Fortalezas da Ilha: louça do século XVIII passa por recuperação na UFSC

31/08/2019 20:37

Conjunto de louças encontradas em trabalhos arqueológicos na Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Foto: Divulgação

Uma variedade de peças de louça, algumas que provavelmente compuseram banquetes oficiais a partir do século XVIII em Florianópolis, irá passar por trabalho de conservação feito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os itens são parte do acervo de peças encontradas em trabalhos arqueológicos na Fortaleza de São José da Ponta Grossa, na Praia do Forte, em 1989 e 1990.

O conjunto em recuperação reúne fragmentos de louças produzidas com matéria-prima sofisticada – trazidas de países como Portugal, Holanda, China e Inglaterra – e peças feitas somente com as mãos, com padrões de cerâmicas indígenas, provavelmente preparadas localmente. A intenção é que as peças sejam conservadas e a exposição requalificada e reaberta ao público da fortaleza. A iniciativa abrange três setores da UFSC: Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (CFISC/SECARTE), Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE) e Coordenadoria Especial de Museologia.
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Museu da UFSC divulga agenda para visitas mediadas

13/03/2018 13:39

O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC (MArquE) divulga a abertura da agenda de visitas mediadas. Cada visita é organizada de acordo com a especificidade do grupo, conforme faixa etária e número de visitantes.

As visitas são realizadas conforme agendamento prévio pelo e-mail . Na mensagem, o solicitante deve informar à equipe do MArquE: nome da instituição; telefone de contato em horário comercial; faixa etária/ano de escolaridade; número de pessoas; turno da visita; e dias da semana possíveis. A partir desse e-mail o setor pedagógico entrará em contato para agendar a visita.

Mais informações: http://museu.ufsc.br

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Museu da UFSC publica edital para ocupação do Espaço Aberto

21/02/2018 11:06

O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC (MArquE) publicou Edital Interno de ocupação do Espaço Aberto, localizado no Pavilhão de Exposições Antropólogo Silvio Coelho dos Santos, campus Florianópolis, bairro Trindade.

Alunos e servidores docentes e técnico-administrativos podem apresentar propostas de mostras e exposições de curta duração para o Espaço Aberto. As inscrições estarão abertas de 20 de fevereiro a 20 de março de 2018.

Mais informações no Edital Espaço Aberto MArquE 2018 ou pelo site museu.ufsc.br.

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MArquE recebe exposição ‘Tecendo saberes pelos caminhos guarani, kaingang e laklãnõ-xokleng’

23/10/2017 16:42

O Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE) da UFSC recebe entre outubro de 2017 a 29 de junho de 2018 a exposição “Tecendo saberes pelos caminhos Guarani, Kaingang e Laklãnõ-xokleng”, aberta oficialmente na noite do último dia 18, quarta-feira. A mostra resultada da Ação Saberes Indígenas na Escola em Santa Catarina (UFSC, SED SC, Secadi/MEC), que possui o eixo norteador Territórios de Ocupação Tradicional em Santa Catarina: Passado e Presente.

A exposição trata de conhecimentos, de saberes, envolvendo histórias e experiências vividas e repassadas de geração a geração desde tempos imemoriais, usando a palavra falada, a oralidade. Estimula o diálogo com a pluralidade étnica. Mostra diferenças e semelhanças entre os três povos indígenas.
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Museu em Curso apresenta palestra ‘Olhares compartilhados: experiências expositivas com grupos indígenas’

09/08/2017 08:52

O Ciclo de Debates Museu em Curso – 2017 inicia no dia 10 de agosto com a palestra “Olhares compartilhados: experiências expositivas com grupos indígenas”, proferida pela museóloga Viviane Wermelinger Guimarães (Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo – MAE/US). O encontro será às 15horas, no Auditório do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE/UFSC), entidade que organiza o evento. 

Contemplado no Edital ProCultura, o Ciclo de Debates em como objetivo viabilizar um programa de palestras abertas ao público promovidas pelo MArquE que enfocam temas diversos relacionados à teoria e à prática museológica.

Iniciado em 2010, por uma parceria entre Secretaria de Cultura e Arte, Museu Universitário (atual MArquE) e Associação de Amigos do Museu Universitário, o Museu em Curso já recebeu profissionais de diversos campos de atuação, oriundos de diferentes departamentos da UFSC e de outras instituições de Santa Catarina e outros estados brasileiros.

As palestras têm como público-alvo a comunidade universitária, mas também os profissionais de outras instituições museológicas, e a comunidade de forma mais abrangente. É também uma oportunidade ímpar de formação continuada da equipe técnica do Museu e uma possibilidade de discussão, junto a especialistas, de questões relevantes para seu cotidiano.

Mais informações na página do MArquE.

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UFSC inaugura museu patrimonial com objetos que narram a história da universidade

31/03/2017 22:05
Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC.

Réplica de uma mesa de escritório dos anos 1980. Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC.

Em uma iniciativa inédita, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) inaugura, no dia 17 de abril, o Museu Patrimonial Itinerante da instituição. Estarão expostos, no hall do Centro de Cultura e Eventos, 18 objetos, de diferentes épocas e usos, narrando parte da história da universidade. Máquina de escrever, retroprojetor, mimeógrafo e estojo normógrafo são algumas das peças que, até pouco tempo atrás, faziam parte do dia-a-dia no campus e hoje adquiriram valor histórico. Para os mais jovens, a mostra será uma oportunidade de entrar em contato, pela primeira vez, com objetos que sequer conheceram. Para os mais velhos, um momento de relembrar e reviver uma rotina de estudos e trabalho que pode agora parecer longínqua.

O museu foi concebido como um projeto de extensão vinculado ao Departamento de Gestão Patrimonial (DGP/UFSC). O DGP é o órgão da UFSC para onde são encaminhados os bens inutilizados de toda a universidade. Móveis como cadeiras, mesas e armários; computadores; equipamentos eletrônicos; instrumentos de laboratórios; e os mais diversos objetos dispensados por diferentes motivos ficam armazenados em um depósito central. Alguns chegam danificados, mas muitos outros são descartados apenas por seu uso ou tecnologia estarem, a partir de determinado momento, ultrapassados.
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Tags: departamento de gestão patrimonialDGPhistóriainauguraçãoIntinerantemuseuMuseu PatrimonialpatrimôniopreservaçãoUFSC

‘Museu em Curso’ recebe palestra sobre acervos arqueológicos na segunda

30/06/2016 08:02

Museu em curso_04 julho-3O ciclo de palestras “Museu em Curso”, promovido pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC (MArquE), promove, na próxima segunda-feira, 4 de julho, a palestra “Guarda e conservação de acervos arqueológicos”, com a especialista cultural do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ), Adriana Maria Pereira dos Santos. O evento ocorre no auditório do MArquE, a partir das 16h.

Mais informações: (48) 3721-9325.

Tags: arqueologiaMArquEmuseuUFSC

Inscrições abertas para 2º Seminário de Política de Acervos

23/04/2014 15:09

O Museu Victor Meirelles/Ibram realiza no dia 9 de maio de 2014 o 2º Seminário de Política de Acervos, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFM), no campus da UFSC no bairro Trindade, em Florianópolis. As inscrições vão até o dia 5 de maio, pelo e-mail , e os interessados devem enviar nome completo, telefone, formação e instituição, caso esteja vinculado a uma. O evento é uma realização do Museu Victor Meirelles, em parceria com a Associação de Amigos do Museu Victor Meirelles e a coordenação em Museologia da UFSC.


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Evento no IFSC integra a Semana Nacional de Museus

08/05/2013 15:24

Entre os dias 13 e 19 de maio acontece a 11ª Semana de Museus, em comemoração ao Dia Internacional de Museus, celebrado no dia 18 de maio. A iniciativa é do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão ligado ao Ministério da Cultura. Neste ano, mais de 1.200 instituições oferecem quase 4 mil atividades em 535 municípios. O tema desta edição é “Museus (Memória + Criatividade = Mudança”.

Em Florianópolis, o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) promove entre os dias 15 e 16 de maio o Seminário Memória & Memórias, como parte da programação da Semana de Museus. Além de palestras com especialistas de diferentes atuações, haverá a apresentação do projeto do memorial do campus do IFSC em Florianópolis, mostra do curso de Design, exibição de vídeo e oficina de pintura.

Uma das convidadas do evento é a professora do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas (DLLV) Tânia Regina Oliveira Ramos, que falará sobre o  tema “Tantas coisas guardadas: memórias femininas”. Os eventos serão realizados no Auditório da Reitoria do Instituto Federal de Santa Catarina, em Coqueiros, Florianópolis.

