Santa Catarina abriga espécie de árvore considerada “super rara” ainda pouco conhecida pela ciência

22/11/2022 11:21

Ecólogos da UFSC dizem que o Crinodendron brasiliense é uma espécie em perigo de extinção

 

Para ler a reportagem especial em formato multimídia, clique aqui

O fruto do Crinodendron brasiliense se parece com um pequeno abajur. Foto: Rafael Barbizan e Sophia Kusterko

 

Crinodendron brasiliense ou cinzeiro-pataguá é uma árvore considerada “super rara”, encontrada durante um estudo de campo numa pequena área localizada nas regiões montanhosas do Planalto Serrano Catarinense. “Estávamos fazendo a medição de árvores de um projeto de monitoramento no Parque Nacional de São Joaquim, onde acabamos encontrando 59 indivíduos da espécie, o que despertou a nossa atenção para investigá-la”, diz o ecólogo Eduardo Luís Hettwer Giehl.

Com esse objetivo em mente, Eduardo Giehl e Rafael Barbizan – pesquisadores no Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, lideram um estudo inédito, cuja proposta de pesquisa envolve o monitoramento do cinzeiro-pataguá com o objetivo de realizar um levantamento mais abrangente dessa espécie de árvore ameaçada de extinção e restrita à região. 

A extinção de populações e espécies é algo que afeta o ecossistema e a biodiversidade. Para o professor Eduardo e a equipe de pesquisadores, a dor da perda de uma única espécie é imensa, maior ainda quando pouco se sabe sobre ela. “Para nós é um abalo muito grande perder uma espécie, queremos preservar todas e o cinzeiro-pataguá está numa situação bem delicada”, explica o ecólogo.
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Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior produzem vídeo sobre o Dia da Consciência Negra

21/11/2022 11:08

“Reconhecer e reparar” é tema de campanha produzida pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes) em alusão ao Dia da Consciência Negra. Foto: Reprodução/ Youtube UTFPR

Neste domingo, 20 de novembro, foi ao ar nos canais oficiais das universidades que integram a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), um vídeo produzido pela instituição, em alusão ao Dia da Consciência Negra. A ação foi pensada para dar voz aos gestores negros das universidades brasileiras e contou com a participação de 25 reitores, vice-reitores e pró-reitores de instituições de todo o país. 

No vídeo, os gestores falaram sobre o significado do Dia da Consciência Negra, comentaram de que forma suas vidas foram impactadas por ser uma pessoa negra e evidenciaram por quais ideais lutam na condição de dirigentes de uma instituição pública. Norteados pelo mote “Reconhecer e Reparar”, ao final de cada fala, todos propõem a seguinte reflexão: “O mundo está enegrecendo, e você?”.

A vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Joana Célia dos Passos, colaborou com a iniciativa. Em seu discurso, destacou que o Dia da Consciência Negra é uma data para lembrar do legado da luta de Zumbi dos Palmares, em que negros e também brancos devem se engajar na luta antirracista. Joana ainda lembrou que a luta contra o racismo é diária e deve ser de todos.

“Sou mulher, professora, negra. Estou num lugar que pela primeira vez é ocupado por uma mulher negra. Ao longo de minha carreira encontrei muitos obstáculos colocados por uma sociedade que não me queria aqui. Mas eu cheguei até aqui e chegarei ainda mais longe. Esse discurso é para mim, é para outras mulheres negras, é para as crianças negras saberem que podem chegar onde quiserem”, afirmou.

Ao fim de sua contribuição, a gestora relembrou que leva consigo para a gestão da UFSC uma luta contra as desigualdades. E finalizou: “Queremos uma universidade plural, vibrante e engajada em promover a equidade. Isso vale para a UFSC e para todas as instituições brasileiras”

Assista o vídeo produzido pela Andifes aqui; 

O material com a mensagem da vice-reitora na íntegra pode ser conferido no canal do youtube da Universidade.

 

Robson Ribeiro/Estagiário da Secretaria de Comunicação/UFSC

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UFSC lança campanha antirracista e antinazista e orienta comunidade a denunciar violências

18/11/2022 12:34

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) segue promovendo ampla visibilidade às ações de combate ao racismo e ao nazismo na instituição. Ao passo que promove o debate acadêmico, a UFSC se posiciona claramente antirracista e antinazista e estimula a participação de toda a comunidade universitária. 

Uma manifestação do Conselho Universitário (CUn) sobre o enfrentamento ao nazismo será debatida na próxima terça-feira, 22 de novembro, em uma sessão extraordinária aberta ao público, às 14h, no Auditório da Reitoria. A sessão terá transmissão ao vivo pelo canal do CUn no YouTube

“Denunciem, aprendam a denunciar. Não pode ser perigoso para o denunciante. Tem que ter perigo para quem faz as agressões”, disse a vice-reitora da UFSC, Joana Célia dos Passos. “Não é possível mais que a gente busque terceirizar as violências da Universidade. O combate a elas é responsabilidade de cada um de nós. É importante que a gente tenha protocolos de denúncia e isso está sendo consolidado. Nós queremos que todos e todas aqui, além de se posicionar contra as violências, denunciem.”
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Pesquisador defende pedagogia antifascista para combater nazismo e ascensão da extrema direita

18/11/2022 11:01

Plateia lotou auditório da Reitoria (Foto: Divulgação)

Pensar numa pedagogia antifascista é uma das chaves fundamentais para combater o nazismo e a ascensão da extrema-direita. Ao falar para um auditório cheio em meio à programação do Novembro Negro na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Michel Gherman, historiador e referência em estudos judaicos, sensibilizou a plateia para a importância de se discutir processos históricos para compreender um fenômeno que precisa ser combatido e derrotado. Gherman é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O evento foi oferecido pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e planejado em meio a denúncias de manifestações nazistas na UFSC, que estão sendo investigadas e mobilizam a comunidade universitária para responder de maneira firme a atos criminosos. As professoras Leslie Chaves, pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, e Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão, diretora de Ações Afirmativas e Equidade, conduziram os debates.
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Novo episódio do podcast UFSC Ciência discute futebol, política e poder

17/11/2022 15:15

A Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC) publicou nesta quinta-feira, 17 de novembro, um novo episódio do podcast UFSC Ciência, com o tema Futebol, política e poder. 

O podcast mostra que, diferente do que muita gente diz por aí, futebol e política se misturam, sim. E não é de hoje. Os megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, têm sido palco de demonstrações de poder e vêm sendo utilizados como instrumento de política interna e externa por governos de todo o mundo. 

Além de apresentar exemplos históricos e atuais de usos políticos dos megaeventos, o episódio discute o que está por trás dos enormes investimentos que o Catar vem fazendo no futebol, as relações da modalidade com as ditaduras militares na América Latina e movimentos de resistência surgidos do esporte, como a Democracia Corinthiana. Aborda, ainda, projetos que buscam mostrar que um outro mundo esportivo é possível. 

Os entrevistados desta edição são os professores Paulo Capela, do Centro de Desportos, e Juliano Pizarro, doutor pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC.

Ouça o UFSC Ciência no site, pelo Spotify, pelo Apple Podcasts ou outras plataformas.

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Teletrabalho inicia pilotos em novembro na UFSC

17/11/2022 15:14

Reitoria da UFSC. Foto: Henrique Almeida/Agecom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) iniciará projetos-piloto para teletrabalho no mês de novembro de 2022. O objetivo dos pilotos é avaliar a proposta de Resolução Normativa elaborada pela Comissão responsável pelo estudo e proposição de política para esta modalidade de trabalho.

