Sala Verde divulga agenda de atividades para outubro

01/10/2021 14:24

A Sala Verde UFSC divulgou sua programação de outubro. Serão oferecidas quatro atividades on-line e gratuitas que abordam temas diversos, como eneagrama da personalidade, virtude da raiva na comunicação, dança e laticínios vegetais. Todas ocorrerão pela plataforma Conferência Web (conferenciaweb.rnp.br/webconf/sala-verde-ufsc). Quem se inscrever previamente terá direito a certificado de participação.

A Sala Verde é um projeto da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) que surgiu em 2005. É um espaço interativo e colaborativo que realiza ações de educação ambiental, intervenções socioambientais para toda a comunidade e atividades para a promoção de uma melhor qualidade de vida.

Tags: PROEXSala VerdeUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Pró-Reitoria de Extensão seleciona estudantes de graduação para o Projeto Rondon

30/09/2021 19:04

A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Catarina (PROEX/UFSC) informa que, a partir de 4 de outubro, estão abertas as inscrições para o processo de seleção de estudantes de graduação que queiram participar do Projeto Rondon.

A Operação Amapá mais Forte ocorrerá no município de Tartarugalzinho, estado do Amapá, no período de 3 a 20 de fevereiro de 2022. Para se candidatar a uma vaga no processo de seleção, é preciso atender aos seguintes critérios:

– Ser aluno de graduação da UFSC e estar cursando acima da segunda metade do curso.

– Ter ótimo currículo (histórico, IAA, estágios, monitorias etc.)

– Ter disponibilidade de horário para os preparativos antes da realização da Operação.

Mais informações na página da PROEX.

Tags: Operação Amapá mais FortePró-Reitoria de ExtensãoPROEXProjeto RondonUFSC

Mestrando em Linguística da UFSC ganha Prêmio Nacional de Divulgação Científica

30/09/2021 18:50

O estudante de mestrado da Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) , Vitor Hochsprung, foi premiado com o segundo lugar na categoria Divulgação e Popularização da Ciência Linguística da edição 2021 do Prêmio da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). O Prêmio ABRALIN 2021 foi anunciado no dia 30 de setembro, durante o seu Congresso Internacional (InterAb). A lista com todos os premiados pode ser conferida aqui.

O concurso tinha por objetivo reconhecer esforços em apresentar trabalhos acadêmicos, através da mídia impressa e digital, que tenham por objetivo a divulgação de resultados de pesquisa em linguística para um público não especialista. Hochsprung, que é bolsista da FAPESC, mantém um perfil na rede social Instagram desde março de 2020. Com o usuário @vitorlinguistica, o estudante compartilha resultados de pesquisa e análise de fenômenos linguísticos por meio de várias estratégias de popularização, visando à compreensão das pessoas que não são da área de Linguística.
(mais…)

Tags: ABRALINDivulgação CientíficaPopularização da Ciência LinguísticaPrêmio da Associação Brasileira de LinguísticaPrograma de Pós-Graduação em LinguísticaUFSC

Evento comemora dia internacional da tradução com oficinas e mesa de debates

29/09/2021 14:19

O curso de Letras Libras, o Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução e o Núcleo de Pesquisas InterTrads, da UFSC, promovem nesta quinta-feira (30) duas oficinas direcionadas ao aperfeiçoamento e atualização dos profissionais dos serviços de tradução e de interpretação e uma mesa de debate sobre a atuação profissional de tradutores e intérpretes. O evento faz parte do Dia Internacional da Tradução, e as inscrições devem ser realizadas no link.

Para as oficinas, haverá a participação de Carolina Fomin, do Instituto Singularidades, que irá falar sobre empreendedorismo para tradutores e intérpretes, às 14h. Já João Gabriel Duarte Ferreira debate aspectos práticos e profissionais da tradução e da interpretação, às 16h30. A programação também terá uma mesa de debate com a participação do tradutor e intérprete de Libras-português Ricieri Palha , da intérprete de conferências e formadora de intérpretes, Raffaella Quental e da audiodescritora Alexandra Frazão Seoane (UECE).

Tags: Dia Internacional da Tradução

Centro Acadêmico de Administração organiza workshop de oratória

29/09/2021 10:25

O Centro Acadêmico de Administração (Caad) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove um workshop de oratória nesta quinta-feira, 30 de setembro, às 17h. A atividade é on-line e ocorre pela plataforma Google Meet. A ação é desenvolvida em parceria com a Vox2You – Escola de Oratória e visa amenizar dificuldades do público relacionadas à comunicação e à apresentação de trabalhos.

As inscrições podem ser realizadas até a data do evento nesta página. Os participantes terão direito a certificado de uma hora.

Tags: CAADoratóriaUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Água abundante e floresta regenerada serão preservadas com criação de Refúgio de Vida Silvestre em São Chico

29/09/2021 10:00


A abundância hídrica e a riqueza de espécies na floresta do Distrito do Saí reforçam aquilo que os pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina já reconheciam a partir da literatura e de outros trabalhos na localidade: é necessário promover a conservação da biodiversidade e potencializar o turismo sustentável na região. A criação de um Refúgio de Vida Silvestre irá possibilitar que a Mata Atlântica permaneça protegida, o que garante, também, água de qualidade e outros benefícios às comunidades.

“A garantia da preservação da floresta confere um papel importante de conexão das pessoas com a natureza, de entrarem na mata e se sentirem confortáveis. A mata promove uma sensação muito agradável: sensação térmica, estética, de andar numa floresta e conseguir enxergar flores, aves, insetos. Para esse turismo mais voltado para o desfrute do meio ambiente é importante que a mata esteja muito bem preservada”, explica o professor Pedro Fiaschi, do departamento de Botânica.

Euterpe edulis, popularmente conhecida como ‘juçara'(Foto: acervo do projeto Nascentes do Saí)

A mata do Distrito do Saí, segundo Fiaschi, tem características que chamam a atenção. A área é coberta por Mata Atlântica em estágio avançado de regeneração. “Temos nesta região árvores altas e com diâmetro grande, além de estruturação em vários níveis: desde as árvores muito grandes, até as camadas inferiores. São vários extratos de floresta com indício de que estão em estado avançado de regeneração”, explica. Além disso, há também trechos que podem ser matas primárias – ou seja, que nunca sofreram impacto e preservam suas características originais desde antes mesmo da chegada da espécie humana.

Segundo o relatório de 2020 da SOS Mata Atlântica, esse bioma abrange cerca de 15% do território do Brasil, o que equivale a 17 estados. Além disso, é o lar de 72% da população, abrigando três dos maiores centros urbanos do continente sul-americano. Os dados sobre seu desmatamento também chamam a atenção: de 2018 para 2019, foram 14.502 hectares – ou 14 mil campos de futebol suprimidos, ameaçando sua rica biodiversidade.

No Distrito do Saí, no entanto, o relatório dos pesquisadores da UFSC indica uma área relativamente preservada, o que aumenta a relevância de medidas de conservação. De acordo com o professor, muitas áreas da Mata Atlântica sofreram impacto da ação humana ao longo do processo de ocupação urbana, o que é menos evidente na região do Saí. “Tudo isso sugere que essa região deva ser preservada. Uma floresta muito bem conservada vai ter uma quantidade de espécies muito maior e vai abrigar também muitas espécies de animais. Quanto mais espécies houver na flora, mais rica será a fauna associada”.

Esses indícios, entretanto, não sugerem que não tenha havido impactos da ação humana na floresta nativa. De acordo com o pesquisador, é possível que tenha existido, na localidade, um histórico de corte raso em alguns trechos, com a remoção da floresta, e também a remoção seletiva de algumas espécies, tais como jequetibá e canela-preta. Assim, ainda que a floresta seja considerada em estágio avançado de regeneração e seja rica em espécies, há outras regiões, mesmo em Santa Catarina, que se encontram em melhor estado de conservação, especialmente aquelas localizadas em regiões mais íngremes, cujo acesso à ação humana é dificultado.

Riqueza florística

O jequetibá é uma árvore de tronco largo, grande e vistosa, dessas que são impossíveis de não se reparar. Por isso, é difícil que passem despercebidas mesmo por olhos leigos. No trabalho de campo da UFSC, um aluno do professor Pedro Fiaschi identificou um indivíduo jovem. “Ele coletou um ramo e nos mostrou. É possível que haja mais pela floresta, mas esse que identificamos é um indivíduo jovem”, explica. A espécie é considerada ameaçada de extinção, mas pode ser encontrada no Distrito do Saí.

