Mulher que plantou e cultivou agrofloresta em rodovia é formanda da UFSC

22/05/2023 07:36

Margarida vai se formar aos 53 anos (Foto: Amanda Miranda)

Ter um filho. Escrever um livro. Plantar uma árvore – diz a sabedoria popular que essas são as três coisas que se deve fazer na vida. Aos 53 anos, Margarida Messiano dos Santos é mãe de quatro, mas não plantou uma árvore, e sim uma agrofloresta. O livro também já está pronto: a formanda de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) defendeu recentemente o trabalho de conclusão de curso Vida Margarida: narrativas de histórias de vida e a relação com o conhecimento. Ela comoveu a banca, com uma trajetória que marcou e inspirou professores e colegas. A pesquisa foi orientada pela professora Gabriela Furlan Carcaioli.

Girassol, rosa, milho verde, araçá, temperos e chás de todos os tipos. A lista de flores e alimentos que podem ser colhidos em uma área pública às margens da via expressa, próximo à comunidade Chico Mendes, em Florianópolis, é um indicativo da resiliência do solo, mas também de Margarida. Agricultora, trabalhadora doméstica e, agora, formanda, ela preparou o solo e as sementes que deram origem à uma agrofloresta em um lugar e em um contexto incomuns.

Milho plantado na agrofloresta (Foto: arquivo pessoal)

O conhecimento empírico no trato da terra e no uso do solo para plantar – e dividir – seus alimentos transformou um terreno que antes era tomado por lixo, entulhos e ratos. A limpeza da área, a adubação verde e o plantio foram executados por Margarida ao longo de muitos anos. “Eu comecei a limpar os terrenos sujos porque queria mostrar aos meus filhos como se plantava. Plantava abóbora, milho, alface, tempero verde, essas coisas mais fáceis que eu havia aprendido com minha mãe”, recorda.

A forma como Margarida conseguia as sementes para o plantio também não era convencional. Ela ia à Ceasa e coletava alimentos que caíam dos caminhões de abastecimento. Parte deles supriam as necessidades da família e parte eram aproveitados como insumo para o cultivo. “Recolhia manga, abacate e todos os tipos de frutos com caroço. Fazia o aterro e germinava”.

A agrofloresta que crescia com uma diversidade enorme de alimentos também servia à comunidade. O terreno, antes cheio de lixo, agora era limpo e cheio de vida. E Margarida, que no início era vista como uma pessoa estranha por estar sempre com uma enxada na mão às margens da via expressa, começava a chamar atenção de ativistas e de outras pessoas que por ali circulavam.

‘Revolução dos Baldinhos’ melhorou a qualidade do ambiente em comunidades de Florianópolis

Margarida em meio à agrofloresta que cultivou (Foto: arquivo pessoal)

“Com esse modo de produzir e compostar, as sementes e restos das frutas germinavam e consegui aos poucos fazer a regeneração do espaço. Quando me dei conta, não era mais uma simples horta, mas sim uma agrofloresta. Muitas pessoas vinham até a minha casa para trazer mudas para que eu plantasse e foi assim que conheci o projeto ‘Revolução dos baldinhos’”, narra, no seu TCC.

A chamada ‘Revolução dos Baldinhos’ é um marco na história da agroecologia em Florianópolis. Promovida pelo Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) – ONG sediada em Florianópolis, no Centro de Ciências Agrárias da (UFSC) -, envolveu a comunidade na gestão do lixo, que provocava a infestação de ratos e levava riscos à saúde pública. A compostagem passou a ser estimulada, com envolvimento dos moradores e moradoras das comunidades Chico Mendes, Monte Cristo e Novo Horizonte.

Margarida fez parte disso – e, de alguma forma, já agia pensando em melhorar a qualidade do ambiente e produzir alimentos limpos e livres de agrotóxicos. “O pessoal do grupo da ‘Revolução dos Baldinhos’ costumava também realizar visitas guiadas na minha horta e nas hortas dos vizinhos que iniciaram plantando por curiosidade, mas que atualmente passaram a plantar por necessidade e amor em lidar com a natureza”, escreveu Margarida em seu TCC. Ela também destacou os momentos de trocas de saberes que se originavam nesse processo.

“Outro momento de muita importância, que registro aqui são os momentos de chegada dos muitos visitantes na minha plantação, as falas e as experiências que eles vivenciavam no decorrer de suas vidas e, quando chegavam no meio naquela plantação me transmitiam os saberes e experiências como se já me conhecessem há muito tempo. Para mim, aquilo era muito importante”, conta. Durante um ano e dois meses, o composto da ‘Revolução dos Baldinhos’ alimentou a agrofloresta que Margarida cultivou.

