Palestra sobre novos caminhos da literatura abre congresso Fluxos Literários

12/06/2012 20:59

Professores Wander Miranda, Patrícia Peterle e Raúl Antelo na mesa de abertura do congresso Fluxos Literários, que acontece nos dias 12 e 13 de junho

Com a palestra do professor Wander Melo Miranda, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que analisou a obra do escritor mexicano Mario Bellatin, teve início nesta terça-feira, 12 de junho, o congresso internacional Fluxos Literários: ética e estética. O evento reuniu mais de cem professores, pesquisadores e estudantes no Auditório Henrique Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina (CCE/UFSC), que tiveram a oportunidade de ouvir e debater também com o professor Raúl Antelo, que falou sobre fluxos e movimentos da literatura a partir do questionamento “É isto ainda a Europa?”.

Wander Miranda começou sua fala alertando que seu estudo ainda está em fase de gestação. Sua análise é a de que o texto de Bellatin tem uma lógica do mundo virtual, ao utilizar trechos de entrevistas publicadas na internet dentro de seus romances e ao retomar situações narrativas de outras obras do próprio autor. “O que ele faz é decompor a estrutura de um corpo morto de texto para transformá-lo em outro texto. Essa mimetização está em harmonia com o cenário comunicacional de trocas. Estou fazendo um mapa para conseguir localizar as narrativas”, afirma o professor Wander. Para ele, o texto passa da propriedade privada simbólica do escritor para transformar-se em uma plataforma pública de discussão.

”É como se Bellatin se embrenhasse dentro da obra para ficar fora da obra. Há uma cena emblemática de um de seus romances em que a personagem está no parapeito da janela de um casarão em ruínas, olhando de fora para fora”. A obra de Bellatin apresenta novas proposições até para o objeto livro, que pode ser interpretado como uma instalação. A editora brasileira Cosac Naify, que publicou o livro Flores, descreve o projeto gráfico como radical: sem capa, com a orelha despregada do miolo, o livro envolto num saco plástico.

Para ele, a obra de Bellatin é perturbadora, pois não há antes e depois, fora ou dentro. É ao mesmo tempo atraente e repugnante, o que revela possibilidades na literatura, pois foge do esquematismo e apresenta a ideia do todo como um horizonte utópico. Portador da síndrome de talidomida, Bellatin nasceu sem o braço direito. Sua obra é marcada por personagens com corpos mutilados, amputados, sangues contaminados.  “Quando você lê a obra dele, você vê que existe uma outra proposição de literatura que interrompe esse fluxo mundializado. É possível estudar a literatura muito mais pela voz do que estão pensando as artes visuais do que quem está pensando a literatura. Críticos de arte colocam questões estéticas e poéticas que a literatura ainda está aquém”, afirma o professor.

O fluxo

Intitulada “The flow: é isso ainda a Europa?”, a outra palestra da manhã foi ministrada pelo professor Raúl Antelo (UFSC), que tomou como ponto de partida o artigo do crítico literário italiano Alberto Asor Rosa, “Se questo è ancora un romanzo” (“É isto ainda um romance?”). Nele Asor Rosa debate o que é o romance, uma vez que a narrativa está presente em todos os lugares, seja na publicidade, nas histórias em quadrinhos, no discurso político. Conforme aumenta o fluxo do comércio literário, a literatura passa a fazer parte da categoria de economia.

Antelo desenvolveu sua narrativa citando Guy Debord, Primo Levi, Gunther Grass, Michel Foucault, Pier Paolo Pasolini, entre outros pensadores, para tratar do conceito de humano e do conceito de sem forma na literatura. “O sistema literário, quando comparado ao sistema econômico, é uma rua de mão única dos fluxos literários, em que uma literatura hegemônica pode exterminar as outras literaturas”, afirma Antelo.

Ele citou Foucault e sua ideia de que a literatura é essencialmente marginal, que questiona e que nunca será tomada como um discurso. “Até o século XIX escrever romance era querer edificar, construir. A partir daí a literatura passou por uma constante desinstitucionalização, pela transformação em palavra anárquica, sem instituição, que mina todos os outros discursos”, afirma Antelo. Para ele, a literatura sempre esteve fascinada pela loucura, seja imitando a loucura ou por tornando-se louca. Questionado sobre como pensar o alegórico hoje, Antelo afirmou que a alegoria estabelece limites entre o familiar e o estranho. “A mim interessa levar o texto à loucura, e não corroborar com os limites, pois isso seria estancar o fluxo.”, concluiu.

O Congresso Internacional Fluxos Literários: ética e estética é realizado pela Pós-Graduação em Literatura e pelo Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), UFSC e CCE. O evento é gratuito e continua até 13 de junho no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC.

Mais informações:

http://fluxosliterarios.blogspot.com.br/

 

Por Laura Tuyama, jornalista na Agecom. Fotos: Wagner Behr.

Tags: CCEfluxos literáriosliteraturaUFSC

Evento discute ética e estética literárias

05/06/2012 18:40
.

.

“A literatura, sobretudo na sua forma especificamente narrativa, está em todos os lugares. A propagação da literatura em uma infinidade de meios de expressão e comunicação foi acompanhada pela multiplicação da produção livreira”. A afirmação é do crítico literário italiano Alberto Asor Rosa, e é a essência que guiará o evento Fluxos Literários: ética e estética, que acontece entre 12 e 13 de junho, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC.

 

As inscrições para ouvintes são gratuitas e podem ser feitas até o dia 11/06. A programação completa está disponível na página do evento. A realização é do programa de Pós-Graduação em Literatura, do Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras.

 

Mais informações: e fluxosliterarios.blogspot.com.br.

Tags: literatura

Diretor da EdUFSC é indicado ao prêmio Portugal Telecom de Literatura

01/06/2012 14:31

O diretor executivo da Editora da UFSC, Sérgio Medeiros, foi indicado ao prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2012 pelo livro de poemas “Figurantes”, publicado pela editora Iluminuras. Poeta, tradutor e professor, ele está entre os 60 finalistas do prêmio, anunciados esta semana no Rio de Janeiro. Há 20 concorrentes por área – romance, conto/crônica e poesia – e os 12 finalistas serão conhecidos em setembro. Os vencedores vão ser anunciados em novembro e levarão R$ 50 mil (por categoria).

Em 2009, Medeiros já havia sido indicado ao mesmo prêmio e também ao Jabuti com o livro “Sexo vegetal”, da Iluminuras. Natural do Mato Grosso do Sul, ele jé profesor dos cursos de pós-graduação em Literatura, Cinema e Artes Cênicas, do Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, e foi mantido no cargo de diretor da EdUFSC pela nova reitora da instituição, Roselane Neckel.

A romancista catarinense Adirana Lunardi, nascida em Xaxim e radicada no Rio de Janeiro, também foi indicada ao prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, com o livro “A vendedora de fósforos”, da editora Rocco.

Mais informações com Sérgio Medeiros: 3721-8507, 3721-9686 ou .

Tags: EdUFSCliteratura

Relato do Sol tem lançamento na UFSC

30/05/2012 14:40
.