Mais informações:

11ª Semana de Museus – programação completa
http://www.museus.gov.br/destaque/13148/

Seminário Memória & Memórias do IFSC
Programação
Inscrições: gratuitas, pelo formulário on-line

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Exposição Ticuna em Dois Tempos prossegue no Museu de Arqueologia e Etnologia

16/07/2012 07:37

O Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE) apresenta pela primeira vez ao público a coleção com 53 objetos recolhidos entre os Ticuna e os registros de campo, compostos por 135 diapositivos (slides) e dois diários produzidos pelo antropólogo catarinense Sílvio Coelho dos Santos no coração da selva amazônica. A visitação prossegue até 25 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h (fechado terças).

A mostra traz o resultado de duas histórias de amor e homenagem a mais numerosa nação indígena do país. De um lado, o olhar do historiador e antropólogo catarinense Sílvio Coelho dos Santos, que reuniu sua coleção quando participou de expedição à Amazônia do Curso de Especialização em Antropologia do Museu Nacional, na década de 1960. De outro, o olhar estético do artista plástico Jair Jacmont, que formou sua coleção na década de 1970, adquirindo os objetos dos próprios índios, na cidade de Manaus.

Exibidas pela primeira vez ao público, as duas coleções juntas assombram e fascinam pela beleza e expressividade. A exposição conjunta é um projeto alimentado há longa data pelas duas instituições de extremos opostos do Brasil, com o objetivo de promover o diálogo entre esses dois reveladores olhares para a mesma cultura, explica a diretora do MArquE Teresa Fossari.

Integram o conjunto de Sílvio Coelho 53 objetos e  registros de campo, compostos por 135 diapositivos (slides) e dois diários produzidos pelo antropólogo catarinense no coração da selva amazônica. São adornos pessoais, cerâmicas, cestos e utensílios domésticos, bonecas esculpidas em madeira, estatuetas em madeira de macaco prego, esculturas antropozoomorfas, mantas, remos, indumentárias completas, brinquedos infantis, um tambor e principalmente bastões cerimoniais, máscaras e outros objetos ritualísticos utilizados na Festa da Moça Nova, além de slides ampliados de figuras humanas e paisagens.

Artista plástico amazonense que se inspira nos Ticuna para produzir seus quadros, Jacmont começou a colecionar as peças de arte indígena que as elites da região consideravam “panema” (azar) dentro de casa. Influenciado pelo movimento cubista na arte, Jair Jacqmont passou a observar tridimensionalidade, textura, cores, formas e conceitos das peças indígenas, como Picasso fez com máscaras e estátuas dos povos africanos.

Passou a comprar no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, em Manaus, peças Ticuna que os vendedores consideravam “artesanatos”, valorizando-as como genuínas obras de arte, sobretudo pela sua tridimensionalidade. Assim reuniu135 peças, entre esculturas antropomorfas e bastões de ritmo e de comando usados para danças e rituais, além de uma considerável quantidade de máscaras esculpidas em madeira. Sob a guarda do Museu Amazônico da Universidade Federal da Amazônia desde 1994, essa coleção veio para Florianópolis como parte de uma parceria com a Rede de Museus do Instituto Brasil Plural – IBP.

Sílvio Coelho entre os Ticuna

Desde a vivência com os Ticuna (Túkuna, na grafia original) em julho, agosto e setembro de 1962, até o dia de sua morte, em outubro de 2008, de câncer, Sílvio Coelho dos Santos dedicaria sua inteligência e energia física à compreensão do modo de ser índio. Ao retornar da expedição comandada pelo antropólogo Roberto Cardoso de Oliveira, seu orientador, esse legado foi depositado na Reserva Técnica da antiga sede do Museu Universitário, do qual ele foi um dos fundadores, aguardando as condições de climatização e conservação que um acervo dessa natureza e importância exige para ser exposto. Isso só foi possível este ano com a inauguração do grande Pavilhão Sílvio Coelho dos Santos, do MArquE, pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC.

Subindo de barco os igarapés e visitando comunidades, Sílvio Coelho recolheu objetos representativos dessa cultura com a preocupação de salvá-los da desaparição e esquecimento futuros, em uma mostra do vínculo afetivo e político que o ligou ao “povo pescado com vara”. A cosmogonia Ticuna acredita que essa gente foi pescada com vara por um herói mítico (Yo´i) nas águas vermelhas do igarapé Eware, segundo conta a chefe da Divisão de Museologia do MArquE Cristina Castellano, que coordena a exposição ao lado da museóloga Viviane Wermelinger  e da restauradora  Vanilde Ghizoni. Depois de nascer do rio, passou a habitar as cercanias da montanha Taiwegine, onde morava o herói, um local preservado até hoje como testemunho sagrado da gênese desses índios que enfeitiçaram o antropólogo catarinense pelo coração e pela mente.

Serviço:

Exposição “Ticuna em Dois Tempos”
Local: Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral
Universidade Federal de Santa Catarina – Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima – Trindade – Florianópolis – SC
Período de exposição: 10 de maio a 25 de outubro de 2012
Horário: Segunda a sexta (fechado as terças) – 10h às 17h

Texto: Raquel Wandelli
Jornalista da UFSC na SeCArte

(48) 3721-9459 e 9911-0524

Tags: museuSílvio CoelhoTicumaUFSC

Museu em Curso promove nesta terça debate sobre povos indígenas

14/05/2012 10:25

O Projeto Museu em Curso promove no dia 15 de maio, terça-feira, a partir das 16h, a mesa redonda Museus e povos indígenas: espaço para o diálogo intercultural. O evento acontece no 2º Piso do Pavilhão Antropólogo Sílvio Coelho dos Santos (MArquE -UFSC), seis dias após a abertura da exposição *Ticuna em Dois Tempos* e tem por objetivo compartilhar do mundo pensado e vivido pelo povo Ticuna. Participam do evento  dois antropólogos-pesquisadores atuantes e comprometidos com os direitos dos povos indígenas, os docentes João Pacheco de Oliveira e Priscila Faulhaber, bem como o diretor do Museu Magüta,  o Ticuna Nino Fernandes.

João Pacheco de Oliveira trabalha com os Ticuna desde a década de 1970, é curador das coleções etnológicas do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e é professor titular do Museu Nacional,  na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Priscila Faulhaber é pesquisadora da Coordenação de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins e pesquisadora-associada do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA). Atua como professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Amazonas e do Programa de Pós-Graduação em Museologia da UNIRIO.

O Ticuna Nino Fernandes responde pela direção do Museu Magüta, o primeiro museu indígena do país que, em 1996, foi premiado pelo International Commitee on Museums (ICOM) e em 1999 foi tema de uma grande exposição realizada no Tropenzmuseum (Museu Tropical) em Amsterdam.  Nino Fernandes recebeu a Ordem do Mérito Cultural do ano de 2005 do Presidente Lula e do Ministro da Cultura Gilberto Gil. Em 2007 foi agraciado com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo presidente Lula. Em dezembro de 2008 lhe foi auferido o Prêmio Chico Mendes, outorgado pelo Ministério do Meio Ambiente.

O  povo Ticuna, autodenominado Magüta, é constituído por cerca de 52.000 pessoas, que vivem em mais de uma centena de aldeias no Brasil, Colômbia e Peru. No Brasil a maioria ocupa a região do Alto Solimões. Atualmente algumas famílias habitam também centros urbanos como, por exemplo, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Beruri e Manaus. Integrantes do povo Ticuna se encontram em processo de escolarização nas aldeias ou fora delas, o que inclui o ensino superior, com ingresso em diversos cursos, incluindo os de Licenciatura Intercultural Indígena, da Universidade Estadual de Amazonas (UEA) e Universidade Federal de Amazonas (UFAM).

O Projeto Museu em Curso deste mês é uma realização Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral/MArquE – UFSC, da Graduação em Museologia – UFSC, do Instituto Brasil Plural  e  do Museu Amazônico (UFAM)

Serviço:

O quê: Museu em Curso, Mesa Redonda – Museus e Povos Indígenas: Espaço Para o Diálogo Intercultural.

Quando: 15 de maio de 2012, das 16h às 18h

Onde: 2º Piso do Pavilhão Antropólogo Sílvio Coelho dos Santos / MArquE -UFSC. Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima, s/n – Trindade – Florianópolis.

Quanto: Entrada franca

Informações: (48) 3721-8604 ou 9325

E-mail: 

Serão fornecidos certificados.

