Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida)

18/05/2011 17:25

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) comunica que em 2011 não fará a revalidação de diploma médico estrangeiro por via administrativa. Conforme parceria da Reitoria da Universidade e MEC/MS, o exame será aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em colaboração com a subcomissão de revalidação de diplomas médicos, da qual participam representantes dos ministérios da Saúde, Educação e Relações Exteriores e da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), além do Inep.

O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por Universidades de Estrangeiras (Revalida) foi instituído por meio da Portaria Interministerial nº 278, de 17/03/2011, nos termos do art. 48, § 2º, da Lei nº 9394, de 1996. O processo de revalidação de diplomas médicos obtidos no exterior é um avanço decorrente da ação articulada dos ministérios da Educação e da Saúde, que estabelece um processo apoiado em um instrumento unificado de avaliação e um exame para revalidação dos diplomas estrangeiros compatíveis com as exigências de formação correspondentes aos diplomas médicos expedidos por universidades brasileiras.

Além disso, está em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, com parâmetros e critérios isonômicos adequados para aferição de equivalência curricular e definição da correspondente aptidão para o exercício profissional da medicina no Brasil.

O exame será orientado pela Matriz de Correspondência Curricular para Fins de Revalidação de Diplomas de Médico Expedidos por Universidades Estrangeiras. Na matriz foram definidos os conteúdos e as competências e habilidades das cinco grandes áreas de exercício profissional: i) Cirurgia, ii) Medicina de Família e Comunidade (MFC), iii) Pediatria, iv) Ginecologia-Obstetrícia e v) Clínica Médica. Além disso, estabelece níveis de desempenho esperados para as habilidades específicas de cada área.

O Revalida, em sua edição de 2011, será implementado pelo Inep e contará com a colaboração da Subcomissão de Revalidação de Diplomas Médicos, também instituída pela Portaria nº 278, e das universidades públicas participantes para a elaboração da metodologia de avaliação, supervisão e acompanhamento da aplicação.

O exame terá duas etapas: a avaliação escrita – composta por uma prova objetiva, com questões de múltipla escolha, e uma prova do tipo discursiva. A segunda etapa consta da avaliação de habilidades clínicas.

A data de inscrição para a prova escrita e demais orientações serão divulgadas em breve no endereço http://www.inep.gov.br/superior-revalidacao_diploma_medico.

Tags: inepRevalidarevalidação de diplomas médicosUFSC

Reitores querem evitar greve dos trabalhadores técnico-administrativos

18/05/2011 13:30

Reitores: na pauta, criação de novas vagas

Os reitores presentes no encontro da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) tentaram, na manhã desta quarta-feira, dia 18, demover a Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) da disposição de deflagrar uma greve nacional a partir do dia 6 de junho. Três coordenadores da federação expuseram aos quase 60 reitores e seus representantes reunidos num hotel do balneário de Jurerê os pedidos da categoria, entre elas o resgate dos cargos extintos, a criação de novas vagas, a reaglutinação e o reposicionamento de funções e o rompimento do processo de terceirização nas universidades federais (IFES).

De acordo com um dos coordenadores da Fasubra, Paulo Henrique dos Santos, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPO) jogou para os reitores a responsabilidade de negociar com a Fasubra os itens da pauta de reivindicações. Estes dizem que a instância de discussão é o Ministério da Educação, e têm a esperança de que uma solução seja encontrada no âmbito do governo federal. Embora seja apenas um dos itens da pauta, o debate sobre a greve pode dominar boa parte da programação do encontro, que se encerra até o meio-dia desta quinta-feira.

Segundo outra coordenadora da Fasubra, Leia de Souza Oliveira, a luta da entidade é pela modernização da forma de gestão nas universidades, mas os pedidos esbarram na falta de disposição do MPO para conversar. “Não temos outra alternativa a não ser a greve, em vista da morosidade do governo em propor soluções”, diz ela. Leia garantiu que a paralisação é sempre “um instrumento de última instância”, e que a prioridade é “construir alternativas em conjunto com as instituições federais de ensino superior”. No entanto, ressalva, “o Ministério do Planejamento tem outra visão do modelo de Estado”.

Em síntese, o que os trabalhadores técnico-administrativos pleiteiam é um processo de racionalização que é fundamental em função da expansão das instituições e da criação de novas universidades. Isso implica em mudanças no nível de classificação e na criação de cargos que substituam aqueles que foram extintos automaticamente, pela aposentadoria dos seus ocupantes e pela ausência de concursos de admissão de novos servidores. “Ainda hoje não temos diretrizes gerais para as carreiras no serviço público”, afirma Paulo Henrique dos Santos, da Fasubra. Assim, a descrição dos cargos, que é de 1987, ainda contempla funções como as de datilógrafo e operador de telex.

O presidente da Andifes é o reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira Brasil, que com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Alvaro Toubes Prata, recepciona os demais colegas no encontro em Jurerê. Eles pregam que “se encontre um caminho para a greve não acontecer”.

Entre os demais temas do evento estão o orçamento das universidades para 2012, o novo Plano Nacional de Educação, as fundações de apoio às IFES e a MP 520, que cria uma empresa para administrar os hospitais universitários do país.

Mais informações com José Carlos da Cunha Petrus pelo fone 3721-6042.

Por Paulo Clóvis Schmitz/jornalista na Agecom

Foto: Paulo Roberto Noronha/Agecom

Tags: Andifesfasubrareitores

Artigo do presidente da Feesc relata os 45 anos de apoio à UFSC

18/05/2011 12:36

Por Maurício Fernandes Pereira/ Presidente da FEESC

Em 18 de maio de 1966, exatos 45 anos, nascia a Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina (FEESC). Sua criação tinha como objetivo dar condições à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para a criação do curso de Engenharia Elétrica, a fim de formar quadros para a Celesc. A FEESC nasceu com o mais nobre dos desafios da humanidade: formar gente capacitada para transformar a sociedade em um mundo melhor.

A FEESC tem personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, regida pelo Código Civil, sujeita à fiscalização do Ministério Público, à legislação trabalhista e, em se tratando de fundação de Apoio, além do exercício gratuito dos membros da diretoria e dos conselhos, está sujeita ao prévio registro e credenciamento nos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, renovável bienalmente, após a concordância do Conselho Universitário da instituição apoiada, no caso, a UFSC.

Na essência, é um órgão de fomento ao desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão, cuja função primordial é dar suporte administrativo e finalístico aos projetos de interesse da UFSC, bem como estimular e promover o desenvolvimento institucional e tecnológico na sociedade.

Tais projetos, ao longo da história, mudaram o aspecto acadêmico e institucional da UFSC a partir de projetos qualificados, onde professor e aluno conseguem aprimorar os conhecimentos de sala de aula. Importante também é o papel das nossas instituições parceiras nos financiamentos dos projetos: sem elas não teríamos condições de realizar pesquisa e qualificar os laboratórios com equipamentos de ponta em nível internacional.

Quero parabenizar nossos dedicados funcionários da FEESC, professores, servidores técnicos administrativos e alunos da UFSC que ao longo dos últimos 45 anos não mediram esforços para transformar sonhos em realidade, ideias em projetos, projetos em ações, ações em pesquisa aplicada e pesquisa aplicada em inovação em benefícios de toda a sociedade brasileira.

Destaque-se também os ex-presidentes da FEESC, professores que souberam com dedicação e entusiasmo construir um sonho, uma obra concreta e resolutiva: Caspar Erich Stemmer, Nelson Back, Sérgio Roberto Arruda, Longuinho da Costa M. Leal, Arno Bollmann, Antônio Diomário de Queiroz, Ana Maria de Mattos, Renato Carlson, Ariovaldo Bolzan, Júlio Felipe Szeremeta, Carlos Viana Speller, Raul Valentim da Silva e Lúcia Helena Martins Pacheco.

Em resumo, a FEESC sente-se orgulhosa em poder contribuir para a história de sucesso da Universidade Federal de Santa Catarina.

Tags: Feesc

AAHU lança campanha “Doe um novelo de lã e aqueça o coração de uma criança”

18/05/2011 12:16

A Associação Amigos do Hospital Universitário (AAHU) lançou a campanha “Doe um novelo de lã e aqueça o coração de uma criança”. A Associação tem voluntárias que confeccionam mantas destinadas às crianças internadas no HU.

Os postos de coleta são a Loja da Associação, localizada no Centro de Cultura e Eventos, e/ou a sede da AAHU, ao lado da agência do Banco do Brasil no Campus.

Informações pelo fone (48) 3721-8042.

Tags: AAHUcampanhaUFSC

Feesc completa 45 anos auxiliando transferência tecnológica na UFSC

18/05/2011 12:02

Pesquisa, desenvolvimento e avaliação de implantes reabsorvíveis; uso racional de água e de energia elétrica em habitações de interesse social; plataforma colaborativa web para apoio remoto ao diagnóstico e procedimentos cardiovascular integrado e minimização de consumo de energia em refrigeradores domésticos são apenas alguns exemplos entre 300 projetos de pesquisa em execução pela UFSC e que contam com gerenciamento da Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina. Por meio da Feesc, professores de Engenharia Civil participam da elaboração do Programa Nacional de Logística Portuária, o chamado PDI dos Portos, uma prioridade para o governo federal. A Feesc também atua junto à Secretaria de Estado da Saúde no programa de Telemedicina e capacita técnico-administrativos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Nesta quarta-feira, a fundação criada seis anos após a instituição da UFSC, em 18 de maio de 1966, completa 45 anos. A data será celebrada no Auditório da Reitoria, a partir de 18h. Antes, às 17h, a entidade inaugura em sua sede, no campus da Trindade, galeria de presidentes.

A Feesc foi criada pelas Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), que precisava de engenheiros para dar conta de suas atividades na geração e distribuição de energia. Seu surgimento viabilizou a implantação do Curso de Engenharia Elétrica na UFSC, e a fundação também passou a apoiar projetos de pesquisa e extensão, em parceria com a universidade e outras instituições públicas e privadas.

