Prêmio Mulheres na Ciência: Cristina Scheibe Wolff

24/11/2021 08:00

Em 2022, a historiadora Cristina Scheibe Wolff completa 30 anos como professora do Departamento de História do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (CFH/UFSC). Com uma trajetória acadêmica marcada por significativas contribuições ao debate sobre questões de gênero no campo da História, Cristina é uma das homenageadas pelo Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq/UFSC). Ela foi a vencedora na área de Ciências Humanas da categoria Sênior, voltada a pesquisadoras que ingressaram na UFSC até o ano 2000.
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UFSC Blumenau divulga programação do 4º Seminário de Iniciação Científica

22/11/2021 17:16

O cronograma das apresentações dos trabalhos inscritos no 4º Seminário de Iniciação Científica do Campus Blumenau da UFSC (4º SIC-Blumenau) está disponível no site do evento. As apresentações ocorrem nestas terça e quarta-feira, 23 e 24 de novembro, e serão transmitidas pelo canal da UFSC Blumenau no YouTube.

Haverá certificação para quem assistir às apresentações como ouvinte. Para receber o certificado de seis horas, validável como atividade complementar, é necessário acompanhar, no mínimo, 75% do evento. Serão disponibilizadas listas de presença no chat durante as transmissões.

>> Confira o cronograma completo.

O SIC-Blumenau tem como objetivo intensificar a divulgação dos trabalhos de pesquisa realizados pelos estudantes de iniciação científica e tecnológica (bolsistas Pibic e Pibiti e voluntários), oportunizando debates e intercâmbio de informações entre a comunidade acadêmica e interessados externos à universidade.

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Prêmio Mulheres na Ciência: Ana Lúcia Severo Rodrigues

22/11/2021 09:00

Ao longo das últimas duas semanas, a Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC) tem publicado reportagens sobre as vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Na sétima matéria da série, conheça a trajetória e o trabalho de Ana Lúcia Severo Rodrigues, contemplada na Categoria Sênior – voltada a docentes que ingressaram no quadro permanente da UFSC antes de 31 de dezembro de 2000 –, na área de Ciências da Vida.

Ana Lúcia é professora do Departamento de Bioquímica e dos programas de pós-graduação em Bioquímica e Neurociências e bolsista de produtividade em pesquisa nível 1B do CNPq. Coordenadora do grupo de pesquisa Neurobiologia da depressão, tem se dedicado a compreender os mecanismos bioquímicos e fisiológicos envolvidos nessa enfermidade e na regulação do humor, com estudos que podem colaborar com o desenvolvimento de novas possibilidades de tratamento e prevenção da doença.

Apesar de sua longa carreira dedicada à pesquisa e ao ensino (são quase 30 anos somente como professora na UFSC) e de sua extensa produção (mais de 200 artigos publicados, de 8 mil citações e de 50 alunos de mestrado e doutorado orientados), a docente recebeu com surpresa o anúncio da premiação: “Quando fiquei sabendo, acabou sendo, de certa forma, uma notícia muito impactante. Não estava exatamente esperando que fosse acontecer, porque a gente sabe que tem excelentes profissionais. Eu fiquei muito feliz, com certeza. É um reconhecimento da trajetória acadêmica e principalmente da dedicação que a gente tem à ciência e às atividades de pesquisa e de ensino”.
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Pesquisadora mapeia trajetórias negras e racismos na infância

19/11/2021 13:21

Eu não denominava, mas aquela questão de ser chamada de macaca eu percebia que eram dirigidas para as pessoas negras…Pra mim foi uma ruptura profunda entender este mundo agressivo e hostil… Ai o que aconteceu: eu comecei a dizer pra minha mãe que eu tinha dor de cabeça, ai eu não ia para a aula. Eu amava estudar só que, ao mesmo tempo, eu não queria passar por aquilo todos os dias. De ser xingada, hostilizada.

O tempo todo eu era chamada de negrinha suja, suco de pneu, suco de asfalto. E isso se estendeu até a sexta série quando mudei de escola.

Hoje eu consigo ver que, se eu cheguei ao ponto de aos nove anos, de bater, foi o último assim, um estresse muito grande… eu tinha chegado no meu limite. Como a criança negra ela se sente sozinha assim porque… talvez hoje se tenha uma atenção porque a gente fala mais disso, mas antes se não era como a minha mãe respondeu… como se fosse algo simples sabe, tipo “ah, esquece, não dá bola que para”, “ah, se o fulaninho briga muito. iiih é porque gosta”. Sabe estas coisas assim de não dar bola pra um problema que é grave só porque é criança. Só que, com certeza, isso nos afeta muito.

Os trechos acima são reprodução de depoimentos coletados pela pesquisadora Sandra Tonhote Sousa ao longo da sua pesquisa de mestrado, defendida em junho de 2020 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Hoje cientista social e pesquisadora, ela também já foi criança. E embora tenha feito parte de um núcleo familiar que sempre positivou a negritude, a aproximação com coletivos e movimentos sociais fez com que decidisse se dedicar ao que precisa ser dito e enfrentado socialmente.

Por meio de entrevistas concedidas a ela por quatro mulheres e de narrativas públicas de quatro personalidades, ela investigou o racismo na infância. Mesmo sabendo que estaria diante de dores compartilhadas, foi um percurso fundamental para trazer à tona um debate importante. “A ideia de explicitar o racismo é justamente para combater. Temos bastante debate sobre relações raciais na academia e na política, mas na sociedade falta um pouco esse olhar para a infância, para esse sujeito que está começando a se entender e já está sendo vítima”, contextualiza.

Na dissertação Trajetórias Negras e Racismos: Memórias da Convivência Inter-racial na Infância, orientada pela professora Ilka Boaventura Leite, ela conclui que a descoberta do racismo pela criança negra pode ser interpretada em analogia com o mito da caverna de Platão. “Antes da primeira experiência amarga, acreditamos conhecer o mundo de uma maneira, mas, após, ele vai mudar significativamente quando somos de repente jogados para fora, lançados a outra realidade. Assim, depois de um episódio terrivelmente desconfortável, passamos a conhecer a realidade com a qual vamos conviver a partir de então”, escreve. As pesquisas bibliográficas também indicaram que as crianças negras podem experienciar ou passarem a ser vítimas da radicalização desde o berçário, na educação infantil ou até mesmo no interior das famílias.

O percurso não foi prazeroso. Sandra teve de se confrontar com as suas memórias e remexer nas dores das suas entrevistadas. Apesar disso, tanto ela, quanto as interlocutoras na pesquisa compartilhavam de um mesmo objetivo: “a gente tem que promover mais esse debate como forma de acabar com isso, de mostrar que existe, de chamar atenção para esse ponto”.

No caminho, deparou-se com pesquisas que retratavam a infância e o racismo sob a ótica da educação e usou a antropologia para se aproximar desse campo de estudos. Também investigou questões relacionadas à memória e à diáspora africana e, com o auxílio da autora portuguesa Grada Kilomba, remonta ao que a escritora chama de “a dor indizível do racismo”.

Nesse aspecto, lembranças de olhares, de apelidos e de gestos de censura a traços físicos identitários – como o cabelo, por exemplo – permeiam as narrativas trazidas na pesquisa. “Lembro de uma vez em que meu pai fez um trabalho, ele foi cobrar um dono de um restaurante e o dono do restaurante não tinha dinheiro, então falou que o meu pai poderia ir jantar com a família dele. E nós fomos comer num restaurante bem classe média no centro da cidade. Eu nunca vou esquecer quando a gente entrou e todo mundo olhou. Foi horrível”, disse uma das entrevistadas.

Para Sandra, nem mesmo a classe social é um mecanismo que afasta o racismo. A entrevista do cantor e compositor Gilberto Gil, que ela analisa na pesquisa, é um retrato disso: mesmo pertencendo a uma elite, à classe média, quando ele sai do contexto familiar e social em que os pais eram reconhecidos, o racismo passa a permear a sua existência. “No ciclo em que ele estava inserido ele podia ser lido como branco, depois que ele sai daquele ciclo acaba se deparando com o racismo. A racialização está na estrutura social, em todas as sociedades”, comenta.