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Museu abre exposição inédita de objetos coletados por Sílvio Coelho na Amazônia

07/05/2012 11:08

Integram o conjunto de Sílvio Coelho máscaras, adornos pessoais e utensílios domésticos, entre diversas outras peças

“Sobre a viagem, posso registrar que está completa. Vivo cenas que sonhei quando garoto e que nunca imaginei viver”. (Diário de Campo de Sílvio Coelho dos Santos – Expedição Ticuna)

Quando em julho de 1962 o jovem historiador Sílvio Coelho dos Santos viajou para o território Ticuna em uma expedição arriscada pelo alto rio Solimões, tinha o desafio de agregar experiência prática à sua formação teórica como antropólogo. Ao chegar ao município de Benjamim Constant, ao lado da colega Cecília Maria Helm e do etnólogo Roberto Cardoso de Oliveira, que o orientava na pesquisa, encontrou um povo massacrado pelo avanço violento dos seringueiros e madeireiros sobre suas terras após o boom da exploração da borracha. Desfigurado pelo álcool e pela miséria, os Ticuna lutavam para perpetuar a prática de suas tradições.

Mas o pesquisador também encontrou um grupo de riqueza cultural fascinante, que organiza todos os seres vivos, inclusive os humanos, em duas grandes linhagens, a das aves e a das plantas, e cujas máscaras, desenhos e pinturas ganhariam, por sua força e originalidade, fama internacional. Muito além da prestação de contas de um trabalho acadêmico exploratório, a coleção de objetos etnográficos, diapositivos e diários de campo inéditos deixados pelo antropólogo representam a retribuição emocionada de um jovem de 24 anos ao povo pacífico, mas não passivo, que o acolheu por três meses e o fez selar o pacto de toda uma vida em defesa dos povos indígenas brasileiros.

Desde a vivência com os Ticuna (Túkuna, na grafia original) até o dia de sua morte, em outubro de 2008, de câncer, Sílvio Coelho dos Santos dedicaria sua inteligência e energia física à compreensão do modo de ser índio. Nesta quarta-feira, 9 de maio, às 19h, no campus da UFSC em Florianópolis, o Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE) apresenta pela primeira vez ao público a coleção com 53 objetos recolhidos entre os Ticuna e os registros de campo, compostos por 135 diapositivos (slides) e dois diários produzidos pelo antropólogo catarinense no coração da selva amazônica.

Desde que retornou da expedição, no final dos anos 60, esse legado esteve depositado na Reserva Técnica da antiga sede do Museu Universitário, do qual ele foi um dos fundadores, aguardando as condições de climatização e conservação que um acervo dessa natureza e importância exige para ser exposto. Isso só foi possível com a inauguração do grande pavilhão que recebe seu nome, no dia 24 de abril, pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC.

Subindo de barco os igarapés e visitando comunidades, Sílvio Coelho recolheu objetos representativos dessa cultura com a preocupação de salvá-los da desaparição e esquecimento futuros, em uma mostra do vínculo afetivo e político que o ligou ao “povo pescado com vara”. A cosmogonia Ticuna acredita que essa gente foi pescada com vara por um herói mítico (Yo´i) nas águas vermelhas do igarapé Eware, segundo conta a chefe da Divisão de Museologia do MArquE Cristina Castellano, que coordena a exposição ao lado da museóloga Viviane Wermelinger e da restauradora  Vanilde Ghizoni.

Depois de nascer do rio, passou a habitar as cercanias da montanha Taiwegine, onde morava o herói, um local preservado até hoje como testemunho sagrado da gênese desses índios que enfeitiçaram o antropólogo catarinense pelo coração e pela mente.

A exposição “Ticuna em dois tempos” traz à tona essa história de amor ao conhecimento e homenagem a mais numerosa nação indígena da Amazônia brasileira e também do país. Cruza dois olhares de duas épocas distintas em duas coleções produzidas com critérios e objetivos diferentes sobre a mesma etnia. De um lado, o olhar do historiador e antropólogo catarinense representado no material coletado durante a sua participação no Curso de Especialização em Antropologia no Museu Nacional (da antiga Universidade do Brasil), no Rio de Janeiro, na década de 1960.

Integram o conjunto de Sílvio Coelho adornos pessoais, cerâmicas, cestos e utensílios domésticos, bonecas esculpidas em madeira, estatuetas em madeira de macaco prego, esculturas antropozoomorfas, mantas, remos, indumentárias completas, brinquedos infantis, um tambor e principalmente bastões cerimoniais, máscaras e outros objetos ritualísticos utilizados na Festa da Moça Nova, além de slides de figuras humanas e paisagens.

De outro lado, está o olhar estético do artista plástico Jair Jacmont, que formou sua coleção na década de 1970, adquirindo os objetos dos próprios índios, na cidade de Manaus. São mais 135 peças, entre esculturas antropomorfas e bastões de ritmo usados para danças e rituais, além de uma considerável quantidade de máscaras esculpidas em madeira. Sob a guarda do Museu Amazônico da Universidade Federal da Amazônia desde 1994, essa coleção veio para Florianópolis como parte de uma parceria com a Rede de Museus do Instituto Brasil Plural – IBP. Explica a diretora do MArquE Teresa Fossari que a exposição conjunta é um projeto alimentado há longa data pelas duas instituições de extremos opostos do Brasil, com o objetivo de promover o diálogo entre esses dois reveladores olhares para a mesma cultura.

Serviço:
Exposição “Ticuna em Dois Tempos”
Local: Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral / Universidade Federal de Santa Catarina / Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima / Trindade – Florianópolis – SC
Abertura: 9 de maio, às 19h
Período de exposição: 10 de maio a 25 de outubro de 2012
Horário: Segunda a sexta (fechado terças) – 10h às 17h

Leia também:

Diário de campo narra sonho e tragédia dos índios da Amazônia

Geralmente à noite, dentro do mosquiteiro, para escapar dos carapanãs, o antropólogo Sílvio Coelho dos Santos escrevia no seu diário de campo todos os detalhes da missão amazônica com uma seriedade científica que não encobria, contudo, o sentimento de idealismo e justiça social do estudante. Ao chegar ao posto Ticuna, no dia 5 de julho, antes de testemunhar as condições de privação e violência em que viviam esses índios, Sílvio revelou sua emoção e o temor de não ser capaz de realizar a missão que lhe fora delegada.

– Às 16,30 horas chegávamos a Mariuaçu, sede do Posto Tukúnas, onde fora recebido pelo encarregado, Sr. Bernardino. O prazer de ver os índios foi total e por um momento pensei ter realizado meus sonhos.

Assim o pesquisador começa a narrar a expedição ao lado da colega paranaense do curso de especialização Cecília Vieira Helm e do coordenador, Roberto Oliveira, que lhe encomendara a pesquisa (o renomado etnólogo faleceu em 2006, dois anos antes do orientando). Segue-se aí um envolvente e envolvido relato de um narrador empenhado em deixar um registro bastante completo sobre as práticas culturais e religiosas, mitologia, sonhos, doenças, tristezas, educação indígena pelos brancos, luta pela sobrevivência da nação Ticuna.

Com um total aproximado de 200 páginas escritas na grafia da época, o relatório apresenta-se na forma manuscrita e datilografada pelo próprio autor, e já é projeto de publicação da Editora da UFSC. Cópia do material só chegou à direção do museu há cerca de oito meses, pelas mãos da esposa do antropólogo, Alair Santos. Embora inédito, o diário foi objeto de análise da mestra em Ciências da Linguagem Cristina Castellano, que escreveu sua dissertação a respeito da coleção Ticuna sob a orientação do antropólogo Aldo Litaiff, aluno e parceiro de pesquisa de Sílvio no atual MArquE.

Ao final do segundo diário, o antropólogo transcreve entrevista com o major Pereira de Melo, que atuou no subcomando do grupo da fronteira de Manaus na expedição Javari de 1960. Sílvio Coelho interroga-o com o objetivo de esclarecer qual era a população metralhada pelo exército na operação que “limpou” a área dos “bandoleiros”, como o major chamava os “apátridas com base no Peru” que, segundo ele, estariam usando os índios em seus ataques às tropas e aos moradores. Uma observação corajosa do pesquisador na última página revela a saga dos índios amazônicos naqueles tempos de ditadura militar, extermínio dos povos nativos, extração desenfreada da madeira e política desenvolvimentista:

– Pelo modo de narrar os fatos, parece que nosso informante estava consciente que os residentes nesse acampamento e vítimas dos ataques do exército eram índios. Falou-nos de que só uma lata de conserva, usada como panela, e calções que alguns habitantes usavam denunciavam a presença de civilização. Todo o acampamento era de estilo típico indígena. Uma sepultura recente foi aberta e o morto estava nu, sobre uma rede indígena.

