Pesquisadora mapeia trajetórias negras e racismos na infância

19/11/2021 13:21

Eu não denominava, mas aquela questão de ser chamada de macaca eu percebia que eram dirigidas para as pessoas negras…Pra mim foi uma ruptura profunda entender este mundo agressivo e hostil… Ai o que aconteceu: eu comecei a dizer pra minha mãe que eu tinha dor de cabeça, ai eu não ia para a aula. Eu amava estudar só que, ao mesmo tempo, eu não queria passar por aquilo todos os dias. De ser xingada, hostilizada.

O tempo todo eu era chamada de negrinha suja, suco de pneu, suco de asfalto. E isso se estendeu até a sexta série quando mudei de escola.

Hoje eu consigo ver que, se eu cheguei ao ponto de aos nove anos, de bater, foi o último assim, um estresse muito grande… eu tinha chegado no meu limite. Como a criança negra ela se sente sozinha assim porque… talvez hoje se tenha uma atenção porque a gente fala mais disso, mas antes se não era como a minha mãe respondeu… como se fosse algo simples sabe, tipo “ah, esquece, não dá bola que para”, “ah, se o fulaninho briga muito. iiih é porque gosta”. Sabe estas coisas assim de não dar bola pra um problema que é grave só porque é criança. Só que, com certeza, isso nos afeta muito.

Os trechos acima são reprodução de depoimentos coletados pela pesquisadora Sandra Tonhote Sousa ao longo da sua pesquisa de mestrado, defendida em junho de 2020 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Hoje cientista social e pesquisadora, ela também já foi criança. E embora tenha feito parte de um núcleo familiar que sempre positivou a negritude, a aproximação com coletivos e movimentos sociais fez com que decidisse se dedicar ao que precisa ser dito e enfrentado socialmente.

Por meio de entrevistas concedidas a ela por quatro mulheres e de narrativas públicas de quatro personalidades, ela investigou o racismo na infância. Mesmo sabendo que estaria diante de dores compartilhadas, foi um percurso fundamental para trazer à tona um debate importante. “A ideia de explicitar o racismo é justamente para combater. Temos bastante debate sobre relações raciais na academia e na política, mas na sociedade falta um pouco esse olhar para a infância, para esse sujeito que está começando a se entender e já está sendo vítima”, contextualiza.

Na dissertação Trajetórias Negras e Racismos: Memórias da Convivência Inter-racial na Infância, orientada pela professora Ilka Boaventura Leite, ela conclui que a descoberta do racismo pela criança negra pode ser interpretada em analogia com o mito da caverna de Platão. “Antes da primeira experiência amarga, acreditamos conhecer o mundo de uma maneira, mas, após, ele vai mudar significativamente quando somos de repente jogados para fora, lançados a outra realidade. Assim, depois de um episódio terrivelmente desconfortável, passamos a conhecer a realidade com a qual vamos conviver a partir de então”, escreve. As pesquisas bibliográficas também indicaram que as crianças negras podem experienciar ou passarem a ser vítimas da radicalização desde o berçário, na educação infantil ou até mesmo no interior das famílias.

O percurso não foi prazeroso. Sandra teve de se confrontar com as suas memórias e remexer nas dores das suas entrevistadas. Apesar disso, tanto ela, quanto as interlocutoras na pesquisa compartilhavam de um mesmo objetivo: “a gente tem que promover mais esse debate como forma de acabar com isso, de mostrar que existe, de chamar atenção para esse ponto”.

No caminho, deparou-se com pesquisas que retratavam a infância e o racismo sob a ótica da educação e usou a antropologia para se aproximar desse campo de estudos. Também investigou questões relacionadas à memória e à diáspora africana e, com o auxílio da autora portuguesa Grada Kilomba, remonta ao que a escritora chama de “a dor indizível do racismo”.

Nesse aspecto, lembranças de olhares, de apelidos e de gestos de censura a traços físicos identitários – como o cabelo, por exemplo – permeiam as narrativas trazidas na pesquisa. “Lembro de uma vez em que meu pai fez um trabalho, ele foi cobrar um dono de um restaurante e o dono do restaurante não tinha dinheiro, então falou que o meu pai poderia ir jantar com a família dele. E nós fomos comer num restaurante bem classe média no centro da cidade. Eu nunca vou esquecer quando a gente entrou e todo mundo olhou. Foi horrível”, disse uma das entrevistadas.

Para Sandra, nem mesmo a classe social é um mecanismo que afasta o racismo. A entrevista do cantor e compositor Gilberto Gil, que ela analisa na pesquisa, é um retrato disso: mesmo pertencendo a uma elite, à classe média, quando ele sai do contexto familiar e social em que os pais eram reconhecidos, o racismo passa a permear a sua existência. “No ciclo em que ele estava inserido ele podia ser lido como branco, depois que ele sai daquele ciclo acaba se deparando com o racismo. A racialização está na estrutura social, em todas as sociedades”, comenta.

Precisamos falar sobre

Na pesquisa, Sandra também remonta o momento em que opta pela construção de um objeto capaz de acionar dores e memórias tristes. Ela lembra que, quando começou a estudar relações raciais, sua ideia era fugir de assuntos delicados e investigar outros aspectos de fortalecimento identitário. Mas as leituras a fizeram subverter esse pensamento. “Fui entendendo a gravidade do tema e vi que não tinha como fugir. O debate é urgente. Precisamos falar do racismo, da juventude negra assassinada e de assuntos dolorosos”.

Por conta das características da pesquisa, ela teve dificuldades, por exemplo, em formar uma rede maior de entrevistados. As vozes que ecoam no estudo são, em sua maioria, de mulheres. Todas as entrevistas realizadas por ela também são com interlocutoras femininas. “Eu não consegui entrevistar homens. E entendo que isso tenha acontecido porque, para um homem, é mais difícil se colocar nesse lugar de fragilidade. É uma parte da masculinidade que se tenta esconder”.

Em contrapartida, as vivências captadas no estudo de Sandra revelam muitos padrões de comportamento de uma sociedade racista. Para ela, trata-se de uma disputa de narrativas, já que a ideia de raça é uma construção que vem afetando a toda a sociedade, por séculos e gerações. “Isso nubla a nossa percepção de realidade, tanto os sujeitos brancos, quanto os não-brancos, seja um para se sentir superior e outro inferiorizado”, pondera. “A gente tem consciência de que é uma narrativa e tem que tentar construir outra, contribuir minimamente para isso. E o esforço das pesquisas vai nesse sentido”, completa.

 

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Prêmio Mulheres na Ciência: Maria José Hötzel

19/11/2021 10:38

Professora Maria José Hötzel atualmente é uma das coordenadoras do Leta. Foto: Acervo pessoal

As memórias das experiências vividas no meio do campo, dos verões que passou junto com a família em uma fazenda de seus tios, na Argentina, despertaram em Maria José Hötzel o interesse pelos animais ainda na infância. Do início da graduação em Medicina Veterinária ao posto de pesquisadora mundialmente reconhecida na área do bem-estar animal, Maria edificou uma carreira exemplar e agora acrescenta ao currículo o Prêmio Mulheres na Ciência 2021, concedido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A homenagem tem como objetivo estimular, valorizar e dar visibilidade às mulheres da UFSC que fazem pesquisas científicas, tecnológicas e inovadoras, inspirando a comunidade científica interna e externa nas diferentes áreas do conhecimento e contribuindo para diminuir a assimetria de gênero na ciência. Docente do Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural, vinculado ao Centro de Ciências Agrárias (CCA), Maria sagrou-se vencedora na área de conhecimento Ciências da Vida, na Categoria Plena, voltada a pesquisadoras que ingressaram no quadro permanente da Universidade entre 31 de dezembro de 2000 e 31 de dezembro de 2013.

Nascida em Buenos Aires, Maria José Hötzel viveu parte da infância no Rio de Janeiro (RJ) e na capital argentina até se estabelecer com a família em Porto Alegre (RS), aos 12 anos. Cursou Medicina Veterinária na graduação e concluiu o mestrado em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Obteve o título de PhD pela University of Western Australia, experiência que compartilhou com o marido, o professor Ricardo Ruther, do Departamento de Engenharia Civil da UFSC. “As pessoas que nos conheciam acharam meio exótico a gente ir para a Austrália, um país que poucos conheciam na época. Eu tive muita sorte com o orientador, o tema da tese, o grupo de pesquisa, a universidade e a cidade. Tive uma excelente formação e foram quatro anos muito bons do ponto de vista pessoal”, recorda a professora.

A trajetória acadêmica 

Ao retornar para o Brasil, a pesquisadora conquistou uma bolsa recém-doutor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1997, e logo se interessou pelo comportamento animal, passando a acompanhar e participar das pesquisas do Laboratório de Etologia Aplicada e Bem-Estar Animal (Leta), onde atualmente é co-coordenadora. Desde então, Maria Hötzel seguiu na UFSC, primeiro como pós-doc, depois como professora substituta, pesquisadora visitante do CNPq e professora visitante. Em 2006, conquistou o primeiro lugar em um concurso público realizado para vaga de docência no Departamento.

Atualmente Professora Associada IV da UFSC, Maria José desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão e tem seu trabalho direcionado ao desenvolvimento de agroecossistemas sustentáveis, por meio da compreensão e melhoria do bem-estar dos animais, considerando as várias implicações éticas, ambientais, sociais e econômicas das práticas e dos sistemas de criação e da produção animal. Tem experiência com pesquisas em laboratório controlado e estudos na fazenda em diferentes espécies, bem como as atitudes dos cidadãos e das partes interessadas em relação às práticas e sistemas de produção pecuária.
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UFSC prepara Vestibular presencial com acessibilidade e prevenção

19/11/2021 09:10

 

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se prepara para o primeiro vestibular presencial desde o início da pandemia de Covid-19. Desde a autorização para a realização das provas, a Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) investe em medidas de prevenção e segurança sanitária e em garantir provas acessíveis aos mais de 25 mil possíveis candidatos.

