Professora da UFSC tem artigo premiado em evento internacional

20/09/2018 09:25

O artigo Demystifying Financial Literacy: a behavioral perspective analysis, da professora Ani Caroline Grigion Potrich, do Departamento de Ciências da Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (CAD/UFSC), em co-autoria com a professora Kelmara Mendes Vieira, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações Públicas da Universidade Federal de Santa Maria (PPGOP/UFSM), recebeu o prêmio de melhor artigo científico da XVIII International Finance Conference. O evento foi realizado nos dias 12 a 15 de setembro, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O tema do artigo é alfabetização financeira. O modelo desenvolvido contribui diretamente para reduzir a propensão ao endividamento dos indivíduos e ainda reduz comportamentos materialistas e de compras compulsivas.

Mais informações sobre a premiação no site do evento. O artigo pode ser lido neste link.

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Colaboradora do Instituto de Engenharia Biomédica da UFSC é coautora de artigo publicado na NATURE-Human Behavior

05/03/2018 16:34

A professora Cilene Lino de Oliveira, colaboradora do Instituto de Engenharia Biomédica da UFSC  (CTC-IEB-UFSC) e coordenadora do Laboratório de Neurobiologia Comportamental (Labnec-CFS-CCB-UFSC) participou da elaboração de um artigo escrito por um grupo internacional. O artigo ‘Lakens et al., 2018’ foi publicado na edição de fevereiro da revista ‘Nature Human Behavior’.

A preparação do artigo foi resultado de debates nas redes sociais entre cientistas de diferentes áreas do conhecimento que tinham em comum a discordância da proposta que a simples redução do valor padrão de alfa seria uma solução rápida e eficaz para os problemas de reprodutibilidade científica. Com exceção do primeiro autor, que além de ter participado de todas as etapas da elaboração também foi o organizador do texto e da submissão, os demais 87 co-autores  que participaram na discussão da proposta, análise de dados e da elaboração do texto. O debate entre os cientistas foi notícia na revista Nature.

Leia o artigo (publicação em inglês).

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Estudantes da pós em Ciências da Computação da UFSC são premiados na Áustria

21/12/2017 08:41

O trabalho “Automatic Semantic Enrichment of Data Services“, de autoria de estudantes do programa de pós-graduação em Ciências da Computação da UFSC, recebeu o prêmio de Melhor Artigo na 19th International Conference on Information Integration and Web-based Applications and Services (iiWAS 2017). A conferência foi realizada em Salzburg, Áustria, de 4 a 6 de dezembro de 2017. Os autores do artigo são Bruno Oliveira, Alexis Huf e Ivan Salvadori, sob a orientação do professor Frank Siqueira, do Departamento de Informática e Estatística (INE).

O artigo premiado descreve um software desenvolvido no Laboratório de Pesquisa em Sistemas Distribuídos (LaPeSD) do INE/UFSC, denominado OntoGenesis, que permite atribuir semântica a dados fornecidos por serviços disponíveis na Web, com o intuito de facilitar sua integração com outras fontes de dados. O trabalho também será publicado em um periódico internacional (International Journal of Web Information Systems). Este é o terceiro prêmio que os estudantes receberam, sendo dois internacionais e um nacional.

Mais informações no site da Conferência.

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Presidente da Andifes analisa críticas do Banco Mundial sobre as universidades públicas

18/12/2017 10:29

O jornal O Globo publicou nesta segunda-feira, dia 18, artigo do presidente da Andifes – Associação Nacional dos Dirigentes Instituições Federais do Ensino Superior, Emmanuel Tourinho, no qual ele avalia as críticas que o Banco Mundial faz sobre ensino superior público e gratuito. Para Tourinho, o documento contém erros que merecem reparo. “O banco passa ao largo de aspectos fundamentais do papel das universidades públicas”.