Precisamos falar sobre

Na pesquisa, Sandra também remonta o momento em que opta pela construção de um objeto capaz de acionar dores e memórias tristes. Ela lembra que, quando começou a estudar relações raciais, sua ideia era fugir de assuntos delicados e investigar outros aspectos de fortalecimento identitário. Mas as leituras a fizeram subverter esse pensamento. “Fui entendendo a gravidade do tema e vi que não tinha como fugir. O debate é urgente. Precisamos falar do racismo, da juventude negra assassinada e de assuntos dolorosos”.

Por conta das características da pesquisa, ela teve dificuldades, por exemplo, em formar uma rede maior de entrevistados. As vozes que ecoam no estudo são, em sua maioria, de mulheres. Todas as entrevistas realizadas por ela também são com interlocutoras femininas. “Eu não consegui entrevistar homens. E entendo que isso tenha acontecido porque, para um homem, é mais difícil se colocar nesse lugar de fragilidade. É uma parte da masculinidade que se tenta esconder”.

Em contrapartida, as vivências captadas no estudo de Sandra revelam muitos padrões de comportamento de uma sociedade racista. Para ela, trata-se de uma disputa de narrativas, já que a ideia de raça é uma construção que vem afetando a toda a sociedade, por séculos e gerações. “Isso nubla a nossa percepção de realidade, tanto os sujeitos brancos, quanto os não-brancos, seja um para se sentir superior e outro inferiorizado”, pondera. “A gente tem consciência de que é uma narrativa e tem que tentar construir outra, contribuir minimamente para isso. E o esforço das pesquisas vai nesse sentido”, completa.

 

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Seminário sobre Ensino de graduação no Brasil ocorre de 22 e 25 de novembro

17/11/2021 18:25

A Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (Prograd/UFSC) promove, entre os dias 22 e 25 de novembro, o 2º Seminário PROGRAD – O Ensino de Graduação no Brasil. O evento, que ocorre no formato virtual, é dirigido a docentes e técnicos-administrativo
s(as) em educação da UFSC. O link de acesso à sala será enviado por e-mail às pessoas inscritas. As inscrições devem ser feitas aqui.
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Professor Aloísio Klein é um dos indicados de SC ao Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação

17/11/2021 14:00

Fórmulas matemáticas costumam fazer parte da carreira de um pesquisador com formação em Física e Engenharia, mas apesar da trajetória na área das Exatas, a fórmula que predomina na vida profissional do professor Aloisio Nelmo Klein vai muito além dos números. Pensar à frente, ensinar com motivação e acreditar na parceria – com os colegas e alunos e com organizações externas – são algumas das características que culminaram com a indicação ao Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação – Francisco Romeu Landi.  A iniciativa do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) reconhece aqueles que se destacaram em pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação com resultados positivos para o desenvolvimento e o bem-estar das populações brasileiras. A indicação foi feita pela UFSC à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), representante catarinense na premiação.

Professor titular no Departamento de Engenharia Mecânica, Klein foi também um dos fundadores do curso de Engenharia de Materiais e do programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais e é um dos líderes do Laboratório de Materiais, centro científico pioneiro e um dos pólos do desenvolvimento científico e tecnológico na área, no Brasil. “O Brasil demanda a solução de problemas que já estão à prova. O que fiz, ao longo desses anos, foi pensar em fazer algo que pudesse contribuir com o mundo”, comenta.

Nesse processo, Klein acumulou parcerias que não deixa de mencionar quando cita pontos da sua biografia. O vínculo com a indústria, com quem construiu soluções ao longo de toda a sua trajetória, permitiu que as pesquisas tivessem um impacto direto na realidade. Já a proximidade com os alunos, de graduação e pós-graduação, possibilitou que formasse um grupo de profissionais e de cientistas motivados a buscarem respostas para grandes problemas tecnológicos. “Quando o aluno tem as condições adequadas de realizar o seu trabalho experimental e quando temos boas parcerias com as empresas o resultado tende a ser positivo”, resume.

A metalurgia do pó e a tecnologia de plasma foram duas das frentes de trabalho que o colocaram na vanguarda da inovação. Com a investigação de materiais sinterizados porosos, construiu dois produtos patenteados, com uma dessas patentes já concedida nos Estados Unidos. O pesquisador também investiga as novas técnicas de processamento assistidas por plasma e o desenvolvimento de reatores de plasma – área em que o Laboratório de Materiais da UFSC se destaca como centro de excelência. Essa tecnologia é responsável por uma série de processos físico-químicos que beneficiam diretamente a indústria de materiais.

Ao longo da sua carreira na UFSC e à frente do LabMat, Klein também coordenou uma série de projetos aprovados em concorrência para a obtenção de recursos nos editais das agências de fomento. A soma chega a R$ 70 milhões, somente nos últimos 20 anos. “A interação contínua entre os pesquisadores da universidade e os engenheiros e pesquisadores das empresas parceiras se mostrou ser a forma mais adequada para aquilo que frequentemente é chamado de ‘Interação Universidade/ICTs x Empresa’, pois permite correções de rumo em tempo real durante o desenvolvimento do projeto”, pontua.

Muitos desses parceiros foram formados por Klein, que revela um entusiasmo com sua atuação docente. “O registro na carteira de trabalho está lá: sou professor”, comenta. Olhar “frente a frente”, sem lançar mão da autoridade ou da superioridade acadêmica e trabalhar como um motivador de trabalhos que impactem à realidade são duas das suas práticas. “Minha prioridade é ser professor e orientador. É formar gente muito bem. O resultado disso é que conseguimos desenvolver bons estudos, que rendem inovação e patentes”.

O professor da UFSC foi responsável por um total de 142 cartas de patentes, no exterior e também no Brasil, que resultaram em 22 famílias de patentes de invenção, com os pedidos de deposição em 11 países distintos. Em torno de 40 % destes pedidos ainda estão em fase de análise e algumas dessas patentes já caíram em domínio público.

O início

A saga do pesquisador em busca da inovação tem um marco que ele recorda com saudosismo. Formado em Física, com mestrado em Engenharia Metalúrgica e dos Materiais, foi com um professor na Universidade de Karlsruhe, na Alemanha, durante o doutorado, que aprendeu a buscar problemas de pesquisa que resultassem em soluções inovadoras. “Quando apresentei minha primeira proposta ele me questionou: ‘para que isso vai servir? o que vamos fazer com isso depois?’ e me sugeriu buscar algo que servisse para melhorar algo no mundo”, lembra.

A tese, na área da metalurgia de pós, já resultou na primeira patente. “Tentei pensar em um tema que utilizasse os conceitos da área, mas que resultasse em produto mais barato e com melhores propriedades”. Em todo o percurso atuou com aquilo que chama, brincando, de “índice de viração própria”. “Fui atrás das coisas pessoalmente. Depois, quando voltei ao Brasil, encontrei na UFSC, no Departamento de Engenharia Mecânica, um ambiente muito maduro para seguir”.

Desde o começo da trajetória, Klein aposta em uma atuação multidisciplinar. Físicos, químicos e engenheiros trabalham de forma coletiva na busca por solucionar problemas que aumentem a competitividade da indústria. Essa perspectiva, de uma ciência aplicada e que congrega diversas áreas do conhecimento em torno de um problema, também é um atrativo para as empresas. Entre as organizações parceiras do Laboratório de Materiais, há indústrias multinacionais de ponta que investem nas pesquisas coordenadas por Klein há mais de 30 anos. “E há 30 anos nós não tínhamos tecnologia. Aprender era um grande desafio. Por isso hoje eu vejo que um aluno motivado é capaz de tudo”.

