Estudo da UFSC indica que acupuntura pode atenuar males da fibromialgia

12/09/2023 09:46

Imagem de StockSnap por Pixabay

Uma doença de difícil tratamento, que atinge mulheres e, muitas vezes, as relega ao abandono familiar e à incapacitação para o trabalho. A fibromialgia atinge por volta de 3% da população brasileira, a maioria delas do sexo feminino, entre 30 e 50 anos de idade, e é objeto de uma investigação realizada na Universidade Federal de Santa Catarina que pode resultar em novas possibilidades de tratamento para pacientes.

A execução do estudo foi do pesquisador Marcos Lisboa Neves, sob a supervisão da professora Morgana Duarte da Silva, coordenadora do Laboratório de Neurobiologia da Dor e da Inflamação (Landi), que investiga estratégias terapêuticas para as diversas doenças que envolvem dor e inflamação.

Neves, que é fisioterapeuta, investiga os efeitos da estimulação do ramo auricular. De acordo com essa linha de estudos, a acupuntura é uma boa ferramenta terapêutica para o tratamento de pacientes com dor. No caso do nervo vago, estimulado para combater os males da fibromialgia, já existem evidências crescentes também no tratamento de outras condições como epilepsia, depressão e dor.

Em junho, o pesquisador defendeu sua tese com um estudo translacional – que busca minimizar o gap entre a produção do conhecimento nas instituições científicas e a aplicação prática, orientado também pela professora Morgana, no Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFSC. Ele pesquisou a acupuntura e a fibromialgia a partir de uma análise em roedores.

“As avaliações comportamentais se relacionavam prioritariamente à dor e secundariamente à depressão, ansiedade, sono, catastrofização, funcionalidade, qualidade de vida e variabilidade da frequência cardíaca. Como resultados, embora ainda não tão expressivos, já mostram um potencial do tratamento e sinalizam a viabilidade de realizar estudos maiores e assim com maior poder estatísticos, principalmente porque o estudo piloto demonstrou uma significativa redução na gravidade dos sintomas das pacientes”, comenta.

Ele explica que a fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dores articulares e musculares generalizadas, acompanhada de fadiga, alterações cognitivas, do humor e do sono. Como a causa ainda não é definida, algumas evidências recaem sobre alterações do sistema nervoso central, o que leva ao quadro disfuncional de percepção exacerbada de dor e dos demais sintomas, que influenciam também na saúde mental das pacientes.

Neves explica que o nervo vago é uma importante via de comunicação do corpo com sistema nervoso central, por isso os tratamentos com a estimulação indicam resultados promissores. No Brasil, a acupuntura é oferecida gratuitamente pelo SUS, como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. “São mais de 15 mil profissionais com capacitação para atuarem com essa prática, um recurso que facilita o acesso das pacientes em tratamento”, complementa.

“Fui muito beneficiada”

O objetivo do estudo conduzido na UFSC foi avaliar a eficácia da acupuntura sobre ramo auricular do nervo vago na redução da intensidade da dor e da gravidade dos sintomas gerais relacionados com a fibromialgia. As 50 mulheres diagnosticadas com fibromialgia foram divididas aleatoriamente em três grupos. Um recebeu uma intervenção por acupuntura auricular sobre o ramo auricular do nervo vago esquerdo (orelha esquerda); um segundo grupo recebeu a mesma intervenção, porém, na aurícula direita; e um terceiro grupo recebeu acupuntura simulada na aurícula esquerda.

As avaliações comportamentais se relacionavam prioritariamente à dor e secundariamente à depressão, ansiedade, sono, catastrofização, funcionalidade, qualidade de vida e variabilidade da frequência cardíaca. Como resultados, na comparação entre os três grupos, não houve diferença significativa na redução da dor, mas a acupuntura na orelha esquerda reduziu significativamente a gravidade dos sintomas gerais de mulheres com fibromialgia.“Os achados fornecem dados para viabilizar novos estudos clínicos randomizados controlados com maior população amostral, para melhorar as evidências para o uso da acupuntura auricular sobre o nervo vago”, assegura Neves.

Uma das pacientes avaliadas, Carolina* conta que descobriu há pouco tempo sofrer de fibromialgia. As dores generalizadas impediam a sua rotina e a deixavam desanimada. “Eu não aguentava mais tomar medicação sem sucesso. Fiquei sem esperança de ter melhora”, relembra. As quatro sessões realizadas no estudo da UFSC, entretanto, tiveram um impacto positivo nas suas condições de vida.

A paciente conta que fisioterapia, medicação e infiltração eram algumas das estratégias utilizadas por ela no tratamento. “A pesquisa causou uma melhora na dor, passei a procurar ajuda psicológica e auxílio para emagrecer, o que começou a melhorar meu quadro de forma geral. O estudo foi o passo inicial para uma melhora considerável no meu quadro clínico”, conta.

Carolina também relata sua confiança na ciência e nos tratamentos integrativos. “Tratamentos integrativos demonstram a melhora considerável no meu caso. Acredito que com estudos mais profundos, um tratamento específico pode auxiliar na eficiência para tratar a dor constante. Acredito muito na ciência e fui muito beneficiada em participar deste estudo”, sintetiza.

Nervo vago tem papel central no estudo

Imagem de Mohamed Hassan por Pixabay

No doutorado, Neves realizou um estudo com roedores com uma condição similar à fibromialgia, em que o animal demonstra um comportamento de dor generalizada, além de um comportamento tipo depressivo. “A gente faz o tratamento primeiro no animal, que foi a nossa primeira fase de trabalho. Só depois partimos para o estudo piloto com pacientes humanos”.

Com os resultados positivos, o Landi passou a recrutar pacientes para a nova fase da pesquisa. “Nosso estudo tem esse viés de integração com a sociedade, porque esse é o momento em que a gente aproxima a sociedade da Universidade – o momento em que a gente começa a recrutar pessoas da sociedade que tem essa doença cujo tratamento é ainda bastante limitado”.

As limitações, conforme explica o cientista, ocorrem muitas vezes pela condução inadequada do tratamento, já que nem sempre um profissional tem a expertise de tratar uma condição tão complexa. Muitas vezes, o próprio paciente também não consegue aderir bem o tratamento.

“Houve bastante procura pelo estudo, a sociedade aderiu”, conta. As pacientes selecionadas passaram por quatro sessões, todas realizadas no espaço clínico situado em um dos prédios do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina. Elas passaram por um rigoroso acompanhamento, do início ao fim do processo, e receberam as devolutivas em uma apresentação em que também puderam se conhecer.

Neves aplicou a acupuntura nos ramos auriculares esquerdo e direito das pacientes. Ele explica que a técnica é uma leitura filosófica de estimular pontos que são virtuais no corpo, mas que, hoje, a neurociência reconhece que esses pontos são locais com uma certa especificidade, pois estimulam nervos importantes.

O nervo vagal, objeto do estudo, segundo ele, é cheio de ramificações. “Tem ramificação para o sistema cardiorrespiratório, sistema gastrointestinal, cérebro e para partes que compõem o que a gente chama de sistema límbico, que está relacionado com a nossa emocionalidade”, explica. Além disso, o nervo também atua como fonte de resposta das células do sistema imune.

A forma de verificar a resposta das mulheres ao tratamento, além de considerar o que elas próprias avaliavam sobre suas dores e estado físico e mental após as sessões, foi a leitura do comportamento cardíaco. Isso porque, conforme narra Neves, o nervo vago é importante para ativação do sistema parassimpático, que está relacionado com a recuperação do organismo, enquanto o sistema nervoso simpático serviria para nos deixar em alerta para desempenhar atividades

Um organismo saudável, de acordo com ele, possui uma alta variabilidade de frequência cardíaca porque é capaz de modular a atuação dos dois sistemas. Já o de pessoas com doenças crônicas apresenta uma baixa variabilidade da frequência. No estudo, foi possível verificar a variação, o que indica possibilidades promissoras. “É possível atuar estimulando a regulação do sistema nervoso por esse caminho”, diz Neves.

