Andifes manifesta indignação contra mais uma operação da PF em universidade pública

06/12/2017 18:51

NOTA OFICIAL MEMÓRIA DA DITADURA

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em nome dos (as) sessenta e três reitores(as) das Universidades Federais brasileiras, vem, mais uma vez, manifestar a sua indignação com a violência, determinada por autoridades e praticada pela Polícia Federal, ao conduzir coercitivamente gestores (as), ex-gestores (as) e docentes da Universidade Federal de Minas Gerais, em uma operação que apura supostos desvios na construção do Memorial da Anistia.

É notória a ilegalidade da medida, que repete práticas de um Estado policial, como se passou com a prisão injustificada do Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, da Universidade Federal de Santa Catarina, há pouco mais de dois meses. Apenas o desprezo pela lei e a intenção política de calar as Universidades, lócus do pensamento crítico e da promoção da cidadania, podem justificar a opção de conduzir coercitivamente, no lugar de simplesmente intimar para prestar as informações eventualmente necessárias.

Ações espetaculosas, motivadas ideologicamente e nomeadas com ironia para demonstrar o desprezo por valores humanistas, não ajudam a combater a real corrupção do País, nem contribuem para a edificação de uma sociedade democrática. É sintomático que este caso grotesco de abuso de poder tenha como pretexto averiguar irregularidades na execução do projeto Memorial da Anistia do Brasil, que tem, como uma de suas finalidades, justamente preservar, em benefício das gerações atuais e futuras, a lembrança de um período lamentável da nossa história.

Na ditadura, é bom lembrar, o arbítrio e o abuso de autoridade eram, também, práticas correntes e justificadas com argumentos estapafúrdios. As Universidades Federais conclamam o Congresso Nacional a produzir, com rapidez, uma lei que coíba e penalize o abuso de autoridade. E exigem que os titulares do Conselho Nacional de Justiça, da Procuradoria Geral da República, do Ministério da Justiça e do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria da União intimem seus subordinados a balizarem as suas atividades pelos preceitos constitucionais, especialmente quanto ao respeito aos direitos individuais e às instituições da República.

A sociedade não pode ficar sob ameaça de centuriões. A Andifes, as reitoras e os reitores das Universidades Federais solidarizam-se com a comunidade da Universidade Federal de Minas Gerais, com seus gestores, ex-reitores e com seus servidores, ao mesmo tempo em que conclamam toda a sociedade a reagir às violências repetidamente praticadas por órgãos e indivíduos que têm por obrigação respeitar a lei e o Estado Democrático de Direito. As Universidades Federais, reiteramos, são patrimônio da sociedade brasileira e não cessarão a sua luta contra o obscurantismo no Brasil.

Brasília, 06 de dezembro de 2017.

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Nota da Universidade Federal de Minas Gerais sobre investigação da PF

06/12/2017 17:02

“Na manhã desta quarta-feira, 6 de dezembro, membros da comunidade universitária foram levados para prestar depoimento na sede da Polícia Federal, em Belo Horizonte, em inquérito policial.

Por se tratar de apuração que tramita em sigilo, a Universidade não pode se manifestar sobre os fatos que motivam a investigação em curso.

Entretanto, dada a transparência com que lida com as questões de natureza institucional, a UFMG torna público que contribuirá, como é sua tradição, para a correta, rápida e efetiva apuração do caso específico.”

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Jornal ‘O Estado de São Paulo’ publica reportagem especial sobre a UFSC e a operação da PF

04/12/2017 10:08

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou neste domingo, 3 de novembro, reportagem especial sobre os fatos que envolveram a prisão e a morte do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ocorrida no dia 2 de outubro. O repórter Luiz Maklouf Carvalho entrevistou, entre outros, o reitor pro-tempore Ubaldo Cesar Balthazar. Leia o texto na íntegra.