No documento, o Banco Mundial afirma que as políticas públicas têm favorecido os mais ricos, mas não refere à acentuada injustiça tributária no país. “Limitado a indicadores financeiros, o documento ignora dados da realidade social brasileira e o papel das universidades públicas no desenvolvimento econômico e social”, diz Tourinho.

Segundo o presidente da Andifes, “estão incorretos os dados sobre o perfil dos discentes das universidades federais e sobre os investimentos públicos realizados nas instituições. O Banco ignora processos seletivos massivos como o Enem, a criação de mais de 300 campi no vasto interior do país, e a lei de contas, que contribuem para que apenas 10 por cento dos alunos matriculados em universidades federais venham de famílias com renda bruta familiar de dez ou mais salários mínimos; 51% pertencem a famílias com renda bruta abaixo de três salários mínimos.”

No artigo, Emmanuel Tourinho, observa que “os mais ricos deveriam pagar pela educação publica, mas não apenas os que têm filhos nas universidades públicas. Uma política distributiva séria tributaria todos os ricos (com ou sem filhos nas universidades públicas) taxando fortunas, heranças e propriedades, a fim de possibilitar a parcelas maiores da população o acesso à educação pública de qualidade.”

Ele recorda que o investimento em educação no Brasil é um dos mais baixos entre todos os países da OCDE. “O Brasil só investe mais que o México. Fica atrás de Chile,
Coreia do Sul, Estônia, Hungria e Polônia. Considerada apenas a educação superior, o investimento do Brasil por aluno (US$/PPP 13.540,00) está abaixo da média da OCDE (US$/PPP 15.772,00), isso em um cálculo que inclui gastos com os aposentados das universidades (gasto previdenciário), o que corresponde a cerca de 25% de todo o valor contabilizado.”

“Afirmar que o investimento por aluno em universidades públicas é maior do que o financiamento por alunos em instituições privadas é obviedade. As primeiras são responsáveis por quase toda a pesquisa científica e tecnológica realizada no país”, argumenta Emmanuel Tourinho.

Enfatiza que o Banco Mundial ignora aspectos fundamentais da atuação das universidades federais. “Públicas e gratuitas acolhem alunos de todas as origens sociais, raças e etnias. Mantém uma rede de hospitais públicos de alta complexidade, clínicas, laboratórios e serviços diversos de atendimento gratuito à comunidade, sendo, muitas vezes, as únicas opções de acesso ao atendimento de saúde.”

Mas o que surpreende, conclui o presidente da Andifes, é que as universidades federais consigam resultados acadêmicos, científicos e sociais tão expressivos, apesar de políticas de financiamento instáveis e de ataques recorrentes dos grandes grupos econômicos. “A questão é: em qual país as recomendações do Banco Mundial levaram ao desenvolvimento e à soberania?”, pergunta.

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Pesquisadoras da UFSC recebem prêmio de melhor artigo no SBGames 2017

08/11/2017 15:05

O artigo “Consumo midiático e a interação com jogos digitais: contribuições a aprendizagem e o papel da mediação”, foi premiado em primeiro lugar na Trilha de Cultura do SBGames, realizado em Curitiba entre os dias 2 e 4 de novembro.

O trabalho, produzido pela professora Daniela Ramos, juntamente com suas orientandas de doutorado, Bruna Santana Anastácio e Ana Paula Knaul, e de mestrado, Gleice Assunção da Silva e Fernanda Garcia, apresenta parte dos resultados de um projeto em andamento no Grupo de Pesquisa Edumídia (CNPq/UFSC) que tem como objetivo analisar os usos e consumos de jogos digitais por crianças e sua influência sobre os diferentes tipo de atenção.

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Jornal ‘O Globo’ publica artigo do reitor Luiz Carlos Cancellier

28/09/2017 09:42

O jornal “O Globo” publicou nesta quinta-feira, dia 28, artigo assinado pelo reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no qual ele faz uma análise sobre os últimos acontecimentos que envolveram a universidade federal, as investigações que incluem o seu nome e o interesse da instituição em esclarecer todos os fatos.  Assinantes de “O Globo” podem ler o artigo nesse link.

