Seminário Memórias do Corpo abre inscrições para propostas de comunicação

31/08/2022 16:39

O Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura abre inscrições de propostas de comunicação para o III Seminário Memórias do Corpo, a ser realizado entre 28 a 30 de novembro na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A submissão das propostas pode ser feita de 30 de agosto a 30 de setembro, por formulário online na página do evento.

O seminário é realizado em parceria com o Departamento de Arte e o Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras, e deverá ocorrer no Auditório Henrique Fontes, Sala Hassis e Sala Drummond do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão, em Florianópolis. O tema desta edição é de corpos em movimento.

A ideia de deslocamentos, selecionada para constituir a temática central desta edição, compreende diversas áreas de pesquisa, reforçando uma perspectiva multi e interdisciplinar do evento, com força poética e política na literatura, nas artes visuais, na comunicação e no cinema. 

Poderão apresentar trabalho sob a forma de comunicação oral professores e estudantes de pós-graduação, doutores, mestres, graduados, pesquisadores independentes e estudantes pesquisadores de Iniciação Científica (obrigatoriamente em coautoria com o orientador). Após o término das inscrições, a comissão organizadora designará a comissão científica para realizar a avaliação dos trabalhos, a qual considerará a consistência das propostas recebidas, sua relevância, aderência aos eixos temáticos e, posteriormente, organizará as sessões de apresentação.

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UFSC Araranguá inaugura torre eólica totalmente construída por alunos

31/08/2022 14:34

Planta eólica do campus Araranguá. (Imagem: Energy Plus/ Alef Cerutti)

Nesta quarta-feira, 31 de agosto, às 18h30, o Grupo de Pesquisa Aplicada na Área das Energias Renováveis (Plus Energy), do Departamento de Energia e Sustentabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), irá inaugurar o seu próprio aerogerador no Campus de Araranguá. O projeto consiste em extrair do vento a energia cinética e convertê-la em energia elétrica, com o objetivo de alimentar a sala do centro acadêmico dos cursos do campus e, futuramente, o laboratório do Plus Energy.

A torre eólica, instalada em 20 de junho, foi totalmente projetada, construída e montada por uma equipe de dez estudantes. “O projeto surgiu em uma conversa no restaurante universitário, entre um amigo e eu, e pensamos em fazer algo que se relacionasse ao curso e aplicasse várias disciplinas”, conta Sulivan Graebin, aluno do curso de Engenharia de Energia. Durante o processo, foi preciso avaliar a viabilidade da construção da torre em Araranguá por estudos de qualidade do vento e potencial eólico, e ir atrás de patrocínio para construção dos sistemas elétricos e das pás.

O trabalho teve seu maior desenvolvimento após a restrição da pandemia de Covid-19, entre 2021 e 2022, mas a ideia foi concebida pelos próprios estudantes em 2019. A planta eólica que está sendo inaugurada nesta semana é o segundo modelo, construído com base nas análises feitas de dados da primeira versão do projeto. Alef Cerutti, aluno de Engenharia de Energia, comenta que “a parte mais difícil, falando de modo geral, é a questão financeira. Muita dificuldade de ter recurso e conseguir verba para comprar o necessário para montar o sistema”.

O gerador, autônomo, possui capacidade para gerar 5kW. A sua estrutura tem, da base até a ponta das pás, 13,5 metros – cada pá é constituída de alumínio e tem 3 metros de comprimento. Atualmente, o projeto está em etapas de estruturação do sistema de armazenamento da energia e sua distribuição, já que o grupo de pesquisa trabalha em projetos ligados à energia eólica e solar para abastecer parte da demanda do campus.

 

Confira a galeria de imagens do processo de construção e instalação da planta eólica:

Fotos: Instagram/ Energy Plus.

 

Carolina Monteiro e Matheus Alves/ Estagiários Agecom/ UFSC
Supervisão: Camila Raposo/ Jornalista da Agecom/ UFSC

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Revista Katálysis publica edição com tema ‘Desigualdade, fome e produção de alimentos’

30/08/2022 10:00

Revista Katálysis, editada pelo pelo curso de graduação e pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicou seu terceiro número de 2022 com o tema Desigualdade, fome e produção de alimentos. A publicação, de periodicidade quadrimestral, é classificada como A1 pelo Qualis/Capes e disponibiliza gratuitamente todo seu conteúdo. Os artigos da publicação estão disponíveis na página da revista e na plataforma Scielo.

A revista destina-se à publicação de artigos científicos originais sobre temas atuais e relevantes no âmbito do Serviço Social, áreas afins e suas relações interdisciplinares. Cada edição é voltada a um tema específico, considerado relevante no contexto social contemporâneo, mas também são publicados artigos que tratam de temas livres.

Mais informações pelo e-mail revistakatalysis@gmail.com.

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Professores da UFSC desenvolvem modelo didático para ensino de geometria descritiva

29/08/2022 16:20

Os professores Juliane Silva de Almeida e Márcio Schneider de Castro, do Departamento de Expressão Gráfica (EGR) da UFSC, desenvolveram um produto educacional com potencial para aprimorar o ensino da disciplina de geometria descritiva. As maquetes digitais interativas desenvolvidas na plataforma livre GeoGebra ajudam alunos dos cursos de engenharias e Arquitetura a compreender alguns conceitos-chave da disciplina.

De acordo com os professores, a interatividade das maquetes digitais está presente no processo de visualização das representações gráficas características da geometria descritiva – conhecidas como espaço e épura -, na representação visual de métodos descritivos e na configuração das coordenadas dos pontos pertencentes aos elementos geométricos representados. A escolha do GeoGebra para o desenvolvimento das maquetes digitais se deu pelo fato de ser uma plataforma versátil, intuitiva, gratuita e compatível com diferentes navegadores de internet e sistemas operacionais de computador. Além disso, o GeoGebra apresenta versão offline para computador e para celular, explicam.

“Uma das motivações para a criação das maquetes digitais era fornecer aos alunos dos cursos atendidos pelas disciplinas de representação gráfica espacial e geometria descritiva um recurso visual que permitisse a composição das representações espacial e em épura em uma única maquete, por interatividade do usuário. Os próprios estudantes podem configurar os elementos geométricos presentes nas maquetes e as representações espacial e em épura, através da manipulação dos controles deslizantes do GeoGebra”, afirma a professora Juliane Almeida.
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Jornada do Núcleo de Estudos Irlandeses está com chamada aberta para submissão de trabalhos

29/08/2022 13:46

A VI Jornada do Núcleo de Estudos Irlandeses – Irish Modernisms recebe, até sexta-feira, 2 de setembro, propostas de comunicações sobre questões modernistas e contemporâneas na literatura, no teatro, no cinema e na arte irlandesa. O evento ocorre nos dias 8 e 9 de novembro, no Auditório Henrique Fontes, do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e os trabalhos deverão ser apresentados preferencialmente em inglês, com duração de quinze a vinte minutos. Os interessados devem enviar um resumo de 150 a 200 palavras, com nome do autor e título da comunicação, para o e-mail ufsc.nei@gmail.com, em inglês (preferencialmente) ou português.