Instituída em agosto deste ano, a comissão elaborou a primeira proposição de resolução no início do mês de novembro, após uma audiência pública. Antes de encaminhar a proposta às instâncias deliberativas, no entanto, a comissão optou por realizar experiências práticas para analisar a minuta que normatiza o teletrabalho na universidade.

Proposta própria será testada em Pró-reitoria e Centro de Ensino

A proposta de teletrabalho que está em fase de testes, antes da implementação, possui uma normatização própria, em respeito à legislação vigente e aos regramentos internos. Para isso, a proposta foi construída em consulta permanente à Procuradoria Federal junto à UFSC e se pautou na manutenção da jornada de trabalho regular dos participantes que tiverem interesse em aderir à modalidade.
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UFSC entrega prêmio a cientistas negras nesta segunda, 21 de novembro

16/11/2022 14:28

A Universidade Federal de Santa Catarina entrega nesta segunda-feira, 21 de novembro, o Prêmio Propesq – Mulheres na Ciência – Especial Cientistas Negras para cinco pesquisadoras de diferentes áreas do conhecimento que se destacam pela sua trajetória na instituição. O prêmio, iniciativa da  Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq), também marca um mês de programação intensa do Novembro Negro, cujas atividades começaram no dia 1 de novembro e seguem até o dia 30. A cerimônia ocorre às 16h, na Sala dos Conselhos da Reitoria.

O resultado do edital foi divulgado no início do mês, destacando que as premiadas  “promoveram excelentes contribuições para a ciência ao longo de suas trajetórias”. Apesar disso, o número de inscritas foi inferior ao das categorias disponíveis, indicativo da “pequena presença de mulheres negras no corpo docente da UFSC”, conforme sintetiza o documento. Com o objetivo de valorizar os trabalhos de todas as pesquisadoras e pensando em
uma politica de inclusão, a Propesq decidiu premiar todas as inscritas.
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Ônibus da vacinação está na UFSC até sexta-feira, dia 18 de novembro

16/11/2022 09:51

Ônibus está estacionado em frente à Reitoria. (Foto: Mayra Cajueiro Warren/Agecom/UFSC)

O ônibus da vacinação da Prefeitura Municipal de Florianópolis está no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no bairro Trindade, desta quarta, dia 16, até sexta-feira, dia 18 de novembro, das 10h às 17h, em frente à Reitoria. Qualquer pessoa pode se vacinar, e serão ofertadas todas as vacinas do calendário nacional, incluindo as vacinas contra gripe e covid-19.

A vinda do ônibus atende a pedido do Departamento de Atenção à Saúde (DAS) da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp). O Departamento reforça que servidores e alunos devem inserir os comprovantes de vacinação no site pessoa.sistemas.ufsc.br/vacina, conforme as Portarias Normativas n° 422/2022/GR, n° 429/2022/GR e a Resolução Normativa n° 01/2022/CPG/UFSC, que tornam obrigatória a comprovação de ciclo vacinal completo contra a covid-19.
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Prazo para inscrição no edital de transferências e retornos da UFSC termina dia 17

16/11/2022 09:33

Termina nesta quinta-feira, 17 de novembro, o prazo para inscrição no processo seletivo de transferências e retornos para admissão na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). No total, são oferecidas 6.172 vagas em 107 cursos de graduação dos cinco campi da UFSC – Araranguá, Blumenau, Curitibanos, Florianópolis e Joinville –, para ingresso no primeiro semestre letivo de 2023, com início em 6 de março.

De acordo com o editalpublicado pelo Departamento de Administração Escolar (DAE), são 2.128 vagas para transferência externa (de outras instituições de ensino superior, públicas ou privadas); 2.203 vagas para transferência interna e retorno de aluno abandono da UFSC e 1.841 para retorno de graduado, para formados na UFSC ou em outras instituições.

Neste ano, o edital também tem oferta de vagas para cursos na modalidade de Educação a Distância (EaD) em Língua Brasileira de Sinais (Libras) – bacharelado e licenciatura -, vinculados aos polos presenciais de Florianópolis, Santo André (SP), Macapá (AP) e Marabá (PA).

As inscrições são realizadas diretamente junto às coordenadorias dos cursos, com o envio por e-mail do formulário de inscrição preenchido e dos documentos exigidos. Os critérios de seleção são definidos pelas coordenadorias de cada curso, conforme o edital.

O resultado será publicado no dia 15 de dezembro na página principal do DAE . Os candidatos selecionados deverão efetivar a matrícula online, sob a orientação das coordenadorias de curso, no período de 22 a 26 de dezembro de 2022.

Mais informações estão disponíveis no edital do processo seletivo e na página do DAE.

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Projeto Cinema Afro-Brasileiro faz mostra de documentários no mês da Consciência Negra

16/11/2022 09:18

A Biblioteca Universitária (BU) promove, nesta sexta-feira, dia 18 de novembro, às 19h, no Auditório Helke Hering da Biblioteca Central, uma exibição de documentários, no âmbito do projeto Cinema Afro-Brasileiro. Serão exibidos três documentários e após a exibição, autores e pesquisadores debatem as temáticas apresentadas nos documentários. O evento é promovido pelo projeto de extensão Novembro da Consciência Negra na Biblioteca Universitária: espaço de diálogo e pertencimento.

Os documentários exibidos serão:

“Antonieta” (2016) – ​O documentário aborda Antonieta de Barros (1901-1952), mulher, negra, professora, cronista e feminista que, em 1935, se tornou a primeira negra a assumir um mandato popular no país.​ Dirigido por Flavia Person. Confira o trailer. Saiba mais.

“’Uma herança, um dom!’, Aspectos da vida e obra do intelectual Ildefonso Juvenal” (2019) – A historiografia catarinense é permeada por uma série de estigmas que impossibilitaram a proliferação das obras dos escritores, artistas, cientistas e intelectuais negros do estado. O documentário apresenta o legado do intelectual Ildefonso Juvenal, sua obra e história de vida pouco conhecida por muitos, resgatada pelo historiador Fabio Garcia em 15 anos de pesquisa. Conta com depoimentos de familiares e pesquisadores da história afro catarinense, levando o espectador a uma viagem à Florianópolis do pós abolição e início do século XX. Dirigido por Renan Ramos Rocha e Fabio Garcia.

“Gustavo de Lacerda” – Produzido por Camila Paschoal, Estephani Zavarise, Marcela Campos e Paula Medeiros, mostra a trajetória do jornalista original de Desterro, atual Florianópolis, que viveu no Rio de Janeiro, onde fundou a Associação Brasileira da Imprensa (ABI), em 1908, e defendeu a melhoria das condições de trabalho de jornalistas e a união da classe. Lacerda morreu em 1909, mas deixou um legado que perdura até hoje.

Os autores e pesquisadores Amanda Santos, Renan Ramos Rocha e Fábio Garcia foram convidados para um debate após a exibição.

 

Mais informações:
Novembro Negro UFSC
Biblioteca Universitária (BU)
Instagram da @cianossoolhar

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Núcleo de Estudos da Terceira Idade comemora 40 anos com programação especial

11/11/2022 15:57

Programação contará com diversas apresentações artísticas de estudantes do Neti. Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC

O Núcleo de Estudos da Terceira Idade (Neti) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) comemora seu aniversário de 40 anos na próxima sexta-feira, 18 de novembro. Para celebrar, direção, servidores e alunos do Neti prepararam uma programação especial. Ao longo de todo o dia, haverá apresentações artísticas, exposições, homenagens a pessoas que fizeram história no Neti, entre outras atividades, incluindo um bolo e parabéns no hall da Reitoria. Durante a tarde, a ação Neti de Portas Abertas será uma oportunidade para todos conhecerem o espaço e os trabalhos realizados ali. 