Leia aqui o artigo na íntegra:

Foto: Jair Quint/Agecom

Reitor exilado

Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento.

Luiz Carlos Cancellier de Olivo é reitor da UFSC, afastado por decisão judicial

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Revista Captura Críptica prorroga prazo para envio de artigos até o dia 30

04/09/2017 09:15

O prazo para envio de artigos para a revista Captura Críptica foi prorrogado para o dia 30 de setembro. A revista semestral é organizada por alunos e ex-alunos do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFSC (PPGD). Os trabalhos científicos ou artísticos devem ter relação com direito, política e temas atuais de causas e lutas sociais em geral que se encaixem nesses assuntos.

Qualquer pessoa, independente de sua formação acadêmica, pode participar, desde que seu trabalho se encaixe na linha editorial da revista. Nesta edição, a proposta para os pesquisadores é discutir e problematizar a relação entre o direito e a política para a seção Dossiê, cujo tema é ‘Judicialização da política’.

Mais informações no site da Captura Críptica e Facebook.

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Professoras da UFSC publicam artigo sobre o Bolsa Família em revista internacional

29/10/2014 15:44

As professoras Mara Coelho de Souza Lago,  Rosana de Carvalho Martinelli FreitasElizabeth Farias da Silva, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), juntamente com Daniele Lopes L.Wohnlich, da Université de Lausanne (UNIL), Suíça, publicaram o artigo “La ‘Bolsa Família’ sur le terrain: réflexions sur deux déclinaisons locales du programme et sur leurs conséquences pour les femmes ” ( A Bolsa Família in loco: reflexões sobre duas versões locais  do programa e suas consequências para as mulheres)  na Revue Française des Affaires Sociales 2014/3 (nº3).

O artigo é produto de pesquisa interdepartamental e internacional sobre o Programa Bolsa Família, realizada em cooperação entre a UFSC (Brasil) e a UNIL  (Suiça) e teve como objetivo apresentar  resultados de suas pesquisas sobre o Programa, realizadas entre 2009 e 2012, nas cidades brasileiras de Fortaleza e Florianópolis situadas nas regiões Nordeste e Sul do país, com foco em questões de gênero e feministas.

Mais informações: Rosana de C Martinelli Freitas:

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Embriões humanos têm direito à vida?

27/03/2012 14:30

Se você é um brasileiro típico, você discorda de mim: você acredita que embriões humanos têm direito à vida, que essa é uma afirmação óbvia e provavelmente pensa que devo ser uma pessoa má, que não se preocupa com seres indefesos e que estou disposto a usar outras pessoas para satisfazer meus interesses.

Os embriões humanos que costumam ser o assunto desse tipo de discussão são aqueles que têm menos de 14 dias, pois depois desse prazo eles não são de grande utilidade nem para a derivação de células-tronco nem para a fertilização in vitro. Esse embrião é um conjunto de apenas algumas dezenas de células, as quais são todas iguais. Ele não só ainda não tem órgãos, como não é possível nem mesmo saber quais células formarão o feto e quais formarão a placenta. Ele ainda pode se dividir em dois ou mais embriões (é assim que se formam os gêmeos univitelinos) e também pode ser que ele se funda naturalmente com outro embrião que esteja sendo gestado com ele. E mais incrivelmente, usando técnicas laboratoriais sofisticadas, pode ser possível criar um novo embrião a partir de cada uma das suas células.

Mesmo assim há quem considere que esse tipo de organismo mereça ser considerado em pé de igualdade com seres humanos adultos, que ele tem direito à vida e que destruí-lo para derivar células-tronco ou para realizar fertilização in vitro é tão errado quanto assassinar uma pessoa, mesmo que isso seja feito paracurar outras pessoas ou garantir que os pais tenham um filho saudável.

