Lista nacional da funga em extinção tem duas espécies endêmicas de SC descobertas por grupo da UFSC

09/07/2026 12:12

Fungo Philloporia minuta, endêmico de SC, integra lista nacional de espécies de funga ameaçadas de extinção. Foto: Felipe Bittencourt/MIND.Funga/UFSC

A publicação da primeira Lista Nacional das Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) marca um momento crucial para a conservação ambiental no Brasil ao equiparar os fungos aos animais e às plantas no que diz respeito a políticas de proteção. Das 24 espécies de fungos brasileiros reconhecidas formalmente sob alguma categoria de ameaça, 18 ocorrem em Santa Catarina (veja lista abaixo). Além disso, duas delas são endêmicas do estado, ou seja, só têm registro de ocorrência em território catarinense, e foram identificadas por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Wrightoporia porilacerata, espécie descrita em Santa Catarina, também tem registros de ocorrências no Paraná. Foto: Elisandro Ricardo Drechsler-Santos/MIND.Funga/UFSC

As espécies Phylloporia minuta e Trichaptum fissile foram descritas pelo grupo de pesquisa MIND.Funga, do Laboratório de Micologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB), a partir de materiais coletados em um parque na região central de Blumenau e em áreas de transição entre restinga e manguezal, em Florianópolis, respectivamente. Uma terceira espécie de destaque, a Wrightoporia porilacerata, também foi descrita originalmente em SC, mas possui registros no Paraná. Diante do isolamento geográfico das duas primeiras, elas despontam como fortes candidatas para integrar uma futura lista estadual de espécies ameaçadas, na avaliação do professor Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, coordenador geral do MIND.Funga e Chair do IUCN SSC Brazil Fungal Specialist Group – entidade ligada à União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), maior rede de organizações ambientais do mundo.
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Pesquisadores encontram tarântula infectada por fungo que a torna ‘zumbi’ em expedição na Amazônia

02/02/2026 10:10

Professor da UFSC, Elisandro Ricardo Drechsler-Santos fez parte da expedição que encontrou a tarântula infectada. Foto: acervo pessoal

Cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de Copenhague (UCPH) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) registraram, pela primeira vez, um fungo da espécie Cordyceps caloceroides parasitando uma tarântula (Theraphosa blondii). Famosos pela série The Last of Us, onde são responsáveis por contaminar a humanidade e causar um apocalipse zumbi, os fungos do gênero Cordyceps são conhecidos por infectar insetos e artrópodes e controlar seu sistema nervoso.

O parasita e seu hospedeiro foram encontrados em janeiro por Lara Fritzsche, uma estudante de Ciências Ambientais da UCPH durante atividades de campo do Tropical Mycology Field Course. Organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da UCPH, o curso reuniu especialistas da Dinamarca e do Brasil na Reserva Ducke, próxima a Manaus. O achado foi divulgado por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, professor do Programa de Pós Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da UFSC e coordenador do grupo de pesquisa MIND.Funga, em suas redes sociais

Embora fungos semelhantes possam ser encontrados em outros biomas brasileiros, inclusive em Santa Catarina, o pesquisador ressalta, em entrevista para o portal A Crítica, a importância do espécime identificado na Amazônia: “São outras condições ambientais, outras espécies de aranha, e esses fungos têm níveis de especialização bem altos. Exemplo, é a espécie X do fungo que ataca a espécie Y da formiga. São relações que muitas vezes se estabeleceram há 50 milhões de anos. Estudos comprovam, no caso das formigas. Enquanto com a aracnídeos é muito raro e muito difícil de encontrar”.
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Pesquisadores da UFSC desenvolvem protótipo de aplicativo capaz de identificar fungos através de fotos

27/11/2024 11:00

Aplicativo reúne informações de mais de 500 espécies de macrofungos. Foto: Ariéll Cristovão/Agecom/UFSC

O grupo de pesquisa MIND.Funga, coordenado pelo Laboratório de Micologia (Micolab) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está desenvolvendo um aplicativo capaz de identificar, a partir de fotos, espécies de macrofungos, como cogumelos e orelhas-de-pau, por exemplo. O projeto utiliza um banco de dados composto por mais de 13 mil fotografias que representam 505 espécies de macrofungos coletadas em diversas regiões do Brasil.

O estudo, intitulado Innovative infrastructure to access Brazilian fungal diversity using Deep Learning, destaca como o uso de inteligência artificial (IA) pode facilitar a pesquisa e o mapeamento de espécies fúngicas no país. O pesquisador da UFSC Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos explica que a IA é treinada, por meio de bancos de imagens, para reconhecer padrões visuais. O aplicativo permite aos usuários capturar fotos de fungos em seus dispositivos e obter identificações baseadas na semelhança com imagens presentes no banco de dados.

