‘Acima de tudo hermanos’: UFSC agradece aos cubanos que atuaram no Programa Mais Médicos

04/12/2018 15:50

Reitor da UFSC destacou a amizade entre os povos. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

“Eu espero que vocês daqui levem somente as boas lembranças do nosso povo, o nosso carinho. Contem lá em Cuba que Florianópolis tem um povo agradecido, que deixou as portas abertas. Voltem quando quiserem. Somos, acima de tudo, hermanos da grande pátria latino-americana e temos muito a agradecer a vocês. Vamos ficar com o que restou de bom. Que continuem a trabalhar, seja aonde forem. Espero ainda que empreguem seus conhecimentos a quem precisa. Até breve!”. Com essas palavras, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Ubaldo Cesar Balthazar, agradeceu aos sete cubanos presentes ao Auditório da Pós-Graduação do Centro de Ciências da Saúde (CCS) no entardecer desta segunda, 3 de dezembro.

Na ocasião, foi realizado o Ato público em defesa do SUS e homenagem aos médicos cubanos que atuaram no Programa Mais Médicos. O evento deu-se com a formação de mesa para despedida dos médicos cubanos participantes do Programa Mais Médicos (PMM), que, desde 14 de novembro de 2018 não tem mais a nação caribenha entre seus participantes. Além do reitor da UFSC, estiveram presentes o secretário de Saúde de Florianópolis, que já foi vice-reitor da UFSC e diretor do Hospital Universitário, Carlos Alberto Justo da Silva; a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC, Marta Verdi; a representante do Departamento de Saúde Pública (SPB) da UFSC, Josimari Lacerda; a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Mariela Piriz Lao; e o representante da Associação Cultural Jose Martí, João Frederico Trott.
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Tags: Centro de Ciências da Saúde (CCS)CubaDepartamento de Saúde Pública (SPB)Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC)Programa Mais Médicos (PMM)reitor Ubaldo Cesar BalthazarUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Confraria Literária realiza encontro ‘Um novo olhar sobre Cuba’, dia 29

20/06/2018 17:31

A Confraria Literária do Colégio de Aplicação (CA) da UFSC realiza na tarde da última sexta do mês de junho, dia 29, um encontro para experimentar um olhar novo sobre Cuba. A partir dos relatos de Thereza Cristina Bertazzo, professora de Sociologia e de Hans Buss, estudante do 3º Ano do Ensino Médio, que recentemente fizeram sua primeira viagem ao arquipélago caribenho, o encontro terá ainda música, literatura e arte e será realizado no Laboratório de Linguagens, no CA, com início às 14h.
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‘Cuba e o protagonismo popular’ é tema de conferência no dia 14 de junho

06/06/2017 12:27

O Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, coordenado pela professora Beatriz Paiva, organiza, no dia 14 de junho, a conferência com a professora Olga Pérez Soto, da Universidad de La Habana, em Cuba. O tema da palestra será “Política social em Cuba: protagonismo popular no projeto antissistêmico”, buscando aprofundar o conhecimento sobre a política social na América Latina.

Olga Pérez Soto é professora titular da Faculdade de Economia da Universidade de Habana, Cuba, desde 2003. É doutora em Ciência Econômica com ênfase em Desenvolvimento pela Universidade de Barcelona, Espanha, mestra em Economia na Universidade de Carleton, Canadá, e licenciada em Economia Política pela Universidade de Habana, Cuba.

A atividade será no auditório do Centro Socioeconômico (CSE/UFSC), às 8h30.

Mais informações pelo e-mail

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Jornalismo em Cuba é tema de palestra nesta quarta-feira, dia 17

16/05/2017 08:27

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PosJor/UFSC), o Grupo de Investigação em Rádio, Fonografia e Áudio (Girafa) e a Rádio Ponto UFSC promovem palestra sobre o Jornalismo em Cuba, com o jornalista e professor cubano Pedro Martínez Pírez.

