UFSC na mídia: Pesquisadores combatem espécie invasora que ameaça vida marinha em Santa Catarina

19/06/2026 11:14

Mergulhador fazendo anotações sobre o Coral Sol. Foto: Marcelo Crivellaro/Acervo PACS Arvoredo.

A professora Bárbara Segal Ramos, do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (ECZ/UFSC), foi uma das pesquisadoras entrevistadas para uma reportagem do portal ND+ sobre um projeto que mapeia a invasão do coral-sol em Santa Catarina. A matéria foi publicado no dia 17 de junho e está disponível aqui.

Pesquisadores da UFSC e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolvem há quatro anos um projeto  que visa combater o coral-sol, uma espécie invasora originária dos oceanos Índico e Pacífico, que ameaça a biodiversidade marinha do litoral catarinense. O coral-sol se espalha rapidamente pelas rochas e compete por espaço e alimento com espécies nativas, alterando o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Segundo os pesquisadores, o coral-sol chegou ao Brasil por meio de cascos de navios e vem se espalhando pelo litoral desde a década de 1980. Ele cresce rapidamente e não possui predadores naturais no Atlântico. Na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, entre Florianópolis e Bombinhas, mergulhadores realizam ações de monitoramento e remoção manual do coral-sol. Desde 2012, mais de 35 mil colônias da espécie foram retiradas em cerca de 100 operações de manejo. O material coletado é encaminhado para análises em laboratórios da UFSC.

Professora Bárbara Segal com o esqueleto do coral-sol. Foto: Leon Ferrari/Grupo ND.

A reportagem destaca que o controle da espécie exige cuidado e monitoramento constante, já que a remoção em períodos inadequados pode favorecer ainda mais a sua proliferação. Além disso, o trabalho exige precisão e acompanhamento científico constante, porque, se a remoção for feita de maneira inadequada, fragmentos do coral podem se espalhar e dar origem a novas colônias, agravando ainda mais a invasão.

A equipe vem desenvolvendo métodos e tecnologias para conter o avanço do coral-sol e proteger a biodiversidade marinha de Santa Catarina. Além da retirada manual, os pesquisadores estudam novas técnicas para conter o avanço da espécie e minimizar os impactos sobre a fauna e a flora marinhas. O objetivo é preservar a biodiversidade do litoral de Santa Catarina e evitar que o coral-sol comprometa ainda mais os ecossistemas da região.

Reportagem na íntegra no portal do ND+.

Mais informações na reportagem publicada no site da UFSC.

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Papo Verde UFSC promove discussão sobre os retrocessos na política e no direito ambiental brasileiro

17/05/2021 18:07

A próxima edição do Papo Verde UFSC discute os retrocessos na política e no direito ambiental brasileiro, com destaque para a recategorização da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e o projeto de lei (PL) do Licenciamento Ambiental. A atividade é promovida pela Sala Verde UFSC e ocorre nesta quarta-feira, 19 de maio, das 19h30 às 21h30, pelo Conferência Web. As inscrições podem ser feitas neste link e dão direito a certificado de participação.

Conheça os participantes:

José Rubens Morato Leite é doutor em Direito Ambiental pela UFSC, presidente do Instituto O Direito por um Planeta Verde, coordenador do Grupo de Pesquisa Direito Ambiental e Ecologia Política na Sociedade de Risco, do CNPq, além de sócio-fundador da Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil (Aprodab). 

Mauro Figueredo de Figueiredo é mestre em Direito e Ecologia Política pela UFSC, doutorando na Newcastle Law School, na Austrália, consultor em direito ecológico e política ambiental para a sustentabilidade e cofundador do Instituto Aprender Ecologia. Também foi membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

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Nota técnica reforça posição contrária à recategorização da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo

10/05/2021 12:20

O projeto Ecoando Sustentabilidade divulgou nota técnica reforçando posição contrária ao processo de recategorização da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo apresentado nos moldes atuais. “Considerando o que de melhor foi produzido pela ciência até o presente momento, conteúdos estes debatidos no canal Ecoando Sustentabilidade nos dias 23 de abril e 07 de maio do presente ano, é fundamental a observância dos princípios da precaução, prevenção e do não retrocesso, e solicitamos que seja suspensa a tramitação do presente processo até que tenhamos estudos técnicos específicos, que possam dirimir dúvidas e reduzir os riscos de eventual processo de recategorização”.