“Alguém devia ter caluniado Luiz Carlos Cancellier de Olivo, porque foi preso uma manhã, sem que houvesse feito alguma coisa de mal. O início de O Processo é lembrado pelo desembargador Lédio Andrade, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, ao comentar, ainda cheio de dor, o suicídio do reitor da Universidade Federal da Santa Catarina (UFSC), que completou dois meses neste sábado, 2. “Nem Kafka pensou que uma sucessão de arbitrariedades pudesse levar a algo tão brutal”, disse Andrade, também professor da UFSC.
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Sociedade Brasileira de Física manifesta posição sobre prisões e investigação na UFSC

29/09/2017 09:26

Manifestação do Conselho da SBF

O Conselho da Sociedade Brasileira de Física vem manifestar sua grande preocupação com os fatos ocorridos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), relacionados à investigação de desvios de verbas dos cursos de Educação a Distância (EaD), oferecidos pelo programa Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Em particular, é preocupante a ação desproporcional da Polícia Federal em 15/09/2017, resultando na intimação coercitiva de professores e funcionários e na prisão temporária de algumas pessoas, entre elas o Reitor (docente do departamento de Direito) e o Coordenador do Programa da UAB (docente do departamento de Física).
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Vice-reitora assume administração da UFSC e se reúne em coletiva de imprensa nesta segunda

18/09/2017 11:30

Coletiva de imprensa. Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

“Faço questão de destacar que o episódio que culminou com a operação da Polícia Federal está concentrado em cursos, dentro de um programa que contempla outros cursos. Nossa convicção é de que todos os detalhes das eventuais irregularidades que vierem a ser confirmadas, terão o desfecho que todos exigimos: a devida apuração e a necessária responsabilização”. O pronunciamento foi feito pela reitora em exercício da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alacoque Lorenzini Erdmann, na coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 18 de setembro, na Sala dos Conselhos.

O encontro com os jornalistas objetivou apresentar algumas questões relativas ao retorno da vice-reitora do compromisso internacional e o início, a partir desta segunda-feira, de seu exercício na Reitoria da UFSC, devido ao impedimento do professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo.
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Revogada prisão temporária do reitor Luiz Carlos Cancellier e demais presos na Operação da Polícia Federal

15/09/2017 19:43

A juíza Federal Substituta na 6ª Vara Federal de Florianópolis, Marjôrie Cristina Freiberger, emitiu às 19 horas desta sexta-feira, 15 de setembro, um Despacho/Decisão em que revoga a prisão dos sete investigados na Operação da Polícia Federal.

Em seu despacho a Juíza determina a expedição do Alvará de Soltura e que se comunique com urgência à Delegada da Polícia Federal e ao Diretor do Presídio a que foram encaminhados os investigados. Em todos os casos fica mantida a decisão anterior pelo afastamento das funções públicas.

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Reitor em exercício e Chefe de Gabinete manifestam posição da UFSC sobre operação da Polícia Federal

14/09/2017 10:45

Sobre a ação da Polícia Federal na UFSC, executada nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 14 de setembro, o chefe de Gabinete, Aureo Mafra Moraes, concedeu entrevista por volta das 10h, na Sala dos Conselhos, aos veículos de comunicação da instituição – Agência de Comunicação (Agecom) e TV UFSC – e também aos do curso de Jornalismo.

Aureo inciou sua fala com a constatação de que “em 57 anos de existência da UFSC, nunca teve situação como essa”. Explicou que “o que se procurou fazer logo no início da manhã foi obter algumas informações de modo a orientar uma decisão”. O secretário de Segurança Institucional, Leandro Luiz Oliveira, e sua equipe, acompanhou a diligência da Polícia Federal, desde cedo, em todos os prédios e instalações para os quais tinham mandados de busca. Afirmou que todas as ações demandadas pela PF foram atendidas sem dificuldades.

Com relação à situação do reitor Luiz Carlos Cancellier, em particular, o secretário de Aperfeiçoamento Institucional, Luiz Henrique Urquhart Cademartori, falou rapidamente com ele, por telefone, por volta das 8h30, e se dirigiu à PF para acompanhá-lo.

