Pesquisa da UFSC analisa efeitos do glifosato na gestação de roedores

24/04/2026 15:20

Um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) investigou os efeitos da exposição ao glifosato – mais especificamente ao RoundUp, a formulação comercial a base de glifosato -, durante a gestação de roedores, que dura 21 dias. A pesquisa buscou entender se o contato com o produto, que é o pesticida mais aplicado no Brasil,  pode trazer riscos à saúde de mães e filhos.

Os resultados mostraram que, dentro dos níveis considerados seguros por agências reguladoras, não houve efeitos metabólicos significativos. Não foram identificadas alterações como diabetes gestacional, ganho de peso ou mudanças relevantes no comportamento dos animais analisados.

Entretanto, os pesquisadores observaram alterações sutis no fígado, relacionadas à epigenética, mecanismo que regula a forma como os genes se expressam. Esses efeitos não causam impactos imediatos, mas levantam dúvidas sobre possíveis consequências a longo prazo, especialmente em casos de exposição contínua.

O trabalho foi liderado pelo professor Alex Rafacho, Coordenador do Laboratório de Investigações de Doenças Crônicas (LIDoC), do Centro de Ciências Biológicas (CCB). O estudo é resultado da tese de doutorado de Aline Barbosa Lima, que conduziu a parte experimental da pesquisa, e contou com apoio de Victoria Cristina Malinski, Morgana Contini e Natália Stinghen Tonet, que compõem a equipe do LIDoC. 

Ainda segundo o pesquisador, os estudos não receberam financiamento externo específico. O trabalho foi realizado com recursos estruturais da própria UFSC, como laboratório, animais de pesquisa e insumos básicos. Entretanto contou com o apoio da Universidade de São Paulo (USP) para experimentos com células.

O estudo foi publicado na revista científica internacional Environmental Pollution, considerada uma das mais relevantes do mundo na área de contaminantes ambientais.

Por fim, a pesquisa indica que, mesmo em concentrações consideradas seguras do ponto de vista ambiental, podem ocorrer efeitos sutis, que não são detectados por análises clínicas ou macroscópicas. Um exemplo são as alterações epigenéticas, identificadas apenas por exames moleculares, mas que podem ter repercussões futuras tanto nas mães quanto nos filhos.

“O Roundup não teve nenhum grande efeito deletério, a gente não viu nada equivalente a diabetes gestacional, nem alterações relevantes de comportamento ou metabolismo”, afirma o professor. 

Professor Alex Rafacho, do Laboratório de Doenças Crônicas da UFSC.

Em testes complementares, foram identificados possíveis efeitos negativos quando as células foram expostas à formulação completa do produto, e não ao glifosato isolado. Isso indica que outras substâncias presentes na mistura podem influenciar na toxicidade.

João Hasse | agecom@contato.ufsc.br

Estagiário da Agecom | UFSC

Tags: Associação Brasileira de Pesquisa CientíficaCCBDestaque PesquisadorglifosatoLaboratório de Investigação de Doenças Crônicas (LIDoC)pesticidasUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Pesquisadoras do INCT Futebol UFSC participam de evento no exterior

16/04/2026 16:40

A coordenadora geral do INCT Futebol, Carmen Rial , em evento em Istambul
Foto: INCT Futebol

Pesquisadoras ligadas ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro (INCT UFSC Futebol)  participaram, em março, de eventos acadêmicos internacionais na Turquia e na Argentina. Na Turquia, a coordenadora-geral Carmen Rial, esteve em Istambul durante a Conferência Intermediária da Rede de Pesquisa Sociedade e Esporte da Associação Europeia de Sociologia. No evento, ela apresentou um estudo sobre a circulação internacional de jogadoras brasileiras de futebol a partir do impacto do Título IX, legislação dos Estados Unidos que promove igualdade de gênero no esporte universitário. A participação também resultou na articulação de novas parcerias e no interesse de pesquisadores estrangeiros em integrar a rede do INCT Futebol. Rial destacou ainda a dinâmica colaborativa do encontro, que incentivou a criação de debates temáticos entre os participantes.

Já na Argentina, entre 18 e 20 de março, ocorreu em Rosário o congresso 50 anos do golpe de Estado de 1976, com a participação de Mariane Pisani, Caroline de Almeida e Lívia Gonçalves Magalhães. Na mesa Esportes, Memórias e Ditaduras as pesquisadoras discutiram o papel do futebol em contextos autoritários na América Latina. Caroline de Almeida abordou a relação entre futebol, repressão e memória durante as ditaduras, destacando a Operação Condor e seus impactos transnacionais. Lívia Magalhães analisou estádios como espaços de memória, citando exemplos no Brasil e no Chile que foram utilizados como centros de detenção e violência. Os debates também trouxeram reflexões sobre o uso político do futebol, como durante a Copa de 1970 no Brasil, quando o esporte foi associado à propaganda da ditadura.

 

Tags: futebolINCTUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

INCT UFSC participa de nova edição de dossiê sobre futebol como fenômeno social

16/04/2026 13:42

A Revista Iluminuras, vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), lançou uma nova edição do dossiê Futebol como fenômeno social e cultural, organizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro (INCT Futebol/CNPq/UFSC).  A publicação tem como objetivo trazer o futebol como um importante objeto de estudo das ciências sociais no Brasil. Esta é a segunda edição do dossiê, que dá continuidade à proposta iniciada no volume 26, número 72, publicado no início de janeiro de 2025. A nova versão, identificada como volume 26, número 72/2, foi disponibilizada em 31 de março, ampliando o debate sobre o tema.

A iniciativa busca analisar o futebol para além do campo esportivo, abordando-o como uma prática social e um espetáculo que reflete e produz diferentes dinâmicas da sociedade. Entre os principais enfoques estão questões de gênero, classe social, desigualdades regionais e raciais, além de outras dimensões que atravessam o cotidiano e a cultura brasileira. O dossiê foi organizado pela antropóloga Carmen Rial, coordenadora-geral do INCT Futebol, e pela pesquisadora Mariane Pisani, vice-coordenadora do instituto. Ambas destacam a importância de consolidar o futebol como campo legítimo de investigação acadêmica, capaz de revelar aspectos profundos da sociedade.

As duas edições do dossiê estão disponíveis para acesso na página de publicações da revista, permitindo que pesquisadores, estudantes e o público em geral explorem diferentes perspectivas sobre o futebol enquanto fenômeno social e cultural.

 

 

Tags: futebolINCTRevista IluminurasUFRGSUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

INCT UFSC lança obras inéditas sobre futebol e ciências sociais

16/04/2026 10:37

Pesquisadores em sala virtual durante o lançamento do livro. Imagem: Página do INCT Futebol

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro (INCT UFSC Futebol) realizou, nas duas primeiras semanas de abril, dois webinários para marcar o lançamento de suas primeiras obras acadêmicas. Os livros reúnem reflexões de colóquios internacionais promovidos pelo Instituto em 2024, no Uruguai e na França, e foram publicados em dezembro de 2025 pela ABA Publicações, no selo Futebol: Cultura, Política e Sociedade.  O primeiro lançamento ocorreu em 1º de abril, com a obra Ciencias sociales y fútbol: intercambio y perspectivas sudamericanas. Já o segundo, no dia 8, apresentou o livro Ciências sociais e futebol: intercâmbio e perspectivas franco-brasileiras, que também possui versão em francês. Os eventos foram transmitidos pelo canal do Instituto no YouTube e contaram com a participação de organizadores e autores.

Segundo o pesquisador Fábio Machado Pinto, os webinários têm como objetivo dar continuidade ao diálogo iniciado nos colóquios, fortalecendo parcerias internacionais e ampliando o debate acadêmico sobre o futebol. Para Igor Martinache, a experiência também trouxe uma novidade em relação à cultura acadêmica francesa, ao permitir discussões coletivas sobre os capítulos publicados. As obras reúnem pesquisadores de diferentes países e abordam temas diversos, como gênero, memória, formação e política no futebol. A pesquisadora Caroline de Almeida destaca que os encontros possibilitam compreender melhor os processos de construção das pesquisas e trocar experiências entre os autores.