Coelho denunciava assim os problemas dos índios com as autoridades brancas, que procuravam sempre culpar as brigas entre “tribos” pelo seu extermínio. Ao mesmo tempo mostrava a complexidade e poética da sua cultura, enfatizando a forma de organização social e política desse povo de castas patrilineares, que só admite o casamento entre membros de linhagens diferentes (designadas por nomes de aves e de plantas). Todavia, só eles são capazes de interpretar os sinais que indicam o pertencimento a uma ou outra casta.

Ritual da adolescência
Como outros exploradores que o sucederam, Sílvio Coelho sofreu o magnetismo pela Festa da Moça Nova, o worecu, ritual de iniciação feminina que dura três dias.  Grande parte dos objetos coletados pertencem a essa tradição que envolve todos os parentes e amigos das aldeias próximas.

Inicia com música, bebida (pajarú) e comida preparada pela família na “casa de festa”, preparada pela família da moça que recebe a primeira menstruação. Quando os convidados chegam, os mascarados adentram a festa com uma impressionante coreografia. As máscaras são usadas para expulsar os espíritos malignos e reanimar os espíritos da puberdade, em um movimento que perpetua o ciclo natural de nascimento, crescimento, maturidade e morte.

Acalmados os espíritos, as moças iniciadas na adolescência, são libertas do retiro em que eram mantidas em “currais” ou “jiraus”. Com os cabelos cortados ou arrancados, surgem ricamente vestidas e adornadas para serem apresentadas a toda aldeia como uma nova pessoa, conforme relata o antropólogo João Pacheco Oliveira.

De aparência monumental e impressionante, as máscaras constituem uma das manifestações mais ricas da arte Ticuna. Confeccionadas com fibra de tururi (entrecasca de espécie de Ficus), exibem geralmente uma face humana ou zoomorfa esculpida em “pau de balsa” e cocar feito de cortiça de buriti, conforme explica Cristina. Ao fazer o registro do primeiro dia, o pesquisador anota no silêncio noturno do mosquiteiro:

– À tarde fomos assistir a um ritual de “Virada” do “Pajarú” – bebida feita de mandioca, para a festa da moça nova – e que se inicia, ao que parece, com um toque de tamborim.  Nessa oportunidade notamos uma índia que catava os piolhos de  uma índia velha e os comia.  Outro fato que despertou nossa atenção foi o fabrico, na mesma casa, de uma bebida feita de
banana madura.

A pesquisa está norteada pelo conceito de “fricção étnica”, então recém-proposto por Roberto Cardoso de Oliveira, em contraposição à noção de alienação cultural, que pressupõe submissão total da cultura oprimida à dominante. Em vez disso, Oliveira e Sílvio acreditavam que a relação entre o dominador e o dominante produzia resistência, luta, atrito, contágio e contaminação. Nas páginas amarelecidas pelo tempo, os registros da rotina na aldeia são avivados por narrativas mitológicas e depoimentos diretos dos índios contando situações de conflito que tornam o relato muito verdadeiro e precioso como material bruto de análise.

Utilizados mais além por Oliveira no livro O diário e suas margens: viagem aos territórios Terêna e Tukúna,  os originais manuscritos trazem ainda informações demográficas, desenhos e estudos genealógicos de famílias que o pesquisador adorava fazer na tentativa de compreender o estranho sistema de clãs do “povo pescado”.

Mais tarde, já reconhecido como um dos maiores antropólogos do Brasil, Sílvio se valeria dessa experiência para fazer um trabalho de campo semelhante com o povo Xocleng em Santa Catarina, que deu origem às obras Índios e brancos no sul do Brasil – a dramática experiência dos Xokleng e Os índios Xokleng; memória visual.

Como fruto de sua luta junto a outros antropólogos e indigenistas, finalmente nos anos 1990 os Ticuna lograram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentam o desafio de garantir sua sustentabilidade econômica e ambiental e manter vivas suas práticas culturais. A paz dos Ticuna, contudo, está longe de ser alcançada. Passa pela melhoraria de sua relação com a sociedade branca, historicamente marcada pela violência, como já mostram os
depoimentos de índios recolhidos pelo pesquisador em seu diário: “Nem todos os civilizados são bons, alguns brigam com os tukuna, às vezes discutem com o freguês e não deixam dever mais de um mês” ou “Omerino Mafra açoitou um tukuna e ele não deixa tukuna vender para quem quer”.

Como a primeira jornalista a ter acesso a essa escrita etnográfica, perguntei a mim mesma e a todos que entrevistei: por que Sílvio Coelho dos Santos, de quem fui aluna especial no Curso de Pós-graduação em Antropologia, no qual era coordenador e gozava de amplo prestígio, tendo ainda sido pró-reitor de Ensino de Graduação e também de Pesquisa, presidente da Associação Brasileira de Antropologia, secretário regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, pesquisador sênior do CNPq, nunca se interessou em publicá-lo?  E a resposta que ouço da esposa Alair confirma minha hipótese: “Foi o seu primeiro trabalho como antropólogo; imagino que ele não acreditava no valor que isso pudesse ter”. Mas é justamente no idealismo ingênuo e no entusiasmo do pesquisador ao encontrar o outro da
antropologia que reside o frescor e o encanto dessa etnografia.

“Ticuna em dois tempos” mostra que antes de se tornar um dos etnólogos mais importantes
do Brasil e um grande defensor da causa indigenista, Sílvio Coelho fez um “estágio de indigenidade” com esse povo ameaçado pelo que chamava de “interesses capitalistas”. Esse estágio impactou para sempre sua formação científica e humana. Além de antropólogo, ele foi, durante três meses, um jornalista, um fotógrafo, um habilidoso narrador, um Euclides da Cunha na Amazônia. Foi ave ou planta: Sílvio Coelho foi Ticuna!

Trechos do Diário de Sílvio Coelho:

“Sobre a viagem, posso registrar que está completa. Vivo cenas que sonhei quando garoto e que nunca imaginei viver”.

“Aqui o antropólogo tem que ser acima de tudo um equilibrista, pois ora são pontes de
um único toro de içara que deve ser atravessado, ora os balanceios e reviravoltas da embarcação na correnteza que deve ser mantida em equilíbrio”.

“Nada, narração alguma poderia dar ideia a alguém sobre o que é um igarapé, a bacia
amazônica. As prainhas formadas, as curvas, os furos, os pequenos igarapés afluentes, as árvores caídas formam um conjunto indescritível”.

Por Raquel Wandelli / Jornalista da UFSC na SeCArte / / 3721-9459 / 9911-0524

Tags: antropologiamuseuSílvio CoelhoUFSC

Ensino de arte e cultura é tema do “Museu em Curso” nesta quarta

24/04/2012 09:11

“O ensino de arte e cultura nos museus” é o tema da décima segunda edição do projeto Museu em Curso. Maria Helena Rosa Barbosa, educadora e mestre em Artes Visuais, ministrará a palestra intitulada “Ações Educativas em Museus: entre função, políticas e práticas”. Com acesso gratuito e aberto ao público, a conferência ocorre no dia 25 de abril, quarta-feira, das 16h às 18h, no auditório do novo prédio do Museu de Arqueologia e Etnologia (ex-Museu Universitário), na UFSC.
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Tags: culturamuseupalestraUFSC

Palestra sobre museu comunitário com o antropólogo Vicenzo Padiglione

28/11/2011 13:50

A décima edição do projeto “Museu em Curso” ocorrerá hoje (28/11), às 14h30, no auditório do Museu Universitário. O antropólogo Vicenzo Padiglione abordará questões relativas ao patrimônio cultural das comunidades. Com a palestra “Museu Comunitário” o teórico dará ênfase à sua experiência na Itália.

O projeto “Museu em Curso” é uma realização da Secretaria de Cultura e Arte e Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral – UFSC, em parceria com a Associação dos Amigos do Museu Universitário. Tem como objetivo promover formação e discussão sobre temas relativos aos museus. A cada mês, é realizada uma palestra voltada para as diversas áreas da teoria e da prática museológica.

Vicenzo Padiglione é  professor associado da  *Sapienza Università di Roma*. Leciona antropologia cultural, museologia e etnografia da comunicação. É diretor da Revista *Antropologia Museale*. Concebeu e realizou o *Etnomuseo Monti Lepini di Roccagorga*, e o *Museo del Brigantaggio di Iri  e di Cellere*. Entre as inúmeras pesquisas e publicações destacamos as  que refletem sobre os temas da memória, da museologia e da violência, como *Storie contese e ragioni culturali*.