Essas parcerias na pesquisa resultaram em 395 artigos publicados, somando-se os artigos publicados em periódicos internacionais – 189 deles listados na base de dados Scopus, com citações, e 216 publicados em Anais de Congressos Nacionais e Internacionais. O professor também foi responsável pela orientação de 48 alunos de mestrado, 32 de doutorado, 20 supervisões de Pós-Doutorado e pelo registro de 89 alunos de iniciação científica. Hoje, é pesquisador 1A do CNPq, figurando em um grupo restrito de cientistas reconhecidos pela alta produtividade e impacto de seus estudos.

O agora

Em todo o seu discurso, Klein faz questão de lembrar e celebrar a importância do trabalho em equipe. Reverencia colegas de departamento, alunos e parceiros de iniciativas em pesquisa e desenvolvimento ciente de que o trabalho científico exige colaboração. “Temos muitas coisas a fazer e a construir na área de materiais, de novos materiais. A forma de fazer é uma das coisas mais importantes, por isso a parceria precisa ser contínua”, comenta.

Por conta do tempo escasso, o pesquisador já não atua mais na bancada, mas na liderança de grandes projetos e parcerias e na orientação de estudos com potencial de inovação. “A ideia é sempre pensar à frente”, sintetiza. Por isso, uma das iniciativas mais recentes ainda está sob sigilo: sua equipe está prospectando uma série de pesquisas junto a um instituto de tecnologia que está de olho no futuro. “É uma grande parceria que foi iniciada para desenvolvermos novos materiais e aperfeiçoarmos processos”, completa.

Como todo visionário, o professor da UFSC também se mostra entusiasmado e otimista com o futuro. Prestes a completar 71 anos, ele está confiante de que o volume de informações e a tecnologia disponíveis hoje vão formar cientistas cada vez mais bem preparados para enfrentar os problemas que ele sempre perseguiu, desde o primeiro contato com a ciência dos materiais. “Com esse fator e com as parcerias vai aumentar a capacidade de resolver os grandes problemas do futuro”, pontua. “Estou convencido de que a ciência e a tecnologia estão entre as principais forças motrizes para o desenvolvimento de uma nação, além da educação e escolas de qualidade”.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Congresso Internacional Roa Bastos reúne conferências, mesas-redondas, filmes, dança e literatura

17/11/2021 11:44

O Núcleo de Estudos de Literatura, Oralidades e Outras Linguagens (Nelool) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove na próxima semana, de 23 a 26 de novembro, o X Congresso Internacional Roa Bastos. Com o tema Repertórios ancestrais, saberes e práticas contemporâneas, o evento tem a proposta de trazer reflexões sobre arte e política em tempos de pandemia e caos social e promover discussões sobre descolonização epistemológica, buscando enunciações historicamente silenciadas. A programação envolve conferências, mesas-redondas e atividades artísticas e culturais e pode ser acompanhada pelo canal do Nelool no Youtube.

O encontro tem início na tarde de terça-feira (23) com a conferência da poeta indígena Márcia Wayna Kambeba, seguida pela entrevista com o escritor mapuche Elicura Chihuailaf (Prêmio Nacional de Literatura do Chile em 2020). Entre os destaques da programação estão, ainda, as participações da escritora e ativista Helena Silvestre (indicada ao Prêmio Jabuti 2020) e da poeta paraguaia Susy Delgado, o sarau de leituras poéticas com mulheres latino-americanas e a exibição do filme Jovens guarani e Kunhangue Reko, acompanhada de um debate com Alfredo Maney e Eliézer Antunes, membros do projeto Valorizando o Audiovisual indígena na UFSC.

O espetáculo A reminiscência dos tambores do corpo, com o bailarino e coreógrafo Daniel Amaro, encerra a programação na noite de sexta-feira (26). Produzido em 2010, em comemoração aos 10 anos de aniversário da Cia. de Dança Afro Daniel Amaro, o espetáculo aborda a retirada dos negros da África até a contemporaneidade brasileira e agrega movimentos que evocam a dança, os ritmos e a religiosidade da cultura africana, demonstrando a mescla cultural existente entre a África e o Brasil, além da reconstrução da identidade baseada na crença e na fé.
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Pesquisadores da UFSC são premiados em congresso de Engenharia de Avaliações e Perícias

17/11/2021 10:50

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) obteve dupla premiação no XXI Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias (Cobreap). O estudo Avaliação de imóveis a partir de dados de oferta e transação, de autoria dos engenheiros Luiz Fernando Palin Droubi, Carlos Augusto Zilli e Norberto Hochheim, foi contemplado com a medalha Hélio de Caires como melhor trabalho na área de Engenharia de Avaliações. Já o artigo Análise de modelos de regressão espacial global e local para avaliação em massa de imóveis urbanos, assinado por Zilli, Droubi, Hochheim e pela engenheira Raquel Marion de Franceschi, recebeu uma menção honrosa, também na área de Engenharia de Avaliações. 

O trabalho premiado com a medalha Hélio de Caires é um ensaio sobre um dos problemas mais difíceis encarados pelos avaliadores brasileiros: a falta de disponibilidade de dados de mercado de transações para efetuar as avaliações de imóveis. “Na falta de dados de transação, os avaliadores precisam utilizar dados de oferta para efetuar as avaliações e isso é um grande complicador para a modelagem do valor de mercado”, explica Droubi. Já o segundo estudo premiado faz parte de uma linha de pesquisa que objetiva obter soluções para a avaliação em massa de imóveis urbanos, visando a uma tributação mais equitativa e justa.

Todos os autores são membros do Grupo de Pesquisa em Engenharia de Avaliações e Perícias (Geap) e têm ou tiveram vínculo com o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial (PPGTG). Norberto Hochheim é docente do PPGTG e do Departamento de Engenharia Civil e líder do Geap. Luiz Fernando Palin Droubi é mestrando do PPGTG e atua profissionalmente na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) de Santa Catarina. Carlos Augusto Zilli é egresso do PPGTG e docente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), e Raquel Marion de Franceschi é mestranda do PPGTG. 

Organizado pelo Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), o XXI Cobreap foi realizado em Goiânia entre 9 e 12 de novembro. O evento é consagrado em nível nacional e internacional e é direcionado às áreas de Arquitetura, Engenharia, Agronomia e Direito.

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Prêmio Mulheres na Ciência: Lucila Maria de Souza Campos

17/11/2021 09:00

O gosto pelas ciências exatas e um DNA para a educação levaram Lucila Maria de Souza Campos, professora do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, a interromper uma carreira no mercado para se dedicar a algo que já fazia seus olhos brilharem: a pesquisa em gestão ambiental e o ensino. Na pesquisa, consolidou parcerias internacionais e produziu artigos que são referência no mundo. Já no papel de formar, seguiu os passos do pai e da mãe – esta também um dos exemplos femininos marcantes na sua jornada. Ela foi vencedora da categoria plena, na área de Ciências Exatas e da Terra, do Prêmio Mulheres na Ciência 2021.

Pensar no que pode fazer diante das adversidades é um dos focos da carreira de uma mulher que, quando menina, já era muito estudiosa. Seu olhar para o espaço feminino na ciência está bastante associado a essa percepção – a de atingir resultados com empenho e a partir dos desafios estabelecidos. “Percebi que este é o foco das mulheres premiadas: o de buscar o que se pode fazer mesmo com as dificuldades”, comenta. “Nossa maior dificuldade é porque fazemos muitas coisas que a sociedade atribui a nós. Mas eu valorizo muito o tempo. E o tempo de qualidade é também mais produtivo”.