Nesta edição, o evento traz como tema o modernismo, que, longe de ser apenas um movimento artístico, intelectual e cultural do passado, continua informando a produção artística contemporânea, seja como influência direta, releitura ou contraponto ao pós-modernismo. A “modernidade líquida”, termo cunhado por Zygmunt Bauman, sugere a fragilidade, fugacidade e esfacelamento das estruturas sociais – mais perceptíveis a partir da década de 1960. Já críticos como Rita Felski questionam se o “modernismo” seria um ou vários movimentos ocorridos a partir do final do século XIX: até quando vão os modernismos? Qual a sua abrangência nas artes? 

Mais informações no site do Núcleo de Estudos Irlandeses.

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Mestrado em Engenharia de Sistemas Eletrônicos da UFSC Joinville está com inscrições abertas

25/08/2022 10:47

O Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PPGESE) da UFSC Joinville está com inscrições abertas para seleção de alunos regulares do curso de mestrado, que devem ser realizadas entre os dias 09 de agosto e 04 de setembro, conforme preenchimento de formulários e encaminhamento de documentação descritos no editalO mestrado é gratuito e de caráter presencial, oferecido no Campus de Joinville da UFSC.

Há 15 vagas disponíveis, nas linhas de pesquisa: Sistemas Embarcados e Sistemas Eletrônicos de Potência. Os alunos regulares do programa poderão se candidatar a bolsas de estudo, participar de projetos de pesquisas com grandes empresas, realizar intercâmbio para cursar disciplinas e/ou realizar estágio no exterior, dentre outras oportunidades. Por meio da reserva de vagas previstas pelas políticas de Ações Afirmativas da UFSC, serão asseguradas vagas para candidatos negros (pretos e pardos), indígenas e também para candidatos com deficiências.

Acesse o edital completo clicando aqui.

Saiba mais sobre o PPGESE no site.

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Pesquisador da UFSC é premiado por estudo que investiga bolhas em escoamentos gás-líquido

25/08/2022 10:22

Um estudo realizado na UFSC para ajudar a desenvolver modelos que resultem em processos e produtos mais eficientes e sustentáveis para as indústrias química, petrolífera e de energia recebeu a menção honrosa no Prêmio da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), na categoria Tese de Doutorado. O trabalho Experimental and numerical investigation of gas-liquid flows in the presence of Taylor and dispersed bubbles, de Rafael Franklin Lázaro de Cerqueira, com orientação de Emilio E. Paladino, professor de Engenharia Mecânica, investiga as chamadas “bolhas de Taylor”, pequenas e grandes bolhas de ar presentes em determinados processos industriais.

De acordo com Cerqueira, isso pode ocorrer em tubulações de produção e transporte de petróleo e gás e em equipamentos como separadores, trocadores de calor, bombas, ou sistemas de refrigeração, cobrindo inúmeras áreas e processos de engenharia. “Bolhas de gás podem estar distribuídas em diferentes formas e tamanhos, entranhadas em um filme de líquido, gotas em uma fase gás contínua, tudo acontecendo no mesmo processo”, explica.

Para estudar o fenômeno, o pesquisador montou uma bancada no Laboratório de Simulação Numérica em Mecânica dos Fluidos e Transferência de Calor da UFSC. A ideia era reproduzir um escoamento bifásico real, em que pequenas e grandes bolhas de ar foram injetadas em uma tubulação vertical. Escoamentos bifásicos são aqueles em que se pode observar uma distinção nas fases presentes “A dinâmica das bolhas de ar foi filmada por uma câmera rápida, e as filmagens foram posteriormente analisadas e processadas por códigos computacionais”.

Cerqueira explica que os escoamentos gás-líquido bifásicos podem ser encontrados em diferentes padrões ou configurações de escoamento, com diferentes escalas de comprimento interfaciais. Para ilustrar o que isso representa, ele usa um exemplo de fácil identificação na natureza: o da quebra de uma onda na praia. “Pode-se encontrar pequenas gotículas de água sendo ejetadas por sua crista e pequenas bolhas de ar presas dentro da onda, formando uma espuma. Estas gotas e bolhas podem ser vistas como estruturas com interfaces de pequena escala, já que seus comprimentos característicos são ordens de grandeza menores que o comprimento da onda”.

“As diferentes escalas interfaciais podem interagir umas com as outras de forma complexa”, indica. De acordo com os resultados do estudo, as pequenas bolhas dispersas no experimento afetaram a estrutura do escoamento ao redor das bolhas de Taylor, alterando o movimento ascendente da interface em grande escala. Segundo o pesquisador, isso fornece informações para o desenvolvimento de um modelo numérico que seria o primeiro passo para a simulação de escoamentos complexos, comuns na área da indústria de óleo e gás. Este modelo também pode ser estendido para escoamentos em que há mudança de fase, como condensação e evaporação, comum em muitas áreas na indústria de energia.

Tags: Laboratório de Simulação Numérica em Mecânica dos Fluidos e Transferência de CalorPrêmio da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM)

Grupo de pesquisadores da UFSC participa de projeto que mobiliza 35 organizações das Américas, Europa e África

24/08/2022 14:01

Um grupo de pesquisadores formado por professores, técnicos administrativos e acadêmicos de graduação e mestrado do Laboratório de Camarões Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina está participando de um projeto mundial para impulsionar a aquicultura sustentável no Oceano Atlântico. No total são 35 centros de pesquisas, universidades e indústrias das Américas do Sul e Norte, Europa e África.

O projeto AquaVitae começou em maio de 2019 e deve durar até o final de 2023. O objetivo é aumentar a produção de espécies de baixo nível trófico (relativo à alimentação) na aquicultura marítima dos países banhados pelo Atlântico. São espécies que pertencem a grupos de plantas ou animais mais baixos da cadeia alimentar, como macroalgas, ostras, mexilhões, ouriço-do-mar, pepino-do-mar, abalone e tambaqui.

Os primeiros resultados foram apresentados ainda em 2020, quando pesquisadores e produtores do setor aquícola ao redor do mundo reuniram-se de forma on-line para compartilhar dados do primeiro ano do projeto. A UFSC coordena o subprojeto de Amti em bioflocos e tanques, que tem ainda participação da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Primar Aquicultura, primeira fazenda de aquacultura orgânica certificada do Brasil. A proposta é desenvolver um sistema integrando o cultivo do camarão-branco-do-pacífico (Litopenaeus vannamei), tainha (Mugil lisa) e macroalga (Ulva sp.).

A missão do AquaVitae é prover alimentos seguros e saudáveis para as pessoas, melhorar ainda mais a produtividade, analisar a rentabilidade dos produtores aquícolas e oferecer aconselhamento sobre política e governança. “O Atlântico é um recurso alimentar compartilhado e vital para a economia dos países costeiros, mas o oceano está sob crescente pressão devido à superpopulação, mudanças climáticas, sobrepesca e necessidade de uma melhor segurança alimentar. A aquicultura é uma maneira eficaz para se produzir mais alimentos do oceano. Porém, para ser mais sustentável, a aquicultura deve se expandir para além das pisciculturas e incluir espécies de nível trófico baixo que possuem pequeno impacto ambiental”, destacado o vídeo de apresentação do projeto.