De acordo com o documento, “reduzir, comprometer ou fragilizar o atual esforço de preservação representaria perdas importantes, que podem levar espécies que já estão ameaçadas de extinção ao seu colapso, considerando que a ReBio do Arvoredo representa o seu único refúgio consagrado em toda a província temperada-quente”.

O parecer também considera “os riscos que existem diante da perda de esforço para a conservação, considerando diferentes aspectos quali e quantitativos dos usos múltiplos que podem se estabelecer em um parque. Alertamos que este processo de discussão deve ser amplo e irrestrito, envolvendo diferentes atores que, direta ou indiretamente, dependem de nossa unidade de conservação, um bem comum”.

Confira a nota técnica completa aqui.

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Projeto de monitoramento ambiental da UFSC conclui três anos de coleta de dados

16/03/2017 19:24
Integrantes do projeto MAArE durante última expedição oceanográfica.
Integrantes do projeto MAArE durante última expedição oceanográfica

O Projeto de Monitoramento Ambiental da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Entorno (MAArE/UFSC) está concluindo suas atividades e em breve disponibilizará um banco de dados e um livro com os resultados de todo o trabalho de campo desenvolvido ao longo de três anos. Coordenado pelas professoras Bárbara Segal Ramos e Andrea Santarosa Freire, do Departamento de Ecologia e Zoologia (ECZ/UFSC), o projeto teve início em junho de 2013 e contou com uma equipe de cerca de 80 pessoas (entre pesquisadores, técnicos, bolsistas e pessoal de apoio).

A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo é uma área de 17.600 hectares de superfície, situada ao norte da Ilha de Santa Catarina, entre Florianópolis e Bombinhas. A região abrange as Ilhas do Arvoredo, Deserta, Galé, Calhau de São Pedro e a área marinha que circunda esse arquipélago. Por ser considerado um espaço de grande importância biológica, em 12 de março de 1990 a reserva foi decretada unidade de conservação federal, de proteção integral. Nesse contexto, o MAArE foi criado com o objetivo de realizar o monitoramento ambiental da região, através da amostragem de diferentes indicadores biológicos para a avaliação da conservação do ecossistema marinho. Entre esses indicadores estão peixes, algas, crustáceos, invertebrados e plâncton. Outra finalidade era verificar a ocorrência de espécies invasoras, como o coral sol, que pode gerar danos no ecossistema.
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Pesquisa revela efetividade da Reserva do Arvoredo em preservar espécies

05/01/2015 13:45
Espécies de garoupas, chernes e badejos que representam as espécies da ictiofauna marinha beneficiadas pela REBIO Arvoredo. A) 'Mycteroperca bonaci': badejo quadrado; B) 'Hyporthodus niveatus': cherne; C) 'Epinephelus marginatus': garoupa verdadeira e D) 'Mycteroperca acutirostris': badejo mira.

Espécies de garoupas, chernes e badejos que representam as espécies da ictiofauna marinha beneficiadas pela REBIO Arvoredo. A) Mycteroperca bonaci: badejo quadrado; B) Hyporthodus niveatus: cherne; C) Epinephelus marginatus: garoupa verdadeira e D) Mycteroperca acutirostris: badejo mira. Fonte: LBMM/UFSC

A Reserva Biológica Marinha (Rebio) do Arvoredo é um local que efetivamente protege espécies ameaçadas, em especial os peixes que são alvo da pesca comercial e artesanal. É o que conclui a pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com outras quatro instituições. Os pesquisadores compararam a biomassa de espécies de garoupa, chernes e badejos em oito locais do litoral catarinense. Os maiores exemplares e os mais raros só foram encontrados nas áreas protegidas. A quantidade de biomassa chega a ser de quatro a oito vezes maior na Reserva do Arvoredo, em comparação com áreas não protegidas.