A UFSC não possui, até o momento, nenhum tipo de informação sobre o status da condução do reitor. Em função da vice-reitora, Alacoque Lorenzini Erdmann, estar em viagem ao México, em missão oficial – com  previsão de retorno neste final de semana – o decano dos pró-reitores, Rogério Cid Bastos, assumiu a Reitoria da UFSC, de modo a restabelecer a normalidade e o funcionamento da instituição.

O chefe de Gabinete enfatiza que “foi uma enorme surpresa para todos a ação ter culminado com a condução do reitor; não temos informações oficiais das outras pessoas detidas, presas ou conduzidas e ao longo do processo de apuração, que sempre esteve a cargo da Corregedoria-Geral. No que a Administração Central da UFSC foi demandada esclarecer, não há nenhuma restrição, impedimento ou prejuízo para que as apurações se deem da melhor forma possível no sentido das boas práticas de gestão”. E esta é por ora a situação na UFSC, que realizou uma reunião mais cedo, com a equipe do colegiado – assessores, pró-reitores e secretários – para os encaminhamentos necessários que a situação exige.

Rogério Cid Bastos, reitor em exercício da UFSC, afirmou durante a coletiva na sede da PF em Santa Catarina, que a instituição “vai tornar este processo transparente e ser parceira dos órgãos de controle nas investigações e procurar esclarecer todos os fatos”. Ele ressaltou que “não é um fato agradável” e é uma “investigação em andamento, não um processo de culpa formada”.

Outro ponto destacado por Bastos foi que a operação não vai impactar nas decisões da universidade. “A UFSC continua viva, é um único projeto que está sob investigação. A gestão do professor Cancellier não tem nada a esconder”.

Confira a entrevista:

 

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Nota da Administração sobre o Hospital Universitário

11/06/2015 15:09

O Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) completou, em maio de 2015, 35 anos de compromisso com a sociedade catarinense. É uma instituição reconhecida, um hospital público, um hospital-escola. Sua trajetória é de trabalho, esforço e dedicação por parte de seus funcionários e gestores. Além disso, é reconhecido o comprometimento de docentes, estudantes e técnicos-administrativos de diversos departamentos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e de outros centros de ensino da UFSC envolvidos com o Hospital por meio de estágios, projetos de extensão e de pesquisa.

A suspeita de atuação irregular de 27 dos 275 médicos do Hospital – menos de 10% do seu quadro funcional – não pode servir de argumento para desconstruir esta trajetória de referência, iniciada em 1980. A Administração Central da UFSC, ciente de suas responsabilidades e do compromisso institucional do HU, compromete-se com a apuração rigorosa das denúncias apresentadas pela Polícia Federal (PF), na operação “Onipresença”, seguindo o que determina a legislação em vigor, com direito à ampla defesa e ao contraditório de todos os denunciados, conforme preceitua a Constituição Federal.

Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis, 11 de junho de 2015

 

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Nota de esclarecimento sobre Operação Ponto Final

15/04/2015 12:56

A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina, em virtude das notícias veiculadas pela imprensa sobre a Operação Ponto Final, da Polícia Federal, vem a público esclarecer que:

