UFSC desenvolve pesquisa inédita sobre regeneração óssea com estimulação elétrica

08/04/2026 09:09

UFSC está à frente de um projeto inovador na área da odontologia que busca revolucionar os tratamentos de regeneração óssea em implantes dentários

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está à frente de um projeto na área da odontologia para tratamento de regeneração óssea em implantes dentários. O estudo, iniciado em fevereiro de 2024 e com previsão de conclusão até o final de 2026, investiga a eficácia do uso de estímulos elétricos de baixa intensidade para acelerar e melhorar a formação óssea ao redor de implantes dentários, especialmente em áreas com defeitos ósseos.

Intitulada Estimulação elétrica para melhorar a formação óssea peri-implantar em procedimentos regenerativos, a pesquisa é coordenada pelo professor Gabriel Leonardo Magrin e reúne uma equipe de seis pesquisadores. Segundo ele, a proposta é pioneira na odontologia ao combinar a estimulação elétrica com técnicas de regeneração óssea guiada. “Utilizamos um dispositivo elétrico miniaturizado acoplado ao implante, capaz de emitir correntes de baixa intensidade que estimulam a migração de células ósseas e favorecem a cicatrização”, explica Magrin.

Embora as técnicas atuais de reconstrução óssea sejam consideradas eficazes, elas podem apresentar limitações, como longo tempo de cicatrização e resultados variáveis. A estimulação elétrica surge como uma alternativa promissora. “Ao acelerar o processo de formação óssea, essa abordagem pode reduzir o tempo de tratamento, aumentar a taxa de sucesso dos implantes e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, destaca o coordenador.

Estudos anteriores já indicavam que correntes elétricas podem favorecer a osseointegração  no processo de integração entre o implante e o osso. No entanto, esta é a primeira pesquisa a integrar essa técnica com a regeneração óssea guiada em um mesmo protocolo experimental. Uma etapa importante da pesquisa envolve testes em miniporcos, realizados na Universidade de Rio Verde (UniRV), em Goiás. A escolha do modelo animal se deve à semelhança anatômica entre a mandíbula desses animais e a humana, além de oferecer maior segurança nos procedimentos.

Durante os experimentos, os pesquisadores criam defeitos ósseos controlados na mandíbula dos animais, onde são instalados os implantes com o dispositivo de estimulação elétrica. A tecnologia emite descargas contínuas de baixa intensidade para estimular a formação óssea no local. As cirurgias foram realizadas em julho de 2025, reunindo equipes da UFSC e da UniRV em uma semana intensiva de atividades científicas. A doutoranda  Ana Clara Kuerten Gil destacou a importância do uso ético dos animais na pesquisa: “Eles contribuem silenciosamente para o progresso humano e merecem respeito, responsabilidade e rigor científico”.

Além de Magrin e Ana Clara, participam do projeto pesquisadores de diferentes instituições e especialidades. Entre eles estão Roberta Michels, responsável por análises histológicas e de imagem; o professor Cesar Benfatti, especialista em estimulação elétrica; Mariano Sanz, da Universidad Complutense de Madrid, que supervisiona atividades relacionadas à regeneração óssea; e Jamil Shibli, consultor técnico nos dispositivos utilizados.  A empresa Straumann também contribui com a doação de biomateriais utilizados nos experimentos.

O projeto conta com financiamento da International Team for Implantology (ITI), organização global sediada na Suíça dedicada à disseminação do conhecimento em implantodontia, e é desenvolvido em parceria com a Universidad Complutense de Madrid, na Espanha. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) é responsável pela gestão financeira e operacional, garantindo suporte à execução das atividades científicas.

Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em: Revista Fapeu

 Link para a publicação: www.fapeu.org.br

 

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UFSC na Mídia: Regeneração sem rejeição

01/10/2012 13:56

Hidroxiapatita manipulada em laboratório de biomateriais da UFSC. Pesquisadores pretendem disponibilizar o produto em unidades de saúde pública do Brasil para ajudar pacientes nas áreas de ortopedia e odontologia. (foto: Wagner Behr/ UFSC)

O Brasil acaba de conquistar o domínio da produção de hidroxiapatita enriquecida com substâncias inorgânicas. Apesar do nome complicado, o material tem uma aplicação fácil de ser entendida: a produção de enxertos ósseos sintéticos.

A hidroxiapatita é formada por fosfato de cálcio cristalino e compõe entre 70% e 90% dos ossos humanos e dentes, assegurando rigidez e densidade a esses tecidos. É encontrada também na estrutura de sustentação de corais. Por isso, em países como a China, o composto extraído de corais mortos, após passar por tratamentos químicos, é usado em enxertos ósseos.

Agora, pesquisadores do Núcleo de Engenharia Biomecânica e Biomateriais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conseguiram produzir hidroxiapatita em laboratório a partir de reações inorgânicas. Em um processo chamado dopagem, adicionaram estrôncio e magnésio ao material para torná-lo mais biocompatível.

O físico da UFSC José Rabelo, que estuda ossos sintéticos há 10 anos, explica que o composto obtido por sua equipe tem qualidade superior à da hidroxiapatita pura, como a extraída de corais. “A regeneração óssea ocorre de modo mais eficaz em comparação com o composto de origem natural”, explica.

Embora seja estudado há três décadas no Brasil, até agora o material sintético com essas características precisava ser importado de países como Japão e Estados Unidos, pioneiros na área de enxertos ósseos.

Testes in vivo

Estrutura cristalina da hidroxiapatita. O material, que compõe de 70% a 90% dos ossos humanos e dentes, é encontrado também na estrutura de sustentação de corais. (imagem: Eric M. Rivera-Muñoz/ ‘Biomedical engineering: frontiers and challenges’)

A principal função da hidroxiapatita produzida em laboratório é regenerar ossos lesionados. Ao ser inserido no corpo humano, o mineral demora no máximo dois anos para ser completamente absorvido e substituído por tecido ósseo natural.

Uma vez que o osso sintético é incorporado, não é necessário tomar medicamentos ou passar por tratamentos especiais. “A hidroxiapatita promove a regeneração do osso natural, tornando-o mais forte e denso na área onde foi implantada”, explica Rabelo.

Uma vez que o osso sintético é incorporado, não é necessário tomar medicamentos ou passar por tratamentos especiais

Além de ajudar a recuperar ossos lesionados ou danificados, a hidroxiapatita é comumente usada no revestimento de próteses e parafusos usados em articulações e implantes dentários. A ‘cobertura’ impede que o corpo humano entre em contato diretamente com o material metálico e faz o organismo reconhecer a hidroxiapatita como elemento natural, evitando a rejeição do implante, melhorando sua adesão e prolongando sua vida útil.

O novo material já é produzido de acordo com as normas técnicas internacionais e com as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no que diz respeito ao limite máximo de magnésio e estrôncio adicionados. Até o início de 2013, terão início os testes com a substância em animais (in vivo).

A hidroxiapatita produzida na UFSC foi apresentada recentemente no Congresso Mundial de Biomateriais, realizado na China. Por enquanto o material dopado 100% nacional fica restrito aos laboratórios da universidade, mas a intenção do grupo é disponibilizá-lo em hospitais do Sistema Único de Saúde assim que sua eficiência for comprovada.

Mariana Ceccon/ Especial para CH On-line/ PR /Publicado em 24/09/2012 | Atualizado em 24/09/2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:  Ciência Hoje online

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/09/regeneracao-sem-rejeicao

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