uma barreira montanhosa. Ao subir, ele esfria e a umidade se condensa, resultando em chuva. Esse tipo de precipitação é típico em regiões montanhosas e pode produzir garoas, chuvas fortes, granizo e ter uma duração prolongada, como é o caso das Lestadas em Santa Catarina. Nesse caso a ela dura três ou mais dias”.

Ele conta que as Lestadas têm sido descritas em jornais, livros e peças de teatro desde o século XVIII. “Na literatura e nos jornais desse período, encontramos boas descrições das enchentes subsequentes, naufrágios, fechamento de barras de rios e acidentes aéreos associados a esses fenômenos. Podemos dizer que as Lestadas estão no nosso DNA cultural”, conta.

No caso das fortes chuvas que provocaram estragos em cidades do litoral catarinense, Haas explica que, em 16 de janeiro, houve a formação de uma “baixa fria”, que gerou um jato de baixos níveis que é chamado de esteira transportadora de umidade. Esse fenômeno se associou com um sistema convectivo que normalmente se forma no verão no Sudeste do Brasil.

Nuvens muito baixas

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Evento extremo que atingiu SC é de difícil previsibilidade, aponta pesquisadora da UFSC

17/01/2025 15:02

Fenômeno transbordou laguinho no Campus de Florianópolis da UFSC. Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC

O evento extremo que atingiu parte do litoral de Santa Catarina nos últimos dias era de difícil previsibilidade, explica a professora Regina Rodrigues, da Coordenadoria Especial de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e referência nos estudos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo. De acordo com ela, por se tratar de um fenômeno local – popularmente conhecido como lestada – existe também um gap no conhecimento científico de sua natureza.

“São nuvens que os satélites não captam. A gente usa muitos dados de satélites para alimentar os modelos. Radares meteorológicos, sozinhos, não fazem previsão”, pontua. Segundo Regina, o radar auxilia os profissionais que estão utilizando os modelos na previsão, mas é preciso investimento em capacitação e recursos humanos para que situações como essas possam ser gerenciadas.

A pesquisadora também lembra que as lestadas são fenômenos locais, característicos da região. “Todo conhecimento que a gente tem é mais do Hemisfério Norte e de pesquisadores de países como Estados Unidos, Europa. Então por isso a gente sabe mais de eventos extremos que ocorrem lá. Esse evento é super localizado e a gente não tem o conhecimento científico, porque não há investimento nisso”.

Presente alterado pelas mudanças climáticas

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UFSC e Tamar cooperam para preservação de tartarugas marinhas

15/01/2025 12:05

Vista aérea da Estação de Maricultura Professor Elpídio Beltrame.

A Estação de Maricultura Professor Elpídio Beltrame (Emeb) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Fundação Projeto Tamar atenderam juntas, de 2005 até o primeiro trimestre de 2024, mais de mil tartarugas vivas. Os animais foram recebidos no Centro de Reabilitação na Barra da Lagoa, em Florianópolis, que trabalha pela proteção e na pesquisa sobre tartarugas marinhas. A Estação é responsável pela qualidade da água salgada fornecida aos tanques onde são tratadas as espécies marinhas. 

A manutenção da estação de bombeamento de água salgada do mar para uso comum entre a Estação de Maricultura e o Tamar é o elo de integração entre os dois projetos. A Fundação Projeto Tamar ajuda financeiramente a custear parte da manutenção dos equipamentos de captação da água salgada, e o uso da água compartilhada combina as ações de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelas duas instituições.

“O fornecimento diário de água marinha de qualidade abastece os tanques das tartarugas marinhas que fazem parte do plantel do Museu Aberto das Tartarugas Marinhas, além das tartarugas em tratamento no Centro de Reabilitação, bem como permite o desenvolvimento das atividades realizadas pela Fundação Projeto Tamar no local”, destaca a coordenadora do Tamar, Juçara Wanderlinde.