Segundo o professor, essa espécie não é encontrada em outras regiões do estado. Em Florianópolis, por exemplo, não há registro de jequetibás. Isso ocorre porque as florestas mais ao norte, no caso da Mata Atlântica, costumam ter registros de espécies que não ocorrem em áreas mais ao sul do estado. O Distrito do Saí, portanto, tem mais esse diferencial: por estar no Litoral Norte, vai apresentar algumas espécies características de uma região com chuvas mais abundantes e clima um pouco menos sazonal que o de Florianópolis, por exemplo. Este foi um ponto destacado pela equipe que fez o levantamento no relatório do projeto: as florestas do Distrito do Saí caracterizam- se como importantes componentes florísticos do estado por conta dessa característica, “contribuindo para a riqueza biológica de Santa Catarina e proporcionando habitat para uma fauna silvestre igualmente biodiversa”, tal como consta no relatório.

Rudgea jasminoides: registro de uma espécie que ocorre no interior de florestas bem conservadas

Para os pesquisadores, a existência de muitas espécies de bromélias, samambaias e outras epífitas na região do Distrito do Saí não surpreende. Essas espécies são comuns na Mata Atlântica e muitas não são encontradas em outros biomas brasileiros.”Sobre as bromélias, quando você vai a uma floresta e olha para cima das árvores, observa muitas espécies crescendo sobre o tronco das árvores, o que não surpreende em florestas bem estruturadas situadas em morros, com árvores de grande porte e penetração de luz sob vários ângulos”, resume.

De acordo com o professor, a beleza dessas plantas pode ser um atrativo para os turistas, já que elas atraem também muitas espécies de aves e outros polinizadores. “Como muitas outras plantas, as bromélias têm muita interação com polinizadores, que são muito importantes para sua reprodução, enquanto outras plantas dependem de animais para a dispersão das suas sementes, o que é essencial para a manutenção da floresta, já que permite o repovoamento de outras áreas”.

Já as samambaias também aparecem como parte do relatório do projeto. Algumas espécies são mais raras e conhecidas em poucas localidades. “No Distrito do Saí identificamos muitas espécies de samambaias, muito mais do que acharíamos em Florianópolis, por exemplo. Elas são um grupo que está associados a florestas úmidas e geralmente ocorrem onde há muitos corpos de água e chuvas bem distribuídas ao longo do ano”, explica.

A formação florestal, portanto, destaca-se na paisagem do Distrito do Saí. De acordo com o levantamento da equipe do professor Orlando Ferretti, mais de 90% do solo da região estudada tem essa composição – e apenas 1,14% seria floresta exótica, plantada. “A gente já imaginava que o Distrito é uma região importantíssima do ponto de vista da biodiversidade. Claro que dentro dele há áreas que sofreram modificação recente, por conta de ocupações que estão mais a margem. Inclusive, a área de entorno da unidade de conservação registra que a ocupação urbana está encostando no polígono”, explica.

Essa biodiversidade, segundo aponta o professor, é tributária também das formações da Serra do Mar, cadeia montanhosa composta por inúmeras reservas. A vegetação da região, explica ele, foi transformada pelo menos há cerca de 50 anos, com o corte seletivo em alguns lugares. “Mesmo assim, a gente percebe que está no estado de regeneração bem interessante, com topos de morro e encostas bastante recuperadas, o que também dá qualidade para a água da região, em mais de 150 pontos de nascente”.

Água

A relação da floresta com a água também diz muito sobre a qualidade de uma e de outra. De acordo com o relatório 2020 da ONG SOS Mata Atlântica, o bioma fornece água para mais de 60% da população brasileira. Não é diferente no Litoral Norte de Santa Catarina e particularmente em São Francisco do Sul. O próprio nome do projeto da UFSC, Nascentes do Saí, remete à característica hidrológica da região.

De acordo com o professor Nei Kavaguichi Leite, do Departamento de Ecologia e Zoologia, é possível recorrer ao ciclo da água para entender o papel da floresta com relação a esse aspecto. Uma das imagens ilustrativas do fenômeno é quando parte da água da chuva fica retida na copa das árvores, o que faz com que o solo a absorva de uma forma mais lenta, recarregando aquíferos que alimentam os rios. A falta de cobertura florestal, por outro lado, acelera este processo e faz com que o solo fique rapidamente saturado de água. “Isso gera um alto escoamento superficial que pode acarretar em um rápido aumento do nível dos rios e riachos, com consequente inundação, ou mesmo resultar em assoreamento devido ao aporte de grande quantidade de sedimento nos cursos d`água”.

Conservar a floresta garante qualidade da água

 

O estudo da equipe de hidrologia do projeto abrangeu nove bacias hidrográficas, com o interesse em compreender a disponibilidade hídrica nessas áreas, verificando também sua distribuição e abundância. Outro ponto importante a ser considerado é que essas águas são responsáveis por parte do abastecimento dos municípios de São Francisco do Sul e Itapoá, garantindo qualidade de vida à população. Cinco dos oito pontos de captação da empresa Águas de São Francisco estão na região.

Conforme o relatório, as bacias hidrográficas analisadas têm área de aproximadamente 26,7 km2, com monitoramento realizado pela equipe de hidrologia cobrindo cerca de 77% da área de estudo, em um total aproximado de 57 nascentes. As nascentes são o ponto por onde começa um curso de água e estão localizadas nas regiões mais altas.

A abundância hídrica do Distrito do Saí também foi corroborada pelo alto índice de chuvas, com uma média anual de 2.363 mm, acima da que é registrada em Santa Catarina, que é de 1.506 mm. Também se destacaram, na análise, a extensa cobertura de mata nativa, o que assegura a urgência de medidas de conservação. “Tem riachos que estão em regiões com certo grau de antropização, mas um aspecto bastante relevante é a manutenção das matas ciliares, que margeiam os rios. São matas que servem de refúgio para a biodiversidade, garantem a estabilidade dos barrancos e controlam a água que chega nos riachos. Em muitos desses riachos que estudamos, as matas ciliares disponibilizam alimentos para muitas espécies e servem também de recreação”, pontua Nei.

O professor lembra, ainda, que a manutenção dessas matas e da floresta, de um modo geral, também são medidas preventivas para deslizamentos ocasionados pelo forte índice pluviométrico. “A falta de cobertura vegetal pode acarretar em erosão e até mesmo assoreamento de riachos. Em locais com pequenas modificações, como a queda de uma árvore, em algum momento, já se detecta esse fenômeno. Mudar completamente as características da região pode gerar um impacto bem grande”, pondera.

O alerta também surge do professor Orlando Ferretti. Segundo ele, apesar da grande biodiversidade e da grande quantidade de florestas, a área apresenta riscos de deslizamento caso a floresta não seja conservada e não se torne alvo de políticas ambientais. “Quando se percebe o tipo de solo que existe lá, suscetível a riscos geológicos, e também a quantidade de chuva, pode-se falar até em um risco mais imediato, já que a área urbana está crescendo”.

Leia mais nesta quinta-feira, 30/09

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom

Tags: conservaçãoDistrito do SaíecologiaNascentes do SaíProjeto Nascentes do SaíRefúgio de Vida Silvestre

Seminário Memória e Museologia LGBT + Resistência ocorre de 19 a 22 de outubro

28/09/2021 16:59

Entre os dias 19 e 22 de outubro a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sedia três eventos na área de Museologia: o “Seminário Memória e Museologia LGBT + Resistência”, o “IV Seminário Museus e Resistência” e o “III Seminário Museus, Memória e Museologia LGBT.” Os seminários são promovidos pelo curso de Museologia da UFSC, pelo Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE/UFSC), pelo Museu Victor Meirelles, por integrantes da Rede LGBT+ de Memória e Museologia Social e pela equipe da Revista Memória LGBT+.

O objetivo dos eventos é discutir e produzir conhecimento atualizado sobre museus, memória e Museologia quando em conexão com populações com identidade de gênero e sexualidade dissidentes da matriz branca e cisheterossexual. As atividades contarão com a presença de pessoas que se posicionam contra o racismo e LGBTfobia por meio de reconhecida produção intelectual, artística, ativista e atuação profissional no campo da Museologia LGBT+.

As inscrições devem ser feitas na página dos eventos. O certificado, de 24 horas, será expedido para as pessoas que participarem de no mínimo 75% das atividades.

Os seminários serão transmitidos pelo canal YouTube da Museologia UFSC e o link será enviado por e-mail aos participantes que fizerem a inscrição na plataforma.

A programação completa está disponível aqui.

Para se inscrever, acesse aqui.

Mais informações nas seguintes páginas no Instagram: MuseologiaUFSC e MArquEUFSC

Tags: IV Seminário Museus e ResistênciaMArquEmuseologiaMuseu de Arqueologia e EtnologiaSeminário Memória e Museologia LGBT + ResistênciaUFSC

Afinal, o que a UFSC tem feito durante a pandemia de Covid-19?