 

Leia a reportagem completa na edição número 13 da Revista da Fapeu que está disponível em https://abre.ai/revistadafapeu

Tags: Laboratório de Camarões MarinhosRevista da Fapeu

Equipe do Colégio de Aplicação conquista segundo lugar na etapa regional da Olimpíada Brasileira de Satélites

23/08/2022 15:41

Estudantes viajaram a Santa Maria (RS) para a etapa regional da competição. Foto: arquivo pessoal

A equipe Sagittarius A, formada por estudantes do 9º ano do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi a segunda colocada na etapa regional Sul da Olimpíada Brasileira de Satélites (Obsat). Após 11 horas de viagem, de Florianópolis até Santa Maria, no Rio Grande do Sul, os alunos Isabella de Freitas, Rosa Maria Miranda, João Vitor Caetano e Marcos Bueno tiveram a oportunidade de trocar ideias e compartilhar experiências com outras equipes e com os organizadores da Obsat, presenciar o lançamento de um satélite e participar de algumas palestras. O encontro ocorreu no dia 13 de agosto, e o grupo foi acompanhado por seu mentor, o graduando em Física João Batista Vieira Sousa.

O projeto do time do Colégio de Aplicação teve como principal missão monitorar o ecossistema de manguezais no país. Após um ano de pesquisas, a equipe construiu um satélite capaz de medir o nível de gás carbônico (CO2) da estratosfera e comparar com outros locais, determinando o impacto da urbanização para aquele lugar e suas possíveis consequências. Os manguezais ocupam uma grande área do território brasileiro, mas sofrem pressão da expansão imobiliária nas grandes cidades litorâneas. A pesquisa teve os objetivos de mostrar a importância dos mangues na absorção desse gás de efeito estufa e de identificar áreas de desmatamento, contribuindo para a consciência da necessidade de preservação. Agora, a equipe planeja continuar aperfeiçoando o projeto, a fim de buscar novas oportunidades na próxima edição da Obsat.

A Olimpíada Brasileira de Satélites é uma olimpíada científica de abrangência nacional, concebida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e organizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em conjunto com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP).

A iniciativa busca promover experiências teóricas e práticas em projetos de satélites de pequeno porte, difundindo a cultura aeroespacial para estudantes e professores de instituições de ensino de nível médio, técnico profissionalizante e universitário. A Obsat é gratuita para qualquer aluno matriculado em instituições brasileiras de ensino fundamental, médio, técnico ou superior. Como objeto de trabalho, e ao mesmo tempo ferramenta de aprendizado, utilizam-se pequenos satélites, chamados de CanSats, TubeSats, PocketSats ou CubeSats.

Tags: 1ª Olimpíada Brasileira de Satélites (Obsat)Colégio de AplicaçãonanossatéliteObsatsatéliteUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC tem dois pesquisadores contemplados em prêmio nacional de estudos sobre futebol

23/08/2022 14:26

Foto: Danilo Borges/copa2014.gov.br/CC BY 3.0

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) teve dois trabalhos reconhecidos no III Prêmio Brasil de Teses e Dissertações sobre Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor – Edição 2022, promovido pela Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. 

A pesquisa Globalização e o sistema-mundo moderno do futebol: modernidade e (de)colonialidade na circulação de atletas a partir dos mundiais FIFA, realizada por Juliano Oliveira Pizarro no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, foi a terceira colocada entre as teses de doutorado. Já João Henrique Krauspenhar, mestre e doutorando em Contabilidade pela UFSC, conquistou a terceira colocação entre as dissertações de mestrado, com o trabalho A recuperabilidade do ativo intangível relativo aos atletas dos clubes de futebol brasileiros. Ambos também foram os primeiros colocados, em suas categorias, na linha de pesquisa Aspectos econômicos do futebol e suas derivações e, como parte do prêmio, terão seus estudos transformados em livro.

Ao longo de seu doutorado, Juliano buscou entender como o processo de globalização e os fluxos de migração de atletas se relacionam com a acentuação da desigualdade no futebol, bem como as especificidades do mercado do futebol praticado por mulheres. Para isso, utilizou fontes bibliográficas e documentais e analisou dados de 25.921 jogadores, 1.240 equipes e 76 competições mundiais de categorias de base, seleções e clubes. Em janeiro, a Agência de Comunicação da UFSC (Agecom) publicou uma reportagem sobre o estudo.

A dissertação de João Henrique, por sua vez, analisou a recuperabilidade do ativo correspondente aos atletas dos clubes de futebol brasileiros. Para isso, valeu-se de 198 observações, de dados de 2013 a 2019, de 34 times das séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2019. O pesquisador aponta que o teste de impairment não está sendo devidamente realizado pelos clubes de futebol brasileiros em relação aos seus atletas. Também chamado de teste de recuperabilidade, o teste de impairment assegura que os ativos não estejam registrados contabilmente por um valor superior aos benefícios que eles podem proporcionar à entidade. Os resultados indicaram, ainda, que é positivo o impacto patrimonial de se considerar o valor recuperável desse ativo em substituição ao seu valor de registro.

A relação completa de premiados foi publicada no Diário Oficial da União (em pdf).

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Servidora da UFSC aplica arqueologia forense em pesquisa sobre centro de tortura da ditadura militar

22/08/2022 17:25

Foto: Aline Lourenço Campanha/Memorial da Resistência de SP

A servidora Maryah Elisa Morastoni Haertel, técnica de laboratório de Física do Campus de Blumenau da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é uma das integrantes da equipe que pesquisará, usando a arqueologia forense, o prédio onde funcionava o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. Para o local eram levados e torturados os presos durante o período da ditadura militar.

O objetivo do estudo é ampliar o conhecimento científico em relação ao local e ao que aconteceu ali naquela época, além de esclarecer fatos de possíveis violações de direitos humanos à sociedade. A ideia é preservar a memória para que as futuras gerações conheçam a história e percebam o valor da democracia. O trabalho também buscará identificar desaparecidos políticos por meio de exames de DNA, caso isso seja possível.

Intitulada Arqueologias do DOI-Codi do II Exército (São Paulo): leituras plurais da repressão e da resistência, a pesquisa é coordenada pela professora Cláudia Regina Plens, do Laboratório de Estudos Arqueológicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e inclui pesquisadoras – todas mulheres – de mais cinco universidades. Essa é a primeira vez que um centro de tortura da ditadura militar no Brasil será pesquisado por meio da arqueologia forense, que é a aplicação de métodos e técnicas arqueológicos e forenses para o esclarecimento de acontecimentos, fatos e possíveis crimes ocorridos.
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Pesquisadoras da UFSC mapeiam assentamentos humanos pré e pós-colombianos da Amazônia

19/08/2022 17:38

Casa do Seringueiro, no Rio Tapajós. Foto: Carolina Levis

Uma parceria entre uma equipe de quatro pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, por meio do hub Brazil Lab, está identificando e mapeando os assentamentos humanos pré e pós-colombianos na Amazônia. A proposta é gerar um mapeamento da região, a partir dos dados coletados e estudos individuais e agregados, e disponibilizar essas informações de forma pública e aberta, além de agregar camadas de informação aos sítios pós-colombianos.

Financiador do trabalho, o Brazil Lab é uma iniciativa da Universidade de Princeton para promover a interação de pesquisadores brasileiros com professores da instituição norte-americana, constituindo-se em um hub de criatividade, de geração e realização de ideias. Iniciado em fevereiro de 2021, o projeto desenvolvido na UFSC também conta com apoio da equipe do professor Lucas Bueno, do Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia da UFSC, que construiu o banco de dados Brazilian Radiocarbon Database – BRC14Database, e com a Amazonian Archaeological Sites Network (AmazonArch), uma rede de pesquisa internacional que compartilha dados e informações sobre sítios arqueológicos distribuídos pela Amazônia.