No local funciona o Centro de Visitantes do Projeto Tamar Florianópolis – ou Museu Aberto das Tartarugas Marinhas, como é cadastrado no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O espaço possui uma parte aberta ao público, com um plantel fixo de tartarugas, e outra parte onde funciona o Centro de Reabilitação que recebe tartarugas marinhas encontradas encalhadas ou debilitadas em todo o litoral de Santa Catarina. 

Para manutenção dos animais que compõem o plantel do Museu são utilizados aproximadamente 135 mil litros de água salgada, divididos em três tanques com exemplares de tartarugas marinhas, e 5 mil litros em um tanque com exemplares de peixes da região. “Nos tanques com exemplares de tartarugas é realizada a troca total da água, quando necessária, para limpeza e manutenção. No tanque menor, a troca é parcial e realizada quinzenalmente”, explica Walter Quadros Seiffert, professor da UFSC e coordenador do projeto de parceria.

Já para os animais em tratamento no Centro de Reabilitação são utilizados tanques menores, sendo que o tamanho e a quantidade variam de acordo com as demandas de atendimentos. “A troca da água é diária e a permanência do indivíduo depende da sua recuperação, até que seja realizado o retorno ao mar”, detalha Juçara. Para suprir o abastecimento em casos de emergência há ainda um reservatório de água salgada de 60 mil litros. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) também atua nesse sistema de cooperação, na gestão financeira deste projeto.

Visibilidade e pesquisas

Construída em uma área de 15 mil metros quadrados, a Estação de Maricultura Professor Elpídio Beltrame conta com mais de três décadas de história e agrega laboratórios que atuam em projetos e pesquisas relacionadas ao desenvolvimento do cultivo de camarões, peixes marinhos nativos, moluscos, algas marinhas e cultivos multitróficos.

A Fundação Projeto Tamar atua no litoral brasileiro desde a década de 1980 com a missão de promover a recuperação das tartarugas marinhas por meio de ações de pesquisa, conservação e inclusão social. Na unidade instalada em 2005, em Florianópolis, são desenvolvidas ações de pesquisa, manejo e proteção das tartarugas marinhas, além de atividades de envolvimento comunitário, inclusão social, sensibilização e educação ambiental, valorização cultural e geração de oportunidades de trabalho e renda e de recursos próprios (autossustentabilidade). “A participação e o apoio da comunidade e dos pescadores da Barra da Lagoa no monitoramento das espécies de tartarugas marinhas é fundamental para o sucesso das atividades de conservação”, observa Juçara.

Para a Estação de Maricultura, a cooperação com o Tamar faz com que a divulgação da Emeb dentro do Centro de Visitação dê visibilidade à comunidade sobre os trabalhos desenvolvidos nos campos da produção sustentável da maricultura catarinense e brasileira. “Além disso, durante estes anos de parceria foram realizadas inúmeras visitas técnicas de acadêmicos dos cursos de Engenharia de Aquicultura ao Centro de Visitantes da Fundação Projeto Tamar, fortalecendo os campos de conhecimento de construções, hidráulica e cultivo”, ressalta o professor Walter Seiffert. “Também são realizadas exposições sobre o trabalho desenvolvido na EMEB dentro da estrutura do Tamar durante as visitações de final de semana”, acrescenta.

Informações pela Revista da Fapeu.

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Indicadores para monitorar regeneração natural propostos por pesquisa da UFSC ajudam recuperação da Amazônia

14/01/2025 12:06

FOTO: CATARINA JAKOVAC / ACERVO PESQUISADORES

Um estudo publicado na revista científica Communications Earth & Environment, do Grupo Nature, traz caminhos para garantir o sucesso da regeneração da floresta amazônica. A pesquisa foi feita por pesquisadores de instituições da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi e trata da regeneração natural, método de recuperação da vegetação nativa baseada no restabelecimento espontâneo da cobertura florestal em áreas degradadas por fogo, agricultura e pastagem. Esse processo resulta na formação das chamadas florestas secundárias.

Segundo o artigo, a regeneração natural é mais eficiente em áreas que foram pouco usadas para agricultura ou pastagem no passado (por menos de 10 anos, aproximadamente), que possuam quantidade expressiva de floresta no entorno (mais de 50% da paisagem) e que tenham sofrido poucos eventos de corte e queima (menos de quatro).

