‘Nossos Monumentos’: Reitoria da UFSC possui um dos maiores mosaicos da América Latina

22/10/2016 14:06

Quem caminha pela UFSC e passa em frente à colorida parede do prédio da Reitoria talvez nem se dê conta de que ali se encontra um dos maiores mosaicos da América Latina, com 440 metros quadrados de área, chamado Muro da Memória. O artista considera que a obra não está concluída.

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Artista visita a obra em 1995. Foto: Acervo/Agecom

Rodrigo de Haro e seu assistente Idésio Leal receberam o convite para realizar esse projeto. Os dois emendaram dias e noites pesquisando a história das Américas. Um dado se transformava em imagem na cabeça do artista, que era desenhada numa imensa parede e, depois, coberta com pequenos e coloridos pedaços de azulejo. Os textos da obra da primeira parte são poéticos, livros inaugurais e crônicas pré-colombianas, literatura colonial e relatos de viagens, poesia contemporânea e moderna da ilha. Já na segunda parte, encontram-se narrativas, poemas, lendas e viagens dos açores.

Os textos foram confeccionados em técnica “musiva”, com material de azulejos recortados, que unidos formam o desenho artístico. A execução se deu durante a década de 90 nas gestões dos reitores Antônio Diomário de Queiroz e Rodolfo Joaquim Pinto da Luz.

A homenagem à Santa Catarina de Alexandria foi a primeira etapa da obra realizada entre 1995 e 1996, onde Santa Catarina está com a espada de punho e com uma relação de nomes de seus protegidos. Ao lado da imagem está escrito:

“Catarina de Alexandria –Princesa –Virgem – Mártir
Padroeira dos Letrados, artesãos, inventores nautas, costureiras, prisioneiros intuitivos, jogadores.
Padroeira de Universidades, Rotas, tronos, timões corujas e maravilhas.
Catarina
Salve!”

Os painéis feitos pelo artista são uma das atrações da Universidade, e o trabalho é muito reconhecido e citado no livro Mosaicos brasileiros, de Henrique Gougon, como uma referência na arte do mosaico no Brasil.

Nos mosaicos de Haro, as imagens parecem brincar com o espectador e, peça por peça, vão narrando a história das Américas. Há também fragmentos de textos do folclorista Câmara Cascudo, dos navegadores e cronistas Francisco Lopes de Gómara e Adelbert von Chamisso e dos escritores Raul Bopp, Pedro Port e Alcides Buss.

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Foto: Acervo/Agecom

Quem gosta de ler passa alguns minutos olhando e se encantando com os poemas que as paredes sustentam, como o poema do Saci:

“Casta de pequena coruja, que deve o nome ao grito que faz ouvir repetidamente durante a noite e pássaro agourante (…). O nome de Saci é espalhado do Amazonas ao Rio Grande do Sul – O mito, porem, já não é o mesmo, no Rio Grande é um menino de uma perna só que se diverte em atormentar a noite os viajantes procurando fazer-lhes perder o caminho. Em São Paulo é um negrinho que traz um boné vermelho na cabeça e frequenta os brejos, divertindo-se em fazer aos cavaleiros que por ai andam toda sorte de diabruras, até que reconhecendo-o o cavaleiro não o enxota chamando-o pelo nome, porque então ele foge dando uma grande gargalhada.”

O artista

Filho do pintor Martinho de Haro, o poeta, intelectual, pensador, mosaicista e artista brasileiro Rodrigo de Haro nasceu em Paris e em seguida veio para o Brasil. É graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC, doutor pela Universidade del País Vasco e pós-doutor em Arte Pública pela UFF-RJ.

Divide suas atividades profissionais entre Florianópolis e São Paulo. Em poesia, atua, desde 1960, como organizador do movimento surrealista e tem seus poemas publicados em livros no Brasil e em antologias na Espanha e Estados Unidos. Por volta de 1987, trabalha na decoração do Teatro Municipal de Florianópolis, com 80 painéis Mandalas.

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Foto: Acervo/Agecom

Manuella Mariani/Estagiária de Jornalismo/Agecom/UFSC

Com informações institucionais de ‘Arte na UFSC’ (2014)

Tags: mosaiconossos monumentosRodrigo de HaroUFSC

Série ‘A cor da nossa tela’ completa um ano na programação da TV UFSC

28/06/2016 15:57

Nesta quinta-feira, 30 de junho, a série de interprogramas A cor da nossa tela completa um ano na programação da TV UFSC. Para comemorar, estreia o 27º episódio, sobre a obra do artista George Alberto Peixoto. Outra novidade é a parceira da TV UFSC com a Secretaria de Cultura e Arte (SeCArte/UFSC) para organizar uma exposição de obras retratadas na série.

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Novos episódios de ‘A cor da nossa tela’ mostram murais de Martinho e Rodrigo de Haro

15/04/2016 16:38

Duas grandes obras de arte fazem parte da história e da paisagem da Universidade Federal de Santa Catarina. A mais antiga foi concebida e executada na década de ​1970​ pelo artista Martinho de Haro: o mural “Folclore e Indústrias de Santa Catarina” no prédio da Reitoria. Nos anos 90, seu filho, Rodrigo de Haro, concebeu e coordenou a execução do mural localizado na parte externa do mesmo prédio. Duas gerações de artistas, duas obras que fazem pensar e que são temas dos novos episódios da série A Cor da Nossa Tela.

Os episódios estrearam esta semana na programação da TV UFSC. Produzida pelo cineasta Zeca Nunes Pires, a série de interprogramas retrata o olhar de artistas das mais diversas origens, com suas técnicas e suportes, e que têm em comum sua conexão com Santa Catarina.

Sobre o painel de Martinho de Haro no hall da reitoria, o filho Rodrigo fala de sua admiração pelo pai, da importância da criação da UFSC para a cidade e explica que Martinho tentou sintetizar no painel os valores culturais do estado de Santa Catarina.

O episódio sobre Rodrigo de Haro mostra dois momentos da obra do Mosaico mais significativo de sua carreira. Um deles resgata imagens da época da construção da parte lateral, na década de 2000, quando Rodrigo explica quais temas escolheu e onde foi buscar a inspiração. O outro momento é uma entrevista recente em que o artista reflete sobre o alcance de sua obra e também sobre os anseios de concluí-la e de criar em novos espaços da cidade.