Confira a programação:

9h às 11h30 – Sessão solene e apresentação – Auditório da Reitoria 1 (UFSC)
9h – Mesa diretiva
9h30 – Coral Vozes da Ilha
9h40 – Professora Lúcia Takase: A história do Neti
10h – Desfile de roupas do Neti
10h10 – Professora Ana Maria Justo: Futuro e homenagens
10h30 – Homenageados
10h45 – Parabéns + bolo no hall da Reitoria

11h30 às 14h – Intervalo para almoço 

14h às 14h30 – Teatro Carmen Fossari (Teatro da UFSC)
14h – Dança Samba Neti
14h10 – Dança Renascer, da professora Elsa Casalett
14h20 – Dança e Movimento, da professora Elsa Casalett
14h24 – Teatro, com a professora Dione + Varal Fotográfico a respeito do teatro
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Impactos das mudanças climáticas são debatidos em mesa de encerramento da Sepex

11/11/2022 12:08

O impacto das mudanças climáticas e a importância da realização de pesquisas sobre a temática na universidade foi o destaque da mesa de encerramento da 19ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC, que tem programação prevista até 18h desta sexta-feira, 11 de novembro. Os professores Marina Hirota, do departamento de Física, Regina Rodrigues, do departamento de Oceanografia, e Lindberg Nascimento Junior, de Geociências, falaram sobre a ocorrência de eventos extremos no mundo e na região e os seus impactos ambientais e sociais. A atividade foi mediada pela professora Suzana de Fátima Alcântara, do departamento de Botânica.

A professora Regina Rodrigues, que participou da conferência do clima da Organização das Nações Unidas na última quarta-feira, explicou de forma didática como o sistema climático está num equilíbrio delicado por conta da alta emissão de gases do efeito estufa e do aumento de 1,1 grau na temperatura da Terra desde o período pré-industrial. Embora pareça um aumento leve, destaca a professora, ele é histórico por ter ocorrido num curto intervalo de tempo, gerando problemas de adaptação das espécies à vida na Terra.

Um dos exemplos trazidos pela professora diz respeito ao embranquecimento dos corais. O aumento na temperatura terrestre aumenta também a taxa de aquecimento e de calor marinhas, além de levar à acidificação do Oceano. Esse processo impacta todo o ecossistema e, no caso dos corais, se agrava por serem estes organismos que servem de habitat a outros. “Nossas pesquisas constatam um aumento generalizado nas ondas de calor no Atlântico, um aumento também na acidificação e um stress na biodiversidade marinha”, explica. A previsão é de que, caso não haja soluções e medidas eficientes para frear o problema, a temperatura se eleve em cinco graus em um curto período de tempo. “É preciso pensar em políticas públicas de emissão líquida zero em 2050”, afirma, ressaltando que os países mais pobres são os que menos causam o aquecimento e mais sofrem com seus impactos.

O professor Lindberg Nascimento também trouxe a justiça climática e a qualidade ambiental como conceitos convergentes aos debates. Ao falar sobre a já conhecida distribuição de chuvas na região sul e fenômenos específicos dos extremos climáticos em Florianópolis, lembrou que é preciso superar os sentidos das alterações como excepcionalidade ou danação e tratá-los como “questão de qualidade ambiental e justiça climática”.

Nascimento apresentou imagens de distribuição de chuvas em um cenário que já é bem demarcado pela ciência há pelo menos 50 anos. “Nossa região é consequência do encontro de uma série de processos atmosféricos, com a umidade tendo uma participação na formação dessas paisagens”. Até mesmo a Amazônia tem impacto no clima que se apresenta localmente. Segundo ele, sabe-se que a maior parte das tempestades de Florianópolis vêm do Oeste, com vento altamente úmido.  Ele também comenta que, apesar da variação na temperatura local ser considerada leve, os impactos nos organismos podem ser decisivos.

Os pontos de não retorno e os distúrbios, impactos e resiliências dos ecossistemas amazônicos foram abordados na fala da professora Marina Hirota, que falou em efeito dominó e efeito cascata que já são sentidos em áreas de floresta e savanas, comprometendo também uma série de espécies vegetais. Ela lembrou o papel central que a Amazônia têm no clima global, ressaltando que os desmatamentos, incêndios e mudanças no uso da terra geram impactos no ciclo hidrológico que agravam os processos.

“Está identificado que o clima tem mudado dentro dos limites da Amazônia, com os extremos de seca e de chuva aumentando. Mas qual o impacto disso?”, questiona. Uma das consequências é, por exemplo, o atraso em pelo menos 15 dias no início da estação chuvosa. “O aumento da intensidade da estação seca produz impactos no funcionamento da vegetação, por exemplo”, alertou.

A Sepex, que começou na segunda-feira, termina no fim da tarde desta sexta-feira. Ao longo dos últimos dias, a comunidade pode participar de minicursos, Feiras de Ciência, palestras e atividades culturais. Foi a primeira vez que o evento ocorreu presencialmente após a pandemia de Covid-19.

Mais informações no site da Sepex.  

 

Fotos: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC

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Feira de Ciências na UFSC tem programação para público infantil

10/11/2022 12:31

Durante os dias 9, 10 e 11 de novembro acontece a Feira de Ciência da 19ª edição da Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da Universidade Federal de Santa Catarina (Sepex/UFSC), que atrai escolas e famílias de toda região da Grande Florianópolis para apreciar os projetos desenvolvidos na instituição. São 55 estandes de exposição distribuídos no Centro de Cultura e Eventos Luiz Carlos Cancellier de Olivo,  no campus da UFSC em Florianópolis, além de rotas temáticas distribuídas nos centros de ensino, apresentações artísticas e minicursos ministrados ao longo da semana. 

Dentre as atividades disponíveis na Feira, as crianças e jovens podem participar de mini coberturas jornalísticas com a equipe do TJ UFSC, conhecer e brincar com diferentes tipos de insetos, controlar robôs, ver vírus e bactérias em um microscópio, descobrir como são feitos os perfumes e essências aromáticas em laboratórios científicos e, até mesmo, fazer carinho nos cachorros que estão participando do evento.

Foto: Matheus Alves

O estande do PET-Pedagogia é um dos mais visitados pelos pequenos, que adoram acompanhar as rodas de contação de história que acontecem com frequência. A proposta trazida no estande é popularizar a literatura afro-brasileira e apresentar às crianças histórias infantis com protagonismo negro, a fim de combater o racismo estrutural e institucional na educação.

Sônia Vinhote, expositora graduanda do curso de Pedagogia da UFSC comenta que a atividade está sendo feita com o objetivo de “diminuir a ação do racismo, que tem prevalecido na sociedade, por meio do trabalho com as literaturas de autores negros.” Sônia ainda ressalta a importância do incentivo à leitura durante a infância para o desenvolvimento intelectual e crítico. 

Ao total, é estimado público de duas mil pessoas por dia durante a feira temática, que ocorre até esta sexta-feira, 11 de novembro. O evento é gratuito e oferece programação para todas as idades e preferências.

Mais informações no site da Sepex.  

 

Matheus Alves/ Estagiário Agecom 

 

 

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Abertura da 19ª edição da Sepex destaca programação variada e ações de pesquisa, extensão e inovação

10/11/2022 09:49

Legenda: Vice-reitora Joana Célia dos Passos discursando durante a cerimônia de abertura da SEPEX 2022 Foto: Matheus Alves

Nesta quarta-feira, 9 novembro, teve início a Feira de Ciências da 19ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da Universidade Federal de Santa Catarina (Sepex/UFSC), que acontece após dois anos sendo realizada a distância em decorrência da pandemia de covid-19. A programação ocorre em diferentes espaços da UFSC, nas modalidades presencial e virtual. Tradicionalmente, a Sepex segue a temática da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que neste ano tem como tema Bicentenário da independência: 200 anos de ciência, tecnologia e inovação no Brasil.