“Como os objetivos do grupo de trabalho do professor Lucas coincidem com os da rede AmazonArch, a ideia é uniformizar esse mapeamento para que no futuro consigamos unir e alimentar as bases de dados de maneira combinada e integrada. A meta é que essa base nos informe como se deu, no tempo e no espaço, o povoamento da Amazônia, quais povos eram, que tipo de atividade eles exerciam, se cerâmica, se confecção de algum artesanato em barro”, cita a professora do Departamento de Física da UFSC Marina Hirota, coordenadora do projeto. Além dela, também participam da pesquisa a pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC Carolina Levis; a mestra em Ecologia pela UFSC Gessica Minski; e Ana Paula Faggiani, estudante do curso de Meteorologia.
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Egressa é premiada pela Associação Brasileira de Estudos de Defesa

18/08/2022 15:54

A pesquisadora Isabella Neumann, mestra em Relações Internacionais pela UFSC e doutoranda na Universidade de Coimbra, foi contemplada com o Prêmio Abed de Melhor Dissertação de Mestrado, organizado pela Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed) e patrocinado pela Embraer. O reconhecimento foi anunciado no XII Encontro Nacional da Abed, que ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), entre os dias 10 e 12 de agosto. Como parte da premiação, a dissertação será publicada em forma de livro.

Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI) sob orientação da professora Graciela De Conti Pagliari, a dissertação Jogo de interesse nas Forças Armadas: a moderada presença da mulher militar no Brasil sob a perspectiva das relações civis-militares aborda a incorporação feminina militar nas Forças Armadas do Brasil, tendo como marco temporal os anos de 1980 a 2020. O primeiro capítulo explica que o tema da mulher militar é envolvido por elementos que combinam os interesses civis e militares do Estado, circunstância que incentiva as Forças Armadas a aceitarem a presença feminina em seus corpos.

O segundo capítulo investiga o estado da incorporação das mulheres militares e discute as restrições discriminatórias impostas ao gênero. Por fim, o terceiro capítulo efetua uma revisão histórica dos marcos legais que tratam do tema mulher militar. Uma das conclusões da pesquisa é que a incorporação feminina militar é moderada nas Forças Armadas do Brasil porque “o jogo de interesses civis e militares é processado distante da pretensão de obter a equidade de gênero na organização armada”.  

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Laboratório da UFSC detecta anomalias que afetam o desempenho de aerogeradores

12/08/2022 07:35

Foto: Divulgação /AQTech

Um grupo de pesquisadores do Laboratório de Integração Software/Hardware (Lisha) do Centro Tecnológico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolve o projeto Detecção de anomalias em aerogeradores usando inteligência artificial, buscando aplicar técnicas de inteligência artificial (AI), machine learning (aprendizado de máquina) em particular, a dados operacionais e de vibração para detectar condições específicas de desempenho na operação de geradores eólicos de energia elétrica.

Como máquinas que são, os aerogeradores estão sujeitos a forças que vão além daquela aplicada pelos ventos nos rotores, e essas forças podem causar vibrações em diversos componentes do aerogerador, principalmente na caixa de transmissão. “A correlação dos dados operacionais, como a velocidade e a direção do vento, a velocidade nas partes móveis e a potência gerada, com dados sensoriais, que capturam tais vibrações, nos permite diagnosticar a máquina enquanto ela opera”, explica o professor Antonio Augusto Fröhlich, coordenador dos trabalhos na UFSC.

Uma das empresas parceiras do projeto, que atua no desenvolvimento de soluções de monitoramento e diagnóstico para o mercado de energia, instrumentou um conjunto de aerogeradores com sensores de vibração, incluindo vibrações acústicas. A instrumentação alinha-se com a plataforma do laboratório, e a telemetria permite a aplicação de técnicas de inteligência artificial em diversos estágios do monitoramento. O principal benefício da detecção de anomalias nos aerogeradores é a possibilidade de manutenção antecipada do ativo, e, consequentemente, o aumento da disponibilidade da máquina.

Isso representa vantagem para o dono do ativo, com a redução dos custos de manutenção, e até mais renda, com o equipamento disponível por mais tempo. Já o impacto social mais relevante está relacionado ao aumento do uso de energias renováveis, principalmente em momentos de crise hídrica como a registrada recentemente no Brasil. “Com o aumento da geração eólica se reduz o uso de térmicas, e, consequentemente, diminuem o custo do MWh e os impactos ambientais”, observa o professor Fröhlich.

O principal modo de falha detectado até o momento diz respeito a defeitos no eixo da alta velocidade da caixa de transmissão do aerogerador. As vibrações observadas dependem da velocidade de rotação, e o treinamento de modelos robustos que capturem as variações é considerada uma grande conquista para a equipe da UFSC. “Hoje conseguimos prever tais falhas com antecedência, alertando a empresa para que possa escalonar manutenções preventivas, evitando assim que a máquina sofra defeitos permanentes”, destaca o professor.

Com todos os objetivos alcançados, a parceria agora parte para a ampliação do número de aerogeradores monitorados e para a ampliação do espectro de outros modos de falhas. E, claro, colaborar cada vez mais com o aumento acelerado da geração de energias renováveis e ambientalmente sustentáveis.

A reportagem completa integra a edição número 13 da Revista da Fapeu disponível em https://abre.ai/revistadafapeu

Tags: Detecção de anomalias em aerogeradores usando inteligência artificialEnergia Eólicageradores eólicosLaboratório de Integração Software/Hardware

UFSC ganha quatro menções honrosas em Prêmio Capes de Tese

11/08/2022 11:25

A Universidade Federal de Santa Catarina conquistou quatro menções honrosas no Prêmio Capes de Tese – Edição de 2022, um dos mais tradicionais da pesquisa no Brasil. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 11 de agosto, no Diário Oficial, e trazem destaque a estudos da UFSC desenvolvidos em quatro áreas do conhecimento: Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Linguística e Literatura e Nutrição. No total, 49 trabalhos foram premiados e outros 96 receberam menção honrosa.

Matheus Soares Geraldi recebeu o reconhecimento pela tese Building stock modelling for energy benchmarking of schools in Brazilque teve o objetivo de desenvolver métodos de obtenção de modelos representativos do estoque de edificações para aferir o desempenho energético das escolas brasileiras. A orientação foi de Enedir Ghisi. Já Ricardo Augusto Borsoi foi reconhecido pelo trabalho Spectral variability in hyperspectral unmixing: multiscale, tensor, and neural network-based approaches, que desenvolve estratégias para mitigar a variabilidade espectral na separação espectral. A orientação é de Jose Carlos Moreira Bermudez.