Na trajetória dela, esse é um caminho que se cruza também com uma determinação para uma ciência ainda em construção. “Ainda estou buscando o grande resultado de pesquisa, pois entendo isso como uma construção, não como algo que já está fechado”. Nessa busca gradativa e processual, o exemplo dos colegas e das colegas e a parceria com orientandos tem se mostrado um componente essencial da sua carreira. “Sempre me espelho neles”, sintetiza. A parceria com o companheiro, o também professor Maurício Nath Lopes, também é citada como um componente essencial da vida e da carreira.
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Pós em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial recebe inscrições de candidatos ao mestrado

16/11/2021 16:21

O Programa de Pós-graduação em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGTG/UFSC) está com inscrições abertas, até 1° de dezembro, para o processo de seleção ao curso de mestrado, com ingresso no primeiro trimestre letivo do ano de 2022. São 51 vagas, divididas entre quatro linhas de pesquisa: Cadastro Territorial Multifinalitário; Planejamento Territorial; Planejamento de Sistemas de Transportes; Avaliação e Gerência de Projetos de Transportes,.
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Professores da UFSC participam de evento da Universidade de Birmingham sobre Brasil e diversidade cultural

16/11/2021 12:03

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A partir desta quarta-feira, 17 de novembro, até sexta-feira, 19, um grupo de professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participa de um evento virtual da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, sobre o Brasil e diversidade cultural. A programação ocorre via Zoom e tem organização do Programa de Leitorado Brasileiro do MRE e da Universidade de Birmingham, com apoio da Embaixada Brasileira em Londres. A inscrição deve ser feita no site e por data. O evento é gratuito e dá direito a certificado.

O evento será apresentado em três eixos temáticos: acadêmico, cultural e artístico, e contará com a presença de docentes do Centro de Comunicação e Expressão e do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. No dia 17, reunirá discussões sobre diversidade linguística e terá a apresentação dos trabalhos “Percursos de Professores de Português como Língua de Acolhimento”, da professora Rosane Silveira, às 12h30, e “Esqueceram de mim? A necessidade de construir abordagens de ensino de línguas estrangeiras para brasileiros surdos”, da professora Adja Balbino Amorim Barbieri Durão.

No dia 18, o debate contempla o eixo Modernismo no Cinema Brasileiro. Já no dia 19, os professores da UFSC voltam a se apresentar na programação do eixo História, Poesia e Performance. Ao meio dia, o professor Adriano Duarte ministra a palestra “1922, annus mirabilis: como chegamos a ele?”. Às 12h30, o tema é a “Semana de Arte Moderna e invisibilidades”, com fala da
professora Tereza Virgínia de Almeida.

Os pesquisadores da UFSC apresentarão discussões sobre estudos linguísticos com foco em língua portuguesa na variante brasileira e em línguas estrangeiras, bem como aspectos das áreas da História e Literatura brasileiras, com um enfoque voltado à Semana de Arte Moderna e ao Modernismo. O encerramento contará com uma performance artística de canto poético-musical.

 

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Prêmio Mulheres na Ciência: Daniela Karine Ramos

16/11/2021 09:00

Desde a semana passada, a Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC) tem publicado reportagens sobre as vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). A quarta matéria da série aborda a trajetória e o trabalho da professora do Centro de Ciências da Educação (CED) Daniela Karine Ramos, vencedora na área de Ciências Humanas, Categoria Plena, voltada a docentes que ingressaram na UFSC entre 31 de dezembro de 2000 e 31 de dezembro de 2013.

Daniela é professora do Departamento de Metodologia de Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Educação e uma das coordenadoras do grupo de pesquisa Edumídia – Educação, Comunicação e Mídias, além de atuar como como professora colaboradora do Mestrado em Recursos Digitais em Educação do Instituto Politécnico de Santarém (Portugal). Há mais de dez anos, dedica-se a projetos de pesquisa e extensão relacionados ao uso de jogos eletrônicos na Educação, com estudos voltados especialmente à aprendizagem e ao desenvolvimento de funções cognitivas. Sua produção acadêmica e científica soma 85 artigos em revistas científicas, 13 livros publicados e organizados, 37 capítulos de livro e 49 trabalhos completos em anais de evento. 

Ela também é divorciada e mãe de três crianças – Julia, Mateus e Eduarda, de 11, 9 e 6 anos, respectivamente. E foi justamente da percepção dos múltiplos papéis que assume, assim como muitas outras mulheres, que veio um dos estímulos para se inscrever na premiação. Para Daniela, essa era uma forma de valorizar a iniciativa e reconhecer a importância da mulher na ciência e os diferentes desafios enfrentados pelas pesquisadoras. “Tenho três crianças pequenas, fiquei na pandemia com eles sozinha, e [com ensino] remoto, computador e trabalho… Então muitas vezes é uma condição bem diferente da de homens que atuam na universidade. A gente tem esse desafio, muitas vezes, de uma responsabilidade maior como mãe. Normalmente, numa situação de divorcio é a mãe que acaba ficando mais responsável pelas crianças”, enfatiza. 

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COP26: pesquisadores da UFSC são coautores de relatório que avalia a situação da Amazônia

12/11/2021 13:47

Imagem aérea de queimada próxima à Floresta Nacional de Jacundá, em Rondônia, em agosto de 2020. Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/CC BY-NC-SA 2.0

O Painel Científico para a Amazônia (SPA), grupo que reúne mais de 200 cientistas, divulgou nesta sexta-feira, 12 de novembro, o primeiro Relatório de Avaliação da Amazônia. Apresentado em Glasgow, na Escócia, em um evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a Cop26, o documento alerta que a Amazônia está se aproximando de um potencial e catastrófico ponto de não retorno, devido ao desmatamento, à degradação, aos incêndios florestais e às mudanças climáticas, e faz um apelo aos governos globais, líderes do setor público e privado, formuladores de políticas e ao público em geral para agir agora para evitar mais devastação na região. 

Segundo o SPA, esse é o mais detalhado, abrangente e holístico material do tipo sobre a Bacia Amazônica. Em seus 34 capítulos, fornece uma visão sistemática sobre o estado dos ecossistemas e dos povos da Amazônia e oferece aos formuladores de políticas públicas recomendações para a conservação desse ecossistema e caminhos para o desenvolvimento sustentável da região. Destaca, também, a importância da ciência, da tecnologia, da inovação, dos povos indígenas e do conhecimento local para orientar as tomadas de decisões e a formulação de políticas.

“O que esse relatório faz, o papel dele, é como se fosse um IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] para a Amazônia. Então, é a primeira vez que uma revisão sobre as coisas que acontecem na Amazônia, sobre o estado da Amazônia hoje, é feita assim, dessa forma, com vários pesquisadores”, comenta a professora do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Marina Hirota, uma das autoras do documento.

A estrutura do estudo é dividida em três partes. A primeira apresenta os fatores que determinaram a evolução da Amazônia para o que conhecemos hoje, incluindo aspectos geológicos, climáticos e humanos. A segunda seção discute como as ações antrópicas estão afetando o bioma. São abordadas questões como desmatamento, fogo e mudanças climáticas, no uso da terra e nos regimes de chuva, bem como seus impactos na biodiversidade, nos processos ecológicos, nos serviços ecossistêmicos e no bem-estar humano. O trabalho finaliza com a indicação de soluções e caminhos sustentáveis para o futuro.
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Pós em Relações Internacionais promove webinar com professor da Sciences Po

12/11/2021 11:59

Em 2021 a Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFSC (PPGRI) está fazendo 10 anos e para celebrar a data promove o “Ciclo 10 anos – PPGRI/UFSC”. O ciclo é composto por diversas atividades que buscam dar visibilidade aos projetos de pesquisa do PPGRI e a análise de diversas temáticas que moldam a área de estudo do programa.

As atividades incluem webinars, eventos de pesquisa, minicursos e outros. A proposta é realizar eventos online neste momento e, quando a pandemia permitir, também realizar eventos presenciais.

A próxima atividade programada do ciclo é o webinar com Olivier Costa, professor da Sciences Po Paris e do Colégio da Europa em Bruges. Doutor em ciência política pela Universidade de Paris 8 e especialista em integração europeia e estudos parlamentares, ele vai tratar do tema “Política Externa da União Europeia”.

