Pesquisadores da UFSC alertam sobre riscos em decorrência de dragagem no Norte da Ilha 

08/10/2019 12:37

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgaram uma carta aberta, na segunda-feira, dia 7 de outubro, na qual alertam sobre os riscos em decorrência das dragagens para o engordamento da praia de Canasvieiras, em Florianópolis. O documento afirma que a sociedade civil e as instituições da região não tiveram conhecimento “se todos os requisitos ambientais foram atendidos para garantir um processo com segurança”.

Os professores Paulo Antunes Horta e Leonardo Rorig, coordenadores do Laboratório de Ficologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB), chamam a atenção para as possíveis consequências da atividade na área. Segundo os pesquisadores, o processo pode induzir a ocorrência de maré vermelha e causar prejuízos para a economia da região, que tem entre as principais fontes de renda a pesca e a maricultura.

A maré vermelha trata-se de um fenômeno natural e esporádico que consiste em um pico de crescimento de microalgas (fitoplâncton) em determinadas áreas, fazendo com que a cor da água se altere para tons de amarelo, vermelho ou alaranjado. Essas microalgas produzem toxinas que contaminam os moluscos, impossibilitando o comércio ao consumidor.

A carta aberta publicada na segunda-feira salienta que os bancos de areia no Norte da Ilha já foram palco de inúmeros eventos de floração de algas nocivas que potencialmente deixaram cistos (“sementes”) na região. O texto reforça que a legislação ambiental demanda a realização de análises prévias para garantir a segurança de empreendimentos dessa natureza. O fato de a jazida estar a cerca de um quilômetro da costa potencializa ainda mais os riscos. 
(mais…)

Tags: CanasvieirasCentro de Ciências Biológicas (CCB)dragagemengordamento da praiaLaboratório de Ficologiamaré vermelhamariculturaostras

Equipe de biólogos da UFSC constata que manchas no Norte da Ilha são algas inofensivas e não óleo

25/01/2013 13:51

Pesquisadores do Departamento de Botânica, do Centro de Ciências Biológicas da UFSC redigiram a nota a seguir para tranquilizar a população:

As manchas de coloração marrom e avermelhada visualizadas essa semana no norte da ilha, especialmente na Ponta das Canas e na Lagoinha foram coletadas e analisadas por pesquisadores do  Laboratório de Ficologia do Depto. de Botânica da UFSC. As coletas foram realizadas nesta sexta-feira, dia 25 de janeiro, por volta das 8h da manhã e imediatamente levadas ao laboratório e processadas. Trata-se de uma floração de uma microalga do grupo das cianofíceas (ou cianobactérias). É um fenômeno natural e recorrente na costa catarinense todos os anos nos meses de primavera e verão. Essas algas estão associadas às águas tropicais da Corrente do Brasil, que passa ao largo da costa brasileira. São algas que retiram o nitrogênio do ar (fixadoras de nitrogênio) e para isso têm mecanismos de flutuação para se posicionar na superfície da água. Quando se encontram na superfície são levadas pelo vento até a costa, onde podem morrer. Quando morrem liberam um pigmento vermelho (ficoeritrina) que dá a coloração chamativa ao fenômeno.

Não há perigo para banhistas em geral e para a maricultura, pois a espécie encontrada não é tóxica

Colônia de microalgas ao microscópio

(Trichodesmium hildebrandtii e/ou Trichodesmium erythraeum). O máximo que pode acontecer é alguma reação alérgica por parte de pessoas sensíveis a certas substâncias exaladas pelas algas. Entretanto, há uma espécie do grupo que pode ser tóxica (Trichodesmium thiebautii) e por isso os fenômenos devem ser monitorados e informados ao Laboratório de ficologia da UFSC. Essa espécie é raríssima e jamais foi encontrada em grandes concentrações em Santa Catarina, pelo menos desde que a UNIVALI e a UFSC começaram a monitorar o processo em 1994.

O Laboratório de Ficologia da UFSC (Depto. de Botânica – CCB) participa desses estudos em colaboração com a UNIVALI e a FURG (Rio Grande – RS) e com o conhecimento já adquirido pode-se classificar o fenômeno como natural, inofensivo e sazonal, típico de meses quentes. Informamos ainda que o fenômeno nada tem a ver com a catástrofe ocorrida no Ribeirão da Ilha, onde o askarel altamente tóxico vazou para os ecossistemas próximos a Subestação da CELESC.

 

Frascos com material coletado

A comunidade  pode  comunicar a constatação desses fenômenos e outros eventos estranhos nas águas costeiras para a equipe do  professor Leonardo Rörig através do telefone (48) 9605-7414 ou pelo email. Diante dos comunicados a equipe do laboratório pode deslocar-se até o local para fazer as coletas e análises necessárias. É muito importante que a comunidade fique de monitora desses fenômenos pois o litoral é muito grande e os pesquisadores têm dificuldade para monitorar diariamente todas as áreas.