Sobre “A cor da nossa tela”: criada em junho de 2015, a série tem por objetivo retratar os artistas plásticos que têm uma ligação com Santa Catarina. Já retratou artistas como Eli Heil, Vera Sabino, Martinho de Haro, entre outros. Foi idealizada e é dirigida pelo cineasta Zeca Nunes Pires, coordenador do Núcleo de Produção da TV UFSC. Participam da equipe a jornalista Laura Tuyama e as estagiárias, estudantes do Curso de Cinema da UFSC, Solana Llanes, Carol Morgan e Gabriela Augusto. A abertura é do editor e especialista em animação Érico Monteiro.

 

​:: Confira todos os episódios

 

Mais informações:

Núcleo de Produção da TV UFSC – Zeca Nunes Pires

Email: 

(48) 3721-4597

 

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TV UFSC: ‘A Cor da Nossa Tela’ aborda os traços e o cotidiano de Martinho de Haro

20/10/2015 16:17

O mais recente episódio da série “A Cor da Nossa Tela” é um mergulho na obra de Martinho de Haro. Este ano completam-se três décadas do falecimento do artista, que nasceu em São Joaquim (SC) em 1907, estudou no Rio de Janeiro e em Paris e passou a maior parte de sua vida em Florianópolis. É um dos mais expressivos pintores modernistas brasileiros.

Neste episódio, pela memória de outros dois artistas é possível entender um pouco sobre a obra de Martinho de Haro e imaginar cenas do cotidiano em seu ateliê.

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Rodrigo de Haro fala de inspiração no programa ‘A cor de nossa tela’ da TV UFSC

04/09/2015 10:29

O artista Rodrigo de Haro fala de inspiração neste episódio da série A cor da nossa tela, elaborada pelo Núcleo de Produção da TV UFSC. A série de interprogramas mostra o trabalho de artistas plásticos em Santa Catarina, em diferentes técnicas como pintura a óleo, grafite, aquarela e outras.

Assista:

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Bate-papo na Feira da EdUFSC estimula hábito da leitura

14/08/2013 16:50

Escritor Alckmar Luiz dos Santos no bate-papo com leitores na 17ª Feira do Livro da EdUFSC. Foto: Jair Quint/Agecom/UFSC

“A criação literária alimenta o trabalho do professor”, confessou Alckmar Luiz dos Santos, autor do premiado Ao que a minha vida veio, durante bate-papo com leitores hoje (14/8), na 17ª Feira do Livro da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC). A conversa, conduzida pelo diretor-executivo Fábio Lopes, contou coma presença da vice-reitora Lúcia Helena Pacheco. Também participaram professores, alunos e servidores técnico-administrativos. O multiartista Rodrigo de Haro, autor de Espelho dos melodramas e Foliasdo ornitorrinco (EdUFSC 2012), não compareceu por motivo de saúde.
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Conversa com escritores nesta quarta na Feira da EdUFSC

14/08/2013 08:16

Feira do Livro da EdUFSC promove no dia 14 de agosto um bate-papo com os escritores Rodrigo de Haro e Alckmar Luiz dos Santos. Foto: Wagner Behr/Agecom/UFSC

Nesta quarta-feira, 14 de agosto, a partir das 14h, a 17ª Feira do Livro da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) apresenta uma atração especial: um bate-papo, aberto ao público, entre os conceituados escritores Rodrigo de Haro e Alckmar Luiz dos Santos. A feira ocorre no térreo do Centro de Convivência da Universidade, no Campus de Florianópolis. Aberta no dia 12 de agosto, com o reinício do semestre letivo, funciona das 8h30min até as 19 horas, de segunda a sexta-feira.
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Rodrigo de Haro visita UFSC para discutir ampliação do mosaico da Reitoria

14/09/2012 12:05

A reitora da UFSC, Roselane Neckel, recebeu em seu gabinete na manhã desta sexta-feira, dia 14, o pintor Rodrigo de Haro e seu assistente Idésio Leal para discutir a ampliação do mosaico feito pelo artista entre 1995 e 1997 na fachada do prédio da Reitoria, no campus da Trindade. Dentro de 15 dias, Rodrigo e Idésio vão apresentar um projeto com orçamento, prazos e medidas para que o painel cubra toda a parte externa e também a parede cega do andar superior. “Queremos completar o abraço que começamos e que ficou incompleto”, diz o pintor. A reunião teve a presença do ex-reitor Antônio Diomário de Queiroz, em cuja gestão foi construída parte da obra.

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Rodrigo de Haro e Pedro Garcia farão noite de poesia nesta quinta-feira

13/03/2012 10:22

Rodrigo de Haro

Santo Antônio de Lisboa tem recital na quinta-feira, dia 15, às 20h, com lançamento das últimas obras de Rodrigo de Haro e Pedro Garcia. Na quarta, Rodrigo conversa com leitores na Feira de Livros da Editora da UFSC .

Festa, luto, folia, melodramas. Arcabouços. Da matéria da tragédia e da celebração se faz a arte desses dois grandes poetas, amigos de longa data, Rodrigo de Haro e Pedro Garcia. Juntos, eles lançam às 20h do dia 15 de março, no Espaço Coisas de Maria João, em Santo Antônio de Lisboa, suas duas últimas obras poéticas. O multiartista catarinense lança o livro-embalangem Poemas, que contém as obras: “Folias do Ornitorrinco” e “Espelho dos Melodramas”, em uma única edição pela Editora UFSC. Já o poeta carioca Pedro Garcia, que em 2000 teve reeditado seu primeiro livro, Viagem Norte, com serigrafia de Rodrigo de Haro, lança em Florianópolis pela Ibis Libris Arcabouços 2007. Antes, na quarta-feira, dia 14, a partir das 17h, Rodrigo estará na Feira de Livros da Editora da UFSC, na Praça da Cidadania, para uma conversa com o público na Tenda dos Autores.

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Rodrigo de Haro recebe leitores com sarau de poemas em lançamento de obra poética

22/12/2011 10:37
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Fotos: Gláucia Pimentel, Carolina Coral e Raquel Wandelli

De folias e melodramas, de festa e de luto. Disso é feito a arte e a vida. A nossa vida e a dos poetas, que fazem da tragédia e da celebração a matéria-prima da epifania poética, como Rodrigo de Haro, que lançou na terça-feira à noite, na Fundação Cultural Badesc, dois livros de poemas em uma única edição pela Editora UFSC. Juntas, as duas obras, Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas, costuram a unidade antagônica representada pela imagem dessa espécie meio ovípara, meio mamífera que o autor homenageia no título e no poema “Ornitorrinco”.