O estudo foi realizado com base em dados de 448 florestas secundárias em 24 localidades na Amazônia brasileira, considerando medidas de diversidade, função e estrutura da vegetação — referentes à riqueza de espécies nativas e ao diâmetro dos troncos das árvores, por exemplo. Com base nesses dados, a equipe propôs um conjunto de indicadores e valores de referência para avaliar se uma floresta que está regenerando está realmente sendo capaz de restaurar o ecossistema nativo.

Os indicadores permitem o monitoramento adequado da restauração florestal e do cumprimento de obrigações legais, como a Lei de Proteção da Vegetação Nativa e as compensações por danos ambientais. “A incerteza sobre a efetividade do processo de restauração gera insegurança para proprietários, órgãos ambientais e investidores”, destaca André Giles, pesquisador da UFSC e autor principal do estudo. “Nosso trabalho dá o primeiro passo para enfrentar essa subjetividade, oferecendo ferramentas claras para a tomada de decisões sobre quando atestar que a regeneração natural cumpriu seu papel como método de restauração”, complementa. A professora Catarina Jakovac, do Departamento de Fitotecnia, também é autora do estudo.

A regeneração bem-sucedida resulta em florestas densas, diversas e com grande quantidade de biomassa. Os autores estimaram que uma floresta em regeneração com 20 anos de idade, por exemplo, deve ter no mínimo 14 metros quadrados de área basal por hectare – cálculo que considera a área ocupada pelos troncos e que indica sobre a estrutura da floresta. Essa floresta em regeneração também deve ter no mínimo 34 espécies a cada 100 indivíduos amostrados, um valor de 0,27 de índice de heterogeneidade estrutural – que é a variação no tamanho dos troncos das árvores, medida em uma escala de 0 a 1 – e pelo menos 123 toneladas de biomassa viva por hectare acima do solo.

Florestas regenerantes na Amazônia que apresentem indicadores abaixo desses valores estão aquém do potencial de restauração da região, indicando a necessidade de intervenções para acelerar o processo.

Segundo o Observatório da Restauração, o método é empregado em 67,58% dos projetos de restauração no Brasil. Na Amazônia, florestas regenerantes cobrem aproximadamente 18,9 milhões de hectares do bioma. Os autores esperam que os indicadores contribuam para um monitoramento mais preciso das iniciativas de restauração ecológica. Essa ferramenta baseada na ciência para verificar o sucesso da regeneração natural também deve permitir que o Brasil avance em direção ao cumprimento de suas metas ambientais globais, que incluem a restauração de 12 milhões de hectares até 2030, conforme o Acordo de Paris.

Com informações da Agência Bori

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Estudo da UFSC e universidade italiana traz novas descobertas para recuperação pós-AVC

10/01/2025 10:20

Modelo de dinâmica cerebral utilizado na pesquisa (em cima) e curvas que representam diferentes aspectos dessa dinâmica. Imagem: Divulgação

Combinando física e neurociência, um estudo conduzido por um professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em colaboração com pesquisadores da Universidade de Pádua, na Itália, fez descobertas que podem contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para distúrbios neurológicos e psiquiátricos, como AVC, epilepsia, Alzheimer e outros. A pesquisa demonstrou que, para promover a recuperação do cérebro após um AVC, é fundamental restaurar o equilíbrio entre a excitação e a inibição nas regiões cerebrais, o que está diretamente relacionado à melhora no desempenho comportamental dos pacientes.

O estudo utilizou dados de ressonância magnética de 120 participantes, entre pacientes pós-AVC e indivíduos saudáveis, recrutados entre 2010 e 2015 para um estudo prospectivo de AVC na Washington University. Esses dados foram processados para criar o conectoma de cada participante, uma representação matemática das conexões cerebrais, modelada na forma de uma rede neural. Além disso, o desempenho comportamental dos pacientes foi avaliado a partir de uma bateria neuropsicológica que mediu o desempenho em oito domínios comportamentais: motricidade (membros esquerdo e direito), linguagem, memória verbal e espacial, atenção no campo visual, desempenho médio de atenção e atenção seletiva.