28/09/2021 16:02

As ações da UFSC durante a pandemia de Covid-19 são destaque em um novo vídeo, elaborado pela Agência de Comunicação da UFSC. O vídeo foi lançado nesta terça-feira, dia 28 de setembro, e está disponível no YouTube e nas redes sociais oficiais da Universidade.

Quais foram as principais pesquisas que surgiram desde março de 2020?

Como a UFSC atua na linha de frente no combate à pandemia por meio do Hospital Universitário e como parceira da vacinação?

Como a UFSC se adaptou para oferecer seu currículo de forma não presencial?

Como a UFSC se prepara para as próximas etapas de retomada?

Clique no vídeo e veja as respostas para essas e demais perguntas:

Assista também:
UFSC Explica – Pandemias
Professor da UFSC fala sobre as vacinas contra o Coronavírus
UFSC: com Ciência, pela Vida

Tags: coronavírusCovid-19UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

UFSC e comunidade de São Francisco do Sul sugerem criação de Refúgio de Vida Silvestre no Distrito do Saí

28/09/2021 10:00

Por dentro das matas no alto de um morro no Litoral Norte de Santa Catarina, um pequeno caneleiro-bordado está pronto para desbravar um mundo novo. Poderia ser personagem de um desenho animado, mas é uma ave observada pela primeira vez em um Estado onde não costuma ser vista. A região escolhida é cheia de características atrativas: com espécies diversificadas e água em abundância, deve se tornar a primeira unidade de conservação da parte continental de São Francisco do Sul, por recomendação de um extenso trabalho que uniu a ciência e as comunidades do Distrito do Saí.

A parceria começou após a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ser contratada pela Prefeitura de São Francisco do Sul para estudar a região. Os recursos vieram como parte de uma multa recolhida pelo Ministério Público Federal e foram aplicados para que se analisasse as características para a criação de uma unidade de conservação municipal, em um polígono previamente estabelecido. O estudo resultou em um relatório com mais de 700 páginas, que organiza o conhecimento sobre aspectos como a hidrologia, a geologia, a fauna e a flora da região e ainda apresenta um histórico socioantropológico da área, recomendada para ser um Refúgio de Vida Silvestre.

Caneleiro bordado: espécie foi vista pela primeira vez e indica o quanto a mata pode ter riquezas desconhecidas (Foto: Fernando Farias)

O Projeto Nascentes do Saí traça uma imagem panorâmica e também o raio-x de um lugar repleto de particularidades, que tem urgência na preservação da sua biodiversidade e também pode servir como ponto de turismo ecológico por conta de suas características. O território do Distrito do Saí possui 116 km2, água, floresta e animais em abundância e um patrimônio cultural cheio de histórias. Transformá-lo em unidade de conservação vai contribuir com a proteção e exploração sustentável dos seus encantos turísticos.

Coordenadoria de Design e Programação Visual / Agecom

“A região de morros do Distrito do Saí nos surpreendeu com a sua riqueza de espécies, tanto de flora, como de fauna. É um remanescente de Mata Atlântica muito importante para o Estado, tendo a sua maior parte em estágio avançado de regeneração, além de ser fundamental para a segurança hídrica do município por causa dos seus mananciais”, explica o professor Rodrigo de Almeida Mohedano, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental e coordenador do projeto. “Além dessa tomada de informações, de dados, o projeto é pautado em um processo de governança com a comunidade, porque entendemos que essas ações muito verticais, de cima para baixo, não têm muita efetividade. É preciso que a comunidade participe desde o começo”, contextualiza o professor.

De início, não foi um processo fácil, pois, no senso comum, unidades de conservação costumam ser temidas por, em alguns casos, enrijecerem determinadas regras de ocupação. Mas mesmo com uma pandemia imprevista pelo caminho, a equipe conseguiu construir, com base no diálogo, uma proposta e uma minuta de lei para criar o que se denomina Refúgio da Vida Silvestre.

O polígono inicialmente delimitado pela prefeitura transformou-se em uma área maior, de aproximadamente 6.702 hectares, segundo explica o professor Orlando Ferretti, responsável pela caracterização geográfica. O traçado passou a abranger, também, áreas de maiores altitudes, na divisa com Itapoá e Garuva, onde não há ocupação, mas há floresta.

Segundo Ferretti, a proposta de criação de uma unidade no local remonta à década de 1980, quando a Unesco criou o conceito de Reserva da Biosfera, com o objetivo de dar sustentação à preservação dos diferentes biomas espalhados pelo mundo. No Brasil, esse processo se estendeu entre final de 1990 e início de 2000, onde se estabeleceram as possíveis reservas para as áreas de Mata Atlântica. “Foi uma designação muito mais de uma política internacional, de observar nos diferentes biomas quais as áreas que deveriam ser mais cuidadas e ter mais trabalhos científicos e áreas protegidas”, contextualiza.

Hoje, a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), a primeira criada no Brasil, passou por diversas ampliações. De acordo com informações da Unesco, ela cobre porções territoriais de vegetação de Mata Atlântica ao longo de 89.687.000 hectares. Isso forma um corredor ecológico por 17 estados, incluindo Santa Catarina. A RBMA é a maior e uma das mais importantes unidades da Rede Mundial da Unesco.

Dentro do próprio bioma de Mata Atlântica, explica o professor, foram criadas inúmeras reservas, parte delas na região Sul – e a mais importante hoje denominada Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. “No Norte, há áreas de serra do mar, nas regiões de Joinville, Campo Alegre, Garuva, São Chico. Ali há uma grande indicação da importância e da biodiversidade nessas áreas, balizadas pela Unesco”, comenta. A região de São Francisco do Sul, desde os anos 2000, é reconhecida como altamente importante, mas ainda não tem uma unidade de conservação em sua área continental.

A ideia de criar a primeira unidade de conservação de proteção integral na região tem uma importância adicional: somado às outras áreas protegidas do entorno, esse polígono seria uma espécie de corredor ecológico e garantiria mais trocas genéticas nas populações de animais ou de plantas que vivem em outras reservas. “É importante que haja muita unidade de conservação para que haja conexão entre os diferentes fragmentos, para que as espécies possam circular entre as áreas, tendo essa facilidade para o fluxo genético”, reforça Rodrigo.

Equipe de pesquisa em ação

O professor Ferretti também reforça a possibilidade de uma nova reserva se agregar a um chamado mosaico de áreas protegidas, que garante uma maior cobertura de proteção legal, com uma intensa variedade de ambientes, tais como serra e planície, por exemplo. Isso possibilita que haja ligação possível com corredores, seja pela água, seja pela terra, fazendo com que os animais façam a passagem de um ponto a outro. “É urgente a criação de unidades também para não isolar esses animais”, pontua.

Unindo saberes

Trabalho com a comunidade começou antes da pandemia (Fotos: acervo do projeto)

Segundo o professor Rodrigo, o Núcleo de Educação Ambiental (NEAmb) foi um dos vértices de todo esse processo. Além de já ter, no histórico, a execução de um trabalho semelhante, realizado na cidade de Itapema, o NEAmb potencializou conhecimentos multidisciplinares para o estudo. “O nosso diferencial foi trabalhar com as comunidades, empoderar a comunidade com conhecimento e incluí-la no processo, com metodologias de educação ambiental e de governança”.

A proposta de unir os saberes locais da comunidade e os saberes técnicos que a equipe da UFSC propunha fez com o que o projeto Nascentes do Saí fosse um trabalho coletivo. “Não adianta vir alguém de fora, da universidade ou do poder público e impor a criação de uma Unidade de Conservação, pois sem a apropriação desta pela comunidade, ela ficaria apenas no papel”, destaca Luiz Gabriel Catoira Vasconcelos, responsável pela governança. “O conceito de governança que trazemos do professor Daniel Silva é justamente esse: aumentar a capacidade das comunidades de participar da gestão do seu território e seus bens comuns”.

O pesquisador lembra que foi um desafio romper as opiniões pré-estabelecidas, já que muitos moradores identificavam o projeto como uma espécie de inimigo. A falta de confiança no poder público e até mesmo um preconceito com iniciativas ambientais são apontados como duas das possíveis causas desse afastamento inicial. “A efetividade da gestão de bens comuns como as águas, florestas e o meio ambiente equilibrado depende da existência de diálogo e cooperação entre todos atores envolvidos. Do contrário, a competição individualista leva à intensificação da degradação e eventualmente a um colapso irreversível”, aponta.