Equipe que fez a análise:

Professor Leonardo Rörig – Laboratório de Ficologia – CCB – UFSC – Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas –  

 Biólogos: Leandro Reis, Maevi Ottonelli e  Claudiane Gouveia

 

 

Algas ao microscópio em maior detalhe

Tags: algas inofensivasDepartamento de BotânicaLaboratório de FicologiaLeonardo Rörigmanchas de óleonorte da ilha

Recategorização da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo pode ter impacto sobre banco de algas calcáreas

16/07/2012 10:25

Imagens subaquáticas de rodolitos no Rancho Norte, local da saída de campo realizada na última quinta-feira. O material foi cedido pela equipe de pesquisadores.

O Brasil irá na contramão da história se reverter sua Reserva Biológica Marinha do Arvoredo à classificação de parque nacional. País líder na elaboração da Convenção Sobre Diversidade Biológica, com metas para 2010 de 10% de ambiente costeiro protegido, atualmente preserva em áreas marinhas devidamente protegidas cerca 1,5% de seu litoral – e terá uma repercussão internacional negativa se abrir à visitação pública uma de suas duas únicas reservas biológicas marinhas federais.

A preocupação do coordenador do Laboratório de Ficologia da UFSC, Paulo Horta, resultou em convite a jornalistas para uma saída de campo ao banco de algas calcáreas localizado no Rancho Norte da Ilha do Arvoredo (uma das quatro ilhas que formam a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo). Durante a visita, realizada na última quinta-feira, 12 de julho, Horta e quatro pós-graduandos que têm estudos relacionados à reserva demonstraram preocupações com a possibilidade de entrada no local de barcos para o mergulho recreativo.

Fundo do mar tridimensional
Considerada local de alta diversidade quando comparada a outros pontos do litoral brasileiro, a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo tem entre os representantes da flora marinha macroalgas do grupo das Rhodophytas  algas vermelhas que têm seus mantos, chamados de rodolitos, distribuídos por diferentes locais do litoral brasileiro.

Na área da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo há bancos de rodolitos na Ilha do Arvoredo, na Deserta e Galés. “São estruturas que conferem tridimensionalidade ao ambiente e formam oásis sobre a areia do fundo do mar”, explica Horta, que desde seu mestrado trabalha com algas calcáreas e atualmente coordena projeto nacional para melhor conhecimento das espécies no litoral brasileiro.

Pesquisador da área de Botânica Marinha, ele lembra que as algas são capazes de realizar fotossíntese, sendo em grande parte responsáveis pela renovação do oxigênio do ar atmosférico e daquele que está misturado na água, necessário aos seres aquáticos aeróbicos. Têm também função primordial no ciclo de vida do ambiente marinho. São chamadas de organismos produtores, pois produzem tecidos vivos a partir da fotossíntese, e estão na base da cadeia alimentar: sustentam os animais herbívoros (peixes, caranguejos, moluscos, etc), que sustentam os carnívoros, e assim por diante.

“São também biofábricas de carbonato de cálcio”, complementa o professor sobre as algas presentes na Reserva do Arvoredo, capazes de realizar fotossíntese e de transformar carbono em carbonato de cálcio, formando estruturas que fornecem alimento e habitat para diversos seres marinhos.

Na visão de Paulo, o banco da Reserva do Arvoredo é uma área que depende de preservação, tanto pela importância para o ambiente marinho e para comunidades que dependem de recursos pesqueiros, como pela fragilidade. “Ainda se procura entender porque, mas estas algas têm um crescimento muito lento, mais ou menos 1% ao ano. Para se ter 10 centímetros são mais de 100 anos”, exemplifica.

“Imagine vários barcos parados aqui, soltando sua âncora sobre esse ambiente”, destacou o pesquisador na saída de campo. Ele critica a defesa da recategorização em parque com base no fator econômico e de geração de empregos e de renda.

“Os projetos de pesquisa também geram renda, criam trabalho”, defende o pesquisador que lamenta a priorização dos benefícios da reserva a curto prazo. “Será como matar a galinha dos ovos de ouro. A proteção da biodiversidade é suficiente justificativa para se manter a reserva”, considera o professor. Ele estima que cerca de 20 projetos de pesquisa são desenvolvidos atualmente no local, a maioria por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina.

Visão de longo prazo
O doutorando Anderson Batista, do Laboratório de Biogeografia e Macroecologia Marinha, que estuda estruturas temporais de peixes recifais, acompanhou a saída de campo e mergulhou para observar as espécies na reserva.

“Tinha pouca gente por lá”, brincou ao finalizar o mergulho na Ilha do Arvoredo. Ele explica que é comum uma redução das populações de peixes no inverno e reforça a ideia de que a reserva deveria ser protegida a partir de uma visão de longo prazo.