Ao centro, diretor-presidente da Feesc, Maurício Fernandes Pereira

“Quando fui convidado pelo reitor Alvaro Prata para dirigir a fundação não conhecida o Centro Tecnológico. Fui então visitar este e outros centros e vi que temos laboratórios e professores que não ficam atrás dos que podem ser encontrados nas principais universidades do mundo”, destaca o diretor-presidente da Feesc, Maurício Fernandes Pereira, professor do Departamento de Ciências da Administração que desde junho de 2009 preside a entidade.

“Com a Petrobras são diversos projetos, como o que estuda a prospecção de petróleo em águas profundas”, lembra o professor, citando um dos grandes parceiros que investe no desenvolvimento de projetos na Universidade via Feesc. Ministérios como o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Estado da Saúde, Eletrosul, Celesc, Agência Nacional de Transportes, Agência Nacional de Energia Elétrica, Embraco, Weg, Fiat e BNDES são outros colaboradores da entidade que em 2010 captou R$ 90,1 milhões para a execução de trabalhos pela Universidade Federal de Santa Catarina.

“Sem as fundações não teríamos o mesmo desempenho, nem as melhorias na interação com diferentes setores da sociedade”, confirma o reitor da UFSC, Alvaro Toubes Prata. A Feesc é uma das quatro fundações (há ainda Fapeu, Fepese e Fundação José Boiteux) que ajudam a universidade, presa a trâmites e procedimentos burocráticos comuns a todos os órgãos públicos, a desenvolver projetos de ensino, pesquisa e extensão.

Caspar Erich Stemmer, ex-reitor e ex-diretor do CTC, um dos homenageados

“As fundações são um bem da sociedade, trabalham com dinheiro público, e a UFSC transforma, por meio delas, a sua competência em prol dessa sociedade”, reforça o professor Maurício.  “Seu surgimento na década de 70 constituiu uma resposta criativa da comunidade acadêmica ao engessamento imposto pela ausência de faculdades legais que assegurassem maior flexibilidade e agilidade à gestão das atividades de pesquisa e extensão das Instituições Federais de Ensino Superior”, complementa o reitor da UFSC.

Mais informações sobre o aniversário da Feesc com o diretor-presidente, professor Maurício Fernandes Pereira, fone 3231-4402

Por Arley Reis e Paulo Clovis / Jornalistas da Agecom

Tags: 45 anosFeescUFSC

Pré-Vestibular UFSC/SED divulga lista de selecionados em 15 cidades nesta quarta

18/05/2011 10:48

O Pré-vestibular da UFSC/SED vai divulgar nesta quarta, 18/05, a partir das 18h, a lista dos selecionados em 15 das 29 cidades onde possui unidades de ensino. Serão conhecidos os contemplados de Araranguá, Balneário Camboriú, Biguaçu, Chapecó, Criciúma, Curitibanos, Florianópolis, Imbituba, Joaçaba, Joinville, Laguna, Palhoça, São José, Santo Amaro da Imperatriz e Tubarão. Os selecionados nas cidades de Blumenau, Brusque, Canoinhas, Caçador, Concórdia, Itajaí, Jaraguá do Sul, Lages, Mafra, Navegantes, Rio do Sul, São Bento do Sul, São Lourenço do Oeste e São Miguel do Oeste serão conhecidos na próxima quarta, 25/05, já que nesses municípios o processo de seleção foi prorrogado.  A lista poderá ser acessada no www.prevestibular.ufsc.br.

As matrículas para os alunos que terão aulas na UFSC devem ser feitas na quinta ou sexta, 19 e 20/05, já que as aulas têm início nesta segunda, 23/05. Já nas outras unidades as datas, locais e horários variam, devendo ser informadas nas próprias listagens.

O Pré-vestibular da UFSC/SED encerrou seu processo seletivo com 11.495 inscritos para 5 mil vagas. Além da cidade de Florianópolis, também São José, Palhoça, Araranguá e Chapecó ficaram entre os municípios com maior número de inscritos: mais de 500 para cada unidade. As surpresas ficaram por conta das novas unidades: São Miguel do Oeste, com 253 inscritos, e Imbituba, com 285 participantes no processo seletivo.

“Esse resultado demonstra o reconhecimento da qualidade do ensino do curso Pré-vestibular da UFSC e da Secretaria de Educação de SC, além de sinalizar que a parceria entre escola e universidade pública pode transformar não só índices de aprovação, mas também histórias de vida”, analisa o professor e coordenador Otávio Auler. Com a expansão do curso, também aumentaram o número de vagas e o número de participantes no processo seletivo.

O Pré-vestibular da UFSC/SED é oferecido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação (SED), que em 2008 firmou a parceria. O professor Otavio diz que  atenções estão voltadas para o início das aulas. “Agora o foco passa a ser o trabalho de toda equipe para aumentar ainda mais o índice de aprovação nas universidades públicas”.

Para o Secretário de Estado da Educação Marco Tebaldi, “é muito importante esta parceria, que oportuniza aos alunos da rede pública de ensino disputar uma vaga no Ensino Superior público com igualdade de condições”. O Pré-vestibular da UFSC/SED aprovou, em 2010, 64% de seus alunos em universidades públicas do sul do país.

Mais informações: www.prevestibular.ufsc.br e (48) 3721-8319.


Unidades do Pré-vestibular da UFSC

UNIDADE ESCOLA
ARARANGUÁ EEB DE ARARANGUÁ
BALNEARIO CAMBORIU EEB PRESIDENTE JOAO GOULART
BIGUAÇU EEM PROF MARIA DA GLORIA VERISSIMO DE FARIA
BLUMENAU EEB PEDRO II
BRUSQUE EEB FELICIANO PIRES
CAÇADOR EEM IRMÃO LEO
CANOINHAS EEB ALMIRANTE BARROSO
CHAPECÓ EEB BOM PASTOR
CONCÓRDIA EEB PROF OLAVO CECCO RIGON
CRICIÚMA EEB SEBASTIAO TOLEDO DOS SANTOS
CURITIBANOS – VESPERTINO EEB CASEMIRO DE ABREU
CURITIBANOS – NOTURNO EEB CASEMIRO DE ABREU
IEE – VESPERTINO INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇAO
IEE – NOTURNO INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇAO
IMBITUBA EEM  ENG ANNES GUALBERTO
ITAJAÍ EEB DEP. NILTON KUCKER
JARAGUÁ EEB ROLAND HAROLD DORNBUSCH
JOAÇABA EEB GOV CELSO RAMOS
JOINVILLE EEB DR TUFI DIPPE
JOINVILLE EEM GOV CELSO RAMOS
LAGES EEB DE LAGES
LAGUNA EEM ALMIRANTE LAMEGO
MAFRA EEB BARAO DE ANTONINA
NAVEGANTES EEB JULIA MIRANDA DE SOUZA
PALHOÇA EEB IRMA MARIA TERESA
RIO DO SUL EEB PAULO ZIMMERMANN
SANTO AMARO DA IMPERATRIZ EEB NEREU RAMOS
SÃO BENTO EEM PROF ROBERTO GRANT
SÃO JOSÉ EEB PROF MARIA JOSE BARBOSA VIEIRA
SÃO LOURENÇO DO OESTE EEB RUI BARBOSA
SÃO MIGUEL DO OESTE EEB SÃO MIGUEL
TUBARÃO EEM DITE FREITAS
UFSC CCS – UFSC

Fonte: Simone Moraes/Pré-vestibular da UFSC

Tags: Pré-Vestibular

Florianópolis capital da Química

18/05/2011 09:30

Quase 4.500 pesquisadores participam em Florianópolis de 23 a 26 de maio da 34ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química. A organização é da Sociedade Brasileira de Química, da Secretaria Regional de Química de Santa Catarina e do Departamento de Química da UFSC. O encontro é parte da celebração do Ano Internacional da Química, que assim como a reunião  tem como tema central ´Química para um mundo melhor`. A meta das celebrações é promover oportunidades para reflexão sobre o papel da sociedade  na criação de um mundo mais equilibrado, sustentável e justo. O encontro será realizado no Centro de Convenções do Costão do Santinho Resort, na Praia do Santinho.

Encontro com professores do ensino básico

Por que ensinar Química; Tabela periódica interdisciplinar;  Química Nova na Escola e a sala de aula e Perspectivas para abordagem de problemas ambientais no ensino de Química estão entre os temas de palestras especialmente direcionadas a professores do ensino básico que serão realizadas a partir desta sexta-feira, em uma atividade também integrada às celebrações do Ano Internacional da Química. O encontro da Sociedade Brasileira de Química com o ensino básico será realizado no Praia Brava Hotel, na sexta e sábado (20 e 21 de maio). As atividades são organizadas pela Divisão de Ensino da Sociedade Brasileira de Química e comissão local de professores do Departamento de Química da UFSC, com apoio do Conselho Regional de Química 13a Região e Secretaria de Educação de Santa Catarina.

Mais informações na UFSC com o professor Nito Debacher pelo e-mail debacher@qmc.ufsc.br ou pelo telefone (48) 3721-6844, ramal 206.

Tags: 34ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de QuímicaAIQ 2011

Vencedor do Concurso Salim Miguel mistura história grande e miúda em romance

17/05/2011 18:34

Dez anos depois de publicar seu primeiro livro de poesias pela EdUFSC, Alckmar Luiz dos Santos recebe prêmio por romance das mãos do veterano Salim Miguel


Em uma cerimônia marcada pelo encontro entre velhos e novos escritores catarinenses, a Secretaria de Cultura e Arte e a Editora da Universidade Federal de Santa Catarina divulgaram na segunda-feira à noite o resultado do concurso Salim Miguel de Romance. Ao que minha vida veio, terceiro romance do poeta, contista, ensaísta, escritor, pesquisador e professor de literatura da UFSC Alckmar Santos, foi o vencedor. Das mãos do homenageado, o laureado Salim Miguel, de 87 anos, Alckmar, 52 anos, recebeu o primeiro cumprimento pela vitória, que agradeceu com uma mensagem literária de Michel Montaigne: “Um leitor competente com frequência descobre nos escritos dos outros belezas e perfeições que eles mesmos não colocaram ou de que não eram conscientes”.

