Estilo de vida pouco saudável aumenta risco de depressão em jovens, aponta estudo da UFSC

Estudantes que praticam atividades físicas apresentam menos sintomas de depressão. Foto: Leticia Schlemper/Acervo Agecom/UFSC
Dados preliminares de um projeto com participação da Universidade Federal de Santa Catarina sinalizam que um estilo de vida pouco saudável entre jovens universitários indica maior probabilidade de levar a sintomas de depressão. O estudo faz parte do projeto Unilife-M, em que um “grupo de cientistas internacionais investiga como os comportamentos de estilo de vida e saúde mental mudam ao longo da jornada acadêmica e como essas mudanças estão associadas”. O diferencial da pesquisa é a possibilidade de acompanhar como as variáveis se relacionam ao longo do tempo.
O professor Thiago Matias, responsável pela pesquisa na UFSC e coordenador do Grupo de Pesquisa em Motivação e Movimento Humano (Motus), explica que a jornada na universidade produz diferentes impactos na vida dos jovens. Estes impactos, associados ao estilo de vida, são mapeados nas pesquisas. A iniciativa para a colaboração partiu do professor Felipe Barreto Schuch, da Universidade Federal de Santa Maria, e envolve 60 instituições em 20 países.
“Estilo de vida, no nosso contexto, são aspectos que envolvam comportamentos de saúde. Por exemplo, o quanto se pratica de atividade física, o que se come, como se dorme, como se relaciona, o tempo que passa em frente às telas. E aí a gente tem observado que essas alterações, positivas ou negativas, podem de alguma forma relacionar com a saúde mental deles”, explica o professor.
Em junho, a equipe coordenada por ele foi premiada em um congresso nacional pelo trabalho A complexidade de um estilo de vida negativo pode expor universitário à riscos importantes para a depressão. Neste estudo são apresentados dados sobre o estilo de vida e a saúde mental, especialmente os sintomas de depressão. Além do professor, fazem parte da pesquisa, pela UFSC, os acadêmicos Tuane Sarmento, Renato Claudino e Jhonatan Wélington Pereira Gaia.
Dentre o corpus analisado pelo estudo, três perfis de estilo de vida foram observados entre jovens. Os mais saudáveis, que chegam a 42,3% dos sujeitos da pesquisa, um grupo pequeno que combina aspectos bons e ruins , com 13,7%, e um grande grupo com perfil de risco para o estilo de vida, com 44%. “A gente observa que esse grupo com o pior estilo de vida, comparado ao mais saudável, está mais exposto e tem uma probabilidade maior de ter sintomas moderados e graves de depressão”, comenta Thiago.
O professor explica que o dado é bastante significativo porque os cientistas têm observado que mais de 50% dos universitários brasileiros apresentam o que se chama de triagem positiva para a sintomatologia de depressão. “Triagem positiva não é um diagnóstico, mas é um alerta muito forte de que tem muita gente com chances bem altas de ter sintomas moderados e graves de depressão.”
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