Justamente por isso, a equipe buscou cultivar e construir relações de confiança. A comunidade foi chamada a participar desde o primeiro momento, em conversas, depois em grupos virtuais, por conta da pandemia, e também nas três audiências públicas executadas para apresentar o que estava sendo coletado e ouvir o que os moradores tinham a dizer. As oficinas de construção participativa da proposta da Unidade de Conservação colocaram em diálogo pessoas com concepções divergentes trabalhando de modo cooperativo.

“Certamente a participação de cada um enriqueceu o processo e contribuiu para a qualidade e legitimidade das decisões tomadas. Mais do que isso, foi um alento de que ainda pode ser possível regenerar a capacidade de diálogo e cooperação em nossa sociedade”, pontua Vasconcelos, que viu a comunidade exercer a autonomia para a proposição da categoria Refúgio de Vida Silvestre, uma recomendação coletiva, que conciliou os saberes técnicos da equipe da UFSC com os interesses e saberes da comunidade. “É claro que também houve os momentos objetivos e metodológicos das oficinas, mas eles foram resultado de meses de escuta, conversa, afeto e perseverança no diálogo, especialmente quando este era mais difícil”.

Proteção também à cultura e às tradições

A comunidade, ativamente participante das decisões sobre a unidade de conservação do Distrito do Saí, também integrou o projeto em outra frente: compartilhando suas memórias, contando suas histórias e apresentando suas práticas, o que permitiu à equipe da UFSC realizar um inventário socioantropológico da região. Para a pesquisadora Elis do Nascimento Silva, coordenadora do estudo, é importante considerar que a criação de uma UC em um território não envolve apenas a proteção do ambiente natural e sua biodiversidade, mas articula-se também com a vida dos povos e comunidades.

Entrevistas fizeram parte do levantamento realizado pela UFSC

“A abordagem sociológica, histórica e antropológica se faz necessária desde o momento inicial do estudo e dos levantamentos dos dados primários e secundários que nos permitem compreender o histórico de ocupação da região, as atividades e práticas produtivas das comunidades que dependem das áreas destinadas à criação da UC e, sobretudo, os vínculos afetivos e modos tradicionais das pessoas interagirem com esses ambientes há algumas gerações”, resume Elis.

Uma das coisas que mais chamou a atenção da equipe foi a riqueza do histórico de ocupação naquela área, desde o período pré-colonial, sinalizada pelos vestígios dos sambaquis, que comprovam que existe a presença humana na região há pelo menos 6.000 anos antes do presente.

Há outros pontos da história que mereceram o registro atento das pesquisadoras da UFSC como parte do esforço de registrar as memórias e os acontecimentos da comunidade: a chegada dos franceses em 1504 e a experiência do Falanstério do Saí em 1842 para implantação de um sistema coletivista de trabalho baseada na livre associação e cooperativismo, por exemplo, também é um momento que diferencia o Distrito do Saí de outras áreas. Outras heranças socioculturais são atribuídas à presença histórica do povo Guarani, dos portugueses, espanhóis, alemães e dos afrodescendentes escravizados.

O reconhecimento e a valorização da pesca artesanal como um importante patrimônio cultural imaterial do Distrito do Saí é outro destaque que a pesquisadora faz ao estudo. De acordo com ela, mesmo com um certo enfraquecimento da prática desta atividade entre as novas gerações, trata-se de uma tradição do lugar que está presente na memória da maioria das famílias. “Relacionada à pesca artesanal, também estão a cultura dos engenhos de farinha e as festividades – tradicionais e contemporâneas – que são celebradas atualmente no Distrito do Saí, como a Festa da Nossa Senhora da Glória e a Festa do Camarão”, pontua.

Para Elis, a existência de uma unidade de conservação no Distrito pode envolver ainda mais a comunidade ao território, sendo capaz de fortalecer a identidade cultural e gerar um sentimento de pertencimento por conta da valorização da biodiversidade por parte do poder público e dos turistas. “Com a criação da UC, prevemos que ela poderá ser mais um atrativo turístico para a região e que, a partir do interesse e organização da comunidade, seus patrimônios culturais materiais e imateriais podem ser melhor geridos e valorizados como potenciais do Distrito do Saí, não só histórico-culturais mas também movimentando ainda mais a economia local”, acrescenta a pesquisadora.

 

Água abundante e floresta regenerada

A abundância hídrica e a riqueza de espécies na floresta do Distrito do Saí reforçam aquilo que os pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina já reconheciam a partir da literatura e de outros trabalhos na localidade: é necessário promover a conservação da biodiversidade e potencializar o turismo sustentável na região. A criação de um Refúgio de Vida Silvestre irá possibilitar que a Mata Atlântica permaneça protegida, o que garante, também, água de qualidade e outros benefícios às comunidades.

“A garantia da preservação da floresta confere um papel importante de conexão das pessoas com a natureza, de entrarem na mata e se sentirem confortáveis. A mata promove uma sensação muito agradável: sensação térmica, estética, de andar numa floresta e conseguir enxergar flores, aves, insetos. Para esse turismo mais voltado para o desfrute do meio ambiente é importante que a mata esteja muito bem preservada”, explica o professor Pedro Fiaschi, do departamento de Botânica.

Euterpe edulis, popularmente conhecida como ‘juçara'(Foto: acervo do projeto Nascentes do Saí)

A mata do Distrito do Saí, segundo Fiaschi, tem características que chamam a atenção. A área é coberta por Mata Atlântica em estágio avançado de regeneração. “Temos nesta região árvores altas e com diâmetro grande, além de estruturação em vários níveis: desde as árvores muito grandes, até as camadas inferiores. São vários extratos de floresta com indício de que estão em estado avançado de regeneração”, explica. Além disso, há também trechos que podem ser matas primárias – ou seja, que nunca sofreram impacto e preservam suas características originais desde antes mesmo da chegada da espécie humana.

Segundo o relatório de 2020 da SOS Mata Atlântica, esse bioma abrange cerca de 15% do território do Brasil, o que equivale a 17 estados. Além disso, é o lar de 72% da população, abrigando três dos maiores centros urbanos do continente sul-americano. Os dados sobre seu desmatamento também chamam a atenção: de 2018 para 2019, foram 14.502 hectares – ou 14 mil campos de futebol suprimidos, ameaçando sua rica biodiversidade.

No Distrito do Saí, no entanto, o relatório dos pesquisadores da UFSC indica uma área relativamente preservada, o que aumenta a relevância de medidas de conservação. De acordo com o professor, muitas áreas da Mata Atlântica sofreram impacto da ação humana ao longo do processo de ocupação urbana, o que é menos evidente na região do Saí. “Tudo isso sugere que essa região deva ser preservada. Uma floresta muito bem conservada vai ter uma quantidade de espécies muito maior e vai abrigar também muitas espécies de animais. Quanto mais espécies houver na flora, mais rica será a fauna associada”.

Esses indícios, entretanto, não sugerem que não tenha havido impactos da ação humana na floresta nativa. De acordo com o pesquisador, é possível que tenha existido, na localidade, um histórico de corte raso em alguns trechos, com a remoção da floresta, e também a remoção seletiva de algumas espécies, tais como jequetibá e canela-preta. Assim, ainda que a floresta seja considerada em estágio avançado de regeneração e seja rica em espécies, há outras regiões, mesmo em Santa Catarina, que se encontram em melhor estado de conservação, especialmente aquelas localizadas em regiões mais íngremes, cujo acesso à ação humana é dificultado.

Riqueza florística

O jequetibá é uma árvore de tronco largo, grande e vistosa, dessas que são impossíveis de não se reparar. Por isso, é difícil que passem despercebidas mesmo por olhos leigos. No trabalho de campo da UFSC, um aluno do professor Pedro Fiaschi identificou um indivíduo jovem. “Ele coletou um ramo e nos mostrou. É possível que haja mais pela floresta, mas esse que identificamos é um indivíduo jovem”, explica. A espécie é considerada ameaçada de extinção, mas pode ser encontrada no Distrito do Saí.

Segundo o professor, essa espécie não é encontrada em outras regiões do estado. Em Florianópolis, por exemplo, não há registro de jequetibás. Isso ocorre porque as florestas mais ao norte, no caso da Mata Atlântica, costumam ter registros de espécies que não ocorrem em áreas mais ao sul do estado. O Distrito do Saí, portanto, tem mais esse diferencial: por estar no Litoral Norte, vai apresentar algumas espécies características de uma região com chuvas mais abundantes e clima um pouco menos sazonal que o de Florianópolis, por exemplo. Este foi um ponto destacado pela equipe que fez o levantamento no relatório do projeto: as florestas do Distrito do Saí caracterizam- se como importantes componentes florísticos do estado por conta dessa característica, “contribuindo para a riqueza biológica de Santa Catarina e proporcionando habitat para uma fauna silvestre igualmente biodiversa”, tal como consta no relatório.