As inscrições encerram-se nesta sexta-feira, 19 de novembro. O processo será realizado de forma presencial nos dias 29 e 30 de janeiro de 2022, para o preenchimento de 4.521 vagas em 102 cursos de graduação oferecidos nos cinco campi da Universidade (Araranguá, Blumenau, Curitibanos, Florianópolis e Joinville). O prazo para pagamento da taxa de inscrição termina dia 22 de novembro, com a confirmação da inscrição preliminar agendada para 24 de novembro. 

“Nossa expectativa é o preenchimento de 100% das vagas, para início em 18 de abril, de forma presencial. Temos visitado escolas para falar do Vestibular e estamos em plena preparação para as provas, assim como os nossos candidatos,” explica a presidente da Coperve, Maria José Baldessar.

“Estamos visitando todas as escolas que terão a aplicação das provas para avaliar a ventilação das salas, espaço para distanciamento social, todo o planejamento de serviços de limpeza e disponibilização de álcool em gel. Teremos espaço físico suficiente para garantir condições sanitárias adequadas, em salas com ocupação reduzida em até 50%. Os candidatos podem saber que todos os cuidados estão sendo tomados para um Vestibular em ambiente seguro, com toda a cautela. Vamos iniciar em breve a seleção de fiscais e pessoas que irão trabalhar nas provas, e uma das diretrizes é optar por pessoas com ciclo vacinal completo”, salienta Baldessar.

O uso de máscara será obrigatório e a presidente lembra os candidatos que também devem se prevenir antes e durante o processo seletivo. Ela recomenda que evitem aglomerações nos dias que antecedem a prova, que busquem “preservar sua saúde antes e durante as provas, para proporcionar a todos uma prova segura”.

A pandemia de Covid-19, acredita a presidente, tem afetado as escolhas dos candidatos. A Coperve já observa um aumento na procura dos cursos da área da saúde, com o curso de Enfermagem tendo um acréscimo mais significativo. A relação candidato-vaga será divulgada após a confirmação definitiva das inscrições, provavelmente em janeiro.

Acessibilidade

As provas estão em processo de finalização e começarão a ser gravadas em vídeo, na Língua Brasileira de Sinais (Libras). 

“Em todos os concursos e editais, a Coperve disponibiliza aos candidatos a possibilidade de solicitar condições especiais para a realização das provas, inclusive a redação. Temos ainda os espaços especiais para amamentação e para o resguardo religioso dos sabatistas. Dispomos de prova em Libras e em Braille, intérprete de Libras, ledor, transcritor, salas reservadas para portadores de necessidades específicas. Essas condições são avaliadas por uma comissão formada por médicos, psicólogos, assistentes sociais e pessoal da Coperve e atende às necessidades dentro da razoabilidade”, reforça a presidente.

 

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Prêmio Confap: professor Raul Wazlawick é indicado na categoria ‘Pesquisador Inovador’

18/11/2021 08:00

Nasceu na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) um sistema pioneiro no setor de tecnologia da inovação em Saúde. O projeto e-SUS APS, desenvolvido pelo Laboratório Bridge (bridge.ufsc.br) em parceria com o Ministério da Saúde, criou soluções informatizadas para a atenção básica à saúde no Brasil, especialmente em relação ao prontuário eletrônico dos pacientes, coleta de informações e atenção domiciliar. Hoje, o sistema atende cerca de 80% dos municípios brasileiros, é operado por mais de 700 mil profissionais e possui mais de cinco bilhões de registros clínicos – e com 90% de satisfação entre os usuários.

A equipe multidisciplinar responsável pelo produto, atualmente formada por 172 colaboradores, é comandada pelo professor Raul Sidnei Wazlawick, docente do Departamento de Informática e Estatística da Universidade. Além de estar à frente do Bridge desde 2013, Wazlawick ministra disciplinas na graduação e pós-graduação da UFSC, é autor de cinco livros e de mais de uma centena de artigos científicos na área de engenharia de software.

As conquistas registradas em seu currículo lhe renderam a indicação ao Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação – Francisco Romeu Landi, iniciativa do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). A premiação é concedida a pessoas físicas que tenham se destacado em pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação “cujos resultados produziram conhecimento e beneficiaram, direta ou indiretamente, o desenvolvimento e o bem-estar das populações brasileiras”.

Trajetória

Natural de Porto Alegre (RS), Raul Wazlawick mudou-se com a família para Florianópolis aos oito anos, em 1976. Desde criança era fascinado por histórias com computadores em gibis e seriados de TV. “Entrei na computação para desenvolver jogos, mas acabei seguindo outros caminhos”, lembra. Seus pais tinham uma distribuidora de alimentos e trabalhavam, principalmente, com supermercados. “Um dos primeiros sistemas informatizados que desenvolvi – logo depois de formado – foi para gerenciar a empresa deles”, revela o professor, que se graduou em Ciência da Computação pela UFSC em 1988.

Professor da Federal de Santa Catarina desde 1992, Wazlawick possui mestrado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1990), doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC (1993) e pós-doutorado pela Universidade Nova de Lisboa (1998). Atualmente leciona as disciplinas Informática e Sociedade e Engenharia de Software II no bacharelado em Ciência da Computação, e Análise de Sistemas e Algoritmos e Programação no mestrado profissional em Informática e Saúde. Como docente, realizou 51 orientações de mestrado e sete de doutorado.
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Inscrições para o Vestibular UFSC 2022 terminam na sexta, 19 de novembro

17/11/2021 14:36

As inscrições para o Vestibular UFSC 2022 terminam nesta sexta-feira, 19 de novembro. O processo será realizado de forma presencial nos dias 29 e 30 de janeiro de 2022, para o preenchimento de 4.521 vagas em 102 cursos de graduação oferecidos nos cinco campi da Universidade (Araranguá, Blumenau, Curitibanos, Florianópolis e Joinville). O prazo para pagamento da taxa de inscrição se encerra dia 22 de novembro, com a confirmação da inscrição preliminar agendada para 24 de novembro.

Para se inscrever, os candidatos deverão acessar o site www.vestibular2022.ufsc.br e preencher o Requerimento de Inscrição. O valor da taxa de inscrição é de R$ 155,00 (cento e cinquenta e cinco reais) para todos os cursos.

Podem participar do Vestibular candidatos que já tenham concluído o Ensino Médio ou equivalente ou que venham a concluí-lo até a data de matrícula na UFSC. A exemplo de anos anteriores, também poderão participar os chamados “candidatos por experiência”, que não concorrerão à classificação.
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Professor Aloísio Klein é um dos indicados de SC ao Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação

17/11/2021 14:00

Fórmulas matemáticas costumam fazer parte da carreira de um pesquisador com formação em Física e Engenharia, mas apesar da trajetória na área das Exatas, a fórmula que predomina na vida profissional do professor Aloisio Nelmo Klein vai muito além dos números. Pensar à frente, ensinar com motivação e acreditar na parceria – com os colegas e alunos e com organizações externas – são algumas das características que culminaram com a indicação ao Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação – Francisco Romeu Landi.  A iniciativa do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) reconhece aqueles que se destacaram em pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação com resultados positivos para o desenvolvimento e o bem-estar das populações brasileiras. A indicação foi feita pela UFSC à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), representante catarinense na premiação.

Professor titular no Departamento de Engenharia Mecânica, Klein foi também um dos fundadores do curso de Engenharia de Materiais e do programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais e é um dos líderes do Laboratório de Materiais, centro científico pioneiro e um dos pólos do desenvolvimento científico e tecnológico na área, no Brasil. “O Brasil demanda a solução de problemas que já estão à prova. O que fiz, ao longo desses anos, foi pensar em fazer algo que pudesse contribuir com o mundo”, comenta.

Nesse processo, Klein acumulou parcerias que não deixa de mencionar quando cita pontos da sua biografia. O vínculo com a indústria, com quem construiu soluções ao longo de toda a sua trajetória, permitiu que as pesquisas tivessem um impacto direto na realidade. Já a proximidade com os alunos, de graduação e pós-graduação, possibilitou que formasse um grupo de profissionais e de cientistas motivados a buscarem respostas para grandes problemas tecnológicos. “Quando o aluno tem as condições adequadas de realizar o seu trabalho experimental e quando temos boas parcerias com as empresas o resultado tende a ser positivo”, resume.

A metalurgia do pó e a tecnologia de plasma foram duas das frentes de trabalho que o colocaram na vanguarda da inovação. Com a investigação de materiais sinterizados porosos, construiu dois produtos patenteados, com uma dessas patentes já concedida nos Estados Unidos. O pesquisador também investiga as novas técnicas de processamento assistidas por plasma e o desenvolvimento de reatores de plasma – área em que o Laboratório de Materiais da UFSC se destaca como centro de excelência. Essa tecnologia é responsável por uma série de processos físico-químicos que beneficiam diretamente a indústria de materiais.

Ao longo da sua carreira na UFSC e à frente do LabMat, Klein também coordenou uma série de projetos aprovados em concorrência para a obtenção de recursos nos editais das agências de fomento. A soma chega a R$ 70 milhões, somente nos últimos 20 anos. “A interação contínua entre os pesquisadores da universidade e os engenheiros e pesquisadores das empresas parceiras se mostrou ser a forma mais adequada para aquilo que frequentemente é chamado de ‘Interação Universidade/ICTs x Empresa’, pois permite correções de rumo em tempo real durante o desenvolvimento do projeto”, pontua.

Muitos desses parceiros foram formados por Klein, que revela um entusiasmo com sua atuação docente. “O registro na carteira de trabalho está lá: sou professor”, comenta. Olhar “frente a frente”, sem lançar mão da autoridade ou da superioridade acadêmica e trabalhar como um motivador de trabalhos que impactem à realidade são duas das suas práticas. “Minha prioridade é ser professor e orientador. É formar gente muito bem. O resultado disso é que conseguimos desenvolver bons estudos, que rendem inovação e patentes”.