“É um evento que renova a nossa autoestima e a estima da comunidade dentro da Universidade”, comenta o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Jacques Mick, que iniciou sua fala, na cerimônia de abertura, pedindo a todos os presentes no Auditório da Reitoria um minuto de silêncio em pesar pelas mais de 600 mil vítimas da covid-19, repúdio às ameaças frequentes à democracia e a ataques sofridos pela comunidade universitária na mídia.

Jacques também aproveitou a ocasião para parabenizar a coordenadora da comissão de organização, Camila Pagani, pela realização do evento em tempo recorde — menos de 60 dias — e pela distribuição dos projetos que totalizam 55 estandes de exposição montados no segundo andar do Centro de Cultura e Eventos, assim como minicursos ministrados ao longo da semana e rotas temáticas nos centros de ensino. 
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UFSC sediará fórum global sobre riscos de desastres

10/11/2022 08:46

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediará parte da programação do Understanding Risk Global Forum (UR22), evento que reúne uma comunidade internacional de especialistas e profissionais da área de identificação de riscos de desastres, especificamente na avaliação e comunicação de riscos. Com patrocínio de instituições como Google e Nasa, a iniciativa ocorrerá entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro, de forma híbrida, com as atividades presenciais em Florianópolis.

Esta é primeira vez que o Brasil receberá o Fórum Global, voltado a acadêmicos, políticos, representantes do setor privado e de organizações comunitárias. Durante cinco dias, a conferência apresentará os mais recentes conhecimentos e inovações na área de gestão de risco de desastres, abrangendo tópicos que vão desde sistemas de alerta precoce até resiliência urbana, comunicação e financiamento do risco. Realizada em 2020, a última edição registrou cerca de 2,6 mil participantes de 179 países e, ao longo de três dias, contabilizou 138 horas de conteúdo, distribuídas em 120 sessões com 534 palestrantes.

> Faça sua inscrição no site do evento

O evento será organizado pela Prefeitura de Florianópolis, Banco Mundial e Mecanismo Global para Redução e Recuperação de Desastres (GFDRR), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec). Entre os expositores do evento em Santa Catarina estão Google, Nasa, TikTok, Canada, Image Cat., Anticipation Hub, Programa de Resiliência de Cidades, Parceria Digital Earth, entre outros. Representantes da Google e da Nasa também participarão de sessões com a apresentação de temas técnicos com foco em gestão de risco.

A programação

A cerimônia de abertura do Understanding Risk Global Forum ocorrerá no dia 28 de novembro, na Fortaleza de São José da Ponta Grossa, mantida pela UFSC e localizada no Norte da Ilha de Santa Catarina. A conferência principal será promovida entre nos dias 29 e 30 de novembro no P12 Parador Internacional, em Jurerê Internacional. Já as atividades do Focus Day serão realizadas no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancelier de Olivo, na UFSC, no campus Trindade.

Os eventos do Focus Day incluem workshops focados em desafios, hackathons, sandboxes, treinamento, lançamentos de livros, relatórios e iniciativas, demonstrações de inovação, reuniões e seminários. O idioma oficial dos Fóruns de Understanding Risk é o inglês; porém, pode haver algumas sessões em outros idiomas, principalmente o português, conforme descrição no site do evento.

O campo temático a ser debatido na conferência compreende: resiliência urbana e costeira; alerta precoce e ação antecipada; Analytics e gestão de riscos; proteção social adaptativa; infraestrutura resiliente; recuperação resiliente; comunicação de risco; riscos hidrometeorológicos; tecnologia disruptiva; soluções baseadas na natureza; gestão de riscos de desastres de saúde pública; e gestão de riscos inclusiva.

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Na COP-27, pesquisadora da UFSC fala sobre lacunas nas informações climáticas para tomada de decisões

09/11/2022 07:00

A incerteza nos dados científicos, a ausência deles em parte do Sul Global e a necessidade imediata de se tomar decisões que não estejam concentradas em um modelo “de cima para baixo” foram alguns dos temas da fala da professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Regina Rodrigues, na sessão da Organização Mundial de Meteorologia (WMO) na conferência do clima da Organização das Nações Unidas, a COP 27. O evento ocorre no Egito e reúne os principais pesquisadores, líderes e ativistas mundiais em discussões sobre clima e sustentabilidade. A participação ocorreu remotamente na madrugada desta quarta-feira, 9 de novembro, e reuniu o que a WMO chamou de “uma delegação de alto nível”.

Regina Rodrigues foi a única pesquisadora brasileira no painel, que contou com debates sobre como trazer a sociedade para a ciência; observação e modelos climáticos; avaliações de risco e ações de adaptação e temperaturas médias e calor extremo. Além disso, a sessão ainda trouxe discussões sobre os limites do sistema terrestre seguros e justos para o planeta; avanços no desenvolvimento de informações do clima físico para a tomada de decisões e sobre mudanças passadas e projetadas no clima e extremos climáticos.

Evento reúne pesquisadores, ativistas e lideranças do mundo todo

A professora da UFSC falou sobre a lacuna entre a produção e o uso de informações climáticas, em palestra intitulada Inverting the construction on climate information for local-to-regional climate risk. Ela lembrou que, ao longo de décadas, há uma convocação para o uso de informações climáticas, mas que existe um gap entre a produção e uso. “A lacuna resulta em parte no foco em melhores dados, ao invés de em melhores tomadas de decisões”, pontuou.

Ela também destacou a existência de uma abordagem “de cima para baixo” que pode comprometer a efetiva tomada de decisões. “Essa abordagem adota medidas de qualidade científica inevitavelmente conduzidas pelos próprios cientistas climáticos. Viola, assim, os princípios fundamentais da coprodução, que tem um rico legado nos estudos de sustentabilidade”, disse. Segundo ela, para ser útil, a ciência da mudança climática precisa romper com o paradigma tradicional e criar uma comunidade de usuários.

O desafio seria lidar com essa complexidade, mantendo a simplicidade e o esforço de empoderar as comunidades locais para conhecerem sua situação com dados concretos e transparência. No artigo Small is beautiful: climate-change science as if people mattered, recentemente publicado e citado por ela na apresentação, a professora aponta que, nas comunidades, a mudança climática é apenas um fator entre muitos a serem considerados.

Professora foi a única brasileira no painel da WMO na COP-27

No texto, fala sobre a importância de se investir na “simplicidade ao lidar com incertezas” e também sobre a ideia de capacitar as comunidades locais para entender sua própria situação, que pode ser abordada desenvolvendo tecnologias intermediárias. “Acreditamos que a própria ciência pode ser reconfigurada para ser mais adequada ao propósito, ou seja, tornar a pesquisa útil no contexto da adaptação climática e do risco climático local”, alertou, no painel da COP 27.

Sobre os sistemas de dados disponíveis, a pesquisadora listou como desafios a limitação dos indicadores a longo prazo, já que modelos climáticos também podem, de certo modo, deturpar importantes variáveis físicas, além de terem certa incapacidade em simular determinados fenômenos de modo mais realista.
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Solenidade marca abertura oficial da 19ª Sepex na UFSC

08/11/2022 17:53

Uma solenidade no auditório da Reitoria, com participação da vice-reitora Joana Célia dos Passos e representantes da Administração Central, marca a abertura oficial da 19ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A cerimônia será realizada na quarta-feira, 9 de novembro, às 14 horas.