Não é surpreendente que as pessoas pensem assim. Na falta de alternativas, é melhor que se defenda seres indefesos. O que surpreende é que os argumentos para justificar essa opinião sejam incrivelmente fracos e que o assunto seja tratado como uma questão de tudo ou nada. A questão é a seguinte: todos concordamos com que (a) espermatozóides e óvulos podem ser mortos (p. ex., na masturbação ou na menstruação) e com que (b) recém-nascidos não podem ser mortos. O problema é descobrir em que momento entre (a) e (b) o direito à vida é adquirido.

Você provavelmente acha que é quando acontece a fecundação. Uma primeira justificativa que você pode oferecer é de que ali já se estabelece a individualidade genética, se cria um genoma inédito. O problema é que há outros seres vivos que também têm essa individualidade genética (plantas, animais etc.) e não estamos dispostos a atribuir direito à vida a todos eles. E mais preocupante ainda, há seres humanos sem essa individualidade, os gêmeos. Teríamos então que considerar que eles não têm direito à vida.

Não sei como você vai lidar com os gêmeos, mas você pode desconsiderar os outros seres vivos dizendo que o que importa é pertencer à espécie humana. Só que o risco ao dizer isso é cair no especismo, cometendo o mesmo tipo de erro dos machistas, dos racistas e dos bairristas, a preferência por um certo grupo só porque ele é o seu grupo. Para evitar isso seria preciso indicar algo que os seres humanos possuem e que faz com que mereçam direito à vida.

Os candidatos mais promissores são a capacidade de autocontrole, a racionalidade e a autoconsciência, as características que definem uma pessoa. O problema é que o embrião está incrivelmente longe de possuí-las. Afinal de contas, ele não possui um único neurônio que seja.

Diante desse problema, o esperado é que você diga que o importante é que o embrião tenha o potencial para se tornar se tornar ser humano. Esse é o argumento mais resistente, não porque seja o mais sólido, mas porque é o que está mais entranhado em nossa maneira instintiva de pensar. Nunca consegui convencer minha avó, minhas tias e meus amigos do futebol de que esse argumento é ruim. Minha hipótese é que isso acontece porque quando dizemos que o embrião tem o potencial para ser uma pessoa, imaginamos instintivamente que essa pessoa em potencial já está lá no meio daquelas células, sentindo e sofrendo. Supomos que, assim como eu agora não gostaria que tivessem me matado quando eu era um embrião, o embrião também não vai gostar se o matarmos.

Essa suposição é falsa. Não há alguém em meio àquelas células, pois nada ali é capaz de sentir e sofrer. É consenso científico que o feto só será capaz de sentir dor depois da 24ª semana de gestação – 22 semanas depois do estágio que estamos discutindo – pois apenas então haverá as estruturas cerebrais mínimas para haver qualquer tipo de consciência. Mas durante a evolução de nossa espécie foi imprescindível para nossa sobrevivência viver em grupo e para fazer isso é preciso ser capaz de pensar sobre o que os outros estão pensando e se preocupar com a dor deles (a capacidade de empatia). Essas capacidades nossas são tão ativas que tratamos bichinhos de pelúcia como se eles tivessem sentimentos. A ficção (de quadrinhos a novelas) é toda baseada no fato de que dá para enganar essa nossa capacidade de tratar coisas (p. ex., rabiscos no papel) como agentes (organismos com sentimentos e intenções). Muita gente chorou com o destino dos personagens de Avatar como se eles realmente estivessem sofrendo.