O evento será realizado nesta quarta-feira, dia 17, a partir das 15h, no Auditório Henrique Fontes, Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da UFSC, e contará com a mediação do professor Eduardo Meditsch. Também será possível acompanhar a transmissão ao vivo pela Rádio Ponto UFSC, no site www.radioponto.ufsc.br, e pela Rádio Udesc FM 100.1.

A realização do evento é uma parceria com o Departamento e o Curso de Jornalismo da UFSC, com apoio do Instituto de Estudos Latino-Americanos (Iela) e da Rádio Udesc FM.

Pedro Martínez Pírez é jornalista e subdiretor da Radio Habana Cuba, professor titular da Universidad de La Habana e diplomata cubano. Com mais de 50 anos de experiência no jornalismo, foi um dos fundadores da Revista Oclae, da Organização Continental Latino-americana e Caribenha de Estudantes, atuando também no jornal Juventud Rebelde, na emissora Televisión Cubana, na Radio Rebelde, na Agéncia Prensa Latina e colaborando com a Rádio Nações Unidas. Profissional reconhecido por sua vida e obra, já foi agraciado com diversos prêmios, entre os quais destacamos os Prêmios Nacionais de Jornalismo em Rádio e em Televisão, o Prêmio Nacional de Periodismo José Martí e o Prêmio por Excelência Profissional concedido pela Associação Nacional de Locutores do México.

 

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UFSC na mídia: professora mostra música contra preconceito inspirada por projeto de extensão

02/03/2016 16:11

O XII Congresso da Associação Internacional para o Estudo da Música Popular, Seção Latinoamericana, que será realizado em Havana, Cuba, na próxima semana, terá a presença de uma professora de música da rede municipal de ensino de Florianópolis. Letícia Gala está na ilha de Fidel Castro representando seus alunos do 6º ano da Escola Básica José Amaro Cordeiro, localizada no Morro das Pedras. Eles criaram uma canção que fala sobre o fim dos preconceitos, que foi apresentada posteriormente à comunidade. O trabalho ficou tão bom que a professora decidiu inscrevê-lo no congresso cubano. Para a alegria e orgulho da turma, o projeto foi selecionado.

O Amor é opção, preconceito fora. Ouça seu coração. E passe a aceitar agora. Pelo amor de Deus, ninguém é igual. Mas não importa quem, todo mundo é especial, diz a letra da música Dane-se a Fobia: preconceito fora. A letra foi escrita pela aluna Gabriela Ventura, a Gabi, de apenas 12 anos. Depois, a professora Letícia com o restante da turma produziu a melodia e o arranjo musical. Gabi toca diversos instrumentos, mas prefere o Xilofone e a flauta, além de escrever poesias e manter um blog.

A inspiração da letra, explica a menina, surgiu com o projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), intitulado Papo Sério, que realizou um encontro com os alunos na aula da professora Letícia. A proposta dessa ação é atuar em escolas públicas e levar profissionais para conversar com professores e alunos sobre temas que envolvam o universo jovem, como preconceito, sexualidade, bullying e diversidade de gênero, temas que Gabi usou para compor a sua canção.

Ao final do encontro, os estudantes deveriam desenvolver cartazes a respeito do que ouviram nas palestras, mas Gabi preferiu escrever uma letra de música. A turma aderiu à ideia, explorando instrumentos de percussão, trompete, flauta doce e escaleta, sob as orientações da professora Letícia. A apresentação no auditório da reitoria da UFSC para todos os participantes do Papo Sério, englobando estudantes e professores de outras unidades de ensino, foi um sucesso. O resultado do projeto foi tão gratificante que a professora decidiu inscrevê-lo neste congresso em Havana. Uma pena que os alunos não possam estar lá também, mas com certeza Gabi e seus colegas estarão muito bem representados.

Texto de Viviane Bevilacqua.

Publicado no Diário Catarinense.

Tags: Congresso da Associação Internacional para o Estudo da Música PopularCubaHavanaPapo SérioUFSC

Minicurso ‘Os arquivos notariais em Cuba’ ocorre nesta quarta e quinta

24/11/2015 12:05

O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Laboratório de História Social do Trabalho e da Cultura promovem, nesta quarta e quinta-feira, 25 e 26 de novembro, o minicurso “Os arquivos notariais em Cuba: fontes para a história atlântica”. As ministrantes são as professoras cubanas Aisnara Perera Díaz e Maria de los Angeles Meriño Fuentes, vinculadas ao Instituto de Investigaciones Culturales Juan Marinello, de Cuba.

