UFSC Blumenau realiza doação de almofadas à Rede Feminina de Combate ao Câncer

15/08/2019 17:06

Moldes das almofadas são disponibilizados online para incentivar sua produção. Foto: divulgação

Aproveitar resíduos têxteis para criar novos produtos já é um trabalho bem interessante, né? Evita o descarte desses materiais no meio ambiente e contribui para a sustentabilidade do planeta. Imagina então se esse novo produto for algo para levar um pouco de conforto a pacientes com câncer de mama em tratamento?

Essa foi a ideia da estudante Adriana Eidt, bolsista voluntária do projeto de extensão “O lixo que vira luxo: utilização de retraços têxteis para elaboração de novos produtos”, coordenado pela professora Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar, da UFSC Blumenau. Juntas, elas confeccionaram 25 almofadas em formato de coração que foram doadas à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Blumenau na última quarta-feira, 14 de agosto.
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Mexa-se! Estudo aponta relação entre falta de atividade física e mortes por câncer de mama

10/05/2019 11:15

“Acredito que ter um corpo em forma e fortalecido ajudou na minha recuperação, que foi mais rápida”

Falar sobre câncer não é fácil, ainda mais quando é com alguém que passou por procedimentos dolorosos em busca da cura. Ao localizar uma fonte para esta entrevista, de pronto tive retorno de Beatriz Bittencourt da Roza, 67 anos, que havia descoberto o câncer de mama em um exame de rotina em 2017.  Quando eu e o meu colega de Agecom, Pipo Quint, nos preparávamos para encontrar Beatriz para a entrevista e o registo fotográfico o estereótipo de uma pessoa doente vinha a minha mente: fraca, apática, com mobilidade reduzida. Tudo isso caiu por terra ao ver Beatriz vindo em nossa direção no pátio do Hospital Universitário (HU). O sorriso largo estampava o seu rosto maquiado para as fotos, o cabelo estava lindamente arrumado e o traje mostrava parte da sua identidade: forte, comunicativa, firme, vaidosa, única.

Essa mulher enfrentou o mais comum dos cânceres entre as mulheres. Em 2017 foi a principal causa de morte entre elas no mundo, além de ser o responsável por anos de vida saudável perdidos (DALYs – Disability Adjusted Life Years). Esses dados foram levantados por uma pesquisa internacional liderada pelo professor do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina (DEF/UFSC), Diego Augusto Santos Silva, e publicada na Nature em 2018.

Desenvolvida na UFSC, a pesquisa “Mortality and years of life lost due to breast cancer attributable to physical inactivity in the Brazilian female population (1990–2015)” contou com a parceria do Ministério da Saúde, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da University of Washington (E.U.A) e analisa a evolução do câncer de mama, óbitos e os anos de vida perdidos durante a doença de 1990 a 2015 no Brasil, os comparando com estudos de outras partes do mundo.

Considerado um tipo de câncer que, além de ter alta mortalidade, é causador de morbidade precoce, o estudo reflete sobre esses índices os relacionando com fatores de risco, sendo um deles a falta de atividade física entre as mulheres.
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Outubro Rosa UFSC: caminhada conscientiza sobre prevenção do câncer de mama

18/10/2017 12:38

A cor rosa percorreu, por 40 minutos, os corredores e arredores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na manhã desta quarta-feira, 18 de outubro. Cerca de 80 pessoas, entre servidores e comunidade, realizaram a caminhada ‘Todos na UFSC rumo à prevenção do câncer de mama’. O evento iniciou às 9h, no hall da Reitoria, com a apresentação do Coral do Núcleo de Estudos da Terceira Idade (Neti) e a presença da Associação da Mulher Catarinense Portadora de Câncer (AMUCC).

Nalzira Rosa dos Santos, durante a caminhada. Foto: Jair Quint/Agecom/UFSC

Entusiasmada e sorridente antes da caminhada, Nalzira Rosa dos Santos, de 77 anos, falou sobre a sua experiência de diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Segundo ela, o que nunca lhe faltou foi humor para passar pelo tratamento. “No dia 8 de dezembro de 1999 os médicos falaram o meu diagnóstico: um pequeno caroço na mama esquerda. Eles demoraram uma hora para me contar”, recorda ela.
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Outubro Rosa: rodas de conversa para conscientizar sobre câncer de mama

16/10/2015 08:40

Rodas de conversa com grupos de mulheres do Restaurante Universitário e dos Serviços de Nutrição e Lavanderia do Hospital Universitário (HU) serão promovidas neste mês para debater o câncer de mama e a importância da detecção precoce. As atividades iniciaram na quinta-feira e seguem nesta sexta-feira, 16 de outubro, e nos dias 26, 27 e 28 de outubro.

Os encontros nos setores selecionados irão discutir o tema e identificar mulheres em grupo de risco (acima de 50 anos e que nunca fizeram mamografia e/ou com história de câncer de mama na família) para realizar consulta médica no HU e mamografia de rastreamento. Os casos identificados como suspeitos ou positivos serão encaminhados para consulta no Ambulatório de Mastologia do HU.