O estudo Papel da plasticidade homeostática na dinâmica crítica do cérebro após lesões focais por AVC (do inglês, Role of homeostatic plasticity in critical brain dynamics following focal stroke lesions), elaborado pelo professor do Departamento de Física da UFSC Rodrigo Pereira Rocha, fornece uma compreensão profunda de como o cérebro responde às lesões e de como ele se adapta durante o processo de recuperação. Os resultados contribuem para o entendimento da recuperação cerebral, sugerindo que a reorganização das redes neurais e o restabelecimento do equilíbrio entre excitação e inibição são fundamentais para o processo de recuperação após uma lesão.

Plasticidade neuronal e criticalidade cerebral

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UFSC Curitibanos pesquisa os efeitos dos agrotóxicos em minhocas

08/01/2025 08:14

O trabalho de campo envolveu cerca de 20 pessoas, entre estudantes de graduação e pós-graduação e técnicos da UFSC Curitibanos (Foto: Divulgação)

Uma equipe do campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está pesquisando os efeitos dos agrotóxicos em minhocas nativas do Brasil. Inédito no país, o trabalho coordenado pela professora Júlia Carina Niemeyer começou em 2022 e contribui para a avaliação dos riscos e dos limites para o uso de defensivos agrícolas.

Financiado pela alemã Bayer, o projeto é realizado em parceria com a empresa Cloverstrategy, com sede em Portugal e que atua nas áreas de gestão e consultoria ambiental integradas, especialmente nas áreas de valorização de recursos naturais e de avaliação de risco retrospectivo e recuperação de áreas degradadas.

“Em países europeus, quando um agrotóxico em fase de registro apresenta ecotoxicidade em níveis inaceitáveis para os organismos da fauna de solo em estudos laboratoriais, é solicitado às empresas que realizem um experimento de campo para verificar se ocorrerão efeitos tóxicos sobre a comunidade de minhocas”, relata a professora Júlia Niemeyer.

“Como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está avançando nas questões relacionadas à avaliação de risco de agrotóxicos para o ambiente, fez-se necessário entender como poderiam ser realizadas avaliações de campo para complementar os ensaios de ecotoxicidade laboratoriais, nas fases mais avançadas da avaliação”, explica a coordenadora da iniciativa.
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Laboratórios da UFSC participam de curso de capacitação do Programa Monitora Ambiente Recifal

30/12/2024 09:17

O Laboratório de Ecologia de Ambientes Recifais (LabAR) e o Laboratório de Biogeografia e Macroecologia Marinha (LBMM) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participaram do primeiro curso de capacitação do Programa Monitora Ambiente Recifal. Promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelas unidades de conservação no Brasil, o programa realizou no final de novembro, que contou com a participação dos laboratórios da UFSC nas atividades.

O evento ocorreu no Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Florianópolis entre os dias 25 e 30 de novembro. O foco foi na capacitação para as unidades de conservação das regiões Sul e Sudeste. O curso combinou atividades teóricas e práticas, buscando qualificar os participantes em protocolos básicos de monitoramento. A parte prática foi realizada na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (ReBio do Arvoredo).

No evento foram abordados temas essenciais como a conservação do ambiente recifal, protocolos de monitoramento, interpretação e implementação de resultados, contextualização do ambiente recifal e a quantificação de indicadores de comunidades bentônicas e de peixes.

A atividade foi organizada por representantes das unidades de conservação marinho-costeiras do Sul e Sudeste. O curso também teve a colaboração de laboratórios da UFSC, como o LabAR e o (LBMM), ATAs, bolsistas e pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul, Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras, NGI Alcatrazes, NGI Florianópolis, NGI Grandes UCs Oceânicas, NGI Iguape, NGI Paraty, NGI Santa Cruz, RESEX Marinha de Arraial do Cabo, UFSC, UFRN, Programa Ecológico de Longa Duração nas Ilhas Oceânicas e Meros do Brasil.