O minicurso será das 14h30 às 18h, no auditório Elke Hering da Biblioteca Universitária (BU). Haverá emissão de certificado de 7 horas para os participantes com 75% de frequência. As inscrições devem ser feitas no formulário.

Programação

 25/11 – Quarta-feira

14h30 às 18h

Panorama sobre escrivães e cartórios, tipologias e especificidadesQuem eram os notários, de que maneira criavam e administravam o arquivo notarial e onde eram localizados os cartórios em Havana. Os tipos de cartórios (oficios reales, de cabildo, de marina, de guerra etc.) e a clientela que acessava cada um, assim como os tipos de escrituras que o pesquisador de hoje encontra nesses cartórios.

 26/11 – Quinta-feira

14h30 às 18h

Escrituras notariais vinculadas à história da escravidão e do comércio de escravosTipos de registros notariais para historiar a escravidão e o comércio de escravos, desde as conhecidas escrituras de compra e venda de escravos, até contratos de marinheiros para ir à costa da África, protestos para registrar incidentes de navegação e seguros marítimos. Explanação com uso de documentos.

Mais informações: (48) 3721 8611 || (48)  9919 6065

Tags: arquivos notariaisCubahistóriaLaboratório de História Social do Trabalho e da CulturaminicursoPrograma de Pós-Graduação em HistóriaUFSC

Cuba é destaque nas Jornadas Bolivarianas que começam dia 04 de abril

01/04/2011 15:57
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O vice-ministro da cultura de Cuba é o conferencista que faz a abertura das Jornadas Bolivarianas, neste dia 04 de abril, às 18h30min, no Auditório da Reitoria. Considerando os 500 anos de dominação e o quase completo colonialismo mental que toma conta das cabeças pensantes na América Latina, ouvir a experiência cubana será muito importante no marco do debate do imperialismo cultural. Depois da revolução de 1959, a ilha do Caribe decidiu investir fortemente no processo de socialização da cultura, possibilitando aos cubanos a expressão de todas as artes.

Com isso, abriu espaço para a criação de um pensamento próprio, coisa bastante rara na América Latina. A feira do Livro de Havana já é um evento mundial, e permite o encontro com escritores de todas as partes do mundo, além de livros extremamente baratos. A música cubana também é reconhecida mundo afora, a arte plástica, o muralismo, o cinema, a literatura, enfim, um modo de ser que sai do modelo colonial e consegue criar uma linguagem bastante singular, típica de Cuba.

Essa experiência de mais de 50 anos de construção de uma cultura local, mas nem por isso menos universal, é o que se poderá ouvir na conferência de Fernando Rojas, vice ministro da Cultura.

Também estarão nas jornadas o escritor da Costa Rica, Rafael Molina, a socióloga aymara, Silva Cusicanqui, o criador da Telesur, Aram Aharonian e o cineasta brasileiro Sérgio Santeiro.

Leia mais sobre as Jornadas Bolivarianas:

Imperialismo e Cultura na América Latina em debate nas Jornadas Bolivarianas
Programação: http://jornadasbolivarianas.blogspot.com

Por Elaine Tavares/ Jornalista Iela

Tags: CubaIELAJornadas Bolivarianas

Palestra: “50 anos da revolução cubana”

14/03/2011 17:02

Quem se surpreendeu com o efeito revolução cubana no carnaval na ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, tem mais uma oportunidade de ampliar seu conhecimento sobre a história de Cuba.  No dia 24 de março, quinta-feira, às 18h30, no Auditório do Centro de Educação (CED/UFSC), a professora Claudia Wasserman, da Universidade Federal  do Rio Grande do Sul, dá uma conferência sobre o tema “50 anos da revolução cubana”. A historiadora é autora do livro “A revolução cubana: 50 anos de imprensa e história no Brasil”, que vai estar à venda durante sua palestra na UFSC. Na obra, ela traça um panorama de como repercutiram no Brasil os acontecimentos revolucionários em Cuba e analisa  impressões sobre a revolução cubana que a mídia imprimiu no imaginário popular dos brasileiros ao longo dos anos.