Mais informações pelo telefone (48) 3721- 4272.

 

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Pesquisadores da UFSC acompanham dieta de pacientes com câncer de mama

30/10/2013 08:30

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que é possível evitar 28% dos casos de câncer de mama por meio de atividade física, alimentação saudável e controle do peso corporal. Esses fatores – em especial a alimentação – incentivaram alunos e docentes do curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a pesquisar como a qualidade da dieta pode influenciar o desenvolvimento do câncer e o bem-estar do paciente durante o tratamento.

A pesquisa, liderada pelas professoras Patrícia Faria Di PietroFrancilene Kunradi, é realizada desde 2006, com portadoras de câncer de mama em tratamento no Hospital Carmela Dutra, em Florianópolis. Os estudos envolvem membros do Grupo de Estudos em Nutrição e Estresse Oxidativo (GENEO) e já deram origem a várias publicações acadêmicas, inclusive seis dissertações de mestrado. 
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Mastologista tira dúvidas sobre prevenção e tratamento do câncer de mama

29/10/2013 09:26

A mastologia é uma especialidade relativamente nova na medicina, voltada à saúde das mamas. Surgiu há cerca de 25 anos com o desenvolvimento de novas técnicas para o tratamento do câncer de mama. Braulio Leal Fernandes, médico mastologista do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC) e vice-presidente da Regional Catarinense da Sociedade Brasileira de Mastologia, esclarece que ainda é pequeno o número de profissionais dessa área em Santa Catarina. Segundo ele, dos 40 médicos associados no estado apenas 16 são registrados no Conselho Regional de Medicina como mastologistas. Esse número reduzido é um dos motivos pelos quais a prevenção do câncer de mama começa nas consultas de rotina.
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Legislação prevê reconstrução mamária para pacientes com câncer

23/10/2013 15:33

Quando é diagnosticada com câncer de mama, a mulher precisa iniciar logo o seu tratamento, que pode ou não envolver intervenções cirúrgicas. Muitas pacientes precisam submeter-se a algum tipo de mastectomia – cirurgia de retirada total ou parcial das mamas – e, simultaneamente ao tratamento, restaurar os seios por meio da cirurgia para reconstrução mamária. O Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani São Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC) realiza o procedimento. O processo acontece de acordo com a gravidade da lesão, muitas vezes em etapas, incluindo o trabalho de profissionais como o cirurgião plástico e o mastologista. O objetivo é devolver a aparência natural aos seios e, com isso, elevar a autoestima da mulher.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2012, foram realizadas pelo SUS 1.392 reconstruções mamárias, a um custo de aproximadamente R$ 1,15 milhão. A reconstrução é prevista em lei desde 1999 para as mulheres que sofrerem a retirada total ou parcial da mama, decorrente de utilização de técnica de tratamento de câncer, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em abril deste ano, a lei foi alterada para incluir que a reconstrução pode ser efetuada no momento da mastectomia. Dados da Sociedade Brasileira de Mastologia apontam que, das cerca de 20 mil mulheres operadas, menos de 10% saem dos centros cirúrgicos com os seios reconstruídos.

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Reitoria da UFSC ganha iluminação especial pela prevenção ao câncer de mama

11/10/2013 13:18

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Outubro é o mês do rosa. A cor vem iluminando o prédio da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde o início desta semana, 7 de outubro, e também está presente em alguns dos principais monumentos locais em Florianópolis, como a ponte Hercílio Luz, e conhecidos mundialmente, como a Torre Eiffel, a Casa Branca, o palácio de Buckingham e o Cristo Redentor. O objetivo é conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce no tratamento do câncer de mama, doença que está entre as maiores causas de morte de mulheres no Brasil, mas que também mata homens. Em 2011, 13.225 pessoas foram vítimas do câncer de mama no país.
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Legislação prevê reconstrução mamária para pacientes de câncer

10/10/2013 14:22

Quando é diagnosticada com câncer de mama, a mulher precisa iniciar logo o seu tratamento, que pode ou não envolver intervenções cirúrgicas. Muitas pacientes precisam submeter-se a algum tipo de mastectomia – cirurgia de retirada total ou parcial das mamas – e, simultaneamente ao tratamento, restaurar os seios por meio da cirurgia para reconstrução mamária. O Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani São Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC) realiza o procedimento. O processo acontece de acordo com a lesão, muitas vezes em etapas, incluindo o trabalho de profissionais como o cirurgião plástico e o mastologista. O objetivo é devolver a aparência natural aos seios e, com isso, elevar a autoestima da mulher.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2012, foram realizadas pelo SUS 1.392 reconstruções mamárias, a um custo de aproximadamente R$ 1,15 milhão. A reconstrução é prevista em lei desde 1999 para as mulheres que sofrerem a retirada total ou parcial da mama, decorrente de utilização de técnica de tratamento de câncer, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em abril deste ano, a lei foi alterada para incluir que a reconstrução pode ser efetuada no momento da mastectomia. Dados da Sociedade Brasileira de Mastologia apontam que, das cerca de 20 mil mulheres operadas, menos de 10% saem dos centros cirúrgicos com os seios reconstruídos.