Além do meio acadêmico, o projeto também dialoga com a diplomacia. A cônsul-geral Vera Cíntia Alvarez contribui com um capítulo sobre o uso do futebol como instrumento de política externa brasileira, ressaltando seu papel estratégico na projeção internacional do país.

Os webinários seguem disponíveis online, no INCT Futebol e para download gratuito na página Publicações INCT.

 

Tags: INCT FutebolUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Mestranda da UFSC representa SC no Programa Brasileiro de Professores no CERN, na Suíça

15/04/2026 17:48

Anna Carolina Momm, licenciada em Física pela UFSC e mestranda do PPGECT. Foto: Divulgação

A professora de Física Anna Carolina Momm, 25 anos, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), embarca na próxima sexta-feira (17 de abril) para Genebra, na Suíça, onde irá participar de atividades formativas no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN). Anna foi selecionada entre candidatos de todo o país no edital do Programa Brasileiro de Professores no CERN, voltado a professores e professoras que lecionam Física e Ciências na rede pública de educação básica, e será a representante de Santa Catarina no grupo de 24 docentes que integrarão a viagem de estudos.

Licenciada em Física pela UFSC desde 2024 e professora concursada da Escola de Educação Básica José Maria Cardoso da Veiga, na localidade de Enseada do Brito, em Palhoça, Anna Carolina considera que essa iniciativa dos órgãos de fomento brasileiros são essenciais para valorizar o papel dos professores e elevar a qualidade da educação pública.

“Tenho uma expectativa enorme de visitar o CERN. Será um privilégio conhecer um dos centros de pesquisa mais importantes do mundo. Irei transpor os conhecimentos discutidos para a sala de aula, no ensino de Física Moderna e Contemporânea, além de aprofundar o trabalho sobre as Mulheres Cientistas no Projeto de Ensino que eu coordeno”, menciona Anna, que também atua no projeto Meninas na Ciência da UFSC. Ela destaca que seu envolvimento em projetos com esse escopo apresentam impacto real e potencial de multiplicação do conhecimento, o que pode ter contribuído, segundo ela, para seu desempenho no processo de seleção, mesmo sendo licenciada há pouco tempo.

Acelerador de partículas do CERN. Foto: Maximilien Brice/CERN

Os 24 participantes da viagem de estudos passarão por atividades formativas nos laboratórios do CERN entre os próximos dias 20 e 25 de abril. A programação envolve palestras, visitas legais, exposições e oficinas que introduzirão os participantes à temática da Física de Partículas e à pesquisa de ponta realizada no CERN. Os selecionados irão receber passagens aéreas de ida e volta (desde suas cidades de origem), ajuda de custo de 200 francos suíços, seguro saúde, deslocamentos entre aeroporto e alojamento, na Suíça, hospedagem em acomodação compartilhada, três refeições diárias, taxas acadêmicas e materiais didáticos das atividades formativas.

Fundado em 1954, o CERN fica situado na fronteira franco-suíça, próximo a Genebra, e é o maior laboratório de física de partículas do mundo. Seu objetivo é investigar os componentes fundamentais da matéria, utilizando aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC) para compreender as leis do universo.

O Programa Brasileiro de Professores no CERN é realizado em colaboração entre a Sociedade Brasileira de Física (SBF), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ana Paula Lückman / ana.paula.luckman@ufsc.br
Jornalista – Agecom UFSC

Tags: CERNPPGECTPrograma Brasileiro de Professores no CERNPrograma de Pós-Graduação em Educação Científica e TecnológicaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

CNPq divulga esclarecimentos sobre auditoria em concessão de bolsas

10/04/2026 10:46

O CNPq tomou conhecimento do relatório resultante de uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União, que apontou falhas de integração de bases de dados que podem estar ocasionando pagamentos indevidos. O CNPq destaca que as falhas apontadas impactam, potencialmente, menos de 1,5% das bolsas pagas pelo Conselho, e que já vem adotando providências para ampliar e qualificar a integração de bases de dados, reavaliar pagamentos caso a caso e, quando verificada inconsistência, reaver valores. Convém ainda esclarecer que acúmulos de bolsas são permitidos em algumas situações, de modo que a constatação de irregularidades depende de análises caso a caso.

Leia os esclarecimentos do CNPq sobre o relatório da CGU:

https://www.gov.br/cnpq/pt-br/assuntos/noticias/cnpq-em-acao/relatorio-da-controladoria-geral-da-uniao-nota-do-cnpq

Tags: auditoriabolsasCNPqesclarecimentosUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Laboratório lança ebook gratuito sobre neuropsicologia

09/04/2026 09:24

O Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Escolar (Lance) lançou, de forma gratuita, o ebook Aprendendo Neuropsicologia:Um guia de estudantes para estudantes – vol 1. O material, desenvolvido por estudantes de graduação e pós-graduação do laboratório, foi idealizado para ser um guia gratuito e de qualidade para outros estudantes. O conteúdo pode ser baixado diretamente no link.

Iniciativa e produção coletiva e original de um grupo de pesquisadores em formação, a obra é produto de um trabalho colaborativo, organizado pelas psicólogas do laboratório Bruna Ávila e Isabela Helsdingen, sob orientação da professora Natália Dias.

O ebook é o primeiro volume de uma série de produções em planejamento, lançado com apoio da Editora AMPLA e da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp) e prefaciado pelo neuropsicólogo Fábio Perin.

 

Tags: ebookLaboratório de Neuropsicologia Cognitiva e EscolarLanceNeuropsicologia

UFSC desenvolve pesquisa inédita sobre regeneração óssea com estimulação elétrica

08/04/2026 09:09

UFSC está à frente de um projeto inovador na área da odontologia que busca revolucionar os tratamentos de regeneração óssea em implantes dentários

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está à frente de um projeto na área da odontologia para tratamento de regeneração óssea em implantes dentários. O estudo, iniciado em fevereiro de 2024 e com previsão de conclusão até o final de 2026, investiga a eficácia do uso de estímulos elétricos de baixa intensidade para acelerar e melhorar a formação óssea ao redor de implantes dentários, especialmente em áreas com defeitos ósseos.

Intitulada Estimulação elétrica para melhorar a formação óssea peri-implantar em procedimentos regenerativos, a pesquisa é coordenada pelo professor Gabriel Leonardo Magrin e reúne uma equipe de seis pesquisadores. Segundo ele, a proposta é pioneira na odontologia ao combinar a estimulação elétrica com técnicas de regeneração óssea guiada. “Utilizamos um dispositivo elétrico miniaturizado acoplado ao implante, capaz de emitir correntes de baixa intensidade que estimulam a migração de células ósseas e favorecem a cicatrização”, explica Magrin.

Embora as técnicas atuais de reconstrução óssea sejam consideradas eficazes, elas podem apresentar limitações, como longo tempo de cicatrização e resultados variáveis. A estimulação elétrica surge como uma alternativa promissora. “Ao acelerar o processo de formação óssea, essa abordagem pode reduzir o tempo de tratamento, aumentar a taxa de sucesso dos implantes e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, destaca o coordenador.

Estudos anteriores já indicavam que correntes elétricas podem favorecer a osseointegração  no processo de integração entre o implante e o osso. No entanto, esta é a primeira pesquisa a integrar essa técnica com a regeneração óssea guiada em um mesmo protocolo experimental. Uma etapa importante da pesquisa envolve testes em miniporcos, realizados na Universidade de Rio Verde (UniRV), em Goiás. A escolha do modelo animal se deve à semelhança anatômica entre a mandíbula desses animais e a humana, além de oferecer maior segurança nos procedimentos.

Durante os experimentos, os pesquisadores criam defeitos ósseos controlados na mandíbula dos animais, onde são instalados os implantes com o dispositivo de estimulação elétrica. A tecnologia emite descargas contínuas de baixa intensidade para estimular a formação óssea no local. As cirurgias foram realizadas em julho de 2025, reunindo equipes da UFSC e da UniRV em uma semana intensiva de atividades científicas. A doutoranda  Ana Clara Kuerten Gil destacou a importância do uso ético dos animais na pesquisa: “Eles contribuem silenciosamente para o progresso humano e merecem respeito, responsabilidade e rigor científico”.