Dando vazão à nova obra poética do multiartista ou pan-artista Rodrigo de Haro, a Editora UFSC brindou seus leitores com uma concorrida noite de vinho, poesia e virtude integrada as comemorações do aniversário de 51 anos da universidade. Depois de ouvir a secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Borges e o diretor da Editora Sérgio Medeiros discursarem sobre a importância de sua obra, o poeta falou ele próprio do seu ímpeto criativo. Em seguida, vestido de terno branco, com um cravo na lapela e o indefectível chapéu panamá, retribuiu a acolhida dos leitores realizando um sarau na varanda do prédio histórico do Badesc. Em meio a uma grande roda de amigos e admiradores, na maior parte artistas e intelectuais como ele, leu, com um fundo sussurrante de guitarras, versos escolhidos, entre Folias e Melodramas, o primeiro, composto de poemas mais reflexivos e o segundo, mais narrativos. 

A imagem do ornitorrinco bem representa esse poeta-pintor, filho do artista plástico Martinho de Haro e de Maria Palma, uma dona de casa de notória sensibilidade. “Elaborado, como todos nós, de partes antagônicas para maior triunfo da unidade”, o ornitorrico é, como escreve o poeta, “animal sonhador que fecunda e brota de si mesmo”. Nascido em 1939 em Paris, por peripécias do destino, Rodrigo foi o fruto da lua de mel parisiense dos pais, que gozavam uma viagem de estudos recebida como prêmio pelo famoso pintor modernista.

Resgatado às pressas da maternidade quando os nazistas invadiram a França, o recém-nascido fugiu nos braços dos pais da capital mundial da arte, e retornou para a instância da São Joaquim no planalto catarinense, a quem dedica com grande afeto suas melhores elaborações surrealistas em conto e poesia. Sobre essa história, diz ainda o poema: “Celebremos as núpcias do ornitorrinco/ gentil e pertinaz. Brindemos/ a natura folgazã, que – /por incansável amor/ao paradoxo – cheia de/ recursos, concebeu/este jardim de todas as delícias/ com a torre inclinada e/o tarot de Marselha./– Mas sobretudo/criou o ornitorrinco solidário”.

Na transgressão da dualidade entre o universal e o local, o sagrado e o profano, o clássico e o maldito, o político e o surreal se constrói o universo imagético desse delicado e erudito artista que deixou a escola ainda adolescente para construir um caminho próprio de formação. O paradoxo Rodrigo de Haro tem 14 livros publicados e pelo menos outros seis manuscritos (de contos, poemas, novelas) esperando edição. Sua marca como artista plástico – o único catarinense que consta nos catálogos internacionais como pintor e poeta surrealista – está em vários cantos de Florianópolis, onde se criou entre artistas e intelectuais e se confunde com a própria paisagem da Ilha. A mais notória cobre as paredes externas do prédio da Reitoria da UFSC, onde construiu o maior mosaico em extensão do país, com 430 metros quadrados.

SHAKESPEARE E A DITADURA

Dos tempos da Ditadura Militar guarda uma história incrível. Ele a conta em tom baixo e com reserva – não quando lhe pedem, mas quando quer demonstrar o quanto a arte e a erudição, ao contrário do que prega o senso comum, podem elevar o espírito, não importa a classe social. Anos 60, integrante do grupo dos poetas surrealistas brasileiros (Cláudio Willer, Roberto Piva), foi preso perambulando à noite pelas ruas de São Paulo. Jogado em uma cadeia paulista com presos comuns, teve que se apresentar.

Quando os líderes da população carcerária souberam que o novo companheiro era um poeta, exigiram-lhe uma prova: que recitasse seus versos. Emparedado, Rodrigo só se lembrou de Hamlet, de Shakespeare, do qual sabia algumas falas de cor. Começou a declamá-lo e ao chegar à célebre passagem “A vida não passa de uma história cheia de som e fúria contada por um louco significando nada”, todos estavam a sua volta, aplaudindo-o, alguns mudos, outros em pranto. Os 20 dias de prisão passaram depressa para o novo líder-poeta, que comandou longas noites de sarau e leituras compartilhadas. Dessa história, quase uma epifania, ficou a certeza de que a literatura não precisa – nem deve – ser facilitada para se tornar acessível, pois como o ornitorrinco, a arte é feita de uma matéria que brota dentro das mentes e corações.

 

 

 

 

Por Raquel Wandelli / Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: 37218729 e 99110524

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Editora da UFSC lança obras inéditas de Rodrigo de Haro

19/12/2011 14:36

Esqueça-se a Teia.
Observe-se a aranha,
suas pernas concêntricas
de estrela. A vetustez
enorme da surda
aranha na parede.

Esqueça-se a vã
literatura que a
persegue com patas
ligeiras. Traz muita
fortuna a filha
de Saturno.

(Rodrigo de Haro, “Inseto”, de Folias do Ornitorrinco)

.Aos 72 anos, Rodrigo Antônio de Haro trabalha com paixão e afinco entre a palavra e a imagem. Empoleirado desde cedo em um andaime de alumínio no atelier de sua casa na Lagoa da Conceição, o multiartista executa uma grande tela de quatro metros quadrados para o altar-mor de uma Igreja em Curitiba depois de ter entrado a madrugada revisando os originais de seus dois novos livros de poesia. E assim o artista sai do cavalete e volta para a escrivaninha, criando, criando… “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano”, bem fala o próprio Rodrigo no poema “Invenção do olfato”. O verso integra os dois volumes inéditos de poemas que o artista lança pela Editora UFSC no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc, na rua Visconde de Ouro Preto, em uma noite de festa para a arte e a literatura.

Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco integram uma única e primorosa edição, embalados como um presente para o público desta fase de jorro criativo de Rodrigo -, que tem mais cinco livros na gaveta. São obras manuscritas em folhas de papel amarelo onde o autor desenha e lapida poemas, contos, novelas, ensaios, que vão compor cadernos ilustrados com desenhos, envoltos na beleza e raridade de um pergaminho. Além da compreensão cada vez mais plural e aberta da vida e da arte, o peso dos anos só deu mais urgência a esse monge da arte, consagrado além das fronteiras do estado e do país pela palavra, pela pintura e pela erudição. Com o “álbum duplo” de poesia, a Editora UFSC encerra um ano de grandes lançamentos e comemora o aniversário de 51 anos da universidade.