A pesquisadora Cybelle Saffa Da Cunha Pereira Soares foi destaque na área de Inglês:Estudos Lingüísticos E Literários, com a tese From purification to preposterous violence: a corpus-based study on the semantic prosody of violence in the (re)translation and (re)writings of Jacobs’ fairy talesOrientada por Lincoln Paulo Fernandes, ela estudou as diferentes categorias de violência presentes nas retraduções de contos de fadas ao longo de sessenta e nove anos. No campo da Nutrição, a tese Formatos de informações sobre os açúcares na rotulagem de alimentos industrializados: estudo multimétodos do contexto brasileirode Tailane Scapin, recebeu a menção honrosa. Orientada por Rossana Pacheco da Costa Proença e coorientada por Ana Carolina Fernandes, ela avaliou as informações sobre os açúcares na rotulagem de alimentos industrializados e investigou formatos de rotulagem que sejam compreensíveis e auxiliem consumidores brasileiros nas suas escolhas alimentares.

O Prêmio CAPES de Tese reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos em programas de pós-graduação brasileiros de acordo com os seguintes critérios: originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação e o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato. Criado em 2005 e entregue pela primeira vez em 2006, ele abrange todas as áreas de conhecimento que têm um representante na avaliação da pós-graduação stricto sensu. Um dos objetivos da iniciativa é aumentar a visibilidade das ações positivas e indutoras da Capes na pós-graduação brasileira.

 

Tags: menção honrosaPrêmio Capes de Tese - Edição de 2022Programa de Pós-Graduação em Engenharia CivilPrograma de Pós-Graduação em Engenharia ElétricaPrograma de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e LiteráriosPrograma de Pós-Graduação em Nutrição

Pesquisa da UFSC identifica e mapeia produtividade de energia solar em Santa Catarina

11/08/2022 08:29

Unidade consumidora capaz de produzir energia foi estudada em tese (Divulgação)

Uma pesquisa de doutorado realizada na Universidade Federal de Santa Catarina identificou que, apesar de apresentar um dos menores índices de irradiação do Brasil, o cenário para a utilização da fonte solar na matriz energética do Estado é favorável e promissor, podendo gerar impactos econômicos e ambientais, com destaque para a região Oeste. A tese defendida por Andrigo Filippo Gonçalves Antoniolli no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil analisou dados do Projeto Bônus Fotovoltaico da Celesc, que instalou 1.250 sistemas eficientes de geração de energia elétrica em todas as regiões catarinenses. “A produtividade média em Santa Catarina é boa quando comparada, por exemplo à Alemanha, pois a do Estado é 30% superior à das melhores regiões da Alemanha”, compara.

Um algoritmo desenvolvido pelo pesquisador gerou dados que indicam que Santa Catarina apresenta valores médios de produtividade acima de 1.200 kWh/kWp por ano. Ou seja, cada 1 kWp instalado pode produzir em média, pelo menos 100 kWh/mês dentro do território catarinense. O estudo consolidou os números a partir de uma ferramenta de gestão e auxílio à tomada de decisão que analisa com cerca de 95% de precisão dados de um grande volume de microgeradores.

A tese foi orientada pelo professor Ricardo Rüther, com co-corientação da professora Helena Flávia Naspolini. “A metodologia desenvolvida na tese pode ser utilizada para prever a geração mensal e anual de futuros sistemas fotovoltaicos a serem instalados em qualquer local para auxiliar no planejamento, além de servir de como subsídio para análises de retorno do investimento mais apuradas”, indica Antoniolli.

O foco do estudo está no modelo de geração distribuída, que oferece energia no local de consumo – ou em local próximo – a partir de fontes renováveis. Os módulos fotovoltaicos instalados em 1250 casas espalhadas pelo Estado são um exemplo de como cada unidade consumidora pode vir a ser um potencial gerador de energia. Somadas, essas unidades representam valores consideráveis para o sistema de distribuição como um todo. No estudo, elas formaram o que se chama de “unidade prossumidora” e, juntas, têm potência instalada equivalente a da Usina Solar Cidade Azul, localizada no complexo de Jorge Lacerda, no município de Capivari de Baixo.

O pesquisador decidiu estudar o assunto pensando no surgimento de uma nova figura: o prossumidor – ou o consumidor que também produz energia elétrica. Com a tecnologia de sistemas fotovoltaicos, os cidadãos estão aptos a produzirem a energia que consomem. “Antes, as grandes indústrias eram proprietárias das usinas geradoras, que enviavam para as empresas de transmissão/distribuição e então chegavam às residências. Agora o consumidor, na sua casa, pode ter um gerador e ser dono da sua própria energia ou compartilhar com outras pessoas”, explica.

No caso do projeto da Celesc, a proposta era promover a geração distribuída a partir de 1.250 telhados residenciais. Os participantes foram selecionados via edital, pois precisavam respeitar a uma série de pré-requisitos, entre eles a angulação e orientação do telhado onde o sistema fotovoltaico seria instalado, com o objetivo de aproveitar melhor a irradiação solar. O consumo médio de 350 kWh por mês também era requisito obrigatório.

Os consumidores tiveram acesso a um bônus de 60% na instalação dos sistemas. Em 2020, a Celesc divulgou que o benefício estimado foi a geração de energia de 4.464,36 MWh/ano, suficiente para abastecer mais de 22,3 mil residências durante um mês inteiro. O projeto também evitou o lançamento de 303 toneladas de CO2 na atmosfera, correspondente ao plantio de 2.170 árvores.

Dados

A média anual da geração fotovoltaica do conjunto de telhados analisados foi de 3.353 kWh/ano ou produtividade anual de 1.265 kWh para cada 1 kWp instalado, com oscilações entre as quatro regiões estudadas em Santa Catarina. No estudo, um mapa definido a partir dos níveis de irradiação situa o Oeste como o mais favorável à geração solar fotovoltaica seguida por uma faixa composta pela região litorânea, Serra e Meio-Oeste. Algumas regiões no Vale e no Sul apresentam menos produtividade.

Mapa gerado pelo estudo registra regiões mais promissoras

A exploração e análise estratégica de dados foi fundamentada em conceitos de Business Intelligence, proporcionando informações relevantes sobre a performance do sistema e ajudando no suporte à tomada de decisão de forma rápida e embasada. “A adoção do telhado fotovoltaico em residências no Brasil demonstrou ser vantajosa e, além disso, o tempo de retorno do investimento está em tendência de queda devido às contínuas reduções de preços da tecnologia e constantes aumentos na tarifa residencial”, pontua o pesquisador.

A análise de Antoniolli destrincha os dados fornecidos de cinco em cinco minutos pelo projeto de janeiro a dezembro de 2019, mas também investiga o aproveitamento específico de uma das unidades que compõe o programa. O estudo detalhou, sob diferentes óticas, o caso de uma residência situada perto do campus da UFSC, em Florianópolis. Do ponto de vista da concessionária, o consumo anual da unidade analisada foi reduzido em 18% após a integração. Sob a ótica do consumidor, o consumo total anual aumentou 8% e a redução das despesas com energia elétrica foi de 54%.

Segundo o pesquisador, os dados obtidos e a ferramenta elaborada durante a pesquisa, além de servirem como referência para profissionais da área de energia, também podem colaborar com o planejamento de cooperativas solares. “É possível prever de forma mais precisa e mais confiável o planejamento de uma cooperativa solar, pois conseguimos identificar a produtividade média por região e qual delas é a mais indicada para a implementação de uma cooperativa composta por pequenos produtores de energia”, finaliza.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom

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Professora da UFSC publica texto sobre varíola dos macacos: ‘O que estamos esperando para agir?’