No final da pesquisa, e após a análise dos dados, as voluntárias foram convidadas para uma palestra de apresentação dos resultados e das principais diretrizes clínicas para o manejo da fibromialgia. Este evento foi realizado na UFSC e contou com a presença de familiares, que tiraram suas dúvidas sobre a doença, sobre os tratamentos disponibilizados, falaram sobre seus problemas e sobre os benefícios da terapêutica proposta.

*Nome substituído para preservar a identidade da paciente

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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“Tapete de algas” é alternativa barata e sustentável para tratamento das águas de Florianópolis

06/09/2023 18:24

Sistema purificador desenvolvido por pesquisadores da UFSC absorve efeitos da poluição, produz biomassa e contribui para a economia da região

Para ler a reportagem especial em formato multimídia, clique aqui.

O Algal Turf Scrubber funciona na Estação de Maricultura Elpídio Beltrame, na Barra da Lagoa. Foto: Rafaela Souza/NADC/UFSC

O tripé econômico de Florianópolis – pesca, maricultura e turismo – depende de um componente fundamental: água limpa. E a própria natureza ajuda a obter recursos hídricos de qualidade. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pesquisadores vinculados ao Laboratório de Ficologia (Lafic), do Departamento de Botânica, desenvolvem sistemas purificadores que utilizam algas para a remoção de poluentes da água – são os tapetes algais biofiltrantes (Algal Turf Scrubber – ATS).

“É um absurdo que a gente não esteja investindo nelas”, afirma Leonardo Rörig, coordenador do projeto. Os ATS são um exemplo de “soluções baseadas na natureza”, alternativas sustentáveis, baratas e de baixo impacto ambiental. Países como Austrália, Estados Unidos, China e Índia aderiram ao sistema pela sua baixa pegada de carbono e emissão de gases de efeito estufa.
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Tags: Algal Turf ScrubberbiomassaCCBCentro de Ciências BiológicasDepartamento de Botânicadesastre ambientalEstação de Maricultura Elpídio BeltrameLaboratório de FicologiaLaficLagoa da ConceiçãoLeonardo RörigmariculturaNúcleo de Apoio a Divulgação Científicapisciculturapoluiçãotapete de algasUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Liderado por pesquisadora da UFSC, grupo mundial alerta para recorde na temperatura oceânica

06/09/2023 16:56

Embranquecimento de corais é sinal de alerta. Foto: WMO/Divulgação

Um grupo de cientistas do Programa Mundial de Pesquisa Climática (WCRP) da Organização Mundial de Meteorologia (WMO) liderado pela professora Regina Rodrigues, do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), redigiu uma declaração alertando para o recorde recente no aquecimento dos oceanos.  Os pesquisadores consideram que esses casos podem aumentar em frequência, duração e intensidade se não ocorrerem esforços dramáticos de mitigação e adaptação.

O documento indica que as temperaturas médias globais dos oceanos estão atualmente em um nível nunca registrado anteriormente, com 27% do oceano global com extremos de temperatura. Segundo a professora, com a previsão do fenômeno El Niño para o final do ano essa situação pode se agravar, pois o El Niño é um dos principais mecanismos de geração de ondas de calor marinhas globalmente.

“Além dos ecossistemas, o calor dos oceanos é uma importante fonte de energia que alimenta ciclones tropicais. As ondas de calor marinhas no Oceano Índico tropical contribuem para a rápida intensificação dos ciclones e das flutuações nas chuvas das monções da Índia”, explica. O texto da declaração menciona, ainda, outros impactos causados pelo fenômeno. “Sabemos que as ondas de calor marinhas resultam em milhares de milhões de dólares em danos aos ecossistemas marinhos e a indústrias da pesca e do turismo”, destaca a pesquisadora, que no ano passado participou da conferência do clima da Organização das Nações Unidas.

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Tags: aquecimento globaloceanografiaOrganização Mundial de Meteorologiapesquisa internacionaltemperatura marinhatemperatura oceânicaUFSCUniversidade Federal de Santa CatarinaWMO

Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC abre inscrições nesta terça-feira, 5 de setembro

04/09/2023 16:45

As inscrições para o Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC abrem nesta terça-feira, 5 de setembro, e fecham em 9 de outubro.  O edital está disponível no site vestibularunificado2024.ufsc.br. A taxa de inscrição custa R$ 169,00 e os pedidos de isenção podem ser solicitados até 27 de setembro pelos candidatos que atenderem os requisitos descritos no edital do vestibular.

O Vestibular Unificado representa a oferta de cerca de 6.700 vagas, distribuídas em 35 municípios catarinenses e 200 cursos de graduação – 100 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 55 do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e 45 do Instituto Federal Catarinense (IFC). A pontuação mínima em cada disciplina, a relação completa dos cursos e as instituições em que serão ofertados estão entre as informações disponíveis no edital. O candidato poderá escolher apenas um curso entre os 200 oferecidos pelas três instituições.

A quantidade de vagas especificada no Quadro Geral de Cursos e Vagas corresponde a 70% do total de vagas ofertadas pela UFSC, em cada curso, 50% do total de vagas ofertadas pelo IFSC, em cada curso, e 50% do total de vagas ofertadas pelo IFC, em cada curso, para o ano letivo de 2024.

Confira o Quadro de Cursos e Vagas da UFSC

Confira o Quadro de Cursos e Vagas do IFSC

Confira o Quadro de Cursos e Vagas do IFC

Confira o Guia de Cursos da UFSC
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Tags: UFSCUniversidade Federal de Santa CatarinaVestibularVestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC

UFSC se destaca em ranking global com 26 pesquisadores entre os mais citados do mundo

04/09/2023 09:44

Universidade tem se destacou em diferentes rankings Foto: Amanda Miranda

A Universidade Federal de Santa Catarina se destacou mais uma vez no ranking global Research.comque reconhece os pesquisadores a partir do número de artigos e quantidade de citações para cada campo do conhecimento elencado – em um total de 26 diferentes áreas. A instituição teve 26 cientistas mencionados nas áreas de Veterinária, Química, Ecologia, Engenharia Elétrica, Engenharia e Tecnologia, Matemática, Medicina, Microbiologia, Neurociências e Agronomia.

A UFSC também foi mencionada como a oitava melhor instituição no ranking nacional. Outro destaque foram os rankings de Química, com dez cientistas citados entre os mais relevantes do mundo, e a área de Engenharia Elétrica, na qual o professor Ivo Barbi figura como o segundo mais citado do Brasil.

O número total de citações dos principais cientistas é 159.046, com um valor médio de citações por acadêmico de 6.117,15. O número coloca a instituição catarinense em 387 no ranking global. De acordo com a plataforma Research.com, o objetivo do ranking é oferecer aos principais pesquisadores uma melhor exposição de suas realizações. As classificações de cientistas são baseadas em procedimentos transparentes baseados em métricas coletadas de fontes confiáveis ​​de dados com mais de 12.000 periódicos científicos agrupados por disciplinas.

Confira a relação dos cientistas mencionados pela Research.com.