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UFSC participa de construção de horta comunitária na Comunidade Monte Serrat

21/09/2021 08:16

(Foto: Divulgação)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio do PET Educampo, do curso de Licenciatura e Educação do Campo, em parceria com o projeto Orgânico Solidário, participou dos trabalhos de idealização e implementação, no dia 2 de setembro, de uma horta comunitária no Monte Serrat, em Florianópolis. 

A ação foi motivada por um convite do Instituto Vilson Groh, que reúne organizações da sociedade civil, e contou com a mobilização da comunidade, que agora dá continuidade ao manejo da horta. O espaço foi batizado “Horta Nova Descoberta” e foi criado inicialmente com 12 canteiros e uma leira de compostagem.

O trabalho voluntário de construção dos canteiros reuniu dezenas de moradores e participantes dos projetos, para preparar, adubar e plantar, além de compartilhar saberes sobre o cultivo orgânico de alimentos. O local escolhido é um terreno cedido pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, bem no alto do morro, na localidade chamada de Nova Descoberta. 

Durante toda a manhã de sábado, cerca de 15 adultos e várias crianças contribuíram para a iniciativa. Também participaram o Centro de Pastoral e Espiritualidade Nossa Senhora do Monte Serrat, o Conselho Comunitário do Monte Serrat e integrantes da ONG Laboratório Terra Orgânica, responsáveis pela construção da composteira.
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UFSC emite nota oficial sobre Curso de Extensão

07/07/2021 12:53

A Administração Central da UFSC emitiu, nesta quarta-feira, 7 de julho, uma Nota Oficial, na qual esclarece acerca da atuação da Universidade no desenvolvimento agrícola de Santa Catarina e do Brasil, e repudia críticas ao curso de extensão “Reforma Agrária Popular, Agroecologia e Educação do Campo: alimentação e educação no enfrentamento ao agronegócio e às pandemias”.

Confira, abaixo, a nota na íntegra.

Nota Oficial

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem a público repudiar veementemente as narrativas construídas de forma midiática e enganadora, acerca de um de seus cursos de extensão, promovido pela Licenciatura e Educação do Campo, do Centro de Ciências da Educação (CED). 

A UFSC valoriza a pluralidade de ideias, o debate e a construção coletiva da realidade, eixos que estão na gênese da universidade pública, e que há mais de 60 anos fazem parte da atuação histórica desta instituição. Sustentada nos pilares do Ensino, Pesquisa e Extensão, a UFSC não se resume a um ou outro projeto. Se formos considerar a atuação da Universidade apenas no que diz respeito à produção catarinense, temos cursos, projetos de pesquisa e extensão em diversas áreas, com destaque ao Centro de Ciências Agrárias (CCA) e Centro de Ciências Rurais (CCR), no Campus de Curitibanos. 

Só nestes dois centros, na Extensão, a UFSC possui 208 projetos em andamento, que fortalecem o setor agrícola e agropecuário de Santa Catarina e do Brasil, dentre os quais podemos citar:

  • Produção de touros Bradford com foco na bovinocultura de corte;
  • Análise de alimentos para nutrição animal;
  • Consultorias em formulação de ração animal;
  • Avaliação de insumos agropecuários;
  • Suporte técnico-científico para empresas de base bionanotecnológica;
  • Reprodução animal com foco no aumento da produtividade catarinense;
  • Apoio à cadeia de produção de moluscos em parceria com as comunidades pesqueiras;
  • Estudos em nutrição animal com foco em ruminantes;
  • Apoio técnico ao setor de produção e transformação de alimentos;
  • Atendimento clínico, ortopédico e cirúrgico em bovinos e equinos;
  • Ações focadas em controle de doenças e pragas agrícolas;
  • Assistência técnica em vitivinicultura;
  • Cursos em hidroponia e hortifrutícolas;
  • Manejo sanitário e reprodutivo de cavalos, com vistas à preservação de espécies típicas de SC;
  • Manejo de solos com vistas à manutenção e aumento de produtividade;
  • Manejo e biossegurança dos pomares catarinenses, dentre tantos outros.

É ofensivo e inaceitável o desrespeito com o qual a UFSC vem sendo retratada.

A Universidade Federal de Santa Catarina é uma das instituições públicas que mais contribui para modernizar e impulsionar as grandes culturas catarinenses – com tecnologia, profissionais altamente qualificados e com seres humanos capazes de discernir o que é Ciência do que é opinião e desinformação.

Nossas parcerias com instituições como Epagri, Embrapa, dentre tantas outras são notórias e têm gerado ótimos resultados, inclusive com destaque nacional e internacional. 