O professor da UFSC foi responsável por um total de 142 cartas de patentes, no exterior e também no Brasil, que resultaram em 22 famílias de patentes de invenção, com os pedidos de deposição em 11 países distintos. Em torno de 40 % destes pedidos ainda estão em fase de análise e algumas dessas patentes já caíram em domínio público.

O início

A saga do pesquisador em busca da inovação tem um marco que ele recorda com saudosismo. Formado em Física, com mestrado em Engenharia Metalúrgica e dos Materiais, foi com um professor na Universidade de Karlsruhe, na Alemanha, durante o doutorado, que aprendeu a buscar problemas de pesquisa que resultassem em soluções inovadoras. “Quando apresentei minha primeira proposta ele me questionou: ‘para que isso vai servir? o que vamos fazer com isso depois?’ e me sugeriu buscar algo que servisse para melhorar algo no mundo”, lembra.

A tese, na área da metalurgia de pós, já resultou na primeira patente. “Tentei pensar em um tema que utilizasse os conceitos da área, mas que resultasse em produto mais barato e com melhores propriedades”. Em todo o percurso atuou com aquilo que chama, brincando, de “índice de viração própria”. “Fui atrás das coisas pessoalmente. Depois, quando voltei ao Brasil, encontrei na UFSC, no Departamento de Engenharia Mecânica, um ambiente muito maduro para seguir”.

Desde o começo da trajetória, Klein aposta em uma atuação multidisciplinar. Físicos, químicos e engenheiros trabalham de forma coletiva na busca por solucionar problemas que aumentem a competitividade da indústria. Essa perspectiva, de uma ciência aplicada e que congrega diversas áreas do conhecimento em torno de um problema, também é um atrativo para as empresas. Entre as organizações parceiras do Laboratório de Materiais, há indústrias multinacionais de ponta que investem nas pesquisas coordenadas por Klein há mais de 30 anos. “E há 30 anos nós não tínhamos tecnologia. Aprender era um grande desafio. Por isso hoje eu vejo que um aluno motivado é capaz de tudo”.

Essas parcerias na pesquisa resultaram em 395 artigos publicados, somando-se os artigos publicados em periódicos internacionais – 189 deles listados na base de dados Scopus, com citações, e 216 publicados em Anais de Congressos Nacionais e Internacionais. O professor também foi responsável pela orientação de 48 alunos de mestrado, 32 de doutorado, 20 supervisões de Pós-Doutorado e pelo registro de 89 alunos de iniciação científica. Hoje, é pesquisador 1A do CNPq, figurando em um grupo restrito de cientistas reconhecidos pela alta produtividade e impacto de seus estudos.

O agora

Em todo o seu discurso, Klein faz questão de lembrar e celebrar a importância do trabalho em equipe. Reverencia colegas de departamento, alunos e parceiros de iniciativas em pesquisa e desenvolvimento ciente de que o trabalho científico exige colaboração. “Temos muitas coisas a fazer e a construir na área de materiais, de novos materiais. A forma de fazer é uma das coisas mais importantes, por isso a parceria precisa ser contínua”, comenta.

Por conta do tempo escasso, o pesquisador já não atua mais na bancada, mas na liderança de grandes projetos e parcerias e na orientação de estudos com potencial de inovação. “A ideia é sempre pensar à frente”, sintetiza. Por isso, uma das iniciativas mais recentes ainda está sob sigilo: sua equipe está prospectando uma série de pesquisas junto a um instituto de tecnologia que está de olho no futuro. “É uma grande parceria que foi iniciada para desenvolvermos novos materiais e aperfeiçoarmos processos”, completa.

Como todo visionário, o professor da UFSC também se mostra entusiasmado e otimista com o futuro. Prestes a completar 71 anos, ele está confiante de que o volume de informações e a tecnologia disponíveis hoje vão formar cientistas cada vez mais bem preparados para enfrentar os problemas que ele sempre perseguiu, desde o primeiro contato com a ciência dos materiais. “Com esse fator e com as parcerias vai aumentar a capacidade de resolver os grandes problemas do futuro”, pontua. “Estou convencido de que a ciência e a tecnologia estão entre as principais forças motrizes para o desenvolvimento de uma nação, além da educação e escolas de qualidade”.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Prêmio Mulheres na Ciência: Lucila Maria de Souza Campos

17/11/2021 09:00

O gosto pelas ciências exatas e um DNA para a educação levaram Lucila Maria de Souza Campos, professora do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, a interromper uma carreira no mercado para se dedicar a algo que já fazia seus olhos brilharem: a pesquisa em gestão ambiental e o ensino. Na pesquisa, consolidou parcerias internacionais e produziu artigos que são referência no mundo. Já no papel de formar, seguiu os passos do pai e da mãe – esta também um dos exemplos femininos marcantes na sua jornada. Ela foi vencedora da categoria plena, na área de Ciências Exatas e da Terra, do Prêmio Mulheres na Ciência 2021.

Pensar no que pode fazer diante das adversidades é um dos focos da carreira de uma mulher que, quando menina, já era muito estudiosa. Seu olhar para o espaço feminino na ciência está bastante associado a essa percepção – a de atingir resultados com empenho e a partir dos desafios estabelecidos. “Percebi que este é o foco das mulheres premiadas: o de buscar o que se pode fazer mesmo com as dificuldades”, comenta. “Nossa maior dificuldade é porque fazemos muitas coisas que a sociedade atribui a nós. Mas eu valorizo muito o tempo. E o tempo de qualidade é também mais produtivo”.

Na trajetória dela, esse é um caminho que se cruza também com uma determinação para uma ciência ainda em construção. “Ainda estou buscando o grande resultado de pesquisa, pois entendo isso como uma construção, não como algo que já está fechado”. Nessa busca gradativa e processual, o exemplo dos colegas e das colegas e a parceria com orientandos tem se mostrado um componente essencial da sua carreira. “Sempre me espelho neles”, sintetiza. A parceria com o companheiro, o também professor Maurício Nath Lopes, também é citada como um componente essencial da vida e da carreira.
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UFSC integra ação que disponibiliza triciclos para idosos na Beira-mar em Florianópolis

16/11/2021 12:22

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio do projeto de extensão Blue Bikers, é uma das instituições integrantes da AMOBRAZIL, uma cooperação internacional que visa ser referência em envelhecimento saudável e mobilidade urbana. A ação visa promover, até o fim do mês de novembro, oficinas de triciclo na Beira-mar Norte, em Florianópolis, para as pessoas com idade a partir de 60 anos. O ponto de encontro é em frente ao Koxixo’s e as atividades ocorrem aos sábados e domingos pela manhã, entre 8h e 11h30.

“A intenção é promover o acesso a atividades físicas que proporcione maior benefício à saúde e também um maior sentimento de pertencimento à cidade. Além do impacto social, buscamos proporcionar a realização de atividades físicas aos idosos, aumentando a interação social e auxiliando para um envelhecimento ativo e saudável”, ressalta a organização.

O projeto de extensão Blue Bikers na UFSC tem como coordenadores a professora Lizandra Vergara, do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, e Cassiano Rech, do Departamento de Educação Física, além de docentes e estudantes da Saúde Pública, Medicina, Fonoaudiologia, Design, Arquitetura e Urbanismo.

Mais informações em instagram.com/amobrazil_ufsc ou pelo WhatsApp (48) 99191-8672

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Sistema de captação de água no século XVIII é tema do novo episódio do tour virtual pela Fortaleza de Santo Antônio de Ratones

16/11/2021 10:51

O que atualmente é considerada uma solução ecologicamente correta de reaproveitamento de água era um sistema vital para a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones no século XVIII. A Casa do Comandante e o Quartel da Tropa eram edifícios que tinham calhas para captação da água da chuva. Esse sistema, que aumentava as reservas para além da fonte existente na Ilha de Ratones Grande, é detalhado no nono episódio do tour virtual.

> Assista ao episódio:

Criado pelos alunos do Curso Técnico em Guia de Turismo do Campus Florianópolis-Continente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em parceria com a Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (CFISC), o tour virtual apresenta uma nova edição a cada final de semana. Os episódios vão ao ar sempre aos domingos, às 10h.

As fortalezas sob gestão da UFSC – Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Fortaleza de Santo Antônio de Ratones e Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim – estão fechadas à visitação pública como medida de combate à proliferação da Covid-19.

Veja também:

Conheça o Quartel da Tropa e a Casa dos Oficiais da Fortaleza de Santo Antônio de Ratones (Episódio 8)
Paiol da Pólvora ficava no ponto mais alto para evitar artilharia inimiga (Episódio 7)
Fortaleza de Santo Antônio de Ratones tinha duas baterias de canhões (Episódio 6)
Casa da Palamenta guardava material para disparo de canhões (Episódio 5)
Ponte levadiça controlava o acesso à Fortaleza de Santo Antônio de Ratones (Episódio 4)
Energia limpa mantém a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones desde 2000 (Episódio 3)
Ratones ajudou no combate a epidemias no século XIX (Episódio 2)
Assista ao primeiro episódio do tour virtual pela Fortaleza de Santo Antônio de Ratones (Episódio 1)
Tour virtual apresenta a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones aos domingos (detalhes do projeto)

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UFSC na mídia: projeto instala ‘armadilhas fotográficas’ e registra espécies raras e ameaçadas

16/11/2021 09:53

Crédito das fotos: Fernando Farias/Divulgação

Uma iniciativa do Projeto Fauna Floripa, parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) e o Instituto do Meio Ambiente (IMA), instalou “armadilhas fotográficas” em florestas de Florianópolis e registrou espécies raras e ameaçadas. Em reportagem veiculada no ND+, o professor e pesquisador Guilherme Brito, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, listou uma variedade de espécies que correm riscos de extinção na capital catarinense.