Os laboratórios da UFSC participaram da idealização e concepção do Programa Monitora Ambiente Recifal.

Mais informações no site.

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Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica da UFSC completa 20 anos

20/12/2024 16:24

Foto: acervo pessoal

O Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica (Ecohe), vinculado ao Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), completou 20 anos de atividades neste ano. Sob a coordenação dos professores Natalia Hanazaki e Nivaldo Peroni, o Ecohe iniciou suas atividades em 2004, com foco nos estudos sobre pesca artesanal e nas interações entre pessoas e plantas, mediadas por conhecimentos ecológicos tradicionais.

Conforme relatam os professores, ao longo dos anos, o laboratório passou por diversas transformações, influenciadas por parcerias acadêmicas, demandas da sociedade — especialmente de comunidades tradicionais e indígenas —, além de setores do governo e políticas públicas. Essas colaborações ampliaram o escopo de pesquisa e extensão, incorporando novas abordagens. Entre os temas destacados, estão os processos mediados por ações humanas que promovem a agrobiodiversidade, a domesticação de plantas e paisagens e o entendimento da ecologia histórica de paisagens tropicais e subtropicais.
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Revista Texto Digital publica dossiê sobre Fernando Pessoa

20/12/2024 15:22

A Revista Texto Digital, ligada ao Programa de Pós-graduação em Literatura e ao Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicou na última terça-feira, 17 de dezembro, o dossiê Fernando Pessoa em Contexto Digital, organizado por Diego Giménez. O editor convidado reuniu seis textos que abrangem desde artigos acadêmicos até criações literárias, oferecendo perspectivas inovadoras e menos tradicionais sobre os estudos pessoanos.

A publicação especial é fruto da série de seminários online Pessoa 3.0, realizada entre o final de 2023 e o início de 2024, sob a organização do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, de Portugal.

Além do dossiê, a edição inclui seis artigos de fluxo contínuo que exploram as fronteiras digitais e as intersecções entre Linguagem, Cultura e Tecnologia. Também apresenta uma resenha sobre o módulo LdoD Leitura Crítica do Arquivo LdoD, uma ferramenta digital que reúne 60 ensaios críticos sobre o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.
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Revista Katálysis encerra 2024 com 44 trabalhos científicos publicados na área de Serviço Social

20/12/2024 09:53

A Revista Katálysis, periódico científico de circulação nacional e internacional editado pelo curso de graduação e pelo Programa de Pós-graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicou 44 trabalhos científicos no ano de 2024, que estão disponíveis em seu site e no portal SciELO para a comunidade universitária e científica.

A publicação recebe, em fluxo contínuo, produções científicas da área de Serviço Social e temáticas afins, abordando o ensino, a pesquisa, a extensão e o exercício profissional. O periódico trata de temas das ciências humanas e sociais, das ciências sociais aplicadas e de suas relações com os demais campos do saber. A editora científica da revista é a professora Mailiz Garibotti Lusa.

Confira os trabalhos mais recentes publicados pela revista:

Acesse as publicações na íntegra.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail revistakatalysis@gmail.com, Instagram ou telefone (48) 3721-6524.

Tags: periódico científicoRevista KatálysisServiço SocialUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Pesquisadora da UFSC estuda histórico do aborto em caso de estupro no direito brasileiro

19/12/2024 16:08

Pesquisa usou fontes jornalísticas, doutrinárias, normativas e parlamentares para analisar os tensionamentos existentes em relação ao aborto legal. Foto: reprodução Revista Cruzeiro, 1975, edição 15. Fonte: Hemeroteca Digital

O histórico da criminalização do aborto no Brasil, a inclusão da possibilidade de aborto em caso de gravidez decorrente de estupro no Código Penal e as disputas existentes em torno do tema ao longo dos anos são alguns dos assuntos que a pesquisadora Bárbara Madruga da Cunha discute em sua tese de doutorado. Realizada no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sob orientação do professor Diego Nunes, a pesquisa combina fontes doutrinárias, jornalísticas, normativas e parlamentares para analisar os tensionamentos existentes entre as interpretações tradicionais dadas ao aborto legal na legislação brasileira e aquelas reivindicadas pelo movimento feminista a partir do processo constituinte.