Com uma programação que contempla minicursos, rotas temáticas, programações artístico-culturais e feira de ciências, a Sepex é um dos eventos mais tradicionais da UFSC e promove a interlocução direta com a comunidade ao longo de cinco dias de programação – os minicursos gratuitos iniciaram no dia 7 de novembro.

Logo na sequência, às 14h30, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq), em conjunto com o Departamento de Inovação da Universidade Federal de Santa Catarina (Sinova), promove o primeiro Inova UFSC – Rodada de Conexão Interna e Externa. A proposta é explorar os ambientes de inovação e empreendedorismo na Universidade, como laboratórios e centros.

Também a partir do dia 9, o hall do Centro de Eventos da UFSC receberá a Feira de Ciências 2022, com 52 estandes nas mais variadas temáticas que levarão informações sobre projetos e atividades científicas aos visitantes. A exposição estará aberta até 11 de novembro, das 8h30 até 19h.

A programação da Sepex também contempla, de 9 a 11 de novembro, rotas temáticas, agregadas por áreas. São nove opções com programação especiais. Ciências Agrárias; Comunicação e Expressão; Desporto; Filosofia, Ciências Humanas e Educação; Física, Matemática, Química e Oceanografia; Tecnologia; Saúde; Reitoria, Pró-reitorias e Secretarias e Colégio de Aplicação.

Na rota de Desporto, por exemplo, o Núcleo de Aventuras vai promover a prática de slackline em árvores ao lado das quadras de tênis no Centro de Desportos e em frente à Reitoria. Já na rota de Tecnologia será possível fazer um percurso histórico desde a máquina a vapor até a Indústria 5.0, atividade promovida pelo Departamento de Automação e Sistemas.

Para participar das rotas temáticas é necessário estar atento às informações das atividades indicadas, seus horários e capacidade de público, disponíveis no site do evento.

Outra atração da semana são as atividades culturais, que contarão com apresentação de coral, boi de mamão, dos terapeutas da alegria, de alunos do Núcleo de Estudos da Terceira Idade, Scam e Kyudo. A participação nas atividades da Sepex é gratuita.

A cerimônia de encerramento da 19ª Sepex está programada para o auditório da Reitoria da UFSC, às 10h da próxima sexta-feira, com a mesa redonda Mudanças climáticas: Qual a contribuição da ciência feita na UFSC? Para mais informações, acesse o site do evento e também o Instagram e acompanhe as atualizações nas redes sociais da UFSC.

 

 

Tags: 19ª SEPEXensinoextensãoinovaçãopesquisaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Programa da UFSC sugere aperfeiçoamento do Relatório de Impacto Ambiental de marina na Beira-Mar

08/11/2022 12:10

Projeto da marina na Beira-mar Norte, em Florianópolis. Foto: Divulgação/PMF

O Programa Ecoando Sustentabilidade, que reúne vários laboratórios e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), elaborou uma nota técnica sobre o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento “Marina na Beira-mar Norte”, apresentado durante audiência pública realizada em 24 de outubro. A análise técnica constatou “carência de informações técnicas relevantes para assegurar o funcionamento do sistema costeiro saudável garantindo a segurança e o direito das demais atividades socioeconômicas na região”.

Os pesquisadores do programa consideram, de maneira geral, que é essencial aprofundar e incluir no Relatório de Impacto Ambiental da marina vários aspectos relacionados ao meio ambiente. Entre os estudos complementares necessários estão a inclusão de cenários relacionados às mudanças climáticas, e decorrente aumento do nível do mar; o impacto da navegação de 621 embarcações de 20 a 120 pés; as consequências de dragagens para manutenção do calado na marina e canal de navegação, revolvendo o lodo acumulado; caracterização do material a ser dragado, com atenção à concentração de contaminantes existentes nos sedimentos.

O documento também alerta para a necessidade de estudo da emissão de gases, uma vez que existem nas Baías da Ilha de Santa Catarina (BISC) reservatórios de gases como o metano, um dos mais importantes para o efeito estufa. E sugere a apresentação de mapas de dispersão de contaminantes como metais pesados, nutrientes e derivados de tintas anti-incrustantes; alerta para as possíveis consequências da retenção da matéria orgânica sobre atividades como maricultura e pesca; e solicita simulação do choque de embarcações com espécies marinhas que habitam a região, como o golfinho-cinza.

A nota técnica também pede “análise minuciosa das potenciais áreas locacionais do empreendimento, considerando o impacto da marina e da navegação, com destaque a outras regiões das BISC e entorno, como a margem dos bairros de Coqueiros e Itaguaçu”. A locação da marina, segundo os pesquisadores, precisa levar em consideração a diferença geomorfológica da Baía Norte, que é mais rasa e rica em lama, e a Baía Sul, mais profunda e arenosa.

Na conclusão, o estudo afirma que “o cenário teórico relacionado ao referido ambiente, a poluição crônica por metais, hidrocarbonetos, entre outros poluentes, a plausível presença de cistos de algas tóxicas (maré vermelha), com o avanço da eutrofização, expansão da zona morta, somado aos impactos descritos no próprio relatório, reforçam a necessidade de modelagem dos impactos do empreendimento na sociobiodiversidade associada, assim como nos diferentes setores da economia”.

Veja a íntegra da nota técnica:

 

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Reitoria recebe carta de entidades estudantis e sociais contra manifestações neonazistas na universidade

08/11/2022 11:22

Movimentos estudantis e sociais organizaram um ato nesta segunda-feira na UFSC. (Foto: Robson Ribeiro/Agecom/UFSC)

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, e a vice-reitora, Joana Célia dos Passos receberam, nesta segunda-feira, 7 de novembro, uma carta contra manifestações neonazistas e racistas. A entrega do documento ocorreu durante um ato no hall da Reitoria e foi organizado pelo Centro Acadêmico Livre de Letras (CALL) em parceria com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), entidades, sindicatos, além de outros centros que compõem a comunidade universitária. A manifestação contou com a participação de estudantes, docentes, técnicos-administrativos e movimentos sociais.

O documento foi entregue para o reitor, que disse que esse é um momento muito difícil e ressaltou a importância do movimento da comunidade universitária. O gestor da Administração Central ainda lembrou dos encaminhamentos que a UFSC tem promovido, como as discussões em torno da Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional e o encaminhamento dos episódios às autoridades policiais.

“Nós da Reitoria não concordamos com qualquer forma de violência, ou discriminação dentro da nossa Universidade. Então, vamos dar as respostas necessárias. Faremos uma reunião com o Conselho Universitário com a participação de toda a comunidade para dar os encaminhamentos efetivos”, afirmou Irineu. 
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Restaurante Universitário aceitará somente passe digital a partir desta segunda-feira, dia 7

07/11/2022 08:38

A partir desta segunda-feira, dia 7 de novembro, o Restaurante Universitário da UFSC em Florianópolis, campus Trindade e CCA, aceitará somente o passe digital para acesso. Devido à implementação do controle eletrônico ao refeitório, o usuário deverá apresentar o cartão de acesso RU para a conferência necessária nas respectivas portarias.

Para isso, o cartão necessita estar em plenas condições de uso e identificação. A foto e as demais informações precisam ser nítidas, possibilitando a adequada conferência. Os usuários que estiverem com os cartões em desacordo com essas orientações devem procurar imediatamente a Secretaria do RU para a regularização.

De acordo com a direção do Restaurante, as medidas são importantes para a segurança na utilização do cartão RU e irão minimizar a utilização indevida por terceiros, principalmente em caso de perda ou roubo. Os usuários podem realizar a recarga do cartão de acesso e, em caso de perda ou roubo, efetuar imediatamente o bloqueio do cartão, por meio das orientações disponíveis no site do RU.