Relato do Sol traz histórias sobre adolescência, convivência com pais e irmãos, bullying, primeiros amores e amigos

Será lançado na quinta, 14/06, o livro de contos de Vanessa Bencz, Relato do Sol (editora Letradágua). Jornalista formada em 2008 e blogueira desde 2004 (garotadistraida.wordpress.com), Vanessa traz nos vinte capítulos da obra histórias sobre adolescência, convivência com pais e irmãos, bullying, primeiros amores e amigos. A cerimônia está marcada para as 18h na Livros e Livros da UFSC.

O prefácio, escrito pelo professor de Jornalismo da UFSC Samuel Lima, informa o leitor que os contos não são apenas relatos, e sim poemas em prosa. “O tempo é um elemento forte nesse olhar cósmico de Vanessa. Lá pelas tantas ela tira da cartola uma frase perfeita, ao relatar um abraço materno: Deve ter durado apenas alguns segundos, no cronômetro humano. No relógio da máquina do tempo, foram tantos outonos. Quando confessa suas razões para escrever, a autora vai dizer, solfejando em nossos ouvidos, num sussurro sedutor: De vez em quando, acordo sentindo profunda carência; palavras boiam na minha consciência. Por isso escrevo”, resgata Lima.

Cada texto de Relato do Sol ganhou uma ilustração poética de Fábio Abreu, “artista que capta a sensação das letras e transforma em desenho”, de acordo com Vanessa. A obra tem apoio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec) de Joinville e da Fundação Cultural de Joinville.

Aos 27 anos, Vanessa já trabalhou nos jornais A Notícia e Notícias do Dia, e hoje mantém produção intensa em seu blog .

Mais informações: (47) 8864-3275.

Tags: jornalismoliteratura

Na Mídia: Obra organizada por professores da UFSC ganha repercussão nacional

14/03/2012 11:10

O caderno Sabático, do Estado de S. Paulo, publicou neste final de semana resenha sobre De Santos e Sábios, obra inédita que reúne os ensaios do escritor irlandês James Joyce. Recém lançado pela Iluminuras, o livro foi organizado pelos professores de Literatura Sérgio Medeiros (diretor da Editora da UFSC), Dirce Waltrick do Amarante, do Curso de Artes Cênicas.

Além deles, participaram da tradução André Cechinel, doutor em Literatura pela UFSC e Caetano Galindo, professor de Literatura da UFPR, que também assinam artigos analisando a obra ensaística de James Joyce, que tem um enfoque estético e surpreendentemente político.

Acompanhe o material:

O outro lado de James Joyce De Santos e Sábios, livro de ensaios do escritor irlandês, surpreende pela diversidade de temas e por sua politização
Sábado, 10 de Março de 2012, 03h10

Antonio Gonçalves Filho

A reunião dos textos estéticos e políticos do irlandês James Joyce (1882 -1941) no livro De Santos e Sábios revela mais sobre o escritor do que talvez gostasse o autor de Ulysses. Há nesses ensaios tanto um homem generoso, capaz de fazer justiça ao visionário poeta e pintor William Blake, como um iconoclasta disposto a arrasar a reputação de contemporâneos como o dramaturgo irlandês Arnold F. Graves. Quatro tradutores se debruçaram sobre o livro The Critical Writings (1959), editado por Ellsworth Mason e Richard Ellman, buscando ainda apoio em outro livro, Occasional, Critical an Political Writing, para discutir as relações entre os ensaios de Joyce e sua obra ficcional, escrevendo cada um deles uma pequena introdução crítica a meia centena de textos produzidos entre 1896, quando o escritor tinha apenas 14 anos, e 1937.

A ordem cronológica, nesse caso, comprova a evolução tanto da sintaxe como do pensamento de Joyce. No primeiro texto que se conhece do irlandês, o futuro escritor refere-se ao olho como capaz de definir o caráter de um homem, ao revelar culpa e inocência, vício e virtude. Seria, segundo Joyce, a única exceção ao provérbio “não se deve confiar nas aparências”, parodiado por Oscar Wilde no seu mais célebre aforismo (“só os tolos não julgam pela aparência”). Sobre o compatriota, Joyce escreve um comovente ensaio no livro (relatando o fim do poeta e dramaturgo). Já no último texto, de 1937, Joyce não precisa olhar nos olhos do pirata Samuel Roth, primeiro editor americano de Ulysses, para acusá-lo de inescrupuloso – ele lançou uma edição truncada e, claro, o autor não recebeu seus direitos.

Como se sabe, o épico modernista foi banido nos EUA, em 1922, mesmo ano de sua publicação, na França.  Acusado de blasfêmia e obscenidade, só foi liberado em 1933.

Boa parte da literatura ocidental, observa um dos tradutores do livro, Caetano Galindo, continua a ignorar esse “vulcão” literário, passando ao largo de Ulysses, traduzido também por Galindo – a nova versão será lançada pela Companhia das Letras em abril. Já os que reconhecem o papel revolucionário de Joyce como ficcionista podem se surpreender com esses ensaios – alguns bem convencionais e escritos para jornais.

Surpreendentemente, Joyce se considerava um jornalista nato, apesar da constrangedora entrevista que fez, em 1903, com o piloto de corridas Henri Fournier. É certo que precisava de dinheiro para viver em Paris, mas a conversa com o francês, publicada no Irish Times, nada acrescenta à trajetória de Joyce.

Nesse mesmo ano, ele tentou começar uma carreira de crítico, ajudado por Lady Gregory, que o recomendou ao editor do Daily Express, segundo o tradutor André Cechinel. Provavelmente para impressionar o editor Longworth e afirmar sua autonomia, Joyce foi bastante cruel com a autora do livro Poets and Dreamers (ele classifica de “pitoresca” a obra de Lady Gregory, que não gostou da resenha). Talvez por precaução, no ano seguinte, 1904, Joyce assinou seu primeiro conto publicado, As Irmãs (incluído depois em Os Dublinenses), com o pseudônimo de Stephen Dedalus, nome que figuraria como um dos personagens de Ulysses. Detalhe: Joyce condena o uso de pseudônimos no texto Um Inútil (1903), publicado no mesmo Daily Express, sobre um livro de Valentine Caryl (aliás, Valentine Hawtrey, escritora de romances protofeministas como Suzanne, de 1906).

São sobre política (principalmente o eterno conflito entre ingleses e irlandeses) e o dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) os melhores ensaios do livro De Santos e Sábios, organizado por Sérgio Medeiros e sua mulher Dirce Waltrick do Amarante, ambos tradutores de Joyce. Sobre artes visuais, Joyce parece um neófito perdido ao descrever o realismo do pintor húngaro Michael Munkácsy. Sobre filosofia, chega a canonizar Giordano Bruno como o pai da filosofia moderna, rebaixando Bacon e Descartes. Finalmente, sobre literatura, ele parece um tanto desconfiado dela na virada do século (ver o ensaio Drama e Vida, de 1900), a ponto de não poupar nem mesmo a tragédia grega – Joyce dizia que ela já cumprira seu papel. Mais tarde, ele mudaria de opinião, ao definir a literatura como “a arte mais elevada e espiritual”.