O chefe do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do HU, Jorge Bins Ely, explica que foi feito um cadastramento de centenas de pacientes no ano passado para receberem a cirurgia, mas o hospital precisa de mais profissionais para realizar todas elas. “Hoje há 247 mulheres aguardando a sua vez de receber uma reconstrução mamária pelo HU. O Serviço de Cirurgia Plástica está entre os 10 melhores do Brasil, estamos cada vez mais aumentando o número dessas cirurgias”, explica Ely.

No ano passado, o HU realizou, com o apoio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), 59 cirurgias de reconstrução mamária em um mutirão, que envolveu, além dos médicos residentes e da equipe de professores, cirurgiões plásticos voluntários. O professor Ely acrescenta que, independente do mutirão, as cirurgias continuam acontecendo. “Não é pelo fato de ter o mutirão que estamos fazendo essa cirurgia. Fazemos toda semana, normalmente pelos médicos residentes, no terceiro ano de Cirurgia Plástica, sob supervisão direta do staff [equipe de professores]. Oferecemos o serviço, há uma fila grande, mas não está parada, ela anda”, enfatiza.

Ely é enfático a respeito das cirurgias de reconstrução que ocorrem ao mesmo tempo que a mastectomia. “Pessoalmente, sou contra, porque faz parte da mudança de autoimagem a pessoa ver o que ficou. A paciente tem que se ver sem a mama. Além disso, um diagnóstico definitivo, com o exame patológico completo, com contraste, leva até uma semana. É ideal esperar esse tempo, pois pode-se acabar retirando menos do que o necessário e o câncer voltar”, argumenta.

O cirurgião plástico Rodrigo d’Eça Neves, professor Titular de Cirurgia Plástica da UFSC, afirma que o processo de reconstrução depende do estágio no qual a lesão é descoberta.

Há quatro possíveis cenários nos quais a cirurgia plástica pode ajudar, conforme enumerado pelo especialista. O primeiro, quando a descoberta é precoce, demanda a retirada de um pequeno segmento da mama, que é corrigido na mesma cirurgia. O segundo, quando a lesão é maior, mas permite a manutenção de pele e aréola, o que possibilita a reconstrução do seio no mesmo ato da retirada, podendo utilizar diretamente uma prótese mamária ou não. A terceira situação, que demanda que hajam cirurgias separadas, acontece quando há maior retirada de pele com manutenção ou não da aréola. Para isso, é preciso utilizar um expansor de pele, que fica no local da mama até que possa ser substituído pela prótese definitiva. Já o quarto cenário, que também precisa de mais de uma cirurgia, ocorre quando é retirada muita pele, sem possibilidade de distensão.

“Nesse último caso, se utiliza o retalho do músculo grande dorsal [costas da paciente], com ilha de pele para cobrir a prótese mamária, que fará o volume. Da mesma forma, quando se retira também o músculo peitoral da mama, e uma grande porção de pele, utiliza-se o retalho abdominal que leva um bom volume de pele e evita o uso de prótese”, explica o cirurgião. Neves acrescenta que há também o uso da tatuagem, para devolver a pigmentação à aréola do seio, principalmente em caso de perda da cor da pele transplantada, o que pode ocorrer com o tempo.

O médico destaca que a cirurgia plástica brasileira continua sendo referência. “Estas opções são as melhores técnicas que existem. Muito nos orgulha o fato do Brasil ser proa da cirurgia plástica mundial. Temos melhor qualidade individual por cirurgião, mas perdemos no número de cirurgias para os Estados Unidos, pelo melhor poder aquisitivo norte-americano”, complementa.

Limitações

Apesar de ser garantida por lei, a cirurgia de reconstrução nem sempre é buscada. “Algumas [pacientes] por qualquer motivo, não desejam realizar nenhuma cirurgia. Outras, têm o desejo e não buscam socorro por medo ou desconhecimento. As instituições oferecem este tratamento, mas elas têm capacidade de absorção reduzida, o que gera um pré-agendamento, às vezes de espera prolongada. O mesmo serviço que se ocupa destas correções atende outras patologias, muitas delas mais urgentes”, detalha o cirurgião.

Neves deixa o seu recado às mulheres com câncer de mama que porventura tenham abalada a sua autoestima: não tenham vergonha. “As pessoas somente devem ter vergonha daquilo que fazem de forma intencional ou omissa e não de um mal desagradável que lhes acometam”, finaliza.

