17ª Sepex: exposição de objetos e histórias do passado ajudam a entender o presente

18/10/2018 23:17

Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia (Leia/UFSC) leva a “caixa de escavação” para a 17ª Sepex. (Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC)

Uma pequena caixa de areia com alguns instrumentos –  como pincel, colher, pá, peneira – além de rochas e outros objetos chamavam a atenção de quem visitava o estande do Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia (Leia/UFSC) na Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSC (SEPEX). A “caixa de escavação” é uma réplica que tenta reproduzir o que seria uma escavação ao ar livre, com utensílios geralmente utilizados pelos pesquisadores na busca por objetos com valor histórico. “Com essa representação é possível ter uma ideia de como é o trabalho do arqueólogo, do que esse profissional faz na prática”, explica Felipe Terra, estudante da 8ª fase do curso de Geografia da UFSC, que é membro do Leia, bolsista do Museu de Arqueologia da UFSC (MArquE) e voluntário no programa PIBID.

(mais…)

Tags: arqueologiaLaboratório de Estudos Interdisciplinares em ArqueologialatimNEPINúcleo de Estudos de Populações IndígenasO Latim não morreupesquisa e extensãoSemana de EnsinosepexUFSC

NEPI publica nota por justiça pela morte de Marcondes Namblá

03/01/2018 18:49

“O Núcleo de Estudos de Povos Indígenas (NEPI) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem a público expressar o profundo pesar e a extrema necessidade de justiça frente ao assassinato cruel sofrido pelo professor indígena Laklãnõ-Xokleng, Marcondes Namblá. Marcondes foi morto enquanto fazia trabalho temporário em Penha-SC, vendendo picolé neste período de férias turísticas no litoral do estado. Foi espancado na cabeça até cair desacordado, foi resgatado pelos bombeiros, levado ao hospital, passou por três cirurgias e não resistiu.

Marcondes era egresso da UFSC, formado pelo Curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, fazia parte de uma geração que vislumbrou na Universidade um lugar para compreender melhor as dinâmicas políticas, econômicas e sociais que ao longo da história atingiram seu povo de forma injusta e sangrenta. O povo Laklãnõ-Xokleng vem Resistindo aos efeitos muitas vezes perversos do embate com o Estado e Marcondes descobriu que poderia compreender tais dinâmicas estudando as crianças de seu povo, dialogando com a Antropologia, a História e a Linguística.

Mostrou que a Barragem Norte, que dividiu a Terra Indígena Laklãnõ, transformou o cotidiano das crianças, limitando o banho de rio e as brincadeiras que eram desenvolvidas na água. Mais ainda: estas brincadeiras mobilizavam vocabulários específicos, na língua nativa, que deixavam de ser utilizados pelas crianças, uma vez que as mesmas viam-se impedidas de brincar em determinadas partes do rio.

Como professor e liderança em sua comunidade, preocupava-se com a língua materna, com processos de circulação de saberes e com as dimensões identitárias que eram configuradas pelo território. Tinha planos de seguir os estudos em nível de Mestrado, tinha posicionamentos claros quanto ao lugar da escola na formação das crianças e jovens de sua Terra Indígena, tinha projetos ligados à revitalização da língua Laklãnõ-Xokleng, tinha a intenção de ter uma renda extra neste verão… Tinha tudo isso quando saiu na rua, foi abordado e brutalmente assassinado!

A nós restou a revolta de ter de aceitar a notícia de que vidas indígenas são interrompidas em qualquer esquina, como se algum outro ser humano tivesse o direito de fazer isto… Não tem! Em dezembro de 2015, o menino Vitor, da etnia Kaingang, foi assassinado na rodoviária de Imbituba, litoral catarinense, no colo de sua mãe. A Terra Indígena de Morro dos Cavalos vem sofrendo ataques consecutivos, violentos, os quais deixam marcas físicas, como uma mão decepada, e psicológicas, tal qual o medo que não vai embora. A violência aos povos indígenas é sistemática, diária, individual e coletiva.

Registramos aqui nossa tristeza, nossa indignação, nossa perda, mas sobretudo, nosso desejo de justiça.”