Ciências veterinárias

Maurício Laterça Martins
Maria José Hötzel

Química

Bernhard Welz (in memorian)
Rosendo A. Yunes
Antonio L. Braga
Adilson J. Curtius
J. Vladimir Oliveira
Moacir Geraldo Pizzolatti
Debora de Oliveira
Ademir Neves (in memorian)
Eduardo Carasek
Adailton J. Bortoluzzi

Ecologia

Sergio R. Floeter

Engenharia Elétrica e Eletrônica

Ivo Barbi
Julio E. Normey-Rico

Engenharia e Tecnologia

Roberto Lamberts
Enedir Ghisi

Matemática

Ruy Exel

Medicina

João B. Calixto
Adair R.S. Santos (in memorian)

Microbiologia

Álvaro José Romanha (in memorian)

Neurociencia

Reinaldo N. Takahashi
Roger Walz
Peter Wolf

Agronomia

Miguel Pedro Guerra
Marcelo Maraschin

Tags: pesquisaranking globalResearch.comUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

“Cao presente!”: Avenida Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo é a nova via de acesso à UFSC

01/09/2023 19:05

Vereador Afrânio Boppré; reitor da UFSC, Irineu de Souza; e o prefeito em exercício de Florianópolis, João Cobalchini, no descerramento da placa. Foto: Ariclenes Patté/Agecom/UFSC

Nesta sexta-feira, 1° de setembro, o hall do Centro de Cultura e Eventos do Campus Florianópolis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi palco da inauguração oficial da Avenida Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, via pública construída em paralelo à Rua Deputado Antônio Edu Vieira, no bairro Pantanal. A cerimônia, que teve início às 14h, contou com as presenças do prefeito em exercício de Florianópolis, João Cobalchini; do reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora, Joana Célia dos Passos; do deputado federal Pedro Uczai, e do vereador de Florianópolis Afrânio Boppré – autor do projeto de lei que nomeou a avenida em homenagem a Cancellier. 

Após a cerimônia no hall do Centro de Cultura e Eventos, onde foi assinada a lei que dá nome à avenida, todos foram convidados a se deslocarem até a via para o descerramento da placa. A Avenida Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo começa na esquina com a Rua Delfino Conti, próximo ao acesso ao bairro Córrego Grande, e segue até o Centro de Desportos (CDS) da UFSC. Ela é a via paralela à Rua Deputado Antônio Edu Vieira – que tem o trânsito no outros sentido.

Avenida, marcada em azul, é paralela à Rua Deputado Antônio Edu Vieira

Em nome da Universidade, o reitor Irineu Manoel de Souza agradeceu a homenagem feita ao seu colega e reforçou “que ocorreu um abuso de poder” e que o episódio que envolveu o ex-reitor jamais pode se repetir na UFSC. Cancellier foi reitor da UFSC entre maio de 2016 e setembro de 2017, quando teve uma morte trágica, após ser preso e afastado da Universidade na operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal.

>> Conheça a história e o legado de Cancellier na reportagem especial preparada pela Agência de Comunicação da UFSC (Agecom).

“Nos cabe aqui, sempre que possível, relembrar a memória do Cao”, diz amigo da família

Representando a família, o professor Áureo Mafra de Moraes, amigo próximo do reitor Cancellier, ressaltou que casos como este são inadmissíveis e afirmou que “nos cabe aqui, sempre que possível, relembrar a memória do Cao, dos seus feitos, dos seus atos.” No momento do descerramento da placa, “Cao presente” foi o grito dado por todos.

Colega de militância de Cancellier no movimento estudantil, enquanto ainda eram graduandos, o vereador Afrânio Boppré ressaltou em seu discurso que o legado do reitor deve ser tão respeitado quanto a própria imagem da Universidade. Ainda agradeceu aos colegas vereadores “Encontrei colaboração de todos relatores das comissões”, disse ao relembrar do período de aprovação da lei na Câmara. “O ex-reitor era reconhecido pelo seu perfil conciliador, equilibrado e inclusivo. Uma referência da luta por democracia e justiça no Brasil”, completou Afrânio.

Tags: AvenidaBairro PantanalCarlos CancellierhomenagemOuvidos MucosreitorReitor Luiz Carlos Cancellier de OlivoUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Chumbo no chá? Pesquisa da UFSC identifica impacto da mineração em alimentos

01/09/2023 10:32

Áreas de mineração estão cobertas de produtos utilizados na alimentação (Foto: Graziela Blanco)

Plantas usadas como alimentos e chás podem estar contaminadas pelos chamados “elementos traço” em áreas da região carbonífera, no sul de Santa Catarina. A constatação foi divulgada em uma série de artigos e na tese da cientista Graziela Dias Blanco, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal de Santa Catarina. O impacto das atividades de mineração, além dos prejuízos ao meio ambiente, também pode chegar à saúde. O estudo Soberania, segurança alimentar e ecotoxicidade de alimentos e plantas medicinais consumidos por comunidades locais em áreas de mineração foi orientado pela professora Natalia Hanazaki, com co-orientação da professora Mari Lucia Campos.

Pelo menos 65% dos habitantes da região mapeada pela pesquisa relataram coletar plantas para uso medicinal e alimentar diretamente de áreas contaminadas pela atividade mineradora. “As pessoas que vivem nas proximidades de áreas contaminadas pela mineração usam e consomem plantas destes ambientes e as pessoas sabem pouco sobre o potencial perigo dessa contaminação em seus alimentos e o risco desses contaminantes para sua saúde”, assinala, no estudo.

Graziela se interessou pelo assunto quando foi visitar a região de Criciúma, Lauro Muller e Siderópolis em busca de dados para uma pesquisa sobre plantas medicinais. No entanto, ao chegar ao local, percebeu um mosaico de áreas impactadas pela atividade mineradora e mudou o objeto de investigação. “A gente vê, por exemplo, moradias na cidade de Criciúma muito próximas à área de mineração abandonada, sem avisos ou preocupação. É uma situação extremamente grave”, analisa.

Ela fez 195 entrevistas com moradores de 14 áreas próximas a minas abandonadas nos principais municípios da região carbonífera catarinense. “Perguntamos a cada entrevistado sobre o tempo que morava na região, sua percepção da qualidade do ambiente, quais espécies de plantas eram utilizadas e com que finalidade”, conta. Carqueja, goiabeira e erva-doce foram algumas das espécies citadas.

Nas entrevistas, ela também identificou que todos os homens e nenhuma das mulheres trabalhavam ou já haviam trabalhado em mineradoras. Em Santa Catarina, existe um plano de recuperação para essas áreas em razão de uma ação do Ministério Público Federal, que exigiu que as empresas e a União recuperassem as áreas degradadas pela mineração, áreas com depósitos de rejeitos e minas abandonadas. Os recursos hídricos das bacias dos rios Araranguá, Urussanga e Tubarão também foram indicados como foco da ação.
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Podcast Flash UFSC discute amor, paixões e relacionamentos

31/08/2023 14:01

Arte: Jalize Pinheiro Medeiros e Audrey Schmitz

A Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC) publicou nesta quinta-feira, 31 de agosto, o segundo episódio do podcast Flash UFSC. Intitulado Bad Romance, o podcast explica o porquê de nos relacionarmos com outras pessoas e o que acontece em nosso corpo quando nos apaixonamos. 

Quem ajuda a entender o que acontece nessas aventuras de dopamina, prazer e dor são a professora do Departamento de Filosofia da UFSC Maria de Lourdes Borges e a psiquiatra e professora do Departamento de Clínica Médica da UFSC Ana Maria Michels. O episódio foi produzido pelas estudantes de Jornalismo e estagiárias da Agecom Leticia Schlemper e Lethicia Siqueira.

A cada duas semanas, o Flash UFSC traz informações sobre ciência, cultura e arte em episódios de até sete minutos de duração. Ouça no site, pelo Spotify ou em outras plataformas.

Tags: AgecomFlash UFSCpodcastUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Feira de Cursos da UFSC e lançamento do Vestibular Unificado atraem grande público

29/08/2023 13:46

Centenas de estudantes de escolas de ensino médio prestigiaram a Feira de Cursos da UFSC (Fotos: Ariclenes Patté)

Centenas de estudantes de escolas de ensino médio do estado acompanharam a solenidade de abertura da 1ª Feira de Cursos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizada nesta terça-feira, 29 de agosto, no auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos. Na ocasião também houve o lançamento oficial do Vestibular Unificado 2024, que reúne três instituições públicas federais de ensino superior do estado: Instituto Federal Catarinense (IFC), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e UFSC. Em Florianópolis, a Feira de Cursos será realizada até 31 de agosto.