Mais informações:
Página do Instituto Nacional do Câncer sobre o Outubro Rosa
Envie um e-mail para o Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados (HU)
Infográfico em vídeo com técnicas de reconstrução mamária
Teste seus conhecimentos: Mitos e verdades sobre o câncer de mama

 

 

Mayra Cajueiro Warren
Jornalista da Agecom/UFSC

Tags: câncer de mamaOutubro RosaUFSC

Mastologista tira dúvidas sobre prevenção e tratamento do câncer de mama

10/10/2013 14:19

A mastologia é uma especialidade relativamente nova na medicina, voltada à saúde das mamas. Surgiu há cerca de 25 anos com o desenvolvimento de novas técnicas para o tratamento do câncer de mama. Braulio Leal Fernandes, médico mastologista do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC) e vice-presidente da Regional Catarinense da Sociedade Brasileira de Mastologia, esclarece que ainda é pequeno o número de profissionais dessa área em Santa Catarina. Segundo ele, dos 40 médicos associados no estado apenas 16 são registrados no Conselho Regional de Medicina como mastologistas. Esse número reduzido é um dos motivos pelos quais a prevenção do câncer de mama começa nas consultas de rotina.

“A prevenção pode perfeitamente ser feita pelo médico da família, ginecologista, clínico geral, geriatra. Eles fazem o exame clínico da mama no consultório e encaminham para os exames de imagem. Se houver uma alteração, a paciente procura o mastologista, que é o especialista em fazer o diagnóstico e verificar se é o caso de fazer o tratamento ou não”, explica Fernandes.

O médico enfatiza que é preciso identificar pequenas alterações na mama e realizar os exames preventivos periodicamente. “Com o diagnóstico precoce temos condições de reduzir a mortalidade e também a agressividade do tratamento. Se o nódulo é pequeno, com menos de dois centímetros, temos chance de mais de 90% de cura”, ressalta.

O HU conta com três médicosmastologistas. Participam das atividades relacionadas às mamas também nove residentes de ginecologia e estudantes do quinto e sexto ano de Medicina. A equipe divide-se em atividades de diagnóstico, como a realização de ultrassonografias e mamografias, e procedimentos de punção de mama, para analisar os tecidos de nódulos e assim investigar lesões. Além disso, as cirurgias de retirada das mamas – mastectomias – e as reconstruções das mamas também são oferecida pelo HU.

Fernandes explica que a reconstrução pode ser feita tanto por um mastologista como por um cirurgião plástico. “Tanto um como o outro são habilitados pelo Conselho Federal de Medicina para fazer a reconstrução. Nada impede também de estarem os dois profissionais atuando ao mesmo tempo. Aqui no HU temos um bom convívio com a cirurgia plástica e costumamos encaminhar as reconstruções para eles, mas em hospitais que não contam com cirurgiões plásticos, são os mastologistas que fazem,” salienta.

Rotina de prevenção

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que mais de 52 mil novos casos de câncer de mama surjam em 2013. Fernandes acrescenta que 1,6 mil casos estão previstos para Santa Catarina e, por ano, no Brasil, a mortalidade chega a 10 mil óbitos. O médico reforça que, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, os procedimentos de prevenção começam a partir dos 20 anos de idade, com o exame clínico anual das mamas. Se não há sintomas, quando chegar aos 40 anos de idade, além do exame clínico, a mulher passa a fazer uma mamografia uma vez ao ano e permanece nessa rotina até os 69 anos, quando poderá ser avaliada a necessidade de continuar com as mamografias. Se não há suspeitas, ela pode passar a fazer os exames a cada dois anos.

“É importante lembrar que a incidência do câncer de mama aumenta com a idade. Existe comprovação científica que, dos 40 aos 69 anos a mamografia ajuda as pacientes com melhora de sobrevida, ou seja, ela salva vidas. Nesse grupo, a redução da mortalidade que a mamografia traz para as pacientes que desenvolvem o câncer é da ordem de 20 a 30%”, detalha Fernandes.

Essa rotina é recomendada para pacientes de baixo risco, que não têm qualquer queixa de dor ou nódulos nas mamas. Há um grupo menor, de alto risco – quem tem histórico familiar, biópsia de mama com alto risco de desenvolver câncer, obesidade, tabagismo, não pratica atividade física. Esse grupo precisa começar a prevenção com mamografias mais cedo.

“Quem tem casos na família em parentes de primeiro grau (mãe, irmã), que desenvolveu a doença na pré-menopausa, ou quem já tem nódulos e fez biópsia com achados que indicam que aquela mama tem um risco muito grande de vir a desenvolver câncer precisa de um acompanhamento mais intenso. É recomendado começar o rastreamento uns 15 anos antes do familiar acometido. Se a mãe teve a doença aos 45, a filha vai começar o acompanhamento aos 30”, destaca o especialista.

