Pesquisa da UFSC avalia e acompanha desempenho de integrante da seleção brasileira de atletismo
“Vai, Gui! Bora, Gui!”, incentivam os pesquisadores do Laboratório de Esforço Físico (LAEF), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na esteira, Guilherme Kurtz, atleta da seleção brasileira de atletismo, corre a 26 km/h, enquanto a equipe acompanha atentamente os detalhes do esforço e realiza uma avaliação cardiorrespiratória e metabólica. A análise busca diagnosticar o nível de desempenho, auxiliar na periodização do treinamento e acompanhar a evolução do atleta.
Os resultados ajudam a responder perguntas importantes para o treinamento, como conta o doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Física Lucas Dalla Vecchia Lanzarini: para o atleta continuar evoluindo, é fundamental entender qual a intensidade adequada para cada treino e em que momento o organismo passa a trabalhar em níveis mais elevados. Em relação ao teste realizado em 2024, o pesquisador relata que Guilherme apresentou uma boa evolução. Os resultados apontaram uma melhoria de 6,3% na velocidade do primeiro limiar de lactato e de 11,1% na velocidade do segundo limiar, além de um avanço de 2,2% na velocidade aeróbia máxima. Além disso, em comparação a 2024, o atleta consumiu 10% a menos de oxigênio para as velocidades avaliadas, indicando uma maior eficiência energética.
As comparações entre as avaliações realizadas em diferentes momentos permitem identificar mudanças no desempenho e nas respostas fisiológicas, de acordo com o pesquisador. Uma melhora pode indicar efeitos positivos do treinamento, enquanto resultados estáveis ou diferentes do esperado podem orientar novos ajustes.
Para quem já está próximo dos limites de sua capacidade fisiológica, manter um desempenho elevado também pode representar um resultado importante. Guilherme representa o Brasil em competições internacionais. É campeão sul-americano, tricampeão do Troféu Brasil nos 1.500 metros e líder do ranking brasileiro da prova. No mês de setembro, Guilherme Kurtz representará o Brasil no campeonato mundial de corrida de rua, em Copenhague na Dinamarca.
Como funciona o teste
Após a preparação e o aquecimento, Guilherme inicia com 14 km/h na esteira e é equipado com uma máscara utilizada para medir o consumo de oxigênio. A cada cada 3 minutos, a velocidade é aumentada em 1 km/h, até a exaustão voluntária do atleta. A velocidade máxima alcançada por Guilherme chegou a 26 km/h. O dado, porém, é apenas uma parte da avaliação, que também considera as respostas metabólicas e cardiorrespiratórias. A cada três minutos, Guilherme pausa a corrida para uma coleta de sangue no lóbulo da orelha, para mensuração do lactato sanguíneo. A mestranda do Programa de Pós graduação em Educação Física e pesquisadora do LAEF, Isadora Dalla Lana, explica que a coleta na orelha é uma forma que a equipe utiliza para conseguir essa amostra durante o exercício. É rápida e a quantidade de sangue é muito pequena. A amostra é colocada em um tubo com fluoreto de sódio e, em seguida, levada a um analisador bioquímico que fornece os valores durante o próprio teste. “Essa resposta rápida do lactato sanguíneo é importante porque conseguimos saber o que está acontecendo em determinada intensidade de exercício e relacionar isso com as outras informações que estão sendo coletadas.”
O objetivo é analisar como o organismo responde ao teste e com isso produzir informações que possam contribuir para melhorar ou preservar o desempenho do atleta. Enquanto Guilherme corre, os pesquisadores acompanham os equipamentos, registram os dados e realizam as coletas previstas. “A gente consegue acompanhar a resposta dele em tempo real. Isso permite entender o que está acontecendo em cada intensidade”, conclui a pesquisadora. O teste integra um projeto de pesquisa do Laboratório de Esforço Físico, coordenado pelos professores Ricardo Dantas De Lucas e Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo.
Os dados podem indicar necessidades específicas, como desenvolver resistência ou velocidade, além de auxiliar no controle das cargas de treinamento. Os dados não dizem sozinhos o que o atleta precisa fazer. Eles são uma ferramenta para ajudar o treinador a tomar uma decisão. Por isso, os resultados precisam ser analisados considerando a modalidade, a fase da preparação, o histórico e os objetivos de cada atleta.
Para Guilherme, o esforço realizado na esteira faz parte de uma preparação que vai além dos números registrados pelos equipamentos. Cada avaliação fornece informações que podem ajudar a orientar os próximos passos do treinamento. “O teste me ajuda a melhorar nos treinos e assim também melhorar os meus resultados”, comenta o atleta, sobre a importância da parceria entre universidade e esporte.
Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC
Rosângela Matos | agecom@contato.ufsc.br
Estagiária da Agecom | UFSC





