A conferência com Claudia Wasserman é organizada pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em História e o Núcleo de Estudos de História da América Latina (Nehal). Às 14 horas do mesmo dia, na sala 10 do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), a historiadora participa da banca de mestrado de Elvis Poletto sobre “Conceito de nação em Mariátegui”, orientada por Waldir Rampinelli, professor do Departamento de História e também presidente do IELA. Doutora  em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com a tese “A questão nacional na América Latina no começo do século XX: Brasil, Argentina e México”, Claudia Wasserman também publicou “História Contemporânea da América Latina (1900-1930)”; “História da América Latina: do descobrimento a 1900”; “Palavra de Presidente”; e “Ditaduras Militares na América Latina”.

História de lutas

O professor Waldir Rampinelli, que vai mediar o debate com Claudia Wasserman, lembra um aspecto importante, mas pouco analisado quando se aborda a história de Cuba: o fato de a revolução cubana não se tratar de um evento, mas de um  processo histórico de longa duração. O que isso quer dizer? “Que a  revolução cubana não começou  na luta contra o ditador Fulgencio Batista, nos anos 50, mas iniciou em 1868, ano em que se desencadeou na ilha a Guerra dos Dez Anos  contra o colonialismo espanhol,” responde Rampinelli.

O historiador lembra que o próprio Fidel Castro, preso e interrogado logo após o assalto ao quartel general de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953, respondeu que o autor intelectual daquela façanha havia sido José Martí, revolucionário cubano morto em 1895, em luta pela independência de sua Cuba. “Foi Martí um dos responsáveis pelo pensamento mais apurado não apenas contra o colonialismo espanhol, mas também contra o imperialismo estadunidense”, afirma Rampinelli. “O pensador revolucionário advertia de que de nada adiantaria livrar-se do jugo espanhol para cair nas garras do império estadunidense.”

É Martí também o criador do Partido Revolucionário Cubano, que depois vai ter influência sobre o Partido Comunista Cubano, quando a revolução vence, em 1959. Mas, antes de Martí, muitos contribuíram para a construção do processo revolucionário, lutando contra o colonialismo espanhol e o escravismo que afligiam o povo cubano. Entre eles, Rampinelli destaca Carlos Manuel  de Céspedes, um dos patriotas que inicia o combate anticolonial, entregando seus próprios bens à causa da independência, pela qual morre fuzilado;  Antonio Maceo, que também morre no campo de batalha; Ignácio Agramonte, outro líder do processo revolucionário a cair em combate contra os espanhóis;   Máximo Gómez, nascido em São Domingos, na República Dominicana, que chefiou o exército de libertação de Cuba na luta contra os espanhóis. O internacionalismo cubano, portanto, tem raízes que afundam nas lutas independentistas dos povos.

E tinha razão José Martí quando advertia sobre a ameaça representada pelo imperialismo estadunidense. Tanto que, após a vitória do exército popular cubano, em 1898, é aos Estados Unidos que a Espanha se rende, pois o vizinho imperialista interviera no conflito, por isso chamado de Guerra hispano-cubana-americana. O pretexto utilizado fora o de um suposto ataque contra um de seus navios de guerra, o Maine, ancorado na ilha. Após a rendição dos espanhóis, os EUA mantêm a ocupação militar, permitindo a independência formal apenas em 1902, depois de persuadir o parlamento cubano a aprovar a Emenda Platt, que lhe outorgava o direito de intervir em Cuba, mantida na condição de “protetorado” estadunidense.

