Pesquisa desenvolvida na UFSC é premiada pela Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento

Dalner Barbi desenvolveu a pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Foto: arquivo pessoal
A tese Modelo de Processo de Aprendizagem (mpA): cartografia operatória do aprender no acoplamento estrutural, defendida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Gestão e Mídias do Conhecimento (PPGEGC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pelo pesquisador Dalner Barbi, sob orientação de Araci Hack Catapan, conquistou o segundo lugar na categoria Tese e recebeu Menção Honrosa do Prêmio da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC) de Teses e Dissertações 2026. O anúncio foi feito durante o 21º KM Brasil – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento, realizado de 2 a 4 de setembro, na Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo (SP). O comitê julgador do prêmio avaliou o trabalho como de “alta qualidade teórica e metodológica” e destacou sua originalidade.
Durante seu doutorado, Dalner investigou como podemos compreender e acompanhar o processo pelo qual uma pessoa ou um grupo aprende. A pesquisa parte das ideias dos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela, especialmente da chamada Biologia do Conhecer, segundo a qual conhecer não significa apenas acumular informações, mas transformar nossa maneira de agir e de nos relacionar com o ambiente e com outras pessoas.
A partir dessa perspectiva, o pesquisador desenvolveu o Modelo de Processo de Aprendizagem (mpA), uma forma de representar o aprender como um processo que pode ser observado e analisado. O modelo organiza a aprendizagem em quatro fases, que vão desde a organização inicial das ideias até um estágio em que o conhecimento passa a fazer parte efetiva da maneira de compreender e agir diante de uma situação. Para acompanhar esse percurso, o estudo também trabalha com três dimensões do conhecimento: proposicional, representacional e operacional. “De maneira simplificada, elas correspondem ao que conseguimos formular como ideia, ao que conseguimos representar ou organizar mentalmente e ao que conseguimos realizar efetivamente na prática. A aprendizagem ocorre quando essas dimensões começam a se articular de forma cada vez mais coerente”, explica Dalner.
O modelo foi testado empiricamente com 17 grupos, utilizando um conjunto de instrumentos denominado K-PRO, desenvolvido para observar como as ideias dos participantes se organizavam e se transformavam durante atividades de resolução de problemas. Os resultados permitiram acompanhar mudanças ao longo do processo, em vez de avaliar apenas se os participantes chegaram ou não a uma resposta final. “A principal contribuição da tese está, portanto, em transformar conceitos teóricos bastante abstratos sobre conhecimento e aprendizagem em um modelo que pode ser aplicado para observar, analisar e compreender como o aprender acontece ao longo do tempo. Essa abordagem pode contribuir para pesquisas e aplicações nas áreas de educação, gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional e desenvolvimento de metodologias e tecnologias voltadas à aprendizagem”, afirma o pesquisador.



































