  1. de acordo com levantamento realizado pelo Departamento de Licitações da Pró-Reitoria de Administração, as empresas indiciadas no inquérito aberto pela Polícia Federal não firmaram qualquer contrato com a UFSC ou participaram de licitações na instituição;
  2. não houve a emissão de nenhum mandado de prisão contra servidores da UFSC, apenas mandados judiciais para a oitiva de dois técnicos da instituição;
  3. os servidores já compareceram à Polícia Federal para prestar esclarecimentos, uma vez que, como parte de suas funções rotineiras, efetivamente solicitaram orçamentos às empresas indiciadas a fim de instruir processos licitatórios de serviços de manutenção. Vale ressaltar que, para a instrução desses processos (tanto os novos como aqueles já em vigor, antes da renovação), de acordo com a Lei de Licitações (Lei nº 8.666/93) e jurisprudência do Tribunal de Contas da União, são necessários três orçamentos de empresas distintas a fim de se compor a estimativa das despesas a serem realizadas (para conferir se os preços estão de acordo com o mercado). Os pedidos de orçamento fazem parte da rotina dos técnicos, não havendo aí, a priori, nenhuma irregularidade;
  4. os servidores encontram-se à disposição, tanto da Polícia quanto da comunidade, para esclarecer quaisquer dúvidas sobre a lisura de sua atuação;
  5. a UFSC preza pela transparência de todos os seus processos licitatórios, tanto que, desde maio de 2014, em uma iniciativa inédita, o Departamento de Licitações promove a transmissão em tempo real de seus processos licitatórios (modalidade presencial) à comunidade.

Continuamos, como sempre, à disposição das autoridades competentes para auxiliar os processos investigatórios.

Florianópolis, 15 de abril de 2015.

Administração Central

Universidade Federal de Santa Catarina

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Núcleo de Desenvolvimento Infantil emite nota em repúdio à violência policial na UFSC

02/04/2014 17:58

Famílias e profissionais ligados ao Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da UFSC publicaram nesta quarta-feira, 2 de abril, uma nota de repúdio à violência da ação policial ocorrida na semana passada na Universidade. A nota explica em linhas gerais como a comunidade do NDI testemunhou a ação. O gás lacrimogêneo foi sentido nos pátios e até na sala dos bebês, mesmo com as janelas fechadas.

Na tarde de 25 de março, havia 111 crianças no NDI. A diretora, Marilene Raupp, conta que ficou sabendo da operação por acaso, quando telefonou para o diretor da Diretoria de Segurança da UFSC (Deseg), Leandro Luiz de Oliveira, para tratar da instalação de câmeras de vigilância. Era por volta de 15h. Leandro afirmou que estava acompanhando uma situação tensa no bosque. Foi quando Marilene olhou pela janela e já viu as luzes dos carros policiais estacionados na proximidade. Ao mesmo tempo começava a operação para encaminhar rapidamente todas as crianças que estavam no pátio em direção às salas de aula.

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Estudante foi vítima de estilhaços de bomba durante confronto com polícia

28/03/2014 11:08

A estudante de Jornalismo Luara Wandelli Loth, de 20 anos, foi uma das vítimas mais graves no ataque da polícia aos estudantes, professores e técnico-administrativos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na terça-feira, 25 de março. O conflito teve início a partir da ação da Polícia Federal que, com alegação de combater o tráfico de drogas, envolveu o uso da polícia militar e tropa de choque, culminou na prisão de cinco pessoas na apreensão de uma pequena quantidade de maconha.

Junto com cerca de 200 pessoas, Luara estava no bosque do Centro de Filosofia e Ciências Humanas para protestar contra a ação policial. Assim que as negociações começaram a fugir do controle, começou o ataque com pedras, paus, balas de borracha, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogênio vencidas há mais de um ano, que se descobriu depois nos restos encontrados.

Uma bomba de efeito moral explodiu ao lado do seu pé. Os estilhaços perfuraram sua calça e fizeram cortes profundos. Luara levou quatro pontos na perna direita e muitos outros cortes na parte inferior da perna. No meio da tentativa de repouso, ela concedeu esta entrevista, onde conta como se envolveu no episódio e o que espera daqui para frente.
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Estudante foi vítima de estilhaços de bomba durante confronto com polícia

26/03/2014 22:05

A estudante de Jornalismo Luara Wandelli Loth, de 20 anos, foi uma das vítimas mais graves no ataque da polícia aos estudantes, professores e técnico-administrativos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na terça-feira, 25 de março. O conflito teve início a partir da ação da Polícia Federal que, com alegação de combater o tráfico de drogas, envolveu o uso da polícia militar e tropa de choque, culminou na prisão de cinco pessoas e na apreensão de uma pequena quantidade de maconha.