Esse mecanismo de se preocupar com os sofrimentos de outros organismos, principalmente se eles parecem ter planos, objetivos e intenções é algo que fazemos automaticamente e minha hipótese é que esse tipo de processo é que incentiva nosso apego à ideia de que o potencial do embrião já coloca ele no mesmo patamar das pessoas desenvolvidas. Pense comigo, em nenhuma outra situação valorizamos o que apenas tem o potencial da mesma maneira com que valorizamos o que já está realizado: uma semente que pode dar origem a uma árvore de mil anos não é tão admirável quanto a própria árvore quanto ela tiver mil anos, o fato de que a Argentina tem o potencial para ganhar a Copa de 2014 não justifica já escrever seu nome na taça etc. Da mesma maneira, o fato de que o embrião pode se tornar uma pessoa e que uma pessoa tem direito à vida, não justifica dar a ele as proteções de uma pessoa. Ainda não há uma pessoa lá. A não ser que você acredite em almas. Aí o seu problema é o de provar que elas existem. Apenas no final do século XIX os católicos escolheram a fecundação como o momento em que a alma entra no corpo. Antes disso acreditavam que a alma encarnava apenas aos 40 dias – a posição de Aristóteles, Tomás de Aquino, dos judeus, dos muçulmanos e de alguns protestantes.

Um sério problema para o Argumento da Potencialidade é que a maioria dos embriões não tem potencial nem para chegar ao fim da gestação, muito menos para se tornar uma pessoa. Estima-seque impressionantes 63% dos embriões que são formados através da reprodução natural não têm esse potencial – aproximadamente metade por falta de ambiente adequado e metade porque são incapazes de se desenvolver mesmo no ambiente mais adequado, pois têm problemas fisiológicos. Além disso, nem todo ser humano tem potencial de se tornar uma pessoa, como é o caso dos fetos anencéfalos ou com outras deficiências mentais graves. Outro problema é o fato de ser possível que o embrião se divida em dois ou que ele se funda com outro embrião, de maneira queele não só tem o potencial para se tornar uma pessoa, como tem também o potencial para se tornar mais de uma pessoa ou menos de uma pessoa.

Por fim, pense no seguinte: se há um incêndio em uma clínica de fertilização e você precisa decidir entre salvar dois embriões ou uma criança de três anos, quem você escolheria? Nunca encontrei alguém que salvasse os embriões, mesmo que fossem cem ou mil. Se você também pensa assim, você não acredita realmente que eles tenham direito à vida. Mas como minha avó e meus amigos do futebol estão aí para me lembrar, esses argumentos não são suficientes para impedir o processo automático de pensar que o embrião já é alguém, principalmente porque não queremos ser o tipo de pessoa que aceita que seres indefesos sejam mortos (apesar de fazermos churrasco de tantos animais cognitivamente muito mais desenvolvidos que os embriões).

Nada disso quer dizer que os embriões não tenham valor e que possamos fazer qualquer coisa com eles. Quer dizer apenas que a pesquisa com células-tronco embrionárias e a fertilização in vitro não devem ser proibidas por provocarem a morte de embriões e que quem defende essa posição não é necessariamente uma pessoa má, que não se preocupa com seres indefesos e que está disposta a usar outras pessoas para satisfazerem meus interesses.


Por Lincoln Frias, doutor em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor de A Ética no uso e na seleção de embriões (EdUFSC – Fapemig). O autor participa nesta quarta-feira, 28 de março, da Tarde de Encontro com Autores da Feira de Livros da Editora da UFSC, na Praça da Cidadania.

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“Nosso problema com a Ponte Hercílio Luz”, por Salma Ferraz

06/04/2011 10:01

Por Salma Ferraz /professora do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da UFSC

Nunca antes na estória desta Ilha se ouviu e viu tanto absurdo com dinheiro público: 180 milhões serão gastos para tornar novamente a ponte Hercílio Luz trafegável. Sem falar que uma montanha de dinheiro público já foi gasto para sua construção. O Projeto de dois engenheiros norte-americanos Robinson e Steinmann foi iniciado em 1922 e concluído em 1926. Para sua construção o então Governador Hercílio Luz fez um empréstimo que dava quase dois orçamentos anuais do estado de Santa Catarina. O pagamento do empréstimo junto aos bancos norte- americanos levou exatamente 50 anos para ser concluído. O valor final pago sobre é controverso, mas fala-se em 14 milhões 478 mil 107 contos e 479 réis. Cacau Menezes já chamou isto de “Indústria da Ponte”.