“Esse aplicativo vai permitir uma identificação mais eficiente dos macrofungos, utilizando padrões de imagens e inteligência artificial, algo que pode transformar a forma como a ciência cidadã contribui para a conservação da biodiversidade”, aponta o pesquisador.
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Grupo de pesquisa lança e-book para fotografia de macrofungos

18/01/2022 10:20

Aegis luteocontexta é uma espécie de fungo considerado raro, descrito há cerca de 18 anos (Foto: Felipe Bittencourt)

Quem gosta de fazer caminhadas pelas florestas (ou até mesmo na cidade), e leva sempre o celular ou câmera fotográfica, poderá tornar-se colaborador de um projeto desenvolvido pelo grupo de pesquisa MIND.Funga, ligado ao Laboratório de Micologia (Micolab) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O grupo, como o nome indica, desenvolve projetos ligados ao inventário da comunidade de fungos, principalmente em Santa Catarina, para apoiar pesquisas, ações de extensão e de preservação dos fungos.

O MIND.Funga acaba de lançar um e-book gratuito chamado “Protocolo de Captura de Imagens de Macrofungos”. Este manual foi idealizado junto a um aplicativo de reconhecimento de espécies de macrofungos através de fotografias, que está sendo desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Convergência Digital – INCoD/UFSC.
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Grupo MIND.Funga distribui livros infantis a escolas de Urubici

22/11/2021 14:59

Cerca de 500 cópias foram entregues a alunos das redes pública e privada de ensino. Foto: divulgação/MIND.Funga/UFSC

Integrantes do grupo de pesquisa MIND.Funga, ligado ao Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entregaram na última sexta-feira, 19 de novembro, cerca de 500 cópias de um livro infantil produzido pelo grupo a alunos de escolas públicas e particulares de Urubici, na Serra Catarinense. Proposta como um complemento de diversos projetos de pesquisa sobre monitoramento da diversidade de fungos no Parque Nacional de São Joaquim, a obra A descoberta nas pequenas coisas faz parte do projeto MIND.Funga Ciência Cidadã: a literatura infantil encontra a taxonomia de fungos nas escolas.

O encontro com os estudantes se dá após dois anos do primeiro contato com as escolas do município. O projeto teve início com um convite a professores de instituições próximas ao parque, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra a área. Nessa saída de campo, os professores puderam acompanhar, aprender e participar dos passos realizados nas pesquisas sobre o monitoramento da diversidade dos fungos da área de preservação.

Ao mesmo tempo, foi sugerido que os docentes levassem para as salas de aula um material paradidático que conta, de forma divertida e curiosa, a descoberta de uma nova espécie de fungo por uma menina. Com esse material, eles poderiam trabalhar habilidades do currículo do ensino fundamental como biodiversidade, organização da vida e nomenclatura científica. 
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Pesquisadores identificam fungos ameaçados e alertam para a necessidade de políticas de conservação

09/11/2021 15:10

Um fungo que transforma insetos em zumbis no Vale do Itajaí e um líquen que só é encontrado entre as dunas de uma praia de Imbituba são algumas das, pelo menos, 21 novas espécies de fungos e liquens brasileiros que serão incluídas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), um dos principais inventários do mundo sobre estado de conservação de animais, fungos e plantas. A ação é resultado de um workshop organizado pelo grupo de pesquisa Mind.Funga, ligado ao Laboratório de Micologia (Micolab) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Comissão para a Sobrevivência de Espécies de Fungos da IUCN. Os encontros realizados ao longo de setembro e outubro reuniram, além das equipes do Mind.Funga e do Micolab, 18 pesquisadores de nove estados das cinco regiões do país. Até o fim do ano, o grupo segue em processo de avaliação para outras 30 propostas de inclusão de espécies na Lista Vermelha.

Rickiella edulis é uma espécie saprotrófica (absorve nutrientes de matéria orgânica em decomposição) que ocorre na Mata Atlântica, na Argentina e no Paraguai. É considerada em perigo pelos critérios da IUCN. Foto: Gerardo Robledo

O primeiro workshop brasileiro de avaliação de espécies de fungos para a Lista Vermelha Global da IUCN, além da formação de recursos humanos para a classificação das espécies nas categorias de ameaça e a aplicação dos critérios da IUCN, teve o intuito de engajar os pesquisadores no tema da conservação. As primeiras reuniões visaram à capacitação dos participantes na elaboração da documentação necessária. Posteriormente, as propostas elaboradas pelo grupo foram analisadas por dois avaliadores credenciados da IUCN: o cientista-chefe do Jardim Botânico de Chicago, Gregory M. Mueller, e a professora da Eastern Washington University Jessica Allen.

As 21 espécies já avaliadas são distribuídas em dois filos (Ascomycota e Basidiomycota) e oito ordens, e a maior parte está ameaçada de extinção em algum grau. São quatro criticamente em perigo (risco extremamente elevado de extinção na natureza); três em perigo (risco muito elevado de extinção na natureza); nove vulneráveis (risco elevado de extinção na natureza); quatro quase ameaçadas (categoria de baixo risco, mas com espécies perto de serem classificadas ou que provavelmente serão incluídas em uma das categorias de ameaça em um futuro próximo); e uma na categoria “Dados Deficientes” (faltam dados adequados sobre a sua distribuição e/ou abundância para fazer uma avaliação direta ou indireta do seu risco de extinção). 
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