A defesa que faz da literatura como forma de combate à opressão – ele escreve sobre a censura às peças de Bernard Shaw, Ibsen e Oscar Wilde – comprova a observação da tradutora Dirce Waltrick do Amarante sobre a posição política de Joyce, visível, segundo ela, tanto na sua ficção como nos ensaios críticos. A “Grande Fome” (1845-8) que matou mais de metade dos irlandeses, fez com que os sobreviventes se voltassem contra o governo britânico, sempre acusado de uma política assassina por Joyce. Embora raramente mencione o fato histórico em suas obras de ficção, é o tema do ensaio Irlanda, Ilha de Santos e Sábios (1907), petardo contra o colonialismo inglês. Uma separação moral, escreve Joyce, existe entre os dois países: os ingleses desprezam os irlandeses por serem pobres, católicos – e, portanto, reacionários, acrescenta o escritor. Mas foram as leis inglesas que arruinaram as indústrias do país e o levaram à bancarrota, conclui.

“O Estado de São Paulo”, caderno Sabático

Tags: EdUFSCliteraturaUFSC

Ética e justiça: anotações a partir de Habermas e Luhmann

01/12/2011 09:27

O grupo de pesquisa Labflor e o Programa de Pós-Graduação em Literatura da UFSC convidam para a palestra  “Ética e justiça: anotações  a partir de Habermas e Luhmann”, com o professor Wilson Madeira Filho (Direito/UFF), com mediação da professora Tereza Virginia  de Almeida (Literatura/ UFSC). Na próxima terça-feira, 6 de dezembro, às 9h30min, sala 243, Centro de Comunicação e Expressão (CCE).

Tags: literatura

Pós-Graduação em Literatura e seus egressos: pesquisa e ensino

07/10/2011 15:51

A mesa de discussão que teve como tema a Pós-Graduação em Literatura e seus Egressos: pesquisa e ensino para discorrer sobre as atribuições da pós-graduação no campo de ensino em literatura e exposições do campo de pesquisa, ocorreu hoje pela manhã na Sala Drummond no Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). Os convidados para compor a mesa de exposição foram os professores Jefferson Agostini Melo (USP), Valdir Prigol (UFFS), Renata Telles (UFPR) e Rita Lenira Bittencourt (UFRGS), com a coordenação do professor Felipe Soares (UFSC). A mesa fez parte do Simpósio Internacional Línguas e Culturas: dos Programas de Pós-Graduação em Linguística, Literatura e Inglês em comemoração aos 40 anos de pós-graduação da UFSC.

As exposições e discussões na mesa foram pautadas pelas experiências dos convidados no programa de pós-graduação em literatura e o resultado do trabalho do campo de pesquisa e ensino dos convidados. As apresentações delinearam as propostas de cada convidado com as consequências da pesquisa cientifica em literatura. O professor Jefferson Agostini discorreu sua apresentação com o tema Novas crenças da ficção brasileira contemporânea sobre a critica literária e as atribuições dos novos autores em relevância aos cânones da literatura. O professor Valdir Pringol abordou para discussão o tema A crítica e o leitor que relatou sobre a crítica literária como forma de experiência e mediação das obras estudadas no seu doutorado. A professora Renata Telles percorreu as permanências entre passado e presente na literatura com o tema Imigração: entre a difícil conquista do pertencimento e a potência do intervalo e a professora Rita Lenira Bittencourt exprimiu as criticas literárias do presente e as prerrogativas e perigos da síntese com o tema Teoria, crítica e ensino: deslocamentos mínimos.

Outras duas mesas de discussão ocorreram no mesmo horário com os temas Focalização e Clivagem do Programa de Pós-Graduação em Linguística – com a coordenação de Carlos Mioto (UFSC) e convidados Simone Lucia Guesser (Università di Siena) e Sandra Quarezemin (UFSC) – e As Literaturas de Línguas Inglesa do Século XIX à Contemporaneidade do Programa de Pós-Graduação em Inglês – com a coordenação de Bernadete Limongi (UFSC) e convidados Maria Lucia Martins (UFSC) e Anelise Corseuil (UFSC).

Por Ricardo Pessetti/ Bolsista de Jornalismo na Agecom

Tags: Linguísticaliteratura

Lançamento do Portal Catarina acontece nesta sexta

04/10/2011 17:35

.

.

O maior banco de dados e acervo digital da literatura catarinense é o produto do trabalho de quatro anos do Núcleo de Pesquisa em Informática e Literatura (Nupill) e encerra o Seminário em Literatura Digital

Mais de duas mil obras de 312 autores da literatura catarinense já estão disponíveis no Portal Catarina. A inauguração do primeiro acervo digital de obras literárias do estado vai acontecer às 18h dessa sexta-feira, 7/10, na sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos da UFSC.  O lançamento do portal é seguido de mesa-redonda e coquetel com a presença de intelectuais catarinenses e especialistas em ciberliteratura, e encerra o Seminário em Literatura Digital, promovido pelo Nupill e com o apoio da Secretaria de Cultura e Arte (SecArte).

A construção do Portal Catarina envolveu a participação de 25 alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Letras e Computação da Universidade. Também foi necessária uma parceria entre o Nupill e o Laboratório de Pesquisas em Sistemas Distribuídos (Laspesd), coordenado pelo professor Roberto Willrich.

O resultado foi o registro de informações de 4.399 obras e a digitalização completa de outras 2.579 de 312 autores catarinenses de todas as gerações, estilos e escolas literárias. As obras digitalizadas são de domínio público e estão disponíveis para download ou acesso pelo próprio portal.

Para concluir o acervo digital, o grupo incorporou os dados de todos os indicadores impressos existentes e acrescentou novas informações oriundas de árdua pesquisa. Entre as obras disponíveis para download, destacam-se as 30 edições da Revista Grupo Sul. A publicação marcou o movimento Modernista em Santa Catarina e era coordenada pelo escritor Salim Miguel.

O coordenador e fundador do Nupill, Alckmar Luiz dos Santos, destaca que o Portal Catarina está aberto à atualização permanente. “À medida que todos os dias nascem e morrem novos autores, torna-se um trabalho interminável”. O coordenador, que foi eleito em 2011 o representante do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) no Prêmio Destaque Pesquisador, promovido pela UFSC, ainda reitera a importância da web na democratização do acesso à leitura.

“Um possível desdobramento do Portal Catarina será a possibilidade de os leitores enviarem resenhas das obras cadastradas, o que estimula o conhecimento das publicações de autores locais”. O mestrando em Literatura e bolsista do Nupill, José Jardim, lembra que o projeto foi o único na área de Ciências Humanas em Santa Catarina.  Agora o grupo busca a renovação do financiamento do projeto. José ainda se orgulha de participar da elaboração do único acervo digital no Brasil que privilegia a literatura de um Estado. Ele cita o poeta Luiz Delfino que, segundo ele, é um autor pouco publicado fora de SC e que agora  poderá ser lido por mais pessoas.

Incentivado há cerca de oito anos pelo já falecido professor de Literatura e ex-presidente da Academia Catarinense de Letras, Lauro Junkes, o projeto teve início em 2007 a partir de recursos do Pronex, oferecidos em edital no CNPq, no valor de 400 mil reais.

O Seminário

O coquetel de lançamento do Portal Catarina vai acontecer na sexta-feira, 7/10, no Centro de Cultura de Eventos (sala Aroeira, 2º piso) durante o Seminário em Literatura Digital. O evento vai abordar em dois dias a estatística literária, as novas ferramentas, acervos, bancos de dados e processos de incentivo à literatura no meio eletrônico. Além de debates, acontecerá estudo dos poemas do autor português Fernando Pessoa e análise de obras de autores como Monteiro Lobato, Ítalo Calvino e Milton Hatoum.