Mantido em sigilo absoluto até o instante da solenidade, o resultado foi divulgado pelo presidente da comissão julgadora, o professor de Literatura Carlos Eduardo Capella, que é também presidente do Conselho Editorial da EdUFSC e entregou para Salim Miguel o envelope  – aberto pelo escritor – onde constava apenas o nome da narrativa vencedora. Escolhido por unanimidade pelo júri formado pelos teóricos da literatura e professores Donaldo Schüller e Ana Luíza de Andrade, além do tradutor e ensaísta Marcelo Tápia, Alckmar concorreu entre outros 25 romances, entre eles autores já consagrados em Santa Catarina.

O romancista eleito foi saudado pelo reitor Alvaro Prata, que perdeu o pai no final de semana mas fez questão de prestigiar o evento, o vice-reitor Carlos Alberto Justus, a pró-reitora de Cultura e Arte Maria de Lourdes Borges, o diretor da Editora da UFSC Sérgio Medeiros e uma torcida de alunos seus integrantes do Núcleo de Pesquisa em Informática, Linguística e Literatura (Nupill), do qual é fundador e coordenador. No ano passado o Nupill comemorou 15 anos como o maior banco virtual de textos literários do Brasil. Ao cumprimentá-lo, Salim, revelou que também sua carreira foi impulsionada por um prêmio literário.

Apesar – ou além – da primeira formação em engenharia eletrônica pela Unicamp, em 1983, Alckmar Luiz dos Santos sempre atuou no campo das artes e da literatura. Mestre em Teoria Literária na Unicamp, é doutor em Etudes Littéraires, com orientação de Julia Kristeva, em Paris. Realizou um trabalho com Gilbertto Prado de poesia visual, com quem recebeu uma *Menção especial*, em 2000, no 7º Premio Nacional de Poesía Visual Joan Brossa. Em 2006, também na Espanha, num trabalho em equipe, coordenado por Francisco Marinho, ganhou o prêmio 2º Internacional “Ciutat de Vinaròs” de Literatura Digital na categoria de poesia digital, com a obra Palavrador.

Em poesia, publicou Retrato e percurso, pela EdUFSC; Meu tipo inesquecível, pela Editora Athanor; o poema digital publicado pelo Itaú Cultural intitulado Dos desconcertos da vida, filosoficamente considerada. É Autor de Rios imprestáveis, obra que lhe rendeu a premiação na categoria poesia do 1º Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, da Revista Cult, que teve como júri o os poetas Cláudio Willer, Wally Salomão e Nelson Ascher, e de Circenses, publicado pela Sete Letras.  Inaugurou-se na prosa com o romance São Lourenço, publicado pela editora digital RBL. Escreveu também o volume de ensaios intitulado Leituras de nós; Ciberespaço e literatura, publicado pelo Itaú Cultural, e foi co-organizador da obra Caminhos cruzados; Informática e Literatura, publicado pela EDUFSC em 2005. Como organizador publicou ainda Lugares textuais do romance, resultado de colóquio que inaugurou o primeiro ano do doutorado em Literatura da UFSC, em 1997. Nascido em Silveiras, no interior de São Paulo, Alckmar fala nesta entrevista como misturou memórias que compõem o que chama de sua “vida miúda”, como o testemunho do suicídio de um garoto de 17 anos e as histórias do avô, com fatos históricos que perfazem a “vida grande”, como a Segunda Guerra Mundial, cruzando as linhas da vida nas linhas da literatura.

Entrevista

1. Fale um pouco sobre o enredo, temática ou proposta do romance Ao que minha vida veio:

Meu primeiro romance, São Lourenço (cidade de Minas Gerais) nasceu de uma frase que eu me disse: “Se eu pudesse, eu voltaria a São Lourenço”. Inventei um personagem; para isso, inspirei-me um pouco na música de João Bosco, “As vitrines”, e comecei. Ao que minha vida veio nasceu há dois anos de um fato muito estranho: eu estava em BH na casa de um amigo e ouvi um estrondo. Era um adolescente que tinha se jogado no vão do 12º andar. A primeira cena do livro descreve a imagem do corpo caindo de uma pessoa. A partir dessa cena inicial, comecei a pensar na minha história e na história da minha região. O ritmo desse romance, o vocabulário, as imagens, tem tudo a ver com Silveiras, minha cidade natal que aparece na narrativa. Ao escrever, procurei reencontrar minha mãe terra e o meu pai país natal, em uma metonímia da própria história vivida no romance por um personagem-narrador que empreende uma saga para reconstruir sua história e descobrir quem é seu pai e sua mãe, porque sabe que escondem isso dele. Em meio à ficção enredei conhecimentos de alquimia que estudei quando fiz minha dissertação de mestrado sobre Guimarães Rosa. A alquimia está já no jogo com o nome do romance e inclusive por trás dessa ideia do deus limitado, que cria o mundo, mas não sabe o que vai fazer dele, numa espécie de magia limitada. O protagonista é, então, alguém que tem uma capacidade mágica de saber quase tudo dos outros, mas não nada de si mesmo. Junto à tentativa do narrador de reconstrução de sua história pessoal, há o esforço de reconstrução de fatos da história do Brasil, de modo que os eventos individuais se entrelaçam com os eventos históricos e gerais. Por exemplo, há uma passagem do cometa Halley, contada pelo meu avô, que ficou muito espantado ao ver voar aquela bolona com rabo no céu. É um evento individual, mas se emaranha a casos importantes para a minha região, como a revolução de 1932, quanto trago a cena dos aviões cariocas das forças federais, que bombardeavam Silveiras e eram chamados de vermelhinhos pelos habitantes. É historia que ouço ainda hoje de minha mãe. Ninguém conhecia avião, mas todos sabiam que dele se jogavam bombas. A história perpassa a segunda guerra mundial, quando o personagem desiludido, vai, como voluntário da FEB, lutar na Itália e usa imagens que tenho de memória desde criança, de ouvir sobre pessoas que perderam amigos na guerra ou de jovens que regressaram loucos.  O romance passa pelo  suicídio de Getúlio, em 54 e segue sempre cruzando a história miúda com a história grande, que é uma forma de dizer que uma é tão importante quanto a outra.

2. Há  no romance algo da sua experiência com cibercultura ou com a linguagem hipertextual?

A narrativa dá  muito salto, vai e volta, temporalmente falando. Utilizo um único recurso tecnológico, para borrar a leitura de uma frase enigmática que o personagem lê. Ao lê-la, ele está emocionado, chora e as lágrimas borram a tinta. Pra simular esse efeito sobre o papel, escrevi a frase no fotoshop e fiz o efeito de água turvando essa imagem, de modo que o leitor não consegue ler, a menos que tenha conhecimento de magia e de alquimia e possa mais ou menos adivinhar. De fato, o narrador está escrevendo e chorando em cima dessas letras tempo todo, é uma constante ao longo de toda a narrativa. Ao lado desses recursos, fiz uma pesquisa danada, inclusive “de campo”. Empreendi uma viagem a essa região de Minas Gerais e São Paulo, pelo Google Maps, atrás do personagem e do contexto onde ele viveu, examinando estradinhas, nomes dos bairros, de cidades, para nominar tudo com exatidão. E também fiz uma pesquisa histórica para poder descrever a parte em que ele vai para a Segunda Guerra. Fiz questão de descobri o nome do navio que levou os pracinhas para a Itália, bem como as cidades por onde passaram, onde combateram e outros elementos históricos que aparecem no romance.

3. Por que você  preferiu o formato tradicional para este seu romance?

A grande bobagem dos entusiastas das novidades tecnológicas é achar que estamos inventando um mundo novo a partir do nada; e a grande bobagem dos catastrofistas é achar que há um passado glorioso que não pode ser tocado (aquele sujeito que diz adorar cheiro de bolor dos sebos). O fato é que a cultura envelhece como a gente envelhece. Eu tenho todas as idades que eu já tive. Todas estão comigo, não abro mão de nenhum dia dos meus 52 anos de vida. A cultura tem que ser assim também: não podemos abrir mão de um grama da cultura dos assírios, babilônios, jônios, sumérios, mesopotâmicos, gregos, romanos, bizantinos, galego-portugueses etc. Abrir mão disso é abrir mão da humanidade. Para sermos contemporâneos, não podemos esquecer os passos anteriores da humanidade. Uma atual etapa da tecnologia incorpora todas as outras. É assim que, como disse, acho, a Fernanda Montenegro, cada ruga é uma medalha que eu ganhei na minha vida. Não quero  jogar fora. Da mesma forma, cada momento cultural da civilização é precioso. Agora estou estudando trovadorismo pra orientar a dissertação de um aluno, lendo coisas sobre Idade Média, filologia do latim ao português. E é claro que, mesmo indiretamente, isso pode ajudar na criação digital: se pensarmos, por exemplo, que Bacon, ao pintar um papa também pintado por Velásquez, mostra como este pode ser contemporâneo. O novo necessariamente incorpora o antigo, senão, não é novo, é só gaiatice.

4. Mas seu primeiro romance foi publicado em meio digital…

Sim, por uma editora de livros digitais, a RBL, do Luís Filipe Ribeiro, do Rio de Janeiro; mas foi em PDF. Não visava especificamente o meio eletrônico, mas, se coloco uma escrita verbal tradicional (que não tem porque ser jogada fora) na internet, posso usar vantagens das duas maneiras de publicar.

5. Diz-se que dificilmente um autor se desenvolve plenamente em gêneros distintos. No seu caso, você faz poesia e prosa. Como é conciliar isso?

O que faço no romance não é radicalmente distinto do que faço em poesia, nem pode ser. Escrevendo romance trabalho muito ritmo e uso artifícios da poesia. Tento pegar um ritmo de frase quando estou escrevendo e isso é tão importante quanto a história. Claro!, na minha poesia é um ritmo mais construído, mais de pedreiro que vai medindo, pesando, arquitetando. Na prosa, vai mais do modo como eu quero que seja ouvido aquilo que penso, é, digamos, uma fluidez com mais percalços, como rio cujo fluxo se agita com pedra no meio dele.  Quando escrevo romance, não planejo totalmente a história; nos poemas eu sempre penso na totalidade da obra, seja digital, seja em papel. Claro que muita coisa vai mudando. Nos três romances, eu saía navegando e não tinha ideia certa de aonde chegar. De um lado, gosto de brincar de me sentir um deus, de criar um universo, pessoas, relações entre elas, acontecimentos de toda ordem, mas começo com uma imagem, uma frase, daí associo um assunto e um problema de vida humana, mas não sei aonde vai acabar. O romancista constroi o mundo que ele quer com as relações que deseja. Porém, ignorando onde se vai chegar, ele fica como um deus muito mais grego que cristão, mais humano; assim, a gente fica mais próximo das pessoas, como as que se criam na narrativa.