>> Assista à transmissão da abertura da 1ª Feira de Cursos da UFSC

O presidente da Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) da UFSC, professor Marcos Baltar, falou da sua “dupla alegria”: a abertura da Feira de Cursos e também o lançamento do edital do Vestibular Unificado. Ele ressaltou o trabalho conjunto das três instituições para lançar o edital nesta data. “Desejamos a todos uma excelente jornada na Feira.”
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UFSC inaugura primeira usina de hidrogênio verde de SC

25/08/2023 14:41

Cerimônia Foto: Mateus Mendonça/Agecom/UFSC

Projeto de R$ 14 milhões que uniu o Brasil e a Alemanha em um trabalho de cooperação científica e tecnológica, a primeira usina de hidrogênio verde de Santa Catarina, construída e operada pela UFSC, foi inaugurada nesta sexta-feira, 25 de agosto, com a presença de autoridades e convidados. O novo prédio é considerado um modelo e uma vitrine tecnológica e tem como meta impactar a sociedade na produção de energia sustentável e na descarbonização da Amazônia.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, saudou os presentes demonstrando o orgulho da instituição em ser pioneira na produção de hidrogênio verde. Ele destacou o fato de o projeto ser fruto de muitas inteligências combinadas. “É um orgulho merecer a confiança do governo alemão, que nos elegeu como referência. Este é um triunfo da colaboração com a indústria e um importante fruto da cooperação internacional”, disse.

Em seu discurso, o professor Ricardo Rüther, coordenador do projeto, explicou os mecanismos de produção do hidrogênio verde, feito com dois insumos: água e muita energia elétrica. “Esse prédio gera toda a energia necessária e capta toda a água da chuva necessária para a produção.” Ele destacou que o prédio será uma vitrine tecnológica, além de abrigar equipes de pesquisadores que serão incorporados pelo mercado de trabalho com formação de ponta.
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‘Meninas na Ciência’ da UFSC descobrem oito possíveis asteroides em programa da NASA

24/08/2023 11:23

Meninas participaram de um treinamento preliminar

Ana Lindsey, Ana Isadora, Vanessa, Helen e Rafaella. Um grupo de cinco meninas e mulheres, estudantes de Ensino Fundamental, Médio e de Graduação e integrantes do projeto de extensão Meninas na Ciência, da Universidade Federal de Santa Catarina, descobriu oito asteróides preliminares. A descoberta ocorreu em duas atividades diferentes: uma parceria entre o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) com o International Astronomical Search Colloboration (IASC) da Nasa, a agência espacial norte-americana, e outro da própria Nasa. O grupo é formado por cientistas de 14 a 22 anos, três delas de instituições públicas e duas da rede privada.

Elas participaram das duas competições entre julho e agosto deste ano. Na campanha nacional promovida pelo MCTI, um asteroide foi descoberto e classificado como identificação preliminar. Na campanha internacional, outros sete asteroides preliminares foram encontrados, totalizando oito asteroides encontrados pela equipe. A competição nacional e internacional de Caça Asteroides acontece a partir do acesso às imagens captadas por telescópios (Pan-STARRS, pertencente à Universidade do Havaí), que são disponibilizadas no site do IASC e analisadas pelas equipes participantes com o auxílio do software Astrometrica.

Para a participação da equipe na competição, o projeto promoveu aula de treinamento presencial e reunião de grupo, além de fornecer material de apoio e a criação de um grupo em rede social para a comunicação mais rápida com as alunas. Nesse treinamento, elas puderam aprender a realizar a identificação dos objetos astronômicos e a elaborar e enviar os relatórios com os possíveis asteroides encontrados. A professora Gabriela Kaiana Ferreira e as bolsistas do curso de Física, Caroline Conti e Julia Medeiros realizaram o treinamento e participaram de todo o processo.

“O programa de caça à asteroides contribuiu para que essas meninas de idades e contextos variados se percebessem capazes e pertencentes ao contexto da prática científica, inclusive desmistificando estereótipos e preconceitos de gênero”, explicou a professora. A detecção preliminar é catalogada após uma análise criteriosa das imagens. Os relatórios enviados pelas equipes são revisados e validados pelo IASC, para então serem submetidos ao Minor Planet Center (MPC), em Harvard, nos Estados Unidos. O MPC é reconhecido pela União Astronômica Internacional (IAU), como o repositório oficial mundial de dados sobre asteroides.

Com o tempo, se confirmadas as detecções preliminares, após a validação, numeração e catalogação pelos grupos responsáveis, as alunas terão oportunidade de sugerir nomes aos asteroides que encontraram para a  entidade responsável por fazer o anúncio oficial quando há uma comprovação. Esse processo leva de três a cinco anos para ser concluído.

O projeto ‘Meninas na Ciência’

Reprodução da imagem de um dos possíveis asteróides

O projeto é coordenado pela professora Gabriela Kaiana Ferreira e conta com a colaboração de bolsistas e voluntárias, que desenvolvem uma série de atividades envolvendo divulgação científica e combate a preconceitos e estereótipos sobre a presença de mulheres nas ciências exatas.

Dentre as atividades desenvolvidas ao longo deste ano, destaca-se o treinamento e organização de equipes para a participação na competição de Caça Asteroides, que possibilita às alunas participantes realizarem suas próprias contribuições ao encontrarem asteroides, enquanto aprendem sobre Astronomia na prática.

Propondo atividades como essa, o projeto ‘Meninas na Ciência’ busca divulgar as possibilidades profissionais de carreiras nas ciências exatas, engenharias e tecnologias para as meninas e mulheres, oportunizando às alunas o contato direto com a prática científica e, por consequência, contribuindo para o envolvimento das estudantes em atividades que busquem desenvolver suas habilidades em um espaço que lhe seja assegurado condições de igualdade de gênero.

Mais informações podem ser consultadas na página do Instagram ou no site do projeto.

Equipe:

1. Ana Lindsey Nogueira Fernandes
2. Ana Isadora Calazans Martins
3. Vanessa Bitencourt Stuart
4. Helen Moreira Santos
5. Rafaella Amorim Rios

Bolsistas: Caroline Conti – Física UFSC e Julia Medeiros – Física UFSC
Professora coordenadora: Gabriela Kaiana Ferreira

 

Tags: Caça asteróidesMCTIMeninas na CiênciaMinistério da Ciência e TecnologiaNASAUFSC

Pesquisadora da UFSC Blumenau participa de escavação em prédio onde se praticava tortura

22/08/2023 09:29

Pesquisadora participa de estudo interinstitucional (Foto: Arquivo Pessoal)

A pesquisadora Maryah Elisa Morastoni Haertel, técnica de laboratório de Física da UFSC Blumenau, participou, em São Paulo, das escavações do prédio onde funcionava o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), local onde ocorria a prática da tortura durante a ditadura militar. O trabalho faz parte de uma pesquisa que envolve profissionais de diversas universidades brasileiras. Apesar de não ser o único (haviam DOI-Codi em quase todos os estados durante o período da ditadura militar), o de São Paulo foi o primeiro e um dos mais ativos centros de tortura, interrogatório, assassinato e desaparecimento do país.

O projeto é coordenado por três universidades (Unifesp, UFMG e Unicamp), mas pesquisadores de outras instituições também foram convidados a participar. Maryah foi convidada como pesquisadora, já que ela fez mestrado, doutorado e pós-doutorado na UFSC, e atualmente é servidora técnico-administrativa. Na UFSC, o projeto é intitulado Rastreamento Forense no DOI-Codi: emprego de técnicas ópticas para visualização de resíduos hemáticos e impressões digitais latentes.