Serviço:

O quê: Museu em curso, palestra com Vicenzo Padiglione

Quando: 28 de novembro de 2011, às 14h30

Onde: Auditório do Museu Universitário

Quanto: Entrada franca

Informações: 48 3721-8604 ou 9325

E-mail: <http://mc/compose?to=>

Serão fornecidos certificados.

Tags: museuSeCArteUFSC

Curso de gestão em museus inicia segunda turma

30/09/2011 19:14

Alunos, profissionais e interessados na área de museologia têm até 7 de outubro para se inscrever no Curso de Extensão em Gestão de Acervos Museológicos, que inicia no dia 13 de outubro a sua segunda edição deste ano. Com término previsto para o dia 15 de novembro, o curso é promovido pelo Núcleo de Estudos Museológicos da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC. Tem como objetivo capacitar os participantes para o gerenciamento das informações dos suportes/objetos a serem documentados nas instituições museologicas tendo em vista a determinação legal de se adequar ao estatuto dos museus.

Existem cerca de 200 instituições museológicas em Santa Catarina, e seu principal desafio é se adequar ao estatuto da área, regulamento criado em janeiro de 2009. O estatuto determina que instituições dessa natureza só serão reconhecidas após a apresentação de um Plano Museológico assinado por um profissional formado em Museologia. No plano, deverá ser definida a missão, estrutura organizacional e áreas de atuação do museu. Até 2014, só as instituições que tiverem se adequado ao estatuto receberão recursos públicos. Todas deverão ter registrado e catalogado o seu acervo, lembra Francisco do Vale Pereira, coordenador do NEMU.

Ministrado pela professora Rosana Andrade Dias do Nascimento, doutora em museologia, o curso abordará os seguintes aspectos de documentação e pesquisa nos museus: Processamento técnico; Preservação e gestão da informação; Construção de bases de dados; Sistemas informatizados disponíveis no Brasil para tratamento de informações; Inventário e catalogação; Construção de redes de informação; Política de documentação: da aquisição ao descarte.

Profª. Dra. Rosana Andrade Dias do Nascimento – Museóloga; Professora da UFSC; Mestre em Educação/UFBA; Doutora em História Social/UFBA; Professora do Curso de Mestrado na Universidade Lusófona – Lisboa/Portugal; Atua na área da Teoria e Documentação Museológica, História da Arte.

Carga Horária: 30 horas/aula (com certificado de extensão expedido pela UFSC)

Período: 13 de outubro a 15 de dezembro de 2011 (sempre às quintas-feiras, das 09hs às 12hs.)

Informações e Inscrições: envie seu nome completo e CPF para o e-mail   , ou faça contato pelos telefones: 3721 6318 / 9114 4477.

Prazo de inscrições: até 07 de outubro de 2011.

Número de vagas: 35 alunos – haverá pré-seleção através dos apresentados na Ficha de Proposta de Inscrição: critério – atuação na área museológica.

Público alvo: profissionais de museus, alunos de museologia, interessados em documentação museológica.

Por Raquel Wandelli, jornalista SeCArte/UFSC e

Matheus Moreira Moraes, estagiário do curso de Jornalismo na SeCArte

(37219459, 37218329 e 991105240)

assessora de Comunicação da SeCArte/UFSC

www.secarte.ufsc.br

Tags: museuNemu

Primavera dos Museus discute renda de bilro catarinense

16/09/2011 18:43
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A Secretaria de Cultura e Arte e o Museu Universitário realizará na próxima terça-feira, 21/09, a 5ª Primavera dos Museus, trazendo palestra com a antropóloga Anamaria Beck e a jornalista Rosina Duarte, que discutirão a re-significação da tradição da renda de bilro no litoral catarinense.O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBAM) e escolheu para essa edição o tema “Mulheres, Memórias e Museus”. A Primavera dos Museus tem programação nacional com palestras e exposições nos museus de todo o Brasil. Cada instituição escolhe a atividade que irá realizar na semana segundo a temática sugerida.

Anamaria Beck é antropóloga, pós-doutora em Antropologia e foi diretora do Museu Universitário de 1977 a 1982. Publicou trabalhos que discorrem sobre a tradição da renda de bilro e as rendeiras de Santa Catarina.

Rosina Duarte é jornalista, coordenadora da ONG Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação) – jornal trimestral produzido por moradores de rua da cidade de Porto Alegre – e autora/organizadora do livro Contos sem Fadas – escrito em parceria com integrantes do Grupo Renascer da Terceira Idade, que retrata a memória da cultura popular feminina gaúcha.

A palestra ocorrerá no Auditório do Museu Universitário, no dia 21 de setembro, a partir das 16h. A entrada é gratuita e serão fornecidos certificados de participação da semana. Mais informações: 3721 8604, 3721-9325 ou

Por Ricardo Pessetti/ Bolsista de Jornalismo na Agecom

Tags: mulhermuseu

Museu em curso: Historiador Fernando Boppré conversa sobre produção cultural

29/08/2011 10:02

A oitava edição do Projeto Museu em Curso deste ano trará o historiador Fernando Boppré para conversar com o público sobre pesquisa nos museus e sua difusão na comunidade por meio de projetos culturais. No dia 31 de agosto, das 16 às 18 horas, no auditório do Museu Universitário, o cineasta, diretor de museu, produtor cultural e crítico de artes profere a palestra “Museu, Pesquisa e Produção Cultural”, com participação gratuita e aberta à comunidade.
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Obras no prédio do Museu Universitário entram na reta final

12/08/2011 12:16

Uma visita do vice-reitor da UFSC, Carlos Alberto Justo da Silva, e da secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Alves Borges, ao Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, na tarde desta quinta-feira, serviu para estabelecer algumas diretrizes relativas ao funcionamento do espaço, cuja estrutura física deve ficar pronta até novembro deste ano. No momento, estão sendo feitas as obras finais do novo pavilhão que receberá o grande acervo antropológico e etnográfico do museu e as exposições permanentes e temporárias, possivelmente a partir do primeiro semestre de 2012.
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Pinturas e peças em cerâmica sobre o folclore do litoral catarinense estarão abertas à visitação no NEA a partir de terça (9)

08/08/2011 09:00

Agosto é mês do Folclore no Brasil e em todo mundo, as instituições culturais promovem atividades em 22 de agosto, quando se comemora o Dia Internacional do Folclore. Para marcar a passagem dessa data, o Núcleo de Estudos Açorianos da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC organizou a exposição “Folclore do Litoral Catarinense”, com os artistas Marcos Matos (cerâmica) e Van Fraz (pinturas). De 10 de agosto a 30 de setembro de 2011, no Espaço Cultural do Núcleo de Estudos Açorianos/NEA, ao lado do Museu da UFSC, as peças e telas estarão abertas à visitação pública, de segundas a sextas-feiras, das 9 às 12 e das 14 às 17 horas.
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Museu em Curso aborda exposições etnográficas

29/06/2011 09:20

O sétimo encontro do Projeto Museu em Curso traz a museóloga Marília Xavier Cury, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP para proferir a palestra “Museu e Exposições Etnográficas”. A pesquisadora abordará as experiências na área de comunicação museológica, enfatizando as exposições etnográficas. Aberto à comunidade, a palestra ocorrerá no dia 1 de julho, das 16h às 18 horas, no auditório do Museu Universitário.
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Aula magna de Licenciatura Indígena põe em pauta a diversidade

13/05/2011 21:26

As calças jeans e as camisetas convivem bem com a tinta preta no rosto. Os flashes insistentes incomodam alguns, e os sorrisos não saem tão fácil dos adultos, mas há crianças que se postam em frente às câmeras, e jovens de penteado moicano com máquinas e filmadoras nas mãos, como que a revidar fazendo suas próprias imagens. A segunda aula magna do curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da UFSC, que aconteceu na quarta, 11/05, reuniu reitor, pró-reitores, professores, estudantes, autoridades e os alunos de tribos Kaigáng, Xokleng e Guarani, que retornam agora à Universidade após dois meses nas comunidades colocando em prática o que aprenderam no curso em seus primeiros trinta dias.

A data teve programação durante toda a quarta: de manhã, os alunos se reuniram com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto Freitas Meira, quando reivindicaram bolsas de estudos para que possam permanecer na Universidade e concluir o curso, e, às 18h, no hall da Reitoria, foi aberta a exposição “Guarani, Kaigáng e Xokleng – Atualidades e Memórias do Sul da Mata Atlântica”.