Equipe NEPI-UFSC

Fotografia: Italo Mongonnan Reis

Texto: Suzana Cavalheiro de Jesus

Tags: Marcondes NamblámorteNEPInotaUFSC

Mesa-redonda sobre a Academia e projetos de pesquisa e extensão em aldeias

02/07/2015 17:12

A mesa-redonda “Saberes em diálogos: a academia e os projetos extraescolares de pesquisa e extensão nas aldeias” complementaram as atividades do seminário “Universidade e Educação Intercultural Indígena: experiências em diálogo, desafios para uma inclusão de qualidade, e construção de espaços para produção e trocas de saberes diversos”, realizado entre os dias 29 de junho e 2 de julho, pelo Nepi (Núcleo de Estudos de Povos Indígenas), no auditório do CFH e no MArquE (Museu de Arqueologia e Etnologia) da UFSC.

A mesa, coordenada por Suzana Cavalheiro, iniciou-se com as falas da professora Maria Aparecida Bergamaschi e do professor guarani Eloir de Oliveira, que relataram vivências de sala de aula e explicaram o projeto que integram, chamado “Saberes indígenas na escola e a formação de professores kaigang e guarani”, em escolas do Rio Grande do Sul.

Depois, o professor Sergio Baptista da Silva  e o professor kaigang Selvino Kókáj Amaral falaram do trabalho de encontro e oficinas que realizam com professores kanhgág em escolas do Rio Grande do Sul. Esse trabalho visa auxiliar as práticas pedagógicas nas escolas indígenas kaigang, já que nelas o ensino tem muitas particularidades, se comparadas às outras. Os indígenas têm uma forte relação com plantas medicinais, danças e performances do corpo, e também várias questões políticas de territorialidade que devem ser discutidas em sala de aula, para que os mais novos não percam as raízes deixadas pelos seus antepassados.

Depois deles, a professora Ana Lúcia Vulfe Nötzold  e a mestranda kaigang em Antropologia, Adriana Belino Padilha, contaram o trabalho que desenvolvem em escolas da região de Terra Indígena Xapecó, no oeste catarinense. Ambas desenvolvem suas pesquisas associadas ao Labhin (Laboratório de História Indígena da UFSC). O projeto pretende realizar um levantamento das práticas tradicionais kaingang relacionadas à identidade étnica e cultural nos conteúdos curriculares, visando à elaboração de material didático bilíngue, específico e diferenciado para o auxílio dos métodos pedagógicos na sala de aula, na formação de professores, do currículo para o ensino fundamental, com ênfase nas séries iniciais e alfabetização.

Os graduandos da UFSC, Marcelo Finatelli (Ciências Sociais), e Ihakri Nune-Nõonro (laklãnõ/xokleng da Engenharia Química) apresentaram seu projeto “Os indígenas e o acesso ao processo de seleção e entrada na UFSC”, finalizando as apresentações da mesa. Mostraram as dificuldades encontradas por indígenas que querem ingressar na universidade, desde a sua inscrição no vestibular até a permanência na UFSC.

Por fim o espaço foi aberto para discussões e perguntas da plateia presente. Várias questões relacionadas às apresentações foram levantadas, e também foram feitas sugestões para os professores cada vez mais enriquecerem e aprimorarem suas práticas em sala de aula.

 

Débora Nazário/Estagiária de Jornalismo Agecom/DGC/UFSC

Tags: LABHINNEPI

Núcleo de Estudos de Povos Indígenas promove seminário e mostra de cinema

29/06/2015 10:36

O Núcleo de Estudos de Povos Indígenas (Nepi) promove o seminário “Universidade e Educação Intercultural Indígena: Experiências em diálogo, desafios para uma inclusão de qualidade, e construção de espaços para produção e trocas de saberes diversos”, de 29 de junho a 2 de julho, nos auditórios do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) e do Museu de Arqueologia (MArquE).

Durante o evento, será realizada a Mostra Permanente de Cinema de Povos Indígenas e Tradicionais, com filmes produzidos por indígenas, seguido de debates com o público. No dia 29 de junho, segunda-feira, haverá a estreia local do filme Índio cidadão?, às 18h30min.

Mais informações sobre o seminário e a mostra pelo Facebook.

Tags: “Seminário Universidade e Educação Intercultural Indígena: Experiências em diálogoCFHdesafios para uma inclusão de qualidadee construção de espaços para produção e trocas de saberes diversos”MArquENEPINúcleo de Estudos de Povos Indígenas

IV Mostra de Artes Indígenas

22/11/2012 08:57

A IV Mostra de Artes Indígenas será realizada em Florianópolis na UDESC, no Itacorubi, de 23 a 30 de novembro, com o tema:  “Notícias de uma guerra não noticiada: os Guarani e o agronegócio no MS e no PR”. Apoio a luta pela terra Guarani.