O evento ocorrerá em 23 de novembro, às 14h, e poderá ser acompanhado através do Youtube do PPGRI.

Para saber mais sobre o PPGRI visite o site: www.ppgri.ufsc.br

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PPG em Química inscreve para processo seletivo de mestrado e doutorado

12/11/2021 10:58

O Programa de Pós-graduação em Química da UFSC (PPGQ-UFSC) está com inscrições abertas, até 28 de novembro, para o processo de seleção e admissão aos Cursos de Mestrado e de Doutorado, para ingresso no primeiro semestre letivo do ano de 2022. São 20 vagas para o Mestrado e 20 vagas para o Doutorado.

O PPGQ faz parte do Programa de Excelência Acadêmica (PROEX) da Capes, tendo recebido conceito máximo (nota 7,0) na última avaliação. As áreas de concentração são Química Analítica, Química Inorgânica, Química Orgânica e Físico-Química.

Mais informações: selecao.ppgqmc@contato.ufsc.br

Site do evento: https://ppgqmc.ufsc.br/

Tags: mestrado e doutoradoPPG em QuímicaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Prêmio Mulheres na Ciência: Marília de Nardin Budó

12/11/2021 09:00

Ouvir a pesquisadora Marília de Nardin Budó falar é, quase que instantaneamente, sentir-se tocada por seus objetos de estudo, tão marginais, quanto essenciais para as ciências humanas. Transitando entre detentos, vítimas das grandes corporações ou simplesmente vítimas de um sistema judiciário que escolhe quem punir, Marília construiu uma trajetória intelectual que é fruto de um olhar sensível e acurado para os desvios do mundo e para grandes problemas estruturais da sociedade. Ela foi uma das vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq), na categoria júnior, na área de Ciências Humanas.

Há apenas dois anos no quadro de professoras da UFSC, a atuação dela chamou a atenção de estudantes e de colegas que acompanharam seu pioneirismo em áreas consideradas marginalizadas nos estudos de Direito. A indicação ocorreu a partir de uma colega e de estudantes e foi referendada em carta de recomendação, entre elas a de sua orientadora no mestrado, a professora aposentada da UFSC Vera Regina Pereira de Andrade, uma das suas referências para entrar no campo da criminologia.

“Me sinto, sim, uma jovem cientista”, brinca Marília, como alusão à categoria na qual foi considerada destaque. “Mas tem um percurso aí. E o prêmio vem como uma transição para um momento que estou vivendo, agora com o credenciamento no programa de pós-graduação da UFSC”, comenta.

Mas o olhar para as questões de gênero não foi forjado por títulos e conquistas. A pesquisadora, que se destaca pela produtividade e também pelos estudos com colegas argentinas, norte-americanos, espanhóis e italianos, é crítica ao modo como as relações de gênero se constroem nas universidades. “Não há como comparar homem e mulher nesse espaço. Como estudante você sente a diferença de tratamento, o olhar como objeto. Na docência, é perceptível a diferença de carga horária em sala de aula e nos cargos administrativos em que é preciso ‘carregar o piano'”, afirma.

As vivências pessoais como mulher, jovem, num lugar que reproduz desigualdades por estar inserido num sistema, somam-se às reflexões de uma pesquisadora que tem na crítica aos sistemas de poder um dos nortes da sua atuação. Por isso, a perspectiva que assumiu faz com que ela reconheça que outras mulheres prepararam um território para ela atuar. “Outras vieram antes de mim. É preciso fazer com que o cenário mude para minhas alunas e orientandas, como no passado também já fizeram”.

Entre o Direito e o Jornalismo

Os insights para as principais pesquisas de Marília não negam sua dupla formação. Um livro da professora Vera Andrade, que viria a ser sua orientadora de mestrado, na UFSC, e um texto da jornalista Eliane Brum, uma das mais premiadas do Brasil, revelam como a articulação entre mídia e direito a transformaram numa pesquisadora que transita entre os dois campos, lançando um olhar crítico para ambos.

Do livro de Vera, Ilusão de Segurança Jurídica, veio o fim da própria ilusão que ela carregava sobre o processo penal, a crença nas normas e nas promessas do Estado de Direito. “A criminologia foi desestruturante pois, a partir dela, comecei a perceber que há uma seletividade, que carrega estruturas de raça, gênero, classe e que opera nesse sistema”, resume.

Já o texto de Eliane Brum a inspirou a desbravar um outro campo pouco conhecido nos estudos do Direito: o da criminologia verde, no qual investiga como o sistema penal também produz distorções na esfera ambiental. Nessa investigação, aliás, a pesquisadora também se sente com o ímpeto de uma jornalista: para problematizar aspectos legais sobre como a indústria de amianto afeta a saúde dos cidadãos do seu entorno, compartilha técnica das duas áreas, mais uma prova de que a dupla formação – em Direito e em Jornalismo – lhe garantiu um olhar singular para a realidade.

“Fiz as duas faculdades (Direito e Jornalismo) ao mesmo tempo. Então, todo esse processo de me inserir num campo também foi concomitante. No início, eu priorizei o Direito por conta dos pré-requisitos das disciplinas. Mas foi no jornalismo que comecei a fazer pesquisa, trabalhando com a análise de jornais”, lembra. Ali começava a trajetória no estudo das relações entre mídia e crime. “Me causava incômodo a forma como os jornais retratavam questões como presunção de inocência, como a mídia influenciava as decisões judiciais e outras grandes questões. Foi aí que começou minha trajetória na pesquisa”, lembra.

Olhar crítico para um sistema que não pune os poderosos

A partir daí, as pesquisas de Marília passaram a ser fruto de um tripé: as escolhas dos lugares onde fez sua formação (o mestrado foi na UFSC e o doutorado na Universidade Federal do Paraná, com período na Università di Bologna), sua jornada como professora (na Universidade Federal de Santa Maria, Faculdade Meridional, Unicuritiba, Ulbra e Unifra, entre outras) e as parcerias que se construíram ao longo do tempo.

Uma dessas parcerias, com o professor Gregg Barak, da Eastern Michigan University, lançou-a em um campo até então desconhecido, mas que hoje é uma das suas áreas de pesquisa: os crimes dos poderosos. Dessa parceria, surgiu um convite para lecionar nos Estados Unidos, como convidada, e uma nova possibilidade teórica: unir o que vinha estudando sobre as grandes corporações ao direito ambiental, que sempre a fascinou.

“Eu havia começado a lecionar uma cadeira em um mestrado que tinha como área de concentração ‘Direito, Democracia e Sustentabilidade’ e me deparei com um mundo novo, que me apaixonou”, lembra. Tocada pela história da indústria do amianto e descobrindo novas informações sobre a legislação e o uso da fibra, ela articulou os estudos e fez com que dialogassem.

A pesquisadora explica que seu olhar para as questões que envolviam direito e sustentabilidade também vinha de uma matriz crítica, a partir da percepção sobre um sistema penal que atua de forma seletiva também na esfera ambiental. Nesse sentido, os mecanismos de punição não atuariam entre os grandes poluidores, mas entre agentes mais frágeis, como pescadores artesanais, por exemplo. “As ferramentas do Direito não me pareciam coerentes, pois há uma insustentabilidade do sistema penal nas causas que envolvem a sustentabilidade”.

A construção da identidade como pesquisadora, muito tributária também das parcerias que construiu no exterior, deu lugar a uma investigadora com adesão ao trabalho empírico. Segundo Marília, essa tradição é menos comum no Brasil, mas é onde ela decidiu se firmar – também por conta da experiência com pesquisa em comunicação, quando ainda era estudante de iniciação científica.