Na mesa de discussão do último dia estarão presentes os especialistas de literatura na web Saulo Brandão (UFPI), Alamir Aquino Correa (UEL), Wilton Azevedo (Mackenzie) Carlos Maciel (USP) e o representante do Nupill, Alckmar Luiz dos Santos.

Mais informações com professor Alckmar Luiz dos Santos: 3721-6590


Programação do Seminário em Literatura Digital:

6 de outubro

9h – Abertura – Alckmar Luiz dos Santos

9h-10h30 = Mesa Literatura digital

Rafael Soares Duarte – A página infinita das webcomics

Otávio Guimarães Tavares – Por um engenho e arte digital

Cristiano de Sales – Elementos de estética para literaturas digitais

Emanoel C. Pires de Assis – O texto na tela: processos de leitura

Everton Vinicius de Santa – Literatura e memória no papel e na tela

10h45-11h30 = Mesa A revista digital Mafuá

Isabela Melim Borges Sandoval
Silvio Somer
Jaqueline Sinderski Bigaton

11h30-11h45 = Palestra: Banco de dados digitais

Jonatam Matschulat

14h-17h Mesa Convidados

Alckmar Luiz dos Santos – Letras digitais

Wilton Azevedo – Artes digitais

Regina Corrêa – Língua e literatura digital

Alamir Aquino Corrêa – Literatura em meio digital

Carlos Maciel – Ferramentas estatísticas na leitura de obras literárias

Saulo Brandão – Experiências com leitura em meio digital

7 de outubro

9h-10h = Mesa Ferramentas digitais

Verônica Ribas Cúrcio – A estatística e a informática na leitura literária

Deise Freitas e Silvio Somer – Um dicionário digital de personagens literários

10h15-11h45 = Mesa Teoria do texto

José Carlos Jardim Jr. – Relato e comunidade interpretativa em Milton Hatoum

Cláudia Grijó Vilarouca – Espacialidades da narrativa de Perec, Cortázar e Calvino

Patrícia C. S. Ricarte e Júlia Telésforo Osório – Tendências modernas em continuidade na poesia do presente

Juliana C. Garcia – O caipira nas edições lobatianas

14h-15h30 = Mesa Acervos digitais

Tanay G. Notargiacomo – Nada a dizer: a senha como personagem

Ana Beatriz M. S. de Andrade – Maura de Senna Pereira e seu acervo

Isabel M. B. Luclktenberg – A Editora Mulheres e o espaço virtual

Ana Luíza Bazzo da Rosa – ENEM e a literatura

Zilma G. Nunes – Os acervos literários sob o olhar da Crítica Genética

15h45-16h45 = Mesa Ensino e Aprendizagem

Rosilei Girardello – Experiências de ensino – aprendizagem de literatura em meio digital

Isabela M. B. Sandoval e Emanoel C. Pires de Assis – Tratamento digital de obras literárias: Ontologia de termos de teoria literária

Emanoel C. Pires de Assis – Dlnotes: uma ferramenta de anotação em obras literárias

Adiel Mittmann – Megamneme: uma ferramenta de memorização do vocábulo

18h – Lançamento do Portal Catarina e Coquetel de encerramento


Por Gabriele Duarte/ Bolsista de Jornalismo na Agecom

Tags: literaturaNupillPortal Catarina

Simpósio internacional comemora 40 anos das pós em Linguística, Literatura e Inglês

19/08/2011 09:46

O Simpósio Internacional Linguagens e Culturas será realizado entre os dias 4 e 7 de outubro, em comemoração aos 40 anos dos Programas de Pós-Graduação em Linguística (PPGLg), Literatura (PPGL) e Inglês (PPGI) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As inscrições podem ser feitas no endereço http://inscricao.pos40anos.cce.ufsc.br.

O objetivo deste evento é refletir sobre a história dos estudos da linguagem no Brasil e na região, além de evidenciar o trabalho realizado pelos pesquisadores desses Programas de Pós-Graduação nos últimos 40 anos, assim como as suas parcerias científicas em convênios e projetos interinstitucionais, nacionais e internacionais. O intuito é debater questões seminais da área por intermédio de mesas-redondas e grupos de trabalho. Nesse sentido, o simpósio pretende:

  • Congregar pesquisadores brasileiros e estrangeiros envolvidos em trabalhos nas diferentes áreas/linhas de pesquisa dos PPGLg, PGLe PPGI, bem como docentes e discentes que participaram desses Programas;
  • Possibilitar a apresentação de um esboço panorâmico de questões teóricas e aplicadas relacionadas às diferentes áreas dos Programas ao longo de sua história até os dias atuais;
  • Propiciar o debate acadêmico em torno das temáticas relativas às linhas de pesquisa vigentes nos Programas;
  • Oportunizar a discussão de questões relevantes para a construção de agendas científicas pelas diferentes áreas/linhas de pesquisa.

A programação inclui mesas-redondas, sessões de comunicações em grupos de trabalho (GTs); atividades culturais; e lançamento de livros.

Datas importantes:

  • Submissão de trabalhos: até 26/08/2011;
  • Divulgação dos trabalhos aceitos: 01/09/2011;
  • Pagamento de inscrição: 01/09/2011 a 23/09/2011.

Outras informações pelo e-mail e pelo site http://pos40anos.cce.ufsc.br/.

Margareth Rossi/Jornalista da Agecom

Tags: 40 anosInglêsLinguagens e LiteraturaLinguísticaliteraturapós-graduaçãosimpósio internacionalUFSC

O imaginário e as crianças de hoje

10/08/2011 11:03

O Programa de Pós-Graduação em Educação e Núcleo Infância, Comunicação e Arte promovem no próximo dia 12, às 9 horas, nas dependências do PPGE-CED-UFSC, mesa-redonda “Um diálogo sobre o imaginário e as crianças de hoje”, com os professores Valeska Fortes de Oliveira (PPGE/UFSM) Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Imaginário Social; João Luís Carrascoza (ESPM/USP), (Prêmio Jabuti de literatura infantil); Isabel Orofino (PPGCOM/ESPM) Grupo de Pesquisa Imagem, Metrópoles e Culturas Juvenis (PUC-SP). Maiores informações: professora Gilka Girardello, fone 9922-8963.

Tags: comunicaçãoinfâncialiteratura

Conferência: Imagens da Biopolítica – Quadros ao Horror

09/06/2011 07:55

Encontro com o professor André Queiroz, que autografará seus recentes livros Patchwork – livro para teatro, Palavra Imagem – filosofia cinema literatura e  Imagens da biopolítica I – cartografias do horror. No dia 14 de junho, no auditório do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), às 14h.Promoção Departamento de Língua e Literatura Vernáculas, Pós-Graduação em Linguística e Pós-Graduação em Literatura.

Tags: Linguísticaliteratura

Vencedor do Concurso Salim Miguel mistura história grande e miúda em romance

17/05/2011 18:34

Dez anos depois de publicar seu primeiro livro de poesias pela EdUFSC, Alckmar Luiz dos Santos recebe prêmio por romance das mãos do veterano Salim Miguel


Em uma cerimônia marcada pelo encontro entre velhos e novos escritores catarinenses, a Secretaria de Cultura e Arte e a Editora da Universidade Federal de Santa Catarina divulgaram na segunda-feira à noite o resultado do concurso Salim Miguel de Romance. Ao que minha vida veio, terceiro romance do poeta, contista, ensaísta, escritor, pesquisador e professor de literatura da UFSC Alckmar Santos, foi o vencedor. Das mãos do homenageado, o laureado Salim Miguel, de 87 anos, Alckmar, 52 anos, recebeu o primeiro cumprimento pela vitória, que agradeceu com uma mensagem literária de Michel Montaigne: “Um leitor competente com frequência descobre nos escritos dos outros belezas e perfeições que eles mesmos não colocaram ou de que não eram conscientes”.