6. O que significa ganhar o premio Salim Miguel Romance da sua universidade?

Gosto muito do Salim como intelectual. Não é qualquer um que ganha o Juca Pato. Aqui, como Silveiras, eu conheço muito bem, há certo provincianismo que impede de ver quem está de perto. Quando estive na mostra Cem anos de Pintura brasileira, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, vi cinco quadros do Martinho de Haro e dois do Rodrigo de Haro. No entanto, aqui ninguém registrou esse fato. Vejo pessoas falarem do Salim lá fora, mas não o vejo receber o mesmo destaque aqui. Li Nur na escuridão e gostei muito. Então, ganhar um prêmio com o nome dele foi muita alegria e um estímulo. De outro lado, eu já fiz parte de júri de concurso e todos eles têm um pouco de lotérico. Este romance, por exemplo, já havia submetido a um ou dois concursos e deu em nada. Outra coisa: queria deixar registrado que o pseudônimo Nacer Adjas homenageia o nome de um grande amigo cabil (etnia argelina), um fotógrafo talentoso, sensível, que falava árabe, francês, português, foi casado com uma brasileira, era amante e profundo conhecedor do futebol brasileiro… acima de tudo, um artista sensível e um ser humano magnífico; ele morreu há 11 anos, de um câncer fulminante, pouco antes de que eu chegasse a Paris para visitá-lo com goiabada de presente e tudo. Ele faz falta não só a mim, mas a todas as pessoas.

7. Você  acumula várias funções: professor, pesquisador, coordenador do Nupill. Como você encontra espaço e concentração para escrever romance e poesia? Como é seu processo de criação?

Você se esqueceu de dizer aí que não abro mão de cultivar o ócio, ver jogo de futebol… Como eu disse na divulgação do resultado, não é que eu tenho que escrever. O fato é que eu não conseguiria não escrever. É essencial para mim. É verdade que eu tenho um ritmo muito rápido. Acho que tenho um problema neurológico, congênito, faço tudo rápido demais. Sempre fui expulso de roda de samba em mesa de botequim porque adianto o canto, não consigo batucar e cantar ao mesmo tempo, tenho um ritmo rápido demais e descontrolado. E estou sempre querendo concluir uma obra para começar a próxima. O que eu procuro fazer é me organizar, fazer agenda e delegar competências. Planejando bem o tempo, a gente consegue fazer tudo, ou quase tudo. Na criação, percebo ou provoco o impulso inicial de escrever, planejo a realização dessa escrita e fico de modo disciplinado seguindo o esquema que faço.

8. Você  tem outras obras em andamento?

Tenho seis obras concluídas. A atual, ainda sendo escrita, eu chamo de romance, mas é feita de versos rigorosamente medidos, com ritmo mais modulado em que os versos variam de tamanho, de melodia. É, na verdade, um poema narrativo, em seis episódios. O personagem está velho e a família espera que morra pra pegar a herança. Então ele tenta recuperar os anos e voltar ao começo da vida. E aí a história é uma tentativa desse personagem de recontar sua história para mudá-la. Também estou procurando um programador para concluir outra obra,Máquina de escancarar janelas: são poemas verbais acompanharão um dispositivo que bolei para o Windows, para gerar interferências dos poemas (sempre curtos) na leitura dos usuários, de modo a se mesclar ao que o leitor está lendo. Uma parte são hai kais alegres, como: “Copacabana: / a lua tricota a chuva / e brota um ikebana” e há parte mais dolorosas, em que falo da morte do meu pai.  Tenho ainda um livro de poemas digitais para ser lido em HTML que chamo de Pequeno jornal das notícias diárias desimportantes. Está pronto, falta acabar pouca coisa da programação. Mas minha decisão é colocar tudo que produzi em um sítio (site) na internet, que é o meio que garante muito mais a circulação e a leitura, do que o circuito da literatura em papel.

Entrevista a Raquel Wandelli/ Assessora de comunicação da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC


Trecho inicial do romance Ao que minha vida veio,
de Alckmar Luiz dos Santos

Bem lá  do alto

Tio Eli… deixou um bilhete: Viva o amor.

E pulou do ponto mais alto a que pôde chegar da sapucaieira maior das três que por lá  havia. Depois de ter dado e feito, durante a subida, seus dois ou três escorregões no limo verde-encardido dos galhos, que quase anteciparam sua queda no encurtando a altura do salto e dando um esticado assim na vida sua dele ainda por mais um tempo — que daí teria caído ele, Tio, de altura nada de coisa nenhuma condizente com tragédias e gestos desse jaez —. E foi assim que, sem mais escorregar nada não e com bem menos de dificuldade, ele apegou-se um só instantinho àquele e último galho, antes de se despenhar de lá de cima e chegar no ao-chão a bordo de um baque seco cheio de ecos. Que tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca param de ecoar. Ficam atroando ainda depois de terem silenciado as carpideiras todas, e desaparecido tudo quanto é soluço fingido e não, e mesmo sumidos de-vez de-feita os últimos estrídulos da marcha fúnebre tocada que era sempre pela Corporação Musical Mamede de Campos, que acompanhava todo enterro de escol tido e havido por lá.

De meu Tio e de sua queda, atestei que ele se havia despenhado da sapucaieira sem mais palavras dizer e deixar do que aquele curto estrito bilhete, mas estaria incorrendo em erro e omissão, grossos, pois que nada! de ele ter pulado de pirambeira de morro nem de pedra coisa alguma!, mas de árvore, sim! E além de tudo o mais, o curto bilhete, esse, não foi a única coisa que disse e se disse a respeito desses eventos todos, como se verá com o tempo e com ainda a zelosa paciência de se ir descascando as camadas todas de gentes e de histórias que habitam esses miúdos gestos com que vamos no-sempre nos rascunhando, desde o quando em que nascemos. E se alguns por aqui já se perguntam Por quê?!, e outros acrescentam Como?!, e ainda alguns atrevem um De que jeito?!, o máximo que se pode então e bem dizer é que toda pergunta só ensina muito depois de ser esquecida, mesmo porque o futuro só dá resposta ao que parece nunca ter sido perguntado!

Tirantes os nadas outros minguados sem importância, o máximo que se pode afirmar é que era no ano de 1932, informação com que ninguém daria no tal e dito bilhete Viva o Amor!, pois que ele não trazia data nem hora, nem local nem circunstâncias nenhumas. Exíguo de meios e de maneiras como era e foi, econômico no cerne seu, mas sempre muito de eloqüente nas molduras, meu Tio parece ter decidido que, daí em diante, as pessoas perceberiam sim que bilhete de suicida é de todo tempo e lugar; que, no aliás, bilhete de suicida sempre inaugura nova época e inédito local, refunda o mundo inteiro todo em cima de alguma lacuna, bigue-bangue ao revés que é, e que tal gênero de missiva não precisa e nem deve de ter aparência de ofício encaminhado a alguma repartição coisa-nenhuma. Corria então o ano de 1932, colorido e agitado pelos céleres aeroplanos do governo, federal, que, de quando em vez, traçavam linhazinhas vermelhas e barulhentas no azul ligeiramente algodoal do céu — como ocorre habitualmente nos maios, em Silveiras — e punham em polvorosa completa a molecada, pouco usual que era e ainda estava a algazarras de máquinas, a estrépitos de hélices, e ainda menos afeita a velocidades tão rápidas.

Tags: EdUFSCliteratura

“Jornalismo em Debate” discute redes sociais nesta quinta

17/05/2011 17:23

A quarta edição do “Jornalismo em Debate”, transmitido pela Rádio Ponto UFSC www.radio.ufsc.br, vai ao ar nesta quinta-feira, 19/5, trazendo o tema “Redes Sociais transformam o jornalismo?”. As discussões serão centradas nos limites da cobertura pautada na informação compartilhada por redes sociais e até que ponto esta é de credibilidade para o jornalismo.

O programa é produzido por acadêmicos dos cursos de graduação e pós-graduação em Jornalismo da UFSC, supervisionado pela professora Valci Zuculoto e terá a mediação do professor Áureo Moraes.

A produção faz parte da disciplina Cátedra Fenaj/UFSC de Jornalismo para a Cidadania. É uma parceria do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). As edições são quinzenais, com o objetivo de promover debates sobre temas relativos ao exercício da cidadania e à prática responsável do jornalismo.

Esta quarta edição também ficará disponível para os ouvintes após a transmissão do programa. Para participar formulando questões e sugestões, basta enviar e-mail para jornalismoemdebateufsc@gmail.com

Por Thiago Verney e Márcio Barcellos/ acadêmicos de Jornalismo UFSC

Tags: Jornalismo em DebateRádio Pontoredes sociaisUFSC

Webconferência com Marcelo Tas abre eventos da 10ª Semana do Jornalismo

17/05/2011 11:16

O jornalista e âncora do programa CQC Marcelo Tas participa de uma webconferência na quinta-feira, 19 de maio, às 20h30min, inaugurando a programação da 10ª Semana do Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele fará uma palestra online, através da conta no twitter @marcelotas, sobre sua participação na sétima edição do evento, em 2008, e sua experiência profissional.

O público poderá fazer perguntas através do próprio twitter ou pelo e-mail semanadojor@gmail.com. Esta é a primeira de quatro webconferências que serão realizadas mensalmente, entre maio e agosto, com profissionais que já participaram da Semana do Jornalismo.

A 10ª Semana do Jornalismo acontece de 12 a 16 de setembro no Auditório Henrique Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. Os convidados deste ano discursarão em mesas redondas, palestras, sabatinas e debates. Outros profissionais de destaque do estado ministrarão oficinas temáticas.