“A gente tem uma frase super famosa na conservação que é: ‘a gente não conserva o que não conhece’. Então é muito importante a gente fazer um trabalho de divulgação para a população saber que existem esses bichos relativamente ameaçados por aí, e que preservando os ambientes dele a gente pode preservar essas espécies”, afirmou Guilherme Brito à reportagem.

O Projeto Fauno Floripa realiza o levantamento das espécies de mamíferos, aves e anfíbios em Florianópolis. Foram instaladas 20 câmeras foram pela área de mata da Capital, e os animais são monitorados 24 horas por dia.

> Clique AQUI para acessar a íntegra da reportagem

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Prêmio Mulheres na Ciência: Daniela Karine Ramos

16/11/2021 09:00

Desde a semana passada, a Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (Agecom/UFSC) tem publicado reportagens sobre as vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). A quarta matéria da série aborda a trajetória e o trabalho da professora do Centro de Ciências da Educação (CED) Daniela Karine Ramos, vencedora na área de Ciências Humanas, Categoria Plena, voltada a docentes que ingressaram na UFSC entre 31 de dezembro de 2000 e 31 de dezembro de 2013.

Daniela é professora do Departamento de Metodologia de Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Educação e uma das coordenadoras do grupo de pesquisa Edumídia – Educação, Comunicação e Mídias, além de atuar como como professora colaboradora do Mestrado em Recursos Digitais em Educação do Instituto Politécnico de Santarém (Portugal). Há mais de dez anos, dedica-se a projetos de pesquisa e extensão relacionados ao uso de jogos eletrônicos na Educação, com estudos voltados especialmente à aprendizagem e ao desenvolvimento de funções cognitivas. Sua produção acadêmica e científica soma 85 artigos em revistas científicas, 13 livros publicados e organizados, 37 capítulos de livro e 49 trabalhos completos em anais de evento. 

Ela também é divorciada e mãe de três crianças – Julia, Mateus e Eduarda, de 11, 9 e 6 anos, respectivamente. E foi justamente da percepção dos múltiplos papéis que assume, assim como muitas outras mulheres, que veio um dos estímulos para se inscrever na premiação. Para Daniela, essa era uma forma de valorizar a iniciativa e reconhecer a importância da mulher na ciência e os diferentes desafios enfrentados pelas pesquisadoras. “Tenho três crianças pequenas, fiquei na pandemia com eles sozinha, e [com ensino] remoto, computador e trabalho… Então muitas vezes é uma condição bem diferente da de homens que atuam na universidade. A gente tem esse desafio, muitas vezes, de uma responsabilidade maior como mãe. Normalmente, numa situação de divorcio é a mãe que acaba ficando mais responsável pelas crianças”, enfatiza. 

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Conselho Universitário aprova calendário acadêmico para o ano letivo de 2022 com volta às aulas presenciais

12/11/2021 18:50

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou nesta sexta-feira, 12 de novembro, os calendários acadêmicos da graduação e da pós-graduação para o ano letivo de 2022, com a volta das aulas em forma presencial. Na graduação, o primeiro semestre de 2022 começa no dia 18 de abril e vai até 3 de agosto. Na pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), o calendário referencial para os diferentes regimes prevê aulas a partir de 7 de março.

>> Acesse aqui o Calendário Acadêmico para o ano letivo de 2022

Os calendários aprovados estabelecem o encerramento de todos os períodos letivos até o dia 23 de dezembro, proporcionando a volta, já em 2022, do alinhamento entre o ano letivo e o ano civil.

A vice-reitora Cátia de Carvalho Pinto presidiu a sessão, uma vez que o reitor Ubaldo Cesar Balthazar esteve impossibilitado nesta data. Cátia ressalta que o ajuste do calendário tem sido um objetivo necessário, e salienta que a colaboração de toda a comunidade universitária tem sido essencial nesse período excepcional que a Universidade vive com a pandemia. “Com o calendário acadêmico de 2022, a UFSC consegue ajustar os semestres e isso tem reflexos na graduação e na pós, e traz de volta uma normalidade a qual estávamos acostumados. O debate hoje foi muito positivo, e levou a uma decisão oportuna. Caminhamos para um retorno presencial, depois de termos vivenciado a pandemia com foco na manutenção do nosso ensino de excelência, enfrentando toda sorte de complexidades e contribuindo para a preservação de vidas. Teremos um retorno bem-sucedido, e estamos empenhados em produzir esse resultado”, frisou.
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COP26: pesquisadores da UFSC são coautores de relatório que avalia a situação da Amazônia

12/11/2021 13:47

Imagem aérea de queimada próxima à Floresta Nacional de Jacundá, em Rondônia, em agosto de 2020. Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/CC BY-NC-SA 2.0

O Painel Científico para a Amazônia (SPA), grupo que reúne mais de 200 cientistas, divulgou nesta sexta-feira, 12 de novembro, o primeiro Relatório de Avaliação da Amazônia. Apresentado em Glasgow, na Escócia, em um evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a Cop26, o documento alerta que a Amazônia está se aproximando de um potencial e catastrófico ponto de não retorno, devido ao desmatamento, à degradação, aos incêndios florestais e às mudanças climáticas, e faz um apelo aos governos globais, líderes do setor público e privado, formuladores de políticas e ao público em geral para agir agora para evitar mais devastação na região. 

Segundo o SPA, esse é o mais detalhado, abrangente e holístico material do tipo sobre a Bacia Amazônica. Em seus 34 capítulos, fornece uma visão sistemática sobre o estado dos ecossistemas e dos povos da Amazônia e oferece aos formuladores de políticas públicas recomendações para a conservação desse ecossistema e caminhos para o desenvolvimento sustentável da região. Destaca, também, a importância da ciência, da tecnologia, da inovação, dos povos indígenas e do conhecimento local para orientar as tomadas de decisões e a formulação de políticas.

“O que esse relatório faz, o papel dele, é como se fosse um IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] para a Amazônia. Então, é a primeira vez que uma revisão sobre as coisas que acontecem na Amazônia, sobre o estado da Amazônia hoje, é feita assim, dessa forma, com vários pesquisadores”, comenta a professora do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Marina Hirota, uma das autoras do documento.

A estrutura do estudo é dividida em três partes. A primeira apresenta os fatores que determinaram a evolução da Amazônia para o que conhecemos hoje, incluindo aspectos geológicos, climáticos e humanos. A segunda seção discute como as ações antrópicas estão afetando o bioma. São abordadas questões como desmatamento, fogo e mudanças climáticas, no uso da terra e nos regimes de chuva, bem como seus impactos na biodiversidade, nos processos ecológicos, nos serviços ecossistêmicos e no bem-estar humano. O trabalho finaliza com a indicação de soluções e caminhos sustentáveis para o futuro.
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UFSC já oferece 68 disciplinas práticas e teórico-práticas de forma presencial nos cursos de Graduação

12/11/2021 13:35

Entrada de sala de aula no Centro de Ciências da Saúde. (Foto: Edevard Araújo)

Neste segundo semestre de 2021, cerca de 68 disciplinas práticas e teórico-práticas estão sendo lecionadas de forma presencial, com 3.462 estudantes matriculados, principalmente em cursos da área de saúde humana e animal. Esse retorno, parcial, por causa da pandemia, segue os protocolos de biossegurança da UFSC e a ordem de prioridades pré-estabelecidos na Resolução Normativa nº 090/2021/CGRAD.

O pró-reitor de Graduação (Prograd), Daniel Vasconcelos, acredita que esse retorno é muito benéfico: “Foi a forma que encontramos, institucionalmente, de resolver o represamento em cursos com alto índice de conteúdos práticos, não atrasar a formatura dos alunos, manter a qualidade do ensino da UFSC e, ao mesmo tempo, procurar proporcionar essa experiência com o máximo de segurança possível para todos os envolvidos”. 

Vasconcelos explica que, antes da normativa, um questionário foi aplicado com os cursos de graduação, buscando mapear aqueles com maiores problemas de retenção por causa de disciplinas práticas, tratadas como “Menção P”, durante o calendário excepcional da Universidade. Esse mesmo levantamento buscou identificar o tamanho das necessidades em termos de quantitativo estimado de alunos atingidos pelas retenções em Menção P, assim como mapear quais cursos estariam dispostos a pleitear o retorno das atividades presenciais. 

Com essas informações, e mediante autorização do Conselho Universitário, uma Comissão de docentes, discentes e técnicos, sob a liderança da Prograd, preparou a minuta de normativa visando solucionar esses problemas. Desse conjunto de trabalhos resultou a Resolução Normativa aprovada em 19 de maio, que estabeleceu critérios de prioridade na oferta dessas disciplinas ou conteúdos, bem como os trâmites a serem realizados, envolvendo coordenações de cursos, departamentos e centros. A finalização do processo, após o encaminhamento do curso, passa pela Prograd, que faz uma avaliação junto à uma comissão, composta por docentes e estudantes membros da Câmara de Graduação e técnicos do Departamento de Atenção à Saúde (DAS/Prodegesp).  

Aula de técnica operatória no curso de Medicina. (Foto: Edevard Araújo)

Antes da Resolução, cursos que desejassem realizar a retomada de conteúdos parciais de disciplinas teórico-práticas ou disciplinas práticas precisavam cumprir uma série de requisitos, o que demandava mais tempo para ser aprovado. Com a normativa e a garantia da observância dos protocolos de biossegurança, o tempo de análise dos processos diminuiu, caiu de meses para alguns dias. “Esse é um processo que está se tornando cada vez mais rápido, graças ao empenho de todos: coordenações, departamentos, e da comissão da Câmara de Graduação que analisa os pedidos. De um processo de meses, atualmente leva apenas alguns dias, e permite aos cursos planejar melhor a retomada dessas atividades”, continua Daniel. 
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Cantor e compositor Felk participa de live do Projeto 12:30, na quarta-feira dia 17 de novembro

12/11/2021 10:02

Cantor e compositor Felk (Foto: Bend Studio)

O Projeto 12:30 recebe na quarta-feira, dia 17 de novembro, o cantor e compositor Felk em “live” pelo canal do Youtube, às 12h30.  Na “live”, o público terá a oportunidade de conhecer a trajetória do artista, entender suas influências musicais, além de poder interagir ao vivo com o artista pelo chat da plataforma. Durante a transmissão do evento virtual haverá, também, momentos para apreciar as músicas apresentadas ao vivo na versão voz e violão.