Acesso à Recarga do Cartão
Acesso ao Bloqueio do Cartão

Tags: acesso digitalRestaurante Universitário (RU)UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Professora da UFSC que recebeu prêmio em júri presidido por Angela Merkel está na programação da COP 27

04/11/2022 08:15

Professora da UFSC integra programação da COP 27

A professora da Universidade Federal de Santa Catarina Regina Rodrigues foi reconhecida em um prêmio internacional cujo júri foi presidido pela ex-primeira-ministra alemã, Angela Merkel. A pesquisadora é a editora e revisora do Capítulo 7 de um dos relatórios do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), vencedor do Prêmio Gulbenkian para a Humanidade junto com o Painel Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES). As duas entidades – IPBES e IPCC – foram selecionadas entre 116 candidaturas de 41 nacionalidades e dos cinco continentes. O resultado foi divulgado dia 13 de outubro, na Alemanha e, agora, Regina se prepara para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 27, na modalidade online.

O prêmio foi destinado às organizações por produzirem conhecimento científico, alertarem a sociedade e informarem os tomadores de decisão para que façam melhores escolhas no combate às mudanças climáticas e à perda de biodiversidade. “Esse relatório trata da desertificação e degradação do solo e o impacto na segurança alimentar”, conta a pesquisadora. Todos os 36 cientistas que assinaram o documento, contribuindo com dados técnicos, receberam o prêmio. Regina é a única brasileira do grupo e assina a revisão junto com o cientista dos Estados Unidos Billie Lee Turner II.

“O relatório constatou que a área continental para produção de alimentos já é limitada, representa 30% do planeta e está extremamente degradada”, explicou a professora. Segundo ela, com a pressão do crescimento populacional e com as mudanças climáticas aumentando a desertificação, a área agriculturável diminui ainda mais e coloca em risco a segurança alimentar global. O capítulo revisado por ela mostra evidências de políticas públicas que minimizam os impactos negativos do fenômeno.

Regina é professora de Oceanografia Física e tem se dedicado a compreender as mudanças climáticas a partir de uma série de produções científicas. Um dos artigos mais recentes, que ela assina com outros pesquisadores, trata dos impactos da oscilação do El-niño na América do Sul e foi citado por mais de 226 outros estudos no mundo todo.

Professora Regina R. Rodrigues é uma das revisoras do capítulo 7 do IPCC

Na COP-27, que este ano ocorre no Egito, a professora irá falar no COP27 WCRP Pavilion event, no dia 9 de novembro. A sessão tem o tema Informações Climáticas para Tomada de Decisões, programa da Organização Mundial de Meteorologia em que Regina coordena atividade sobre risco climático. “As mudanças climáticas antropogênicas trazem desafios e riscos significativos que afetam quase todos os aspectos da vida na Terra. Isso é particularmente verdadeiro para áreas urbanas e comunidades no Sul Global. Esta sessão explora as principais prioridades e requisitos para melhorar a qualidade e a utilidade das informações climáticas de escala regional para local para tomada de decisões, planejamento de adaptação, monitoramento de mitigação, relatórios e verificação. Ele está vinculado ao Relatório Especial do IPCC sobre Cidades e Mudanças Climáticas”, pontua a sinopse do evento.

 

Tags: COP 27COP27 WCRP Pavilion eventIPCCmudanças climáticasPainel Intergovernamental para Mudanças Climáticas

UFSC na Mídia: Clima e uso do solo estão modificando o ciclo da água no Brasil, aponta pesquisa

03/11/2022 10:51

Imagem indica que, onde há cores mais escuras, intensidade das mudanças nas cheias e secas foi mais marcante

A maior parte do território brasileiro ou está secando ou está sofrendo com as cheias, dois eventos climáticos extremos com impactos ambientais e sociais. A conclusão é de um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina publicado na Nature Communications, periódico do Grupo Nature, um dos mais prestigiados do mundo. Uma equipe liderada pelo professor Pedro Luiz Borges Chaffe, do Laboratório de Hidrologia da Universidade Federal de Santa Catarina, indicou como ocorre o fenômeno – definido como aceleração do ciclo da água – com base em dados de vazão, chuvas, uso da água e cobertura florestal. O assunto foi tema de uma reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, nesta quarta-feira.

A pesquisa trabalhou com dados dos últimos 40 anos e identificou que há, no Brasil, muito mais pontos de seca e de cheia do que se esperava. “Percebemos um aumento dos extremos e que o manejo da terra está impactando e amplificando o efeito da mudança climática”, destaca Chaffe. “A maior parte do Brasil está secando por causa da mudança de regime de chuvas e aumento do uso da água, com impacto também da cobertura florestal. Tanto o aumento de secas, quanto das cheias traz preocupação”.

As descobertas são parte do doutorado de Vinícius Chagas, orientando de Chaffe, e também tem a co-autoria do professor Günter Blöschl, da Universidade de Viena, na Áustria. Os cientistas analisaram um conjunto de dados disponíveis em 886 estações hidrométricas e cruzaram com indicadores sobre chuvas, cobertura de solo e uso de água.

“Em Santa Catarina, por exemplo, a aceleração do ciclo foi detectada no litoral e no extremo oeste. Apesar de o Estado ter em média mais água disponível ao longo do ano, o litoral e extremo oeste estão ficando cada vez mais suscetíveis a curtos episódios de secas”, explica o professor.

O estudo propõe uma classificação quanto ao aumento dos extremos. O processo de aceleração hídrica – que reúne tanto os dados de inundações mais severas quanto de secas – está relacionada a chuvas mais extremas e desmatamento e ocorre em 29% da área de estudo, incluindo o sul da Amazônia. A pesquisa é parte de um esforço do Laboratório de Hidrologia da UFSC em investigar quais bacias hidrográficas são mais sensíveis a mudanças climáticas para se pensar no planejamento e gestão de recursos hídricos.

O conjunto de dados coletado pelos pesquisadores foi também analisado considerando quatro grandes regiões a partir das suas semelhanças: Sul e Norte da Amazônia e Sul e Sudeste do Brasil. Estes hotspots foram delimitados a partir de suas características semelhantes: no Sul do Brasil e norte da Amazônia foi constatada mais disponibilidade de água por conta do volume de chuvas e cheias. Já o Sudeste está ficando mais seco, processo explicado pelo aumento no uso da água, o que está relacionado à atividade humana.

No Sul da Amazônia, outro dado chamou a atenção: naquela região, as mínimas diminuíram e as máximas aumentaram. Como o padrão de chuvas não mudou, é possível que a aceleração hídrica tenha sido causada por conta da mudança na cobertura vegetal. “Essa aceleração pode levar a grandes impactos na produção global de alimentos, no ecossistema saúde e infraestrutura”, resumem os cientistas no artigo.

Disponibilidade hídrica

Vazão dos rios foi fonte de dados do estudo ( Imagem de luis deltreehd por Pixabay)

A questão geral dos trabalhos realizados no laboratório diz respeito à vazão e disponibilidade hídrica no Brasil. “Os extremos estão mudando – tanto as cheias, quanto as secas. Uma das causas é o volume das chuvas, mas o uso da água também faz com que isso mude, assim como a cobertura da vegetação”, reitera o professor.

Ainda segundo ele, a aceleração do ciclo hidrológico geralmente é analisada por climatologistas com base em dados de chuva e evaporação, porém, no continente esses fluxos são modulados pelas Bacia Hidrográficas. “Nós sabemos que tanto a cheia quanto a seca são afetadas pelas mudanças climáticas, que aumentam esses extremos. Porém, precisamos entender como as características da bacia hidrográfica afetam o que acontece na parte terrestre do ciclo hidrológico”.