Homens também precisam estar atentos. Fernandes explica que já tratou casos de lesões em mamas masculinas no HU. “A maioria dos casos são ligados à herança genética. O risco de um homem com casos na família desenvolver câncer de mama é 6 a 8%, enquanto que o da mulher é 60 a 80%. Se não há a questão genética, as chances diminuem bastante”, compara. O especialista ressalta que portadores da ginecomastia – condição masculina que ocasiona o crescimento das mamas – têm risco aumentado de desenvolver o câncer em cerca de 6 vezes.

Também é possível prevenir o câncer de mama com alimentação saudável, atividade física, amamentação e combate à obesidade. Fernandes afirma que o aleitamento, que é recomendado manter de forma exclusiva até o sexto mês do bebê, pode continuar, com o benefício de reduzir o risco de câncer de mama para a mãe em torno de 4% por ano de amamentação. 

 

Mais informações
Sociedade Brasileira de Mastologia

 

Mayra Cajueiro Warren
Jornalista da Agecom/UFSC

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Pesquisadores da UFSC acompanham dieta de pacientes de câncer de mama

10/10/2013 14:18

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que é possível evitar 28% dos casos de câncer de mama por meio da atividade física, alimentação saudável e o controle do peso corporal. Esses fatores – em especial a alimentação – incentivaram alunos e docentes do curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a pesquisar a respeito dos diferentes aspectos de como a qualidade da dieta pode influenciar o desenvolvimento do câncer e o bem estar do paciente durante o tratamento da doença.

A pesquisa, liderada pelas professoras Patrícia Faria Di Pietro e Francilene Kunradi, é realizada desde 2006 com mulheres portadoras de câncer de mama, em tratamento no Hospital Carmela Dutra, em Florianópolis. Os estudos envolvem membros do Grupo de Estudos em Nutrição e Estresse Oxidativo (GENEO) e já deram origem a várias publicações acadêmicas, inclusive seis dissertações de mestrado.

Além de levantar dados, os pesquisadores acompanharam as pacientes antes e depois do início do tratamento oncológico com questionários e fornecendo orientações. Um dos artigos produzidos pelo grupo foi publicado no ano passado, na revista internacional Nutrición Hospitalaria. O estudo detalha os resultados do acompanhamento com 133 pacientes, entre outubro de 2006 e junho de 2010.

O fator nutricional foi determinante para a identificação de hábitos considerados nocivos à saúde e que podem conduzir à formação de câncer. Os resultados demonstram que 89% das pacientes declararam ter uma dieta altamente calórica (mais de 125 calorias por 100g de alimento). O consumo de vegetais foi menor que a quantidade recomendada para 51% das participantes, e 47% declararam ingerir carne e embutidos acima do limite aconselhado.

Kunradi afirma que seguir algumas recomendações alimentares pode ajudar a efetividade do tratamento de câncer e manter uma alimentação saudável após o tratamento pode contribuir para diminuir a chance de a doença voltar. “Ter uma alimentação saudável durante o tratamento oncológico – consumir pelo menos 400g/dia de frutas, verduras e legumes e limitar o consumo de carnes vermelhas para no máximo 500g/semana – pode auxiliar na redução do aumento do peso corporal e da concentração de radicais livres no sangue”, recomenda.

Atividade Física

O estudo também identificou fatores como o sedentarismo e a obesidade entre as pacientes. A maioria, 80% das mulheres entrevistadas, não praticava atividade física e 35% eram obesas. O risco de desenvolver câncer é maior se a mulher tem excesso de peso durante a menopausa. Nessa fase, segundo informações do guia para a prevenção do câncer de mama publicado pelo Instituto Arte de Viver Bem, o tecido gorduroso passa a produzir hormônios, o que incita uma multiplicação acelerada das células mamárias.

A publicação também aponta que hábitos como o tabagismo e a ingestão frequente de bebidas alcoólicas podem influenciar a formação de lesões nas mamas. A recomendação é limitar o consumo de álcool a uma única dose, três dias por semana. Quanto ao cigarro, que já está associado a muitos tipos de câncer, orienta-se eliminar de vez o vício e ficar longe das baforadas de fumantes, uma vez que pesquisas também apontam risco para o fumante passivo.

Garra e determinação

As impressões do grupo de pesquisa da UFSC que vem trabalhando com as pacientes de câncer de mama são muito positivas. Kunradi diz que a adesão das mulheres participantes foi imediata. “Elas se dispuseram a fazer de tudo o que pudesse ajudar a combater o câncer e diminuir a chance dos tumores voltarem”, enfatiza a pesquisadora.

“Foi muito gratificante ter tido a oportunidade de participar desta pesquisa em função principalmente da garra e força destas mulheres durante o tratamento. Embora acometidas pela doença e pelos efeitos colaterais da quimioterapia, a maioria enfrenta a fase do tratamento com muita motivação pela expectativa de cura”, complementa Kunradi.