Mantido em sigilo absoluto até o instante da solenidade, o resultado foi divulgado pelo presidente da comissão julgadora, o professor de Literatura Carlos Eduardo Capella, que é também presidente do Conselho Editorial da EdUFSC e entregou para Salim Miguel o envelope  – aberto pelo escritor – onde constava apenas o nome da narrativa vencedora. Escolhido por unanimidade pelo júri formado pelos teóricos da literatura e professores Donaldo Schüller e Ana Luíza de Andrade, além do tradutor e ensaísta Marcelo Tápia, Alckmar concorreu entre outros 25 romances, entre eles autores já consagrados em Santa Catarina.

O romancista eleito foi saudado pelo reitor Alvaro Prata, que perdeu o pai no final de semana mas fez questão de prestigiar o evento, o vice-reitor Carlos Alberto Justus, a pró-reitora de Cultura e Arte Maria de Lourdes Borges, o diretor da Editora da UFSC Sérgio Medeiros e uma torcida de alunos seus integrantes do Núcleo de Pesquisa em Informática, Linguística e Literatura (Nupill), do qual é fundador e coordenador. No ano passado o Nupill comemorou 15 anos como o maior banco virtual de textos literários do Brasil. Ao cumprimentá-lo, Salim, revelou que também sua carreira foi impulsionada por um prêmio literário.

Apesar – ou além – da primeira formação em engenharia eletrônica pela Unicamp, em 1983, Alckmar Luiz dos Santos sempre atuou no campo das artes e da literatura. Mestre em Teoria Literária na Unicamp, é doutor em Etudes Littéraires, com orientação de Julia Kristeva, em Paris. Realizou um trabalho com Gilbertto Prado de poesia visual, com quem recebeu uma *Menção especial*, em 2000, no 7º Premio Nacional de Poesía Visual Joan Brossa. Em 2006, também na Espanha, num trabalho em equipe, coordenado por Francisco Marinho, ganhou o prêmio 2º Internacional “Ciutat de Vinaròs” de Literatura Digital na categoria de poesia digital, com a obra Palavrador.

Em poesia, publicou Retrato e percurso, pela EdUFSC; Meu tipo inesquecível, pela Editora Athanor; o poema digital publicado pelo Itaú Cultural intitulado Dos desconcertos da vida, filosoficamente considerada. É Autor de Rios imprestáveis, obra que lhe rendeu a premiação na categoria poesia do 1º Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, da Revista Cult, que teve como júri o os poetas Cláudio Willer, Wally Salomão e Nelson Ascher, e de Circenses, publicado pela Sete Letras.  Inaugurou-se na prosa com o romance São Lourenço, publicado pela editora digital RBL. Escreveu também o volume de ensaios intitulado Leituras de nós; Ciberespaço e literatura, publicado pelo Itaú Cultural, e foi co-organizador da obra Caminhos cruzados; Informática e Literatura, publicado pela EDUFSC em 2005. Como organizador publicou ainda Lugares textuais do romance, resultado de colóquio que inaugurou o primeiro ano do doutorado em Literatura da UFSC, em 1997. Nascido em Silveiras, no interior de São Paulo, Alckmar fala nesta entrevista como misturou memórias que compõem o que chama de sua “vida miúda”, como o testemunho do suicídio de um garoto de 17 anos e as histórias do avô, com fatos históricos que perfazem a “vida grande”, como a Segunda Guerra Mundial, cruzando as linhas da vida nas linhas da literatura.

Entrevista

1. Fale um pouco sobre o enredo, temática ou proposta do romance Ao que minha vida veio:

Meu primeiro romance, São Lourenço (cidade de Minas Gerais) nasceu de uma frase que eu me disse: “Se eu pudesse, eu voltaria a São Lourenço”. Inventei um personagem; para isso, inspirei-me um pouco na música de João Bosco, “As vitrines”, e comecei. Ao que minha vida veio nasceu há dois anos de um fato muito estranho: eu estava em BH na casa de um amigo e ouvi um estrondo. Era um adolescente que tinha se jogado no vão do 12º andar. A primeira cena do livro descreve a imagem do corpo caindo de uma pessoa. A partir dessa cena inicial, comecei a pensar na minha história e na história da minha região. O ritmo desse romance, o vocabulário, as imagens, tem tudo a ver com Silveiras, minha cidade natal que aparece na narrativa. Ao escrever, procurei reencontrar minha mãe terra e o meu pai país natal, em uma metonímia da própria história vivida no romance por um personagem-narrador que empreende uma saga para reconstruir sua história e descobrir quem é seu pai e sua mãe, porque sabe que escondem isso dele. Em meio à ficção enredei conhecimentos de alquimia que estudei quando fiz minha dissertação de mestrado sobre Guimarães Rosa. A alquimia está já no jogo com o nome do romance e inclusive por trás dessa ideia do deus limitado, que cria o mundo, mas não sabe o que vai fazer dele, numa espécie de magia limitada. O protagonista é, então, alguém que tem uma capacidade mágica de saber quase tudo dos outros, mas não nada de si mesmo. Junto à tentativa do narrador de reconstrução de sua história pessoal, há o esforço de reconstrução de fatos da história do Brasil, de modo que os eventos individuais se entrelaçam com os eventos históricos e gerais. Por exemplo, há uma passagem do cometa Halley, contada pelo meu avô, que ficou muito espantado ao ver voar aquela bolona com rabo no céu. É um evento individual, mas se emaranha a casos importantes para a minha região, como a revolução de 1932, quanto trago a cena dos aviões cariocas das forças federais, que bombardeavam Silveiras e eram chamados de vermelhinhos pelos habitantes. É historia que ouço ainda hoje de minha mãe. Ninguém conhecia avião, mas todos sabiam que dele se jogavam bombas. A história perpassa a segunda guerra mundial, quando o personagem desiludido, vai, como voluntário da FEB, lutar na Itália e usa imagens que tenho de memória desde criança, de ouvir sobre pessoas que perderam amigos na guerra ou de jovens que regressaram loucos.  O romance passa pelo  suicídio de Getúlio, em 54 e segue sempre cruzando a história miúda com a história grande, que é uma forma de dizer que uma é tão importante quanto a outra.