Não se tratava de uma política nova, já que a intenção dos Estados Unidos de dominar e até anexar Cuba fora defendida como uma política de estado por vários de seus presidentes. É, portanto, nesse contexto histórico de usurpação da soberania do povo cubano que são forjados instrumentos “legais” de dominação política, militar e econômica, impondo a Cuba a condição de nova colônia. No início do século 20, a já citada  Emenda Platt (de 1901)  outorga aos EUA o poder de intervir  em Cuba sempre que haja ameaça à ordem institucional no país, além do “direito” de instalar bases militares em território cubano, a exemplo de Guantánamo. Outra medida de perfil colonial é o Tratado de Reciprocidade Comercial, de 1903, que dá aos EUA o controle do monopólio do açúcar e das alfândegas, praticamente abrindo o mercado cubano aos produtos norte-americanos, sem qualquer concorrência.

Revolução de raiz

Nesse período de nova colonização, no entanto, a luta pela independência prossegue. Nos anos 20, ressalta Rampinelli, é importante o papel de Julio Antonio Mella, fundador do Partido Comunista e da Liga Antiimperialista, líder do movimento estudantil e revolucionário nas lutas das organizações operárias e estudantis contra o imperialismo estadunidense e o ditador Gerardo Machado.  Para organizar a resistência, Mella parte para o México, onde é assassinado, em 1929, pela polícia secreta da ditadura.

Mella, portanto, já  apontara o caminho, depois  seguido por Fidel Castro, nos anos 50, quando traça, no México, onde se refugiara, o caminho da revolução. Daí o acerto de se aplicar o conceito de revolução de longa duração quando se analisa o processo cubano. “As condições históricas de luta pelo nacional, contra o colonialismo e o imperialismo já estavam dadas, sem retirar o mérito estratégico de Fidel Castro,” comenta Rampinelli. “A revolução está na alma, na vida de todo um povo. Se fosse um evento sem raiz, não teria consequências.”

É por esse espírito revolucionário, entranhado na própria história, que os cubanos não cederam às pressões e ao bloqueio brutal imposto a Cuba pelo governo dos Estados Unidos. Em 1992, como explica Rampinelli no artigo “Cuba – 50 anos de revolução”, o Congresso dos Estados Unidos promulga a Lei Torricelli, a qual estabelece duas sanções principais. A primeira é a de proibir o comércio com Cuba de filiais de companhias estadunidenses estabelecidas em outros países. A segunda, impede barcos que entram em portos cubanos com propósitos comerciais de tocar portos estadunidenses, ou suas possessões, durante 180 dias a partir da data de partida da Ilha. Outra legislação de exceção, aprovada pelo congresso estadunidense, é a Lei Helms-Burton, que viola leis internacionais e direitos humanos, outorgando aos  EUA o direito de  impor  sua ordem jurídica a países terceiros. Tal mecanismo estabelece um bloqueio feroz, restringindo o direito ao livre comércio com Cuba.

Rampinelli também aborda, no artigo, aspectos da crise migratória, a parte mais visível dos conflitos entre Havana e Washington. Ele explica: a Lei de Ajuste Cubano, adotada pelo Congresso dos Estados Unidos, em 2 de novembro de 1966, quando era presidente Lyndon B. Johnson, modificou o estatuto dos imigrantes cubanos, qualificando-os de “refugiados políticos”, com direito automático de asilo político e, ao mesmo tempo, com a permissão de residência permanente nos Estados Unidos, estimulando deste modo a emigrarem ilegalmente. Dessa forma, o cubano imigrante ilegal que conseguir pôr os pés (pés secos) em território estadunidense é automaticamente acolhido pela Lei de Ajuste, enquanto o interceptado no mar (pés molhados) pode ser devolvido a Cuba.

Isso tudo acontece a despeito de um acordo assinado entre os dois países que permite a entrada de 20 mil cubanos por ano nos Estados Unidos, pelas vias legais. “Na realidade, o que Washington estimula e incentiva é o roubo de aeronaves e de barcos – os quais não são devolvidos – com fuga espetacular que possa ser manchete nos jornais do mundo,” comenta o historiador.