02/08/2022 10:59

Um grupo de pesquisadores de instituições de pesquisas brasileiras e da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva publicou, em preprint, um artigo sugerindo ações para o enfrentamento à Monkeypox, a varíola dos macacos. Uma das autoras, a professora do Departamento de Saúde Pública da UFSC, Alexandra Boing, falou à Folha de S. Paulo sobre o assunto: “A partir do momento que você não tem dados, não consegue gerar informação de qualidade para comunicar a população e os profissionais de saúde e guiar as ações e políticas de saúde”, disse, na entrevista. O texto foi submetido à Revista Brasileira de Epidemiologia.

Os cientistas chamam a atenção para o desafio sanitário que se coloca ao Brasil, já que a escalada de casos ocorre em meio a um cenário em que o país convive com a pandemia da Covid-19. O primeiro caso importado no Brasil foi confirmado em 9 de junho, mas, em pouco mais de um mês, havia 813 casos registrados e transmissão comunitária no país.

Os pesquisadores apontam para a falta de estrutura laboratorial para diagnóstico rápido e desestruturação dos serviços de vigilância. “Ações rápidas e coordenadas são urgentes e imprescindíveis”, pontuam, recomendando medidas como a definição de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas na rede de atenção à saúde, a implementação de um sistema de informação unificado para registro dos casos confirmados e o treinamento e formação de profissionais de saúde. O grupo também sugere “campanhas e ações de comunicação de risco em saúde junto à população sobre a doença, sinais, sintomas, medidas preventivas e combate ao estigma, pensadas e organizadas com participação ativa das comunidades”.

Segundo o texto, a Monkeypox é uma zoonose endêmica na África Central e Ocidental, causada por um orthopoxvírus, até então, em grande parte, ignorada globalmente. O artigo informa que, desde maio, vários casos foram reportados por países onde a doença não é endêmica, registrando rápida disseminação. Até 24 de julho foram mais 16 mil casos em 75 países. Os pesquisadores alertam, ainda, que apesar do nome com que se popularizou a doença, o macaco não é o principal reservatório do vírus, o que exige ações para evitar o extermínio do animal.

Apontada como inicialmente branda em pacientes saudáveis, a doença oferece mais risco de complicações em crianças, grávidas e pacientes imunodeprimidos. Dados indicam que a transmissão do vírus ocorre a partir do contato direto com lesões cutâneas, fluidos corporais, gotículas respiratórias, durante contato físico próximo, relações sexuais e aglomerações. “Garantir o acesso igualitário aos recursos disponíveis para o enfrentamento da doença é indispensável diante de mais uma emergência de saúde pública de doença transmissível”, sinalizam os cientistas.

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Professora da UFSC encomenda livro com propostas sobre ciência e educação a grupo de cientistas

28/07/2022 18:04

A professora Débora Peres Menezes, docente do Departamento de Física da UFSC e atual presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) é uma das responsáveis pela publicação do livro “Ciência para o desenvolvimento sustentável – O Papel da Física”. Lançado na última quarta-feira, 27 de julho, durante a Assembleia Geral da SBF, o livro será encaminhado para candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais nas eleições de 2022.

De acordo com publicação na página da SBF, o livro “aborda temas que vão da necessária transição energética para uma matriz limpa até a ciência de dados e as novas tecnologias quânticas, passando pela discussão sobre a nossa educação básica e pelo modo como cientistas devem se comunicar com a sociedade.”

O livro pode ser baixado gratuitamente no portal da SBF.

De acordo com a professora Débora, o livro foi elaborado para atender uma solicitação do Conselho da SBF. Foi coordenado por Adalberto Fazzio e teve como editor responsável Alaor Chaves, ambos ex-presidentes da SBF. “Houve consulta a vários notáveis da Física”, revela a professora, citando o ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Ricardo Galvão e Paulo Artaxo, representante brasileiro no IPCC, o painel internacional das mudanças climáticas.

Além do lançamento na Assembleia Geral da SBF, o livro foi distribuído aos comitês dos candidatos à Presidência da República durante a 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre de 24 a 30 de julho em Brasília.

 

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A ciência da superação: como a pesquisa acadêmica na UFSC enfrenta os baixos investimentos e maior burocracia

27/07/2022 11:54

Crédito: Pixabay

Redução de verbas, congelamento de valores de bolsas de estudos, aumento da burocracia. Não tem sido fácil a vida do pesquisador brasileiro nos últimos anos. São cada vez maiores as dificuldades, mas eles não desistem. “Apenas por meio da pesquisa científica é possível promover inovações para o desenvolvimento tecnológico, com potencial de impacto direto na produtividade e competitividade da indústria nacional, assim como nos demais pilares de sustentabilidade, meio-ambiente e bem-estar do trabalhador. Ou seja, não se trata apenas de quantidade de empregos, mas também de qualidade dos empregos”, ressalta o professor Régis Henrique Gonçalves e Silva, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “A pesquisa científica é fundamental para a solução de problemas e gargalos de uma nação em constante transformação, como o Brasil. A pesquisa científica é um caminho para gerar riquezas e melhorias da nossa sociedade”, acrescenta André Báfica, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC com pós-doutorado no National Institutes of Health, dos Estados Unidos.

Um levantamento feito em 2017 pelo Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e Institutos de Pesquisa (Confies) revelou que os cientistas gastam, em média, mais de 30% do tempo de estudo com a gestão dos projetos. “É natural que haja mecanismos de controle e supervisão, mas por aqui eles são demasiadamente numerosos e morosos nas suas análises”, afirma Ricardo Rüther, professor do Departamento de Engenharia Civil da UFSC com pós-doutorado em Sistemas Solares Fotovoltaicos na Alemanha e na Austrália. “Isso engessa sobremaneira a capacidade dos pesquisadores de serem ágeis e atenderem rapidamente às demandas da sociedade e da indústria”, lamenta Rüther, que em 2019 foi reconhecido com Prêmio Conquista por Ação – Em memória de Christopher A. Weeks”, concedido pela International Solar Energy Society (Ises).

Leia a reportagem completa na Revista da Fapeu, na íntegra, pelo link: https://abre.ai/revistadafapeu

Tags: Revista da FapeuUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Projeto da UFSC promove live sobre sobre Agenda 2030 e Acordo Cidades

26/07/2022 14:52

O Programa de Capacitação e Estudos Urbanos e Regionais para a Sustentabilidade (CEURS), desenvolvido pelo Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento (EGC) da UFSC, realiza, no próximo dia 3 de agosto, às 19h30, o evento on-line “Diálogos CEURS: Organizações da Sociedade Civil, Poder Público e o ODS 17”. A transmissão ocorre pelo canal Programa CEURS, no YouTube.

Os interessados podem se inscrever previamente pelo link https://bit.ly/dialogosceurs. O objetivo é fomentar o debate a respeito do tema, uma vez que a criação de vínculos entre público, privado e sociedade civil é fundamental para a aplicação da Agenda 2030.

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 17 (ODS17) trata das metas relacionadas às parcerias e meios de implementação da Agenda 2030 da ONU. O evento contará com a presença de representantes da Federação Catarinense dos Municípios (FECAM) e do Movimento Nacional ODS Santa Catarina. A UFSC estará representada pelo professor e coordenador do CEURS, Roberto Pacheco.