Mais informações

Artigo com a pesquisa realizada pelos alunos e docentes da UFSC (em inglês)
Site do Relatório sobre nutrição e câncer do Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer(World Cancer Research Fund)
Site do Instituto Arte de Viver Bem

 

Mayra Cajueiro Warren
Jornalista da Agecom/UFSC

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Voluntária e ex-aluna da UFSC conta a sua história com o câncer de mama

10/10/2013 14:13

Portadora da doença recomenda apoio familiar e autoestima elevada contra o câncer

Ronilda ao lado da filha durante a caminhada do Outubro Rosa, realizada no último dia 20. Foto: Summer Floripa / Divulgação AMUCC

Ronilda Vieira formou-se em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1976 e, trinta anos depois, recebeu um diagnóstico de câncer de mama. Fez cirurgia, ficou careca em consequência da quimioterapia, tomou remédios e recuperou-se. Sua principal estratégia foi a de manter-se positiva – antes e durante o tratamento. Hoje, a doença está em remissão, e Ronilda atua na Associação Brasileira de Portadores de Câncer (AMUCC), como vice-presidente, para incentivar a prevenção e conseguir que mais pessoas tenham acesso aos exames que identificam os tumores.

A ultrassonografia de mama virou sua rotina anual a partir dos 40 anos de idade, e, quando completou 50, Ronilda passou a fazer mamografia também. Aos 54, a médica desconfiou, e uma investigação mais profunda diagnosticou nódulos nos dois seios da paciente, que, após nova análise, descobriu que tinha câncer na mama esquerda. “Eram muito pequenos:  um tinha algo em torno de três milímetros; e outro, menos de nove”, conta. Mesmo assim, foi necessário retirar toda a mama afetada, e a mastectomia aconteceu simultaneamente à reconstrução.

Ronilda estava na idade de risco, mas não fumava, não bebia álcool em excesso e amamentou os dois filhos. Todo ano ela reserva o mês do seu aniversário para fazer todas as consultas e exames de rotina, o que ela diz que é o seu presente para si mesma. “Eu sabia que podia acontecer comigo, óbvio; pode acontecer com qualquer pessoa.  Mas tinha o colesterol controlado, não tive casos na família, sempre comi muita fruta e verdura. Eu levei um susto. Quem não leva?”, questiona.

Diagnóstico

Quando soube da doença, guardou segredo para não estragar a festa de formatura da filha, que se graduava em Farmácia; o único que sabia era o marido. “Só contei para ele porque eu estava toda espetada, cheia de curativos”, relata. A cirurgia foi adiada ainda mais porque ela desenvolveu uma pansinusite – inflamação de todas as cavidades do crânio. “Sabe o que é isso? Eu fui atrás de médico, e não havia quem resolvesse. Até que uma neurologista me atendeu, à noite, e ela já fez um monte de avisos, que eu não tinha condições de fazer cirurgia”.

Depois que deu a notícia aos filhos, Ronilda percebeu que a reação foi fria, o que a deixou assustada. “Sabe como é família que se acha preparada? Que reage a tudo muito friamente? Eles me diziam ‘tudo bem, isso tem cura’”, lembra. Até que um dia ela precisou desabar, e veio o alívio ao saber que não estava sozinha. “Eu já estava em tratamento, e foi a primeira vez que eu chorei muito; eu aquela angústia. Estava com medo, mesmo”, confessa. Nesse dia seus filhos choraram e disseram que também estavam com medo.

“É bom chorar, o choro alivia. Se tem alguém com câncer, vai lá, abraça forte, chora junto, fala para ele ‘eu também estou sofrendo, mas nós vamos enfrentar isso juntos; tenho certeza de que vamos sair dessa’. Deve-se dar a chance à pessoa de desabafar contigo. Se você fica muito fria, a pessoa não se sente nem com coragem de desabar”, opina.

Quando pôde ser operada, Ronilda ficou 11 horas na sala de cirurgia. A reconstrução foi feita utilizando músculo das costas e prótese de silicone. Ela diz que a necessidade de adiar em mais de um mês a mastectomia foi positiva. “A grande vantagem foi ter esperado, porque eu tive tempo de pensar em tudo, sem ter que fazer às pressas. Fui elaborando, sem ir naquele pavor para a cirurgia”, ressalta.

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Intervenção alimentar durante tratamento do câncer de mama pode diminuir o retorno da doença

16/10/2012 08:06

A mestranda Cecília Cesa, integrante do Grupo de Estudos em Nutrição e Estresse Oxidativo (GENEO) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sugeriu uma alimentação saudável para mulheres com câncer de mama e concluiu que a mudança de hábito alimentar durante o tratamento manteve o peso corporal e contribuiu para manter as defesas antioxidantes do organismo através dos alimentos. Conforme orientação do documento “Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção de Câncer: uma perspectiva global”, ao longo de um ano, as pacientes foram estimuladas a consumir no mínimo 400 gramas por dia de frutas, legumes e verduras e reduzir o consumo de carnes vermelhas ou processadas para no máximo 500 gramas por semana. Pesquisas apontam que mulheres em tratamento para o câncer de mama alteram seu consumo alimentar e estão suscetíveis a ganho de peso e aumento de oxidantes no organismo, fatores que, em excesso, podem contribuir para o retorno da doença.