Rudgea jasminoides: registro de uma espécie que ocorre no interior de florestas bem conservadas

Para os pesquisadores, a existência de muitas espécies de bromélias, samambaias e outras epífitas na região do Distrito do Saí não surpreende. Essas espécies são comuns na Mata Atlântica e muitas não são encontradas em outros biomas brasileiros.”Sobre as bromélias, quando você vai a uma floresta e olha para cima das árvores, observa muitas espécies crescendo sobre o tronco das árvores, o que não surpreende em florestas bem estruturadas situadas em morros, com árvores de grande porte e penetração de luz sob vários ângulos”, resume.

De acordo com o professor, a beleza dessas plantas pode ser um atrativo para os turistas, já que elas atraem também muitas espécies de aves e outros polinizadores. “Como muitas outras plantas, as bromélias têm muita interação com polinizadores, que são muito importantes para sua reprodução, enquanto outras plantas dependem de animais para a dispersão das suas sementes, o que é essencial para a manutenção da floresta, já que permite o repovoamento de outras áreas”.

Já as samambaias também aparecem como parte do relatório do projeto. Algumas espécies são mais raras e conhecidas em poucas localidades. “No Distrito do Saí identificamos muitas espécies de samambaias, muito mais do que acharíamos em Florianópolis, por exemplo. Elas são um grupo que está associados a florestas úmidas e geralmente ocorrem onde há muitos corpos de água e chuvas bem distribuídas ao longo do ano”, explica.

A formação florestal, portanto, destaca-se na paisagem do Distrito do Saí. De acordo com o levantamento da equipe do professor Orlando Ferretti, mais de 90% do solo da região estudada tem essa composição – e apenas 1,14% seria floresta exótica, plantada. “A gente já imaginava que o Distrito é uma região importantíssima do ponto de vista da biodiversidade. Claro que dentro dele há áreas que sofreram modificação recente, por conta de ocupações que estão mais a margem. Inclusive, a área de entorno da unidade de conservação registra que a ocupação urbana está encostando no polígono”, explica.

Essa biodiversidade, segundo aponta o professor, é tributária também das formações da Serra do Mar, cadeia montanhosa composta por inúmeras reservas. A vegetação da região, explica ele, foi transformada pelo menos há cerca de 50 anos, com o corte seletivo em alguns lugares. “Mesmo assim, a gente percebe que está no estado de regeneração bem interessante, com topos de morro e encostas bastante recuperadas, o que também dá qualidade para a água da região, em mais de 150 pontos de nascente”.

Qualidade da floresta

A relação da floresta com a água também diz muito sobre a qualidade de uma e de outra. De acordo com o relatório 2020 da ONG SOS Mata Atlântica, o bioma fornece água para mais de 60% da população brasileira. Não é diferente no Litoral Norte de Santa Catarina e particularmente em São Francisco do Sul. O próprio nome do projeto da UFSC, Nascentes do Saí, remete à característica hidrológica da região.

De acordo com o professor Nei Kavaguichi Leite, do Departamento de Ecologia e Zoologia, é possível recorrer ao ciclo da água para entender o papel da floresta com relação a esse aspecto. Uma das imagens ilustrativas do fenômeno é quando parte da água da chuva fica retida na copa das árvores, o que faz com que o solo a absorva de uma forma mais lenta, recarregando aquíferos que alimentam os rios. A falta de cobertura florestal, por outro lado, acelera este processo e faz com que o solo fique rapidamente saturado de água. “Isso gera um alto escoamento superficial que pode acarretar em um rápido aumento do nível dos rios e riachos, com consequente inundação, ou mesmo resultar em assoreamento devido ao aporte de grande quantidade de sedimento nos cursos d`água”.

Conservar a floresta garante qualidade da água

 

O estudo da equipe de hidrologia do projeto abrangeu nove bacias hidrográficas, com o interesse em compreender a disponibilidade hídrica nessas áreas, verificando também sua distribuição e abundância. Outro ponto importante a ser considerado é que essas águas são responsáveis por parte do abastecimento dos municípios de São Francisco do Sul e Itapoá, garantindo qualidade de vida à população. Cinco dos oito pontos de captação da empresa Águas de São Francisco estão na região.

Conforme o relatório, as bacias hidrográficas analisadas têm área de aproximadamente 26,7 km2, com monitoramento realizado pela equipe de hidrologia cobrindo cerca de 77% da área de estudo, em um total aproximado de 57 nascentes. As nascentes são o ponto por onde começa um curso de água e estão localizadas nas regiões mais altas.

A abundância hídrica do Distrito do Saí também foi corroborada pelo alto índice de chuvas, com uma média anual de 2.363 mm, acima da que é registrada em Santa Catarina, que é de 1.506 mm. Também se destacaram, na análise, a extensa cobertura de mata nativa, o que assegura a urgência de medidas de conservação. “Tem riachos que estão em regiões com certo grau de antropização, mas um aspecto bastante relevante é a manutenção das matas ciliares, que margeiam os rios. São matas que servem de refúgio para a biodiversidade, garantem a estabilidade dos barrancos e controlam a água que chega nos riachos. Em muitos desses riachos que estudamos, as matas ciliares disponibilizam alimentos para muitas espécies e servem também de recreação”, pontua Nei.

O professor lembra, ainda, que a manutenção dessas matas e da floresta, de um modo geral, também são medidas preventivas para deslizamentos ocasionados pelo forte índice pluviométrico. “A falta de cobertura vegetal pode acarretar em erosão e até mesmo assoreamento de riachos. Em locais com pequenas modificações, como a queda de uma árvore, em algum momento, já se detecta esse fenômeno. Mudar completamente as características da região pode gerar um impacto bem grande”, pondera.

O alerta também surge do professor Orlando Ferretti. Segundo ele, apesar da grande biodiversidade e da grande quantidade de florestas, a área apresenta riscos de deslizamento caso a floresta não seja conservada e não se torne alvo de políticas ambientais. “Quando se percebe o tipo de solo que existe lá, suscetível a riscos geológicos, e também a quantidade de chuva, pode-se falar até em um risco mais imediato, já que a área urbana está crescendo”.

Uma ave inédita 

Ave bordada com bico robusto, segundo o Wiki Aves, é o significado para a nomenclatura científica do Pachyramphus marginatus, ou apenas “Caneleiro-Bordado”. O pequeno animal, que mede até 14 cm e pesa não mais que 18 gramas, tinha sua distribuição registrada desde Pernambuco até o Paraná, mas em dezembro de 2019 foi visto pela primeira vez ainda mais ao Sul, especificamente na região do Distrito do Saí.

Os ornitólogos que o reconheceram são da equipe da Universidade Federal de Santa Catarina responsável pelo levantamento socioambiental para a criação de uma unidade de conservação em São Francisco do Sul, litoral Norte de Santa Catarina. Primeiro, a equipe identificou o macho. Alguns meses depois, uma fêmea também foi vista pela primeira vez, consolidando a hipótese de que a floresta tem muito a apresentar, inclusive em termos de turismo ecológico.

Caneleiro bordado no Distrito do Saí

De acordo com o professor Guilherme Renzo Rocha Brito, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, esses primeiros registros estendem a espécie por cerca de 40 km ao sul de sua área de distribuição conhecida, e embora não seja possível afirmar com toda certeza se outros exemplares já haviam voado mais ao Sul, trata-se de um dado relevante para a compreensão da avifauna do Saí. A equipe identificou pelo menos 252 espécies diferentes na região, de 59 famílias – dados que a elevam como uma das regiões mais ricas do estado.

“É uma das áreas mais ricas de aves da Mata Atlântica do Estado. Dali para baixo começa a diminuir um pouco, por questões climáticas, por conta do frio. Em termos comparativos, é possível que haja números semelhantes nas matas de araucárias, mas desconfio que não chegue muito perto da riqueza que encontramos ali”, explica.

O professor conta que aves são animais de ambientes muito específicos, ou seja, de acordo com o tipo de ambiente é possível encontrar uma comunidade que se adequa somente aquela região. “Num manguezal, por exemplo, você encontra aves que estão somente nesse ambiente. Já nas florestas vai encontrar uma comunidade um pouco diferente. Mas no caso do Distrito do Saí, naquela região há um mosaico de vários tipos”, comenta. Cercada por baía, manguezais, florestas e morros, a área tem pássaros de cores, tipos e padrões diferentes – um registro de biodiversidade e da urgência de conservação.”Pouco mais acima, na divisa do Paraná e de São Paulo, por exemplo, vai haver uma riqueza um pouco maior por ser um núcleo maior de florestas. O que vemos no Saí é um potencial bastante interessante”.

