UFSC desenvolve pesquisa inédita sobre regeneração óssea com estimulação elétrica

UFSC está à frente de um projeto inovador na área da odontologia que busca revolucionar os tratamentos de regeneração óssea em implantes dentários
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está à frente de um projeto na área da odontologia para tratamento de regeneração óssea em implantes dentários. O estudo, iniciado em fevereiro de 2024 e com previsão de conclusão até o final de 2026, investiga a eficácia do uso de estímulos elétricos de baixa intensidade para acelerar e melhorar a formação óssea ao redor de implantes dentários, especialmente em áreas com defeitos ósseos.
Intitulada Estimulação elétrica para melhorar a formação óssea peri-implantar em procedimentos regenerativos, a pesquisa é coordenada pelo professor Gabriel Leonardo Magrin e reúne uma equipe de seis pesquisadores. Segundo ele, a proposta é pioneira na odontologia ao combinar a estimulação elétrica com técnicas de regeneração óssea guiada. “Utilizamos um dispositivo elétrico miniaturizado acoplado ao implante, capaz de emitir correntes de baixa intensidade que estimulam a migração de células ósseas e favorecem a cicatrização”, explica Magrin.
Embora as técnicas atuais de reconstrução óssea sejam consideradas eficazes, elas podem apresentar limitações, como longo tempo de cicatrização e resultados variáveis. A estimulação elétrica surge como uma alternativa promissora. “Ao acelerar o processo de formação óssea, essa abordagem pode reduzir o tempo de tratamento, aumentar a taxa de sucesso dos implantes e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, destaca o coordenador.
Estudos anteriores já indicavam que correntes elétricas podem favorecer a osseointegração no processo de integração entre o implante e o osso. No entanto, esta é a primeira pesquisa a integrar essa técnica com a regeneração óssea guiada em um mesmo protocolo experimental. Uma etapa importante da pesquisa envolve testes em miniporcos, realizados na Universidade de Rio Verde (UniRV), em Goiás. A escolha do modelo animal se deve à semelhança anatômica entre a mandíbula desses animais e a humana, além de oferecer maior segurança nos procedimentos.
Durante os experimentos, os pesquisadores criam defeitos ósseos controlados na mandíbula dos animais, onde são instalados os implantes com o dispositivo de estimulação elétrica. A tecnologia emite descargas contínuas de baixa intensidade para estimular a formação óssea no local. As cirurgias foram realizadas em julho de 2025, reunindo equipes da UFSC e da UniRV em uma semana intensiva de atividades científicas. A doutoranda Ana Clara Kuerten Gil destacou a importância do uso ético dos animais na pesquisa: “Eles contribuem silenciosamente para o progresso humano e merecem respeito, responsabilidade e rigor científico”.
Além de Magrin e Ana Clara, participam do projeto pesquisadores de diferentes instituições e especialidades. Entre eles estão Roberta Michels, responsável por análises histológicas e de imagem; o professor Cesar Benfatti, especialista em estimulação elétrica; Mariano Sanz, da Universidad Complutense de Madrid, que supervisiona atividades relacionadas à regeneração óssea; e Jamil Shibli, consultor técnico nos dispositivos utilizados. A empresa Straumann também contribui com a doação de biomateriais utilizados nos experimentos.
O projeto conta com financiamento da International Team for Implantology (ITI), organização global sediada na Suíça dedicada à disseminação do conhecimento em implantodontia, e é desenvolvido em parceria com a Universidad Complutense de Madrid, na Espanha. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) é responsável pela gestão financeira e operacional, garantindo suporte à execução das atividades científicas.
Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em: Revista Fapeu
Link para a publicação: www.fapeu.org.br









