A mesa de abertura contou com a presença do reitor Alvaro Prata; do presidente da Funai; da diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) Roselane Neckel e da coordenadora do curso Ana Lúcia Vulfe Nötzold. A mesa de debates foi composta pela pesquisadora do Laboratório de Etnologia Indígena Maria Dorothea Darella; o coordenador-geral da Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC, Gersem José dos Santos Luciano (Baniwa), e a procuradora da República em Santa Catarina Analúcia de Andrade Hartmann.

Multiplicando as transformações

A solenidade foi ao encontro do que Gersem defende: que o curso transforma seus alunos, mas também a sociedade e a Universidade. O hino nacional foi cantado por alunos Kaigáng – metade entoado em sua língua nativa e a outra metade em português; houve espaço à homenagem a Natalino Crespo – feita de acordo com as tradições de sua tribo – companheiro que os incentivou a ingressar no curso e que faleceu no dia 02/03, e o mestre de cerimônias não deixou de lado os caciques, quando registrou a presença das autoridades. Os detalhes demonstram as modificações sutis que a Universidade começa a ensaiar.

“A UFSC não estava e nem está preparada para recebê-los. Mas a forma de nos adequar é vivenciar e aprender, aperfeiçoar a cada dia”, atesta o reitor. “Faço dois pedidos: que tenham compaixão com a nossa instituição, perdoando nossas falhas, apesar de nossa boa vontade, e que exultem-se a si próprios, sendo bons alunos”.

O curso, que vinha sendo gerado desde 2007 pela Comissão Interinstitucional para Educação Superior Indígena (Ciesi, formada por integrantes da UFSC, organizações representantes dos povos indígenas e entidades parceiras), é um dos 26 do Brasil oferecido exclusivamente aos povos indígenas, e ajuda a somar cerca de oito mil índios no ensino superior. O presidente da Funai explica que esse número só tende a crescer. “De acordo com o IBGE, temos hoje no país cerca de 817 mil índios”. Isso significa que nos últimos dez anos a população indígena cresceu mais de 10%, número superior aos das pessoas que se declaram brancas, negras ou pardas. “Já escutei muito, também em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, a frase ‘aqui não tem índio’. Por isso o curso vai além da educação: é também político. E essas novas gerações que fizerem o ensino superior poderão contribuir de forma mais efetiva com a construção do país”, defende.

Igualdade nas diferenças

A professora Roselane ratifica a fala de Márcio: “este momento significa a inclusão desses cidadãos na sociedade, a partir de seu ingresso na Universidade”. A diretora do CFH vai além. “Em um país de diferenças tão profundas, não podemos tratar da mesma forma a todos, como se todos tivessem condições iguais”, afirmou, mencionando em seguida as políticas públicas de permanência que a Universidade destina a alunos oriundos de escolas públicas, negros e indígenas, e reafirmando a disposição da UFSC em buscar meios de viabilizar, junto com a Funai, bolsas de estudos a esses alunos.

A equidade também foi mencionada por Analúcia, que ainda relembrou o saudoso professor Sílvio Coelho dos Santos como orientador nos estudos das questões indígenas – homenageado anteriormente pela professora Dorothéa, que o apontou como baluarte da antropologia em questões da área. “Quando trabalhei junto a tribos, contava-se nos dedos quantos falavam fluentemente o Kaigáng. ‘Só se pegarmos à força esses indiozinhos’, me diziam os mais velhos. Não existia a valorização dos índios e de sua cultura”. Hoje, de acordo com a procuradora, a Secretaria de Educação de SC já reconhece as diferenças e as estimula, orientando escolas e professores. “Agora os alunos são liberados para os cultos junto com seus pajés, e há horários e merendas diferenciados”, relata.

Dos índios para os índios

Doutor em Antropologia Social, Gersem Baniwa faz parte da primeira leva de professores de dedicação exclusiva da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) que leciona nos cursos de Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Comunitário e Formação de Professores Indígenas. O docente analisa a valorização de sua cultura. “Sempre me perguntei quantos eram os portugueses que desembarcaram no Brasil, e qual o número de indígenas que havia aqui para recebê-los, e a resposta me parece óbvia. Em nenhum momento os índios foram capazes de se articular para enfrentar o inimigo comum. E nisso se passaram cinco séculos. Apenas na década de 1970 se iniciaram as primeiras reações mais conscientes dentro dessa relação histórica de dominação”. “Nenhuma política”, continua, “tem sido implantada porque o Brasil mudou sua percepção de mundo, e sim porque os povos indígenas tomaram outra atitude, e o ensino superior faz parte dessa reação”.

Gersem confessa que o magistério voltado ao índio está em processo de construção. “Ainda não tenho clareza do que fazer em sala de aula. A escola foi inventada pelo mundo branco para atender às necessidades de industrialização e mercantilização, e talvez seja um erro adaptá-la às demandas indígenas”.

Há menos de uma década atuando como categoria, os professores indígenas talvez busquem o meio termo. “A responsabilidade é grande. Como se define uma escola intercultural? Tem povos que nos cobram o ensino da língua nativa, mas não conheço índio que não queira aprender sobre as novas tecnologias. E será que ensinar português vai ser bom para esses povos? Tem quem ache que o índio que fala bem o português já não é mais índio”, problematiza.

O duelo entre o novo e o antigo, no entanto, parece se desfazer a partir da visão do professor. “Há pessoas acreditando que a tradição e a modernidade são incompatíveis. Isso é um problema para os pensadores, porque os índios já resolveram a questão. Para eles, o caminho é a complementaridade: não conheço povo indígena que, já tendo contato com a cultura do homem branco, abdique do direito de frequentar uma escola”.

Gersem ainda enfatizou o caráter social que a educação tem para sua gente. “Os índios são pragmáticos: quem vai à escola deve voltar sabendo fazer sabão, anzol, construir roupas, senão significa que não aprendeu direito. O estudo tem como objetivo melhorar a comunidade”.

Pinturas, danças e direitos

Van (que em Xokleng significa taquara), tem sete anos e foi a atração da cerimônia para os fotógrafos. Com adereço de cisal no cabelo, pintura preta no rosto e usando saia de palha, balançava de tempos em tempos um chocalho de cabaça e passava com a mãe Walderes a música que cantaria junto ao grupo logo depois do evento.

Aos 26 anos, Walderes cria a sobrinha Van como filha, e a deixa com a mãe em José Boiteux, onde se localiza a tribo Laklãno, quando fica em Florianópolis para assistir às aulas. “Agora estou mais tranquila porque ela veio comigo para a apresentação, mas no primeiro mês foi mais difícil”, relata.

Formada em Letras Português/Espanhol em uma universidade de Indaial, a Xokleng afirma que estudar, agora, está bem mais fácil. “Quando fiz a primeira faculdade, com minha mãe, havia vezes em que dormíamos no ponto de ônibus, e no outro dia tomávamos banho na própria universidade, porque não havia dinheiro para voltar para casa. Aqui tem sido bem diferente”, comemora.

Questionada sobre a diferença entre os Xokleng, Kaigáng e Guarani, ela se vira e aponta: “Olha só a pintura. Cada um faz desenhos diferentes, e cada etnia possui suas próprias músicas e danças”, explica, contando que sua tribo, que habita um terreno de cerca de 14 mil hectares, abriga as três etnias.  “Conheci professores de geografia e história que se referiam ‘aos índios’ apenas. Mas há grandes diferenças em relação aos costumes e tradições”. Walderes pretende seguir Licenciatura em Humanidades, com ênfase em Direitos Indígenas. “Hoje estamos reivindicando a redemarcação de nossas terras. Quero lutar pelas causas indígenas”.

Por Cláudia Schaun Reis/ Jornalista na Agecom
Fotos: Pâmela Carbonari / Bolsista de Jornalismo na Agecom

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Acessibilidade é debatida no Museu Universitário

27/04/2011 13:02

Quando concluiu a graduação em Educação Artística na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em 1980, Amanda Pinto da Fonseca Tojal mal sabia o significado da palavra acessibilidade. Foi sorrindo que comemorou o fato de haver na plateia da quinta edição do projeto Museu em Curso – que aconteceu na terça, 26/04, no auditório do Museu Universitário – estudantes interessados em discutir o acesso de todos às obras acolhidas permanentemente ou por tempo determinado em espaços destinados à arte.

Coordenadora do Programa Educativo Públicos Especiais e do curso de extensão cultural Ensino da Arte na Educação Especial e Inclusiva, ambos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Amanda começou a se dedicar aos estudos da acessibilidade em 1991. “Temos que pensar que o caminho para a inclusão é diferenciado. As trocas são sempre importantes, mas assustam. Precisamos nos preparar, e mesmo assim sinto que falta [atingir uma comunicação mais efetiva]”.