O estudo conclui que a menor quantidade de água disponível na seca também está relacionada ao aumento do uso da água, fator que chamou a atenção dos pesquisadores na região Sudeste, por exemplo. “A disponibilidade hídrica também é resultado das mudanças climáticas e no Brasil nós vemos esse fenômeno de aceleração hídrica, que é o aumento dos dois extremos: cheias e secas mais intensas”, indica.

“Nossos dados mostram que as mudanças de vazão têm sido generalizadas no Brasil. Secas ainda mais intensas podem ser encontradas no sul da Amazônia e no sudeste do Brasil, enquanto aumento das cheias podem ser encontrados no norte da Amazônia e no sul do país”, sintetizam os autores.

O estudo também aponta que, no Planalto Central, as secas ficaram pelo menos 48% mais intensas nas últimas quatro décadas. Em Santa Catarina, o fenômeno é oposto: há mais cheias, com dados que demonstram que elas são 18% mais intensas do que no passado. Também no estado, uma cheia que acontecia a cada 100 anos, em média, agora ocorre a cada 70 anos. No geral, os indicadores apontam o fenômeno em todo o território nacional, com mais secas e menos cheias em 42% do Brasil, principalmente na região da expansão do agronegócio. Ainda, na região da Bacia do Rio Doce, onde houve recentes desastres no estado de Minas Gerais, percebe-se o aumento da sazonalidade do clima, com mais chuva durante estação chuvosa e menos chuva na estação seca.

Amanda Miranda, Jornalista da Agecom/UFSC

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Audiência Pública abre discussão sobre nova Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional da UFSC

03/11/2022 10:43

Público presente à Audiência debateu a nova política. O Conselho Universitário irá discutir a minuta no dia 29 de novembro. (Foto: Robson Ribeiro/Agecom/UFSC)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) debateu em audiência pública nesta terça-feira, 1° de novembro, a proposta de minuta da Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional na UFSC. A audiência ocorreu no Auditório da Reitoria e contou com a participação de estudantes, docentes, técnicos administrativos e movimentos sociais. 

A urgência da consulta pública para acolher contribuições e aprovação do documento foi solicitada pela atual gestão da UFSC. A medida foi criada para garantir a equidade racial na Universidade, tendo em vista os recentes casos de racismo ocorridos no âmbito da instituição. 

As contribuições da comunidade universitária durante a audiência foram registradas em ata, de modo a compor o processo que será enviado para análise do Conselho Universitário (CUn). Ao todo, foram realizadas 20 manifestações orais e entregues à equipe da organização da audiência oito manifestações escritas, que serão anexadas ao relatório final. Ao fim da audiência, a ata da minuta foi aprovada por unanimidade pelos presentes. Agora, o Grupo de Trabalho desenvolverá o relatório final que deve ser apreciado pelo CUn no dia 29 de novembro.

>> Audiência Pública foi transmitida ao vivo pela TV UFSC. Assista aqui ao vídeo na íntegra
>> Acompanhe a programação do Novembro Negro na UFSC

A reunião foi aberta pela pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidades (Proafe), Leslie Chaves, que destacou a importância do evento para abrir as celebrações de novembro na instituição. Em seguida, o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, mencionou os desafios colocados à Universidade e afirmou que dentre as prioridades da gestão, o principal foco será o encaminhamento da política antirracista. 
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Nem bicho, nem planta: o que nos ensina o conhecimento dos fungos

03/11/2022 10:01

Projeto da UFSC busca catalogar a primeira lista de fungos ameaçados de extinção do Brasil

 

Elisandro Ricardo Drechsler-Santos: “a funga da serra catarinense, inclusive do Parque Nacional de São Joaquim, tem várias espécies novas, endêmicas e algumas estão ameaçadas de extinção”. Foto: Camila Collato

 

Uma bela xícara de café acompanhada de um pãozinho fresco, queijos e, em seguida, um suco de frutas é capaz de tornar qualquer hora do dia gloriosa, concorda? Agradeça aos fungos por isso e muito mais: os fungos estão presentes em quase toda a produção de alimentos. São responsáveis pelo avanço da medicina para tratar doenças físicas e mentais. Sequestram naturalmente e liberam o carbono, além de favorecer distintos processamentos industriais. E há uma série de usos diários dos fungos ainda pobremente conhecidos.

Muitos acreditam equivocadamente que são plantas, mas também não são animais – os fungos são organismos com a sua forma própria de vida. A comunidade de animais de um determinado local é tratada como Fauna, a de plantas, como Flora. E existe ainda uma terceira classificação: a dos fungos, conhecida como Funga. Assim, Fauna, Flora e Funga formam os três grandes grupos de organismos eucariontes da natureza. Apesar de sua importância reconhecida para a manutenção dos ecossistemas, da biodiversidade, e até mesmo para a indústria farmacêutica, essa categoria de seres vivos é pouco explorada pela ciência. Nesse sentido, o objetivo do pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos é criar um sistema de dados para catalogar, identificar e popularizar o conhecimento acerca da Funga.

Apenas 7% dos fungos são conhecidos pela ciência. Acredita-se que existam cerca de 1 a 5 milhões de espécies, no entanto, apenas 150 mil são catalogadas. Estudar e entender a Funga de um local é importante para a conservação não apenas das espécies de fungos, mas de todo o ecossistema. Essa é a missão do projeto MIND. Funga, coordenado pelo professor Ricardo. “A gente tem no Brasil aproximadamente 50 espécies que já foram avaliadas e a maioria delas são espécies ameaçadas de extinção. No entanto, não existe uma política ainda de reconhecimento disso”, explica o pesquisador. 

A ameaça de extinção

É comum ouvir-se falar sobre plantas e animais em ameaça de extinção. No entanto, pouco se conscientiza sobre o risco das espécies de fungos em perigo. Um dos objetivos do MIND. Funga é catalogar essas espécies na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). 

O pesquisador é claro: os fungos são essenciais para a estabilidade climática (dado seu papel no sequestro de carbono no solo) e para preservar a saúde ecossistêmica. No entanto, os fungos têm sido negligenciados em políticas ambientais e de conservação. Um descuido com inúmeras consequências, afirma o cientista. “Quando os fungos são colocados em risco, colocam-se em risco os ecossistemas que dependem deles. Com isso, perdemos a chance de realizar avanços, encontrar soluções para problemas ambientais graves, como mudanças climáticas e degradação da terra”, afirma.

E complementa o raciocínio observando que não existe ainda uma lista vermelha nacional de fungos, ou seja, os fungos não são reconhecidos no nosso território. O pesquisador busca estudar a distribuição das espécies para aplicar os critérios da IUCN e classificá-las em níveis de ameaça. Além disso, com engajamento com outros micólogos e liquenólogos, em breve haverá uma proposta ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), para que essas espécies sejam oficializadas também em uma lista no âmbito nacional.

Esse processo de reconhecimento e inclusão das espécies ameaçadas de extinção na lista de alerta vermelho é importante, pois auxilia e chama atenção para criação de políticas públicas que visem à conservação da Funga e, por consequência, da biodiversidade. Como os fungos não são reconhecidos no território brasileiro, Elisandro acredita que seja necessário fazer uma ponte entre pesquisadores e governo, para que seja feito um trabalho em conjunto em prol da manutenção dessas espécies.

Por que os fungos devem ser conservados?

