UFSC e Prefeitura de Florianópolis têm convênio inédito para estudo de ossadas humanas
A Prefeitura de Florianópolis e a Universidade Federal de Santa Catarina assinaram um acordo de cooperação técnica que vai possibilitar a ampliação dos estudos sobre as características ósseas da população, além da construção do acervo da Coleção Osteológica do Centro de Ciências Biológicas vinculada ao Departamento de Ciências Morfológicas da UFSC. A iniciativa prevê a criação de uma coleção osteológica humana de referência a partir de doações do cemitério municipal.
“No Brasil ainda existem poucos estudos acerca das características ósseas da nossa população relacionadas à estimativa de idade, sexo, ancestralidade e estatura de um indivíduo. Conhecer essas características ósseas específicas de quem mora na região de Florianópolis é essencial em casos de identificação humana”, explica a professora Elisa Winkelmann Duarte, responsável pelo projeto na UFSC.
De acordo com ela, as ossadas humanas doadas serão encaminhadas para o Laboratório de Antropologia Forense, limpas e registradas por códigos. Na UFSC também será feita a seleção de ossos que devem ser utilizados para atividades de ensino e extensão. “Ossadas que estiverem íntegras farão parte da Coleção Osteológica do Centro de Ciências Biológicas vinculadas ao Departamento de Ciências Morfológicas da UFSC. Estas ossadas da Coleção serão específicas para atividades de pesquisa”, complementa.
A professora comenta que este acordo vem sendo construído desde 2020. Segundo ela, o Brasil tem poucos estudos sobre as características ósseas da população relacionadas à estimativa de idade, sexo, ancestralidade e estatura de um indivíduo.
Um decreto municipal de 2022 estabelece outros termos da cooperação, tornando legal a doação de ossos de cemitérios após três anos de falecimento em caso de indivíduos não reclamados. Antes, estes ossos eram incinerados, mas agora podem ser doados a partir do convênio. Familiares que quiserem fazer a doação também podem procurar a administração do cemitério.
Após chegarem a UFSC, os ossos podem ser utilizados em diferentes frentes de trabalho. No ensino, serão utilizados por professores e alunos de graduação e pós-graduação em aulas de anatomia humana. Para a extensão serão usados em cursos, workshops, exposições, dentre outras. Na pesquisa serão validadas metodologias que estimam as características do perfil biológico de um indivíduo principalmente relacionadas à biogeografia (ancestralidade), além de fatores individualizantes como variações anatômicas, patologias, traumas, marcas ocupacionais.

