Qualquer instituição, explica Amanda, dificilmente consegue ser 100% inclusiva. “Quando falamos em contemplar os cegos, já pensamos no braile. Só que muitas pessoas ficam cegas por causa da diabetes, que também causa a diminuição da sensibilidade nos dedos. Ou seja: há cegos que não leem em braile. Vamos conseguir incluir a todos? Não, mas a maioria pode ser considerada. Devemos fazer o nosso melhor; todo acesso é um passo a mais, é um ganho”.

Acessibilidade em 1/4 – A estimativa é que as instituições que se propõem a adaptar estrutura, atendimento e acervo só atinjam 25% das metas propostas para a inclusão; é que as barreiras são inúmeras. Um prédio tombado como patrimônio histórico, como é o caso do edifício que sedia a Pinacoteca (erguido em 1905), tem uma série de restrições quanto a modificações estruturais. “Não pudemos construir rampa no acesso principal da Pinacoteca, apenas numa das entradas laterais, e o elevador foi instalado na parte externa do prédio. Não é o ideal, mas já facilita a entrada de pessoas com deficiência”, explica Amanda.

A adaptação do acervo se constitui um processo complexo: é necessária toda uma equipe para elaborar catálogos e áudio-descrições, e esse também é um dos motivos pelos quais as mostras temporárias geralmente não se tornam acessíveis, já que o tempo para se confeccionar os materiais muitas vezes extrapola o da exposição. Há também a questão financeira – verbas raramente são alocadas para a acessibilidade – e o fato de que as exposições costumam chegar aos museus em “pacotes fechados”: os curadores deixam registradas todas as especificações de como as obras e instalações devem estar dispostas, e é comum não permitirem alterações.

A lei federal 10.098/00 define a acessibilidade como “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida”. Já dentro de um museu, Amanda esclarece que a acessibilidade se traduz em obter informações, compreendê-las e chegar até elas. “O museu deve falar para seu público. É uma função social, educativa, de lazer e de fruição. Às vezes as pessoas que organizam uma exposição não pensam nisso”.

Três pontos fortes – A arte educadora defende que a acessibilidade nos espaços que abrigam a arte deve ter caráter interdisciplinar. “Arquitetura, expografia e ação educativa: é uma grande luta considerar os três igualmente importantes”.

A arquitetura é o ponto mais lembrado quando se fala em acesso às pessoas com deficiência, mas vai além das rampas; a circulação, a segurança, o estacionamento e também a iluminação devem ser considerados. “É necessário pensar que as bancadas que apóiam as obras devem ser mais baixas, com base mais delgada, a fim de permitir que os cadeirantes – e crianças – possam observá-las de perto e num nível mais próximo ao dos olhos”.

A expografia é o conceito do conteúdo que o museu vai apresentar, e a ação educativa complementa a tríade: tem a função de chamar o público, direta ou indiretamente, auxiliando-o a interpretar e compreender as obras.

Durante o processo de adaptação, Amanda entende que é fundamental o diálogo com o público contemplado. “Só ler sobre acessibilidade não adianta. É necessário ir nas instituições que atendem às pessoas com deficiência, criar uma parceria. De nada serve colocar etiquetas em braile junto aos títulos se os cegos e pessoas de baixa visão não podem tocar nas obras. Não é eficaz, também, apenas disponibilizar áudio-descrições. Se for para ouvir sobre as peças, as pessoas podem escutar em casa. Quando se vai ao museu, a vontade é de interagir efetivamente com a arte”, ressalta.

Se para as pessoas com deficiência visual são feitas descrições, reproduções em relevo e também maquetes tridimensionais das pinturas, as palavras recebem atenção especial quando a acessibilidade se volta às pessoas surdas. “Além de muitos não lidarem com o vocabulário artístico, as palavras abstratas são raras dentro do gestual da Libras. Trabalhamos então com jogo de palavras e fotos que se assemelham às pinturas e esculturas”.

Oito anos de luta – Amanda lembra que todas as adaptações pelas quais a Pinacoteca passou foram duramente conquistadas. “Pouco a pouco conseguimos cada alteração. Foram quatro anos até retiramos o tapete vermelho da entrada, que vivia enroscando nas cadeiras de rodas”. Em oito anos vieram o piso tátil – permitido apenas porque não danifica o piso original -, as visitas acompanhadas por educadores especializados, o catálogo em braile e também em tinta (com letras em tamanho maior), o guia para o público surdo, as maquetes visuais e táteis – entre eles, uma boneca de pano de cabeça pequena e pés grandes, que faz entender a tela O Abaporu, de Tarsila do Amaral – e o treinamento dos funcionários (desde saber manejar uma cadeira de rodas até aprender os fundamentos da Libras).

Os caminhos abertos propiciaram a experiência que agora a Pinacoteca compartilha em cursos de ensino da arte na educação especial e inclusiva para a capacitação de educadores e profissionais das áreas de artes, museus e saúde.

Para todos? – Apesar de todo o trabalho na direção da inclusão, as manifestações do público são diárias. “Há pessoas que reclamam de não terem acesso às doze obras da Galeria Tátil de Esculturas Brasileiras, que é um espaço só para os cegos, com peças em bronze aparafusadas nas bases, próprias para o toque. Dizem que o trabalho não inclui, e sim exclui os outros públicos. Defendo que nos baseamos no princípio da equidade: nossa proposta é tratar de maneira distinta os que não estão em condições de igualdade, exatamente para que relações justas sejam construídas”.  Durante os vinte anos que se dedica ao tema, a arte educadora afirma que a troca é recompensadora.  “O que ganhamos? Ganhamos nos humanizando”.

Por Cláudia Schaun Reis/ Jornalista na Agecom

Tags: acessibilidademuseu

Museu em curso desta terça discute experiências de acessibilidade

26/04/2011 15:30

A questão da acessibilidade de pessoas com deficiência em museus e instituições culturais está em foco na quinta palestra do projeto Museu em Curso. Nesta terça, 26/04, das 16 às 18 horas, no auditório do Museu Universitário Osvaldo Rodrigues Cabral, a educadora de museus Amanda da Fonseca Tojal abordará o tema “Museu e Acessibilidade”, tendo em vista a implementação da Política de Acessibilidade na UFSC e no Museu Universitário. Coordenadora do “Programa Educativo Públicos Especiais”, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Amanda falará sobre as experiências com ações educativas inclusivas desenvolvidas na sua instituição.
O evento servirá como subsídio para a adoção de procedimentos inclusivos e de acessibilidade no Museu Universitário, conforme explica a diretora Teresa Fossari. “A equipe tem uma grande preocupação com a inclusão de pessoas com deficiência, tanto no projeto expográfico, como no projeto arquitetônico do novo prédio”. Por isso, o Museu em Curso convidou uma pesquisadora experiente na área para assessorar na definição de um programa educativo voltado a públicos visitantes especiais. Também foi convidada a participar do debate a assistente social Corina Espíndola, coordenadora do Programa de Implementação da Política Universal de Acessibilidade na UFSC, que foi oficializado em dezembro do ano passado, com a criação do Comitê de Acessibilidade, vinculado à Pró-Reitoria de Ensino de Graduação.
Desde a sua concepção, a proposta arquitetônica da nova sede do MU prevê rampas de acesso para cadeirantes e piso tátil para portadores de deficiência visual. Diversos recursos vão facilitar a circulação pelos corredores internos e fruição dos acervos expostos a pessoas com necessidades especiais. Incluem-se aí legendas e textos em Braille, pisos táteis marcando o percurso da exposição, áudio-guia e intérprete da língua dos sinais, regulação da altura das vitrines e dos textos de apoio para ficarem ao alcance de cadeirantes, maquetes táteis, áudios-visuais com legenda, entre outros. No caso de pessoas com dupla deficiência, como os surdos-cegos, Corina lembra que será necessário adotar guias-intérpretes capacitados para escrever as mensagens na mão do visitante ou manipular os seus dedos para produzir os sinais de Libras.
Promover a formação de profissionais da área e proporcionar a discussão sobre temas relativos aos museus é o objetivo do projeto Museu em Curso, uma realização da Secretaria de Cultura e Arte e Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, em parceria com a Associação dos Amigos do Museu Universitário. A cada mês, o projeto realiza uma palestra voltada para as diversas áreas da teoria e da prática museológica. Os participantes do evento receberão certificados.