Os convidados/as especiais são: Tonico Benites (Kaiowa, doutorando em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ e porta voz da Aty Guasu) e Paulina Martines (Guarani, liderança de terra retomada em Guaira/PR).

(mais…)

Tags: Mostra de Artes IndígenasNEPI

Educação Intercultural e Infância Indígena é tema de seminário

25/11/2010 17:40

O Núcleo de Estudos de Povos Indígenas (NEPI) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove de 29 de novembro a 3 de dezembro o Seminário de Educação Intercultural e Infância Indígena. O evento visa oportunizar o debate e a troca de experiências entre pesquisadores com estudos e experiências de campos diferentes no Brasil e na Argentina. O seminário é aberto ao público acadêmico, professores e interessados na temática indígena, especialmente na educação da criança indígena.

Inscrições e informações podem ser obtidas pelo e-mail . O certificado de participação tem carga horária de 20 horas e será entregue das 18h ás 19h, no Hall de Entrada do CFH, Bloco D.

Programação:

Dia 29/11 – segunda-feira

Das 19h às 21h

Local: Sala 325 – CFH

Aula Aberta: Sílvio Coelho dos Santos e a Antropologia no Sul do País

Ministrante: Maria José Reis – UNIVALI – NEPI/UFSC

Coordenação: Edviges Oiris – NEPI/UFSC

Dia 30/11 – terça-feira

Das 12h às 14h

Local: NEPI – Sala 313 – Departamento de Antropologia

Inscrições: Luisa Bonetti e Fernando Moura

Das 14h às 18h

Local: Sala 111 – CFH – Bloco D

Aula Aberta do PPGAS: Questões atuais dos estudos de infância indígena no Brasil

Ministrante: Antonella Tassinari – NEPI/PPGAS/UFSC

Colaboradora: Ana Carolina Hecht – Univ. Buenos Aires

Dia 1/12 – quarta-feira

Das 14h às 16h

Local: Sala Carolina Bori – CFH/Psicologia

Mesa-Redonda: Educação Cultural e Diversidade Lingüística

Palestrantes Convidadas:

Ana Carolina Hecht – Univ. Buenos Aires: Educación Intercultural Bilingue en Argentina

Cristiana Tramonte – MOVER/UFSC: Educação Intercultural e Diversidade Linguística no Brasil

Debatedora: Beleni Salete Grando – COEDUC/UNEMAT – PPGAS/NEPI/UFSC

Das 16h30 às 18h30

Mesa-Redonda: Experiências em Educação Intercultural Indígena

Palestrantes Convidados:

Marcos Alexandre Albuquerque – NEPI/UFSC: Consenso e Dissenso: os Pankararu e a Educação Intercultural na Cidade de São Paulo.

Beleni Saléte Grando – COEDUC/UNEMAT – PPGAS/NEPI/UFSC: Para além do Esporte: práticas corporais e educação nos Jogos dos Povos Indígenas

Debatedora: Edviges Ioris – NEPI/PPGAS/UFSC

Dia 2/12/ – quinta-feira

Das 14h às 16h

Local: Carolina Bori – CFH – Depto de Psicologia

Mesa-Redonda: Criança Indígena e Educação Escolar

Palestrantes Convidadas:

Ana Carolina Hecht – Univ. Buenos Aires: Niñez, socialización y cambio lingüístico en niños indígenas de contextos urbanos

Antonella Maria Imperatriz Tassinari – NEPI/PPGAS/UFSC: A Sociedade contra a escola

Debatedor: Gabriel Coutinho Barbosa – PPGAS/UFSC

Das 16h30 às 18h30

Mesa-Redonda: Experiências em Educação Indígena

Palestrantes Convidados:

Melissa Santana de Oliveira – ISA – NEPI/UFSC: Entre Estrelas e Pimentas: projetos de educação indígena no Rio Negro

José Antonio Kelly Luciani – PPGAS/UFSC: A escola como socialidade adicional: algumas reflexões sobre o lugar da escola entre os yanomami da Venezuela

Debatedora: Evelyn Martina Schuler Zea – NEPI/PPGAS/UFSC

Dia 3/12/10 – sexta-feira

Das 14h às 18h

Local: sala 111 – CFH – Bloco D

Aula Aberta do PPGAS: Niñez y Alteridad. Problemáticas Contemporáneas en los estudios con niños indígenas de Argentina

Ministrante: Ana Carolina Hecht – Univ. Buenos Aires

Tags: Brasil e ArgentinaNEPIpovos indígenasseminárioUFSC