Reestruturado para funcionar virtualmente, o Projeto 12:30 tem realizado as “Lives 12:30” e os “Talk Shows 12:30” com frequência quinzenal, desde março de 2021, às quartas-feiras no horário que dá nome ao projeto.

Felk

Felk é um artista catarinense que canta MPB, navegando por influências do folk e do rock. Iniciou sua carreira na música em 2005, como vocalista e compositor na banda de rock “Os Delirantes”.

Em 2013, lançou seu primeiro trabalho. Artista de palco, Felk já se apresentou – com a banda e depois sozinho – nas maiores casas de rock de Balneário Camboriú e região, participando também de diversos festivais e eventos, como o Festival da Canção de Balneário Camboriú.

Em meio à pandemia do coronavírus, o cantor lançou a música “Eu, Você & o Dog”, que foi inspirada na história de um casal de amigos, e teve mais de 100 mil plays nas plataformas de áudio e 35 mil views no Youtube. Os singles mais recentes lançados por Felk chamam-se “Mais um Café” e “O Carro e a Estrada”.  

Projeto 12:30

Projeto cultural permanente há três décadas, é realizado pelo Departamento Artístico Cultural (DAC) da Secretaria de Cultura e Arte (SeCArte), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O Projeto 12:30 apresenta, quinzenalmente, às quartas-feiras, durante o período letivo, atrações culturais gratuitas, na grande maioria de música, junto à Praça da Cidadania, em frente ao Centro de Cultura e Eventos da UFSC, no campus da Trindade. Em períodos de atividades presenciais, o Projeto ocorre quinzenalmente no campus Trindade, e, uma vez ao mês, no Centro de Ciências Agrárias, o CCA, no bairro Itacorubi.

Atualmente, houve a necessidade de mudanças no formato das apresentações, provocada pelo momento de pandemia e pelo adiamento das atividades presenciais na UFSC. Por isso, a programação do Projeto 12:30 está totalmente digital. As atividades ocorrem a cada 15 dias, nas quartas-feiras, pelo canal do YouTube do Projeto 12:30, de forma alternada entre “Talk Show 12:30” – que são entrevistas previamente gravadas – e “Live 12:30”, com transmissões ao vivo.

Acesse o canal do Youtube do Projeto 12:30 através do link:

https://www.youtube.com/channel/UCFogAQnnijMQM60i9E0ECqw

Serviço:

O quê: “Live 12:30” com o cantor Felk
Quando: 17 de novembro de 2021, quarta-feira, às 12h30.
Onde:  YouTube do Projeto 12:30 
Quanto: Gratuito.
Contato:  ou com a coordenadora Bianca Kaizer pelo e-mail: 
WhastApp do Projeto 12:30: (48) 3721-2497

Mais sobre o Projeto 12:30 em  www.dac.ufsc.br  e através das redes sociais (@projeto1230.ufsc).

Redes sociais do artista: @felkoficial

Texto: Bianca Kaizer de Oliveira, Coordenadora do Projeto 12:30 / DAC / SeCArte / UFSC,  com informações do artista

Tags: DAC/SeCArteFelkLives 12:30Projeto 12:30UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Prêmio Mulheres na Ciência: Marília de Nardin Budó

12/11/2021 09:00

Ouvir a pesquisadora Marília de Nardin Budó falar é, quase que instantaneamente, sentir-se tocada por seus objetos de estudo, tão marginais, quanto essenciais para as ciências humanas. Transitando entre detentos, vítimas das grandes corporações ou simplesmente vítimas de um sistema judiciário que escolhe quem punir, Marília construiu uma trajetória intelectual que é fruto de um olhar sensível e acurado para os desvios do mundo e para grandes problemas estruturais da sociedade. Ela foi uma das vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq), na categoria júnior, na área de Ciências Humanas.

Há apenas dois anos no quadro de professoras da UFSC, a atuação dela chamou a atenção de estudantes e de colegas que acompanharam seu pioneirismo em áreas consideradas marginalizadas nos estudos de Direito. A indicação ocorreu a partir de uma colega e de estudantes e foi referendada em carta de recomendação, entre elas a de sua orientadora no mestrado, a professora aposentada da UFSC Vera Regina Pereira de Andrade, uma das suas referências para entrar no campo da criminologia.

“Me sinto, sim, uma jovem cientista”, brinca Marília, como alusão à categoria na qual foi considerada destaque. “Mas tem um percurso aí. E o prêmio vem como uma transição para um momento que estou vivendo, agora com o credenciamento no programa de pós-graduação da UFSC”, comenta.

Mas o olhar para as questões de gênero não foi forjado por títulos e conquistas. A pesquisadora, que se destaca pela produtividade e também pelos estudos com colegas argentinas, norte-americanos, espanhóis e italianos, é crítica ao modo como as relações de gênero se constroem nas universidades. “Não há como comparar homem e mulher nesse espaço. Como estudante você sente a diferença de tratamento, o olhar como objeto. Na docência, é perceptível a diferença de carga horária em sala de aula e nos cargos administrativos em que é preciso ‘carregar o piano'”, afirma.

As vivências pessoais como mulher, jovem, num lugar que reproduz desigualdades por estar inserido num sistema, somam-se às reflexões de uma pesquisadora que tem na crítica aos sistemas de poder um dos nortes da sua atuação. Por isso, a perspectiva que assumiu faz com que ela reconheça que outras mulheres prepararam um território para ela atuar. “Outras vieram antes de mim. É preciso fazer com que o cenário mude para minhas alunas e orientandas, como no passado também já fizeram”.

Entre o Direito e o Jornalismo

Os insights para as principais pesquisas de Marília não negam sua dupla formação. Um livro da professora Vera Andrade, que viria a ser sua orientadora de mestrado, na UFSC, e um texto da jornalista Eliane Brum, uma das mais premiadas do Brasil, revelam como a articulação entre mídia e direito a transformaram numa pesquisadora que transita entre os dois campos, lançando um olhar crítico para ambos.

Do livro de Vera, Ilusão de Segurança Jurídica, veio o fim da própria ilusão que ela carregava sobre o processo penal, a crença nas normas e nas promessas do Estado de Direito. “A criminologia foi desestruturante pois, a partir dela, comecei a perceber que há uma seletividade, que carrega estruturas de raça, gênero, classe e que opera nesse sistema”, resume.

Já o texto de Eliane Brum a inspirou a desbravar um outro campo pouco conhecido nos estudos do Direito: o da criminologia verde, no qual investiga como o sistema penal também produz distorções na esfera ambiental. Nessa investigação, aliás, a pesquisadora também se sente com o ímpeto de uma jornalista: para problematizar aspectos legais sobre como a indústria de amianto afeta a saúde dos cidadãos do seu entorno, compartilha técnica das duas áreas, mais uma prova de que a dupla formação – em Direito e em Jornalismo – lhe garantiu um olhar singular para a realidade.

“Fiz as duas faculdades (Direito e Jornalismo) ao mesmo tempo. Então, todo esse processo de me inserir num campo também foi concomitante. No início, eu priorizei o Direito por conta dos pré-requisitos das disciplinas. Mas foi no jornalismo que comecei a fazer pesquisa, trabalhando com a análise de jornais”, lembra. Ali começava a trajetória no estudo das relações entre mídia e crime. “Me causava incômodo a forma como os jornais retratavam questões como presunção de inocência, como a mídia influenciava as decisões judiciais e outras grandes questões. Foi aí que começou minha trajetória na pesquisa”, lembra.

Olhar crítico para um sistema que não pune os poderosos

A partir daí, as pesquisas de Marília passaram a ser fruto de um tripé: as escolhas dos lugares onde fez sua formação (o mestrado foi na UFSC e o doutorado na Universidade Federal do Paraná, com período na Università di Bologna), sua jornada como professora (na Universidade Federal de Santa Maria, Faculdade Meridional, Unicuritiba, Ulbra e Unifra, entre outras) e as parcerias que se construíram ao longo do tempo.

Uma dessas parcerias, com o professor Gregg Barak, da Eastern Michigan University, lançou-a em um campo até então desconhecido, mas que hoje é uma das suas áreas de pesquisa: os crimes dos poderosos. Dessa parceria, surgiu um convite para lecionar nos Estados Unidos, como convidada, e uma nova possibilidade teórica: unir o que vinha estudando sobre as grandes corporações ao direito ambiental, que sempre a fascinou.

“Eu havia começado a lecionar uma cadeira em um mestrado que tinha como área de concentração ‘Direito, Democracia e Sustentabilidade’ e me deparei com um mundo novo, que me apaixonou”, lembra. Tocada pela história da indústria do amianto e descobrindo novas informações sobre a legislação e o uso da fibra, ela articulou os estudos e fez com que dialogassem.

A pesquisadora explica que seu olhar para as questões que envolviam direito e sustentabilidade também vinha de uma matriz crítica, a partir da percepção sobre um sistema penal que atua de forma seletiva também na esfera ambiental. Nesse sentido, os mecanismos de punição não atuariam entre os grandes poluidores, mas entre agentes mais frágeis, como pescadores artesanais, por exemplo. “As ferramentas do Direito não me pareciam coerentes, pois há uma insustentabilidade do sistema penal nas causas que envolvem a sustentabilidade”.

A construção da identidade como pesquisadora, muito tributária também das parcerias que construiu no exterior, deu lugar a uma investigadora com adesão ao trabalho empírico. Segundo Marília, essa tradição é menos comum no Brasil, mas é onde ela decidiu se firmar – também por conta da experiência com pesquisa em comunicação, quando ainda era estudante de iniciação científica.