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Tags: câncer de mamaCecília Cesaintervenção nutricionalPatricia Faria Di PietroPPGN

Boa nutrição melhora qualidade de vida durante tratamento para câncer de mama

28/06/2012 16:00

Orientações nutricionais ajudaram pacientes com câncer de mama a não ganhar peso durante o tratamento. Adicionalmente, elas conseguiram reduzir em 60% o consumo de carnes vermelhas ou processadas e aumentar em 50% a ingestão de frutas, legumes e verduras em relação ao grupo que não recebeu o acompanhamento de uma equipe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Esses e outros resultados foram detalhados hoje (28 de junho) durante o Seminário de Avaliação do Programa de Pesquisa para o SUS, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC). Novos estudos serão divulgados no evento, que prossegue até sexta-feira (29), no auditório do , no ParqTec Alfa que fica na Rodovia SC 401, em Florianópolis). Há estudos sobre diabetes, obesidade, pressão alta, transfusão de sangue, saúde mental, problemas do coração e de audição. Cada um será abordado em meia hora, entre as 9 e 19hs, com intervalo entre 12h e 13h30. O evento é aberto ao público.

A pesquisa sobre câncer de mama foi feita pela mestranda Cecília Cesa, com o Grupo de Estudos em Nutrição e Estresse Oxidativo e sob orientação da Professora Patricia Faria Di Pietro do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC. Ao longo de um ano foram acompanhadas 18 mulheres com câncer de mama, objetivando melhorar seu consumo alimentar e avaliar o reflexo desse acompanhamento no peso e nas defesas do organismo. Segundo as pesquisadoras, mulheres em tratamento para o câncer de mama estão suscetíveis a ganhar uns quilinhos e aumentar seu nível de oxidantes, fatores que podem contribuir para o retorno da doença.

Para evitar o risco, cada paciente recebeu mensalmente um boletim ilustrado com dicas sobre alimentação, atividade física, efeitos do tratamento, entre outros. Além disso, a cada 15 dias os pesquisadores ligavam para as pacientes, orientando-as a consumir uma quantidade mínima de 400 g/dia de frutas, legumes e verduras, e a reduzir o consumo de carnes vermelhas (bovina, suína, ovina e caprina) ou processadas (preservada pela defumação, cura/salga ou com adição de conservantes químicos). Um máximo de 500 g semanais era a orientação do grupo, que também deu uma aula de culinária e 2 palestras às pacientes. Essa intervenção nutricional educativa estimulou bons hábitos alimentares, a manutenção do peso corporal e o aumento de defesas nas pacientes, buscando dar maior sobrevida e qualidade de vida às mulheres.

O câncer de mama é classificado como a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres no mundo e também no Brasil, onde é o câncer mais incidente na população feminina, com exceção do câncer de pele não melanoma. Apesar de ser considerado um câncer de relativo bom prognóstico, as taxas de mortalidade continuam elevadas no Brasil. Apenas 60% sobrevivem à doença em países em desenvolvimento.

Detalhes com Cecília Cesa <>, nutricionista Clínica e mestranda do GENEO – Grupo de Estudos em Nutrição e Estresse Oxidativo – www.geneoufsc.wordpress.com – Informações: (48) 9154-3951

Para saber mais sobre o Seminário de Avaliação do Programa de Pesquisa para o SUS, fale com Fernanda Beduschi Antoniolli pelo fone (48) 3215-1218, e-mail .

Veja a relação completa dos projetos aprovados:

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Fonte: Fapesc

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Pesquisa revela que o tempo entre diagnóstico e terapêutica do câncer de mama pode levar de 2 meses a 4 anos

27/10/2011 18:07

O movimento mundial conhecido como Outubro Rosa é dedicado a chamar a atenção para a doença que mata milhares de mulheres por ano: o câncer de mama. Criado nos Estados Unidos em 1997, o evento tem como objetivo estimular a participação das pessoas e de entidades na luta contra esse tipo de câncer.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que em Santa Catarina o número é de 49,58 casos a cada 100 mil mulheres. Nas regiões Sul e Sudeste estão registrados os maiores números, chegando a 88,30 no Rio de Janeiro. É também a primeira causa de morte por câncer na população feminina brasileira, na qual cerca de 30 mulheres falecem por dia. O câncer de mama é o câncer mais incidente em mulheres, só neste ano, foram estimados pelo Inca 49.400 novos casos no Brasil. Em 2008 mais de 1,3 milhões de mulheres receberam o diagnóstico de câncer de mama no mundo, conforme publicou a International Agency for Research on Cancer (IARC) no ano de 2010.