Além de Magrin e Ana Clara, participam do projeto pesquisadores de diferentes instituições e especialidades. Entre eles estão Roberta Michels, responsável por análises histológicas e de imagem; o professor Cesar Benfatti, especialista em estimulação elétrica; Mariano Sanz, da Universidad Complutense de Madrid, que supervisiona atividades relacionadas à regeneração óssea; e Jamil Shibli, consultor técnico nos dispositivos utilizados.  A empresa Straumann também contribui com a doação de biomateriais utilizados nos experimentos.

O projeto conta com financiamento da International Team for Implantology (ITI), organização global sediada na Suíça dedicada à disseminação do conhecimento em implantodontia, e é desenvolvido em parceria com a Universidad Complutense de Madrid, na Espanha. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) é responsável pela gestão financeira e operacional, garantindo suporte à execução das atividades científicas.

Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em: Revista Fapeu

 Link para a publicação: www.fapeu.org.br

 

Tags: Departamento de Odontologiafapeuprojeto de pesquisaregeneração ossosUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC contribui para discussões globais sobre IA e desigualdade educacional

07/04/2026 14:49

O mestrando Bernardo Manata Eloi recebe o certificado Award of Excellence das mãos da Professora Veronika Datzer, do Digital Fellowship Program (Alemanha)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) esteve  presente na 4ª edição do Simuvaction on AI 2026, uma simulação internacional voltada à governança global da inteligência artificial, realizada entre janeiro e abril deste ano. Questões como o potencial da personalização por sistemas inteligentes e os riscos de aprofundamento das desigualdades educacionais compuseram o debate.

A iniciativa reuniu estudantes de diversas partes do mundo em uma experiência imersiva de aprendizagem, focada nos desafios éticos, sociais e políticos associados ao avanço da Inteligência Artificial (IA). Parceira do programa por meio da Cátedra Unesco de Bioética e Saúde Coletiva, a UFSC foi representada pelo professor  Fernando Hellmann, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC/UFSC). 

Inspirado em fóruns multilaterais como o Global Partnership on Artificial Intelligence (GPAI), o Simuvaction propõe uma dinâmica em que os participantes assumem papéis como delegados nacionais, jornalistas e representantes de diferentes setores. Ao final, são elaboradas e votadas recomendações internacionais voltadas à governança ética da inteligência artificial.

Programa internacional de aprendizagem experiencial, o Simuvaction promove a colaboração entre estudantes de diferentes áreas do conhecimento. O mestrando em Saúde Coletiva Bernardo Manata Eloi recebeu duas premiações individuais: o Award of Excellence to the Best Innovative Thinker e o CEIMIA Award Engagement for a Responsible AI, reconhecendo sua atuação propositiva nas discussões sobre governança ética da inteligência artificial. Bernardo também integrou a Global South Coalition, grupo que obteve reconhecimento coletivo pela relevância estratégica de suas contribuições.

A trajetória da UFSC no Simuvaction inclui ainda a participação anterior da doutoranda Suliane Motta, que esteve em uma edição realizada na Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos. A edição de 2026 reuniu cerca de 45 estudantes de 18 países ao longo de 14 semanas de formação baseada em aprendizagem ativa e simulação de negociações multilaterais. 

Estudantes, professores e palestrantes diante do Palácio de Versalhes, na França (Foto: Divulgação)

 

Tags: evento internacionalInteligência Artificial (IA)Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC)UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

3,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais podem ter alto risco de quedas, diz estudo

01/04/2026 11:30

Só de incluir duas perguntas — se o idoso tem preocupação com quedas e se sente instabilidade ao caminhar —, pesquisadores brasileiros conseguiram quadruplicar a identificação de pessoas em risco intermediário de quedas. O resultado vem de um estudo publicado na revista European Geriatric Medicine, que aplicou pela primeira vez o Algoritmo das Diretrizes Mundiais para Prevenção de Quedas (WGF, na sigla em inglês) a uma amostra representativa da população idosa brasileira.

O trabalho analisou dados de 7.515 participantes com 60 anos ou mais do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coletados entre 2023 e 2024. Os pesquisadores aplicaram dois métodos do mesmo algoritmo: um baseado apenas no histórico de quedas nos últimos 12 meses, e outro que incorpora também as chamadas questões-chave – preocupação com quedas, medida por uma escala validada, e instabilidade postural, avaliada por um teste de equilíbrio.

Pelo método tradicional, 82,2% dos idosos foram classificados como baixo risco, 7,8% como intermediário e 10% como alto risco. Já quando as questões-chave foram incluídas, o cenário mudou substancialmente: 50,4% permaneceram em baixo risco, 34,6% passaram a ser classificados como intermediário e 15% como alto risco. Com base nesse último dado e nas estimativas populacionais do Censo 2022, os pesquisadores calculam que aproximadamente 3,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais podem estar em alto risco de quedas.

“No Brasil, a gente não tinha nenhum método específico para fazer essa classificação. A grande diferença desse algoritmo é que ele sugere essa estratificação do risco de cair e, baseado nessa estratificação, ele já sugere o que deveria ser feito para essa população”, explica Núbia Carelli Pereira de Avelar, fisioterapeuta e pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e primeira autora do estudo.

O estudo também identificou disparidades regionais que só se tornaram visíveis com o método das questões-chave. Idosos do Nordeste e do Sudeste tiveram maior probabilidade de serem classificados como risco intermediário em comparação aos da região Sul. Pelo método do histórico de quedas, nenhuma diferença regional foi detectada. Segundo a pesquisadora, fatores como desigualdades socioeconômicas, diferenças culturais e barreiras de acesso a recursos de saúde podem ajudar a explicar esse padrão.

Para além dos números, o estudo aponta implicações diretas para o sistema de saúde. Idosos em alto risco de quedas estão mais sujeitos a fraturas, hospitalizações e perda de independência, com impacto social e econômico significativo, especialmente em países com recursos limitados. “Se pensássemos em estratégias para reduzir a ocorrência dessas quedas, saberíamos como alocar melhor os recursos que já são limitados em países de renda média”, diz.

A pesquisadora destaca que os resultados chegam em um momento oportuno, diante do movimento em curso para a criação de um Programa Nacional de Prevenção de Quedas no Brasil. Na visão da equipe, o ideal seria que profissionais de saúde passassem a incluir rotineiramente as três perguntas do algoritmo na triagem de pacientes idosos: histórico de quedas, preocupação com quedas e instabilidade. Dependendo do nível de risco identificado, as condutas poderiam variar desde orientações educativas, no caso de baixo risco, até encaminhamento para fisioterapia e avaliação multidisciplinar, para os grupos intermediário e alto.

O ELSI-Brasil foi financiado pelo Ministério da Saúde por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (DECIT/SCTIE) e da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa na Atenção Primária, Departamento dos Ciclos da Vida da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (COPID/DECIV/SAPS).

Texto e imagem: Agência Bori

Tags: fisioterapiaPrevenção de QuedasPrograma Nacional de Prevenção de Quedas no BrasilSaúde dos IdososUFSC Araranguá

UFSC participa da Assembleia Geral do projeto internacional TRUSTparency

01/04/2026 09:44

Assembleia ocorreu em março

A UFSC participou da Segunda Assembleia Geral do projeto europeu TRUSTparency, em Amsterdam, junto a parceiros internacionais, para discutir os avanços e os próximos passos da iniciativa. Financiado pelo programa Horizon Europe, o projeto  tem como objetivo fortalecer a confiabilidade da ciência por meio da promoção da transparência, da integridade e da reprodutibilidade no ecossistema de pesquisa. Um dos destaques do evento foi a participação ativa das instituições piloto, entre elas a UFSC, que desempenha um papel estratégico no projeto ao testar e adaptar intervenções em contextos diversos.

O projeto TRUSTparency parte do princípio de que a confiança na ciência depende de processos transparentes, colaborativos e sensíveis aos diferentes contextos institucionais e regionais. Nesse sentido, suas ações incluem o desenvolvimento de ferramentas, treinamentos e estratégias participativas voltadas à promoção de práticas científicas mais robustas e confiáveis .