A universidade, como a própria denominação sugere, constitui-se como universo plural, servindo como ambiente para o exercício livre e democrático da pesquisa, do debate e da reflexão em diversas áreas de estudos e pesquisas. Resumir o trabalho de milhares de profissionais, graduandos e pós-graduandos a linhas ideológicas a ou b serve tão somente para reforçar a danosa polarização que tem tomado conta de nosso debate público, a qual tem mais se preocupado em criar cisões do que pontes entre os saberes, pessoas e entidades.

Esta, definitivamente, não é a postura da Universidade Federal de Santa Catarina, que seguirá desempenhando o seu papel estratégico de cooperação e de diálogo junto à população catarinense e brasileira.

 

Administração Central
Universidade Federal de Santa Catarina

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UFSC lança edital para processo seletivo em Licenciatura em Educação do Campo

20/02/2021 15:35

A Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lançou o edital para o processo seletivo destinado ao curso de Licenciatura em Educação do Campo – área de Ciências da Natureza e Matemática. As inscrições para o ingresso no primeiro semestre letivo de 2021 estarão abertas no período de 8 a 22 de março, somente via internet.

Para realizar a inscrição, o candidato deverá acessar o site educacaodocampo2021.ufsc.br, preencher integralmente o Requerimento de Inscrição e enviá-lo para a Coperve. O candidato deverá encaminhar ainda os documentos comprobatórios do seu histórico escolar descritos no edital e guardar consigo o comprovante do requerimento.

> Acesse a agenda do processo seletivo
> Confira a seção de Perguntas Frequentes

Todo candidato com inscrição efetivada terá acesso à sua Confirmação de Inscrição Preliminar, a partir de 5 de abril, através do link “Confirmação de Inscrição Preliminar”, para conferência dos dados. Detectada alguma informação incorreta, deve-se realizar a correção no link “Correção de Dados da Inscrição” até 12 de abril. A conferência dos dados e, se for o caso, as alterações/correções efetuadas são de total responsabilidade do candidato.
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Vestibular 2020: UFSC abre inscrições para licenciatura em Educação do Campo

31/10/2019 08:23

O Vestibular UFSC 2020 – Educação do Campo – está com inscrições abertas para quem deseja fazer a licenciatura, na Área de Ciências da Natureza e Matemática. O curso é oferecido na modalidade presencial com a Metodologia da Alternância, na qual o aluno tem aula tanto no Campus Florianópolis, no bairro Trindade, em período integral, quanto na Comunidade, onde desenvolverá atividades de vivência e estágio, no período diurno, a serem realizadas nos municípios de Paulo Lopes, São Pedro de Alcântara, Porto Belo e especificamente na Escola 25 de Maio (localizada no Assentamento Vitória da Conquista 1, em Fraiburgo).

As inscrições podem ser feitas até o dia 18 de novembro de 2019, somente pelo site www.educacaodocampo2020.ufsc.br. A taxa de inscrição é de R$ 50,00 e pode ser paga em qualquer agência bancária até o vencimento. Serão oferecidas 50 vagas no total — 25 vagas para ampla concorrência e 25 vagas para os candidatos de Ações Afirmativas.
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Últimos dias: inscrições para Educação do Campo e vagas suplementares a negros, indígenas e quilombolas

12/11/2018 14:30

A Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgou os editais referentes às inscrições aos processos seletivos para a licenciatura em Educação do Campo e para as vagas suplementares destinadas ao grupo etnicorracial negro, indígenas e quilombolas.

As inscrições para as vagas suplementares devem ser realizadas até esta terça-feira, 13 de novembro.

As inscrições para licenciatura em Educação do Campo devem ser realizadas até 21 de novembro.

Mais informações na página da Coperve.

 

 

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Educação do Campo divulga edital de vestibular para área de Ciências da Natureza e Matemática

24/01/2018 08:23

Estão abertas as inscrições para o vestibular 2018 para Licenciatura em Educação do Campo, na área de Ciências da Natureza e Matemática. O período de inscrições é de 12 de janeiro a 2 de fevereiro e devem ser realizadas neste link, ou acessando a página educacaodocampo2018.ufsc.br. São 50 vagas e a prova será realizada no dia 18 de março nos município de Florianópolis, Santo Amaro da Imperatriz e Tijucas, conforme o edital divulgado na página da Coperve.

A inscrição tem o custo de R$ 40,00, mas é possível solicitar isenção total da inscrição neste link. As aulas iniciam em 9 de abril.