Junto com cerca de 200 pessoas, Luara estava no bosque do Centro de Filosofia e Ciências Humanas para protestar contra a ação policial. Assim que as negociações começaram a fugir do controle, começou o ataque com pedras, paus, balas de borracha, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogênio vencidas há mais de um ano, que se descobriu depois nos restos encontrados.

Uma bomba de efeito moral explodiu ao lado do seu pé. Os estilhaços perfuraram sua calça e fizeram cortes profundos. Luara levou quatro pontos na perna direita e muitos outros cortes na parte inferior da perna. No meio da tentativa de repouso, ela concedeu esta entrevista, onde conta como se envolveu no episódio e o que espera daqui para frente.

Como foi que aconteceu?

Luara Wandelli Loth – Eu estava saindo do curso de inglês, na rua na frente do Centro de Ciências da Educação (CED) e ia para o centro apresentar uma peça de teatro. Foi quando me contaram que havia muitas pessoas no bosque do CFH, pois estudantes estavam sendo presos por policiais à paisana e que a PM estava no bosque, o que é uma ação que vai contra a autonomia da UFSC. Claro que a gente se solidariza com isso. Meu objetivo era ficar pouco tempo e ajudar a negociar uma saída coletiva. Fiquei por lá cerca de 1h30min, e a negociação não ia para frente. Eu sabia que a choque (Tropa de Choque da PM) estava por ali, mas não sabia que ela ia atacar tão rápido. Começamos a dar as mãos em torno do carro do Departamento de Segurança da UFSC, na parte de trás do carro. Em seguida começou a vir o gás. Depois eles levaram os quatro meninos, que foram detidos sob acusação de desacato à autoridade. A multidão começou a correr e se dispersou. Agachei para me proteger do gás, junto com outro rapaz. Não tinha nada para me proteger. Me levantei e vi que a maioria das pessoas tinham corrido do local. Vinham tiros de todas as direções, as pessoas estavam sendo espancadas, mesmo já caídas. Depois, a bomba estourou bem ao lado do meu sapato. Na hora senti o estilhaços atingirem a minha perna e vi sangue saindo pelo furo da calça.

Você sentiu dor na hora?

LWL – Não, na hora não senti dor, só vi que estava sangrando e a calça estava rasgada. Fiquei em dúvida se corria ou ficava parada. Mas vi que a polícia estava batendo em qualquer um, até em pessoas machucadas e caídas, então resolvi que mesmo ferida eu tinha que sair dali. Naquela hora, parecia que qualquer coisa poderia acontecer. Me passou pela cabeça até que alguém poderia morrer.

Como você foi socorrida?

LWL – Encontrei um amigo de infância que, junto com outros meninos, me carregaram no colo até a frente do Restaurante Universitário (RU). Em seguida, começou a chegar ali um monte de pessoas feridas e assustadas, chorando muito. Meu amigo pegou o carro e me levou para o Hospital Universitário, mas lá não fui atendida, pois, segundo a recepcionista, eles não podem atender feridos sem a presença do cirurgião, nem olharam meu ferimento. Havia outra estudante na frente do HU procurando uma amiga que, segundo ela, teria ferido o aparelho auditivo. Fui então para a Unimed Trindade, onde fui atendida. Levei quatro pontos na perna direita. Na mesma noite, fui à delegacia fazer o boletim de ocorrência. Encontrei cerca de 18 pessoas fazendo o BO. A única com estilhaço de bomba era eu. A maioria era por hematoma, por ter levado um tiro de borracha muito perto. Hoje de manhã fui ao Instituto Geral de Perícia fazer o exame de corpo de delito.

Foto tirada durante o primeiro atendimento médico a Luara. Foto: Raquel Wandelli

Como você esta se sentindo? Está precisando tomar medicamento?