O evento, sem fins lucrativos, é totalmente promovido pelos alunos do curso. Os temas escolhidos procuram aprofundar questões em evidência na cobertura jornalística atual, analisar o mercado de trabalho e buscar por novas tendências de interesse.

Histórico
Pensando na interação entre aluno e profissional, a Semana do Jornalismo foi criada e realizada pela primeira vez em 2000. A importância de refletir sobre a profissão levou os alunos a tornarem a Semana um acontecimento anual. As edições de 2001 e 2005 não ocorreram devido às greves na universidade. Já participaram do evento profissionais como Ricardo Kotscho, Marcos Uchôa, Xico Sá, Ruy Castro, Rubens Valente, Marcos Sá Corrêa, Daniela Pinheiro, Clóvis Rossi, Juca Kfouri, Eliane Cantanhêde, Marcelo Canellas, Ricardo Noblat, Antero Greco, Sônia Bridi, Fred Melo Paiva, Jaguar, Cassiano Machado, Eliane Brum, equipe do Profissão Repórter e vários outros. Mais de 60 oficinas e 40 palestras foram realizadas.

Serviço
O quê:
Webconferência com Marcelo Tas
Quando:
19 de maio, 20h30min
Onde:
página no twitter: @websemana
Quanto:
gratuito
Mais informações:
semanadojor@gmail.com ou www.semanadojornalismo.ufsc.br

Tags: Semana do Jornalismo

Na Mídia: divulgado romance vencedor do Concurso Salim Miguel

17/05/2011 08:59

Diário Catarinense

Concurso Salim Miguel

Divulgado o romance vencedor

O professor e escritor Alckmar Luiz dos Santos foi o vencendor do Concurso Salim Miguel de Romance. O resultado foi anunciado ontem, em cerimônia comemorativa aos 30 anos da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), em Florianópolis.

O romance Ao Que Minha Vida Veio concorreu com outros 25 trabalhos. A comissão julgadora foi composta pelo escritor e tradutor Marcelo Tápia (SP), o professor e escritor Donaldo Schüler (RS) e a professora da UFSC Ana Luiza Andrade, tendo como presidente Eduardo Capela, também da UFSC. Os nomes dos inscritos não foram revelados aos membros da comissão – que só tiveram acesso aos pseudônimos, e não puderam comunicar-se entre si. A obra será publicada pela editora ainda no segundo semestre de 2011.

Paulista, Alckmar é professor de literatura brasileira na UFSC, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (Nupill/UFSC) e pesquisador.

A divulgação do vencedor do concurso de literatura ocorreu durante o lançamento coletivo de 65 livros editados nos últimos 12 meses pela editora, dentro de uma política de renovação, com reformulação gráfica e editorial abrangentes. O diretor da EdUFSC, Sérgio Medeiros, adiantou que o próximo concurso literário promovido pela editora vai prestigiar roteiro e dramaturgia.

Tags: Concurso Salim Miguel

Mostra do Festival Mix Brasil na UFSC

17/05/2011 08:54

O Ciclo de Cinema Trânsitos Contemporâneos traz à UFSC uma mostra de filmes e vídeos de curta-metragem selecionados do Festival Mix Brasil, realizado em São Paulo desde 1993. São oito títulos que resumem um pouco da história e dos significados deste que é considerado o “maior fórum de cinema GLBT da América Latina”. A exibição será realizada nesta sexta-feira, 20 de maio, a partir de 15h, no Anfiteatro no Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE).

Serão realizados debates com o doutorando Marcos Aurélio da Silva (Transes/PPGAS/UFSC) e com o mestrando Glauco Ferreira Batista (Transes/PPGAS/UFSC). O Ciclo de Cinema e Debates Trânsitos Contemporâneos é uma realização do Núcleo de Antropologia do Contemporâneo (TRANSES), da UFSC, e tem como objetivo abrir um espaço de diálogo crítico sobre questões do tempo presente a partir da exibição de filmes e posterior debate entre comentadores convidados e a plateia.

Mais informações:  glaucoart@gmail.com / mirebrito@gmail.com / mariafer@matrix.com.b

Programação:
– Eu não quero voltar sozinho, direção Daniel Ribeiro, BRA, 2010,17’
–  Babysitting Andy, direção Pat Mills, CAN, 2007, 11’
– O Móbile: Admiração, direção Lilian Werneck, BRA, 2010, 25’
– Rubbuds, direção Jan Chen, EUA, 2009, 3’
– Furico li Furico lá, direção Sandra Brogioni, BRA, 2009, 4’
– Panteras fora do armário, direção Sandra Brogioni, BRA, 2009, 5’
– A Drag a Gozar, direção Kiko César, BRA, 2007, 5′
– Travileirinho, de Rodrigo Averna, BRA, 2010, 4’

Tags: Festival Mix Brasil

Florianópolis sedia encontro nacional da Andifes

17/05/2011 08:46

A Universidade Federal de Santa Catarina é a anfitriã do encontro da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que começa nesta terça-feira, dia 17, e se estende até quinta-feira, 19, no Jurerê Beach Village Hotel, em Florianópolis.

Na pauta, a MP 520, que trata da criação de uma empresa para administrar os hospitais das universidades públicas brasileiras, o orçamento das IFES em 2012, o Plano Nacional de Educação 2011 e o Decreto 7.423/2010, que trata do funcionamento das Fundações de Apoio, entre outros temas.O encontro vai reunir representantes de 59 universidades.

Mais informações (48) 3721-6042

Programação:

17 de maio

19h Abertura

19h30min Relatório da MP 520/2010 – Deputado Danilo Forte (PMDB/CE), relator.

18 de maio

8h30min Informes.

9h30min FASUBRA.

10h30min Orçamento das IFES em 2012.

11h Discussão sobre a Nova Matriz de Orçamento.

12h Almoço.

14h 2ª etapa do Ciclo de Seminários PNE 2011 – 2021: Uma Educação do tamanho do Brasil.

16h Discussão sobre o Decreto 7.423/2010 (Fundações de Apoio).

16h30min Perspectivas para a Andifes nos próximos anos.

18h Encerramento das atividades do dia.

19 de maio

8h30min Apresentação de Relatório do Perfil dos Estudantes dos Cursos de Graduação Presenciais das Instituições Federais de Ensino Superior, (FONAPRACE).

9h30min Subsecretário Arquimedes Diógenes Ciloni – Subsecretaria de Coordenação das Unidades de Pesquisa (SCUP/MCT).

10h ANDES.

10h40min Dimensionamento de Técnicos-Administrativos (TAs).

12h Encerramento das atividades do dia.

Tags: Andifes

UFSC estuda produção de nanopartículas de prata e impregnação em diferentes materiais

17/05/2011 07:59

Conhecidas desde a antiguidade por gregos e romanos, as características antibacterianas da prata são potencializadas pela nanotecnologia – a tecnologia que manipula a matéria na escala deátomos e moléculas. Para o setor têxtil as nanopartículas de prata dão origem a tecidos capazes de controlar bactérias, fungos e ácaros (meias que não geram mau cheiro, por exemplo). Para a indústria de eletrodomésticos, a inovação tecnológica resulta em geladeiras com maior poder de conservação dos alimentos, máquinas de lavar com poder antibactericida.

Outros vários exemplos poderiam ser citados, diversos produtos já estão no mercado e nas universidades impulsionando a pesquisa. Na UFSC, o potencial das nanopartículas de prata estimula o trabalho junto ao Laboratório de Síntese Inorgânica e Nanocompósitos (Labsin), ligado ao Departamento de Química. O coordenador do laboratório, professor Cesar Vitório Franco, desenvolve pesquisas em nanociência e nanotecnologia desde 2005. Em 2007 orientou um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que permitiu estudos sobre produção, impregnação e eficiência das nanoparticulas de prata como agentes bactericidas em malhas. Em 2008, outro TCC possibilitou estudos sobre preparação e caracterização de nanopartículas de prata e sua adição em silicone.

A proposta de trabalho com as pequeníssimas partículas de prata foi também apresentada em 2008 pelo estudante Raphael Antonio de Camargo Serafim, então orientando do professor Cesar Vitório Franco, ao projeto Sinapse da Inovação. O concurso promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e realizado pela Fundação Certi tem como objetivo prospectar e transformar boas ideias do meio acadêmico em negócios de sucesso. Contemplado, Raphael desenvolveu estudos sobre a sanificação de ambientes e dispositivos hospitalares usando produtos de nanotecnologia com elevado poder antiséptico (tudo à base de nanopartículas de prata). Também reconhecido na universidade com o Prêmio Destaque da Iniciação Científica (escolhido entre os melhores projetos apresentados no 18º Seminário de Iniciação Científica da UFSC), o trabalho culminou na fundação de uma empresa de nanotecnologia, a TechNano Solution (TNS), que foi incubada no Parque Alfa Tec, parque tecnológico de Florianópois.

“É a primeira spin out saída do laboratório sob minha coordenação”, orgulha-se o professor Cesar Vitório Franco. “Busco a formação de pessoas que possam criar seus próprios negócios. Queremos formar geradores de empregos”, faz questão de ressaltar. Atualmente a equipe que atua no LabSiN se aprimorou na tecnologia de produção de emulsões contendo nanopartículas de prata, já testou o uso desse aditivo químico em tecidos, numa parceria com o setor têxtil, e continua pesquisando a impregnação de polímeros (os populares plásticos). A equipe também integra uma rede nacional de nanotecnologia e trabalha em parceria com professores do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFSC no desenvolvimento de um filtro constituído por nanopartículas visando o fornecimento de água potável para ser acessível à população de baixa renda.

Nano = Anão

As pesquisas com nanopartículas de prata em tecidos são desenvolvidas em parceria com o setor têxtil, e como tratam de alta tecnologia, dependem de sigilo industrial. Mas em palestras para empresários do ramo, o coordenador do laboratório difunde os benefícios da inovação: “Nanotecnologia pode gerar materiais com propriedades otimizadas, agregar valor e cativar os clientes mais exigentes”, destaca o pesquisador. Sempre citando exemplos, ele mostra como as pesquisas no campo da nanotecnologia se inspiram na natureza para, a partir da manipulação dos átomos, alcançar propriedades com alto valor tecnológico agregado.