A instituição foi representada pelo Professor Fernando Hellmann, do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da UFSC, reforçando o compromisso com a ciência aberta, a integridade em pesquisa e a construção de soluções inovadoras para desafios contemporâneos da produção científica. Durante a Assembleia, os parceiros participaram de discussões estratégicas sobre a implementação das diferentes fases do projeto, com foco na consolidação de intervenções que possam gerar impactos no campo da reprodutibilidade científica. O encontro também permitiu alinhar ações futuras.

A UFSC integra um consórcio internacional composto por universidades e organizações de diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, África, Ásia e América Latina. Ao atuar como instituição piloto, contribui para conectar práticas locais a transformações globais, fortalecendo sua inserção internacional e seu papel estratégico no debate sobre reprodutibilidade.

 

Tags: confiança na ciênciaPrograma de Pós Graduação em Saúde ColetivaSegunda Assembleia GeralTRUSTparency

Cátedra Antonieta de Barros publica edital para mestrado e doutorado sanduíche no México

30/03/2026 17:50

A Cátedra Antonieta de Barros da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)/Cátedra UNESCO Educação para a Igualdade Racial oferta bolsas de mestrado e doutorado sanduíche na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na Cidade do México, com previsão de viagem para o segundo semestre de 2026. As inscrições vão de 6 de abril a 6 de maio.

Acesse o edital

São cinco vagas para cada modalidade, e metade delas é reservada para ações afirmativas: mulheres ou mulheres autodeclaradas pretas, pardas, indígenas, quilombolas ou pessoa com deficiência, transtorno global do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação, pessoa transgênero/travesti.

Podem se inscrever estudantes de mestrado e doutorado regularmente matriculados nos programas de pós-graduação da UFSC e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). As candidaturas apresentadas devem estar alinhadas aos objetivos do projeto Cátedra Antonieta de Barros: Educação para a Igualdade Racial e o Combate ao Racismo.

Mais informações no site catedraantonietadebarros.paginas.ufsc.br e no Instagram @catedraantonietadebarros.

Tags: Cátedra Antonieta de Barrosdoutoradomestradoprogramas de graduação sanduícheUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Propesq entrega prêmio Mulheres na Ciência a dez pesquisadoras da UFSC

30/03/2026 11:08

Pesquisadoras reconhecidas no 5º Prêmio Mulheres na Ciência receberam certificados (Fotos: Gustavo Diehl/Agecom-UFSC)

A Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq) promoveu na sexta-feira, 27 de março, a solenidade de entrega de prêmios da 5ª edição do Mulheres na Ciência. Dez pesquisadoras da UFSC foram reconhecidas neste ano, entre elas quatro servidoras técnicas administrativas em educação (TAEs). Criado em 2021, o Prêmio Mulheres na Ciência visa estimular, valorizar e dar visibilidade às mulheres envolvidas em pesquisas e atividades científicas, tecnológicas e inovadoras na UFSC.

A cerimônia ocorreu na Sala dos Conselhos, no prédio da Reitoria. Formaram a mesa o professor Werner Kraus Junior, pró-reitor de Pesquisa e Inovação; a diretora-geral do Gabinete, Camila Pagani, representando o reitor Irineu Manoel de Souza; e Evelise Santos Sousa, diretora de Validações da Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), representando a pró-reitora Marilise dos Reis Sayão. Nesta edição, o prêmio foi organizado em parceria entre Propesq e Proafe.

O professor Werner Kraus Junior destacou a inclusão das mulheres TAEs no prêmio, inovação que ele definiu como uma “justa celebração” às contribuições e realizações técnicas destas servidoras que se dedicam à ciência na Universidade. Ele aproveitou a ocasião para prestar homenagem a todas as mulheres que integram o que chamou de ecossistema UFSC de ciência, tecnologia e inovação. “Nosso ecossistema tem a marca da presença feminina vigorosa, crítica e criativa. E assim o torna muito mais rico e ajuda a qualificar as nossas conquistas coletivas em prol da excelência, nestes tempos tão difíceis em que o conhecimento tem sido muito questionado”.

Colegas de trabalho, amigos e parentes das homenageadas acompanharam a cerimônia na Sala dos Conselhos

A professora Gabriela Kaiana Ferreira, coordenadora do projeto Meninas na Ciência, disse que a premiação tem valorizado não apenas a excelência das pesquisas, mas também o compromisso com o ensino e com projetos diversos que têm impacto na comunidade. Ela afirmou que as mulheres assumem responsabilidades, criam caminhos, sustentam projetos e produzem conhecimento. “Fazemos isso com compromisso e persistência, muitas vezes enfrentando desafios que nem sempre são visíveis”.

De acordo com a professora Gabriela, o ano de 2026 marca um momento de maturidade do projeto Meninas na Ciência, com o fortalecimento de parcerias e diversificação de estratégias. Ao final de sua fala, ela fez uma surpresa às homenageadas, presenteando-as com o livro “A história de Estrela”, escrito por integrantes do projeto Meninas na Ciência.

Em seguida, as homenageadas na 5ª edição do Prêmio Mulheres na Ciência receberam certificados. Em suas falas, relatos de trajetórias pessoais marcados por conquistas e desafios – como a maternidade em meio a uma pós-graduação –, barreiras estruturais para o progresso na carreira, apoio de orientadores, familiares, amigas e amigos. E a noção de que, apesar de avanços e reconhecimentos recentes, ainda há muito por fazer em busca da equidade de gênero no universo da ciência.

As premiadas desta edição:

ÁREA DO CONHECIMENTO: HUMANIDADES

  • Docente Júnior: Alinne de Lima Bonetti, do Departamento de Antropologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH);
  • Docente Plena: Eliane Santana Dias Debus, do Departamento de Metodologia de Ensino do Centro de Ciências da Educação (CED);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Plena: Karina Francine Marcelino, lotada no Gabinete da Reitoria.

ÁREA DO CONHECIMENTO: VIDA

  • Docente Júnior: Silvani Verruck, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do Centro de Ciências Agrárias (CCA);
  • Docente Plena: Malva Isabel Medina Hernandez, do Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Plena: Martina Blank, lotada no Departamento de Bioquímica do CCB.

ÁREA DO CONHECIMENTO: EXATAS E DA TERRA

  • Docente Júnior: Nara Rubiano da Silva, do Departamento de Física do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM);
  • Docente Plena: Glória Regina Botelho, da Coordenadoria Especial de Ciências Biológicas e Agronômicas – Campus Curitibanos (CTR);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Júnior: Maryah Elisa Morastoni Haertel, lotada no Departamento de Ciências Exatas e Educação do Campus de Blumenau (BLN);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Plena: Aline Alves Freitas, lotada no Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental do Centro Tecnológico (CTC).
Tags: 5º Mulheres na CiênciahomenageadasPROAFEPROPESQUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC se destaca em ranking internacional de desempenho acadêmico e impacto científico

26/03/2026 15:15

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se destacou no ranking  QS World University Rankings by Subject, um dos mais relevantes indicadores internacionais de desempenho acadêmico por áreas do conhecimento. 

No recorte por grandes áreas, a UFSC aparece entre as melhores universidades do mundo nas áreas de engenharia e suas tecnologias, na faixa de 401 a 450, em Ciências da Vida e Medicina, na faixa de 501 a 550 e Artes e Humanas, na faixa 501 a 550. A universidade também apresentou evolução em desempenho acadêmico e impacto científico, refletidos nos indicadores de reputação acadêmica, reputação entre empregadores, citações por artigo, índice h (h-index) e redes internacionais de pesquisa.

Destaques por áreas de conhecimento:

Seis áreas da UFSC estão entre as melhores colocações globais:

🏆 Petroleum Engineering — 51–100 (melhor resultado institucional)
🥈 Nursing — 101–150
🥉 Anthropology — 101–200
🔹 Mechanical, Aeronautical & Manufacturing Engineering — 201–250
🔹 Chemical Engineering — 201–250
🔹 Agriculture & Forestry — 201–250

Ao todo, a UFSC teve 17 áreas classificadas no ranking de 2026, evidenciando a diversidade e a qualidade da produção acadêmica e científica da instituição em diferentes campos do conhecimento.

O QS Subject Rankings avalia milhares de universidades em todo o mundo e considera critérios como reputação acadêmica global, reconhecimento por empregadores, impacto da pesquisa científica e colaboração internacional.