“Para gerar frutos, sendo capazes de exportar organismos, as reservas levam 30 a 40 anos. Nós agora estamos com 22 anos da Reserva do Arvoredo e reverter em parque seria um enorme retrocesso”, considera o doutorando que em seu mestrado também trabalhou com censos visuais de comunidades de peixes e observou uma biomassa 240% maior na área da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo do que em outras ilhas não protegidas no litoral de Santa Catarina.

“Não é uma Ilha (Arvoredo) proibida, como estão dizendo. Há uma grande área no lado sul em que qualquer pessoa pode ir, as escolas, as prefeituras, onde o mergulho é permitido. Várias pessoas podem usufruir, ter benefícios, mas alguns locais precisam ser intangíveis, para o bem da nação”, complementa Horta.

Âncoras sobre os rodolitos, toque e coleta (inerentes à curiosidade humana), barulho dos barcos, poluição dos motores, movimentação do sedimento do fundo do mar com nadadeiras, lixo, impacto nas comunidades de seres marinhos e aves são algumas das perturbações que preocupam a equipe. Na UFSC, o Departamento de Botânica e o Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal aprovaram posição institucional contra a recategorização da reserva.

Mais informações:
– Paulo Horta: (48) 3721-8544 /
– Janayna Bouzon: (48 3721-8541 /
– Anderson Batista: (48) 3721-5521 / 3721-9099 /

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais:

A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo
Foi criada por decreto em 12 de março de 1990
 É constituída pelas ilhas Galés, Arvoredo e Deserta, e pelo Calhau de São Pedro
– Tem área de 17.600 hectares e engloba águas dos municípios de Florianópolis, Governador Celso Ramos, Porto Belo, Bombinhas e Tijucas.

Reservas Biológicas Marinhas no Brasil:
–  Representam 53.849 ha (0.02% da área total marinha brasileira), divididas em duas únicas, federais: Atol da Rocas (RN), com área de 36.249 há (68,64%), e do Arvoredo (SC), com área de 17.600,00 ha (31,36%) (inclusas as áreas marinha e terrestre)

Unidades federais de conservação marinha em Santa Catarina:
– Estação Ecológica de Carijós ………….. 712,00 ha (0,33%)
– A.P.A Anhatomirim…………………………. 3.000,00 ha (1,40%)
– A.P.A da Baleia Franca……………………156.100,00 ha (72,80%)
– Reserva Extrativista do Pirajubaé…….. 37.062,90 ha (17,28%)
– Reserva do Arvoredo……………………… 17.600,00 ha (8,21%)

 Recategorização para parque marinho
Foi debatida em audiência pública no dia 9 de julho, no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis. A audiência foi convocada pelos deputados federais Rogério Peninha Mendonça (PMDB/SC) e Esperidião Amin (PP/SC), atendendo pedido da bancada de deputados do Estado. Os parlamentares pretendem apresentar Projeto de Lei que transforma a reserva biológica em parque nacional, uma categoria de unidade de conservação menos restritiva e que permite a visitação.

A Associação das Escolas e Operadoras de Mergulho do Estado de Santa Catarina e a Associação Empresarial de Bombinhas, com o apoio de outras entidades, estão engajadas no Movimento Pró Parque Marinho. A ideia é que um projeto de lei que transforma em Parque Nacional a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo seja apresentado na Câmara dos Deputados. Após a apresentação, será distribuído às comissões parlamentares, onde deve passar por nova rodada de debates. No final do processo, deverá ser apreciado e votado pelo plenário da Câmara dos Deputados. Aprovado, seguirá para o Senado Federal, onde passa por processo semelhante. Depois precisa ser sancionado pela presidente Dilma Roussef.

Leia mais sobre pesquisas da UFSC:
UFSC terá representação de cinco jovens cientistas na Reunião Anual da SBPC
Pesquisa identifica consequências do uso de salto alto
Consequências do milho transgênico na fauna de besouros é tema de pesquisa
Estudo avalia que rotulagem de alimentos não segue padronização e pode confundir consumidor
Pesquisa avalia doenças causadas por contaminação atmosférica ocupacional
Laboratório de Protozoologia celebra 30 anos dedicados à pesquisa e à formação
Sub-rede de Desastres Naturais será coordenada pela UFSC
Pesquisas com goiabeira-serrana conquistam prêmio da Sociedade de Botânica Econômica dos Estados Unidos
Estudos têm resultados promissores para tratamento do AVC e de queimaduras com células-tronco
Pesquisa da UFSC sobre melhoria de ossos sintéticos é apresentada em congresso na China
UFSC se destaca no Prêmio Capes de Tese
Vida do educador Vilson Steffen é tema de documentário
Laboratório realiza ensaios para certificação de implantes de silicone pelo Inmetro
– Pesquisa sobre engenharia metabólica e evolutiva de leveduras conquista Prêmio Top Etanol
Professores da UFSC lançam publicação sobre mudanças climáticas
– Pesquisadores estudam mosquitos na Ilha de Santa Catarina

Tags: Laboratório de Ficologiareserva biológica marinha do arvoredoUFSC