“Nanotecnologia é manipular a matéria na escala atômica. É tecnologia que lida com estruturas menores que 100 nanômetros”, explica, lembrando que o prefixo nano vem do grego, que significa anão. “A nanopartícula é para a bola de futebol como a bola é para a terra”, complementa o professor Cesar Vitório Franco, referindo-se à diminuta escala nanométrica (um nanômetro equivale a 1 milímetro dividido 1 milhão de vezes).

Segundo ele, atualmente a UFSC conta com boa estrutura para desenvolvimento das pesquisas neste campo, como o Laboratório Central de Microscopia Eletrônica. O setor multiusuário é equipado com potentes microscópios eletrônicos, com poder de ampliação de até um milhão de vezes, equipamentos fundamentais para caracterização dos materiais impregnados com nanopartículas de prata. Materiais que têm recebido a atenção de pesquisadores de todo o mundo e chamam atenção tanto por sua inovação quanto por dúvidas e polêmicas relacionadas às suas características inéditas.

Empreendedorismo incentivado

A oportunidade de participar do Sinapse da Inovação em 2008 foi fundamental para queo então estudante de graduação em Química da UFSC, Raphael Antonio de Camargo Serafim, montasse seu próprio negócio. Orientando do professor Cesar Vitório Franco, um incentivador do empreendedorismo, Rafael propôs a criação de uma empresa produtora de nanopartículas de prata, a TechNano Solution (TNS).

A ideia inicial era aproveitar o potencial bactericida em equipamentos cirúrgicos, cateteres, aventais, tintas – materiais direcionados a reduzir a infecção hospitalar. Os R$ 30 mil conquistados foram fundamentais para constituição da empresa e também para a elaboração de um plano de negócios para o empreendimento que foi incubado no Parque Tecnológico Alfa.

Em 2009 Raphael participou de uma segunda fase do Sinapse da Inovação. Dessa vez o concurso teve como diferencial a abrangência estadual e o objetivo de apoiar o desenvolvimento de protótipos. Nesse momento foi contemplado com R$ 50 mil para desenvolver um aditivo químico antibacteriano para o setor têxtil. “Foram apoios fundamentais”, lembra, citando também a conquista de R$ 120 mil da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia), por meio do Programa Prime (Primeira Empresa Inovadora). A TNS conquistou também um novo sócio, Gilberto Heinzelmann, que com sua expertise aproximou a TNS de importantes empresas europeias que há anos trabalham com  nanotecnologia.

Graças e estas novas parcerias atualmente o portifólio da TNS inclui soluções à base de nanopartículas de diferentes funcionalidades: para a área têxtil, embalagens e utensílios de cozinha, filtros, ambientes e equipamentos, cosméticos, fármacos e tintas. “Nossa visão é nos tornarmos uma empresa de referência em nanotecnologia no Brasil, oferecendo soluções customizadas para empresas”, conta com satisfação Raphael. “Tivemos um alicerce sólido para estruturar e agora estamos na iminência de comercializar”, complementa satisfeito.

Mais informações:

– Com o coordenador do Laboratório de Síntese Inorgânica e Nanocompósitos (LabSiN), César Vitório Franco, e-mail:franco@qmc.ufsc.br, fone: (48) 3721-9765 / 3721 6852 – Ramal 214

– Com Raphael Serafim, TechNano Solution (TNS), raphael@tnsolution.com.br

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Tags: nanopartículas de prata

Universidade implanta Comitê de Inovação Tecnológica

17/05/2011 07:56

Com o objetivo de auxiliar suas decisões sobre a gestão da Propriedade Intelectual, a UFSC vai criar um Comitê de Inovação Tecnológica. Formado por 10 integrantes, o novo órgão vai assessorar o Departamento de Inovação Tecnológica, ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão da Universidade.

A formalização do órgão será no dia 25 de maio, às 11h, na Sala dos Conselhos, prédio da Reitoria. Auxiliar na discussão e criação das políticas institucionais de inovação e transferência de tecnologia, nos processos envolvendo questões relacionadas à cultivares e ao direito autoral, na avaliação da manutenção de um pedido de patente e de uma patente concedida e na divulgação dos resultados das pesquisas realizadas na Instituição estão entre as atribuições do novo comitê. As reuniões serão mensais.

Composição do Comitê de Inovação Tecnológica:

– Diretora do Departamento de Inovação Tecnológica (DIT): professora Rozangela Curi Pedrosa

– Um servidor do DIT: professor Irineu Afonso Frey

– Sete servidores docentes representando as áreas tecnológicas, sociais e jurídicas da Universidade: professor Mário Steindel (CCB); professor Victor Juliano de Negri (CTC); professor Arnaldo José Perin (CTC); professor José Eduardo De Lucca (CTC); professor Silvio Antonio Ferraz Cario (CSE); professor Antônio Augusto Ulson de Souza (CTC); professor Marcos Wachowski (CCJ)

– Um representante discente da pós-graduação.


Atribuições:

– Auxiliar na discussão e criação das políticas institucionais de inovação e transferência de tecnologia da UFSC

– Promover políticas institucionais de inovação e transferência de tecnologia da UFSC;

– Auxiliar na avaliação dos processos de licenciamento de tecnologias da Instituição;

– Auxiliar nos processos envolvendo questões relacionadas à cultivares e ao direito autoral;

– Auxiliar na indicação de consultores ad-hoc para avaliação e redação de patentes;

– Auxiliar na avaliação da patenteabilidade ou não do resultado de uma pesquisa;

– Auxiliar na avaliação da manutenção de um pedido de patente e de uma patente concedida;

– Auxiliar na avaliação das perspectivas de impacto econômico das tecnologias;

– Auxiliar na divulgação dos resultados das pesquisas realizados na Instituição.

Mais informações:  www.dit.ufsc.br / dit@reitoria.ufsc.br / (48) 3721-9628

Por Arley Reis / Agecom

Tags: Comitê de Inovação Tecnológicapropriedade intelectualPRPE

Projeto 12:30 recebe o Coletivo PIRA! nesta quarta na Concha Acústica

16/05/2011 16:02

Arte da camiseta do Coletivo

O Projeto 12:30 recebe o Coletivo PIRA!, nesta quarta-feira, 11 de maio, às 12h30min na Concha Acústica. O espetáculo é gratuito e aberto à comunidade. O Coletivo PIRA! (Coletivo de Produção Integrada de Resistência Antimanicomial) é um espaço de militância, formação, trocas e intervenções acerca da saúde mental na perspectiva da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica. Para comemorar o dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio) e com o objetivo de sensibilizar a comunidade acadêmica para as formas de ver o sujeito e as relações sociais estabelecidas na produção da loucura, o Coletivo, juntamente com a ABRASME – Associação Brasileira de Saúde Mental – convidam para à HORA DA LOUCURA!!!

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Tags: Coletivo Pira!Projeto 12:30UFSC

Homofobia é tema de exposição de cartazes no CFH

16/05/2011 11:30

A exposição do III Concurso de Cartazes sobre Transfobia, Lesbofobia e Homofobia nas Escolas, que está acontecendo no Hall do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC, recebeu, nesta edição, 103 peças, revelando o aumento de interesse pelas temáticas abordadas pelo Projeto Papo Sério, que é desenvolvido desde 2007 pelo NIGS-UFSC em escolas da Grande Florianópolis.
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Tags: cartazeshomofobialesbofobia

Mara Lago recebe título de Professora Emérita

16/05/2011 10:27

Na próxima segunda-feira, dia 23 de maio, acontecerá a outorga do título de Professora Emérita da UFSC à professora Mara Coelho de Souza Lago, do Departamento de Psicologia. A professora aposentou-se no ano passado, mas continua exercendo atividades profissionais junto ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia e ao Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, na modalidade de professora voluntária. A cerimônia será realizada no Auditório da Reitoria, às 19 horas, e toda a comunidade acadêmica da UFSC está convidada a prestigiar a homenagem.

Mais informações com a professora Edite Krawulski – Chefe do Departamento de Psicologia – telefone 3721-8548.

Tags: Professora Emérita

Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina completa 45 anos auxiliando transferência tecnológica na UFSC

16/05/2011 10:13

Pesquisa, desenvolvimento e avaliação de implantes reabsorvíveis; uso racional de água e de energia elétrica em habitações de interesse social; plataforma colaborativa web para apoio remoto ao diagnóstico e procedimentos cardiovascular integrado e minimização de consumo de energia em refrigeradores domésticos são apenas alguns exemplos entre 300 projetos de pesquisa em execução pela UFSC e que contam com gerenciamento da Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina. Por meio da Feesc, professores de Engenharia Civil participam da elaboração do Programa Nacional de Logística Portuária, o chamado PDI dos Portos, uma prioridade para o governo federal. A Feesc também atua junto à Secretaria de Estado da Saúde no programa de Telemedicina e capacita técnico-administrativos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Nesta quarta-feira, a fundação criada seis anos após a instituição da UFSC, em 18 de maio de 1966, completa 45 anos. A data será celebrada no Auditório da Reitoria, a partir de 18h. Antes, às 17h, a entidade inaugura em sua sede, no campus da Trindade, galeria de presidentes.

A Feesc foi criada pelas Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), que precisava de engenheiros para dar conta de suas atividades na geração e distribuição de energia. Seu surgimento viabilizou a implantação do Curso de Engenharia Elétrica na UFSC, e a fundação também passou a apoiar projetos de pesquisa e extensão, em parceria com a universidade e outras instituições públicas e privadas.

“Quando fui convidado pelo reitor Avaro Prata para dirigir a fundação não conhecida o Centro Tecnológico. Fui então visitar este e outros centros e vi que temos laboratórios e professores que não ficam atrás dos que podem ser encontrados nas principais universidades do mundo”, destaca o diretor-presidente da Feesc, Maurício Fernandes Pereira, professor do Departamento de Ciências da Administração que desde junho de 2009 preside a entidade.