Mais informações no site oficial do QS World University Rankings.

Tags: áreas do conhecimentoPetroleum EngineeringQS World University Rankings by Subjectranking internacionalUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC sedia 1° Congresso Catarinense de Ciências Forenses em junho; submissão de trabalhos até 31 de março

26/03/2026 14:48

O 1º Congresso Catarinense de Ciências Forenses, organizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses e a Polícia Científica de Santa Catarina, ocorre de 24 a 26 de junho, das 8h às 18h, no Centro de Cultura e Eventos, no campus Trindade, em Florianópolis.

Os trabalhos devem ser submetidos pelo formulário disponível no site do evento até 31 de março. Os resumos devem ter entre 200 e 300 palavras. Cada inscrito poderá submeter até um resumo com, no máximo, seis autores por trabalho. As categorias se dividem nas seguintes áreas: Engenharia Forense e Ambiental, Biologia Forense, Medicina Legal, Informática Forense, Química e Toxicologia Forense e Áreas Afins.

As inscrições devem ser realizadas no site do evento e custam de R$ 80 a R$ 130. O 1º Congresso Catarinense de Ciências Forenses é um evento científico que reúne pesquisadores, profissionais e estudantes para discutir avanços, desafios e inovações nas Ciências Forenses.

Mais informações no Instagram do Congresso ou pelo e-mail forense@contato.ufsc.br

Tags: 1º Congresso Catarinense de Ciências Forensesciências forensesPolícia Científica de Santa CatarinaRede Catarinense de Pesquisa em Ciências ForensesUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Propesq realiza cerimônia para entrega de prêmios da 5ª edição do Mulheres na Ciência

26/03/2026 09:36

A Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq) realiza nesta sexta-feira, 27 de março, a cerimônia de entrega de prêmios da 5ª edição do Mulheres na Ciência. Nesta edição, seis professoras e quatro servidoras técnicas administrativas em educação (TAEs) foram reconhecidas por suas trajetórias e iniciativas voltadas à ciência. A solenidade ocorrerá na Sala dos Conselhos, no prédio da Reitoria I, a partir das 16h.

O prêmio Mulheres na Ciência reconhece docentes e TAEs que se destacam em três áreas de conhecimento: Humanidades, Vida e Exatas e Terra. A premiação consiste em um diploma e um vídeo para divulgação científica, que será veiculado em canais de comunicação da UFSC e comporá a Galeria de Destaques na Ciência da Propesq.

As premiadas desta edição:

AREA DO CONHECIMENTO: HUMANIDADES

  • Docente Júnior: Alinne de Lima Bonetti, do Departamento de Antropologia do Centro
    de Filosofia e Ciências Humanas (CFH);
  • Docente Plena: Eliane Santana Dias Debus, do Departamento de Metodologia de
    Ensino do Centro de Ciências da Educação (CED);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Plena: Karina Francine Marcelino,
    lotada no Gabinete da Reitoria.

AREA DO CONHECIMENTO: VIDA

  • Docente Júnior: Silvani Verruck, do Departamento de Ciência e Tecnologia de
    Alimentos do Cento de Ciências Agrárias (CCA);
  • Docente Plena: Malva Isabel Medina Hernanez, do Departamento de Ecologia e
    Zoologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Plena: Martina Blank, lotada no
    Departamento de Bioquímica do CCB.

AREA DO CONHECIMENTO: EXATAS E DA TERRA

  • Docente Júnior: Nara Rubiano da Silva, do Departamento de Física do Centro de
    Ciências Físicas e Matemáticas (CFM);
  • Docente Plena: Gloria Regina Botelho, da Coordenadoria Especial de Ciências
    Biológicas e Agronômicas – Campus Curitibanos (CTR);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Júnior: Maryah Elisa Morestoni
    Haertel, lotada no Departamento de Ciências Exatas e Educação do Campus de
    Blumenau (BLN);
  • Servidora Técnica Administrativa em Educação Plena: Aline Alves Freitas, lotada no
    Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental do Centro Tecnológico (CTC).

O júri foi composto por Maíra Busato Westphal, da Propesq; Evelise Santos Sousa, da Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe); Débora Menezes, do CNPq; Geovana Lunardi, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Sandra Selles da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Tags: Mulheres na CiênciaPrêmioprofessorasPROPESQTAEsUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC aprova projeto de internacionalização em edital da Capes

25/03/2026 10:55

Foto: Daniela Caniçali/Agecom/UFSC.

A Rede Bridges, liderada pela UFSC, foi aprovada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para compor o CAPES Global.Edu, programa que busca apoiar a criação e o fortalecimento de redes de pesquisa internacionais. Com a aprovação, docentes e discentes da UFSC poderão participar de projetos conjuntos com instituições parceiras ao redor do mundo, elevando o patamar de excelência da pós-graduação.

“Trata-se de uma conquista da Universidade Federal de Santa Catarina, construída com base em um processo que merece ser exaltado”, escreveu a professora Débora de Oliveira, pró-reitora de Pós-Graduação, em artigo da Apufsc.

De acordo com a professora, a construção da Rede Bridges foi fruto de um esforço coletivo articulado para mobilizar pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento da UFSC, em diálogo permanente com instituições de ensino superior parceiras, no Brasil e no exterior.

“Junto com a UFSC, participaram da concepção e estruturação da proposta a Universidade do Estado de Santa Catarina, a Universidade Federal da Fronteira Sul, a Universidade Estadual do Norte Fluminense, a Universidade Federal do Amazonas e a Universidade Federal do Vale do São Francisco. A complementaridade das realidades regionais, dos estágios de internacionalização, e dos campos de conhecimento entre essas instituições foi determinante para a robustez do projeto”, disse.

As pró-reitorias de Pós-Graduação (PROPG), de Pesquisa e Inovação (Propesq), a Secretaria de Relações Internacionais (Sinter) e docentes indicados pela Câmara de Pós-Graduação participaram do processo, que envolveu também diversos centros de ensino e campi em frentes de trabalho.

“Para a PROPG, esta conquista reafirma o compromisso da UFSC com a internacionalização e a sustentabilidade. A rede funcionará como uma ponte (“bridge”) para novas descobertas e soluções globais, conectando a excelência da pesquisa produzida em Santa Catarina com os principais centros de inovação do planeta”, sinalizou a Pró-Reitoria da Pós-Graduação (PROPG), em texto institucional no qual disse receber “com entusiasmo a confirmação da aprovação”.

Programa Institucional de Internacionalização

O Programa Redes para Internacionalização Institucional – CAPES-Global.Edu tem a finalidade de fomentar a criação de redes de cooperação entre instituições nacionais com estágios de internacionalização diversos para promover, por meio da cooperação internacional, o desenvolvimento de atividades estratégicas de pesquisa e pós-graduação dos participantes.

O objetivo geral consiste em contribuir para o fortalecimento do protagonismo internacional do Brasil e consolidar sua posição como parceiro estratégico em iniciativas globais, além de promover a cooperação mútua, o diálogo intercultural e o desenvolvimento sustentável.

 

Tags: Capes Global EduCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superiorinternacionalizaçãopró-reitorias de Pós-Graduação (PROPG)Rede BridgesSecretaria de Relações Internacionais

Mestrado Profissional em Desastres Naturais da UFSC recebe inscrições de candidatos para ingresso em junho de 2026

24/03/2026 14:08

Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGDN/UFSC) divulga o edital do processo seletivo para o Mestrado Profissional, com ingresso previsto para junho de 2026. As inscrições estarão abertas de 1º a 21 de abril. Todas as informações sobre a seleção estão disponíveis no edital

O curso tem como objetivo qualificar profissionais para atuação técnica e para o desenvolvimento de pesquisas voltadas à gestão de riscos e desastres, especialmente aqueles associados a eventos climáticos extremos. Diante do cenário atual de mudanças climáticas, a formação na área tem se tornado cada vez mais necessária. A proposta do programa é contribuir para o fortalecimento da capacidade de enfrentamento de riscos e desastres no Brasil, com foco na redução de danos e no aumento da resiliência social frente aos impactos humanos e socioeconômicos.

