Morre Salim Miguel, escritor e ex-diretor da Editora da UFSC
Líbano, 30 de janeiro de 1924. Brasil, 22 de abril de 2016. Em comum entre esses dois países e essas duas datas um nome: Salim Miguel, romancista, contista, um jornalista cirúrgico nas palavras, inovador nas reportagens da extinta revista Manchete e que marcou época como crítico literário nas páginas do Jornal do Brasil nas décadas de 1970 e 1980.
Salim Miguel faleceu aos 92 anos na noite desta sexta-feira em Brasília, onde estava internado em UTI desde o dia 7, para tratar uma broncopneumonia. Nos últimos dez dias, estava em coma, contrariando um de seus desejos: que não estivesse inconsciente até chegar a hora de sua morte. Estava com a saúde debilitada há anos e em 2012 já havia chegado a ficar em coma após uma queda em casa, mas se recuperou. O corpo do artista deve ser cremado em Brasília e depois as cinzas trazidas a Florianópolis para as homenagens póstumas.
Nascido em Kfarssouron, Salim Miguel chegou com três anos de idade ao Rio de Janeiro, cidade onde morou com a família durante um ano. Mas o destino estava (sem trocadilho) escrito: após morar em São Pedro de Alcântara e Antônio Carlos, em Santa Catarina, sua família fixou residência em Biguaçu, onde se estabeleceu com um pequeno comércio.
Desde cedo, Salim lia tudo o que lhe caía nas mãos, dos folhetins de Michael Zevaco a Eça de Queiroz, passando por Arthur Schopenhauer e Machado de Assis. Na venda do pai, conheceu figuras que mais tarde viraram personagens de seus romances, e na livraria de João Mendes, poeta cego de Biguaçu, passava horas lendo em voz alta para manter o livreiro ligado ao mundo da literatura.
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