“Com a Petrobras são diversos projetos, como o que estuda a prospecção de petróleo em águas profundas”, lembra o professor, citando um dos grandes parceiros que investe no desenvolvimento de projetos na Universidade via Feesc. Ministérios como o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Estado da Saúde, Eletrosul, Celesc, Agência Nacional de Transportes, Agência Nacional de Energia Elétrica, Embraco, Weg, Fiat e BNDES são outros colaboradores da entidade que em 2010 captou R$ 90,1 milhões para a execução de trabalhos pela Universidade Federal de Santa Catarina.

“Sem as fundações não teríamos o mesmo desempenho, nem as melhorias na interação com diferentes setores da sociedade”, confirma o reitor da UFSC, Alvaro Toubes Prata. A Feesc é uma das quatro fundações (há ainda Fapeu, Fepese e Fundação José Boiteux) que ajudam a universidade, presa a trâmites e procedimentos burocráticos comuns a todos os órgãos públicos, a desenvolver projetos de ensino, pesquisa e extensão.

“As fundações são um bem da sociedade, trabalham com dinheiro público, e a UFSC transforma, por meio delas, a sua competência em prol dessa sociedade”, reforça o professor Maurício.  “Seu surgimento na década de 70 constituiu uma resposta criativa da comunidade acadêmica ao engessamento imposto pela ausência de faculdades legais que assegurassem maior flexibilidade e agilidade à gestão das atividades de pesquisa e extensão das Instituições Federais de Ensino Superior”, complementa o reitor da UFSC.

Mais informações sobre o aniversário da Feesc com o diretor-presidente, professor Maurício Fernandes Pereira, fone 3231-4402

Por Arley Reis e Paulo Clovis / Jornalistas da Agecom

Tags: Feesctranferência tecnológica

Editora lança hoje 65 livros e divulga resultado de concurso de romance

16/05/2011 08:26

Um grande evento literário marcará as comemorações dos 30 anos de fundação da Editora da UFSC e um ano de virada na política gráfica e editorial que a projetou entre as melhores editoras universitárias do país. Em alusão a essas conquistas, a Secretaria de Cultura e Arte da UFSC promove hoje, 16 de maio, às 17 horas, na sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos, o lançamento coletivo: “A Editora da UFSC no século XXI”, que trará a público 65 obras de grande relevância cultural. No mesmo evento, a Editora vai divulgar o nome do vencedor do Concurso Salim Miguel de Romance, o único no gênero hoje em Santa Catarina.
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Inscrições para o Apoio Pedagógico

16/05/2011 08:19

Estão abertas até 20 de maio pelo site: www.apoiopedagogico.ufsc.br, as inscrições para as disciplinas do Apoio Pedagógico da UFSC para a segunda etapa do primeiro semestre de 2011. Início das aulas: 23 de maio para os estudantes do Campus de Florianópolis. As disciplinas oferecidas são  Biologia (ênfase em bioquímica e biologia celular), Física, Inglês, Matemática, Produção Textual e Química.
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Animal que habita o homem é tema de livro a ser lançado pela Editora da UFSC

14/05/2011 12:35

Pensar e escrever o animal, que será lançado no dia 16, no aniversário da Editora da UFSC, reúne pela primeira vez no Brasil o pensamento que propõe repensar o conceito de humano a partir da sua relação com outras espécies


Seja na metamorfose de um jovem em inseto ou no profundo mergulho interior de uma dona de casa ao encarar uma barata no armário, as artes e a literatura sempre tentaram esgarçar as grades com as quais a ciência e o comportamento antropocêntricos separam os homens das outras espécies. Meninos-pássaros, homem-jangada, esposas vegetais, mulher-pantera, pergaminho humano, matrix, avatares, indivíduos biônicos, água viva: o homem sempre experimentou existências híbridas no plano do imaginário, frutos do contágio e da contaminação.

Mesmo a ficção científica quando zoofóbica ou tecnofóbica manteve-se como linha de fuga, linguagem-refúgio para a existência de um ser além de classificações, irredutível, neutro, inumano. E seria preciso aludir ainda às lendas indígenas, à cultura oriental e à religiosidade pagã, onde o humano se pluraliza em outras formas de vida, desfilando guerreiros transformados em lua, noivas em nenúfar. É nesses lugares privilegiados de acesso ao imaginário e de projeção de mundos possíveis que as jaulas podem se abrir para que o humano encontre a natureza e a fera livre das amarras da pretensa racionalidade que sustenta a supremacia e a arrogância da espécie desde a idade média.

Essas experimentações do imaginário finalmente ecoaram para a ciência. Só no século XX e sobretudo neste século, quando as fronteiras entre o animal, o humano e a máquina foram mais seriamente tensionadas, parte emergente dela decidiu colocar em xeque os parâmetros em torno do conceito de humano com base no que supunha saber sobre os animais e outras espécies. Fruto de uma parceria entre a Editora da Universidade Federal de Santa Catarina e a Fapemig, a obra Pensar/Escrever o Animal; ensaios de zoopoética e biopolítica vem a público com esse propósito. O lançamento em Florianópolis está marcado para segunda-feira (16), às 17 horas, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, como parte das comemorações dos 30 anos da editora promovidas pela Secretaria de Cultura e Arte. Organizada pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Esther Maciel, a obra é a primeira publicação no Brasil que expressa o pensamento contemporâneo multidisciplinar em torno de uma das questões mais emergentes da atualidade: a superação do antropocentrismo.

Lançado na última semana com grande impacto em Belo Horizonte, o compêndio de 421 páginas reexamina a relação do homem com outras formas de vida e o impacto dessa relação na própria concepção clássica de ser humano. Em torno dessa temática gravitam 20 ensaios inéditos de grandes especialistas internacionais traduzidos para o português, como  Dominique Lestel e Donna Haraway, que fecha a obra empreendendo uma criativa e instigante conversa com Sandra Azeredo, além de textos de ensaístas brasileiros, como  Benedito Nunes, um dos maiores estudiosos da literatura moderna brasileira,  Márcio Selligmann-Silva e Raúl Antelo (UFSC). Inscritos na confluência entre os chamados “estudos animais” e diversas outras áreas, como filosofia, ontologia, religião, literatura, artes, etologia, biologia, arqueologia, antropologia, zoologia, biopolítica e estudos de gênero, os ensaios abordam pesquisas científicas recentes e leituras diferenciadas na perspectiva utópica (ideal?) de uma ética do inumano ou do pós-humano, que seria um mundo sem gêneros.

No artigo de abertura, “O animal e o primitivo: os outros de nossa cultura”, Benedito Nunes cria para o tratamento dos animais a alegoria de “prisioneiros de guerra”, de cuja vida o soberano pode dispor. Afirma que o paradigma cartesiano, pelo qual o animal é “um corpo sem alma” ou simples mecanismo a serviço do homem, tem justificado o sofrimento de inúmeras espécies. O tratamento “humano” ignora que o nosso “outro mais estranho” também é portador de sistema nervoso e de estímulos dolorosos. Nunes sustenta que a libertação do animal significa a libertação do homem da crueldade e defende que o apego atual aos artefatos tecnológicos canaliza o vínculo afetivo recalcado com espécies hoje inferiorizadas, mas amadas e cultuadas por povos ancestrais e ditos primitivos. Os ensaios fazem alusão a comunidades híbridas, onde homens e animais convivem em condições de igualdade. Ainda mais impactante e surpreendente é o ensaio de Dominique Lestel, que despretensiosamente vai pondo abaixo tudo o que compreendemos como característico e específico do homem (a linguagem, o artefato, a cooperação), propondo estabelecer o estatuto do homem mais pelas semelhanças com outras formas de vida do que pelos seus contrastes.

O movimento de animalização do ser humano na literatura e nas artes não é atribuído por esses filósofos à inferiorização metafórica dos animais, nem a uma mera apologia da natureza, mas antes a uma necessidade visceral e recalcada de libertar o próprio homem das amarras de ser homem oprimindo as outras espécies. E o faz ruminar no inconsciente os ecos da maldade antropocêntica, como no poema de Eucanaã Ferraz, analisado pela autora Esther Maciel: “Que nos pergunta o boi/ desde o silêncio e sobre este/ seu estrume, flor extrema?/Que nos pergunta em sua/ Ronda infinita desde/ O dorso de um vaso/ Sua pergunta redonda desde/O afresco em ruínas desabando/ […] Interroga/ sobre nós talvez, como se dele fôramos/ o seu mistério, seu tempo, seu espaço,/ cerne hostil de sua compreensão/ do mundo e de si mesmo”.

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Maria Esther: "Amar os animais é um aprendizado de humanidade"

“No futuro não conheceremos mais os animais e haverá menos vida”

Entrevista: Maria Esther Maciel

Da visão antropocêntrica e especista do mundo advêm todas as formas de opressão, acreditam os pensadores dos chamados Estudos Animais: do homem contra as demais espécies, do homem contra a natureza, os demais gêneros, as raça e classes subalternas, enfim, do homem contra os seus “outros”. Professora de literatura na Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Esther Maciel concedeu esta entrevista sobre a obra Pensar/escrever o animal, ensaios de zoopoéticas e biopolítica, publicada pela UFSC. Autora, entre outras obras, de O animal escrito: um olhar sobre a zooliteratura contemporânea, ela acredita que no futuro não haverá mais animais em sua forma plena de existência. Esse desaparecimento implica em todas as conseqüências de perda de vida e oportunidade de o homem estar diante do seu outro absoluto. “Haverá uma destruição em larga escala das espécies selvagens. As futuras gerações só conhecerão animais de estimação excessivamente humanizados e domesticados ou ainda animais para consumo, com vida curta e reproduzidos nas piores condições de sobrevivência”.

1 – Como você situa dentro do pensamento contemporâneo o movimento inserido nessa obra que se propõe a refletir sobre as questões da animalidade?

Ela parte de duas instâncias:  de um lado a reflexão sobre  animais e a animalidade, de outro  as relações entre humanos e outras formas de vidas. Esse tema tem estado em evidência em vários campos do conhecimento, sobretudo, na Europa, América do Norte e Austrália, onde é uma questão muito viva. Envolve estudos na área de zoologia, filosofia, literatura, artes, antropologia, ecologia, compondo um novo campo multidisciplinar chamado Estudos Animais. Esse livro é uma primeira tentativa de colaborar para a construção desse campo de estudos no Brasil. É o primeiro livro no país que busca essa abordagem transdisciplinar da questão animal dentro do pensamento contemporâneo.