Temos uma relação mal resolvida com as pontes nesta Ilha. As Pontes aqui são Pontes para muito Ouro… Geralmente muita água e muito ouro passam debaixo destas pontes e o ouro não volta nunca mais…

Argumenta-se que a Ponte Hercílio Luz tem que ser recuperada porque é cartão postal da Ilha. Sim ela é linda, mas existem dezenas de praias exuberantes que se apresentam com cartão postal. Dizem que é símbolo da Ilha? Que tal elegermos a velha e centenária Figueira, que afinal está na IIha há mais tempo que Ponte, para símbolo da Ilha? Não sou agrônoma, mas creio que com uns 50 mil reais por ano daria para manter a velha Figueira em pé. Afinal Num pedacinho de terra/belezas sem par!/Ilha da moça faceira,da velha rendeira tradicional/Ilha da velha figueira, tantas coisas saem mais em conta do que  a Ponte…

Sim, podem argumentar que a Ponte é Patrimônio Cultural de Santa Catarina. Mas o que justifica manter um Patrimônio Cultural ao preço camarada de 180 milhões de reais? Quantas casas populares poderiam ser construídas com este dinheiro? Quantas cestas básicas poderiam ser distribuídas entre a população carente? Quantas escolas básicas com computadores poderiam ser instaladas nos morros? Quantas barreiras de proteção nas encostas dos morros poderiam ser levantadas evitando desabamentos e catástrofes? Quantos postos de saúde poderiam ser implantados aqui. Que tal utilizarmos parte deste dinheiro para a implantação de um Instituto de ponta sobre tragédias climáticas em Santa Catarina com instrumentos de última geração? Isto para prevenir tantas tragédias ocorridas por aqui. Outra parte poderia ser usada para comprar medicamentos e vacinas para pessoas carentes. Ou ainda investir na desfavelização dos morros. Gastar 180 milhões num monumento que pode desabar a qualquer momento…

Patrimônio Cultural para mim é o povo com a barriga cheia e o cérebro ocupado com coisas acima de Rebolation e mulheres frutas.

Proponho um plebiscito entre o povo Ilhéu, explicando o que poderiam comprar com 180 milhões, para tornar mais inteligível o valor de tantos zeros. O plebiscito poderia se chamar Salve a Ponte ou Salve o Mané. Lanço aqui a campanha!

O povo deve ser esclarecido que este dinheiro vai sair dos cofres do Estado e da Prefeitura. Busca-se parcerias, mas precisamos de parceria para tantas outras coisas mais racionais  e urgentes.
Quem nos garante que este dinheiro vai resolver o problema da estrutura da ponte, uma vez que suas duas irmãs norte-americanas já estão devidamente enterradas: a Silver Bridge desmoronou em 1967 e matou 46 pessoas. A outra  St. Marys foi demolida em 1971, para evitar que caísse. Porque só nós não somos práticos e pragmáticos e insistimos numa sandice destas?

A Ponte foi tombada como Patrimônio Histórico pelo Município pelo Decreto 637/92. Em 1997 pelo Estado pelo Decreto 1830,  pela União através da Portaria n. 75 de Maio de 1997. Se o problema é jurídico – a questão de manter um patrimônio cultural-  há de se achar uma  saída legal: a lei ter que estar a serviço do ser humano e não o ser humano a serviço dela.

Maior Patrimônio Cultural desta Ilha, além das praias e a Velha Figueira é o povo desta Ilha, o ilhéu, nosso querido manézinho, este sim precisa ser preservado e para isto é preciso saúde,  educação e moradia!

Salve o Mané, não salve a Ponte!

Por Salma Ferraz /professora da UFSC

NUTEL
Núcleo de Estudos de Teologia e Literatura
ALALITE
Associação Latino Americana de Teologia e Literatura.
UFSC

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