A palestrante:

Amanda Pinto da Fonseca Tojal concluiu o doutorado em Ciências da Informação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, o mestrado em Artes pela ECA-USP, a especialização em Museologia pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo e o Curso Superior em Licenciatura em Educação Artística pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Além do programa educativo para públicos especiais, coordena na Pinacoteca de São Paulo o curso de extensão cultural “Ensino da arte na educação especial e inclusiva”. Presta atualmente consultorias em acessibilidade e ação educativa inclusiva em museus e instituições culturais.

Serviço:

O quê: Museu em curso, palestra com Amada Tojal
Quando: 26 de abril de 2011, das 16h às 18h
Onde: Auditório do Museu Universitário
Quanto: Entrada franca
Informações: 48 3721-8604 ou 9325
e-mail:

Po Raquel Wandelli/ Jornalista na SeCArte

Tags: acessibilidademuseu

Área da cultura ganha novos representantes no Conselho Estadual

19/04/2011 18:32

O historiador e folclorista Franciso do Vale Pereira, coordenador do Núcleo de Estudos Museológicos (Nemu) da UFSC é o novo representante da área de folclore no Conselho Estadual de Cultura. Junto com Francisco, outros vinte representantes do setor cultural foram nomeados para as mais diversas áreas (artes, teatro, letras, literatura, música, cinema, dança, patrimônio histórico e geográfico). A solenidade de posse ocorrerá na quinta, 28/04, às 11h, no auditório da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte.

Os novos conselheiros, indicados pelo Governo do Estado e pelas entidades culturais e universidades em sistema de composição paritária, foram nomeados por dois anos em ato assinado pelo governador Raimundo Colombo em 4 de abril de 2011. “A importância de assumir esse cargo está principalmente em poder participar das decisões do Conselho, contribuir para achar caminhos e soluções e fazer a cultura ser uma área reconhecida pelo Governo do Estado. Acredito que quanto mais o governo apoiar as iniciativas culturais, maior será a contribuição para a formação da cidadania”, ressalta Francisco.

Novos conselheiros:

Indicação do Governo do Estado

Marly Elizabeth Benedet Garcia – Presidente (Artes)
Neila Maria Balú (Artes)
Adriano Dutra (Teatro)
Jairo Alvim Barbosa (Letras e Música)
Andrea Marques Dal Grande (Patrimônio Histórico)
Luiz Eduardo Caminha (Escritor e Jornalista)
Luiz Carlos Laus (Música)
Alcides Buss (Letras e Editor)
Marco Anselmo Vasques (Letras e Teatro)
Cristiano Moreira (Poeta)

Membros Indicados pelas Entidades Culturais

Betina Adams, Representante dos Profissionais de Conservação e Restauração do Patrimônio Histórico;
Jeferson Luiz de Lima, Representante dos Profissionais da Área de Cinema;
Elisangela Jaworski, Representante dos Profissionais da Área de Dança;
Luciano Cavichiolli, Representante dos Profissionais da Área de Teatro;
Francisco do Valle Pereira, Representante da Área de Folclore;
Sebastião Carlos de Andrade Machado, Representante da Área de Música;
Augusto Cesar Zeferino, Representante da Área de Patrimônio Histórico e Geográfico;
Júlio de Queiroz, Representante dos Escritores;
Hilário Fred Voigt, Representante dos Artistas Plásticos;
Adriana Durante, Representante dos Profissionais Educadores de Arte.

Tags: museuNemu

Museu Universitário identifica e analisa componentes químicos na pintura de obras de Cascaes

13/04/2011 12:09

Fotos: Paulo Noronha

A análise das camadas pictóricas que revestem esculturas feitas em argila por Franklin Cascaes é o objetivo de um trabalho que vem sendo realizado esta semana por uma equipe da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no Museu Universitário Prof. Oswaldo Rodrigues Cabral, na UFSC. A partir do uso de equipamentos avançados de identificação de elementos químicos que fazem parte das amostras, técnicos do Laboratório de Física Nuclear Aplicada da UEL vão permitir que o museu estabeleça os melhores parâmetros para a conservação das peças. Cerca de 500 esculturas de Cascaes, 350 delas em argila, fazem parte do acervo do Museu Universitário.

A cooperação científica entre as duas instituições foi um desdobramento dos estudos da mestranda Vanilde Rohling Ghizoni, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PósArq), que vem trabalhando em cima de figuras humanas esculpidas por Cascaes do final dos anos 40 ao início da década de 80. “Por meio da análise técnica, poderemos identificar os componentes químicos e dimensionar a sua sensibilidade a elementos como umidade e temperatura, facilitando a conservação”, diz a mestranda. “Este é um trabalho inédito sobre o legado de Cascaes, que tem mais de 1.700 obras tombadas no acervo da UFSC”, completa.

O fato de usar as técnicas de fluorescência de raios-X e espectroscopia Raman, que utilizam fontes de radiação gama, faz com que a intervenção seja do tipo “não destrutiva”, porque não exige a retirada de um pedaço da obra para a análise. A primeira técnica consiste em identificar os elementos químicos que fazem parte da policromia da amostra. “Isso facilitará a escolha do tratamento adequado para uma eventual restauração”, afirma o físico Paulo Sérgio Parreira, do Laboratório de Física Nuclear Aplicada da UEL. Já o Raman é um feixe de laser que, ao bater no pigmento, recebe uma resposta de energia que faculta a identificação do composto molecular da tinta usada na obra.

Bom conceito – O professor Paulo Sérgio Parreira, que desde segunda-feira trabalha no museu ao lado de Fábio Lopes, do programa de pós-doutorado em Física da UEL, e do mestrando Eduardo Inocente Jussiani, explica que o fato de usar equipamentos portáteis facilita o deslocamento até o local onde se encontra a obra a ser analisada. “Este modelo é usado em diferentes situações e, pelas suas características, facilita as ações de campo, como o estudo de pinturas rupestres”, afirma. “O sistema é muito prático e nos permitiu, por exemplo, trabalhar em igrejas com pintura mural necessitando de restauração, em vários estados brasileiros”, conta.

Parreira informa que o laboratório já firmou termos de cooperação técnica com o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, com o Museu de Arte de São Paulo (onde foi restaurada, em parceria com o Louvre, a obra “Hymeneus Travestido Assistindo a uma Dança em Honra a Príapo”, pintado entre 1634 e 1638 pelo francês Nicolas Poussin) e com o Museu de História Nacional, no Rio de Janeiro (onde foi restaurada uma coleção de moedas de ouro e prata do Brasil colônia).

Blocos de pedra – A mestranda Vanilde Ghizoni explica que Franklin Cascaes não costumava queimar as peças que fazia e usava tintas baratas, em vista do custo, como deu a entender nos cadernos manuscritos que deixou. “Professor da antiga Escola Industrial, ele trabalhou muito com gesso, a partir de formas de argila, mas abandonou esse processo porque elaborava peças únicas e o gesso, na sua opinião, perdia detalhes que ele considerava importantes”, conta ela. O vínculo estreito que mantinha com os oleiros de São José, junto aos quais se criou, também pesou na decisão de dedicar-se ao artesanato com barro, uma forte tradição na região da Grande Florianópolis.

Como muitos artesãos, Cascaes trabalhava sobre blocos de pedra, cujas camadas removia com instrumentos até chegar ao resultado final. Sem cozimento, no entanto, as peças ficam mais vulneráveis a fraturas e ao desgaste do material.

Os apoios – O Museu Universitário terá novas instalações nos próximos meses, e é importante que as peças a serem expostas estejam num espaço com a mesma temperatura da área de armazenamento, onde a climatização protege as obras. “A análise feita pela UEL é importante, porque ainda não conhecemos o comportamento da argila e como se pode fazer a melhor conservação das esculturas”, afirma Vanilde. As peças foram restauradas entre 2004 e 2005, mas sem conhecer as características da pintura há sempre o risco de perdas do material original.

Vanilde Ghizoni, que está desde 2003 no Museu Universitário, deve concluir seu mestrado em meados deste ano e informa que muitos projetos foram desenvolvidos ali graças à participação em editais nacionais.

O projeto de Vanilde tem o apoio da Secretaria de Cultura e Arte (SecArte), Museu Universitário e PósArq. Antes de começar a análise das peças, houve palestras com ela e com o físico Paulo Sérgio Parreira, da UEL, com entrada franca, na última segunda-feira, dia 11, no Museu Universitário.

Mais informações no Museu Universitário Prof. Oswaldo Rodrigues Cabral, pelo fone (48) 3721-8821.

Por Paulo Clóvis Schmitz/ Jornalista na Agecom

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