2 – Quem são os precursores desse pensamento?

Derrida, com seus antológicos escritos sobre o animal. As abordagens biopolítica de Agamben, com O aberto, e bioética de Peter Singer, autor de A Libertação animal; Deleuze, com o conceito de devir-animal; Foucault ao investigar a relação entre animalidade e loucura; Bataille e a exploração do erotismo, Donna Haraway, com o conceito de “companion species” enfim, autores de diversas áreas que realizam estudos importantes sobre animalidade e as relações entre humano e animal ajudam a compor essa crítica na direção de um pensamento pós-humano.


3 – O que estaria no âmago do antropocentrismo?

Trata-se de um sentimento de soberania e superioridade humana, que leva à inferiorização das demais espécies, promovendo a associação dos “outros humanos” aos “outros animais”. O antropocentrismo hierarquiza e tiraniza por sua potência não só as espécies diferentes, mas os próprios humanos, subjugando os que são tidos como inferiores e por isso podem ser mortos. O poder soberano delibera sobre a vida e a morte desses grupos de pessoas relegadas ao lugar de prisioneiros de guerra, como fez o nazismo, como faz o imperialismo, ao anular esses seres humanos associando-os aos animais. Em síntese, a maneira como o homem soberano trata os animais, na qual tudo é permitido, é transposta para as relações humanas nesse exercício de poder em que se pode dispor da vida do outro e determiná-la.


4 – O que há de novo nessa retomada da crítica ao antropocentrismo e à racionalidade humana?

Pela primeira vez estamos nos deixando perturbar pela presença do animal.  Nessa “reviravolta animal”, estamos deixando que surja esse outro do próprio homem, que foi excluído, desprezado, em nome da máquina antropocêntrica. O animal volta como referência para se repensar o conceito de humano e as relações entre humanos e não-humanos.


5 – Aliás, a questão da animalidade ganhou impacto quando o filósofo francês Jacques Derrida  publicou O animal que eu sou, partindo da perturbação pessoal que lhe causava o olhar de seu gato e chamando atenção para o fato emblemático de que até então a filosofia ocidental nunca havia refletido sobre como pode o animal olhar o homem…

Derrida faz uma crítica radical a uma linhagem da filosofia em que se inscrevem Aristóteles, Descartes, Heidegger, Levinas, dentre outros, que analisam o homem partindo de um ponto de vista antropocêntrico e definindo os chamados “próprios do homem”, ou seja, as propriedades específicas dos humanos em relação aos outros animais. Derrida fala da importância dessa questão para a filosofia contemporânea e, a partir de um outro olhar, busca desestabilizar um conceito clássico de humanismo.


6 – Mas afinal, porque a humanidade precisa pensar sua animalidade?

Aproximar-se do animal é se tornar mais animal. Amar os animais é um aprendizado de  humanidade. O homem pode se pluralizar com essa relação. É a forma mais radical de alteridade. Recuperar a animalidade é o sentido de recuperação do humano, porque o animal não se dissocia da humanidade.  Há certa necessidade atávica de recuperar uma animalidade perdida.


7 – E como você vê  a emergência política dessa temática para a sociedade como um todo?

De um lado, há uma questão contextual concreta, relacionada às grandes catástrofes ecológicas a despertarem a consciência em relação à natureza e ao equilíbrio entre todas as formas de vida. Por outro, a própria crise do conceito de razão como elemento dissociado, diferenciador próprio do humano, capaz de dar a ele o poder sobre as demais espécies. Estamos vivendo uma crise da filosofia, da maneira de pensar nosso ser e estar no mundo em relação ao que nos cerca. Trata-se de reconfigurar o próprio estatuto do humano.


8 – Em síntese, quando e como a ciência estabeleceu a cisão entre homens e animais?

É difícil dizer, porque animalidade não é algo que se possa definir com precisão.  A cisão se deu muito com o triunfo da razão cartesiana, que legitimou a superioridade humana e propiciou as relações de domínio dos homens sobre demais viventes. Essa cisão deixou o humano desprovido de algo que é inerente à nossa condição animal e pode potencializar nossa relação com o outro, os outros. Na verdade, o ser humano não tem ainda a consciência de que faz parte de uma comunidade híbrida inter-espécies. Essa consciência passa pelas questões ecológicas, mas também pela crise da idéia de humano em função das novas tecnologias, da vida artificial, das próteses que funcionam como extensões do corpo e provocam uma crise no conceito de humano enquanto espécie separada das outras formas de vida e mesmo das coisas e dos artefatos tecnológicos.


9 – Em grande medida, tudo o que a ciência definiu sobre o homem o fez em contraste ao que pressupõe como suas vantagens sobre o animal. Mas nós sabemos quem é o animal?

Somos totalmente ignorantes em relação ao animal, que é um estranho por excelência, pois como imaginar o que o animal sente, pensa ou é? Não há linguagem comum que permita esse conhecimento. Os estudos da animalidade estão atentos às descobertas recentes da etologia sobre as qualidades dos seres não humanos em termos de inteligência, de sensibilidade, de atributos que eram tidos como humanos. Hoje esses estudos de comportamento do animal têm revelado propriedades impressionantes nos animais.


10 – Inclusive no campo da linguagem, que é um limite demarcado como o que distingue o humano por excelência?

Sim, há um campo exploratório pensando o animal também como um ser de linguagem. É o campo da zoosemiótica que está em expansão no leste europeu com imbricações na lingüística e na semiótica.


11 – A ciência e o pensamento cartesiano ocidental se sustentam na distinção do humano, mas a literatura, as artes, as culturas pagãs e primitivas nunca se restringiram a essa prisão do homem como um ser absoluto que domina o mundo. Todos são povoados por personagens e figuras míticas que experimentam formas híbridas entre humanos, animais, vegetais, máquinas…

Sim, inclusive através da literatura é possível traçar a história do animal e de sua relação com o homem. Desde as fábulas de Esopo, desde os gregos antigos, os animais aparecem na literatura de diferentes maneiras: antropormofizados, alegorizados, metaforizados ou como personagens merecedores de consideração enquanto outros que sentem, sofrem e compartilham nosso espaço no mundo. Em geral, a literatura ficou muito voltada para a metáfora pejorativa ou fantástica do animal. O animal, nesse caso, sempre usado como metáfora do humano, como ponto de partida para um projeto humano e o homem sempre no foco. Desde os gregos, passando pela idade média, o animal literário foi colocado a serviço do humano. A mudança de parâmetro se deu na idade moderna, em função da teoria darwiniana que questiona o criacionismo e marca as origens animais do homem. Depois, os avanços da ciência do animal fizeram com que ele aparecesse em sua autonomia e relevância enquanto ser vivo (e não apenas como primitivo do homem). Surge também na literatura uma tentativa de exercitar, por vias poéticas e ficcionais, a animalidade.


12 – Mas paralelamente há  um movimento de exclusão e demonização da animalidade nos séculos XVIII e XIX…

De fato, isso tem a ver com uma mentalidade religiosa muito puritana de sacralização da espécie humana. O catolicismo oficial contribuiu muito para a renegação do animal e para a fixação desse estigma que o relega à inferioridade, violência, irracionalidade, loucura, sexualidade, perversão. Os animais são os que não têm alma. Esse especismo religioso teve repercussão simbólica na literatura com o surgimento de híbridos entre formas humanas e animais. Também o moralismo puritanista do século XIX propiciou a emergência dessas bestas na literatura, revelando uma animalidade recalcada, que vem do imaginário como monstruosa e ameaçadora. O que, na verdade, é um retorno a um momento da idade média, em que a repressão  à animalidade e aos mitos pagãos provocou essa composição ameaçadora e recalcada do animal. Hoje os vampiros e os lobisomens retornaram à cena na ficção literária e cinematográfica, mas esvaziadas de sua animalidade.


13 – Sim, são formas híbridas domesticadas, controladas, que fazem sucesso pelo seu aspecto bizarro, mas não abalam o antropocentrismo… Muito diferente da experiência perturbadora que vivenciamos, por exemplo, com a leitura de Paixão segundo G.H, de Clarice Lispector…

Ocorre que a partir de Darwin, de uma série de mudanças de paradigmas e questionamentos da própria ciência e da razão, houve uma tentativa de recuperar a animalidade de forma menos agressiva.  Aí temos Kafka e Virginia Woolf, que são o pilar da alteridade animal na literatura universal. E temos Clarice Lispector, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, que nos mergulham no mundo animal sob todas as perspectivas, desde a ênfase às possibilidades de vínculos afetivos, passando pela crítica ao antropocentrismo até o exercício propriamente dito da animalidade, com personagens que fazem o trânsito para a condição animal.


14 – Você acredita que um dia olharemos para trás e pensaremos na relação predatória das outras espécies com a vergonha e a perplexidade que hoje temos ao examinar crimes naturalizados no passado, como a escravidão dos negros pelo ocidente?

Acho uma expectativa um pouco utópica. Infelizmente minha expectativa é que em breve não haverá  mais animal enquanto o outro que proporciona uma experiência radical de alteridade. Os que vão persistir são os do zoológico e os produzidos para consumo de alimentos, numa reprodução em série e cruel, dentro do pior do sistema capitalista. Acredito que, de um lado, haverá uma destruição avassaladora da vida animal selvagem e livre, em paralelo à humanização excessiva dos animais de estimação e, por outro, essa produção massiva de viventes em condições bárbaras, seres de vida curta e programada, nascidos para serem mortos deliberadamente.


15 – E qual a conseqüência para a humanidade do desaparecimento dessa condição mais plena do animal com o desafio e o mistério que oferece?

Se os animais desaparecem, o mundo perde vida e o homem perde a oportunidade de aprender o que é  esse outro e assim de conhecer a si mesmo e as suas potencialidades.

Por Raquel Wandelli/ Jornalista na SeCArte

Matéria publicada no Diário Catarinense

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