O menino artista de São Joaquim deixou a escola aos 16 anos para formar-se por conta própria aproveitando os estímulos dos pais, sempre mergulhados no mundo da sensibilidade e do conhecimento. Difícil encontrar uma expressão artística que ele não tenha experimentado: roteiro para cinema, novela, conto, poesia, aquarela, mosaico, pintura — até adaptações de literatura para rádio-novela ele fez. Integrante transgressor do grupo Litoral que atuou em Santa Catarina no final dos anos 50 e do grupo de poetas (Roberto Piva, Cláudio Viller, Antônio Fernandes Franceschi) que consolidou o surrealismo no Brasil a partir dos anos 60 e se confrontou com a Ditadura Militar. Como uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira, na avaliação do Editor Sérgio Medeiros, seus poemas guardam uma musicalidade poética serena e trágica ao mesmo tempo: “Primeiro amar os dados,/tutores das moradas. Sempre/com malícia atirá-los/sobre a mesa sem ocupar-se/de outras faces – Onde vais?/ Agito o copo,/atiro as pedras./Tantos tactos sono- /rosos trato – dados por/vertigem lado a lado./Furtar sem felonia,/abrir última porta.” (Folias do Ornitorrinco)

Retornando eternamente ao lar e ao mistério sagrado da vida, o filho do pintor Martinho de Haro e de Maria Palma, produz sua arte de uma concepção sempre transversal sobre os seres e as coisas. O maldito e o sublime, o sagrado e o profano compõem uma única dimensão do presente, que busca sua força ontológica na tradição. Nesse tempo anacrônico do poeta, a ousadia estética se alicerça no legado clássico. “Sim, abre as janelas, as janelas cegas./Deixa cair a chuva misturada ao vinho/sabático da Beladona. Espia. Ouve/os fatigados rios do mundo e saúda/Dona Urraca, a intrépida, girando/a chave do abismo”. (Espelhos do Melodrama).

Conforme rezam as escrituras sobre a cena bíblica, onde o apóstolo S. Pedro recebe de Cristo as chaves da Igreja, a mesma cena que inspirou artistas célebres como Velásquez: “…com estas chaves aquilo que ligares na Terra, será ligado nos céus; aquilo que desligares na Terra será desligado nos céus…”. Enquanto dá ao ramo de oliveira a última pincelada, Rodrigo fala sobre sua obra poética:

1. Que motivações éticas e estéticas têm movido a sua poesia?
Rodrigo de Haro: Todo poeta almeja cativar a matéria, dominar, fazer cantar a energia adormecida nas coisas. Precipitar a metamorfose das coisas é missão do poeta, conferir asas ao inanimado. A poesia, disse Balthazar Gracian, consiste em preservar o espanto: – o caderno alado que voa…

2. Como um multiartista, você desafia a manifestação mais recorrente entre os criadores, que é dominar bem apenas uma ou no máximo duas modalidades literárias e mesmo artísticas. E você transita pela poesia, conto, ensaio, novela e também por várias expressões das artes plásticas. Como é esse trânsito da literatura para as artes plásticas?
Rodrigo de Haro: Não acho que desafie. Acontece simplesmente que o mundo é um laboratório mágico, uma gruta de ressonâncias e apelos, onde se entremostram tentações e miragens. Nada é impossível para esta arte combinatória – a poesia – capaz de acordar (sim…) os mortos. Literatura, conto, ensaio e novela? É tudo poesia, se for de – fato coisa real.

Sim, sou também pintor – logo desenhista. Apenas pintor e desenhista.  Às vezes me aventuro no conto, é verdade. Tenho mesmo participado de algumas antologias até fora do País. O som, a palavra, começa na alma. Pois só a poesia é familiar do sagrado.

3. Que autores têm mais inspirado sua obra poética?
Rodrigo de Haro:  Acima das divergências (só aparentes) está a unidade da inspiração e da busca. Na verdade ouso me aproximar de uma ilustre família, aquela de Michelangelo, Blake que se manifestaram no desenho e na pintura e na escrita e na pintura e tantos outros. A criação desconhece fidelidade partidária. O preconceito difuso (que de fato existe) contra a multiplicidade é uma inovação recente, desconhecida na China e no Japão, por exemplo. Utamaro sentia-se tanto poeta quanto aquarelista. E gostaria de reconhecer minha dívida com Rilke e o poeta expressionista alemão Georg Trackl e o grande G. Sarcer de la Cruz.

4. O sagrado sempre esteve presente na sua pintura e na sua obra literária, mas você também é normalmente discutido em relação aos poetas malditos. Como você vê essa relação entre o sagrado e o profano – ou maldito – no seu trabalho poético?
Rodrigo de Haro:  Malditos? Quem são? Maldito é título de nobreza, é ser politicamente incorreto? É possível. No mundo midiático, mecânico, em que vivemos é uma grande honra: Dante, Villon, os místicos, foram malditos também em seus dias, não é verdade?

5. O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… De uma certa forma esses elementos são sempre recorrentes na sua poesia… Você acredita que eles ainda ajudam a compreender o mundo hoje?
Rodrigo de Haro:  A verdadeira poesia aproxima-se demais do ominoso para não provocar arrepios em alguns momentos. “Aqueles que levantam o véu….”. O sagrado, que nos ultrapassa está na essência da ordenação poética. Meu trabalho é aquilo que é. Sou apenas o servidor de uma força maior que, de um modo ou de outro, com esforço e trabalho tento dominar, ordenar, logo que sou tomado por esta visitação dos espaços exteriores ao pragmatismo. A pulsação do sangue, a respiração e a dança são parte integrante das forças ativas da memória e da nostalgia operante. A poesia solicita liturgia, algo que o surrealismo intuiu (e também explorou) com bastante inteligência. Breton-Hudini, por exemplo, foi um agente muito perspicaz…

6. E sua obra poética e pictórica é também sempre classificada ao lado do grupo de poetas surrealistas, com quem de fato você escreveu uma trajetória. Você se identifica com esse rótulo?
Rodrigo de Haro: Sou irredutível a grupos, exceto socialmente. As escolas são sempre provisórias e o surrealismo me parece como estética ter perdido a inocência: Frida Kahlo, por exemplo, riu-se do movimento quando em Paris. Sua realidade, o seu entorno, o México coberto de caveiras de Jaguar em obsidiana, colocou o surrealismo. Dentro de medidas bastante discretas. O fantástico de Buñuel é sempre maior quando ele se afasta do surrealismo. Viridiana, Nazarin, Los olvidados. Mas… naturalmente agrada-me o discurso surrealista.

