‘Acima de tudo hermanos’: UFSC agradece aos cubanos que atuaram no Programa Mais Médicos

04/12/2018 15:50

Reitor da UFSC destacou a amizade entre os povos. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

“Eu espero que vocês daqui levem somente as boas lembranças do nosso povo, o nosso carinho. Contem lá em Cuba que Florianópolis tem um povo agradecido, que deixou as portas abertas. Voltem quando quiserem. Somos, acima de tudo, hermanos da grande pátria latino-americana e temos muito a agradecer a vocês. Vamos ficar com o que restou de bom. Que continuem a trabalhar, seja aonde forem. Espero ainda que empreguem seus conhecimentos a quem precisa. Até breve!”. Com essas palavras, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Ubaldo Cesar Balthazar, agradeceu aos sete cubanos presentes ao Auditório da Pós-Graduação do Centro de Ciências da Saúde (CCS) no entardecer desta segunda, 3 de dezembro.

Na ocasião, foi realizado o Ato público em defesa do SUS e homenagem aos médicos cubanos que atuaram no Programa Mais Médicos. O evento deu-se com a formação de mesa para despedida dos médicos cubanos participantes do Programa Mais Médicos (PMM), que, desde 14 de novembro de 2018 não tem mais a nação caribenha entre seus participantes. Além do reitor da UFSC, estiveram presentes o secretário de Saúde de Florianópolis, que já foi vice-reitor da UFSC e diretor do Hospital Universitário, Carlos Alberto Justo da Silva; a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC, Marta Verdi; a representante do Departamento de Saúde Pública (SPB) da UFSC, Josimari Lacerda; a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Mariela Piriz Lao; e o representante da Associação Cultural Jose Martí, João Frederico Trott.

Representantes da área de saúde agradecem profissionais cubanos

Auditório cheio para ato em homenagem aos médicos cubanos que atuaram no PMM. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

O ato antecedeu o evento de avaliação da atuação dos médicos cubanos na atenção primária em saúde no Brasil, promovida pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da UFSC e teve a participação de cada representante presente com uma breve fala sobre o tema. Carlos Alberto Justo da Silva apontou para a centralidade da saúde pública à cidadania. Segundo o secretário de Saúde de Florianópolis, no PMM os profissionais cubanos demonstraram elevada competência, com destacado comprometimento. Dentre os médicos que atenderam as áreas carentes do município, os cubanos foram os que tiverem menor rotatividade. Com isso, Paraná, como é conhecido o ex-reitor, acentuou que a mesa ali formada se constituía em “um ato histórico desta Universidade em defesa da saúde pública”.

Em tom semelhante, Marta Verdi, coordenadora do PPGSC, e Josimari Lacerda, representante do SPB, ressaltaram a importância dos médicos cubanos para o SUS nos últimos anos e para a formação de médicos na UFSC. Marta afirmou que: “O SUS é o nosso objeto de estudo e de trabalho na área de saúde coletiva. Por isso, sabendo da importância desses profissionais para o SUS nesses últimos anos, o que mais nos cabe dizer é: ‘muito obrigado'”.

Entidades externas resgatam breve histórico

O evento contou ainda com dois representantes de entidades externas à UFSC: Mariela Piriz Lao, representante da Opas, e João Frederico Trott, presidente da Associação Cultural Jose Martí. Mariela apontou que “Cuba tem como um de seus baluartes a colaboração médica, já tendo atuado em mais de 160 países. Apesar dessa histórica atuação, nunca uma colaboração teve proporções semelhantes ao Programa Mais Médicos. Esse foi o maior programa de colaboração em saúde da história. E o papel dos cubanos foi decisivo para o sucesso da empreitada”.

Bandeira cubana foi levada ao ato, em agradecimento. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Frederico, por seu turno, realizou um breve relato sobre a atuação da Associação Cultural Jose Martí na integração dos médicos que vinham a Santa Catarina. Como organização cultural, a integração com a cultura local e o processo de adaptação foi o que orientou a atuação dos integrantes da Jose Martí. Frederico apontou para os muitos obstáculos que os profissionais tiveram de superar em um país estrangeiro, como o idioma, o conhecimento do sistema de saúde brasileiro e alguns casos de preconceito que os cubanos sofreram, sendo mal-recebidos em alguns lugares.

Após iniciarem seu trabalho, entretanto, os médicos cubanos que atuaram no Mais Médicos relataram o sucesso da adaptação e da recepção da população. Segundo o presidente da Jose Martí, “hoje sabemos que nossa população terá para sempre gratidão aos cubanos que se dedicaram sem medir esforços”. Por fim, Frederico realizou a leitura de uma carta do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (ICAP). No texto, o Icap deu relevo ao êxito da maior colaboração em saúde da história e ao sucesso em levar atendimento básico em saúde a recantos do Brasil outrora desassistidos, finalizando que, apesar da saída de Cuba do Programa, “a solidariedade e amizade entre os povos, não pode ser rompida jamais!”.

No evento estiveram presentes também sete médicos cubanos que fizeram parte do PMM que, ao se apresentarem, foram saudados por quem compareceu ao auditório cheio. Ao fim da mesa seguinte, os profissionais cubanos presentes ao auditório foram agraciados com Menção Honrosa, entregue pelo reitor Ubaldo Balthazar. Em um ambiente de mútua gratidão, o ato concretizou seu objetivo de celebrar a amizade entre os povos, e o agradecimento expresso pelos profissionais da saúde da UFSC foi retribuído pelos médicos do país com mais integrantes no maior programa de colaboração em saúde da história.

Mais informações

Criado no segundo semestre de 2013, o Programa Mais Médicos foi concebido para enfrentar a falta de médicos, principalmente nas regiões mais carentes, e para aprimorar a Atenção Básica no Brasil. Em dois anos, o Programa já atendia cerca de 63 milhões de pessoas. Atualmente, o PMM conta com um total 18.240 vagas em 4.058 municípios de todo o país, cobrindo 73% das cidades brasileiras e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

 

 

Gabriel Martins/Agecom/UFSC