Capacitação

Além do evento, o Programa CEURS oferece aos interessados em se aprofundar no tema, uma capacitação gratuita, on-line, aberta a toda a comunidade e com certificado de conclusão de 10 horas-aula.

A capacitação virtual é uma iniciativa desenvolvida em parceria entre a UFSC e a USP por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento em parceria com o Centro de Síntese de Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançado (IEA). O CEURS também conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e do Parlamento Federal.

Serviço:

O quê: Diálogos CEURS: Organizações da Sociedade Civil, Poder Público e o ODS 17
Quando: 3 de agosto, quarta-feira, às 19h30
Link da transmissão: https://bit.ly/dialogosceurs_youtube 
Inscrição e lembrete do evento: https://bit.ly/dialogosceurs 

Inscrição para o Programa CEURS: https://bit.ly/capacitaceurs

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Professor da UFSC recebe prêmio internacional por pesquisa sobre sensoriamento do solo

22/07/2022 16:41

O professor Alexandre ten Caten, do Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Campus de Curitibanos, foi um dos contemplados com o prêmio internacional Bayer Crop Science 2022 Grants4Ag. A homenagem ocorre em reconhecimento à pesquisa sobre o uso das técnicas de sensoriamento proximal do solo para coleta de dados – um trabalho que poderá viabilizar formas de medir a disponibilidade de nutrientes para as plantas.

Seu grupo de pesquisa avalia o potencial de equipamentos capazes de coletar a radiação refletida pelo solo em comprimentos de onda do visível e infravermelho próximo, esta última invisível para os humanos. A ideia é gerar dados que possibilitem caracterizar os solos de forma rápida, sem utilizar reagentes químicos nocivos ao ambiente e de forma digital. 

Segundo o professor, os solos brasileiros são naturalmente pobres em fertilizantes, e, com a crise global de preços desses insumos, é fundamental que os agricultores adotem práticas como a amostragem de solo para conhecer as reais demandas de suas propriedades e possam usar os nutrientes de que as plantas precisam de forma assertiva. A amostragem do solo também pode ser útil, por exemplo, para que agricultores possam se inserir no Mercado de Créditos de Carbono, uma vez que ela é necessária para saber os teores de carbono orgânico já existentes no solo.

“Essa pesquisa permitirá ainda a geração de conhecimento importante para levar a tecnologia de amostragem de solos para todos os agricultores, independentemente do seu nível tecnológico ou tamanho de propriedade. Tornando esta prática mais barata, digital e totalmente integrada com as premissas da Agricultura 4.0”, afirma Alexandre.

A premiação é uma iniciativa da empresa Bayer Crop Science e viabiliza aos premiados recursos financeiros para pesquisa e contato com especialistas internacionais nas temáticas da Digitalização da Agricultura para a coleta, transformação e análise de dados agronômicos. 

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Pesquisa busca entender processos envolvidos na metástase e no reaparecimento de cânceres

18/07/2022 16:07

Células tumorais que se disseminam para a medula óssea sobrevivem mesmo após o tratamento quimioterápico e podem levar ao reaparecimento da doença. Foto: National Cancer Institute/Unsplash

Em seu novo projeto de pesquisa, o professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Edroaldo Lummertz da Rocha procura compreender o processo de metástase do câncer de mama para a medula óssea e como se dá seu envolvimento no reaparecimento do tumor mesmo muitos anos após o tratamento com sucesso do tumor primário. O trabalho, que pode colaborar para o desenvolvimento de novas terapias que reduzam a propensão de reaparecimento de tumores, foi um dos dez selecionados na quinta chamada pública de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira, uma instituição privada de fomento à ciência.

Definida como a disseminação de células cancerosas para órgãos secundários, a metástase é a principal causa de morbidade e mortalidade relacionada ao câncer. Após a resseção do tumor primário, as células tumorais que se disseminaram para a medula óssea no início da formação do tumor sobrevivem mesmo após o tratamento quimioterápico, levando ao reaparecimento da doença meses ou anos após o tratamento bem-sucedido do tumor primário. “Ao chegar na medula óssea, estas células tumorais do câncer de mama entram em um estado de quiescência, permanecendo em repouso por muitos anos, se escondendo da destruição mediada por células imunológicas, e também sendo resistentes ao tratamento quimioterápico. Porém, por fatores ainda pouco compreendidos, estas células tumorais em repouso são reativadas anos depois, levando ao surgimento de metástases ósseas, que podem também se espalhar para múltiplos órgãos”, explica Edroaldo.

Ainda não está claro, no entanto, como essas células tumorais metastáticas se adaptam e sobrevivem na medula óssea durante os estágios iniciais do desenvolvimento do tumor, adquirem quimiorresistência durante o tratamento adjuvante e são reativadas para gerar metástase óssea, e possivelmente para outros órgãos. O estudo de Edroaldo pode ajudar a compreender os detalhes celulares e moleculares desses processos – o que é fundamental para encontrar possibilidades terapêuticas.
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Equipes de competição desenvolvem energia para mobilidade

15/07/2022 12:08

 

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Imagem: UFSC Baja

Quando se fala em desenvolvimento tecnológico, também se fala em energia. Isto porque é ela que sustenta essas tecnologias. Porém, o que vemos é um cenário em que os recursos energéticos tradicionais estão se esgotando e causam dano ambiental severo.

Este talvez seja até um ponto da discussão já incorporado ao senso comum: dependemos de energia, mas exaurimos o planeta para gerá-la. Aí vêm as fontes alternativas, renováveis e menos poluentes que apresentam novidades, mas enfrentam resistência para se popularizar. Falta infraestrutura para suportá-las, ou pouco as pessoas sabem a respeito.

As equipes de competição ligadas aos centros de tecnologia dos campi de Florianópolis e Joinville projetam, manufaturam e concorrem com seu produto em eventos de inovação tecnológica. Multidisciplinares, são formadas por alunos de diferentes cursos e centros.

Na UFSC, algumas são ligadas à matriz energética alternativa: Babitonga e Vento Sul com barcos solares, e Eficem e Ampera Racing com veículos elétricos. Outras equipes, como a UFSC Baja, que tem carros a combustão, começam a buscar alternativas.

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UFSC é a sexta melhor universidade da América Latina no ranking da Times Higher Education

14/07/2022 15:05

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é a sexta colocada no ranking de melhores universidades da América Latina publicado pela Times Higher Education (THE). Entre as instituições brasileiras, a UFSC fica com a quarta posição. 

THE é uma revista inglesa que publica notícias e artigos referentes à educação superior. Afiliada ao jornal The Times, anualmente elabora um conjunto de rankings que estão entre os mais abrangentes, equilibrados e confiáveis do mundo. Para avaliar as universidades, são considerados 13 indicadores, como ensino, pesquisa, citações, transferência de conhecimento e perspectiva internacional.

Neste ano, foram avaliadas 197 universidades de 13 países. As cinco primeiras colocações ficaram, respectivamente, com a Pontificia Universidad Católica de Chile, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, no México.

Em relação ao ano passado, a UFSC subiu cinco posições. No ranking de 2021, a instituição ocupou a 11ª colocação geral e a quinta entre as instituições brasileiras.

O ranking completo está disponível no site da Times Higher Education.