Assim, sua proposta de pesquisa no pós-doutorado envolvia o estudo de discursos nas revistas médicas para compreender as relações das grandes corporações e do Estado no caso do amianto – fibra cancerígena utilizada na indústria. Uma das suas descobertas desse período é de que cientistas que trabalhavam para a indústria publicavam papers assegurando que o amianto não causava riscos à saúde humana sem declarar conflito de interesses. Isso gerava, no debate público, uma sensação de que havia uma controvérsia com relação aos efeitos cancerígenos do produto, por isso Marília decidiu estudar os discursos científicos.

Mas o contato com vítimas reais e com seus depoimentos fez com que o objeto mudasse – desistiu de estudar o discurso científico para estudar as pessoas durante um período de pós-doutorado em Barcelona. Como nunca havia atuado com entrevistas, foi um desafio e uma corrida contra o tempo, baseada no ingresso em um novo campo da carreira, que envolvia, também, contato com os comitês de ética em pesquisa.

Com a parceria de Lorenzo Natali, desenvolveu uma metodologia inovadora, denominada solilóquios itinerantes, que consiste em fazer com que o entrevistado vítima do amianto, escolha um caminho pela cidade onde foi contaminado e desenvolva suas falas a partir dos lugares por onde passa. O material é gravado e registrado em vídeo. “O mais interessante é que os resultados da entrevista tradicional são completamente diferentes dos obtidos com os solilóquios. A entrevista tradicional apresenta um resultado mais formal”, comenta.

Entre a criminologia crítica, a criminologia verde e a criminologia corporativa, Marília tem sido pioneira, no campo do Direito, em áreas que são tradicionais nas ciências sociais, fora do país, mas ainda marginais no Brasil. Os méritos são colhidos com frequência: além do prêmio recebido com apenas dois anos de atuação na UFSC, foi recentemente uma das selecionadas, em toda a América Latina, para uma bolsa de estudos no Instituto de Criminologia da Universidade de Leuven, principal reduto da pesquisa em justiça restaurativa.

A determinação para lecionar, pesquisar e construir parcerias mundo afora preparam, para Marília, um espaço de ação que a coloca também como liderança em áreas tradicionalmente menos prestigiadas da vida acadêmica, como a extensão e a divulgação científica. Os projetos Infovírus: prisões e pandemia e Memória, luto e luta em tempos de pandemia: estratégias culturais para afirmação da vida diante da gestão da morte nas prisões, realizados em decorrência da pandemia, lançam um olhar para as prisões brasileiras, os detentos e as memórias daqueles que morreram. Uma forma de investigar, pesquisar, mas sobretudo de agir no mundo.

Prêmio Mulheres na Ciência

O Prêmio Mulheres na Ciência foi criado pela Propesq com o propósito de estimular, valorizar e dar visibilidade às pesquisadoras da UFSC. Também visa inspirar a comunidade científica interna e externa nas diferentes áreas do conhecimento e contribuir para diminuir a assimetria de gênero na ciência. Confira a lista com todas as premiadas.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

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Especialista do HU explica importância de prevenção, diagnóstico e tratamento da pneumonia

12/11/2021 08:46

A pneumonia é uma doença comum na população mas não deve ser negligenciada (Foto: Divulgação HU)

Dia 12 de novembro foi intitulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial da Pneumonia, com o objetivo de reforçar a importância da prevenção e alertar sobre os riscos dessa doença, que acomete diretamente os pulmões, provocando uma inflamação aguda.

No Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC/Ebserh), a pneumologista Rosemeri Maurici da Silva, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Asma e Inflamação das Vias Aéreas (Nupaiva), explicou que a data é importante porque traz esta mensagem para os cuidados relacionados à pneumonia, que é uma doença muito prevalente – comum na população -, potencialmente grave e potencialmente fatal.

“O diagnóstico e o tratamento corretos são fundamentais para alcançar um resultado melhor em um quadro de pneumonia”, esclareceu a médica, que é ex-coordenadora e, atualmente, membro da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

Segundo ela, este alerta é dirigido tanto aos profissionais de saúde, que devem estar atentos às questões técnicas ligadas ao diagnóstico e ao tratamento, quanto ao cidadão comum, que deve se manter informado sobre os fatores de risco e orientado a procurar os serviços de saúde diante dos sintomas, principalmente devido ao quadro da pandemia do coronavírus, já que as pneumonias se associam às infecções causadas pelo SARS-CoV-2, aumentando os riscos.

“É preciso ficar alerta a situações como quadros prolongados de gripe e febre ou tosse com expectoração que não melhora em 48 a 72 horas”, disse Rosemeri Maurici, explicando que esta atenção deve ser redobrada no caso de crianças e idosos, que tendem a apresentar quadros mais graves de pneumonia.

Ela lembra que existe a vacina antipneumocócica, que previne as formas mais graves de pneumonia provocada pela bactéria pneumococo, além de doença invasiva causada pela bactéria. É importante ressaltar, também, que há fatores de risco para o desenvolvimento da doença, como o hábito de fumar; o abuso de bebidas alcoólicas; e manter muitas pessoas em ambientes fechados e com pouca ventilação.

 

Unidade de Comunicação Social – HU-UFSC/Ebserh

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Veleiro ECO da UFSC atraca em Itajaí para evento sobre a saúde dos oceanos

11/11/2021 11:40

O Veleiro ECO da UFSC participa do projeto internacional AtlantECO (Foto: Divulgação)

Santa Catarina recebe a escala de fechamento da programação do projeto internacional AtlantECO. Após passar por Belém, Salvador e Rio de Janeiro, o evento chega a Itajaí, onde ocorre na Marina Itajaí, de 16 a 19 de novembro. Além de extensa programação, atracarão na cidade o Veleiro ECO, primeiro veleiro de expedições científicas do Brasil, e o Veleiro Tara, da França, que serviu de inspiração para a criação do ECO.

O AtlantECO que desembarca no estado catarinense é um projeto desenvolvido em parceria com 36 instituições de 13 países da Europa, Brasil e África do Sul. Tem por finalidade a pesquisa sobre o microbioma do Atlântico, os impactos das mudanças climáticas e da poluição no oceano.

Os resultados das pesquisas ajudarão a prever a migração de espécies, a capacidade do oceano de capturar e armazenar dióxido de carbono (CO2) atmosférico, transporte e riscos de poluentes, como plásticos e nutrientes, e o equilíbrio entre a saúde do ecossistema e as atividades humanas”, destaca a coordenadora do Projeto AtlantECO na UFSC, Andrea Santarosa Freire.

Além do mar, o projeto prevê eventos em terra voltados para promover a conscientização ambiental. Essas ações, chamadas de Port Calls, estão previstas em locais da costa brasileira, europeia e africana. Incluindo Itajaí, uma das quatro únicas cidades do país a receber o evento neste ano.

A programação inclui atividades diversas como palestras, exposições e workshops e, claro, visitação ao ECO que vai receber escolas e o público em geral na Marina Itajaí, de 16 a 19 de novembro.

Um dos eventos principais da programação é a Conferência Ecoando a Ciência no Atlântico, no dia 17 de novembro, a partir das 18h, no Centreventos de Itajaí. No encontro, palestras sobre o Oceano Atlântico, a experiência a bordo dos Veleiros Tara e ECO, a história e perspectivas futuras do Veleiro ECO, entre outros.

As inscrições para a Conferência são gratuitas e podem ser feitas em https://siaiap37.univali.br/elis/staff/login/index/cdEvento/5006 . Para se inscrever, basta fazer o cadastro.

“Por meio destes eventos temos o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre a importância de um modo de vida sustentável para preservar a saúde dos oceanos e de todos os seres vivos que dependem dele, incluindo os seres humanos”, ressalta o coordenador do Veleiro, professor Orestes Alarcon.

Confira abaixo a programação completa.

Dia 16 de novembro (Terça-feira)

09h-12h – Visitação de grupos escolares

14h-17h – Visitação de grupos escolares

16:30h-19h – Visitação pública

18:30h – Exibição do Filme Planeta Oceano no auditório do Centreventos

 

Dia 17 de Novembro (Quarta-feira)

10h-11h – Chegada dos alunos de Florianópolis do Projeto ECOLab, Aliança Francesa

15:30h–17:30h – Visita de universitários da UFSC, Univali e outras universidades interessadas da região.

18h-20h – Conferência “Ecoando a Ciência no Atlântico”

No auditório do Centreventos

18h -18:20h: Discursos de Abertura. Vídeo de divulgação do Projeto AtlantECO

18:20h–18:35h: All-Atlantic, uma grande aliança em benefício do Oceano Atlântico – Prof. José Angel Perez, Univali 

18:35h–18:50h: Conexões entre redes de pesquisa marinha: chave para o entendimento dos oceanos – Prof. Sérgio Floeter, UFSC

18:50h-19:05h: A bordo dos Veleiros Tara e ECO: da Pluma do Amazonas a Pluma do Prata – Profa. Andrea Freire, UFSC

19:05h–19:20h: Veleiro ECO, história, presente e perspectivas futuras – Prof. Orestes Alarcon, UFSC

19:20h–19:35h: Ciência, Sociedade e Políticas Públicas para nossos litoral e mar – Prof. Marinez Scherer, UFSC

19:35h–19:45h: Palestra de encerramento.

 

Dia 18 de Novembro (Quinta-feira)

09:30h -12h – Visitação pública

14h-16:30h – Visitação de grupos escolares

16:30h-18h – Visitação livre, sem agendamento, das exposições e workshops na Marina e Centreventos.

18:30h-20h: Conferência: Navegando para entender e proteger o oceano

 

Dia 19 de Novembro (Sexta-feira)

9h-12h Visitação de grupos escolares

15h – Partida do Tara para Argentina.