A enfermeira Luciana Martins da Rosa, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), defendeu sua tese de doutorado em maio deste ano, orientada pela Professora Vera Radünz, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, com o título “A mulher com câncer de mama do sintoma ao tratamento: implicações para o cuidado de enfermagem”.

Em sua pesquisa, Luciana constatou que a faixa etária dos 40 aos 49 anos foi a mais incidente, diferindo da média nacional e mundial que é acima de 50 anos. Também foram mais incidentes as mulheres com escolaridade até o nível fundamental, profissões relacionadas à atividade doméstica e o estádio II e III da doença (os estádios da doença oscilam entre I até IV).

O tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento em estudos realizados em países desenvolvidos é de aproximadamente 30 dias. No levantamento realizado numa instituição que presta atendimento público em saúde, especializada no tratamento oncológico de Santa Catarina, a enfermeira observou que esse intervalo oscila de 31 a 233 dias e o intervalo do sintoma ao tratamento oscila de 75 a 1.561 dias, com mediana de 245 dias. O diagnóstico realizado precocemente pelo exame de imagem possibilita a cura e aumenta as taxas de sobrevida. No referido estudo, todas as mulheres detectaram a própria doença através do auto-exame. O diagnóstico por imagem apenas confirmou o que as mulheres já desconfiavam.

Estudos que investigam a sobrevida das mulheres com câncer de mama mostram que tempos superiores a três meses são indicativos de redução das taxas de sobrevida. Das treze mulheres encontradas no período do estudo (de agosto a dezembro de 2010), atendidas exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e entrevistadas pela pesquisadora, apenas duas iniciaram o tratamento no período inferior a este intervalo. Nesse estudo, a investigação também incluiu a busca em todos os prontuários referentes às mulheres que iniciaram o tratamento da doença no ano de 2009. No entanto, o intervalo de tempo do sintoma ao exame de imagem não foi possível ser investigado, pois não foram encontrados registros profissionais referentes a esta etapa, o que impediu a aplicação de testes estatísticos de inferência.

O intervalo da cirurgia ao tratamento adjuvante (tratamento complementar) oscilou de 21 a 136 dias, alguns estudos indicam que este tempo deva ser até 45 dias, outros até 82 dias. Neste estudo apenas 12,5% das mulheres iniciaram a adjuvância em até 45 dias e 62,5% em até 82 dias.

Algumas das pacientes investigadas (45%) tiveram tantas dificuldades para marcar exames e cirurgia pelo SUS que decidiram realizar estas etapas via recursos particulares, mesmo sendo de classe socioeconômica mais carente. “Muitas delas tinham dificuldades financeiras e criaram alternativas para agilizar os procedimentos e aumentar a chance de viver, pediram dinheiro emprestado, as famílias cotizaram as despesas, pediram adiantamento das férias aos patrões”, conta Luciana. Muitas vezes a demora acontece também por falta de informação dos pacientes e de seus familiares, por não terem conhecimento da urgência do diagnóstico do câncer.

Outro aspecto analisado foi a forma como o câncer afeta psicologicamente as mulheres. A demora no período diagnóstico-terapêutica faz com que elas sofram pela ansiedade sentida pela demora da iniciar o tratamento, pelo medo da doença avançar e pela retirada da mama antes mesmo de fazer a cirurgia. Algumas mulheres revelam que passam a não se olhar mais no espelho, após a operação. Para a maioria delas, não há perspectiva para a reconstrução da mama pelo SUS.

Além disso, ainda existe o enfrentamento das conseqüências do esvaziamento axilar, realizado no tratamento cirúrgico de todas as mulheres investigadas. Isso dificulta as tarefas diárias e diminui a produtividade dessas mulheres, muitas se aposentam. Dessa forma, o diagnóstico precoce é a melhor saída para uma maior chance de sobrevida e um tratamento mais simples e menos invasivo, sem que necessite passar pela cirurgia mutiladora, e também a melhor maneira de reduzir os custos diretos e indiretos que o país aplica para cuidar das mulheres com câncer de mama.

O movimento Outubro Rosa é assim chamado por causa da cor do laço que simboliza a luta contra o câncer de mama. A marca principal é a iluminação de monumentos históricos e prédios da cidade com a cor rosa. Em Florianópolis, o movimento é promovido pela Associação Brasileira de Portadores de Câncer (Amucc) e a programação inclui diversas atividades relativas à conscientização, prevenção, diagnóstico precoce e importância da mamografia. Neste sábado, dia 29, será realizada a Caminhada Rosa, no Centro da capital, pelas ruas Tenente Silveira, Felipe Schmidt e Conselheiro Mafra até o Mercado Público Municipal.  A concentração será às 10h, em frente à Catedral Metropolitana e a caminhada inicia às 11h.

Mais informações com a enfermeira Luciana Martins da Rosa pelo e-mail ou com a Amucc pelo endereço www.amucc.com.br e pelo telefone (48) 3025-7185

Por Carolina Lisboa/ Bolsista de Jornalismo na Agecom

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