Sobre o curso

O curso de Licenciatura em Educação do Campo – área Ciências da Natureza e Matemática existe no país desde 2006. Hoje são mais de 40 cursos em andamento. Na Educação do Campo entende-se que os sujeitos têm direito a uma escola que possibilite, em articulação com as especificidades do campo, a apropriação dos conhecimentos historicamente produzidos. Ou seja, além do direito de serem educadas no lugar onde vivem e de participarem do seu processo educativo, as pessoas também têm o direito de usufruir de uma educação vinculada à sua cultura e às suas necessidades humanas, sociais e ambientais.
O curso se organiza pela Alternância, composta de Tempos Universidade (TU), com aulas e outras atividades presenciais, e de Tempos Comunidade (TC), com atividades nas comunidades e escolas do campo.
Diante da atuação do curso por territórios, este vestibular tem foco nos seguintes municípios: Águas Mornas, Angelina, Anitápolis, Antônio Carlos, Biguaçu, Camboriú, Canelinha, Florianópolis, Garopaba, Governador Celso Ramos, Imbituba, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento, Palhoça, Paulo Lopes, Porto Belo, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, São Bonifácio, São João Batista, São João do Itaperiú, São José, São Pedro de Alcântara, Tijucas, Vidal Ramos e outros, dependendo da disponibilidade dos candidatos.

Serviço

Página do vestibularhttp://educacaodocampo2018.ufsc.br/

Edital completo

Inscrições

Gabriel Martins/Agecom/UFSC

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Vestibular especial para Licenciatura em Educação no Campo acontece neste domingo, dia 29

27/01/2017 12:37

As provas do Vestibular especial para ingresso no curso de Licenciatura em Educação do Campo – Área das Ciências da Natureza e Matemática acontecem neste domingo, dia 29 de janeiro. Os candidatos devem conferir o seu local de prova no site.

O curso é oferecido na modalidade presencial, com a Metodologia da Alternância. Com isso, os alunos cumprem seu Tempo-Universidade na UFSC, Campus Florianópolis e nas cidades de Alfredo Wagner e Ituporanga, durante 9 semanas por semestre, em período integral, e seu Tempo-Comunidade (períodos de atividades de vivência e estágio nas comunidades e escolas do campo) prioritariamente nos municípios de Agrolândia, Agronômica, Alfredo Wagner, Aurora, Atalanta, Bom Retiro, Chapadão do Lageado, Imbuia, Ituporanga, Leoberto Leal, Petrolândia, Trombudo Central, Vidal Ramos e outros do entorno.

 

Mais informações:
http://www.educacaodocampo2017.ufsc.br/

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Vestibular UFSC 2017: Matheus Cunha

07/10/2016 08:01

MATEUS_Vestibular_2017

Matheus Cunha – Estudante de Licenciatura em Educação do Campo

“Eu ingressei na Universidade a partir de uma política de ação afirmativa, meu curso de Licenciatura em Educação do Campo já é fruto de uma política afirmativa da diversidade, inclusive. Com o curso, se abriu espaço na Universidade para pessoas que de certa maneira não teriam acesso.

Eu me denomino um militante, não um ativista. É uma construção. Sou militante por todas as causas contra a inferiorização, seja por raça, ou sexualidade. Eu sou homossexual, assumido, sem problema nenhum. O que me faz querer participar dos movimentos é a questão do acolhimento. Quando eu sofro um preconceito, sofro muito mais por ser tatuado do que por ser homoafetivo. É isso que me faz querer lutar e querer entrar nos movimentos. Eu me vejo como um exemplo da diversidade, eu posso ser muita coisa: posso ser militante pelos povos do campo, pelos grupos LGBT, pelos negros, pela educação.

A maioria dos meus colegas estão hoje na Universidade para fazer a diversidade acontecer de verdade. Eu não sou do campo, mas faço um curso voltado para essas pessoas. Convivemos juntos oito horas por dia. Muitos deles são mais acanhados, então eu acabo sendo o porta-voz, a pessoa que vai gritar na Reitoria, declamar um poema. Isso me movimenta, me faz sentir vivo.

O curso de Licenciatura em Educação do Campo é de 2009, já tem quatro turmas formadas, e mais quatro em formação. O curso veio para firmar uma transformação, uma mudança, desde a questão da produção dos alimentos até paradar visibilidade para o campo, para a evasão que está acontecendo. Não existem mais escolas do campo, o ensino fundamental principalmente vem sofrendo muito. O curso vem como contrapartida ao meio de produção capitalista, à industrialização e ao sufocamento desses pequenos povos. O curso abrange camponeses, ribeirinhos, comunidades quilombolas, pessoas que têm uma ligação com a natureza e um projeto de uma sociedade diferente. O que está muito presente no curso é a compreensão do contexto da diversidade. Trabalhamos a contextualização das coisas antes de emitir opiniões. É uma formação por um projeto de escola comunitária.