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Perda dentária não pode ser desvinculada das opressões estruturais, aponta estudo de professor da UFSC

12/07/2022 09:00

Um estudo realizado com três diferentes bases de dados e a partir de informações de 107.935 pessoas concluiu que as intersecções do sexismo estrutural com o racismo estrutural e a desigualdade de renda aumentam as chances de perda dentária total em idosos com 65 anos ou mais dos Estados Unidos da América (EUA). A investigação utiliza a teoria ecossocial sobre a distribuição de saúde e doença nas populações humanas para demonstrar como o corpo manifesta questões associadas à vida, às características identitárias e ao trabalho, por exemplo.

A pesquisa foi liderada pelo professor João Luiz Dornelles Bastos, do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, e lança um olhar para a perda dentária – tecnicamente denominada de edentulismo – a partir das características dos indivíduos e dos estados onde eles vivem. Helena M. Constante, Helena S. Schuch e Dandara G. Haag, junto com a professora Lisa M. Jamieson, são co-autoras do trabalho, publicado no Journal of Public Health Dentistry.

As análises foram baseadas em três fontes de dados: o questionário da Behavioral Risk Factor Surveillance System – sistema de pesquisas telefônicas relacionadas à saúde nos Estados Unidos, além de um estudo que estimou os níveis de racismo e sexismo estrutural e desigualdade de renda para cada estado norte-americano e do censo demográfico do país.

As iniquidades raciais no edentulismo e as estimativas de racismo e sexismo estrutural e de desigualdade de renda foram plotadas em mapas que destacam, em cores, onde esses problemas são mais preocupantes. Os indicadores gerais confirmam uma hipótese de que a perda dentária total é condicionada por questões estruturais: nos estados com altos níveis de racismo, sexismo e desigualdade de renda, os respondentes negros são mais afetados pela perda dentária total do que os brancos.

Clique para ampliar (Fonte: autores)

Segundo o professor, o estudo é o primeiro a demonstrar empiricamente o fato. “Se você reside num estado norte-americano em que os níveis de racismo, sexismo e desigualdade de renda são elevados, a chance de você ter perda dentária completa é mais elevada, especialmente se você for negro. Supomos que esses estados têm serviços de saúde menos acessíveis e apresentam maiores níveis de segregação, forçando a população negra a ter condições de trabalho e de moradia precárias”, contextualiza. “A restrição no acesso aos serviços de saúde bucal e as piores condições de vida e trabalho são causas importantes da perda dentária”, explica.

Os níveis de racismo e sexismo estrutural e desigualdade de renda foram extraídos de um estudo sobre os impactos dos sistemas de opressão na saúde, liderado pela socióloga Patricia Homan, do Programa de Saúde Pública da Universidade da Flórida. O racismo estrutural, por exemplo, foi reconhecido a partir de nove indicadores de desigualdade racial em cinco diferentes domínios da vida: judicial, educacional, político, econômico e habitacional.

Conforme os pesquisadores, os resultados do trabalho dão credibilidade à hipótese de que as iniquidades raciais em saúde bucal não podem ser desvinculadas de forças sociais que alocam poder e recursos de forma injusta e diferenciada entre os grupos populacionais. “A distribuição desigual dessas causas fundamentais das iniquidades em saúde não é alcançada apenas ao longo de linhas raciais, mas também com e através de linhas de gênero e classe, como as estudiosas da interseccionalidade têm argumentado há muito tempo”, observam, no texto.

Causas diversas

Professor investiga perda dentária a partir da abordagem da teoria ecossocial

Bastos explica que a perda dentária total pode ter diversas causas, desde a doença periodontal, de natureza inflamatória, considerada um problema frequente entre idosos, até a extração dos dentes em razão da cárie dentária, doença provocada por bactérias presentes na boca.

Mas, segundo o pesquisador, há outros fatores a serem considerados. Ele cita como causas intermediárias o acesso restrito a serviços de saúde bucal de qualidade. “O que acontece quando um profissional lhe atende poucas vezes? Ele não consegue tomar medidas para prevenir a perda dentária. Não consegue restaurar, não consegue tratar aquela doença periodontal que está amolecendo já o dente”.

Além disso, ele lembra que muitas vezes o paciente só tem acesso a um serviço mutilador, em que a abordagem do profissional pode ser, ao invés de conservar o dente, extrai-lo. “Essa é uma prática ainda disseminada: um tratamento mutilador que é oferecido para as pessoas, principalmente os segmentos mais excluídos da população”.

O estudo, por outro lado, aborda o que seriam as chamadas ‘causas distais’ do problema: aquelas que estão na estrutura, na base da perda dental entre os idosos. “O artigo trata das causas das causas. Nos estados em que os altos níveis de sexismo estrutural se combinam com altos níveis de racismo estrutural ou desigualdade de renda, a chance de perda dentária é mais elevada”, disse. Nos mapas plotados no estudo, é possível perceber que os níveis mais altos de racismo estrutural, sexismo estrutural e desigualdade de renda estão concentrados regionalmente, com alguma predominância no sul.

Estados como Minnesota e West Virginia apresentaram frequências ligeiramente mais altas de edentulismo entre brancos do que negros. Já no Havaí, por exemplo, a prevalência de edentulismo foi de 58,8% entre negros e 6,7% para brancos, correspondendo a uma diferença de 8,2 vezes – a maior do país. “Vale a pena mencionar que a magnitude da iniquidade racial no edentulismo foi maior nas regiões Sul, Centro-Oeste e Meio-Atlântico, onde níveis mais elevados de sexismo estrutural e desigualdade de renda foram observados. As regiões Oeste e Noroeste também foram marcadas por altos níveis de racismo estrutural e de iniquidade racial na perda dentária”, pontuam, no artigo, os pesquisadores.

Brasil está no horizonte das investigações

Segundo o professor, a pesquisa foi realizada com dados norte-americanos por conta da disponibilidade de informações. “Em outros países, é preciso que pesquisadores se dediquem a esse tópico para estabelecerem os critérios da pesquisa”. Para o Brasil, por exemplo, ele lembra da dificuldade de acesso a determinados indicadores, como os de distribuição racial no sistema prisional, que poderiam contribuir com a definição dos níveis de racismo. Outra questão são os investimentos escassos em pesquisa. “Mesmo assim, temos muita gente mobilizada para fazer esses trabalhos, incluindo, por exemplo, os membros do Grupo Temático de Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva”, comenta.

Bastos se refere à abordagem ecossocial, que trata do conceito de incorporação ao considerar que o corpo é retrato do meio em que vive. “O ponto é que a gente incorpora na nossa biologia, no nosso corpo humano, todo o ambiente em que a gente vive e todas as nossas experiências”, diz. “Por isso, é preciso levar em consideração processos mais amplos, como o racismo estrutural, o sexismo estrutural e a desigualdade de renda, incluindo seus impactos sobre a saúde”.

Demonstrar empiricamente isso é uma forma de considerar o que se chama de interseccionalidade – sistemas de opressão que operam em conjunto e se co-constituem. “A desigualdade racial na perda dentária foi modulada pelos níveis de sexismo. O racismo é o principal processo, mas ele não opera isoladamente, age em conjunto com outros sistemas de opressão”. O professor, que investiga a temática racial desde o início da carreira, agora trabalha na síntese de dados de toda a população estadunidense, não só dos idosos, foco do artigo.

Amanda Miranda, jornalista da Agecom/UFSC

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