Maryah faz parte do núcleo de Arqueologia Forense, coordenado pela professora Claudia Plens, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Embora eu não seja arqueóloga, fui convidada para participar pela minha experiência com as tecnologias utilizadas para rastreamento de vestígios biológicos. Ou seja, eu utilizei diferentes técnicas em alguns locais do prédio para tentar rastrear vestígios de cunho biológico (saliva, sangue, urina, entre outros) que podem ter sido produzidos em centros de tortura e podem ainda ter ficado no prédio”, explica. A principal atuação de Maryah foi no segundo andar do prédio, em salas que mostraram pouca modificação em relação ao piso original, e que foi possível chegar a ele retirando camadas do piso atual.

A pesquisa Arqueologias do DOI-Codi do II Exército de São Paulo: leituras plurais da repressão e da resistência tem como objetivo implementar uma pesquisa arqueológica (histórica e forense) sobre as antigas instalações da unidade. A partir dela, será possível produzir conhecimento e entendimento dos mecanismos adotados pelo órgão e suas conexões com outros espaços de tortura, tanto no Brasil como na América Latina, para que a sociedade possa compreender o papel do DOI-Codi durante a ditadura militar e o impacto das ações operadas no local sobre as vítimas e seus familiares.

Prédio onde ocorriam tortutas (Foto: Memorial da Resistência)

O trabalho dos pesquisadores envolve diferentes frentes. Uma delas é a pesquisa de documentos e entrevistas com pessoas que vivenciaram experiências nesse ambiente durante o período estudado, inclusive vizinhos, já que o prédio fica em uma área residencial na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Também estão sendo empregadas metodologias do campo da Arqueologia Forense para detecção de evidências para identificação de vestígios de tortura. Depois, serão realizadas as etapas de genética forense (no caso de localização de evidência de sangue), arqueologia da arquitetura para compreensão dos espaços utilizados e escavação do subsolo do conjunto arquitetônico para busca de evidências das ações desenvolvidas nesses ambientes.

Possíveis vestígios

Arqueologia forense está sendo usada de forma pioneira (Foto: Arquivo Pessoal)

A pesquisadora da UFSC conta que foi até São Paulo realizar esse trabalho sabendo que haveria uma mínima probabilidade de encontrar alguma coisa. Porém, durante a coleta de amostras, alguns pontos deram positivo. “Neste momento da pesquisa ainda não é possível afirmar que foram encontrados vestígios biológicos. Foram utilizadas luzes forenses e aplicação de luminol, porém um positivo apenas significa ser um local/material de interesse e que merece mais investigação. Esse procedimento foi exatamente o que foi realizado: colhemos amostras que passarão por uma análise laboratorial”, explica Maryah. O luminol reage com substâncias metálicas, orgânicas ou não. No caso do sangue, o ferro das hemoglobinas é o que faz com que a solução emita luz.

“A verdade é que o prédio foi modificado e utilizado por outro instituto após seu período como DOI-Codi, além de ter ficado um tempo abandonado após seu tombamento histórico. Porém, eu acredito que é um trabalho que necessitava ser realizado: se você fosse parente de alguém preso, ou algum dos presos, você não gostaria que uma pesquisa séria fosse ao local ajudar a materializar todos os relatos das barbáries ocorridas naquele lugar? Estima-se que mais de sete mil presos passaram pelo local. É em respeito à memória de cada um que passou (e sofreu) por lá”, relata.

A análise do material coletado será a próxima etapa da pesquisa. “Ainda estamos estabelecendo quais são as melhores técnicas a serem aplicadas. Além disso, essa coleta inicial foi realizada em espaços de sondagem, ou seja, aberturas pequenas no piso para entender o que havia por baixo. Com os resultados obtidos, estamos estudando a possibilidade de ampliar essas áreas e realizar novas coletas”, revela a pesquisadora.

Na pesquisa realizada no DOI-Codi, é a primeira vez que a Arqueologia Forense é aplicada no Brasil. “Isso, por si só, já é um grande feito. Além disso, foram desenvolvidos métodos para que este estudo fosse viabilizado, para que fosse possível de ocorrer. Então há uma importância histórica considerando os achados e sua importância para contar a história da ditadura no Brasil, mas também na criação de métodos para a aplicação desses mesmo processos em outros locais de repressão”, pontua Maryah.

Além dos vestígios que ainda serão analisados em laboratório, os pesquisadores encontraram também inscrições na parede após a decapagem das camadas de tinta do prédio, que aparenta ser de um calendário. Além disso, foram encontrados mais de 300 objetos antigos, como papéis de bala, solas de sapato, frascos de tinta para caneta e carimbo, fragmentos de louças, entre outros. A ideia é que, ao final da pesquisa e entrega do relatório final, o local seja transformado em um memorial, com exposição das peças encontradas, a fim de preservar a memória e a verdade sobre o período da ditadura no Brasil.

“O trabalho realizado até aqui por toda a equipe, que era majoritariamente feminina, foi fenomenal. Eram mais de 25 pessoas trabalhando em três frentes distintas, todos de forma voluntária. Os resultados obtidos pelas outras frentes também foram muito expressivos. Mas acima de tudo, o projeto está conseguindo materializar os relatos dos presos do local”, avalia Maryah.

Serviço de Comunicação UFSC Blumenau

 

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UFSC é a quarta melhor federal do país em ranking global

21/08/2023 11:52

Campus da UFSC na Trindade (Foto: Amanda Miranda)

A Universidade Federal de Santa Catarina é a quarta melhor federal do Brasil, segundo o Shanghai Jiao Tong Academic Ranking of World Universities (ARWU), que classifica as melhores faculdades e universidades do mundo. Todos os anos, a lista mostra quais instituições alcançaram altas pontuações nos rankings globais. Em 2023, a UFSC está na mesma faixa de colocação que a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade de Brasília (UnB), atrás apenas das federais de Minas Gerais (UFMG) e Rio Grande do Sul (UFRGS), que ocupam a faixa de maior pontuação entre as federais, e do Rio de Janeiro (UFRJ), em segundo.

O ranking nacional geral destaca as estaduais de São Paulo como as primeiras – a Universidade de São Paulo (USP), em primeiro, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) em segundo. A UFSC ficou entre as dez melhores do Brasil, considerando também as instituições estaduais, e entre as 800 melhores do mundo. No total, 24 universidades brasileiras são listadas no ranking, todas públicas. No ranking mundial, o destaque é para Harvard University e Stanford University, ambas dos Estados Unidos.

O ARWU é um ranking publicado desde 2003. As universidades são classificadas por vários indicadores de desempenho acadêmico ou de pesquisa, incluindo ex-alunos e funcionários vencedores do Prêmio Nobel e Medalhas Fields, pesquisadores altamente citados, artigos publicados na Nature e Science, artigos indexados nos principais índices de citação e o desempenho acadêmico per capita de uma instituição. A UFSC obteve destaque em campos do conhecimento como Ciência e Tecnologia dos Alimentos, Medicina e Ciências Odontológicas. Engenharia Mecânica, Saúde Pública e Ecologia também foram áreas com grande pontuação na instituição.

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UFSC lança campanha contra o assédio sexual em reunião com equipe do seminário Fazendo Gênero

18/08/2023 15:18

“A UFSC não é lugar de assédio sexual. Queremos uma universidade segura e respeitosa para nós, mulheres”, destacou a assistente social Elisani de Almeida Bastos no lançamento da campanha “UFSC contra o assédio sexual”, ocorrido em reunião com a equipe do Seminário Internacional Fazendo Gênero, nesta sexta-feira, 18 de agosto. Iniciativa da Secretaria de Aperfeiçoamento Institucional (SEAI), do Gabinete da Reitoria e da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), a ação visa à sensibilização de alunos, servidores e demais membros da comunidade universitária com relação às atitudes que configuram assédio sexual, assim como a divulgação dos canais para acolhimento e para denúncias. 