LWL – Estou sentindo um pouco de dor. Hoje voltei para a Unimed, pois eles não haviam receitado medicamento. Estou tomando antiinflamatório e antibiótico, pois a médica acredita que a ferida pode infeccionar. Tive que tomar vacina antitetânica e tenho atestado para quatro dias.

Como você avalia essa ação dos estudantes, dos policiais e da própria administração da UFSC?

LWL – Não tivemos outra escolha a não ser resistir. Eu não me via virando as costas, sabendo que meus amigos e companheiros estavam apanhando da tropa de choque. Quanto à polícia, foi uma ação errada desde o princípio. Começaram a vir policiais de todo o tipo e eles não estavam ali para negociar, era uma chantagem, pois nos ameaçavam com a possibilidade do confronto desigual com o Choque da PM. Percebemos que não era algo que podia ser resolvido em outro momento, pois isso era abrir um precedente, um caminho para que a presença da polícia se torne uma coisa normal dentro do Campus. Minha avaliação é que esta ação é uma tentativa para que a PM esteja aqui para reprimir os estudantes. O CFH não foi escolhido à toa. É o centro onde se articulam vários movimentos sociais, como o contrário ao Plano Diretor, as manifestações pela redução das tarifas de ônibus. E agora tem a Copa chegando e se esperam muitas manifestações por parte da comunidade universitária. O CFH é o local que resistiu às empresas-júnior e que resiste às políticas conservadoras dentro da universidade. Os estudantes estão envolvidos nessas lutas. Então, a PM no campus é um jeito de coibir nossa liberdade. Na minha opinião, a ação não tinha a ver com tráfico de droga. Foi mais uma intimidação. Outro ponto a ser debatido é o documento da reitoria que estabelece a parceria com a PM. Sou favorável e solidária à ocupação da reitoria e acredito que a gestão e os diretores não podem abrir brechas para a PM ou permitir este tipo de ação arbitrária, pois isso é de algum modo escancarar a porta.

O que você espera que todo esse ocorrido possa trazer para a universidade e para a sociedade?

LWL – Acho que a gente tem que tentar recolocar a pauta de segurança e drogas de forma mais ampla. A UFSC não é uma bolha, que pode ignorar a violência que é tão constante em nossa sociedade. A UFSC compartilha dos mesmos problemas da sociedade externa a ela. Neste debate temos que reafirmar por que a polícia não pode estar dentro do campus. Ela criminaliza os movimentos sociais e não está preparada para lidar com esta questão, seja aqui na universidade ou no resto das cidade, principalmente na periferia, onde, não raramente, pessoas são mortas.

Laura Tuyama / Jornalista da Agecom / UFSC

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Audiência pública reúne reitoria e comunidade universitária contra ato violento no campus

26/03/2014 22:01

Audiência pública reuniu a comunidade acadêmica para discutir as ações da polícia no campus da UFSC. (Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC)

Centenas de estudantes, técnicos-administrativos em Educação (TAEs) e professores reuniram-se em audiência pública na tarde desta quarta-feira, dia 26, para discutir as ações policiais no campus na última terça-feira. A reitora Roselane Neckel; o diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Paulo Pinheiro Machado; e o representante dos TAEs e do comando de greve, Dilton Mota Rufino compuseram a mesa e relataram os fatos.

Dezenas de estudantes e lideranças de movimentos sociais manifestaram-se por mais de duas horas. Após as falas dos estudantes, a reitora encaminhou ao movimento estudantil que ocupa o prédio da Reitoria um Termo de Compromisso delineando as ações planejadas para atender às reivindicações. Entre os pedidos, destacam-se um novo projeto de iluminação e segurança do campus, o afastamento e punição dos responsáveis pela operação policial e a proibição da presença da polícia no campus.

Após a audiência, os estudantes que ocupam o prédio da Reitoria, organizaram uma assembleia para discutir a proposta encaminhada pela Administração Central. Na noite de ontem, as reitoras publicaram uma nota de repúdio às ações da polícia no campus.