2. Há  no romance algo da sua experiência com cibercultura ou com a linguagem hipertextual?

A narrativa dá  muito salto, vai e volta, temporalmente falando. Utilizo um único recurso tecnológico, para borrar a leitura de uma frase enigmática que o personagem lê. Ao lê-la, ele está emocionado, chora e as lágrimas borram a tinta. Pra simular esse efeito sobre o papel, escrevi a frase no fotoshop e fiz o efeito de água turvando essa imagem, de modo que o leitor não consegue ler, a menos que tenha conhecimento de magia e de alquimia e possa mais ou menos adivinhar. De fato, o narrador está escrevendo e chorando em cima dessas letras tempo todo, é uma constante ao longo de toda a narrativa. Ao lado desses recursos, fiz uma pesquisa danada, inclusive “de campo”. Empreendi uma viagem a essa região de Minas Gerais e São Paulo, pelo Google Maps, atrás do personagem e do contexto onde ele viveu, examinando estradinhas, nomes dos bairros, de cidades, para nominar tudo com exatidão. E também fiz uma pesquisa histórica para poder descrever a parte em que ele vai para a Segunda Guerra. Fiz questão de descobri o nome do navio que levou os pracinhas para a Itália, bem como as cidades por onde passaram, onde combateram e outros elementos históricos que aparecem no romance.

3. Por que você  preferiu o formato tradicional para este seu romance?

A grande bobagem dos entusiastas das novidades tecnológicas é achar que estamos inventando um mundo novo a partir do nada; e a grande bobagem dos catastrofistas é achar que há um passado glorioso que não pode ser tocado (aquele sujeito que diz adorar cheiro de bolor dos sebos). O fato é que a cultura envelhece como a gente envelhece. Eu tenho todas as idades que eu já tive. Todas estão comigo, não abro mão de nenhum dia dos meus 52 anos de vida. A cultura tem que ser assim também: não podemos abrir mão de um grama da cultura dos assírios, babilônios, jônios, sumérios, mesopotâmicos, gregos, romanos, bizantinos, galego-portugueses etc. Abrir mão disso é abrir mão da humanidade. Para sermos contemporâneos, não podemos esquecer os passos anteriores da humanidade. Uma atual etapa da tecnologia incorpora todas as outras. É assim que, como disse, acho, a Fernanda Montenegro, cada ruga é uma medalha que eu ganhei na minha vida. Não quero  jogar fora. Da mesma forma, cada momento cultural da civilização é precioso. Agora estou estudando trovadorismo pra orientar a dissertação de um aluno, lendo coisas sobre Idade Média, filologia do latim ao português. E é claro que, mesmo indiretamente, isso pode ajudar na criação digital: se pensarmos, por exemplo, que Bacon, ao pintar um papa também pintado por Velásquez, mostra como este pode ser contemporâneo. O novo necessariamente incorpora o antigo, senão, não é novo, é só gaiatice.

4. Mas seu primeiro romance foi publicado em meio digital…

Sim, por uma editora de livros digitais, a RBL, do Luís Filipe Ribeiro, do Rio de Janeiro; mas foi em PDF. Não visava especificamente o meio eletrônico, mas, se coloco uma escrita verbal tradicional (que não tem porque ser jogada fora) na internet, posso usar vantagens das duas maneiras de publicar.

5. Diz-se que dificilmente um autor se desenvolve plenamente em gêneros distintos. No seu caso, você faz poesia e prosa. Como é conciliar isso?

O que faço no romance não é radicalmente distinto do que faço em poesia, nem pode ser. Escrevendo romance trabalho muito ritmo e uso artifícios da poesia. Tento pegar um ritmo de frase quando estou escrevendo e isso é tão importante quanto a história. Claro!, na minha poesia é um ritmo mais construído, mais de pedreiro que vai medindo, pesando, arquitetando. Na prosa, vai mais do modo como eu quero que seja ouvido aquilo que penso, é, digamos, uma fluidez com mais percalços, como rio cujo fluxo se agita com pedra no meio dele.  Quando escrevo romance, não planejo totalmente a história; nos poemas eu sempre penso na totalidade da obra, seja digital, seja em papel. Claro que muita coisa vai mudando. Nos três romances, eu saía navegando e não tinha ideia certa de aonde chegar. De um lado, gosto de brincar de me sentir um deus, de criar um universo, pessoas, relações entre elas, acontecimentos de toda ordem, mas começo com uma imagem, uma frase, daí associo um assunto e um problema de vida humana, mas não sei aonde vai acabar. O romancista constroi o mundo que ele quer com as relações que deseja. Porém, ignorando onde se vai chegar, ele fica como um deus muito mais grego que cristão, mais humano; assim, a gente fica mais próximo das pessoas, como as que se criam na narrativa.

6. O que significa ganhar o premio Salim Miguel Romance da sua universidade?

Gosto muito do Salim como intelectual. Não é qualquer um que ganha o Juca Pato. Aqui, como Silveiras, eu conheço muito bem, há certo provincianismo que impede de ver quem está de perto. Quando estive na mostra Cem anos de Pintura brasileira, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, vi cinco quadros do Martinho de Haro e dois do Rodrigo de Haro. No entanto, aqui ninguém registrou esse fato. Vejo pessoas falarem do Salim lá fora, mas não o vejo receber o mesmo destaque aqui. Li Nur na escuridão e gostei muito. Então, ganhar um prêmio com o nome dele foi muita alegria e um estímulo. De outro lado, eu já fiz parte de júri de concurso e todos eles têm um pouco de lotérico. Este romance, por exemplo, já havia submetido a um ou dois concursos e deu em nada. Outra coisa: queria deixar registrado que o pseudônimo Nacer Adjas homenageia o nome de um grande amigo cabil (etnia argelina), um fotógrafo talentoso, sensível, que falava árabe, francês, português, foi casado com uma brasileira, era amante e profundo conhecedor do futebol brasileiro… acima de tudo, um artista sensível e um ser humano magnífico; ele morreu há 11 anos, de um câncer fulminante, pouco antes de que eu chegasse a Paris para visitá-lo com goiabada de presente e tudo. Ele faz falta não só a mim, mas a todas as pessoas.

7. Você  acumula várias funções: professor, pesquisador, coordenador do Nupill. Como você encontra espaço e concentração para escrever romance e poesia? Como é seu processo de criação?

Você se esqueceu de dizer aí que não abro mão de cultivar o ócio, ver jogo de futebol… Como eu disse na divulgação do resultado, não é que eu tenho que escrever. O fato é que eu não conseguiria não escrever. É essencial para mim. É verdade que eu tenho um ritmo muito rápido. Acho que tenho um problema neurológico, congênito, faço tudo rápido demais. Sempre fui expulso de roda de samba em mesa de botequim porque adianto o canto, não consigo batucar e cantar ao mesmo tempo, tenho um ritmo rápido demais e descontrolado. E estou sempre querendo concluir uma obra para começar a próxima. O que eu procuro fazer é me organizar, fazer agenda e delegar competências. Planejando bem o tempo, a gente consegue fazer tudo, ou quase tudo. Na criação, percebo ou provoco o impulso inicial de escrever, planejo a realização dessa escrita e fico de modo disciplinado seguindo o esquema que faço.

8. Você  tem outras obras em andamento?

Tenho seis obras concluídas. A atual, ainda sendo escrita, eu chamo de romance, mas é feita de versos rigorosamente medidos, com ritmo mais modulado em que os versos variam de tamanho, de melodia. É, na verdade, um poema narrativo, em seis episódios. O personagem está velho e a família espera que morra pra pegar a herança. Então ele tenta recuperar os anos e voltar ao começo da vida. E aí a história é uma tentativa desse personagem de recontar sua história para mudá-la. Também estou procurando um programador para concluir outra obra,Máquina de escancarar janelas: são poemas verbais acompanharão um dispositivo que bolei para o Windows, para gerar interferências dos poemas (sempre curtos) na leitura dos usuários, de modo a se mesclar ao que o leitor está lendo. Uma parte são hai kais alegres, como: “Copacabana: / a lua tricota a chuva / e brota um ikebana” e há parte mais dolorosas, em que falo da morte do meu pai.  Tenho ainda um livro de poemas digitais para ser lido em HTML que chamo de Pequeno jornal das notícias diárias desimportantes. Está pronto, falta acabar pouca coisa da programação. Mas minha decisão é colocar tudo que produzi em um sítio (site) na internet, que é o meio que garante muito mais a circulação e a leitura, do que o circuito da literatura em papel.