7. O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… Esses elementos estão sempre gerando sua poesia e sendo gerados por ela… Você acredita que essas dimensões clássicas ainda ajudam a compreender a vida no mundo em que vivemos?
Rodrigo de Haro: Sim, uma certa tradição hermética me fecunda. Acredito que os valores do sagrado e só eles poderão salvar o mundo. Este mundo em que vivemos.  É preciso reencantar o mundo através do apelo ao silêncio e também a outros ritmos compatíveis com a expansão do ser. O ético e o social devem expandir-se sem coerção, sem decretos, mas segundo o desabrochar da consciência de cada homem: pois todos sabemos de nossos deveres, todos podemos comunicar da mesma alegria. Basta abrir a porta.

 8. Vejo que sua obra é povoada por esposas vegetais, animais contemporâneos ou míticos, seres heterogêneos. Nos originais do livro Folias do Ornitorrinco que estão no prelo da Editora da UFSC, vi alguns versos que evocam o caráter trans-humano da arte, como em “Invenção do olfato: “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano/ seu rosto modelado por visível piedade/ Fala também com os répteis do lobo e sonha”. O filósofo francês François Lyotard cita em O inumano uma frase de Apollinaire segundo a qual “a Arte mantém-se fiel aos homens unicamente por sua inumanidade para com eles”. O que você pensa dessa relação entre a arte e o não humano?
Rodrigo de Haro: Devemos acreditar na comunhão dos seres, das coisas. O olhar da criança é um olhar cúmplice dos anjos, logo fala com as coisas e os bichos. “O olho da flor da arnica amarela à minha porta, piscou-me esta manhã. Toda poesia de verdade será trans-humana por definição, pois cabe a ela restabelecer uma corrente rompida na queda, o antigo elo solidário entre as coisas e as criaturas.

9. Espelho dos Melodramas e Folias do ornitorrinco: como se pode falar dessas obras que você lançar pela Editora da UFSC?
Rodrigo de Haro:
E esses dois volumes de poesia acompanham Voz, Idílios vagabundos e Lanterna mágica, outros inéditos que produzi nos últimos tempos, neste voluntário recolhimento do Morro do Assopro. O primeiro deles representa minha adesão ao campo lírico, ao drama – pois trata (por vezes) do excesso, dos movimentos violentos ou dolorosos do espírito, mas com humor. Já Folias do Ornitorrinco obedece a um caráter sintético. São dois livros diferentes, mas compostos pelo mesmo homem. Estão próximos.

10.Quais são os grandes autores da literatura brasileira e qual a melhor contribuição que deram, no seu ponto de vista, à renovação literária?
Rodrigo de Haro: Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso.

 11.   Na convivência com o multiartista Rodrigo de Haro, percebe-se que estamos diante de um homem de 72 anos com uma rotina de trabalho diria até rigorosa, obstinada. Como é essa rotina e o que o move dessa forma ao trabalho artístico? Você se sente tomado por um sentimento de urgência de criação?
Rodrigo de Haro: Trabalho artístico ou simplesmente trabalho… Com o tempo, estabelecida a rotina, torna-se impossível fugir a ela. O trabalho de um atelier-escritório é riquíssimo. É tudo a fazer o tempo todo. Os quadros te arrastam para o cavalete, os cadernos sussurram nos ouvidos. Impossível aproximar-se do material sem ser de novo absorvido pelo visgo da invenção, do retoque, de alguma nova sugestão.

12. Que outros projetos ainda estão saindo do atelier multiartístico de Rodrigo de Haro? A propósito, qual a importância do ambiente de trabalho no seu processo de criação?
Rodrigo de Haro: Sempre são muitos os projetos, pois o hábito contínuo da reflexão se resolve em sonhos de realização urgentíssimos. Nada é mais importante do que sonhar para materializar.

Texto e entrevista a Raquel Wandelli

Lançamento: Livro-embalagem “Poemas”

(Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas)

Autor: Rodrigo de Haro
Editora UFSC
Quando: 20 de dezembro, às 19h30min
Onde: Fundação Cultural Badesc
Entrada aberta ao público

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC – Fones: 37218729 e 99110524 – www.secarte.ufsc.br – www.agecom.ufsc.br

 

Tags: Editora da UFSCpoemas.Rodrigo de HaroUFSC

Editora da UFSC lança obras inéditas de Rodrigo de Haro

15/12/2011 12:30

Esqueça-se a Teia.
Observe-se a aranha,
suas pernas concêntricas
de estrela. A vetustez
enorme da surda
aranha na parede.

Esqueça-se a vã
literatura que a
persegue com patas
ligeiras. Traz muita
fortuna a filha
de Saturno.

(Rodrigo de Haro, “Inseto”, de Folias do Ornitorrinco)

 

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Aos 72 anos, Rodrigo Antônio de Haro trabalha com paixão e afinco entre a palavra e a imagem. Empoleirado desde cedo em um andaime de alumínio no atelier de sua casa na Lagoa da Conceição, o multiartista executa uma grande tela de quatro metros quadrados para o altar-mor de uma Igreja em Curitiba depois de ter entrado a madrugada revisando os originais de seus dois novos livros de poesia. E assim o artista sai do cavalete e volta para a escrivaninha, criando, criando… “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano”, bem fala o próprio Rodrigo no poema Invenção do olfato”. O verso integra os dois volumes inéditos de poemas que o artista lança pela Editora UFSC no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc, na rua Visconde de Ouro Preto, em uma noite de festa para a arte e a literatura.

Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco integram uma única e primorosa edição, embalados como um presente para o público desta fase de jorro criativo de Rodrigo -, que tem mais cinco livros na gaveta. São obras manuscritas em folhas de papel amarelo onde o autor desenha e lapida poemas, contos, novelas, ensaios, que vão compor cadernos ilustrados com desenhos, envoltos na beleza e raridade de um pergaminho. Além da compreensão cada vez mais plural e aberta da vida e da arte, o peso dos anos só deu mais urgência a esse monge da arte, consagrado além das fronteiras do estado e do país pela palavra, pela pintura e pela erudição. Com o “álbum duplo” de poesia, a Editora UFSC encerra um ano de grandes lançamentos e comemora o aniversário de 51 anos da universidade.