Confira, a seguir, a íntegra do documento encaminhado aos estudantes:

TERMO DE COMPROMISSO

A Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina, reafirmando nosso total repúdio à ação violenta e descabida  vivida  pela  UFSC,  compromete­-se  a  encaminhar  o  acordo  firmado  na Audiência Pública realizada em 26 de março de 2014 no Centro de Cultura e Eventos que consiste em:

1.  Encaminhar, em caráter de urgência, ao Ministério Público de Santa Catarina comunicação sobre as ocorrências na UFSC que feriram os direitos constitucionais da Universidade e de seus estudantes, e que diante dessa situação, solicitar que seja retirado o item referente às ações  policiais,  reafirmando  que  nenhuma  ação  policial  poderá  ser  feita  nos  campi  da UFSC sem autorização prévia e formal da autoridade máxima da instituição, condição que já constava no termo atual e foi desrespeitada;

2.  Tomar  as  medidas  administrativas  e  legais  cabíveis  para  apurar  as  responsabilidades  de todos os envolvidos na ação da Polícia Federal no Bosque do CFH;

3.  Encaminhar  ao Ministério da Educação, Ministério da Justiça e a Secretaria dos Direitos Humanos  relatório  circunstanciado  para  que  sejam  apurados  os  excessos  ocorridos  na UFSC;

4.  Estabelecer um calendário para discussão com a Comunidade e a definição de uma política de segurança na UFSC;

5.  Executar o anteprojeto de iluminação entregue hoje no final da Audiência;

6.  Defender os direitos constitucionais da UFSC e dos seus alunos;

7.  Resguardar e reafirmar a autonomia universitária.

 

PROF. ª ROSELANE NECKEL

Reitora

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Nota de repúdio

25/03/2014 23:35

No dia 25 de março de 2014, a comunidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi vítima de uma ação violenta e desnecessária – comandada por delegados da Polícia Federal (PF) –, que feriu profundamente a autonomia universitária, os direitos humanos e qualquer protocolo que regulamenta as relações entre as instituições neste país.

A partir do momento em que fomos informadas, por terceiros, sobre a ação da PF, suspendemos a reunião – que estava em andamento com o comando de greve local dos técnicos-administrativos em educação – e, imediatamente, telefonamos para o superintendente da Polícia Federal em exercício, Paulo Cassiano Junior, para solicitar esclarecimentos sobre a ação que estava sendo realizada. Lembramos ao delegado que, em todos os contatos com a Polícia Federal, sempre foi solicitado que quaisquer ações de repressão violenta ao tráfico de drogas fossem realizadas fora das áreas da Universidade, e que – em nenhum momento – fomos informadas sobre a realização do procedimento que ocasionou o tumulto.

Segundo relatos que nos foram feitos por telefone, a imagem era de terror: antes mesmo de quaisquer conflitos existirem, já estava presente um grande efetivo – a tropa de choque, com armas de bala de borracha e cachorros –, pronto para o conflito; foi isso que encontraram os que foram até o local, inclusive representantes da Reitoria. Tentamos, incansavelmente, negociar com o superintendente em exercício. A intransigência era clara e foi percebida por todos os presentes.

Foram agredidos muitos estudantes, técnicos-administrativos e professores. Estavam presentes vários membros da Administração da Universidade. A Direção do Centro de Filosofia e Ciências Humanas acompanhou todos os momentos. O Diretor do CFH, Paulo Pinheiro Machado, foi agredido. Estavam presentes também o Chefe de Gabinete da Reitoria, Carlos Vieira, o Procurador Chefe, Cesar Azambuja e outros Secretários e Diretores da Administração Central. Toda a comunidade e autoridades universitárias foram profundamente desrespeitadas.

Já havíamos destacado, em vários momentos, que agir dessa forma dentro do campus poderia colocar em risco a vida das pessoas. As crianças saiam do Núcleo de Desenvolvimento (NDI) e entraram em pânico no momento em que as bombas de gás começaram a ser lançadas. O cenário rememorava os períodos vividos nos mais violentos regimes de exceção.