Este é o primeiro estudo que avalia as condições da Reserva na preservação das espécies. Os resultados foram divulgados em uma das principais revistas científicas sobre o tema, a Marine Ecology Progress Series (MEPS), da Alemanha. O estudo envolveu pesquisadores do Laboratório de Biogeografia e Macroecologia Marinha da UFSC, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade de São Paulo (USP), Universidad de Murcia (UMU-Espanha) e Macquarie University (Austrália). A REBIO Arvoredo foi criada em 1990, e o acesso é permitido apenas para atividades científicas; no entanto, a região é alvo frequente de atividades de pesca ilegal.
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Conselho Universitário da UFSC teve mais de 30 reuniões em 2013

19/02/2014 15:18

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tem a sua primeira sessão ordinária de 2014 prevista para a próxima terça-feira, dia 25. Em 2013, o CUn reuniu-se em 32 sessões – oito a mais que as realizadas no ano anterior. O elevado número de sessões deve-se à necessidade de tomada de decisões urgentes para a UFSC, algumas delas em virtude de mudanças na legislação superior.

O Regimento Interno do CUn (Resolução nº 09/83) estipula que as reuniões ordinárias sejam realizadas uma vez por mês e que as sessões extraordinárias possam acontecer em qualquer tempo, sempre que houver urgência. A média em 2013 foi de 2,5 sessões por mês, 7 no primeiro semestre e 24 no segundo semestre. Só em setembro, quando foram discutidas as políticas de ingresso na instituição e a seleção de docentes, foram realizadas sete sessões.

Outras decisões importantes foram relativas aos programas de monitoria na UFSC, à Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e à criação do campus em Blumenau.
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Na mídia: Falta de infraestrutura de dados espaciais limita pesquisa oceanográfica

19/04/2012 15:23

A inexistência de uma infraestrutura de dados espaciais integrada, aberta e e atualizada está atrapalhando a pesquisa oceanográfica no Brasil, de acordo com o professor Jarbas Bonetti, do Laboratório de Oceanografia Costeira da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A análise foi feita durante o workshop internacional Marine Data Management, realizado na sede da FAPESP nos dias 11 e 12 de abril.

Segundo Bonetti, pela falta de acesso a uma plataforma estruturada, que disponibilize dados de referência com acesso aberto, muitos cientistas e alunos de pós-graduação acabam investindo grande parte de seu tempo de pesquisa na geração de informações básicas, limitando o alcance de seus estudos. De acordo com ele, é preciso criar repositórios unificados de dados.

“Muitos doutorandos gastam boa parte do seu tempo de pesquisa na estruturação de uma base primária de dados. Com frequência, esse esforço não seria necessário, porque os dados já existem, entretanto, estão dispersos, não são interoperáveis, ou não estão disponíveis de forma aberta. Assim, durante anos, o aluno se dedica a um esforço exaustivo e no fim, na fase de interpretação, sobra pouco tempo e energia para que seja possível contribuir de forma efetiva para o avanço do conhecimento por meio de análises mais sofisticadas”, disse Bonetti à Agência FAPESP.

Bonetti analisou o impacto da falta de uma base de dados estruturada a partir de sua própria experiência de pesquisa, em um pós-doutorado realizado no Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar, em Brest (França), entre 2007 e 2008.

No estudo, Bonetti cruzou diversas bases de referência para elaborar um mapa aplicando o conceito de “paisagens marinhas”. Mais tarde, ao tentar replicar o trabalho no Brasil, esbarrou em sérias dificuldades.

“A instituição francesa tinha uma base de dados estruturada, por isso tive muita facilidade em chegar a resultados conclusivos e úteis para os gestores. A maior parte do meu esforço consistiu em desenvolver um arcabouço conceitual e propor uma alternativa metodológica para integrar diversos dados espaciais”, disse.

Dentro do conceito de paisagem marinha, segundo Bonetti, é possível partir de uma série de dados relativamente genéricos – como profundidade, temperatura de fundo, tipo de substrato, penetração da luz e intensidade de correntes – para compreender como a comunidade biológica se organiza em função das características ambientais que dão suporte ao estabelecimento dos diversos habitats.

“Com essa metodologia, a partir de dados relativamente simples, é possível obter um primeiro diagnóstico da estrutura da camada de fundo dos oceanos. Com isso, pode-se otimizar a escolha de locais sensíveis para gestão mais efetiva ou fazer pesquisas mais verticalizadas”, disse.