Assim, sua proposta de pesquisa no pós-doutorado envolvia o estudo de discursos nas revistas médicas para compreender as relações das grandes corporações e do Estado no caso do amianto – fibra cancerígena utilizada na indústria. Uma das suas descobertas desse período é de que cientistas que trabalhavam para a indústria publicavam papers assegurando que o amianto não causava riscos à saúde humana sem declarar conflito de interesses. Isso gerava, no debate público, uma sensação de que havia uma controvérsia com relação aos efeitos cancerígenos do produto, por isso Marília decidiu estudar os discursos científicos.

Mas o contato com vítimas reais e com seus depoimentos fez com que o objeto mudasse – desistiu de estudar o discurso científico para estudar as pessoas durante um período de pós-doutorado em Barcelona. Como nunca havia atuado com entrevistas, foi um desafio e uma corrida contra o tempo, baseada no ingresso em um novo campo da carreira, que envolvia, também, contato com os comitês de ética em pesquisa.

Com a parceria de Lorenzo Natali, desenvolveu uma metodologia inovadora, denominada solilóquios itinerantes, que consiste em fazer com que o entrevistado vítima do amianto, escolha um caminho pela cidade onde foi contaminado e desenvolva suas falas a partir dos lugares por onde passa. O material é gravado e registrado em vídeo. “O mais interessante é que os resultados da entrevista tradicional são completamente diferentes dos obtidos com os solilóquios. A entrevista tradicional apresenta um resultado mais formal”, comenta.

Entre a criminologia crítica, a criminologia verde e a criminologia corporativa, Marília tem sido pioneira, no campo do Direito, em áreas que são tradicionais nas ciências sociais, fora do país, mas ainda marginais no Brasil. Os méritos são colhidos com frequência: além do prêmio recebido com apenas dois anos de atuação na UFSC, foi recentemente uma das selecionadas, em toda a América Latina, para uma bolsa de estudos no Instituto de Criminologia da Universidade de Leuven, principal reduto da pesquisa em justiça restaurativa.

A determinação para lecionar, pesquisar e construir parcerias mundo afora preparam, para Marília, um espaço de ação que a coloca também como liderança em áreas tradicionalmente menos prestigiadas da vida acadêmica, como a extensão e a divulgação científica. Os projetos Infovírus: prisões e pandemia e Memória, luto e luta em tempos de pandemia: estratégias culturais para afirmação da vida diante da gestão da morte nas prisões, realizados em decorrência da pandemia, lançam um olhar para as prisões brasileiras, os detentos e as memórias daqueles que morreram. Uma forma de investigar, pesquisar, mas sobretudo de agir no mundo.

Prêmio Mulheres na Ciência

O Prêmio Mulheres na Ciência foi criado pela Propesq com o propósito de estimular, valorizar e dar visibilidade às pesquisadoras da UFSC. Também visa inspirar a comunidade científica interna e externa nas diferentes áreas do conhecimento e contribuir para diminuir a assimetria de gênero na ciência. Confira a lista com todas as premiadas.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

Tags: Categoria Júnior-Ciências HumanasMarília de Nardin BudóPrêmio Mulheres na Ciência 2021

Núcleo de Estudos de Literatura Italiana realiza evento sobre os 100 anos de Andrea Zanzotto

11/11/2021 15:35

O Núcleo de Estudos Contemporâneos de Literatura Italiana da Universidade Federal de Santa Catarina (NECLIT/UFSC) promove o evento “Mani, lingua e respiro: 100 anos de Andrea Zanzotto” nos dias 16 e 17 de novembro. O objetivo da atividade é discutir alguns dos aspectos de laboratório poético e pensar a tradução e a circulação da obra do poeta no Brasil, na Argentina e na Espanha.

O evento começa às 8h30 da manhã e será transmitido pelo canal do YouTube do NECLIT. As inscrições devem ser feitas aqui. Será emitido certificados para aqueles que tiverem 75% de presença.

Andrea Zanzotto 

Muitas facetas poderiam ser atribuídas a Andrea Zanzotto (1921-2011), para muitos considerado um dos grandes herdeiros de Eugenio Montale. Sua produção, iniciada com a publicação de Dietro il paesaggio [Por trás da paisagem], em 1951, pode ser vista sob diferentes perspectivas: desde uma forte relação com a tradição até seu caráter mais radical e experimental, passando pelo hermetismo, por certa atmosfera bucólica, sem deixar de tratar das atrocidades da Primeira e da Segunda Guerras, do Vietnã, da destruição da natureza e da grande mudança e reconfiguração da paisagem da região do Veneto.

O que chama a atenção na incrível e variada produção de Andrea Zanzotto é sua capacidade de ser sempre ele mesmo e sempre outro, variações, amplitudes e deslocamentos (inclusive na própria linguagem) que são articulados a partir de um espaço muito bem definido e delimitado. Esse espaço corresponde à sua cidade natal, Pieve di Soligo, no interior da região do Veneto, bem perto das Dolomitas.

Mais informações pelo Instagram do NECLIT ou pelo e-mail neclit.ufsc@gmail.com

Tags: Andrea ZanzottoNECLITNúcleo de Estudos Contemporâneos de Literatura ItalianaUFSC

Veleiro ECO da UFSC atraca em Itajaí para evento sobre a saúde dos oceanos

11/11/2021 11:40

O Veleiro ECO da UFSC participa do projeto internacional AtlantECO (Foto: Divulgação)

Santa Catarina recebe a escala de fechamento da programação do projeto internacional AtlantECO. Após passar por Belém, Salvador e Rio de Janeiro, o evento chega a Itajaí, onde ocorre na Marina Itajaí, de 16 a 19 de novembro. Além de extensa programação, atracarão na cidade o Veleiro ECO, primeiro veleiro de expedições científicas do Brasil, e o Veleiro Tara, da França, que serviu de inspiração para a criação do ECO.

O AtlantECO que desembarca no estado catarinense é um projeto desenvolvido em parceria com 36 instituições de 13 países da Europa, Brasil e África do Sul. Tem por finalidade a pesquisa sobre o microbioma do Atlântico, os impactos das mudanças climáticas e da poluição no oceano.

Os resultados das pesquisas ajudarão a prever a migração de espécies, a capacidade do oceano de capturar e armazenar dióxido de carbono (CO2) atmosférico, transporte e riscos de poluentes, como plásticos e nutrientes, e o equilíbrio entre a saúde do ecossistema e as atividades humanas”, destaca a coordenadora do Projeto AtlantECO na UFSC, Andrea Santarosa Freire.

Além do mar, o projeto prevê eventos em terra voltados para promover a conscientização ambiental. Essas ações, chamadas de Port Calls, estão previstas em locais da costa brasileira, europeia e africana. Incluindo Itajaí, uma das quatro únicas cidades do país a receber o evento neste ano.

A programação inclui atividades diversas como palestras, exposições e workshops e, claro, visitação ao ECO que vai receber escolas e o público em geral na Marina Itajaí, de 16 a 19 de novembro.

Um dos eventos principais da programação é a Conferência Ecoando a Ciência no Atlântico, no dia 17 de novembro, a partir das 18h, no Centreventos de Itajaí. No encontro, palestras sobre o Oceano Atlântico, a experiência a bordo dos Veleiros Tara e ECO, a história e perspectivas futuras do Veleiro ECO, entre outros.

As inscrições para a Conferência são gratuitas e podem ser feitas em https://siaiap37.univali.br/elis/staff/login/index/cdEvento/5006 . Para se inscrever, basta fazer o cadastro.

“Por meio destes eventos temos o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre a importância de um modo de vida sustentável para preservar a saúde dos oceanos e de todos os seres vivos que dependem dele, incluindo os seres humanos”, ressalta o coordenador do Veleiro, professor Orestes Alarcon.

Confira abaixo a programação completa.

Dia 16 de novembro (Terça-feira)

09h-12h – Visitação de grupos escolares

14h-17h – Visitação de grupos escolares

16:30h-19h – Visitação pública

18:30h – Exibição do Filme Planeta Oceano no auditório do Centreventos

 

Dia 17 de Novembro (Quarta-feira)

10h-11h – Chegada dos alunos de Florianópolis do Projeto ECOLab, Aliança Francesa

15:30h–17:30h – Visita de universitários da UFSC, Univali e outras universidades interessadas da região.