Como as aves são bastante sensíveis a alterações no seu ambiente e muito dependentes de habitat florestal, a riqueza na área também é um indicativo de que as florestas da região do Distrito do Saí sustentam uma comunidade relativamente saudável, inclusive com alto número de endemismos e espécies raras e ameaçadas. Além do Caneleiro-Bordado, a equipe identificou também espécies como o Jaó-do-Sul, da família dos macucos, um animal relativamente grande, que parece uma galinha e é muito caçado, buscado para servir de alimento. Um Curió de vida livre também foi identificado, uma espécie mais rara muito procurada por gaioleiros no passado só encontrada em áreas de vida selvagem preservada e pouco perturbada.

Curió Sporophila é ameaçado de extinção

“O recado é que é uma comunidade muito complexa, com muitos agentes e muitos exemplos. E quanto mais complexa a comunidade, mais complexas são as interações, pois para sustentar uma comunidade dessas é preciso um ambiente muito saudável, com muitos recursos. Mais de 50% dessas aves são insetívoras, por exemplo, dependentes de insetos”, ilustra.

Um desdobramento efetivo dessa análise sobre a avifauna foi bastante comentado junto à comunidade do Distrito do Saí, já que essa característica pode levar à criação de projetos turísticos relacionados à observação de pássaros. “O Distrito do Saí é uma das únicas áreas no estado de Santa Catarina com a possibilidade de observação e registro de muitas espécies. Essa beleza cênica fomenta o turismo de natureza”, indica o relatório da UFSC. “A recepção da comunidade quanto a essa possibilidade foi muito boa. Proprietários de pousada, por exemplo, ficaram empolgados com essa questão, pois apareceu como um novo potencial”, reforça o professor.

Exemplo de biodiversidade

A região, segundo o levantamento de fauna, tem uma importância ecológica inegável. De acordo com o professor Selvino Neckel de Oliveira, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, que coordenou o estudo, o primeiro passo para a conservação é o conhecimento da área e do que ela tem de biodiversidade, pois assim é possível avaliar cada espécie e suas características determinadas. “A partir desse dado você consegue ter uma dimensão do estado de conservação, por exemplo, se você está diante de uma espécie que tem distribuição restrita naquela área ou se ela nunca foi registrada naquele ambiente”.

Piaya cayana

 

No caso da Mata Atlântica, que foi reduzida a cerca de 7% do que ela já foi originalmente no passado, sua posterior recuperação ocasionou uma paisagem com habitats fragmentados, ou seja, manchas de áreas florestais separadas por cidades ou sistemas agrícolas que isolaram determinadas espécies que, como consequência, podem ser extintas. “Num contexto de fragmentação, mesmo as espécies que conseguem permanecer se tornam inviáveis, pois as populações vão diminuindo, já que não há troca de material genético entre as populações”, explica.

 

Haematopus palliatus

 

Oliveira explica que é necessário estudar o ambiente, saber o que ele dispõe e avaliar o seu estado de conservação. “Nosso levantamento de fauna mostrou que o Distrito do Saí é um dos lugares mais ricos de espécies da nossa Mata Atlântica, com uma quantidade de espécies muito alta, comparado à unidade de área”, pontua.”E por que esse ambiente é rico? Porque a parte Norte de Santa Catarina é uma região de conexão de fauna e flora que vem do Sudeste/Nordeste brasileiro e da parte Sul do Brasil. Então, temos elementos da fauna e flora do Sul se encontrando com elementos das regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.

Um exemplo que a equipe incluiu nas suas análises é o do Veado Bororo, espécie registrada na mata do Distrito do Saí há cerca de dois anos e cuja ocorrência era mais comum na porção da Mata Atlântica da região de São Paulo e dali para o Nordeste. Espécies de anfíbios observadas na floresta também são exemplos de uma região com uma fauna heterogênea, com elementos que tiveram suas origens mais ao sul ou mais ao norte do Saí. “O que ocorre é que o limite de distribuição dessa inúmeras espécies ocorre aqui na na região do Saí”.

Eira: exemplar da mastofauna no Distrito do Saí

O professor lembra que aquilo que a equipe levantou na região é uma pequena amostra, fruto de cerca de 20 dias de campo, por conta do contexto pandêmico. Mesmo assim, observou-se uma grande diversidade. “Imagina se tivesse uma estação de estudo nesse local há 20, 30 anos e a importância que teriam estes registros a longo prazo. Ficamos impressionados, pois em pouco tempo conseguimos comprovar essa biodiversidade”, completa.

Os dados – que no relatório são divididos por grupos (peixes, anfíbios, reptéis, mamíferos, avese insetos dipteros) – não permitem que a equipe lance hipóteses sobre a possível perda de biodiversidade ocasionada pela ação humana, por exemplo. Mas o pesquisador observa que a região tem perdido áreas de floresta, além de ser ameaçada constantemente por obras, como as de ampliação portuária. “O veado, por exemplo, a gente registrou um indivíduo apenas. Será que não havia mais há dez ou cem anos atrás? Ou mesmo o macaco Bugio, que antes era visto com certa frequência e agora praticamente não se vê mais nessa região”.

Para ele, o que mais chama a atenção na fauna do Distrito do Saí é o conjunto da obra, identificado por meio da observação dos elementos da floresta atlântica que estão bem representados em diversos pontos do polígono e que são essenciais para a justificativa de uma unidade de conservação. “São muitos componentes da biodiversidade: o meio físico, com as nascentes com água de boa qualidade, o componente biótico, como árvores imensas; poucas, mas existem, e árvores que produzem muitos frutos para fauna. Os componentes da biodiversidade da Mata Atlântica estão todos ali”.

Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC

Tags: Distrito do SaíecologiaMata Atlânticameio ambienteNascentes do SaíUnidade de Conservação

Laboratório da UFSC lança guia dos anfíbios de Florianópolis

27/09/2021 14:32

A Rã-manezinha é uma das classificadas como vulnerável. Foto: Vítor de Carvalho Rocha

O Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis (Lear) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) produziu um guia dos anfíbios de Florianópolis. O cartaz, que pode ser impresso em gráficas no tamanho A2 (420 x 594mm), apresenta 33 espécies de anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) registrados na Ilha de Santa Catarina. O material reúne fotos e nomes científico e populares das espécies, além de mostrar aquelas ameaçadas de extinção.

O cartaz está disponível para download (em pdf) no repositório da UFSC. Para mais informações sobre anfíbios e répteis de Santa Catarina, acesse o site herpetologia.ufsc.br.

Tags: anfíbiosCCBHerpetologiaLaboratório de Ecologia de Anfíbios e Répiteis (LEAR)

Trabalho da UFSC recomenda a criação de unidade de conservação no Norte de SC; leia a série ‘Nascentes do Saí’

27/09/2021 10:00

 

Uma Mata Atlântica ameaçada, uma equipe de pesquisadores e pesquisadoras e uma comunidade interessada em compartilhar seus saberes e em debater a conservação da região. O projeto Nascentes do Saí, formalmente intitulado Diagnóstico Socioambiental para Criação de Unidade de Conservação na Vila da Glória, município de São Francisco do Sul/SC, deu origem a um relatório de mais de 700 páginas que destaca uma recomendação ao poder público: é preciso conservar legalmente o polígono que envolve florestas, morros, nascentes de rio e centenas de espécies antes que ele seja destruído.

Para cumprir o objetivo de traçar um diagnóstico socioambiental da região, o projeto de caráter multidisciplinar contou com uma equipe de professores e estudantes de diversos centros da Universidade Federal de Santa Catarina e também da Univille para realizar estudos sobre fauna, flora, geologia e geomorfologia, socioantropologia, levantamento fundiário e caracterização geográfica.  Suas diretrizes envolviam desde a preservação dos recursos hídricos até disponibilização de recursos naturais à pesquisa científica, passando também pela criação de programas de educação ambiental e pela proposição de um plano para construção da Política de Conservação e Gestão Territorial da unidade.

A partir desta terça-feira, a Agência de Comunicação da UFSC irá apresentar três reportagens que sintetizam a importância da parceria entre a universidade, a ciência e a sociedade e ajudam a apresentar uma das regiões mais ricas do Estado, em que as chuvas abundantes e as condições geográficas geram um “combo” que pode beneficiar a comunidade com iniciativas de turismo ecológico.