O foco da tese está nos sentidos atribuídos à hipótese legal de aborto em caso de gravidez decorrente de estupro prevista no Código Penal de 1940 desde a elaboração dessa legislação até a publicação da norma técnica do Ministério da Saúde que regulamenta o serviço de aborto legal no SUS, em 1998. O trabalho, contudo, traz um histórico de como o tema vem sendo tratado no ordenamento jurídico brasileiro desde o início do século 20, bem como aborda a participação de diversos atores sociais nos debates sobre o assunto.

Formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bárbara trabalha com a temática do aborto desde sua graduação. Durante o mestrado, que também foi cursado na UFSC, estudou a criminalização do autoaborto no período que vai de 1890 a 1940 – somente no Código Penal de 1890 que o autoaborto passou a ser previsto como um crime. Até então, apenas o aborto provocado por terceiro era criminalizado, de modo que a conduta da mulher que interrompesse a gravidez em seu próprio corpo não era punida.
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Unidade Embrapii Polo/UFSC é recredenciada por mais 6 anos com investimento superior a R$ 18 milhões

19/12/2024 13:50

Recredenciado até 2030 permitirá ampliar as áreas de atuação da Unidade. Imagem: Divulgação

A Unidade Embrapii Polo/UFSC de Tecnologias Inovadoras em Refrigeração, Vibração, Acústica e Energia foi recredenciada pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) para continuar suas atividades no apoio à inovação tecnológica por mais seis anos. Durante esse período, serão investidos mais de R$ 18 milhões pela empresa, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de novos projetos e soluções para a indústria, com foco em áreas estratégicas para o avanço do setor produtivo. Também haverá ampliação das áreas de competência da unidade, que agora conta com duas novas frentes de pesquisa: vibração e energia (descarbonização).

A área de vibrações aborda o estudo e controle de vibrações em sistemas mecânicos e estruturais, com o intuito de garantir a eficiência, a segurança e a longevidade de produtos industriais, como equipamentos e veículos. A descarbonização tem como foco os desafios globais de sustentabilidade e objetiva desenvolver soluções que minimizem as emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para a transição energética e o cumprimento das metas climáticas do Brasil.

Segundo a unidade, o trabalho direcionado a essas temáticas posiciona a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) como um polo de inovação em um momento em que a indústria global busca por alternativas para a redução do impacto ambiental e para o aprimoramento contínuo de seus processos. 
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Professor da UFSC lança livro semibiográfico sobre os 20 anos do furacão Catarina

18/12/2024 11:22

O professor Reinaldo Haas, do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), lançou neste mês o livro semibiográfico Harmonia e tempestades: a minha jornada ao olho do Catarina, onde conta sua experiência durante a passagem do furacão Catarina, que atingiu a região Sul do Brasil em março de 2004, há 20 anos.

No livro, Haas se descreve como um apaixonado pelo tema, não apenas por sua formação científica como físico, meteorologista e pesquisador, mas também por admirar tempestades desde criança. Ele revela como nasceu a paixão por tempestades, como foi parar no olho do furacão Catarina e porque, como cientista, defende que o Catarina foi realmente um furacão e não apenas um ciclone extratropical. Ao revisitar a literatura científica, realizar pesquisas em busca de ocorrências similares na região e, especialmente, por estar presente e viver a experiência do Catarina, Haas apresenta suas hipóteses.

A obra também busca tratar de questões como as mudanças decorridas nesses 20 anos, as medidas preventivas tomadas à época e o desenvolvimento de uma consciência em relação ao clima e ao planeta Terra. De acordo com o professor, recentemente as chuvas intensas e os fortes ventos que levaram a cenas de destruição no Rio Grande do Sul e na Espanha trouxeram à tona novamente o debate acerca das mudanças ambientais e de eventos extremos cada vez mais frequentes.