18h-20h – Conferência “Ecoando a Ciência no Atlântico”

No auditório do Centreventos

18h -18:20h: Discursos de Abertura. Vídeo de divulgação do Projeto AtlantECO

18:20h–18:35h: All-Atlantic, uma grande aliança em benefício do Oceano Atlântico – Prof. José Angel Perez, Univali 

18:35h–18:50h: Conexões entre redes de pesquisa marinha: chave para o entendimento dos oceanos – Prof. Sérgio Floeter, UFSC

18:50h-19:05h: A bordo dos Veleiros Tara e ECO: da Pluma do Amazonas a Pluma do Prata – Profa. Andrea Freire, UFSC

19:05h–19:20h: Veleiro ECO, história, presente e perspectivas futuras – Prof. Orestes Alarcon, UFSC

19:20h–19:35h: Ciência, Sociedade e Políticas Públicas para nossos litoral e mar – Prof. Marinez Scherer, UFSC

19:35h–19:45h: Palestra de encerramento.

 

Dia 18 de Novembro (Quinta-feira)

09:30h -12h – Visitação pública

14h-16:30h – Visitação de grupos escolares

16:30h-18h – Visitação livre, sem agendamento, das exposições e workshops na Marina e Centreventos.

18:30h-20h: Conferência: Navegando para entender e proteger o oceano

 

Dia 19 de Novembro (Sexta-feira)

9h-12h Visitação de grupos escolares

15h – Partida do Tara para Argentina.

Texto: assessoria do projeto AtlantECO

Tags: AtlantECOoceanosUFSCUniversidade Federal de Santa CatarinaVeleiro ECO

Pesquisadora da UFSC Blumenau ganha prêmio em congresso de polímeros

10/11/2021 15:59

A aluna do Programa de Pós-Graduação em Nanociência, Processos e Materiais Avançados (PPGNPMat) da UFSC Blumenau, Pâmela Rosa de Oliveira, teve um trabalho premiado no 16º Congresso Brasileiro de Polímeros, que ocorreu na última semana de outubro. Ela ficou em terceiro lugar na categoria aluno de mestrado com a pesquisa Kaolin nanoclays organically modified with oregano essential oil for active packaging applications (Nanopartículas de argila caulim modificadas organicamente com óleo essencial de orégano para aplicação em embalagem ativa).

A embalagem ativa tem a função de preservar a qualidade do produto e prolongar seu prazo de validade. É denominada assim porque existe uma interação entre a embalagem e o produto. Pâmela explica que, durante a produção de embalagem ativa, os aditivos, como óleos essenciais, são normalmente incorporados diretamente na matriz polimérica em altas temperaturas. “No entanto, esse método apresenta algumas desvantagens, como volatilização do composto ativo durante o processamento, uma liberação rápida durante a aplicação e um mecanismo de ação de curto prazo. Uma forma de minimizar esse problema é o uso de nanopartícula de argila – que apresenta alta área específica, presença de poros e espaçamento basal – como meio de armazenamento do composto ativo”, explica.

A pesquisa teve como objetivo modificar nanopartículas de argila caulim (caulinita e haloisita) com óleo essencial de orégano para aplicação em matrizes poliméricas na produção de embalagens ativas com propriedades antimicrobianas. “Inicialmente, foram realizados dois métodos de modificação, utilizando agitação magnética ou processo de ultrassom. A partir da segunda metodologia, mais quatro condições foram testadas a fim de aumentar a eficiência de incorporação. A eficiência máxima, que foi de 47% para a haloisita e de 43% para a caulinita, foi alcançada por meio de ultrassom e vácuo”, conta a mestranda.

Esta foi a primeira vez que Pâmela conquistou uma premiação em um evento científico. “Fiquei muito lisonjeada. Além de um incentivo para continuação e visibilidade da pesquisa, é também um reconhecimento, que representa um trabalho em conjunto com toda a equipe”, comemora.

Sobre o evento

Congresso Brasileiro de Polímeros (CBPOL), organizado pela Associação Brasileira de Polímeros (ABPol), é um evento bienal que ocorre desde 1991 e que completou 30 anos. A edição de 2021 foi realizada de forma online e teve como tema a cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. Com o formato remoto, essa foi a primeira vez que o evento contou com a participação de pesquisadores, estudantes e entidades de outros países.

O CBPOL tem como objetivo apresentar e discutir diversos temas na área de polímeros, divulgando descobertas e os avanços da área. Além da apresentação de trabalhos, a programação do evento também contou com exposições e palestras técnicas de empresas produtoras de polímeros e equipamentos de laboratório.

Serviço de Comunicação UFSC Blumenau

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Conselho Universitário debate proposta de calendário acadêmico para 2022

10/11/2021 14:14

O Conselho Universitário (CUn) da UFSC reúne-se, nesta sexta-feira, 12 de novembro, a partir das 14h, para analisar a proposta de calendário acadêmico para o ano letivo de 2022. A convocação é para a sessão extraordinária, que ocorre de forma remota por meio da plataforma da RNP, com transmissão ao vivo pelo Youtube, conforme pauta abaixo:

1. Processo nº 23080.047763/2021-18
Requerente: Departamento de Administração Escolar (DAE/PROGRAD)
Objeto: Apreciação da proposta de Calendário Acadêmico para o ano letivo de 2022
Relatoria: Conselheiro Edson Roberto de Pieri;

2. Informes gerais.

Tags: conselho universitárioDepartamento de Administração Escolar (DAE/PROGRAD)sessão extraordinária

Pesquisadores identificam fungos ameaçados e alertam para a necessidade de políticas de conservação

09/11/2021 15:10

Um fungo que transforma insetos em zumbis no Vale do Itajaí e um líquen que só é encontrado entre as dunas de uma praia de Imbituba são algumas das, pelo menos, 21 novas espécies de fungos e liquens brasileiros que serão incluídas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), um dos principais inventários do mundo sobre estado de conservação de animais, fungos e plantas. A ação é resultado de um workshop organizado pelo grupo de pesquisa Mind.Funga, ligado ao Laboratório de Micologia (Micolab) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Comissão para a Sobrevivência de Espécies de Fungos da IUCN. Os encontros realizados ao longo de setembro e outubro reuniram, além das equipes do Mind.Funga e do Micolab, 18 pesquisadores de nove estados das cinco regiões do país. Até o fim do ano, o grupo segue em processo de avaliação para outras 30 propostas de inclusão de espécies na Lista Vermelha.

Rickiella edulis é uma espécie saprotrófica (absorve nutrientes de matéria orgânica em decomposição) que ocorre na Mata Atlântica, na Argentina e no Paraguai. É considerada em perigo pelos critérios da IUCN. Foto: Gerardo Robledo

O primeiro workshop brasileiro de avaliação de espécies de fungos para a Lista Vermelha Global da IUCN, além da formação de recursos humanos para a classificação das espécies nas categorias de ameaça e a aplicação dos critérios da IUCN, teve o intuito de engajar os pesquisadores no tema da conservação. As primeiras reuniões visaram à capacitação dos participantes na elaboração da documentação necessária. Posteriormente, as propostas elaboradas pelo grupo foram analisadas por dois avaliadores credenciados da IUCN: o cientista-chefe do Jardim Botânico de Chicago, Gregory M. Mueller, e a professora da Eastern Washington University Jessica Allen.