Enquanto os relatos chegavam ao Gabinete, estávamos em constante contato com a Secretaria de Relações Institucionais, com o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos em Brasília, solicitando uma mediação desses órgãos para que não ocorresse um previsível desfecho violento.

Reafirmamos nosso total repúdio ao lamentável episódio vivido hoje pela Comunidade Universitária, reiterando que, em nenhum momento, solicitamos ou fomos previamente informadas dessa ação.

Para que tanta truculência, intransigência e obstinação em levar adiante uma situação que já se anunciava como tragédia, uma vez que outros caminhos mais lúcidos e racionais foram apresentados, os quais seriam dignos de uma autoridade de Estado?

Comprometemo-nos a tomar as medidas cabíveis para preservar a UFSC e defender todos os que foram vítimas desse ato de violência.

Florianópolis, 25 de março de 2014.

Roselane Neckel e Lúcia Helena Martins Pacheco

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PF investiga autoria de cartas anônimas distribuídas no Campus

20/04/2012 15:05

A Polícia Federal (PF) está investigando a procedência e autoria dos documentos apócrifos que circulam há meses no Campus denegrindo a imagem de dirigentes e lideranças da UFSC. A solicitação foi formalizada oficialmente pela Administração Central ao superintendente da PF – Região de SC, Ademar Stocker, representado (na reunião) pelo delegado Ildo Rosa, que já assumiu as investigações.

Segundo Ildo, o fato é “grave e preocupante, pois não se trata de uma questão meramente pessoal, mas ganha contornos institucionais”. Para ele, as cartas anônimas atingem diretamente a credibilidade e o conceito da UFSC. “A nossa missão também é a de preservar as instituições e o Serviço Público em geral”. A identificação e responsabilização dos autores serão prioridades da delegacia especializada para esses casos que recém-assumiu.

Ofício do reitor para a PF

Tags: Polícia federalUFSC

PF investiga autoria de cartas anônimas distribuídas no Campus

18/04/2012 10:42

A Polícia Federal (PF) vai investigar a procedência e autoria dos documentos apócrifos que circulam há meses no Campus denegrindo a imagem de dirigentes e lideranças da UFSC. A solicitação foi formalizada oficialmente pela Administração Central ao superintendente da PF – Região de SC, Ademar Stocker, representado (na reunião) pelo delegado Ildo Rosa, que já assumiu as investigações.

Segundo Ildo, o fato é “grave e preocupante, pois não se trata de uma questão meramente pessoal, mas ganha contornos institucionais”. Para ele, as cartas anônimas atingem diretamente a credibilidade e o conceito da UFSC. “A nossa missão também é a de preservar as instituições e o Serviço Público em geral”. A identificação e responsabilização dos autores serão prioridades da delegacia especializada para esses casos que recém-assumiu.

Ofício do reitor para a PF

Tags: cartasPolícia federalUFSC

PF investiga autoria de cartas anônimas distribuídas no Campus

16/04/2012 12:32

A Polícia Federal (PF) vai investigar a procedência e autoria dos documentos apócrifos que circulam há meses no Campus denegrindo a imagem de dirigentes e lideranças da UFSC. A solicitação foi formalizada oficialmente pela Administração Central ao superintendente da PF – Região de SC, Ademar Stocker, representado (na reunião) pelo delegado Ildo Rosa, que já assumiu as investigações.

Segundo Ildo, o fato é “grave e preocupante, pois não se trata de uma questão meramente pessoal, mas ganha contornos institucionais”. Para ele, as cartas anônimas atingem diretamente a credibilidade e o conceito da UFSC. “A nossa missão também é a de preservar as instituições e o Serviço Público em geral”. A identificação e responsabilização dos autores serão prioridades da delegacia especializada para esses casos que recém-assumiu.

Ofício enviado pelo reitor à PF

Tags: DocumentosPolícia federalUFSC