O menino artista de São Joaquim deixou a escola aos 16 anos para formar-se por conta própria aproveitando os estímulos dos pais, sempre mergulhados no mundo da sensibilidade e do conhecimento. Difícil encontrar uma expressão artística que ele não tenha experimentado: roteiro para cinema, novela, conto, poesia, aquarela, mosaico, pintura — até adaptações de literatura para rádio-novela ele fez. Integrante transgressor do grupo Litoral que atuou em Santa Catarina no final dos anos 50 e do grupo de poetas (Roberto Piva, Cláudio Viller, Antônio Fernandes Franceschi) que consolidou o surrealismo no Brasil a partir dos anos 60 e se confrontou com a Ditadura Militar. Como uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira, na avaliação do Editor Sérgio Medeiros, seus poemas guardam uma musicalidade poética serena e trágica ao mesmo tempo: “Primeiro amar os dados,/tutores das moradas. Sempre/com malícia atirá-los/sobre a mesa sem ocupar-se/de outras faces – Onde vais?/ Agito o copo,/atiro as pedras./Tantos tactos sono- /rosos trato – dados por/vertigem lado a lado./Furtar sem felonia,/abrir última porta.” (Folias do Ornitorrinco)

Retornando eternamente ao lar e ao mistério sagrado da vida, o filho do pintor Martinho de Haro e de Maria Palma, produz sua arte de uma concepção sempre transversal sobre os seres e as coisas. O maldito e o sublime, o sagrado e o profano compõem uma única dimensão do presente, que busca sua força ontológica na tradição. Nesse tempo anacrônico do poeta, a ousadia estética se alicerça no legado clássico. “Sim, abre as janelas, as janelas cegas./Deixa cair a chuva misturada ao vinho/sabático da Beladona. Espia. Ouve/os fatigados rios do mundo e saúda/Dona Urraca, a intrépida, girando/a chave do abismo”. (Espelhos do Melodrama).

Conforme rezam as escrituras sobre a cena bíblica, onde o apóstolo S. Pedro recebe de Cristo as chaves da Igreja, a mesma cena que inspirou artistas célebres como Velásquez: “…com estas chaves aquilo que ligares na Terra, será ligado nos céus; aquilo que desligares na Terra será desligado nos céus…”. Enquanto dá ao ramo de oliveira a última pincelada, Rodrigo fala sobre sua obra poética:

1. Que motivações éticas e estéticas têm movido a sua poesia?
Rodrigo de Haro: Todo poeta almeja cativar a matéria, dominar, fazer cantar a energia adormecida nas coisas. Precipitar a metamorfose das coisas é missão do poeta, conferir asas ao inanimado. A poesia, disse Balthazar Gracian, consiste em preservar o espanto: – o caderno alado que voa…

2. Como um multiartista, você desafia a manifestação mais recorrente entre os criadores, que é dominar bem apenas uma ou no máximo duas modalidades literárias e mesmo artísticas. E você transita pela poesia, conto, ensaio, novela e também por várias expressões das artes plásticas. Como é esse trânsito da literatura para as artes plásticas?
Rodrigo de Haro: Não acho que desafie. Acontece simplesmente que o mundo é um laboratório mágico, uma gruta de ressonâncias e apelos, onde se entremostram tentações e miragens. Nada é impossível para esta arte combinatória – a poesia – capaz de acordar (sim…) os mortos. Literatura, conto, ensaio e novela? É tudo poesia, se for de – fato coisa real.

Sim, sou também pintor – logo desenhista. Apenas pintor e desenhista.  Às vezes me aventuro no conto, é verdade. Tenho mesmo participado de algumas antologias até fora do País. O som, a palavra, começa na alma. Pois só a poesia é familiar do sagrado.

3. Que autores têm mais inspirado sua obra poética?
Rodrigo de Haro:  Acima das divergências (só aparentes) está a unidade da inspiração e da busca. Na verdade ouso me aproximar de uma ilustre família, aquela de Michelangelo, Blake que se manifestaram no desenho e na pintura e na escrita e na pintura e tantos outros. A criação desconhece fidelidade partidária. O preconceito difuso (que de fato existe) contra a multiplicidade é uma inovação recente, desconhecida na China e no Japão, por exemplo. Utamaro sentia-se tanto poeta quanto aquarelista. E gostaria de reconhecer minha dívida com Rilke e o poeta expressionista alemão Georg Trackl e o grande G. Sarcer de la Cruz.

4. O sagrado sempre esteve presente na sua pintura e na sua obra literária, mas você também é normalmente discutido em relação aos poetas malditos. Como você vê essa relação entre o sagrado e o profano – ou maldito – no seu trabalho poético?
Rodrigo de Haro:  Malditos? Quem são? Maldito é título de nobreza, é ser politicamente incorreto? É possível. No mundo midiático, mecânico, em que vivemos é uma grande honra: Dante, Villon, os místicos, foram malditos também em seus dias, não é verdade?

5. O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… De uma certa forma esses elementos são sempre recorrentes na sua poesia… Você acredita que eles ainda ajudam a compreender o mundo hoje?
Rodrigo de Haro:  A verdadeira poesia aproxima-se demais do ominoso para não provocar arrepios em alguns momentos. “Aqueles que levantam o véu….”. O sagrado, que nos ultrapassa está na essência da ordenação poética. Meu trabalho é aquilo que é. Sou apenas o servidor de uma força maior que, de um modo ou de outro, com esforço e trabalho tento dominar, ordenar, logo que sou tomado por esta visitação dos espaços exteriores ao pragmatismo. A pulsação do sangue, a respiração e a dança são parte integrante das forças ativas da memória e da nostalgia operante. A poesia solicita liturgia, algo que o surrealismo intuiu (e também explorou) com bastante inteligência. Breton-Hudini, por exemplo, foi um agente muito perspicaz…

6. E sua obra poética e pictórica é também sempre classificada ao lado do grupo de poetas surrealistas, com quem de fato você escreveu uma trajetória. Você se identifica com esse rótulo?
Rodrigo de Haro: Sou irredutível a grupos, exceto socialmente. As escolas são sempre provisórias e o surrealismo me parece como estética ter perdido a inocência: Frida Kahlo, por exemplo, riu-se do movimento quando em Paris. Sua realidade, o seu entorno, o México coberto de caveiras de Jaguar em obsidiana, colocou o surrealismo. Dentro de medidas bastante discretas. O fantástico de Buñuel é sempre maior quando ele se afasta do surrealismo. Viridiana, Nazarin, Los olvidados. Mas… naturalmente agrada-me o discurso surrealista.