Entrevista a Raquel Wandelli/ Assessora de comunicação da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC


Trecho inicial do romance Ao que minha vida veio,
de Alckmar Luiz dos Santos

Bem lá  do alto

Tio Eli… deixou um bilhete: Viva o amor.

E pulou do ponto mais alto a que pôde chegar da sapucaieira maior das três que por lá  havia. Depois de ter dado e feito, durante a subida, seus dois ou três escorregões no limo verde-encardido dos galhos, que quase anteciparam sua queda no encurtando a altura do salto e dando um esticado assim na vida sua dele ainda por mais um tempo — que daí teria caído ele, Tio, de altura nada de coisa nenhuma condizente com tragédias e gestos desse jaez —. E foi assim que, sem mais escorregar nada não e com bem menos de dificuldade, ele apegou-se um só instantinho àquele e último galho, antes de se despenhar de lá de cima e chegar no ao-chão a bordo de um baque seco cheio de ecos. Que tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca param de ecoar. Ficam atroando ainda depois de terem silenciado as carpideiras todas, e desaparecido tudo quanto é soluço fingido e não, e mesmo sumidos de-vez de-feita os últimos estrídulos da marcha fúnebre tocada que era sempre pela Corporação Musical Mamede de Campos, que acompanhava todo enterro de escol tido e havido por lá.

De meu Tio e de sua queda, atestei que ele se havia despenhado da sapucaieira sem mais palavras dizer e deixar do que aquele curto estrito bilhete, mas estaria incorrendo em erro e omissão, grossos, pois que nada! de ele ter pulado de pirambeira de morro nem de pedra coisa alguma!, mas de árvore, sim! E além de tudo o mais, o curto bilhete, esse, não foi a única coisa que disse e se disse a respeito desses eventos todos, como se verá com o tempo e com ainda a zelosa paciência de se ir descascando as camadas todas de gentes e de histórias que habitam esses miúdos gestos com que vamos no-sempre nos rascunhando, desde o quando em que nascemos. E se alguns por aqui já se perguntam Por quê?!, e outros acrescentam Como?!, e ainda alguns atrevem um De que jeito?!, o máximo que se pode então e bem dizer é que toda pergunta só ensina muito depois de ser esquecida, mesmo porque o futuro só dá resposta ao que parece nunca ter sido perguntado!

Tirantes os nadas outros minguados sem importância, o máximo que se pode afirmar é que era no ano de 1932, informação com que ninguém daria no tal e dito bilhete Viva o Amor!, pois que ele não trazia data nem hora, nem local nem circunstâncias nenhumas. Exíguo de meios e de maneiras como era e foi, econômico no cerne seu, mas sempre muito de eloqüente nas molduras, meu Tio parece ter decidido que, daí em diante, as pessoas perceberiam sim que bilhete de suicida é de todo tempo e lugar; que, no aliás, bilhete de suicida sempre inaugura nova época e inédito local, refunda o mundo inteiro todo em cima de alguma lacuna, bigue-bangue ao revés que é, e que tal gênero de missiva não precisa e nem deve de ter aparência de ofício encaminhado a alguma repartição coisa-nenhuma. Corria então o ano de 1932, colorido e agitado pelos céleres aeroplanos do governo, federal, que, de quando em vez, traçavam linhazinhas vermelhas e barulhentas no azul ligeiramente algodoal do céu — como ocorre habitualmente nos maios, em Silveiras — e punham em polvorosa completa a molecada, pouco usual que era e ainda estava a algazarras de máquinas, a estrépitos de hélices, e ainda menos afeita a velocidades tão rápidas.

Tags: EdUFSCliteratura

Professores da Universidad Nacional de Mar del Plata proferem conferências na UFSC

26/04/2011 09:25

O Programa de Pós-Graduação em Literatura, o  Núcleo Juan Carlos Onetti de Estudos Literários Latino-Americanos e o Núcleo de Estudos Literários e Culturais  da UFSC convidam para as conferências ´Arturo Carrera o la  orfebrería de la sensibilidad` e ´ Juan José Saer y los usos de la tradición  nacional`.

A primeira conferência será ministrada pela professora Nancy Fernández, da Universidad Nacional de Mar del  Plata. A pesquisadora é doutora em Letras pela Universidad Nacional de La Plata,  autora dos livros Narraciones viajeras. César Aira y Juan José Saer; Experiencia y escritura. Sobre la poesía  de Arturo Carrera, e Escrituras de lo real. La narrativa de César  Aira  y la poesía de Arturo Carrera, além de vários capítulos de livros e artigos científicos. O encontro acontece nesta quarta-feira, 27 de abril, às  15h, na Sala 403, Machado de Assis, 4º andar do prédio B  do Centro de Comunicação e Expressão (CCE).

A palestra ´Juan José Saer y los usos de la tradición  nacional` será proferida pelo professor Edgardo Berg, da Universidad Nacional de Mar del Plata. Edgardo Berg é autor dos livros Ricardo Piglia. Un narrador de historias  clandestinas, e de Papeles  en progreso. Usos y relectura de la tradición en La literatura argentina,  co-autor de Supersticiones de linaje. Sobre genealogías y reescrituras e autor de vários capítulos de livros e artigos  científicos. Nesta quinta-feira, 28 de abril, às  9h30min, também na sala 403, Machado de Assis, 4º andar do prédio B  do CCE – UFSC.

Junto  às conferências, serão apresentados os livros La poesía de Arturo  Carrera. Antología de la  obra y la crítica (org.  Nancy Fernández e Juan D. Winter) e Papeles en progreso. Usos y relectura de  la tradición en la literatura argentina (org. Edgardo Berg).

Mais informações com a professora Liliana Reales, coordenado do Núcleo Onetti, e-mail:

Tags: conferênciasliteratura

Colóquio sobre literatura e vanguarda e política inicia nesta quinta-feira

13/04/2011 15:15

A UFSC sedia de 14 a 15 de abril o Colóquio Literatura de Vanguarda e Política – o século XX revisitado. O encontro será realizado no auditório Henrique Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão, reunindo pesquisadores da UFSC, Udesc, Unesp, UFPR, UFMG e UFSCar, entre outras universidades.

A programação prevê mesas-redondas com as temáticas Literatura de vanguarda; Revistas, registros, manifestos; Teatro, cenas, perfomance; Cultura, antropologia, história e Estética, política. A promoção é do Grupo de Pesquisa Literatura, História e Tradução, com apoio da Capes, Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE), Programa de Pós-Graduação em Literatura e Pró-Reitoria de Pós-Graduação.

De acordo com os organizadores, a proposta é pensar sobre o papel dos movimentos no âmbito dos estudos literários, sociais e teóricos, assim como sua pertinência atual, já que as implicações de ordem estética e política advindas dos embates e das vanguardas históricas podem ser identificadas na produção artística e intelectual.