A série está dividida em três blocos de assuntos, que serão apresentados entre terça e quinta-feira: na primeira reportagem há uma apresentação geral de como se deu o projeto e do envolvimento da comunidade em todas as suas etapas; na segunda, o foco é a apresentação da floresta, suas matas e nascentes e, por fim, a fauna ganha destaque, reforçando-se a importância da correlação desta com a conservação.


Acompanhe pelo calendário

Terça-feira (28/09) – UFSC e comunidade de São Francisco do Sul sugerem criação de Refúgio de Vida Silvestre no Distrito do Saí

Quarta-feira (29/09) – Água abundante e floresta regenerada serão preservadas com criação de Refúgio da Vida Silvestre em São Chico

Quinta-feira (30/09) – Uma ave inédita e muita riqueza: conheça a fauna do Distrito do Saí que deve ser protegida por Refúgio da Vida Silvestre


Mais sobre o Projeto Nascentes do Saí:

Textos: Amanda Miranda/Jornalista da Agecom/UFSC
Artes: Coordenadoria de Design e Programação Visual / Agecom
Fotos: Acervo do Projeto Nascentes do Saí

Tags: BiodiversidadeconservaçãoDistrito do SaíecologiaMata AtlânticaNascentes do SaíProjeto Nascentes do Saí

Instituto de Estudos de Gênero promove seminário sobre mulheres na ciência e pandemia de covid-19

24/09/2021 18:02

O  Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove a live A pandemia de covid através das análises de mulheres cientistas. A transmissão faz parte do I Ciclo de seminários temáticos: mulheres na ciência e ocorre na próxima segunda-feira, 27 de setembro, às 18h, por meio do canal do IEG no YouTube.

Participarão da conversa as professoras do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC/UFSC) Alexandra Boing e Márcia Grisotti e a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Leila Garcia. O evento remoto será mediado pela pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas Barbara Amorim.

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Seminário discute o papel da universidade na promoção da igualdade

24/09/2021 15:23

Como a universidade pode ao mesmo tempo promover a igualdade na sociedade brasileira e tornar-se um espaço social igualitário, refratário a todo tipo de discriminação? Esse é o questionamento que norteia o próximo seminário do ciclo Universidade InComum, agendado para esta terça-feira, 28 de setembro, às 19h. A transmissão ocorre pelo canal do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no Youtube.

Conheça os participantes:

José Jorge de Carvalho é professor titular de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) e um dos idealizadores da política de cotas adotada naquela universidade em 2004, a pioneira entre as federais do Brasil.

Lia Vainer Schucman, professora do departamento de Psicologia da UFSC, é uma das principais especialistas do país no tema e no debate público sobre a branquitude.

Joana Célia dos Passosdiretora eleita do Centro de Ciências da Educação (CED) da UFSC, é uma liderança do movimento negro e do feminismo negro em Santa Catarina e uma das principais pesquisadoras dos efeitos das políticas de cotas na sociedade brasileira.

O ciclo Universidade InComum é organizado pelo CFH, com o apoio do CED, do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) e do Centro Socioeconômico (CSE).

Tags: CCECEDCFHCSEliveUFSCUniversidade Federal de Santa CatarinaUniversidade InComum

Fonoaudióloga do HU explica cuidados com a saúde auditiva

24/09/2021 15:00

A especialista em audiologia do HU-UFSC/Ebserh, Nicoli Valverde Mafra Alves, realiza exame em bebê no hospital. Foto: Sinval Paulino

O dia 26 de setembro é o aniversário da criação da primeira escola de surdos do Brasil, atualmente conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos. Por isso, desde 2008 a data é oficialmente o Dia Nacional dos Surdos, criada por lei federal para promover a reflexão e o debate a respeito dos direitos e da luta pela inclusão de pessoas surdas na sociedade.

A fonoaudióloga do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC/Ebserh) Francine Freiberger explicou que no hospital, logo ao nascer, é feito o Teste da Orelhinha, também conhecido como triagem auditiva neonatal ou teste das emissões otoacústicas transientes, que ajuda a identificar possíveis problemas auditivos.

“Fazemos o Teste da Orelhinha na maternidade, e, quando o bebê falha nessa triagem, no HU mesmo, no Ambulatório de Fonoaudiologia, se faz o reteste. Se houver uma nova falha, seguindo as Diretrizes de Triagem Auditiva Neonatal do Ministério da Saúde, fazemos outro teste, o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico para triagem e, ao falhar novamente, encaminha-se o bebê para um Serviço Ambulatorial de Saúde Auditiva para diagnóstico”, explicou.
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Banda UmQuarto participa do talk show do Projeto 12:30

24/09/2021 13:35

UmQuarto é uma banda de rock experimental e psicodélico de Florianópolis. Foto: Manu d’Eça

O Projeto 12:30 realiza na próxima quarta-feira, 29 de setembro, mais uma edição do Talk Show 12:30. A entrevista com a banda UmQuarto será transmitida pelo canal do Youtube do projeto, às 12h30. Na atividade, será possível conhecer a trajetória da banda e dos artistas, assim como as produções recentes e os lançamentos previstos para 2021. O evento faz parte do novo formato do Projeto 12:30 e, junto da Live 12:30, compõe as atividades quinzenais oferecidas em meio à pandemia, como forma de adaptação das apresentações aos meios virtuais.

UmQuarto

UmQuarto é uma banda de rock experimental e psicodélico de Florianópolis (SC) que começou em 2019 como grupo de apoio ao projeto solo do cantor, compositor e baixista Mayer Soares. Com a participação cada vez mais efetiva dos músicos Henrique Recidive na bateria e Thiago Mordentte e Chico Badalotti nas guitarras, surgiu a necessidade de nomear o projeto como uma banda. Dessa forma, nasce a UmQuarto.
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Diversidade biocultural é tema de curso para professores do ensino básico

22/09/2021 08:58

Estão abertas as inscrições para o curso on-line Diversidade biocultural na escola, voltado a professoras e professores do ensino básico e demais interessados no tema. As aulas ocorrem de 16 de outubro a 20 de novembro pela plataforma Even3 e serão transmitidas online pelo canal do Youtube do Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica (Ecohe) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que organiza a ação em parceria com o projeto Semear Ideias: Praticar Sustentabilidade da Faculdade Municipal de Palhoça e a regional sul da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 12 de outubro pelo site even3.com.br/bioculturalnaescola/.

O curso tem um total de 30 horas, sendo 16 horas de encontros síncronos e 14 de atividades remotas. As aulas on-line compreenderão quatro encontros aos sábados, das 8h às 12h, nos dias 16 e 23 de outubro e 6 e 20 de novembro. Já a carga horária de atividades remotas será destinada ao estudo de materiais complementares, como textos, vídeos e podcasts, e à elaboração de um plano de aula como atividade final. Quem tiver ao menos 75% de presença nas atividades terá direito a certificado. 

A live de lançamento do curso e do livro Diversidade biocultural na escola foi realizada em 14 de setembro e está disponível no Youtube. Mais informações na página do curso ou pelo e-mail bioculturalnaescola@gmail.com.

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Projeto Academy UFSC promove workshop ‘Inovação Sistêmica: como obter a transformação digital’

21/09/2021 18:05

O projeto Academy UFSC promove o workshop ‘Inovação Sistêmica: como obter a transformação digital’ nos dias 28 e 30 de setembro, na plataforma Zoom. O Workshop apresentará de forma prática uma toolbox de habilidades que a transformação digital exige, para além da tecnologia.

Baseado no último relatório de Futuro do Trabalho do Fórum Econômico Mundial, serão apresentadas as habilidades fundamentais para qualquer indivíduo que queira ser fluente num mercado cada vez mais digitalizado, para que estes possam, de fato, obter e levar por onde forem a transformação digital. O evento será ministrado por Christian Engelmann.

As inscrições devem ser feitas neste link.

Tags: Academy UFSCFuturo do TrabalhoInovação sistêmicaUFSC

Curso de extensão sobre ‘Pé Diabético’ recebe inscrições de pessoas com mais de 50 anos

21/09/2021 16:32

O Programa de Extensão Agir e Educar (em)frente o Diabetes mellitus recebe inscrições para o curso de extensão “Pé Diabético – Conceitos e Cuidados”. O projeto é coordenado pela professora Laura Cavalcanti de Farias Brehmer em parceria com as professoras Luciana Martins da Rosa, Melissa Orlandi Honório Locks e Gisele Cristina Manfrini, do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina, e conta também com o apoio do (Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI/UFSC).

O curso é dirigido a pessoas com mais de 50 anos, com Diabetes  e/ou com familiares com Diabetes.  Serão três encontros às quintas-feiras (30/09, 07/10 e 14/10), das 14h às 18h. As inscrições devem ser feitas aqui.