A partir dos dados básicos que estavam disponíveis na região do Parque Marinho do Iroise, , Bonetti construiu um modelo de paisagens marinhas em uma área do litoral da Bretanha, na França. “Quando terminei o pós-doutorado, fiquei empolgado com os resultados e tinha a perspectiva de replicar o estudo no Brasil, em uma área bastante importante do ponto de vista do sistema brasileiro de unidades de conservação, que é a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em Santa Catarina”, disse.

No entanto, Bonetti logo percebeu a dificuldade para encontrar no Brasil esse tipo de dados em formato acessível. O cientista teve que se dedicar exaustivamente a levantar dados de referência.

“Dependi de muito trabalho braçal para gerar informações extremamente básicas. Dependi também da colaboração de colegas que cederam dados brutos, a partir do contato com ex-orientandos que  tinham ainda disponíveis suas tabelas originais. Foi preciso aprender muitas coisas secundárias à investigação propriamente dita e gastar um bom tempo que poderia ter sido investido em análises mais profundas”, explicou.

Depois da experiência na França, Bonetti se convenceu de que a estruturação de dados primários em uma base comum e aberta permite que o pesquisador se dedique menos ao esforço de tratamento primário e possa investir mais tempo de pesquisa na análise e desenvolvimento de alternativas para se trabalhar com dados espaciais, buscando estabelecer relações e identificar como diferentes variáveis se comportam de maneira conjunta no espaço.

“Existem dados que têm um caráter mais preciso e específico. Mas me refiro a dados que são primários e fundamentais, como batimetria – os dados relacionados à profundidade”, afirmou. Segundo ele, não há uma base de dados batimétricos aberta disponível online. As cartas náuticas existentes, por exemplo, são disponibilizadas em formato semelhante ao de fotografias digitais e não em formato vetorial, que permitiria seu reprocessamento.

“Quando precisamos desses dados, temos que carregar as cartas náuticas no computador, georreferenciá-las, criar um mosaico e clicar com um mouse em cada um dos pixels que têm valor de profundidade. Isso transforma uma tarefa de dias em um trabalho de semanas ou meses”, afirmou.

As folhas topográficas em escala mais usadas nos projetos de pesquisa oceanográfica associada à plataforma continental interna, segundo Bonetti, baseiam-se em fotografias aéreas da década de 1960, com problemas de articulação – o que gera dificuldades para emendar as linhas de costa de uma carta em outra. Também são escassos os dados de altimetria nas áreas costeiras, fundamentais para quem trabalha na dinâmica de praias e avaliação da suscetibilidade costeira à subida do nível do mar.

“Eventualmente algumas prefeituras têm esses dados, ou alguns grupos fizeram levantamentos desse tipo, mas tudo isso está disperso e é de difícil acesso. Muito do esforço de coleta de dados está associado a projetos de pesquisa individuais. Esses dados acabam ficando muito restritos aos grupos que os produziram e o acesso depende de contatos pessoais”, afirmou.

Outro problema recorrente, segundo Bonetti, é a falta de metadados – as informações que explicam e contextualizam os dados. “Sem os metadados, o dado perde confiança e não pode ser articulado com outros dados semelhantes”, disse.

Bonetti sugere que, para contornar o problema, é fundamental que o poder público invista em programas de pesquisa que tenham continuidade e no qual os serviços de provisão de dados funcionem de maneira regular e eficiente. “Dados de referência como linha de costa, altimetria, batimetria, tipo de fundo e uso do solo precisam estar disponíveis para qualquer cientista ao alcance de um clique”, disse.

Segundo Bonetti, é fundamental também criar uma consciência de que o dado produzido por pesquisas financiadas com dinheiro público precisa ficar publicamente disponível.

“É preciso garantir a propriedade intelectual do dado, dar um tempo de carência para o pesquisador publicá-lo e é preciso estabelecer um padrão comum para que os dados sejam posteriormente comparáveis com outros. Mas o principal é criar uma cultura que veja o dado financiado pelo Estado e pelas agências públicas de fomento como um bem público”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

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