Mais informações sobre o curso no site do PPGDN ou pelo e-mail institucional do programa ppgdn@contato.ufsc.br

Tags: desastres naturaismestrado profissionalPrograma de Pós-Graduação em Desastres Naturais – PPGDNUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Instituto de Estudos de Gênero da UFSC é homenageado por sua trajetória de 20 anos

20/03/2026 11:45

O Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (IEG/UFSC) será homenageado por seus 20 anos de atuação em uma sessão comemorativa na Câmara Municipal de Florianópolis. A iniciativa parte de uma proposição da vereadora Ingrid Sateré Mawé PSOL) e a cerimônia está marcada para a quinta-feira, 26 de março, às 16h, no plenário da Câmara. A atividade é aberta a todos, integrantes da comunidade acadêmica e moradores da cidade.

A Câmara reconhecerá a contribuição do instituto ao longo das duas últimas décadas, período em que o IEG se tornou um espaço de referência na produção de conhecimento, na formação acadêmica e na articulação política em torno das pautas de gênero. A homenagem destaca o papel do instituto no fortalecimento das lutas por direitos e pela equidade de gênero, tanto no âmbito universitário quanto na sociedade em geral.

Mais informações no site do IEG, nos Boletim | Instituto de Estudos de Gênerono perfil do IEG no Instagram @iegufsc ou pelo e-mail estudosdegenero@gmail.com.

 

Tags: Câmara Municipal de FlorianópolisgêneroIEGInstituto de Estudos de Gênero (IEG)UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Estudo da UFSC revela que mosquito transmissor da malária é, na verdade, cinco espécies diferentes

20/03/2026 10:40

Pesquisadoras da UFSC Kamila Voges (à esq.) e Luísa Rona Pitaluga, autoras do estudo que identificou espécies crípticas do mosquito Anopheles cruzii, transmissor da malária na Mata Atlântica. Foto: Divulgação

O mosquito Anopheles cruzii, que era considerado como uma única espécie transmissora da malária em áreas de Mata Atlântica, é, na verdade, um complexo de cinco linhagens geneticamente distintas. A descoberta pode revolucionar as estratégias de controle da doença no Sul e Sudeste do Brasil e é resultado de pesquisa com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicada em fevereiro na revista Communications Biology, do grupo Nature.

Desde o início do século XX, quando foi registrada uma epidemia de malária durante a construção da ferrovia São Paulo-Santos, o mosquito Anopheles cruzii é conhecido como o principal vetor da doença em áreas de Mata Atlântica. No entanto, a pesquisa conduzida por pesquisadores da UFSC revelou que esse “vilão”, na verdade, não está sozinho. Utilizando tecnologia genômica de ponta, os pesquisadores descobriram que o mosquito que era tratado como uma única espécie são, na verdade, pelo menos cinco espécies crípticas — insetos que possuem a mesma aparência externa, mas que são geneticamente incapazes de se reproduzir entre si.

No estudo, os cientistas da UFSC, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) utilizaram a filogenômica — a análise de milhares de genes — para mapear o DNA desses mosquitos. O resultado confirmou que o complexo An. cruzii é formado por cinco linhagens distintas, batizadas de A, B, C, D e E. As equipes fizeram coletas de mosquitos em áreas de Mata Atlântica em dez cidades da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. As análises mostraram que a linhagem A é mais amplamente distribuída na região costeira, incluindo Florianópolis, enquanto as demais apresentaram características mais locais – como a linhagem E, observada apenas nas amostras coletadas no município de Santa Teresa (ES).
(mais…)

Tags: Centro de Ciências BiológicasCommunications BiologyDepartamento de Biologia Celular Embriologia e GenéticaepidemiologiamaláriaMata Atlânticamosquitosmosquitos vetoressaúde públicaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Mostra Científica da Semana do Meio Ambiente recebe inscrições de trabalhos até 3 de maio

18/03/2026 09:59

Laguinho da UFSC em março de 2026. Foto: Daniela Caniçali/Agecom/UFSC.

Estão abertas as inscrições para a Mostra Científica e de Boas Práticas da Semana do Meio Ambiente 2026 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Serão selecionados até 30 trabalhos voltados a temas ambientais e de sustentabilidade, que serão apresentados durante o evento, previsto para ocorrer de 25 de maio a 12 de junho, no hall da Reitoria da universidade. 

Podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, docentes, técnicos-administrativos, pesquisadores, profissionais de instituições públicas e privadas, integrantes de organizações da sociedade civil e demais interessados. Cada autor poderá submeter até dois resumos, com limite máximo de mil palavras, desde que relacionados à temática ambiental e à sustentabilidade, nas categorias de pesquisa científica, extensão universitária, ações, estudos de caso ou boas práticas ambientais.

As submissões devem ser feitas por formulário eletrônico até 3 de maio. A seleção contemplará até 30 trabalhos, que serão apresentados em formato de pôster científico, acompanhados de vídeos explicativos acessíveis ao público por QR Code. As inscrições são gratuitas e o resultado final será divulgado até 13 de maio, no site do UFSC Sustentável.

Promovida pela Coordenadoria de Gestão Ambiental (CGA/UFSC), a Mostra conta com a parceria da Prefeitura de Florianópolis e da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), além de outras instituições. O objetivo é incentivar a divulgação científica e o compartilhamento de experiências e práticas sustentáveis desenvolvidas tanto na universidade quanto na sociedade. 

Os trabalhos selecionados serão publicados nos Anais da Semana do Meio Ambiente UFSC 2026, e todos os autores receberão certificado de participação. Até três trabalhos serão reconhecidos como destaque, com certificado de menção honrosa.

Confira o edital.

Acesse o formulário de inscrição.

Mais informações no site do UFSC Sustentável.

Esta notícia teve o edital corrigido no dia 13 de abril, às 11h47.

Tags: Coordenadoria de Gestão Ambiental (CGA)Mostra Científica da Semana do Meio Ambiente da UFSCUFSCUFSC SustentávelUniversidade Federal de Santa Catarina

Pesquisador da UFSC integra levantamento internacional para investigar a Via Láctea

16/03/2026 11:38

O professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Roberto Saito participou de um novo levantamento internacional chamado KMOS VVVX-GalCen Spectroscopic Survey, que irá investigar dezenas de milhares de objetos na região central da Via Láctea. 

As observações são realizadas no Very Large Telescope (VLT), um dos observatórios ópticos mais avançados do mundo, localizado no Observatório de Cerro Paranal, no deserto do Atacama, no norte do Chile. O telescópio é operado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO).

O projeto é o primeiro grande survey espectroscópico liderado a partir do Chile, e foi selecionado como um dos dois grandes programas que utilizarão o instrumento KMOS (K-band Multi Object Spectrograph) ao longo dos próximos três anos. Survey é um levantamento sistemático do céu. No total, o projeto recebeu 140 noites de observação, o que corresponde a um investimento científico estimado em cerca de US$ 8 milhões em tempo de telescópio.

A iniciativa é liderada pelos astrônomos Matías Gómez, da Universidad Andrés Bello (Chile), e Francisco Nogueras-Lara, do Instituto de Astrofísica de Andalucía (Espanha). O professor Saito integra o grupo central de pesquisadores do levantamento e atua como responsável por uma das áreas científicas do projeto. Parte do planejamento científico do levantamento do projeto ocorreu durante o 12th VVV Science Meeting, realizado em Florianópolis em abril de 2025, encontro internacional que reuniu pesquisadores envolvidos nos surveys VVV (VISTA Variables in the Via Lactea) e VVVX (VVV eXtended).

Pesquisadores que integraram o 12th VVV Science Meeting, realizado em Florianópolis.

“A primeira noite de observações no Cerro Paranal foi acompanhada de forma remota e ocorreu sem problemas. Agora começa a etapa de análise dos primeiros espectros”, explica o pesquisador.

De acordo com o professor, os alvos observados foram selecionados a partir de dois levantamentos anteriores muito bem-sucedidos: o VVV/VVVX, que mapeou grande parte da Via Láctea em luz infravermelha ao longo da última década, e o GALACTICNUCLEUS, um survey de alta resolução das regiões mais internas da nossa galáxia. O novo survey irá obter espectros, técnica que permite decompor a luz dos objetos celestes e revelar propriedades como composição química, temperatura e velocidade.