As frases incluídas em oito modelos de cartazes foram definidas a partir da experiência da equipe da Proafe nos atendimentos às vítimas de assédio, e ressaltam falas que são frequentemente consideradas pouco importantes ou “brincadeira”, mas que, na verdade, se caracterizam como assédio e possuem consequências graves na vida de muitas pessoas. Elisani trabalha na Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Gênero (CDGen), onde acolhe e assessora o recebimento de denúncias.  A assistente social comentou que “há o reconhecimento desta problemática no mundo todo, ela também bate na nossa porta. Com a campanha, estamos sinalizando para as vítimas que não estão sozinhas, para os assediadores que isso é crime e para as instâncias oficiais de que deve haver uma perspectiva de gênero no atendimento”.  Além das frases, um cartaz traz informações sobre o que fazer em casos de assédio sexual.
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Inscrições abertas para Workshop de Energias Oceânicas e Fluviais

17/08/2023 15:31

Estão abertas as inscrições para o V Workshop de Energias Oceânicas e Fluviais, que ocorre nos dias 30 de agosto e 1 de setembro, das 8h às 17h, no Hotel Interclass Florianópolis. O evento é gratuito, com vagas limitadas para as atividades presenciais e ilimitadas para a modalidade online.  A organização é do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energias Oceânicas e Fluviais (INCT/INEOF) e da UFSC.

O workshop tem o objetivo de integrar pesquisadores e alunos, discutir o estado da arte em energias renováveis e promover articulações entre a academia, o governo e a indústria. O tema central deste ano é “Transição Energética e o Hidrogênio Verde”. Serão abordados assuntos relacionados à distribuição dos recursos renováveis, licenciamento ambiental e desafios tecnológicos de geração, armazenamento e operação destes sistemas.

O INEOF é uma rede de pesquisa composta por cinco universidades federais brasileiras (UFMA, UFPA, UNIFEI, UFRJ e UFSC). A equipe de pesquisadores integra oceanógrafos, meteorologistas, geólogos, engenheiros mecânicos, hidráulicos, navais, eletricistas, civis e de computação.

Tags: energias renováveisInstituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energias Oceânicas e FluviaisTransição Energética e o Hidrogênio VerdeV Workshop de Energias Oceânicas e Fluviais

UFSC lança novo podcast de ciência, cultura e arte

17/08/2023 14:46

Está no ar o primeiro episódio do Flash UFSC, o novo podcast da Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC). A cada duas semanas, a equipe de jornalistas e estagiários da Agecom trará informações sobre ciência, cultura e arte em episódios de até sete minutos de duração.

O primeiro episódio, produzido pelos estudantes de Jornalismo e estagiários da Agecom Leticia Schlemper e Robson Ribeiro, aborda os impactos do ChatGPT sobre a criatividade e a capacidade de aprendizagem humana e os riscos do avanço da inteligência artificial. Foram entrevistados Mauri Ferrandin, professor do Departamento de Engenharia de Controle, Automação e Computação do Campus de Blumenau, e Alberto Cupani, professor aposentado do Departamento de Filosofia e autor do livro “Filosofia da tecnologia: um convite”.

As razões para nos apaixonamos, o que está por trás do sumiço dos insetos, o uso da Cannabis na veterinária e o trabalho de artistas indígenas da UFSC são alguns dos assuntos que serão abordados nos próximos episódios.

Ouça no site, pelo Spotify ou em outras plataformas.

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Cannabis para uso veterinário: cultivo impulsiona pesquisas e facilita desenvolvimento de cadeia produtiva da planta

16/08/2023 14:30

>>Clique aqui para ler a reportagem em formato multimídia

Pesquisas científicas na área da saúde, um mercado bilionário envolvendo a geração de milhares de empregos, criação e desenvolvimento de empresas, além de receita para o estado proveniente de impostos aliada à economia dos custos de importação de medicamentos. Este é o potencial da cannabis para uso medicinal descrito pelo professor Erik Amazonas, do Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O pesquisador conseguiu autorização judicial para o cultivo no campus de Curitibanos e uso veterinário do produto no final do ano passado e agora aguarda a floração de plantas para iniciar a colheita, uma empreitada cujos frutos envolvem o desenvolvimento de uma rede de pesquisadores da UFSC e de outras universidades.
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Estudante da UFSC Blumenau é convocada para Seleção Brasileira de Flag Football

16/08/2023 07:23

A estudante do curso de licenciatura em Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – campus Blumenau, Bruna Luíza Martini Quost, é uma das 58 atletas convocadas para a Seleção Brasileira Feminina de Flag Football. A convocação foi anunciada no dia 11 de agosto e o primeiro encontro da equipe ocorrerá nos dias 21 e 22 de outubro, em Curitiba (Paraná), quando iniciam os treinamentos para o Mundial de Flag Football, que acontece em julho de 2024, na Finlândia.
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Projeto da UFSC restaura vegetação das dunas da Joaquina, em Florianópolis

15/08/2023 17:28

Laís, Beatriz e Mariana realizando anotações sobre as plantas. Foto: Leticia Schlemper/estagiária de jornalismo/Agecom/UFSC

Duas horas da tarde, na Praia da Joaquina, em Florianópolis, três estudantes de Biologia realizam uma trilha nas dunas para investigar se as plantas da restinga têm sementes, quando florescem, quando frutificam, ou seja, para avaliar a fenologia das espécies. Com esses dados, é possível saber qual é o melhor período para realizar a coleta de sementes. O grupo realizou 35 saídas de campo, desde setembro de 2022 até final de junho de 2023. Coletou 12.607 sementes provenientes da restinga, e, a partir delas, foram preparadas 3.183 mudas. Essas saídas fazem parte do projeto de pesquisa Restaura Restinga, vinculado ao Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação (Leimac) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O projeto tem como principal objetivo prover diretrizes para a restauração da vegetação de dunas frontais como forma de aumentar a resiliência de ecossistemas costeiros a eventos climáticos extremos.

Confira o vídeo do projeto no Instagram da UFSC

A estudante Laís Stein conta que a praia da Joaquina faz parte do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, uma unidade de conservação de Florianópolis. Nesse mesmo lugar, entre 1960 e 1970, não se sabe a data ao certo, foi plantada uma espécie de eucalipto, com o objetivo de contenção das dunas. Porém, não é uma espécie típica da Restinga. “Além de ser uma espécie exótica com potencial invasor numa unidade de conservação, o que não é permitido por lei, ele também não cumpre o papel de contenção das dunas e descaracteriza toda a paisagem da Restinga”, afirma Laís. Com isso foi necessário tirar os eucaliptos da unidade de conservação. A estudante explica que eles levarão mudas nativas para a área, que serão plantadas no lugar dos eucaliptos. Nas saídas de campo, elas acompanham o que acontece com a vegetação após a retirada, se está regenerando, etc. 

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UFSC se destaca com cinco premiações no Prêmio Capes de Tese

15/08/2023 11:31

A Universidade Federal de Santa Catarina conquistou dois primeiros lugares e três menções honrosas no Prêmio CAPES de Tese, que nesta edição teve o maior número de inscritos da história. A premiação reconhece as melhores teses de doutorado defendidas em programas de pós-graduação brasileiros. No total, 1.469 trabalhos de programas do Brasil todo concorreram.

Os trabalhos premiados da UFSC contemplam cinco áreas de conhecimento: Linguística e Literatura, Nutrição, Ciência de Alimentos, História e Química. Na relação preliminar divulgada nesta terça-feira pelo órgão de fomento, estão as 49 teses premiadas na primeira etapa, uma por área do conhecimento.