Informações www.lithistrad.ufsc.br/coloquio e também com a professora Maria Aparecida Barbosa, coordenadora da comissão organizadora, e-mail: Esta imagem contém um endereço de e-mail. É uma imagem de modo que spam não pode colher., fone (48) 3721-9288.

Programação:

14 de abril / Auditório Henrique Fontes

– 9h Solenidade oficial de abertura

– 9h30 Mesa-redonda I – Literatura de vanguarda

Coordenação: Maria Aparecida Barbosa

Prof. Dr. Caetano W. Galindo/UFPR

Título: Um, dois ou três eus: Joyce, você e o mundo

Profa. Dra. Maria Ester Maciel de Oliveira Borges/UFMG

Título: O inferno radical: Dante sob o signo da vanguarda


– 14h30 Mesa-redonda II – Revistas, registros, manifestos

Coordenação: Patricia Peterle

Profa. Dra. Maria Lúcia de Barros Camargo/UFSC

Título: Revistas Brasileiras

Profa. Dra. Meritxell Hernando Marsal/UFSC

Título: Uma revista no centro / nas margens de América Latina: reflexões em torno ao BoletínTitikaka

Profa. Dra. Maria Aparecida Barbosa/UFSC

Título: Kurt Schwitters: manifestos MERZ
15 de abril / Auditório Henrique Fontes

– 9h Mesa-redonda III – Teatro, cenas, perfomance

Coordenação: José Roberto O’Shea

Prof. Dr. Edélcio Mostaço/UDESC

Título: O Teatro Brasileiro de Vanguarda

Profa. Dra. Alai Garcia Diniz/UFSC/UNILA

Título: Confluências intermidiais na vanguarda espanhola

Prof. Dr. Rodrigo Garcez da Silva/UFSC

Título: Performance e política na escultura social de Joseph Beuys

Profa. Dra. Dirce Waltrick Amarante/UFSC

Título: O Cotidiano em Beckett e Ionesco

– 14h30 Mesa-redonda IV – Cultura, antropologia, história

Coordenação: Alai Garcia Diniz

Prof. Dr. Gilberto Figueiredo Martins /UNESP Assis

Título: Visões do Esplendor – EsCLARICEndo Brasília

Profa. Dra. Patrícia Peterle/UFSC

Título: O percurso do Grupo 63 e as novas experiências e percepções

Prof. Dr. Marcelo Marinho/URI/Universidade Eötvös Loránd de Budapeste

Título: Guimarães Rosa na vanguarda da “guerra literária”: sobre signos, grifos e logogrifos

Prof. Dr. Sérgio Luiz R. de Medeiros/UFSC

Título: Literatura Ameríndia e Vanguarda

Encerramento/ Sala Drummond


– 17h30 Mesa-redonda V – Estética, política

Coordenação: Meritxell Hernando Marsal

Prof. Dr. Raul Antelo/UFSC

Título: O absoluto

Prof. Dr. Alessandro Pinzani/UFSC

Título: Produção de massa, produção da massa

Veja também as temáticas das sessões de comunicação no site www.lithistrad.ufsc.br/coloquio/

Tags: literatura

Literatura de vanguarda e política é tema de colóquio na UFSC

06/04/2011 16:10

A UFSC sedia de 13 a 15 de abril o Colóquio Literatura de Vanguarda e Política – o século XX revisitado. O encontro será realizado no auditório Henrique Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão, reunindo pesquisadores da UFSC, Udesc, Unesp, UFPR, UFMG e UFSCar, entre outras universidades.

A programação prevê mesas-redondas com as temáticas Literatura de vanguarda; Revistas, registros, manifestos; Teatro, cenas, perfomance; Cultura, antropologia, história e Estética, política. A promoção é do Grupo de Pesquisa Literatura, História e Tradução, com apoio da Capes, Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE), Programa de Pós-Graduação em Literatura e Pró-Reitoria de Pós-Graduação.

De acordo com os organizadores, a proposta é pensar sobre o papel dos movimentos no âmbito dos estudos literários, sociais e teóricos, assim como sua pertinência atual, já que as implicações de ordem estética e política advindas dos embates e das vanguardas históricas podem ser identificadas na produção artística e intelectual.

Informações www.lithistrad.ufsc.br/coloquio e também com a professora Maria Aparecida Barbosa, coordenadora da comissão organizadora, e-mail: , fone (48) 3721-9288.

Programação:

14 de abril / Auditório Henrique Fontes

– 9h Solenidade oficial de abertura

– 9h30 Mesa-redonda I – Literatura de vanguarda

Coordenação: Maria Aparecida Barbosa

Prof. Dr. Caetano W. Galindo/UFPR

Título: Um, dois ou três eus: Joyce, você e o mundo

Profa. Dra. Maria Ester Maciel de Oliveira Borges/UFMG

Título: O inferno radical: Dante sob o signo da vanguarda


– 14h30 Mesa-redonda II – Revistas, registros, manifestos

Coordenação: Patricia Peterle

Profa. Dra. Maria Lúcia de Barros Camargo/UFSC

Título: Revistas Brasileiras

Profa. Dra. Meritxell Hernando Marsal/UFSC

Título: Uma revista no centro / nas margens de América Latina: reflexões em torno ao BoletínTitikaka

Profa. Dra. Maria Aparecida Barbosa/UFSC

Título: Kurt Schwitters: manifestos MERZ
15 de abril / Auditório Henrique Fontes

– 9h Mesa-redonda III – Teatro, cenas, perfomance

Coordenação: José Roberto O’Shea

Prof. Dr. Edélcio Mostaço/UDESC

Título: O Teatro Brasileiro de Vanguarda

Profa. Dra. Alai Garcia Diniz/UFSC/UNILA

Título: Confluências intermidiais na vanguarda espanhola

Prof. Dr. Rodrigo Garcez da Silva/UFSC

Título: Performance e política na escultura social de Joseph Beuys

Profa. Dra. Dirce Waltrick Amarante/UFSC

Título: O Cotidiano em Beckett e Ionesco

– 14h30 Mesa-redonda IV – Cultura, antropologia, história

Coordenação: Alai Garcia Diniz

Prof. Dr. Gilberto Figueiredo Martins /UNESP Assis

Título: Visões do Esplendor – EsCLARICEndo Brasília

Profa. Dra. Patrícia Peterle/UFSC

Título: O percurso do Grupo 63 e as novas experiências e percepções

Prof. Dr. Marcelo Marinho/URI/Universidade Eötvös Loránd de Budapeste

Título: Guimarães Rosa na vanguarda da “guerra literária”: sobre signos, grifos e logogrifos

Prof. Dr. Sérgio Luiz R. de Medeiros/UFSC

Título: Literatura Ameríndia e Vanguarda

Encerramento/ Sala Drummond


– 17h30 Mesa-redonda V – Estética, política

Coordenação: Meritxell Hernando Marsal

Prof. Dr. Raul Antelo/UFSC

Título: O absoluto

Prof. Dr. Alessandro Pinzani/UFSC

Título: Produção de massa, produção da massa

Veja também as temáticas das sessões de comunicação no site www.lithistrad.ufsc.br/coloquio/

Tags: DLLEliteraturapós-graduação em literatura
  • Página 3 de 3
  • 1
  • 2
  • 3