7. O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… Esses elementos estão sempre gerando sua poesia e sendo gerados por ela… Você acredita que essas dimensões clássicas ainda ajudam a compreender a vida no mundo em que vivemos?
Rodrigo de Haro: Sim, uma certa tradição hermética me fecunda. Acredito que os valores do sagrado e só eles poderão salvar o mundo. Este mundo em que vivemos.  É preciso reencantar o mundo através do apelo ao silêncio e também a outros ritmos compatíveis com a expansão do ser. O ético e o social devem expandir-se sem coerção, sem decretos, mas segundo o desabrochar da consciência de cada homem: pois todos sabemos de nossos deveres, todos podemos comunicar da mesma alegria. Basta abrir a porta.

 8. Vejo que sua obra é povoada por esposas vegetais, animais contemporâneos ou míticos, seres heterogêneos. Nos originais do livro Folias do Ornitorrinco que estão no prelo da Editora da UFSC, vi alguns versos que evocam o caráter trans-humano da arte, como em “Invenção do olfato: “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano/ seu rosto modelado por visível piedade/ Fala também com os répteis do lobo e sonha”. O filósofo francês François Lyotard cita em O inumano uma frase de Apollinaire segundo a qual “a Arte mantém-se fiel aos homens unicamente por sua inumanidade para com eles”. O que você pensa dessa relação entre a arte e o não humano?
Rodrigo de Haro: Devemos acreditar na comunhão dos seres, das coisas. O olhar da criança é um olhar cúmplice dos anjos, logo fala com as coisas e os bichos. “O olho da flor da arnica amarela à minha porta, piscou-me esta manhã. Toda poesia de verdade será trans-humana por definição, pois cabe a ela restabelecer uma corrente rompida na queda, o antigo elo solidário entre as coisas e as criaturas.

9. Espelho dos Melodramas e Folias do ornitorrinco: como se pode falar dessas obras que você lançar pela Editora da UFSC?
Rodrigo de Haro:
E esses dois volumes de poesia acompanham Voz, Idílios vagabundos e Lanterna mágica, outros inéditos que produzi nos últimos tempos, neste voluntário recolhimento do Morro do Assopro. O primeiro deles representa minha adesão ao campo lírico, ao drama – pois trata (por vezes) do excesso, dos movimentos violentos ou dolorosos do espírito, mas com humor. Já Folias do Ornitorrinco obedece a um caráter sintético. São dois livros diferentes, mas compostos pelo mesmo homem. Estão próximos.

10.Quais são os grandes autores da literatura brasileira e qual a melhor contribuição que deram, no seu ponto de vista, à renovação literária?
Rodrigo de Haro: Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso.

 11.   Na convivência com o multiartista Rodrigo de Haro, percebe-se que estamos diante de um homem de 72 anos com uma rotina de trabalho diria até rigorosa, obstinada. Como é essa rotina e o que o move dessa forma ao trabalho artístico? Você se sente tomado por um sentimento de urgência de criação?
Rodrigo de Haro: Trabalho artístico ou simplesmente trabalho… Com o tempo, estabelecida a rotina, torna-se impossível fugir a ela. O trabalho de um atelier-escritório é riquíssimo. É tudo a fazer o tempo todo. Os quadros te arrastam para o cavalete, os cadernos sussurram nos ouvidos. Impossível aproximar-se do material sem ser de novo absorvido pelo visgo da invenção, do retoque, de alguma nova sugestão.

12. Que outros projetos ainda estão saindo do atelier multiartístico de Rodrigo de Haro? A propósito, qual a importância do ambiente de trabalho no seu processo de criação?
Rodrigo de Haro: Sempre são muitos os projetos, pois o hábito contínuo da reflexão se resolve em sonhos de realização urgentíssimos. Nada é mais importante do que sonhar para materializar.

Texto e entrevista a Raquel Wandelli

Lançamento: Livro-embalagem “Poemas”

(Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas)

Autor: Rodrigo de Haro
Editora UFSC
Quando: 20 de dezembro, às 19h30min
Onde: Fundação Cultural Badesc
Entrada aberta ao público

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC – Fones: 37218729 e 99110524 – www.secarte.ufsc.br – www.agecom.ufsc.br

 

Tags: EdUFSCRodrigo de Haro

Rodrigo de Haro lança Poemas pela Editora da UFSC

12/12/2011 14:53

Esqueça-se a Teia.

Observe-se a aranha,

suas pernas concêntricas

de estrela. A vetustez

enorme da surda

aranha na parede.

Esqueça-se a vã

literatura que a per-

segue com patas

ligeiras. Traz muita

fortuna a filha

de Saturno.

(Rodrigo de Haro, “Inseto”, de Folias do Ornitorrinco)

 Aos 72 anos, Rodrigo Antônio de Haro trabalha com paixão e afinco entre a palavra e a imagem. Empoleirado desde cedo em um andaime de alumínio no atelier de sua casa na Lagoa da Conceição, o multiartista executa uma grande tela de quatro metros quadrados para o altar-mor de uma Igreja em Curitiba depois de ter entrado a madrugada revisando os originais de seus dois novos livros de poesia. E assim o artista sai do cavalete e volta para a escrivaninha, criando, criando… “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano”, bem fala o próprio Rodrigo no poema Invenção do olfato”. O verso integra os dois volumes inéditos do conjunto “Poemas” que o artista lança pela Editora UFSC no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc, na rua Visconde de Ouro Preto, em uma noite de festa para a arte e a literatura.

Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco integram uma única e primorosa edição, embalados como um presente para o público desta fase de jorro criativo de Rodrigo -, que tem mais cinco livros na gaveta. São obras manuscritas em folhas de papel amarelo onde o autor desenha e lapida poemas, contos, novelas, ensaios, que vão compor cadernos ilustrados por gravuras, envoltos na beleza e raridade de um pergaminho. Além da compreensão cada vez mais plural e aberta da vida e da arte, o peso dos anos só deu mais urgência a esse monge da arte, consagrado além das fronteiras do estado e do país pela palavra, pela pintura e pela erudição. Com o “álbum duplo” de poesia, a Editora UFSC encerra um ano de grandes lançamentos e comemora o aniversário de 51 anos da universidade.