Texto: assessoria do projeto AtlantECO

Tags: AtlantECOoceanosUFSCUniversidade Federal de Santa CatarinaVeleiro ECO

Pesquisadora da UFSC Blumenau ganha prêmio em congresso de polímeros

10/11/2021 15:59

A aluna do Programa de Pós-Graduação em Nanociência, Processos e Materiais Avançados (PPGNPMat) da UFSC Blumenau, Pâmela Rosa de Oliveira, teve um trabalho premiado no 16º Congresso Brasileiro de Polímeros, que ocorreu na última semana de outubro. Ela ficou em terceiro lugar na categoria aluno de mestrado com a pesquisa Kaolin nanoclays organically modified with oregano essential oil for active packaging applications (Nanopartículas de argila caulim modificadas organicamente com óleo essencial de orégano para aplicação em embalagem ativa).

A embalagem ativa tem a função de preservar a qualidade do produto e prolongar seu prazo de validade. É denominada assim porque existe uma interação entre a embalagem e o produto. Pâmela explica que, durante a produção de embalagem ativa, os aditivos, como óleos essenciais, são normalmente incorporados diretamente na matriz polimérica em altas temperaturas. “No entanto, esse método apresenta algumas desvantagens, como volatilização do composto ativo durante o processamento, uma liberação rápida durante a aplicação e um mecanismo de ação de curto prazo. Uma forma de minimizar esse problema é o uso de nanopartícula de argila – que apresenta alta área específica, presença de poros e espaçamento basal – como meio de armazenamento do composto ativo”, explica.

A pesquisa teve como objetivo modificar nanopartículas de argila caulim (caulinita e haloisita) com óleo essencial de orégano para aplicação em matrizes poliméricas na produção de embalagens ativas com propriedades antimicrobianas. “Inicialmente, foram realizados dois métodos de modificação, utilizando agitação magnética ou processo de ultrassom. A partir da segunda metodologia, mais quatro condições foram testadas a fim de aumentar a eficiência de incorporação. A eficiência máxima, que foi de 47% para a haloisita e de 43% para a caulinita, foi alcançada por meio de ultrassom e vácuo”, conta a mestranda.

Esta foi a primeira vez que Pâmela conquistou uma premiação em um evento científico. “Fiquei muito lisonjeada. Além de um incentivo para continuação e visibilidade da pesquisa, é também um reconhecimento, que representa um trabalho em conjunto com toda a equipe”, comemora.

Sobre o evento

Congresso Brasileiro de Polímeros (CBPOL), organizado pela Associação Brasileira de Polímeros (ABPol), é um evento bienal que ocorre desde 1991 e que completou 30 anos. A edição de 2021 foi realizada de forma online e teve como tema a cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. Com o formato remoto, essa foi a primeira vez que o evento contou com a participação de pesquisadores, estudantes e entidades de outros países.

O CBPOL tem como objetivo apresentar e discutir diversos temas na área de polímeros, divulgando descobertas e os avanços da área. Além da apresentação de trabalhos, a programação do evento também contou com exposições e palestras técnicas de empresas produtoras de polímeros e equipamentos de laboratório.

Serviço de Comunicação UFSC Blumenau

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Mostra de teatro de animação tem programação on-line e gratuita

10/11/2021 13:04

Cinco espetáculos de teatro de animação de três estados brasileiros e do Distrito Federal serão exibidos gratuitamente entre os dias 15 e 18 de novembro, em dez apresentações com transmissão ao vivo pelo canal do Festival Internacional de Teatro de Animação (Fita) no YouTube. As atrações são parte da 2ª Mostra de Rua Fita, realizada pela Fazendo Fita Cia. Artística e que, neste ano, homenageia a professora, servidora técnico-administrativa, dramaturga, diretora, atriz e poeta Carmen Fossari, falecida em abril. A programação também inclui bate-papos com artistas e mesa de conversa, que estão com inscrições abertas pelo site do evento

Confira o vídeo com as atrações desta edição:

Os espetáculos levam a magia do teatro de animação para a rua e espaços alternativos: bonecos de luva, mamulengos, sombras e esculturas-máquinas manipuláveis. Os conteúdos perpassam um surpreendente mundo portátil, histórias de amor, narrativas épicas do Brasil adaptadas a partir de grandes nomes da literatura brasileira e  histórias clássicas do folclore nordestino.
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Tags: Carmen FossariDACFestival Internacional de Teatro de AnimaçãoFITASeCArteteatroteatro de animaçãoUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Prêmio Mulheres na Ciência: Ione Ceola Schneider

10/11/2021 09:00

Com um exemplar currículo no ensino superior, construído em instituições públicas, a professora Ione Jayce Ceola Schneider destaca-se hoje na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e é uma das vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, concedido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Filha de um pedreiro e de uma professora da educação infantil, seu Ivo Schneider e dona Leopoldina Ceola, a caçula de três irmãos recorda com orgulho da luta dos pais para garantir boas condições de estudo e um melhor futuro.

Professora Ione Schneider é natural de Presidente Getúlio, no Vale do Itajaí. Foto: Acervo pessoal

Ione deixou a cidade de Presidente Getúlio, localizada na região do Vale do Itajaí, em 1995, para cursar o ensino médio em Florianópolis. Três anos depois passou no vestibular do curso de Fisioterapia para Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). “Tudo isso [a possibilidade de sair da cidade natal para estudar] foi um sacrifício da minha família, pois não havia possibilidade de arcarmos com os custos de uma universidade privada”, relembra.

Depois da graduação, a fisioterapeuta começou a trabalhar em uma clínica oncológica. Nesse período, realizou um curso de coordenação da Sociedade Brasileira de Profissionais de Pesquisa Clínica e recebeu o prêmio de Profissional do Ano, em 2006. Paralelamente, tornou-se voluntária da Associação Brasileira de Portadores de Câncer, entre os anos 2003 e 2009, e participou de alguns cursos da American Cancer Society, que lhe ampliaram o conhecimento sobre gerência e gestão de projetos e controle do câncer.

A trajetória acadêmica

A carreira acadêmica iniciou-se com a graduação em Fisioterapia pela Udesc. Foto: Acervo pessoal

Em 2006, Ione Schneider decidiu dar continuidade à pesquisa e ingressou no mestrado em Saúde Pública da UFSC, com o objetivo de analisar a sobrevida de mulheres com diagnóstico de câncer de mama. “Nesse programa conheci a professora Eleonora d’Orsi, que me acolheu de forma acadêmica e maternal e me auxiliou no meu direcionamento. A Eleonora trabalhava com a linha de pesquisa de Epidemiologia do Câncer, área que eu me identificava totalmente e estava vinculada às minhas experiências anteriores”.

A pesquisadora conta que no período da pós-graduação iniciou a busca por novos cursos, aprendeu estatística e gerenciamento de banco de dados para, assim, “entender e saber fazer o que os artigos científicos mostravam”. Ela defendeu sua dissertação e enviou o resumo para dois importantes eventos: o Congresso Mundial de Epidemiologia, promovido em 2008 no Brasil, e o San Antonio Breast Cancer Symposium, no Texas, Estados Unidos. Os resultados de sua dissertação repercutiram na imprensa, uma vez que o trabalho relacionou o maior risco de óbitos em decorrência do câncer de mama a mulheres de baixa escolaridade, resultados que previamente não eram muito explorados, conforme explica Ione.

Pesquisadora auxiliou na organização e condução do estudo EpiFloripa. Foto: Acervo pessoal

Durante o doutorado, a pesquisadora auxiliou na organização e condução do estudo EpiFloripa – Condições de Saúde de Adultos e Idosos de Florianópolis. Em sua tese, defendida em 2013, na UFSC, a professora explorou o conhecimento e prática em relação à mamografia em mulheres adultas e idosas de Florianópolis. A partir do trabalho, publicou dois artigos científicos: um na Revista Brasileira de Epidemiologia e outro na Revista Cadernos de Saúde Pública. Dois anos após sua defesa, iniciou um estágio pós-doutoral no Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da University College London (UCL), no Reino Unido, com uma bolsa CNPq – Ciências sem Fronteiras. Na experiência, foi supervisionada pelo pesquisador brasileiro Cesar de Oliveira e teve contato com os dados do estudo sobre envelhecimento daquele país, o ELSA (English Longitudinal Study of Ageing).

Em uma declaração de apoio à candidatura da professora Ione, Cesar de Oliveira, principal research fellow no ELSA, ressaltou que a colega aprofundou seus conhecimentos científicos nas áreas dos determinantes sociais da saúde e do envelhecimento populacional. “Seu brilhante domínio na área estatística foi um dos destaques de seu período na UCL. A colaboração científica existente entre a UFSC e a UCL, liderada pela professora Ione, tem resultado em publicações importantes em revistas científicas internacionais de alto impacto. Além do aspecto científico de alto nível, a professora possui uma ética e profissionalismo que impressionaram os professores e equipes de pesquisa do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da University College London”, escreveu.

A carreira docente

Ione é docente docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação (Araranguá) e em Saúde Coletiva e em Neurociências (Florianópolis). Foto: Acervo pessoal

O ingresso como docente da UFSC ocorreu em outubro de 2015. Atualmente a professora integra o Departamento de Ciências da Saúde, do Centro de Ciências, Tecnologias e Saúde do Campus Araranguá. É docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, em Araranguá, e dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e em Neurociências, em Florianópolis, todos da UFSC. “Ao assumir como professora, cria-se o desafio de entender todos os processos que a instituição tem e que, como estudante, eram desconhecidos. Conciliar ensino, pesquisa, extensão e administração são tarefas, às vezes, desgastantes”, diz.

Ione revela que sempre procurou também participar ativamente das atividades administrativas. “Ainda durante o estágio probatório fui chefe de departamento, e atualmente sou coordenadora de ensino do Departamento de Ciências da Saúde. Nos programas de pós-graduação, oriento mestrado e doutorado. Já tive 6 orientações de mestrado concluídas e todas de estudantes mulheres”. Faz parte também do quadro de colaboradores do Global Burden of Disease (GBD), coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e do grupo de pesquisadores da Rede GBD Brasil. Desde 2014, Ione colaborou em mais de 30 artigos publicados pelo grupo, sendo que um desses trabalhos possui mais de 6 mil citações.