Agora, as duas teses da UFSC que venceram o prêmio disputam o Grande Prêmio CAPES de Tese, que será divulgado no Diário Oficial da União em novembro. A solenidade de entrega do Prêmio CAPES de Tese ocorre em dezembro. O Grande Prêmio corresponde a uma bolsa para estágio pós-doutoral em instituição internacional, por até 12 meses, certificado e troféu. Cada orientador vai receber premiação de R$9 mil, para participar de congresso internacional e certificado de premiação que também será entregue aos coorientadores e ao Programa.

Confira os premiados

Linguística e Literatura: Naylane Araujo Matos (Estudos da Tradução)
Estudos Feministas da Tradução no Brasil: Percursos Históricos, Teóricos e Metodológicos na Produção Científica Nacional (1990-2020)
Orientação: Andreia Guerini

Nutrição: Gilciane Ceolin (Nutrição)
Determinantes das Concentrações Séricas da Vitamina D e a sua Associação com Sintomas Depressivos em Idosos de Florianópolis-SC
Orientação: Julia Dubois Moreira e Debora Kurrle Rieger Venske

Menção Honrosa

Ciência de Alimentos: Lais Benvenutti (Engenharia de Alimentos)
Selection And Application Of Eutectic Solvents For The Valorization Of Jaboticaba Processing Byproduct Using Highpressure Fluid Technologies
Orientação: Sandra Regina Salvador Ferreira e Acacio Antonio Ferreira Zielinski

História: Marcelo Gonzalez Brasil Fagundes (História)
Fragmentos de Uma História Panhĩ: História e Território Apinajé na Longa Duração
Orientação: Lucas de Melo Reis Bueno

Química
Gean Michel Dal Forno (Química)
Reações Bio-ortogonais de Clivagem de Ligações C-o e C-c Mediadas por Paládio: Expandindo as Estratégias da Biologia Química para o Tratamento do Câncer
Orientação: Josiel Barbosa Domingos


Ao contrário do que informado na primeira versão dessa notícia, a UFSC conquistou dois primeiros lugares e três menções honrosas – e não três primeiros lugares e duas menções honrosas. O texto foi corrigido em 5 de setembro, logo após a confirmação final dos resultados.

Tags: pesquisaPPG Engenharia de AlimentosPPG Estudos da TraduçãoPPG HistóriaPPG NutriçãoPPG QuímicaPrêmio Capes de Tesetrabalhos premiadosUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Pele descartada de procedimentos estéticos contém célula capaz de reparar tecidos lesionados

14/08/2023 13:15

Pesquisa desenvolvida na UFSC pode acelerar a recuperação de queimaduras e reduzir custos do SUS

Para ler a reportagem especial em formato multimídia, clique aqui.

As células estromais mesenquimais reparam lesões profundas de tecidos. Foto: Ana Beatriz Quinto.

O que começa com uma lipoaspiração pode terminar diminuindo custos do Sistema Público de Saúde. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a professora Andrea Trentin, do Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética, pesquisa células presentes em sobras de pele de cirurgias plásticas – elas promovem uma cicatrização mais rápida de lesões profundas, como as queimaduras. Obtidas em parceria com o Hospital Universitário, são gorduras descartadas de procedimentos como bariátrica e lifting facial.

Casos graves de tecidos queimados ocasionam alto custo financeiro ao SUS. Um dos procedimentos é o autoenxerto, que retira tecido de uma área sadia do paciente e o aplica na camada mais fina da pele, a epiderme.

O projeto desenvolvido por Trentin e sua equipe pretende acelerar esse processo. Para isso, pesquisam como recuperar as células de pele ainda na primeira etapa da queimadura. “Não elimina a necessidade do autoenxerto”, explica, “mas promove uma regeneração mais rápida e de melhor qualidade”. A alternativa é útil principalmente para quadros nos quais a lesão é muito extensa e profunda.
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UFSC vai pesquisar dinâmica da produção de petróleo com auxílio de um dos equipamentos mais potentes do mundo

11/08/2023 09:58

UFSC vai utilizar equipamento de ponta, o Sírius

Dois grupos de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina – um do campus Florianópolis e outro do campus Joinville – trabalham em um projeto internacional que vai estudar a dinâmica da água e do óleo nas rochas para a extração de petróleo. O Laboratório de Meios Porosos e Propriedades Termofísicas (LMPT) e o Grupo de Pesquisa em Meios Porosos (Poro) estão sendo financiados pela petroleira norueguesa Equinor por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O projeto envolve parceria com instituições brasileiras e colaboração com universidades da Escócia, Bélgica, Holanda e Estados Unidos.

Os pesquisadores, liderados em Florianópolis pelo professor Celso Peres Fernandes e em Joinville pelo professor Diogo Nardelli Siebert, também atuarão em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde está uma das instalações mais potentes do mundo para o estudo de materiais – o Sírius, acelerador de partículas que gera feixes de partículas subatômicas em velocidades altíssimas, muito próximas da velocidade da luz.

O contrato com a Equinor, no valor de R$ 9,5 milhões, é fruto da lei de petróleo, um recurso existente na ANP que prevê investimento em ciência e tecnologia no Brasil a partir da produtividade das operadoras que atuam no país. Segundo o professor Celso, a negociação começou no final de 2020, a partir da demanda da empresa, que já conhecia os grupos que trabalhavam com a análise de rochas. “Nós já tínhamos contato científico com eles há alguns anos. Como a Equinor já sabia o que queria e identificou grupos chaves e experientes nas universidades, ficou desenhado o papel de cada um no projeto”, reforça.

No caso do LMPT, o histórico de pesquisas do grupo e um equipamento específico, que realiza microtomografia de raios X de alta resolução espacial foram centrais para a participação na pesquisa, que envolve também o CNPEM e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Um importante processo para a extração do petróleo, que se encontra nos poros da rocha reservatório, consiste na injeção de água para deslocar o petróleo até a superfície. O estudo da UFSC envolve identificar como a água desloca o óleo dentro das rochas, um dos procedimentos que poderia aumentar a produtividade na extração do petróleo.O tomógrafo do laboratório gera imagens de alta resolução espacial, que permite que os menores poros por onde os líquidos circulam também sejam observados.

O professor explica que o acelerador de partículas Sirius complementa essas informações acrescentando a dimensão do tempo. “Com o equipamento que nós temos, conseguimos analisar água e óleo na rocha em condição estática. No Sirius também entra o tempo, e nós conseguiremos ver os fluidos se movimentando, acompanhando essa dinâmica”, diz.

O objetivo central da parceria é aprimorar o conhecimento sobre fenômenos de deslocamentos de óleo por água para contribuir com a eficiência na recuperação do petróleo, mas é a primeira vez que, por meio do Sírius, a equipe da UFSC terá acesso a esse nível de detalhamento.

A pesquisa será realizada na linha Mogno – uma linha de luz de imagem de raios X especializada em zoom-tomography, segundo o CNPEM uma técnica em que uma amostra pode ser estudada em baixa e alta resolução, e em experimentos in-situ resolvidos no tempo, a partir dos quais é possível observar um material sob condições específicas. “É a tecnologia dando dados para que nós possamos ter um aprimoramento científico de um problema físico”, finaliza Fernandes.

Imagens para aperfeiçoar algoritmos

A pesquisa também será executada por uma equipe de cientistas da UFSC Joinville, do Grupo de Pesquisa em Meios Porosos, o Poro. “Nós vamos poder interagir com pesquisadores que estão aplicando esse conhecimento dentro da indústria e também com pesquisadores no exterior que se debruçam sobre esses problemas”, destaca o professor Diogo Nardelli Siebert, ressaltando que o projeto envolve diferentes áreas da indústria.

Siebert também reforça que a interação com o laboratório nacional onde está o acelerador de partículas vai permitir que a equipe da UFSC tenha acesso a dados inéditos no mundo. Os pesquisadores de Joinville trabalham no desenvolvimento de algoritmos para prever dados como a quantidade de óleo residual depois da exploração petróleo e a permeabilidade das rochas – que influencia também na quantidade de energia necessária para extração do óleo.

