Coral invasor é localizado no entorno da Reserva Marinha Biológica do Arvoredo

17/02/2012 08:20

O coral-sol é uma espécie invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Foto de Otto Schubart Neto/ Divulgação Bertuol Escola de Mergulho

Uma equipe que inclui representantes da UFSC, UFRJ, UERJ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)  vai a campo quinta e sexta-feira (16 e 17/02) para documentar a extensão e as características de colônias de coral-sol  em área próxima à Reserva Marinha Biológica do Arvoredo, litoral de Santa Catarina.

A espécie exótica e invasora foi encontrada no início de janeiro, durante uma operação organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, localizada em Bombinhas. É a primeira vez que o coral-sol Tubastraea coccinea é observado em costão rochoso no Sul do Brasil. Em plataformas de petróleo já havia sido documentado.

“Foi durante uma operação de mergulho recreativo, na Ilha do Arvoredo, em uma profundidade de quatro metros”, conta a bióloga Cecília Pascelli, que se formou no Curso de Biologia da UFSC e agora faz seu mestrado na UFRJ, com estudos de campo na Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.

Ainda que o foco de suas pesquisas agora sejam as esponjas marinhas, Cecília já conhecia a beleza e a ameaça do coral invasor, que chamou sua atenção. Em uma saída de campo seguinte uma amostra foi removida e a identificação confirmada na UFSC, pela equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.

O grupo fez contato com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também com o Projeto Coral-Sol, criado em 2005 pela UERJ e pelo Instituto de Biodiversidade Marinha com a proposta de controlar o coral exótico invasor atuando em pesquisas, monitoramentos e remoção no litoral brasileiro.

A volta ao local de ocorrência em Santa Catarina esta semana tem como objetivo investigar a distribuição e as características das colônias, como estão instaladas, entre outras características. De acordo com o professor Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o mapeamento ajudará a equipe a definir que ação pode ser adotada com a espécie que já invadiu diversas áreas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. “O tamanho da colônia que recebemos para identificação nos indica que ela tem mais de um ano, portanto sobrevive no litoral de Santa Catarina tanto no inverno como no verão”, explica Lindner.

A equipe vai também aproveitar a ocorrência para divulgar informações sobre o coral-sol no Estado, especialmente entre operadoras de mergulho, para que a possibilidade de avistar o invasor seja multiplicada. “O mergulho recreativo é uma atividade, em minha opinião, de baixo impacto, e que pode ajudar no monitoramento dos ambientes. A grande ressalva é que no caso de encontrar o coral, as pessoas não devem coletar, pois partes fragmentadas podem levar à reprodução em outros locais. As pessoas devem somente comunicar o Projeto Coral-Sol”, alerta Lindner.

“A expedição dessa semana vai nos mostrar se é viável fazer a remoção, pois há pesquisas que indicam situações em que a localização de uma espécie considerada exótica e invasora já não permite mais o seu controle, do ponto de vista de custo de remoção”, explica o professor que trabalha com a professora Bárbara Segal Ramos, também do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, para iniciar um projeto de monitoramento do coral-sol em Santa Catarina.

Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi observado na década de 1950 no Caribe. Em 1990 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do Rio de Janeiro, e depois a costões rochosos do Rio. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).

A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, que incluem esponjas e algas, entre outros organismos que vivem no substrato marinho.  Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.

Mais informações:
Professor Alberto Lindner (  / Fone: (48) 3721-4744)
Bióloga Cecília Pascelli ()

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

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Tags: biodiversidade marinhacoral-sol

UFSC coordena Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha

02/08/2011 17:32
Todos os núcleos têm laboratórios, embarcações, equipamentos de mergulho e coleta

Todos os núcleos têm laboratórios, embarcações, equipamentos de mergulho e coleta

O Brasil é um dos países que menos conhece e protege sua biodiversidade marinha. Isso não decorre da falta de pesquisadores qualificados na área, mas principalmente da desarticulação entre eles. Integrar mais de 25 projetos de pesquisa e extensão mediante a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha é uma das metas de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

A rede consolida esforços regionais iniciados há mais de uma década, permitindo que grupos de pesquisa atuem de forma harmônica e padronizada. Ela é constituída por três núcleos principais – no sul, sudeste e nordeste – e abarcará oito universidades, sejam federais ou estaduais. Todos os núcleos têm laboratórios, embarcações, equipamentos de mergulho e coleta, muitos deles comprados com recursos do edital Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), lançado pela Fundação em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao longo de três anos, devem ser aplicados os quase R$3 milhões – para ser exato, R$ 2.719.114,35 – a serem repassados pelo Sisbiota a quatro projetos coordenados por instituições catarinenses, entre eles a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, cuja principal executora é a UFSC. Até dezembro, será lançado o Portal Nacional da Biodiversidade Marinha, que vai divulgar os resultados de 25 projetos da rede. “O portal está sendo desenvolvido e contará com informações sobre o projeto, o seu andamento e muitas fotografias das expedições ao longo da costa brasileira e ilhas oceânicas”, diz o coordenador da rede, professor. Sergio R. Floeter, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC.

Remédios que vêm do mar

Outros objetivos da rede incluem conhecer o potencial farmacológico dos biomas marinhos do litoral sul e dar suporte científico a estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional. O Mar Territorial Brasileiro e a Zona Econômica Exclusiva do Brasil somam quase 4,5 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a mais da metade da superfície do país. O litoral concentra 70% da população e dá sustento a muitas famílias, porém a pesca excessiva e as mudanças climáticas ameaçam extinguir algumas espécies.

Ironicamente, o Brasil foi o primeiro a assinar a Convenção sobre Diversidade Biológica e formulou o Plano Nacional de Áreas Protegidas, para reduzir a taxa de perda de biodiversidade em áreas marinhas até 2012. A constituição da Rede Nacional em 2011 e os recursos do Sisbiota assegurados pelo CNPq e pela Fapesc até 2013 tornam esta missão mais possível.

A primeira parcela, de R$50 mil, viabilizou a primeira reunião de trabalho da rede, em maio, durante o III Congresso Brasileiro de Biologia Marinha, em Natal (RN). “Foi um sucesso. Teve mais de 25 participantes, entre professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação”, afirma o Prof. Floeter. Em agosto, a Fapesc deve liberar recursos para garantir a continuidade do projeto

Informações adicionais com o  professor Sergio R. Floeter, pelo e-mail .

Por Heloísa Dallanhol/ Jornalista na Fapesc

Tags: biodiversidade marinhaFapescredesisbiota