As 21 espécies já avaliadas são distribuídas em dois filos (Ascomycota e Basidiomycota) e oito ordens, e a maior parte está ameaçada de extinção em algum grau. São quatro criticamente em perigo (risco extremamente elevado de extinção na natureza); três em perigo (risco muito elevado de extinção na natureza); nove vulneráveis (risco elevado de extinção na natureza); quatro quase ameaçadas (categoria de baixo risco, mas com espécies perto de serem classificadas ou que provavelmente serão incluídas em uma das categorias de ameaça em um futuro próximo); e uma na categoria “Dados Deficientes” (faltam dados adequados sobre a sua distribuição e/ou abundância para fazer uma avaliação direta ou indireta do seu risco de extinção). 
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Laboratório de Hipermídia da UFSC promove Semana de Pesquisa; eventos iniciam nesta terça

09/11/2021 10:35

O Hiperlab, Laboratório de Hipermídia da UFSC, promove, nesta terça, quarta e quinta-feira, de 9 a 11 de novembro, a III Semana de Pesquisa Hiperlab. O evento tem como objetivo aprofundar temas que envolvem as áreas de Design, Mídia e tecnologia, bem como propiciar a aproximação de pesquisadores. Todos os eventos nos três dias de programação serão transmitidos pelo YouTube.

A abertura do evento ocorre na terça-feira, às 18h, com a palestra da pesquisadora Aline Dresch, doutora em Engenharia da Produção, sobre Design Science e Design Science Research. O professor Júlio Teixeira, do Departamento de Expressão Gráfica (EGR/UFSC) será o moderador. Após a palestra de abertura, às 19h15, os pós-graduandos Maka Werner e Juliana Krupahtz, participam do painel intitulado: “Uso da Design Science Research em Pesquisas no Design”.
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Pesquisas de filósofas brasileiras são foco de colóquio internacional

08/11/2021 18:26

Começou nesta segunda-feira, 8 de novembro, o II Colóquio Internacional de Pesquisa em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (CIPFUFSC) – Mulheres na Filosofia. Com o objetivo promover a visibilidade de pesquisas de filósofas de diferentes áreas, países e regiões do Brasil, a programação vai até dia 25 conta com comunicações de diversos temas, mesas-redondas e conferências, 

Gratuitas, as inscrições podem ser realizadas pelo formulário on-line e dão direito a certificado aos que cumprirem pelo menos 70% da carga horária. Todo o evento será transmitido ao vivo pelo Youtube.

Mais informações no site da atividade.

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Doutoranda da UFSC faz parte da equipe premiada em maratona para a conservação de toninhas

08/11/2021 09:50

Um projeto premiado em segundo lugar na Toninhathon, a maratona nacional de desenvolvimento de soluções para desafios de conservação das toninhas, teve participação da doutoranda em ecologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Larissa Dalpaz. A equipe de Larissa, a Aysú Toninha, desenvolveu um equipamento esférico de acrílico para ser acoplado em redes de pesca, de maneira a auxiliar o animal na identificação da presença destas ao seu redor e prevenindo que as toninhas fiquem acidentalmente presas. O projeto participará de uma incubação no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), recebendo orientação e suporte para desenvolvimento, testagem e aplicação dos protótipos.

Foto: Projeto Toninhas

A toninha (Pontoporia blainvillei) é o golfinho costeiro mais ameaçado no Brasil, e as capturas acidentais em redes de pesca são a principal ameaça à espécie, trazendo prejuízos tanto aos animais quanto aos pescadores. Uma das hipóteses para que as toninhas sofram tanto com as capturas acidentais é de que elas não consigam perceber e localizar as redes. O animal enxerga o ambiente por meio da ecolocalização, que consiste na emissão de sons de alta frequência, chamados de cliques, atingindo os objetos e retornando na forma de eco. A partir desses ecos, as toninhas conseguem perceber o que está ao seu redor. 

Larissa e seus colegas de equipe, estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), propuseram o desenvolvimento de esferas de acrílico que seriam acopladas à rede de pesca. “O acrílico é um material com bastante refletividade acústica, ou seja, é um material que geraria bastante retorno de ecos para o animal, quando seus cliques atingirem estas esferas”, explicam. A presença das esferas aumentaria a chance de as redes serem detectadas pelas toninhas, além de serem uma opção de baixo custo, não aumentarem o peso das redes e não afetarem a captura dos peixes-alvo.

Outra iniciativa proposta pelo grupo é o selo “Amigo da Toninha”, que será fornecido às cooperativas de pesca e aos estabelecimentos que adquirirem peixes de pescadores e pescadoras parceiras do projeto. O objetivo do selo é incentivar o uso das esferas nas redes e agregar valor à cadeia produtiva desse pescado, fortalecendo uma economia local e socioambientalmente justa.

A Toninhathon foi uma realização da Associação MarBrasil e do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para conferir outros projetos premiados e ações em prol da conservação da toninhas e sustentabilidade das atividades pesqueiras, acesse o site www.toninhathon.com.br.

Tags: Aysú ToninhaecologiaToninhaToninhathonUFJFUFSC

No aniversário de Marie Curie, UFSC apresenta série com perfis de vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021

07/11/2021 10:00

Há 154 anos, nascia, em Varsóvia, uma cientista revolucionária. Maria Salomea Skłodowska, a Marie Curie. Foi premiada, celebrada e biografada como a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel de Física, em 1903, que dividiu com o companheiro Pierre Curie. Mais tarde, ela também ganhou o prêmio na área de Química, mesclando uma trajetória na pesquisa que contribuiu, entre outras coisas, com a descoberta da radioterapia. Sua história de imigrante e de mulher fez com que fosse vítima de preconceito – o que a transformou, também, em um símbolo de empoderamento e de resistência.

Neste domingo, 7 de novembro, data de aniversário de Marie Curie, a Agência de Comunicação da UFSC lança uma homenagem para as nove mulheres vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (Propesq/UFSC) e da Comissão de Equidade da UFSC. Ao longo das próximas semanas semanas, a trajetória das cientistas será veiculada e celebrada nas páginas e redes sociais da instituição.

Para a Propesq, a outorga do prêmio simboliza um reconhecimento às mulheres cientistas, que precisam, diariamente, superar a invisibilidade. O prêmio foi criado com o objetivo de homenagear mulheres cientistas e incentivar a participação feminina de forma igualitária na pesquisa acadêmica e contou com 72 inscrições. As pesquisadoras participaram, recentemente, de uma solenidade em que falaram sobre suas trajetórias.

O prêmio foi dividido em três categorias: júnior, para mulheres que ingressaram na UFSC após 2013; plena, para aquelas que chegaram à universidade entre 2000 e 2013; e sênior, para as professoras que chegaram antes de 2000. Também foram contempladas três áreas de conhecimento – Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas e Ciências da Vida.

Os perfis, redigidos por jornalistas da Agecom a partir de entrevistas e da análise dos documentos fornecidos para os avaliadores do prêmio, começam a ser publicados pela categoria Júnior, por ordem alfabética, seguindo o calendário.

> Confira abaixo todos os perfis:

Júnior

8/11 – Ciências Exatas e da Terra: Christiane Fernandes Horn (Departamento de Química, Centro de Ciências Físicas e Matemáticas)

10/11 – Ciência da Vida: Ione Jayce Ceola Schneider (Departamento de Ciências da Saúde, Campus Araranguá)

12/11 – Ciências Humanas: Marília de Nardin Budó (Departamento de Direito, Centro de Ciências Jurídicas)

Plena

16/11 – Ciências Humanas: Daniela Karine Ramos (Departamento de Metodologia de Ensino, Centro de Ciências da Educação)

17/11 – Ciências Exatas e da Terra: Lucila Maria de Souza Campos (Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, Centro Tecnológico)

19/11 – Ciências da Vida: Maria Jose Hotzel (Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural, Centro de Ciências Agrárias)

Sênior

22/11 – Ciências da Vida: Ana Lucia Severo Rodrigues (Departamento de Bioquímica, Centro de Ciências Biológicas)

24/11 – Ciências Humanas: Cristina Scheibe Wolff (Departamento de História, Centro de Filosofia e Ciências Humanas)

26/11 – Ciências Exatas e da Terra: Regina de Fátima Peralta Muniz Moreira (Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos, Centro Tecnológico)

 

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