Projeto com participação da UFSC utiliza tecnologia de ponta para investigar história da biodiversidade no litoral
Um projeto da Universidade Federal de Santa Catarina, intitulado Defaunation, vai colaborar com o fornecimento de amostras para estudar o passado e o presente da fauna costeira do Sul do Brasil. Agora, o projeto Naive, liderado pela Universidade Autônoma de Barcelona, se somará à iniciativa com a contribuição da equipe do professor Thiago Fossile, do departamento de Ecologia e Zoologia. A pesquisa, que recentemente foi aprovado pelo European Research Council (ERC), vai se beneficiar da estrutura e das amostras coletadas na UFSC.
A proposta é entender de que forma a biodiversidade animal tem mudado ao longo do tempo, a partir da análise de ossos antigos e atuais. O projeto também atua na análise de moléculas de animais. “O projeto tem como objetivo mapear a perda de biodiversidade, diversidade funcional e serviços ecossistêmicos ao longo do tempo na região costeira do sul do Brasil, além de estabelecer uma infraestrutura laboratorial voltada à análise paleozoológica, extração e caracterização molecular de colágeno de vertebrados, com aplicações diretas para a arqueologia e conservação”, explica Fossile.
A tecnologia de ponta pode ajudar, por exemplo, na identificação de ossos antigos ou fragmentados para saber a qual animal pertencem. Por meio da espectrometria de massa, as suas proteínas podem ser identificadas, levando à essa identificação. Para a arqueologia, os dados podem ajudar a descobrir como as populações antigas se alimentavam.
Uma outra linha de investigação pode colaborar com a resolução de crimes ambientais. Um dos estudos já publicados pela equipe mostra que a técnica é capaz de distinguir o osso de um porco doméstico do osso de um porco selvagem, o cateto ou queixada, o que pode contribuir com a fiscalização da caça ilegal.

Imagem de um dos artigos do grupo de pesquisadores que investe nesta linha registra os tipos comuns de artefatos em osso de baleia de sítios sambaquis na Baía de Babitonga.
O professor conta que a iniciativa também buscará expandir e promover as coleções biológicas de referência, realizando tanto análises tradicionais, com a identificação de espécimes e estudos taxonômicos, como as análises biomoleculares. “Os resultados obtidos contribuirão significativamente para pesquisas faunísticas em contextos ecológicos, arqueológicos e forenses, com implicações relevantes para as áreas de Ecologia, Biologia da Conservação, Arqueologia e Ciências Forenses no Brasil”, afirma.
O Defaunation tem um ano de execução e já avançou nas análises tradicionais e na expansão do database biomolecular e da coleção de referência. Esses dados incluem marcadores para diferentes espécies da fauna nativa e exótica do Brasil, como porco silvestre e doméstico, bovinos, tatus, cervídeos e galinhas. De acordo com Fossile, há um processo de expansão, considerando a coleção de referência do projeto e o acervo do Laboratório de Mamíferos Marinhos da UFSC.
“A coleção conta com aproximadamente 45 espécimes de mamíferos e aves recorrentes em sítios arqueológicos e relevantes para a conservação e a ciência forense. Essa coleção encontra-se também em processo de digitalização e será incorporado ao Brazilian Osteological Database (BROS), o primeiro banco de dados osteológico digital colaborativo e de acesso aberto do Brasil”, afirma.