No ano passado, Ione Schneider foi citada na pesquisa conduzida por uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que utilizou as citações da base de dados Scopus até 2019. O estudo publicado no Journal Plos Biology, em 16 de outubro de 2020, identificou os cientistas mais influentes do mundo, e o nome da pesquisadora da UFSC figura entre os 2% melhores cientistas de sua área de subcampo principal, entre aqueles que publicaram pelo menos cinco artigos. Dos professores da Universidade listados na pesquisa, Ione é a única servidora de fora do Campus Florianópolis. A citação fez com que recebesse uma Moção de Aplausos da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) e uma Moção de Aplausos e Reconhecimento da Câmara de Vereadores de Presidente Getúlio, sua cidade natal.

A mais recente conquista da professora Ione foi o Prêmio Mulheres da Ciência, na área de conhecimento Ciências da Vida, na Categoria Júnior, voltada a pesquisadoras que ingressaram no quadro permanente da Universidade a partir de 2014. “Essa conquista me remete a relembrar todas as etapas da minha vida, todas as pessoas que passaram pelo meu caminho, que me auxiliaram, que estiveram ao meu lado. Não foram só momentos exitosos nesses anos. Assim, sou grata a todos que contribuíram para que eu tivesse a oportunidade de chegar até aqui. Também sei das responsabilidades que essa conquista traz: ser exemplo, especialmente às minhas orientandas. É um caminho árduo para muitas que têm filhos, trabalham, ficam longe das famílias, mas incentivo a seguirem e estarei aqui para ajudá-las a superar esses desafios”, diz a docente.

A pesquisadora destacou a importância da UFSC em toda sua formação após a graduação. “Aprendi muito aqui e ainda aprendo. Agradeço aos professores que me ajudaram na formação e aos meus colegas de Departamento, os quais fizeram a indicação do meu nome para o prêmio. Esses reconhecimentos são importantes para que os profissionais sejam lembrados. Atuamos em diversas atividades dentro da Universidade e, muitas vezes, somos pouco reconhecidos pela sociedade. Somos professores, ministramos aulas, compartilhamos, mas desenvolvemos pesquisas, vamos sempre em busca de novos conhecimentos”, finalizou.

Maykon Oliveira/Jornalista da Agecom/UFSC

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Pesquisadores identificam fungos ameaçados e alertam para a necessidade de políticas de conservação

09/11/2021 15:10

Um fungo que transforma insetos em zumbis no Vale do Itajaí e um líquen que só é encontrado entre as dunas de uma praia de Imbituba são algumas das, pelo menos, 21 novas espécies de fungos e liquens brasileiros que serão incluídas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), um dos principais inventários do mundo sobre estado de conservação de animais, fungos e plantas. A ação é resultado de um workshop organizado pelo grupo de pesquisa Mind.Funga, ligado ao Laboratório de Micologia (Micolab) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Comissão para a Sobrevivência de Espécies de Fungos da IUCN. Os encontros realizados ao longo de setembro e outubro reuniram, além das equipes do Mind.Funga e do Micolab, 18 pesquisadores de nove estados das cinco regiões do país. Até o fim do ano, o grupo segue em processo de avaliação para outras 30 propostas de inclusão de espécies na Lista Vermelha.

Rickiella edulis é uma espécie saprotrófica (absorve nutrientes de matéria orgânica em decomposição) que ocorre na Mata Atlântica, na Argentina e no Paraguai. É considerada em perigo pelos critérios da IUCN. Foto: Gerardo Robledo

O primeiro workshop brasileiro de avaliação de espécies de fungos para a Lista Vermelha Global da IUCN, além da formação de recursos humanos para a classificação das espécies nas categorias de ameaça e a aplicação dos critérios da IUCN, teve o intuito de engajar os pesquisadores no tema da conservação. As primeiras reuniões visaram à capacitação dos participantes na elaboração da documentação necessária. Posteriormente, as propostas elaboradas pelo grupo foram analisadas por dois avaliadores credenciados da IUCN: o cientista-chefe do Jardim Botânico de Chicago, Gregory M. Mueller, e a professora da Eastern Washington University Jessica Allen.

As 21 espécies já avaliadas são distribuídas em dois filos (Ascomycota e Basidiomycota) e oito ordens, e a maior parte está ameaçada de extinção em algum grau. São quatro criticamente em perigo (risco extremamente elevado de extinção na natureza); três em perigo (risco muito elevado de extinção na natureza); nove vulneráveis (risco elevado de extinção na natureza); quatro quase ameaçadas (categoria de baixo risco, mas com espécies perto de serem classificadas ou que provavelmente serão incluídas em uma das categorias de ameaça em um futuro próximo); e uma na categoria “Dados Deficientes” (faltam dados adequados sobre a sua distribuição e/ou abundância para fazer uma avaliação direta ou indireta do seu risco de extinção). 
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Inscrições abertas para curso on-line e gratuito de Cosmologia

09/11/2021 11:20

O Projeto de Extensão da UFSC Astrofísica para Todos oferece o Curso de Cosmologia, com dois módulos de 40h cada, realizado 100% on-line, com material gratuito. Há taxa apenas para aqueles que desejam o certificado, e o projeto oferece possibilidades de isenção. As inscrições estão abertas e podem ser feitas a qualquer momento, bem como o início dos estudos. O ingresso no curso é por fluxo contínuo, com cada estudante assistindo às aulas já gravadas, e realizando as atividades no seu tempo, quando desejarem.

O curso é aberto a qualquer pessoa interessada e as inscrições podem ser feitas pelo site astrofisica.ufsc.br.

A abordagem didática é nova e foi desenvolvida de modo a oferecer um curso 100% on-line e acessível, em nível ideal para estudantes de graduação. Além disso, é oferecido suporte de dúvidas por e-mail. Todo o material do curso (aulas, notas de aula, programas, livros) é gratuito e disponível para download no site. Quem desejar receber Certificado deve se inscrever e preparar um Trabalho de Conclusão de Curso para cada módulo. A taxa de inscrição para quem deseja o Certificado é de R$ 40 por módulo, mas estudantes, professores, aposentados e pessoas em situação de vulnerabilidade social podem solicitar a isenção.

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Inscrições para o Experimenta terminam na quinta-feira

08/11/2021 10:02

A Secretaria de Cultura e Arte (SeCArte) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) informa que o prazo para inscrições na 6ª edição do Experimenta encerram nesta quinta-feira, 11 de novembro de 2021. As orientações para participação no evento foram divulgadas em chamada pública. O documento visa selecionar propostas artísticas e culturais, nas mais diversas linguagens, para apresentação em plataforma digital no evento. Assim como na última edição, em virtude da pandemia do Covid-19, o Experimenta será realizado inteiramente de forma virtual entre os dias 29 de novembro a 03 de dezembro de 2021.

Podem participar os servidores docentes e técnico-administrativos integrantes do quadro de pessoal permanente da UFSC, no efetivo exercício de suas atividades, e discentes regularmente matriculados. As serão realizadas exclusivamente em formulário eletrônico disponível no endereço: secarte.ufsc.br/experimenta.

A proposta deverá ser apresentada, preferencialmente em linguagem experimental, nos formatos de mídia de áudio, imagem ou vídeo da produção artística oferecida (teatro, oficina, exposição virtual, performance, leitura, curta metragens (aproximadamente 10min), música, dança, design, dentre outros) para disponibilização digital no canal do YouTube da SeCArte.

O Experimenta – aberto ao público e gratuito – objetiva incentivar a participação e o envolvimento de estudantes, servidores técnico-administrativos e professores efetivos em atividades artístico-culturais desenvolvidas pela UFSC. O evento é realizado pela SeCArte com o apoio do Departamento Artístico Cultural (DAC) e do Departamento de Cultura e Eventos (DCEVEN).

Serviço:

O quê: Chamada Pública 001/2021/SECARTE – seleção de propostas artísticas para compor a programação do evento Experimenta.
Quando: até quinta-feira, 11 de novembro de 2021
Onde: secarte.ufsc.br/experimenta
Contato: experimenta.secarte@contato.ufsc.br

Tags: DAC/SeCArteExperimentaSeCArte

Prêmio Mulheres na Ciência: Christiane Fernandes Horn

08/11/2021 09:00

A trajetória e as pesquisas científicas de Christiane Fernandes Horn são o foco da primeira reportagem da série sobre as vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2021, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (Propesq/UFSC). A professora do Departamento de Química e coordenadora do Laboratório Interdisciplinar de Química Inorgânica Medicinal e Catálise foi a contemplada na área de Ciências Exatas e da Terra, Categoria Júnior – voltada às pesquisadoras que ingressaram no quadro permanente da UFSC após 31 de dezembro de 2013.

O prêmio reconhece a qualidade e a originalidade da produção científica de Christiane. Com pouco mais de dois anos e meio atuando como docente na UFSC, ela foi responsável pela implantação de projetos de pesquisa inovadores no Departamento de Química. Seus estudos, realizados em parceria com diferentes departamentos da Universidade e de outras instituições, envolvem a síntese de moléculas em laboratório e a análise de suas atividades biológicas, que incluem propriedades antioxidantes e a capacidade de combater bactérias, protozoários e até o desenvolvimento de tumores. Os trabalhos já lhe renderam o depósito de nove pedidos de patente e podem, futuramente, colaborar para o desenvolvimento de novos medicamentos e possibilidades de tratamento para uma série de doenças. 

É importante ressaltar que os avanços científicos são sempre fruto de muito esforço e investimento. A trajetória e a produção de Christiane não são exceção. “Eu trabalho nessa linha já tem bastante tempo. Comecei nessa linha em 2003, praticamente, e foi a área da minha formação, da minha iniciação [científica], do meu mestrado, e isso se solidificou no doutorado”, afirma a docente. 
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