Os que querem derrotar a revolução cubana, não entendem, adverte Rampinelli, que um processo revolucionário de longa duração não é desmantelado facilmente. Quem pode derrotar esta revolução, afirma, “são apenas os próprios cubanos”. No artigo mencionado, o historiador escreve:

“Uma revolução não subsistiria sem o apoio maciço de sua população. A estratégia de resistência consiste na guerra de todo um povo contra o invasor. Para defender seu processo revolucionário, as pessoas devem sentir no seu cotidiano as mudanças havidas na educação, na saúde, no emprego, na moradia, no meio ambiente, no esporte e na projeção internacional de seu país. Estas conquistas não apenas tornam a vida melhor e mais feliz, como também despertam o patriotismo, ou seja, o orgulho de ser cubano em qualquer parte do mundo. Afinal Cuba é o único país do Terceiro Mundo que resolveu problemas fundamentais como o da fome. No setor educacional, não existe em Cuba um analfabeto funcional, tamanho é o investimento na escolaridade. Já na saúde, os índices se igualam aos dos países mais avançados do Mundo, como o Canadá e a Noruega.

Na economia, Cuba saiu da condição da monocultura do açúcar e hoje grande parte de sua produção é em biotecnologia. Basta ver os índices econômicos apresentados a cada ano pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Por isso, a Revolução Cubana pode se esgotar, e até ser destruída, por suas próprias forças internas. Porém, nunca por uma intervenção externa, já  que o povo aprendeu ao longo de cinco décadas a manejar uma cultura de resistência, a preservar suas conquistas sociais e a saber usar armas.”

Mais informações: 3721-9297, ramal 37 ou

Por Raquel Moisés / Jornalista

A revolução do povo cubano: muito mais que 50 anos

Por Raquel Moysés  – jornalista

Quem se surpreendeu com o efeito revolução cubana no carnaval na ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, tem mais uma oportunidade de ampliar seu conhecimento sobre a história de Cuba.  No dia 24 de março, quinta-feira, às 18h30min, no Auditório do Centro de Educação (CED/UFSC), a professora Claudia Wasserman, da Universidade Federal   do Rio Grande do Sul, dá uma conferência sobre o tema “50 anos da revolução cubana”. A historiadora é autora do livro “A revolução cubana: 50 anos de imprensa e história no Brasil”, que vai estar à venda durante sua palestra na UFSC. Na obra, ela traça um panorama de como repercutiram no Brasil os acontecimentos revolucionários em Cuba e analisa  impressões sobre a revolução cubana que a mídia imprimiu no imaginário popular dos brasileiros ao longo dos anos.

A conferência com Claudia Wasserman é organizada pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em História e o Núcleo de Estudos de História da América Latina (NEHAL). Às 14 horas do mesmo dia, na sala 10 do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), a historiadora participa da banca de mestrado de Elvis Poletto sobre “Conceito de nação em Mariátegui”, orientada por Waldir Rampinelli, professor do Departamento de História e também presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos. Doutora  em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com a tese “A questão nacional na América Latina no começo do século XX: Brasil, Argentina e México”, Claudia Wasserman também publicou “História Contemporânea da América Latina (1900-1930)”; “História da América Latina: do descobrimento a 1900”; “Palavra de Presidente”; e “Ditaduras Militares na América Latina”.

História de lutas

O professor Waldir Rampinelli, que vai mediar o debate com Claudia Wasserman, lembra um aspecto importante, mas pouco analisado quando se aborda a história de Cuba: o fato de a revolução cubana não se tratar de um evento, mas de um   processo histórico de longa duração. O que isso quer dizer? “Que a  revolução cubana não começou  na luta contra o ditador Fulgencio Batista, nos anos 50, mas iniciou em 1868, ano em que se desencadeou na ilha a Guerra dos Dez Anos  contra o colonialismo espanhol,” responde Rampinelli.

O historiador lembra que o próprio Fidel Castro, preso e interrogado logo após o assalto ao quartel general de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953, respondeu que o autor intelectual daquela façanha havia sido José Martí, revolucionário cubano morto em 1895, em luta pela independência de sua Cuba. “Foi Martí um dos responsáveis pelo pensamento mais apurado não apenas contra o colonialismo espanhol, mas também contra o imperialismo estadunidense”, afirma Rampinelli. “O pensador revolucionário advertia de que de nada adiantaria livrar-se do jugo espanhol para cair nas garras do império estadunidense.”