Os fungos são seres fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas, pois junto com as bactérias heterotróficas são decompositores da matéria orgânica. Eles atuam como agentes recicladores da matéria, visto que ao fazerem o processo de decomposição devolvem os nutrientes para o solo e o gás carbônico para a atmosfera. Estes componentes serão reaproveitados pelas plantas, que eventualmente servirão de alimento para os animais herbívoros, reiniciando assim o ciclo da natureza. Os fungos podem ser descritos como o “elo” entre seres vivos e componentes não vivos do meio ambiente.

Outro motivo para que os fungos sejam conservados são os seus esporos. Elisandro explica que os esporos dos fungos são micropartículas liberadas no ar que auxiliam a formar as gotas de chuva. O pesquisador diz que “uma floresta preservada não só transpira umidade para formar nuvens, como também as partículas que estão no ambiente agregam essa umidade em forma de gota e fazem com que caia a chuva”. 

Além de sua importância para o equilíbrio ambiental, os fungos também podem ser explorados de maneira consciente pelos mais variados setores da indústria. Muitos alimentos, produtos e medicamentos utilizados no dia a dia dependem desses seres. Um exemplo clássico é a Penicilina, antibiótico descoberto a partir de fungos do gênero Penicillium.

Taxonomia

A ciência de reconhecer e descrever espécies novas é chamada de taxonomia, uma ciência básica que fornece elementos essenciais para outras ciências posteriormente, que são as ciências aplicadas. “Mais do que nunca o cientista no mundo é reconhecido, e em nosso país existe atualmente essa urgência de a sociedade reconhecer as universidades. Porque é dentro das universidades, principalmente as públicas e federais, que acontece a pesquisa”, enfatiza Elisandro. 

Para o pesquisador, quando descrevemos uma nova espécie de fungo, estamos mostrando para a sociedade em geral que existe uma caixinha de surpresas biotecnológicas, surpresas medicinais e surpresas na alimentação que podem ser explorados pela ciência aplicada, e podem retornar para a população não só como produtos importantes para a sociedade, mas também do ponto de vista econômico-financeiro.

O aplicativo de identificação

Complementar à pesquisa de Elisandro, em fase de testes, está a criação de um aplicativo para smartphones que permite, através da captura de imagens, reconhecer as espécies de fungos. Para isso, foram reunidos especialistas em identificação de fungos e inteligência artificial da UFSC dedicados ao desenvolvimento de um sistema moderno de reconhecimento de macrofungos a partir de um banco de imagens e informações.

Esse aplicativo faz parte do programa Ciência Cidadã MIND. Funga, ou seja, conta com a participação de voluntários para auxiliar no registro das imagens que irão compor o banco de dados. Em uma primeira etapa, cidadãos residentes próximos à região das Matas Nebulares de Santa Catarina utilizaram outro aplicativo desenvolvido por uma das pesquisas do grupo para fotografar os fungos em seu ambiente natural e registrar dados como localização, substrato, data da imagem etc. Esses dados estão sendo utilizados inicialmente em um projeto piloto, como base para mapeamento e monitoramento dessas espécies de fungos, bem como para compor o banco de dados do aplicativo de reconhecimento de espécies.

Elisandro comenta que esse banco já conta com informações de mais de 500 espécies de fungos. “Eu estou falando de aproximadamente 20 mil imagens de fungos. Essa base de dados é utilizada para treinar uma rede neural convolucional (Convolutional Neural Network / CNN).  Essa rede neural, ela aprende sozinha com os padrões que encontra nas imagens. É isso que a gente chama de Inteligência Artificial”, diz o pesquisador. Essa parte da IA é desenvolvida em parceria com equipe do Prof. Aldo von Wangenheim do Research institute on Digital Convergence – INCoD, também da UFSC. 

O aplicativo chamado de MIND.Funga app servirá tanto para professores da rede básica e superior em práticas pedagógicas quanto para especialistas contribuírem para popularizar a diversidade das espécies de fungos. 

“Eu tenho um compromisso com a ciência, mas ao mesmo tempo eu tenho um compromisso com a sociedade. E isso me faz querer mostrar para as pessoas o que nosso grupo descobre. Por isso nós estamos desenvolvendo esse aplicativo, para popularizar o conhecimento”, conta o biólogo. O aplicativo está em desenvolvimento e logo uma versão preliminar deverá estar disponível para testes.

Em geral, os estudos para acessar a diversidade e conhecer as espécies costumam ser mais acessíveis, do ponto de vista financeiro. Para o andamento deste projeto específico, os recursos foram disponibilizados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Com isso, o pesquisador foi capaz de ir além do objetivo previsto inicialmente. “Eu consigo dar bolsa, eu consigo ir para campo, eu consigo fazer biologia molecular, eu consigo produzir livros” comenta Elisandro.

O pesquisador:

Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, de 43 anos de idade, é Professor Associado do Departamento de Botânica da UFSC, atuando como orientador no Mestrado Profissional PROFBio-UFSC e Mestrado e Doutorado no PPG em Biologia de Fungos, Algas e Plantas (PPGFAP) da UFSC. Pesquisador do CNPq, especialista membro do grupo “IUCN SSC Mushroom, Bracket, and Puffball Specialist Group” e coordenador do grupo de pesquisa MIND.Funga (mindfunga.ufsc.br). 

Entre em contato com o pesquisador

Prof. Elisandro Ricardo Drechsler-Santos
Laboratório de Micologia (MICOLAB)
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Centro de Ciências Biológicas (CCB)
Departamento. de Botânica
Telefone: +55 (48) 37212889
Celular: +55 (48) 996268188
E-mail: drechslersantos@yahoo.com.br
Florianópolis – 88040970 – Brasil

 

 

Maria Magnabosco / Estagiária de jornalismo / Núcleo de Apoio à Divulgação Científica / UFSC
Rafaela Souza / Estagiária de design / Núcleo de Apoio à Divulgação Científica / UFSC


Edição
Denise Becker / Núcleo de Apoio à  Divulgação Científica / UFSC

Tags: CCBCentro de Ciências Biológicas (CCB)Elisandro Ricardo Drechsler dos SantosFungosMind.FungaNADCUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Novembro Negro: Colégio de Aplicação da UFSC promove evento aberto ao público neste sábado, dia 5

03/11/2022 08:34

O Colégio de Aplicação (CA) da UFSC sediará o IV Baobás: Mês da Consciência Negra do CA UFSC, de 5 a 29 de novembro, com dezenas de atividades. O evento é organizado por professoras e técnicos-administrativos do Colégio e terá oficinas, apresentações artístico-culturais, rodas de conversa, entre outros.

A abertura ocorre neste sábado, 5 de novembro, com ampla programação aberta ao público. Os demais eventos serão restritos à comunidade do Colégio.

O Projeto Baobás, criado pelo Grupo de Pesquisa Integração de Saberes na Educação Básica, teve sua primeira edição em 2012 tendo outras duas realizações em 2013 e 2014. Nos anos seguintes,  o projeto esteve inserido em outras atividades sobre a temática da educação para as relações étnico-raciais na UFSC e em outras instituições públicas de ensino.

>> Confira a programação do Novembro Negro UFSC

Segundo a organização, o evento visa proporcionar atividades relacionadas à cultura afro-brasileira e afro-descendente nas Américas. Participam da programação docentes e estudantes do CA, egressos, estudantes e docentes da graduação e pós-graduação da Universidade, além de artistas da capital. As temáticas estarão voltadas à corporeidade e identidade étnico-racial abrangendo desde a contação de histórias a oficinas de danças afrobrasileiras e sapateado. As oficinas darão a conhecer um pouco do universo da cultura da diáspora africana no continente americano. Uma apresentação especial de grande sambista de Florianópolis encerrará a programação deste sábado.
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