Se não fosse o curso de Licenciatura em Educação do Campo nem eu, nem meus colegas teríamos acesso à Universidade. Dificilmente alguém do meu perfil ou do perfil dos meus colegas teriam entrado em outro curso. Eu estudei sempre em escolas públicas, antes de entrar na Universidade, por ter tido a condição de vida que eu tive, eu queria abdicar de viver uma vida no sistema capitalista. Eu sou todo tatuado porque eu decidi que queria viver de vender meu artesanato, porque para mim não faria sentido entrar para estudar em um curso que não agregaria para o que eu escolhi para a minha vida. Minha concepção de Universidade era de um espaço extremamente careta, formal, onde eu não conseguiria me enquadrar e que nunca teria espaço para mim. Aí eu conheci a Licenciatura em Educação do Campo e vi que isso era possível. Vi que existem várias outras pessoas assim como eu. É algo muito satisfatório pessoalmente e coletivamente.

Eu sou o primeiro de quatro irmãos a ter acesso à universidade pública. É muito gratificante, eu tenho certeza que vou sair daqui carregado de muito mais conhecimento, desenvolvimento, experiências. Eu estou fazendo isso não para reproduzir um sistema de consumo, de ganhar dinheiro, mas para poder levar uma ideia diferente para as escolas.

Os jovens que estão pensando no vestibular, independente de quem seja, rico ou pobre, negro ou branco, eles têm que procurar esse acesso à Universidade, porque é um direito deles. A Universidade proporciona subsídio para me manter aqui, mesmo com todos os entraves e dificuldades. É um direito de todos, devem pelo menos tentar. Se temos à disposição isso, temos que batalhar para conseguir ter acesso.

Tem uma fala do Che Guevara que eu gosto muito que diz ‘que a universidade se pinte de negro, e mulato, de operário, de camponês’. É isso que eu desejo, que a universidade seja um foco de diversidade mesmo, em todos os sentidos.”

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Licenciatura em Educação do Campo promove seminário para apresentar atividades dos alunos

29/02/2016 15:50

O curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove, de 2 a 4 de março, o V Seminário de Socialização das Atividades do Curso de Licenciatura em Educação do Campo. O evento tem o objetivo de divulgar as atividades realizadas pelos alunos durante 2015. Serão apresentados artigos, relatórios de estágio, e outras atividades acadêmicas.

A abertura do seminário será no dia 2 de março às 13h30, no auditório do Centro de Ciências d0001a Educação (CED).

Mais informações pelo telefone (48) 3721-2250.

Tags: Curso de Licenciatura em Educação do CampoUFSCV Seminário de Socialização das Atividades de Licenciatura em Educação do Campo

Professora do Canadá realiza atividades no curso de Educação do Campo da UFSC

15/04/2015 09:13

Até 19 de abril de 2015, o curso de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza e Matemática – da UFSC recebe a visita da professora Janet McVittie, University of Sasktchewan (Canadá), para atividades de ensino e pesquisa em Aprendizagem, Ensino de Ciências e Educação Ambiental.

As atividades, abertas à participação de alunos e professores, contam com o apoio do projeto Universal CNPq/UFSC (2015) Aprendizagem em Redes: modos de habitar os lugares e as escolas.

Mais informações: ledoc.paginas.ufsc.br

Atividades desta quinta até domingo:

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Curso de Educação do Campo realiza Semana de Integração com os estudantes

09/03/2015 08:35

De 9 a 13 de março, o curso de licenciatura em Educação do Campo, do Centro de Ciências da Educação (CED) da UFSC, realizará a Semana de Integração entre os estudantes da primeira e da terceira fase do curso que estarão em Tempo Universidade. As atividades na UFSC serão realizadas no prédio do CED, bloco D, e no alojamento da Fazenda Ressacada. 
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Curso de Licenciatura em Educação do Campo promove seminário de avaliação

18/09/2013 09:54

Nos próximos dias 19 e 20 de setembro, quinta e sexta-feira, será realizado o Seminário de Avaliação e Reestruturação do Curso de Licenciatura em Educação do Campo. O evento será no Auditório do Fórum do Norte da Ilha, próximo ao Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) da Universidade Federal de Santa Catarina. 

O evento é promovido pelo Curso de Licenciatura em Educação do Campo e tem por objetivo aprofundar reflexões acerca das problemáticas do Curso, apontando estratégias e encaminhamentos de superação, qualificando a formação inicial de professores para as escolas do campo.
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