É Martí também o criador do Partido Revolucionário Cubano, que depois vai ter influência sobre o Partido Comunista Cubano, quando a revolução vence, em 1959. Mas, antes de Martí, muitos contribuíram para a construção do processo revolucionário, lutando contra o colonialismo espanhol e o escravismo que afligiam o povo cubano. Entre eles, Rampinelli destaca Carlos Manuel  de Céspedes, um dos patriotas que inicia o combate anticolonial, entregando seus próprios bens à causa da independência, pela qual morre fuzilado;  Antonio Maceo, que também morre no campo de batalha; Ignácio Agramonte, outro líder do processo revolucionário a cair em combate contra os espanhóis;   Máximo Gómez, nascido em São Domingos, na República Dominicana, que chefiou o exército de libertação de Cuba na luta contra os espanhóis. O internacionalismo cubano, portanto, tem raízes que afundam nas lutas independentistas dos povos.

E tinha razão José Martí quando advertia sobre a ameaça representada pelo imperialismo estadunidense. Tanto que, após a vitória do exército popular cubano, em 1898, é aos Estados Unidos que a Espanha se rende, pois o vizinho imperialista interviera no conflito, por isso chamado de Guerra hispano-cubana-americana. O pretexto utilizado fora o de um suposto ataque contra um de seus navios de guerra, o Maine, ancorado na ilha. Após a rendição dos espanhóis, os EUA mantêm a ocupação militar, permitindo a independência formal apenas em 1902, depois de persuadir o parlamento cubano a aprovar a Emenda Platt, que lhe outorgava o direito de intervir em Cuba, mantida na condição de “protetorado” estadunidense.

Não se tratava de uma política nova, já que a intenção dos Estados Unidos de dominar e até anexar Cuba fora defendida como uma política de estado por vários de seus presidentes. É, portanto, nesse contexto histórico de usurpação da soberania do povo cubano que são forjados instrumentos “legais” de dominação política, militar e econômica, impondo a Cuba a condição de nova colônia. No início do século 20, a já citada  Emenda Platt (de 1901)  outorga aos EUA o poder de intervir  em Cuba sempre que haja ameaça à ordem institucional no país, além do “direito” de instalar bases militares em território cubano, a exemplo de Guantánamo. Outra medida de perfil colonial é o Tratado de Reciprocidade Comercial, de 1903, que dá aos EUA o controle do monopólio do açúcar e das alfândegas, praticamente abrindo o mercado cubano aos produtos norte-americanos, sem qualquer concorrência.

Revolução de raiz

Nesse período de nova colonização, no entanto, a luta pela independência prossegue. Nos anos 20, ressalta Rampinelli, é importante o papel de Julio Antonio Mella, fundador do Partido Comunista e da Liga Antiimperialista, líder do movimento estudantil e revolucionário nas lutas das organizações operárias e estudantis contra o imperialismo estadunidense e o ditador Gerardo Machado.  Para organizar a resistência, Mella parte para o México, onde é assassinado, em 1929, pela polícia secreta da ditadura.

Mella, portanto, já  apontara o caminho, depois  seguido por Fidel Castro, nos anos 50, quando traça, no México, onde se refugiara, o caminho da revolução. Daí o acerto de se aplicar o conceito de revolução de longa duração quando se analisa o processo cubano. “As condições históricas de luta pelo nacional, contra o colonialismo e o imperialismo já estavam dadas, sem retirar o mérito estratégico de Fidel Castro,” comenta Rampinelli. “A revolução está na alma, na vida de todo um povo. Se fosse um evento sem raiz, não teria consequências.”