O livro está disponível para compra no site da Editora O Artífice.

Furação Catarina

Sendo o primeiro e único furação registrado no Atlântico Sul, o Catarina deixou um rastro de destruição em sua passagem pelo litoral sul do Brasil, em março de 2004. Seus ventos alcançaram velocidades de 155 km/h a 180 km/h, sendo classificado como um furação de categoria 2. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, o evento climático resultou na destruição de 1,5 mil casas, deixando 26,4 mil pessoas desabrigadas e pelo menos 11 mortos. Os danos materiais com a catástrofe superaram os R$ 800 milhões, impactando diretamente em atividades agrícolas, pesqueiras, turísticas, industriais e comerciais da região.

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Colóquio de Usinagem premia artigo de pesquisadores da UFSC

17/12/2024 16:14

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) teve seu artigo premiado como melhor trabalho na área temática Textura e Integridade da Superfície durante o XXVI Colóquio de Usinagem, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O grupo é formado pelos professores Erick Cardoso Costa, do Departamento de Engenharias da Mobilidade do Centro Tecnológico de Joinville (CTJ), e Fabio Antonio Xavier, do Departamento de Engenharia Mecânica do Centro Tecnológico de Florianópolis (CTC), e pelos alunos Gustavo Sorgetz, Natalie Souza Heinz e Beatriz Cardoso Santos. O evento ocorreu de 25 a 27 de novembro. 

O artigo, intitulado Effect of the wire electrical discharge machining and electropolishing on surface quality of the Nd-Fe-B magnet, apresenta avanços no uso da usinagem por descarga elétrica e do eletropolimento para melhorar a qualidade superficial de ímãs amplamente aplicados em tecnologias modernas, como turbinas eólicas, dispositivos biomédicos e motores elétricos. 

O Colóquio de Usinagem, criado em 1993 pela Universidade Federal de Uberlândia, é um evento de referência nacional que reúne pesquisadores, estudantes e profissionais da indústria para discutir avanços e desafios da área. Nesta edição, foram abordados temas como usinabilidade de materiais, automação, microusinagem e usinagem verde, entre outros.

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UFSC sedia 2º Workshop de Integração entre Petrobras e Universidades

17/12/2024 15:47

Evento reuniu 99 pesquisadores e representantes da Petrobras. Foto: divulgação

Foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) o 2º Workshop de Integração entre Petrobras e Universidades, com foco no fortalecimento da Rede Temática de Tratamento de Água Offshore, na última terça-feira, 16 de dezembro. O evento reuniu representantes da Petrobras e 99 pesquisadores das instituições acadêmicas parceiras: UFSC, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Universidade Federal de Itajubá (Unifei). O workshop contou com o apoio e a participação da Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Feesc).

Na sessão de abertura do evento, o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFSC, Jacques Mick, ressaltou a importância da cooperação científica colaborativa entre todas as instituições. O workshop promoveu uma imersão no tema de tratamento de água em ambientes offshore, essencial para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis no setor. Os projetos e seus resultados foram apresentados oralmente e em pôsteres, proporcionando um ambiente propício à troca de conhecimentos e à consolidação de parcerias entre a indústria e a academia.

Segundo a professora Regina de Fátima Peralta Muniz Moreira, do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos, a iniciativa reforça o compromisso das universidades e da Petrobras com a inovação tecnológica e a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que valoriza a colaboração entre instituições de ensino e pesquisa para superar os desafios do tratamento de água em operações offshore. 

Estão envolvidos pesquisadores que atuam em quatro laboratórios da UFSC que executam os projetos com a Petrobras atualmente. Três dos laboratórios são do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos: o Laboratório de Energia e Meio Ambiente (Lema), o Laboratório de Simulação Numérica de Sistemas Químicos e de Transferência de Massa (Labsin/Labmassa) e o Laboratório de Processos com Membranas (Labsem). Também atua o Laboratório de Bioinorgânica e Cristalografia (Labinc), do Departamento de Química. 

Painel do 2º Workshop de Integração entre Petrobras e Universidades na UFSC. Foto: divulgação

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