Entre os principais objetivos científicos estão o estudo de planetas errantes que vagam livremente pelo espaço, aglomerados estelares escondidos pela poeira da galáxia, regiões de formação estelar e galáxias distantes escondidas atrás do plano da Via Láctea. No futuro, o survey também deverá incluir observações espectroscópicas de objetos identificados pelo Legacy Survey of Space and Time (LSST), ampliando as possibilidades científicas do projeto.

 

Participantes do 1st KMOS VVVX–GalCen Spectroscopic Survey Workshop, realizado em dezembro de 2025 no Instituto de Astrofísica da Universidad Andrés Bello (Chile). Crédito: Dante Minniti

 

 

Tags: departamento de FísicaObservatório Europeu do SulSurveyVery Large TelescopeVia Láctea

UFSC desenvolve painel público de dados para monitorar invasão do coral-sol no litoral brasileiro

11/03/2026 13:12

O dashboard é um  painel público de dados desenvolvido por pesquisadores da UFSC para auxiliar nas ações envolvendo coral-sol (Tubastraea coccinea). Foto: Acervo PACS Arvoredo – Marcelo Crivellaro

Um painel público de dados desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está fortalecendo as ações de monitoramento e manejo do coral-sol (Tubastraea coccinea) no litoral brasileiro. A ferramenta reúne informações atualizadas sobre a invasão da espécie e transforma dados coletados em campo em indicadores estratégicos que auxiliam gestores ambientais e pesquisadores na tomada de decisões. 

O dashboard, acessível ao público, funciona como uma central de visualização de dados processados. A proposta é transformar registros técnicos em métricas claras e visualmente intuitivas, permitindo acompanhar em tempo real a evolução da presença do coral-sol e as ações de controle realizadas ao longo do tempo.

A iniciativa segue o princípio de detecção precoce e resposta rápida, considerado essencial no enfrentamento de espécies exóticas invasoras que ameaçam ecossistemas marinhos. Para que o painel funcione de forma eficiente, os dados coletados em campo são inseridos em um banco de dados relacional estruturado, com campos específicos para cada variável ambiental e operacional. Essa modelagem garante padronização, qualidade e confiabilidade das análises. Os dados são armazenados na Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, mantida pelo Instituto Hórus. Para facilitar o processo de registro, foi criada uma interface para gestores do ICMBio e pesquisadores do projeto.

Nessa plataforma, é possível registrar: dados de monitoramento das colônias de coral-sol;  informações sobre manejo, incluindo retirada de colônias; fotografias georreferenciadas das manchas da espécie e características do ambiente, como profundidade, geomorfologia e acessibilidade. Essa integração permite localizar com precisão as áreas invadidas e planejar intervenções futuras com maior eficiência. 

Com os dados estruturados, o painel apresenta indicadores estratégicos que auxiliam na gestão adaptativa.

O pesquisador Thiago Cesar Lima Silveira, criador do painel e integrante do Laboratório de Ecologia de Ambientes Recifais (Labar), explica cada um dos indicadores apresentados no dashboard:

Detecções por Unidade de Esforço (DPUE) é calculado pela divisão do número total de detecções pelo esforço de amostragem (tempo e unidade de área), permitindo comparar diferentes períodos e localidades de forma padronizada, identificando tendências de aumento ou redução da invasão.

Índice de Abundância Relativa (IAR-DAFOR) é baseado na escala DAFOR (dominante, abundante, frequente, ocasional, raro, ausente), o índice transforma categorias qualitativas em valores numéricos. Nos gráficos, é possível visualizar tanto a soma do IAR por localidade quanto a distribuição das categorias.

Ocorrências representam a distribuição espacial da espécie em mapa interativo. Cada registro pode incluir: localidade, data, profundidade, tipo de geomorfologia (toca, caverna, lage, matacão, paredão etc.) e grau de acessibilidade foto associada. Esse recurso facilita a identificação de áreas prioritárias para manejo.

Massa manejada mostra  quantidade total de coral-sol removida ao longo do tempo por localidade. É um dos principais indicadores de eficácia das ações de controle.

Último manejo indica quantos dias se passaram desde a última intervenção, ajudando a manter regularidade nas ações.

Último monitoramento mostra o intervalo, em dias, desde o último monitoramento realizado.

Número de monitoramentos por localidade permite avaliar o esforço amostral e identificar áreas que necessitam maior atenção.

O painel apresenta indicadores estratégicos que auxiliam na gestão adaptativa. Foto: Acervo PACS Arvoredo – Marcelo Crivellaro

O painel de dados é aberto ao público e permite acompanhar, em tempo real, a evolução do monitoramento e manejo do coral-sol. Já a inserção de dados na base nacional é restrita a gestores do ICMBio e pesquisadores autorizados, garantindo a integridade das informações. A iniciativa demonstra como tecnologia, padronização de dados e ciência aplicada podem ajudar na resposta rápida no controle de espécies exóticas invasoras e apoiar a conservação dos ecossistemas marinhos brasileiros. A ferramenta está disponível ao público no endereço  dashboard Coral Sol.

Além do painel público, o projeto de controle do coral-sol na Rebio Arvoredo também deu origem a outros produtos acadêmicos. Artigo publicado no Marine Pollution Bulletin (ScienceDirect) traz os resultados de um estudo realizado pelo Labar em colaboração com pesquisadores de outros países. O estudo validou cientificamente o protocolo visual utilizado no monitoramento do coral-sol no Atlântico Ocidental.

A pesquisa foi realizada na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e comparou o método visual com a fotogrametria 3D (Structure-from-Motion), tecnologia de alta precisão para modelagem tridimensional de ambientes rochosos. Os resultados demonstraram que o método visual é confiável, não há viés significativo entre observadores treinados, as estimativas são consistentes com as obtidas por fotogrametria e a abordagem é cerca de 90 vezes mais rápida.

Além disso, o estudo permitiu estimar a área superficial tridimensional das colônias de Tubastraea coccinea, espécie que ocupa cavidades e faces sombreadas de rochas,  microhabitats pouco explorados por espécies nativas. A validação confirma que o protocolo é eficiente para programas contínuos de monitoramento, inclusive em áreas de difícil acesso.

O monitoramento do coral-sol é uma ação essencial para proteger a biodiversidade da Rebio Arvoredo. Por meio do trabalho contínuo da equipe, é possível controlar a propagação dessa espécie exótica invasora. 

Através do link Coral-sol é possível acompanhar a equipe em um dia de trabalho.

Equipe realizando monitoramento do Coral Sol. Mergulhador fazendo anotações sobre o Coral Sol. Foto: Acervo PACS Arvoredo – Marcelo Crivellaro

Mergulhador fazendo anotações sobre o Coral Sol. Foto: Acervo PACS Arvoredo – Marcelo Crivellaro

 

Rosângela Matos agecom@contato.ufsc.br
Estagiária da Agecom | UFSC

 

Tags: coral-soldashboardIlha do ArvoredoInstituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)Instituto HórusLaboratório de Ecologia de Ambientes Recifais (LabAR)PACS ArvoredoUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Laboratório da UFSC inaugura técnica pioneira para simular procedimentos de saúde em corpo humano

11/03/2026 10:17

LabSim oferece cursos de dissecação. Na imagem, em corpos conservados com técnicas tradicionais (Fotos: Gustavo Diehl)

Uma forma inovadora e praticamente inédita entre universidades do Brasil para conservar o corpo humano após a morte vai dar mais realismo e precisão a profissionais da saúde em treinamento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Chamada de Fresh Frozen Cadaver, a técnica é o foco de atuação do novo Laboratório de Práticas Simuladas em Fresh Frozen Cadaver (LabSim) do Centro de Ciências Biológicas (CCB).

A técnica foi trazida a UFSC pelo técnico em anatomia Thiago Medeiros Rocha. Em 2005, quando atuava em outra instituição, ele teve contato com um médico que utilizava a simulação de cirurgias como prática. À época ele precisava fazer um procedimento complexo e solicitou que fosse simulado em um corpo. “Foi aí que vi a possibilidade de utilizar corpos não só para o estudo de anatomia, mas também para práticas simuladas cirúrgicas”, conta.