É por esse espírito revolucionário, entranhado na própria história, que os cubanos não cederam às pressões e ao bloqueio brutal imposto a Cuba pelo governo dos Estados Unidos. Em 1992, como explica Rampinelli no artigo “Cuba – 50 anos de revolução”, o Congresso dos Estados Unidos promulga a Lei Torricelli, a qual estabelece duas sanções principais. A primeira é a de proibir o comércio com Cuba de filiais de companhias estadunidenses estabelecidas em outros países. A segunda, impede barcos que entram em portos cubanos com propósitos comerciais de tocar portos estadunidenses, ou suas possessões, durante 180 dias a partir da data de partida da Ilha. Outra legislação de exceção, aprovado pelo congresso estadunidense, é a Lei Helms-Burton, que viola leis internacionais e direitos humanos, outorgando aos  EUA o direito de  impor  sua ordem jurídica a países terceiros. Tal mecanismo estabelece um bloqueio feroz, restringindo o direito ao livre comércio com Cuba.

Rampinelli também aborda, no artigo, aspectos da crise migratória, a parte mais visível dos conflitos entre Havana e Washington. Ele explica: a Lei de Ajuste Cubano, adotada pelo Congresso dos Estados Unidos, em 2 de novembro de 1966, quando era presidente Lyndon B. Johnson, modificou o estatuto dos imigrantes cubanos, qualificando-os de “refugiados políticos”, com direito automático de asilo político e, ao mesmo tempo, com a permissão de residência permanente nos Estados Unidos, estimulando deste modo a emigrarem ilegalmente. Dessa forma, o cubano imigrante ilegal que conseguir pôr os pés (pés secos) em território estadunidense é automaticamente acolhido pela Lei de Ajuste, enquanto o interceptado no mar (pés molhados) pode ser devolvido a Cuba.

Isso tudo acontece a despeito de um acordo assinado entre os dois países que permite a entrada de 20 mil cubanos por ano nos Estados Unidos, pelas vias legais. “Na realidade, o que Washington estimula e incentiva é o roubo de aeronaves e de barcos – os quais não são devolvidos – com fuga espetacular que possa ser manchete nos jornais do mundo,” comenta o historiador.

Os que querem derrotar a revolução cubana, não entendem, adverte Rampinelli, que um processo revolucionário de longa duração não é desmantelado facilmente. Quem pode derrotar esta revolução, afirma, “são apenas os próprios cubanos”. No artigo mencionado, o historiador escreve:

“Uma revolução não subsistiria sem o apoio maciço de sua população. A estratégia de resistência consiste na guerra de todo um povo contra o invasor. Para defender seu processo revolucionário, as pessoas devem sentir no seu cotidiano as mudanças havidas na educação, na saúde, no emprego, na moradia, no meio ambiente, no esporte e na projeção internacional de seu país. Estas conquistas não apenas tornam a vida melhor e mais feliz, como também despertam o patriotismo, ou seja, o orgulho de ser cubano em qualquer parte do mundo. Afinal Cuba é o único país do Terceiro Mundo que resolveu problemas fundamentais como o da fome. No setor educacional, não existe em Cuba um analfabeto funcional, tamanho é o investimento na escolaridade. Já na saúde, os índices se igualam aos dos países mais avançados do Mundo, como o Canadá e a Noruega.

Na economia, Cuba saiu da condição da monocultura do açúcar e hoje grande parte de sua produção é em biotecnologia. Basta ver os índices econômicos apresentados a cada ano pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Por isso, a Revolução Cubana pode se esgotar, e até ser destruída, por suas próprias forças internas. Porém, nunca por uma intervenção externa, já  que o povo aprendeu ao longo de cinco décadas a manejar uma cultura de resistência, a preservar suas conquistas sociais e a saber usar armas.”

Tags: CubaIELApalestra

Universidade Internacional de Granma convida para o Cidel 2011

01/02/2011 14:38

SINTER informa: A Universidade Internacional de Granma, Cuba, convida a participar do I Workshop de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Local (Cidel 2011)  de 9 a 11 de Março de 2011, no Hotel Sierra Maestra, na cidade de Bayamo. Informações sobre o pacote para o evento :  ou 
Informações para o seminário de cooperação internacional com:  Sergio Rodríguez Rodríguez ( Universidad de Granma)   e Telfs: +53 23 48 -3554 e  + 53  2348 –  3276

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