Para mais informações, acesse a página do NETI ou a página de inscrições. Dúvidas pode ser esclarecidas pelo e-mail laura.brehemr@ufsc.br.

Tags: diabetesenfermagemNETIPé DiabéticoUFSC

Curso de Geografia organiza evento sobre riscos socioambientais

20/09/2021 18:12

O Curso de Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove nesta quinta-feira, 23 de setembro, uma nova edição do evento Hora Feliz: população e políticas da espacialidade. Com o tema Riscos híbridos: concepções e perspectivas socioambientais, a atividade contará com a presença do geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Francisco Mendonça. O encontro ocorre das 17h30 às 19h pela plataforma Google Meet

A Hora Feliz tem como objetivo promover o debate de temáticas relacionadas à discussão sobre população, risco e políticas da espacialidade. O evento é gratuito e aberto a todos os interessados, sem necessidade de inscrição prévia. Os participantes terão direito a certificado de participação.

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Estudantes da UFSC Joinville apresentam a ‘Cultura Maker’ a alunos de projeto social

20/09/2021 16:10

Foto: divulgação/UFSC Joinville

Diversas organizações estudantis do Campus de Joinville da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) atuam em parceria com o Projeto Resgate, projeto social realizado em Joinville que colabora para transformar a vida de crianças e jovens por meio da educação. Ao longo deste ano, as equipes Barco Solar Babitonga, Fórmula CEM, Pet-EMB e Eficem desenvolveram diversas atividades.

UFSC Joinville apresenta, por meio de uma série de quatro matérias, o trabalho desenvolvido por cada uma. Esta semana, vamos conhecer as ações conduzidas pelo Programa de Educação Tutorial nas Engenharias da Mobilidade (PET-EMB). O PET é um grupo de alunos que, sob orientação de um professor tutor, trabalham no desenvolvimento de atividades extracurriculares, que complementam sua formação acadêmica, visando atender mais plenamente às necessidades do próprio curso de graduação e aprofundando o percurso de sua formação profissional.

As atividades do PET-EMB com o Projeto Resgate iniciaram ainda em 2020, com a participação de quatro bolsistas sob orientação do professor Carlos Maurício Sacchelli, e devem continuar até novembro deste ano. Reunindo onze participantes, entre 13 e 14 anos, a ideia central é ensinar aos adolescentes um pouco da Cultura Maker, cujo conceito principal é que qualquer pessoa, dotada das ferramentas certas e do devido conhecimento, pode criar as suas próprias soluções para problemas do cotidiano. As aulas têm como objetivo introduzir os participantes no processo de solução de problemáticas, algo que eles podem levar para a vida escolar, pessoal e profissional.
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Equipe Fórmula CEM participa de mesa-redonda sobre transportes elétricos

17/09/2021 15:59

A equipe de Competição Fórmula CEM, da UFSC Joinville, participa de uma mesa-redonda virtual sobre transportes elétricos nesta segunda-feira, 20 de setembro, a partir das 10h. O evento é promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC) e pelo CREAjr-SC de Jaraguá do Sul. Para participar da videoconferência pela plataforma Zoom, é necessário preencher o formulário de inscrição.

Fórmula CEM é formada por estudantes dos cursos de graduação da UFSC Joinville e desenvolve protótipos de combustão interna e veículos elétricos para competir em eventos da  Fórmula SAE Brasil. O representante da equipe no evento será o estudante Mario Venere, do curso de Engenharia Automotiva e membro do setor de elétrica da Fórmula CEM desde 2019. Venere vai abordar a manutenção em carros elétricos e explicar o funcionamento do protótipo elétrico da equipe.

Além de Mario, participam do debate Luiz Negri, da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Jaraguá do Sul (AEAJS); Gustavo Pacher, da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali); e Fávio Junior, da Fundação Certi.

Mais informações no Instagram e no Facebook do CREAjr-SC de Jaraguá do Sul.

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Meridianum UFSC organiza palestra sobre Epistemicídio

15/09/2021 17:36

A ocultação e invisibilização de saberes, cultura e idiomas, viabilizada em grande parte pelo colonialismo, é tema da palestra Epistemicídio, na próxima terça-feira, dia 22 de setembro. O evento será transmitido a partir das 14h20min, pelo canal do YouTube do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Medievais da Universidade Federal de Santa Catarina (Meridianum UFSC/CNPq). A atividade é organizada pelo Departamento de Filosofia e pelo Departamento de História da UFSC, além do Núcleo já citado.

“Por que somos importadores de teorias e não produtores de teorias a partir das nossas próprias realidades e nossas bases de conhecimento e modo de produção de conhecimento?” é a provocação feita pelos organizadores do evento. A palestrante, Susana de Castro Amaral Vieira, pós-doutora em filosofia pela City University of New York (Cuny) Graduate Center, abordará a maneira como o modo de produção de conhecimento euro-americano e as raízes do colonialismo refletem no apagamento de produção de conhecimento no Brasil. Susana também é coordenadora do laboratório Antígona de Filosofia e Gênero e a atual presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof).

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Debate reúne representantes de comunidades nativas brasileiras e quilombolas

15/09/2021 12:11

O grupo Curitiblack, composto por estudantes e servidores do Campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), promove neste sábado, 18 de setembro, das 17h às 19h, o evento Entre Aldeias e Quilombos, um debate sobre comunidades nativas brasileiras e quilombolas. A atividade reunirá pessoas que representam a realidade desses diversificados grupos e terá transmissão pelo Canal do Curitiblack no YouTube.

“Em um contexto ainda fomentado por racismo, intolerâncias, preconceitos e apagamento de nossas raízes e culturas não brancas, faz se necessário o debate e busca por conhecimento nessas áreas. Partimos do princípio de que para cuidar, conservar e lutar por uma causa, precisamos conhecer e reconhecer essas pessoas e histórias não contadas ou forçadamente anuladas. Observa-se um aumento da marginalização dessas comunidades, impulsionadas por lideranças políticas, resultando na deterioração de um cenário, já nada favorável”, informa o resumo elaborado pelos organizadores. A proposta é evidenciar direitos, histórias e lutas diárias vividas. Participam do encontro Sônia Barbosa (Ara Mirim), Josimarcos Pankará, María Aparecida Machado Batista, Maurilio Machado e Mercedes Machado.

Curitiblack

O grupo Curitiblack tem como objetivo discutir a influência do racismo institucional na persistente ausência de pessoas pretas em diversos cargos e locais. Nesse sentido, busca refletir sobre a consequência da falta de representatividade que impede brasileiros, em sua maioria pessoas negras, de ocupar lugares de poder e conhecimento, como as Instituições de Ensino Superior, seja como alunos ou docentes.

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Produção do espaço do continente africano é tema de nova videoaula de curso para professores de Geografia

15/09/2021 08:58

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Geografia (Nepegeo) e o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicaram nesta semana a 10ª videoaula de seu curso on-line de formação inicial de professores de Geografia. Com o tema Como utilizar conceitos geográficos para explicar a produção do espaço do continente africano, a nova aula é ministrada por Júlia Valverde e está disponível no Youtube.

O curso começou há dois meses e tem como objetivo subsidiar acadêmicos e profissionais da Educação no desenvolvimento de estratégias didático-pedagógicas necessárias ao desempenho da ação docente. As videoaulas tem de 15 a 20 minutos de duração e são norteadas pelos princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e Médio. Todos os vídeos anteriores podem ser acessados na playlist.

Mais informações pelo e-mail nepegeocfh@gmail.com.

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Projeto do curso de Museologia ‘9INHA NÃO!’ lança episódio de podcast e promove roda de conversa

14/09/2021 16:51

A exposição virtual 9INHA NÃO!, do curso de Museologia da UFSC, lançou seu segundo episódio de podcast, com o tema “Legislação que protege as crianças”. A atividade tem a participação de Helen Crystine Corrêa Sanches, promotora de justiça do Ministério Público de Santa Catarina, que fala sobre as leis que protegem a infância.

O projeto 9INHA NÃO! tem curadoria de 7 estudantes da 7ª fase do curso: Ilione Lima Alves Coutinho, Ivana Carvalho de Moraes, Jenniffer Leila Siqueira Borges, Paula Duarte da Silva, Rubia Stein do Nascimento e Vera Regina Cazaubon. A exposição virtual foi orientada pelas professoras Thainá Castro, coordenadora do curso de Museologia, e Renata Padilha, chefe da Coordenação Especial de Museologia. O projeto educativo foi orientado pelo professor Valdemar Assis de Lima.

O episódio de podcast está disponível no Spotify.
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