Thiago é técnico em anatomia há 23 anos, o que lhe conferiu o conhecimento necessário sobre técnicas de conservação e montagem para viabilizar um projeto adequado à UFSC e pioneiro no Estado e no Brasil. Em nível nacional, encontrou na Universidade Federal de Minas Gerais um modelo semelhante ao que pretendia implantar. Já em Santa Catarina, um instituto privado era o único a possibilitar o treinamento em cadáveres.

O técnico explica que logo após a pandemia decidiu buscar recursos para montar o laboratório de práticas simuladas. Movido pelo conhecimento e pela cooperação com a UFMG, por meio dos professores  Kennedy Martinez de Oliveira e Rafael Leite Alvez,  e com o apoio de professores e da direção do centro, o LabSim “foi concebido com o propósito de fortalecer o ensino, o treinamento técnico e o aperfeiçoamento profissional na área da saúde”.

A técnica de conservação dos cadáveres utilizada pela UFSC faz com que o corpo permaneça praticamente idêntico a um organismo com vida, faltando apenas a pulsação cardíaca, que pode ser simulada com ventilação mecânica. Até mesmo o sangue humano pode ser simulado no laboratório, favorecendo uma prática realista.

Thiago aprendeu a técnica e incorporou às rotinas do laboratório da UFSC

Segundo Thiago, como a pele e as articulações ficam mantidas tal qual a de um corpo vivo, cirurgias ortopédicas e também procedimentos estéticos podem ser alvo de práticas simuladas. Cirurgias complexas, como transplante de pulmão, também já foram alvo dessa técnica. A UFMG, por exemplo, treinou uma equipe do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, permitindo que a instituição retomasse a realização de transplantes de pulmão.

Nas técnicas tradicionais dos laboratórios de anatomia, formol e glicerina são os compostos utilizados na conservação. Já no Fresh Frozen Cadaver, compostos químicos são diferentes, assim como o tipo de conservação, em ambiente de temperaturas baixas, com câmaras frias a -20 °C.

Nas simulações, também abre-se a possibilidade de parcerias com a indústria médica no fornecimento de equipamentos e de tecnologia de ponta. Empresas representantes de equipamentos cirúrgicos (como artroscópios e microscópios) podem levar seus aparelhos para o laboratório durante os cursos, o que reduz o investimento necessário da universidade.

Procedimentos bastante complexos, como o rastreio de Flutter Atrial, cirurgia cardíaca para tratar arritmias congênitas, podem ser simuladas de forma realista. Hoje, médicos brasileiros precisam ir para os EUA para treinar em corpos sob esta técnica. O fresh frozen cadaver também pode ser usado em treinamento de cirurgia de redução de estômago por videolaparoscopia.

Doações e aproveitamento

Os corpos que fazem parte do LabSim são fruto de doações voluntárias. Isso pode ocorrer tanto em vida, quando a própria pessoa manifesta a intenção de doação após o óbito, quanto por parte de um familiar. Mesmo no caso das doações em vida, um parente deve ser notificado para iniciar o processo. O site https://doacaodecorpos.ufsc.br/como-doar/ traz mais informações a respeito.

Nesse processo, é a universidade quem assume os custos de manejo pós-morte e transporte, desonerando os familiares de gastos com enterro ou cremação. Thiago explica que o cadáver fresh frozen pode servir à ciência por muito tempo, e depois também pode resultar em ossos preparados para o ensino do sistema esquelético.

Professor Rui, Thiago e Diego destacam pioneirismo da UFSC que vai beneficiar formação profissional

Na preparação dos corpos para a técnica é aplicada uma substância que permite que o cadáver mantenha a mobilidade articular mesmo em temperaturas baixíssimas. Já para preservar o corpo durante um curso, a técnica consiste em enrolar as partes que não estão sendo operadas em mantas frias, expondo apenas a área de interesse cirúrgico.

Público-alvo

O LabSim tem a capacidade de atender a um público vasto, tanto da área das ciências biológicas, como da saúde. Além de servir às atividades de ensino e pesquisa, seu foco estará na formação de profissionais da área. “Também há uma procura crescente de profissionais da odontologia, biomedicina e estética, que buscam segurança para evitar deformações faciais em procedimentos como aplicação de ácido hialurônico que podem ser simuladas”, explica Thiago.

Segundo o diretor do CCB, professor Rui Prediger, o LabSim é o primeiro laboratório que vai permitir essa comunicação com profissionais de diferentes áreas. “Será um laboratório de referência para oferta desses cursos e também é uma importante forma de aumentar a captação de recursos”, comenta.

Um dos primeiros cursos do novo espaço foi realizado já no início de março, com o tema Técnicas Anatômicas Avançadas: Abdome. A estudante da terceira fase de Medicina, Ana Luíza Verkamper Volpato Alano, aproveitou para aprimorar os aprendizados da faculdade.

“Estudando a gente precisa ter uma ideia de como é o corpo inteiro e agora no início do curso a gente vê mais a parte sistêmica, tudo separadinho. E eu imaginei que se eu fizesse eu mesma, além de ser diferente de só ver e encostar, talvez fosse uma didática mais aprofundada e interessante”, disse.

Cursos de várias áreas são executados no LabSim

Já a pesquisadora Beatriz Correia Rodrigues, enfermeira e professora de curso técnico, veio do Rio de Janeiro especialmente para participar da atividade do LabSim.

“Eu vi, pela organização do curso, que tinha bastante proposta de prática. Dissecação é algo que a gente não tem muito acesso nas universidades em geral do Brasil. Aqui tem um conteúdo forte acompanhado de prática, por isso vim com essa ideia de conseguir aprofundar mais e ver estruturas que a gente não consegue ver em peças que já foram dissecadas”.

O professor Diego Martins, do departamento de Ciências Morfológicas e professor de Anatomia, ressalta a importância do espaço, que conta com um corpo docente e de técnicos muito qualificados para poder oferecer esses cursos, além de estrutura para alavancar ainda mais a formação dos profissionais. “Isso tudo é muito importante para poder abarcar essa lacuna de conhecimento na formação de profissionais”.

Amanda Miranda | jornalista da Agecom
amanda.souza.miranda@ufsc.br

Tags: anatomiacursosFresh Frozen CadaverLaboratório de Práticas Simuladas em Fresh Frozen CadaversLabSimUFSC

UFSC lidera mapeamento inédito sobre grupos reflexivos para homens autores de violência em SC

09/03/2026 10:50

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) assumiu papel central na elaboração do Relatório do Mapeamento Estadual 2025 sobre os Grupos Reflexivos e Responsabilizantes para Homens Autores de Violência contra as Mulheres. O estudo foi desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e apresenta, pela primeira vez de forma abrangente, o panorama dessas iniciativas no Estado. 

Esses grupos são destinados a homens encaminhados pela Justiça em casos de violência doméstica. Diferentemente de uma punição tradicional, as atividades funcionam como uma intervenção preventiva e educativa, baseada em encontros estruturados que discutem masculinidades, relações de gênero, machismo e responsabilização pelas agressões.

Coordenado pelo professor Adriano Beiras, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, o levantamento identificou 51 grupos em funcionamento em 41 comarcas, com atuação em 65 municípios catarinenses. Somente em 2025, ao menos 1.391 homens participaram das atividades. Desde 2020, início da série histórica analisada, já foram 6.797 atendimentos.

O crescimento de 8,7% no número de grupos, passando de 46 para 51 em relação ao último ciclo, indica a consolidação da política pública voltada à responsabilização e prevenção da violência doméstica. O relatório também aponta novas iniciativas em fase de implantação, inclusive com articulação entre municípios, o que sinaliza tendência de expansão no Estado. Segundo Adriano Beiras, o mapeamento estadual faz parte de um processo contínuo de acompanhamento das políticas voltadas aos grupos reflexivos. A iniciativa é resultado da parceria entre o grupo de pesquisa Margens, do Departamento de Psicologia da UFSC, e a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) do TJSC.
(mais…)

Tags: CEVID/TJSCciências humanascombate à violênciagrupos reflexivosmapeamentoMargenspsicologiaTJ-SCTribunal de JustiçaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina