Licenciatura Intercultural Índigena da UFSC homenageia Marcondes Namblá

07/01/2018 08:00

A equipe da coordenação do curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica publicou na quarta, 3 de janeiro, nota em homenagem e tributo a Marcondes Namblá. O texto na íntegra segue abaixo e está disponível na página do curso.

PERDEMOS MARCONDES

Perdemos todos com a partida brusca, trágica e inadmissível de Marcondes Namblá, ocorrida em 02 de janeiro de 2018. Estamos de luto, sentindo profunda amargura e consternação.

Marcondes, pertencente ao povo Laklãnõ-Xokleng da Terra Indígena Laklãnõ, Alto Vale do Itajaí, integrou a primeira turma do curso Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC, cuja formatura ocorreu em abril de 2015. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso pesquisou e trabalhou o tema Infância Laklãnõ e a prática dos banhos nos rios, obscurecidos pela construção da Barragem Norte. Em suas Considerações Finais aponta: “Espero que essa reflexão possa contribuir para a construção de um novo pensamento em busca de alternativas para a resolução dessa problemática que hoje está instituída entre os Filhos do Sol e que os Espíritos da Natureza estejam conosco nos direcionando para o caminho certo.”

Marcondes era uma liderança expressiva e ora exercia o cargo de juiz na Terra Indígena. Era exímio falante da língua Laklãnõ e dominava a sua escrita e compreensão. Era professor na Escola Laklãnõ.

Perdemos a criatividade, o brilhantismo, a originalidade e sensibilidade, o empenho, o vigor e os horizontes de Marcondes. Ficamos com a memória, feitos, reflexões, sua alegria, competência e habilidade.

Equipe de coordenação do curso Licenciatura Intercultural Indígena.

UFSC, 03 de janeiro de 2018″.

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NEPI publica nota por justiça pela morte de Marcondes Namblá

03/01/2018 18:49

“O Núcleo de Estudos de Povos Indígenas (NEPI) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem a público expressar o profundo pesar e a extrema necessidade de justiça frente ao assassinato cruel sofrido pelo professor indígena Laklãnõ-Xokleng, Marcondes Namblá. Marcondes foi morto enquanto fazia trabalho temporário em Penha-SC, vendendo picolé neste período de férias turísticas no litoral do estado. Foi espancado na cabeça até cair desacordado, foi resgatado pelos bombeiros, levado ao hospital, passou por três cirurgias e não resistiu.

Marcondes era egresso da UFSC, formado pelo Curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, fazia parte de uma geração que vislumbrou na Universidade um lugar para compreender melhor as dinâmicas políticas, econômicas e sociais que ao longo da história atingiram seu povo de forma injusta e sangrenta. O povo Laklãnõ-Xokleng vem Resistindo aos efeitos muitas vezes perversos do embate com o Estado e Marcondes descobriu que poderia compreender tais dinâmicas estudando as crianças de seu povo, dialogando com a Antropologia, a História e a Linguística.

Mostrou que a Barragem Norte, que dividiu a Terra Indígena Laklãnõ, transformou o cotidiano das crianças, limitando o banho de rio e as brincadeiras que eram desenvolvidas na água. Mais ainda: estas brincadeiras mobilizavam vocabulários específicos, na língua nativa, que deixavam de ser utilizados pelas crianças, uma vez que as mesmas viam-se impedidas de brincar em determinadas partes do rio.

Como professor e liderança em sua comunidade, preocupava-se com a língua materna, com processos de circulação de saberes e com as dimensões identitárias que eram configuradas pelo território. Tinha planos de seguir os estudos em nível de Mestrado, tinha posicionamentos claros quanto ao lugar da escola na formação das crianças e jovens de sua Terra Indígena, tinha projetos ligados à revitalização da língua Laklãnõ-Xokleng, tinha a intenção de ter uma renda extra neste verão… Tinha tudo isso quando saiu na rua, foi abordado e brutalmente assassinado!

A nós restou a revolta de ter de aceitar a notícia de que vidas indígenas são interrompidas em qualquer esquina, como se algum outro ser humano tivesse o direito de fazer isto… Não tem! Em dezembro de 2015, o menino Vitor, da etnia Kaingang, foi assassinado na rodoviária de Imbituba, litoral catarinense, no colo de sua mãe. A Terra Indígena de Morro dos Cavalos vem sofrendo ataques consecutivos, violentos, os quais deixam marcas físicas, como uma mão decepada, e psicológicas, tal qual o medo que não vai embora. A violência aos povos indígenas é sistemática, diária, individual e coletiva.

Registramos aqui nossa tristeza, nossa indignação, nossa perda, mas sobretudo, nosso desejo de justiça.”

Equipe NEPI-UFSC

Fotografia: Italo Mongonnan Reis

Texto: Suzana Cavalheiro de Jesus

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Vivências de perdas e lutos: projeto de extensão da UFSC oferta apoio psicológico

27/10/2017 12:12

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

A lei da vida inclui a morte. A trajetória da vida nos apresenta a todo o momento situações de perda. Diante delas, o ser humano lida consigo para superar a dor e seguir em frente. E quando falamos de perda não estamos tratando apenas da morte de um ente querido, mas também de pequenos acontecimentos, como a troca de emprego, o rompimento de um namoro, a saída da casa dos pais.

Se a morte faz parte da vida, como lidar com isso? Pensando nesse tipo de atendimento, o Serviço de Atenção Psicológica da UFSC (Sapsi) implantou este mês o Grupo de Apoio Psicológico a Pessoas com Vivências de Perdas e Lutos (LAPPSILu). Vinculado ao Departamento de Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), o Laboratório acolhe, orienta, compartilha e integra as vivências de perdas e de lutos visando à promoção da saúde e do bem-estar individual, familiar e social dos participantes.
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Sepultamento do reitor no cemitério Jardim da Paz encerra dia de despedida e homenagens

03/10/2017 19:49

Às 15h desta terça-feira, 3 de outubro, um cortejo fúnebre partiu da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a caminho do cemitério Jardim da Paz, no bairro Saco Grande, Florianópolis.  Após a chegada do corpo do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo ao cemitério, iniciou-se um culto ecumênico e lhe foram feitas as últimas homenagens.

Confira as fotos por Ítalo Padilha/Agecom/UFSC
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Tristeza e revolta marcam discursos de despedida do reitor na UFSC

03/10/2017 19:10

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

A terça-feira, 3 de outubro, amanheceu silenciosa na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O brilho do sol acompanhava os transeuntes no campus e adentrava calmamente pelo hall da reitoria. No local, servidores, estudantes, familiares, amigos e autoridades locais e nacionais davam o seu adeus ao reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Homenagens marcaram o velório, que iniciou às 17h de segunda-feira, com a chegada do corpo do reitor na universidade.

Por volta das 11h, um cortejo seguiu para a Sessão Solene Fúnebre do Conselho Universitário e do Conselho de Curadores, realizada no auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O mesmo local que recebeu Cancellier na solenidade de posse em 10 de maio de 2016, recebeu seu corpo para uma última homenagem. Uma foto do reitor estampava os dois telões do auditório. A beca branca e um colar com o brasão da universidade ocuparam a cadeira vazia na mesa solene, ao lado de Alacoque Lorenzini Erdmann, reitora em exercício.

Com capacidade para 1.375 assentos, o auditório estava lotado, com pessoas sensibilizadas com a morte do reitor, muitas de pé e sentadas no corredor. Nos discursos, predominaram as críticas à ação da Operação “Ouvidos Moucos” da Polícia Federal, que resultou na prisão, por um dia, e afastamento do reitor da universidade desde 14 de setembro. A cobertura midiática desses últimos eventos também foi ressaltada como irresponsável e desproporcional. Uma faixa foi levada até o palco com a frase: “Democracia de luto em luta! Aqui mais uma vítima: da canalhice do estado de exceção e sua mídia.”

Eduardo Moraes, representante dos estudantes, foi o primeiro a discursar e, em tom enfático, disse que Cancellier vivia a universidade: “O reitor vivia o universo da UFSC e fazia dela a sua casa. Os teus alunos preservarão a tua universidade.”
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Corpo do reitor é recebido na UFSC em uma atmosfera de acolhimento e emoção

02/10/2017 18:51

Por volta das 17h desta segunda-feira, 2 de outubro, o corpo do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, foi recebido com uma salva de palmas. Estudantes, técnicos-administrativos, docentes, amigos, familiares e diversas autoridades formaram um corredor na praça da Cidadania até a entrada principal do prédio da Reitoria, criando uma atmosfera de acolhimento e emoção.

Impedido de entrar na universidade em decorrência da operação “Ouvidos Moucos”, da Polícia Federal, a escolha por realizar o velório na instituição foi simbólica. Áureo Moraes, chefe de gabinete, um dos poucos a discursar na ocasião, afirmou: “O caixão chega pela porta da frente, que é o lugar por onde ele entrou nessa instituição como reitor. É justo que, nesse ato de despedida e homenagem, ele retorne pela porta da frente.”

A vice-reitora Alacoque Lorenzini Erdmann agradeceu à família do reitor, por permitir a realização do velório na UFSC: “É importante que sua última estada seja dentro da universidade, na casa que ele tanto amava. Temos a certeza de que a universidade não esquecerá jamais do grande herói que foi Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Sou testemunha da sua dedicação, do seu amor, dos seus ideais e dos seus sonhos por essa instituição. Ele deixa a vida, deixa seu sangue pela universidade.”

Homenagem e despedida

O corpo do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo está sendo velado no hall da Reitoria, no campus da Trindade, onde permanece até às 10h desta terça-feira, 3 de outubro. Às 11h, será levado ao auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, onde ocorrerá uma Sessão Solene Fúnebre do Conselho Universitário, aberta ao público. Ao fim da cerimônia, o caixão segue para Cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis. Às 16h, ocorrerá uma cerimônia ecumênica e, a seguir, o sepultamento.

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC

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Nota de Pesar: Márcia da Silva Cardoso, estudante de Arquivologia

08/05/2017 15:36

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) comunica, com pesar, o falecimento da estudante do curso de graduação em Arquivologia, Márcia da Silva Cardoso. Márcia já era formada em Biblioteconomia, também pela UFSC, em 2016. A estudante morreu no sábado, 6 de maio, e o velório e sepultamento foram realizados no domingo, 7 de maio, no Cemitério do Rio Vermelho.

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