“Esse tipo de previsão pode ser feito se a gente consegue simular como a água consegue retirar o óleo de dentro da rocha. Essa simulação depende de vários fatores: primeiro depende de a gente conseguir imagens de como são essas rochas e também de a gente entender como é que é a física da interação entre essas duas fases, que a água e óleo, e a rocha”, explica.

Segundo o professor, essa física é mais inacessível justamente pela dificuldade de se conseguir dados de como isso está ocorrendo e qual a influência de cada fenômeno. “Isso vai poder ser feito com base nesses experimentos que a gente faz em microtomógrafo, onde a gente pode repetir esse processo que acontece no interior da rocha e ter uma imagem 3D do que ocorre ali para entender melhor como se dá essas interações”, pontua.

Essa nova dimensão da compreensão física de como os diferentes fatores afetam o resultado final do processo de extração poderá ser incorporado aos algoritmos do Poro. “O nosso grupo desenvolve métodos para simular a física microscópica no interior das rochas”, sintetiza.

Outros ganhos científicos devem surgir a partir dessa parceria, já que, com base nessas informações, será possível aprimorar os resultados de modo que beneficie outras áreas além da indústria petrolífera. “A gente pode usar esse conhecimento para aprimorar os algoritmos e aplicá-los em outros problemas, pois há questões de impacto na sociedade que também então ligados a isso”. Um exemplo seria o escoamento ou a contaminação de lençóis freáticos, que também poderia ser prevista a partir do algoritmo.

“Essa infraestrutura do Sírius vai permitir a gente enxergar esse processo ocorrendo no tempo com uma resolução temporal, com uma quantidade de imagens por segundo que é impossível com qualquer outra técnica. A gente sabia, com base em conhecimentos teóricos que os processos ocorriam, mas agora a gente vai conseguir enxergá-los, medi-los e vai poder analisar se os nossos métodos de simulação estão prevendo esses fenômenos corretamente”, finaliza o professor.

Para o professor Jacques Mick, pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFSC, a parceria com a Equinor, a Unicamp e o CNPEM reforça o compromisso da UFSC com o desenvolvimento de ciência e tecnologia de alta qualidade e suas aplicações na indústria, marca importante na identidade de nossa universidade. “Este projeto é especialmente relevante pela elevada internacionalização, ao nos conectar com uma multinacional atuante em um setor estratégico da economia brasileira e com pesquisadores de vários outros países”, salienta

Amanda Miranda, jornalista da Agecom/UFSC

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Pesquisa desenvolvida na UFSC propõe método humanizado para o exame preventivo

10/08/2023 17:32

Letícia Fumagalli durante atendimento em unidade de saúde do município de Videira (SC).

“Minha motivação para humanizar a coleta do exame citopatológico não foi meramente um sentimento de  ‘amor’, ‘empatia’, mas sim o inconformismo.” É dessa forma que a enfermeira Leticia Fumagalli da Silva descreve o que foi o ponto de partida para sua pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Gestão do Cuidado em Enfermagem na Universidade Federal de Santa Catarina (PPGPENF/UFSC). Letícia concluiu o trabalho no segundo semestre de 2022 e sua dissertação está disponível on-line no site da Biblioteca Universitária. Sua pesquisa, orientada pela professora Marli Terezinha Stein Backes, líder do Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-nascido (GRUPESMUR/UFSC), conseguiu demonstrar que uma abordagem humanizada dos profissionais da saúde traz resultados muito positivos para a saúde da mulher.

Enfermeira do município de Videira (SC) desde 2013, Letícia passou a ser responsável pela coleta do exame citopatológico do colo uterino – conhecido popularmente como “preventivo” ou “Papanicolau” – em meados de 2018, quando integrou a equipe multiprofissional de Estratégia Saúde da Família (ESF). O exame é um importante recurso para diagnosticar e prevenir o câncer de colo de útero (CCU), doença comum em mulheres acima de 25 anos que já tiveram atividade sexual. Para esse público, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda que sejam realizados dois primeiros exames com o intervalo de um ano entre eles e, caso os resultados de ambos sejam normais, os exames seguintes devem ser realizados a cada três anos.

Essa recomendação, entretanto, não era seguida pela maioria das mulheres que Letícia atendia. “Quando perguntava qual havia sido o ano da última coleta, elas me respondiam: 2011, 2013, 2014… Observei que havia um intervalo muito grande entre uma coleta e outra. E isso começou a chamar minha atenção. Então, além de perguntar ‘qual foi o ano da última coleta?’, passei a perguntar também ‘por que a senhora demorou tanto tempo pra voltar?’ E uma pergunta tão simples abriu um caminho com respostas que eu nem poderia imaginar.”
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UFSC e Prefeitura de Florianópolis lançam cursinho pré-vestibular gratuito; inscrições abertas

10/08/2023 15:34

A UFSC, em parceria com a Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF) lança, nesta quinta-feira, 10 de agosto, o Programa Vestiba+, cursinho pré-vestibular gratuito para estudantes que concluíram o ensino médio na rede pública ou bolsistas integrais da rede particular. O Programa inclui vale-transporte gratuito para os selecionados.

As inscrições são para o período noturno e devem ser feitas por meio do formulário. A seleção dos estudantes será orientado por vulnerabilidade socioeconômica, com índice regulamentado de 1,5 salário-mínimo per capita que deverá ser comprovado.

Serão disponibilizadas 50 vagas, das quais 6%, ou três vagas, devem ser reservadas para pessoas com deficiência (PCD), e 20%, equivalente a 10 vagas, para cotas raciais: pretos, pardos, indígenas e quilombolas. Outros 4%, ou seja, duas vagas, serão destinadas para pessoas transsexuais.
Os candidatos que se inscreverem nas cotas para PCD terão que comprovar mediante laudo técnico atualizado.

Candidatos que se inscreverem nas cotas para pretos, pardos, indígenas e quilombolas, deverão assinar autodeclaração indicando o grupo ao qual se identificam. Posteriormente, cada pessoa será submetida a procedimento de heteroidentificação presidido por uma comissão de validação. Estudantes selecionados(as) terão seus nomes publicados na listagem oficial na página eletrônica da PROEX, página da Prefeitura de Florianópolis e redes sociais para ampla divulgação.

 

com informações da Assessoria de Imprensa da PMF

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UFSC aprova política de acesso, inclusão e permanência para pessoas trans, travestis e não binárias 

09/08/2023 18:11

Foto: Kauê Alberguini/Agecom/UFSC

“É uma grande vitória, é um símbolo importantíssimo de resistência e de resultado de uma luta e de uma mobilização conjunta e coletiva das pessoas trans, do movimento trans”, afirma Melina Martins, estudante de Antropologia da UFSC e integrante e uma das fundadoras da Rede Trans UFSC. Quinze anos após as primeiras políticas de ações afirmativas da UFSC, o Conselho Universitário (CUn) aprovou, na última terça-feira, 8 de agosto, uma política institucional de ações afirmativas para pessoas transexuais, travestis, transmasculinas, transgêneras e não-binárias. 

A política abrange do ensino básico à pós-graduação, garante reservas de vagas na graduação, na pós e em concursos públicos, bem como acesso prioritário a editais de assistência estudantil. Contempla, ainda, o combate à transfobia, campanhas, programas e ações educativas e adequações de infraestrutura. Apesar de outras universidades brasileiras já terem políticas de acesso a pessoas trans, nenhuma tem a mesma abrangência da política aprovada na UFSC. 

“Essa política é histórica. Com essa magnitude que ela tem, ela torna a UFSC a primeira universidade federal pública do Brasil a ter uma política como essa. Outras universidades possuem políticas para pessoas trans, mas são políticas de ingresso, políticas de cotas somente, não tratam de permanência, não tratam do enfrentamento à violência e à transfobia”, explica Melina.
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