O menino artista de São Joaquim deixou a escola aos 16 anos para formar-se por conta própria aproveitando os estímulos de casa, onde os pais, artistas e intelectuais, estavam sempre mergulhados no mundo da sensibilidade e do conhecimento. Difícil encontrar uma expressão artística que ele não tenha experimentado: roteiro para cinema, dramaturgia, novela, conto, poesia, aquarela, mosaico, pintura — até ator de rádio-novela ele foi. Integrante transgressor do grupo sulista que trouxe o modernismo para Santa Catarina na década de 40 e do grupo de poetas (Roberto Piva, Cláudio Viller) que consolidou o surrealismo no Brasil a partir dos anos 60, Rodrigo bateu de frente com a Ditadura Militar. Como uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira, na avaliação do Editor Sérgio Medeiros, seus poemas guardam uma musicalidade poética serena e trágica ao mesmo tempo: “Primeiro amar os dados,/tutores das moradas. Sempre/com malícia atirá-los/sobre a mesa sem ocupar-se/de outras faces – Onde vais?/ Agito o copo,/atiro as pedras./Tantos tactos sono- /rosos trato – dados por/vertigem lado a lado./Furtar sem felonia,/abrir última porta.” (Folias do Ornitorrinco)

Retornando eternamente ao lar e ao mistério sagrado da vida, o filho do pintor Martinho de Haro produz sua arte de uma concepção nada linear, nada dicotômica sobre os seres e as coisas. O maldito e o sublime, o sagrado e o profano compõem uma única dimensão do presente, que busca sua força ontológica na tradição. Nesse tempo anacrônico do poeta, a ousadia estética se alicerça no legado clássico. “Sim, abre as janelas, as janelas cegas./Deixa cair a chuva misturada ao vinho/sabático da Beladona. Espia. Ouve/os fatigados rios do mundo e saúda/Dona Urraca, a intrépida, girando/a chave do abismo”. (Espelhos do Melodrama).

Conforme rezam as escrituras sobre a cena bíblica, onde o apóstolo S. Pedro recebe de Cristo as chaves da Igreja, a mesma cena que inspirou artistas célebres como Velásquez: “…com estas chaves aquilo que ligares na Terra, será ligado nos céus; aquilo que desligares na Terra será desligado nos céus…”. Enquanto dá ao ramo de oliveira a última pincelada, Rodrigo fala sobre sua obra poética:

  1. 1.       Que motivações éticas e estéticas têm movido a sua poesia?

Rodrigo de Haro: Todo poeta almeja cativar a matéria, dominar, fazer cantar a energia adormecida nas coisas. Precipitar a metamorfose das coisas é missão do poeta, conferir asas ao inanimado. A poesia, disse Balthazar Gracian, consiste em preservar o espanto: – o caderno alado que voa…

2.       Como um multiartista, você desafia a manifestação mais recorrente entre os criadores, que é dominar bem apenas uma ou no máximo duas modalidades literárias e mesmo artística. E você transita pela poesia, conto, ensaio, novela e também por várias expressões das artes plásticas. Como é esse trânsito da literatura para as artes plásticas?

 Rodrigo de Haro: Não acho que desafie. Acontece simplesmente que o mundo é um laboratório mágico, uma gruta de ressonâncias e apelos, onde se entremostram tentações e miragens. Nada é impossível para esta arte combinatória – a poesia – capaz de acordar (sim…) os mortos. Literatura, conto, ensaio e novela? É tudo poesia, se for de – fato coisa real.

Sim, sou também pintor – logo desenhista. Apenas pintor e desenhista.  Às vezes me aventuro no conto, é verdade. Tenho mesmo participado de algumas antologias até fora do País. O som, a palavra, começa na alma. Pois só a poesia é familiar do sagrado.

3.       Que autores têm mais inspirado sua obra poética?

Rodrigo de Haro:  Acima das divergências (só aparentes) está a unidade da inspiração e da busca. Na verdade ouso me aproximar de uma ilustre família, aquela de Michelangelo, Blake que se manifestaram no desenho e na pintura e na escrita e na pintura e tantos outros. A criação desconhece fidelidade partidária. O preconceito difuso (que de fato existe) contra a multiplicidade é uma inovação recente, desconhecida na China e no Japão, por exemplo. Utamaro sentia-se tanto poeta quanto aquarelista. E gostaria de reconhecer minha dívida com Rilke e o poeta expressionista alemão Georg Trackl e o grande G. Sarcer de la Cruz.

4.       O sagrado sempre esteve presente na sua pintura e na sua obra literária, mas você também é normalmente discutido em relação aos poetas malditos. Como você vê essa relação entre o sagrado e o profano – ou maldito – no seu trabalho poético?

Rodrigo de Haro:  Malditos? Quem são? Maldito é título de nobreza, é ser politicamente incorreto? É possível. No mundo midiático, mecânico, em que vivemos é uma grande honra: Dante, Villon, os místicos, foram malditos também em seus dias, não é verdade?

5.       O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… De uma certa forma esses elementos são sempre recorrentes na sua poesia… Você acredita que eles ainda ajudam a compreender o mundo hoje?

Rodrigo de Haro:  A verdadeira poesia aproxima-se demais do ominoso para não provocar arrepios em alguns momentos. “Aqueles que levantam o véu….”. O sagrado, que nos ultrapassa está na essência da ordenação poética. Meu trabalho é aquilo que é. Sou apenas o servidor de uma força maior que, de um modo ou de outro, com esforço e trabalho tento dominar, ordenar, logo que sou tomado por esta visitação dos espaços exteriores ao pragmatismo. A pulsação do sangue, a respiração e a dança são parte integrante das forças ativas da memória e da nostalgia operante. A poesia solicita liturgia, algo que o surrealismo intuiu (e também explorou) com bastante inteligência. Breton-Hudini, por exemplo, foi um agente muito perspicaz…

6.       E sua obra poética e pictórica é também sempre classificada ao lado do grupo de poetas surrealistas, com quem de fato você escreveu uma trajetória. Você se identifica com esse rótulo?

Rodrigo de Haro: Sou irredutível a grupos, exceto socialmente. As escolas são sempre provisórias e o surrealismo me parece como estética ter perdido a inocência: Frida Kahlo, por exemplo, riu-se do movimento quando em Paris. Sua realidade, o seu entorno, o México coberto de caveiras de Jaguar em obsidiana, colocou o surrealismo. Dentro de medidas bastante discretas. O fantástico de Buñuel é sempre maior quando ele se afasta do surrealismo. Viridiana, Nazarin, Los olvidados. Mas… naturalmente agrada-me o discurso surrealista.

7.       O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… Esses elementos estão sempre gerando sua poesia e sendo gerados por ela… Você acredita que essas dimensões clássicas ainda ajudam a compreender a vida no mundo em que vivemos?

 Rodrigo de Haro: Sim, uma certa tradição hermética me fecunda. Acredito que os valores do sagrado e só eles poderão salvar o mundo. Este mundo em que vivemos.  É preciso reencantar o mundo através do apelo ao silêncio e também a outros ritmos compatíveis com a expansão do ser. O ético e o social devem expandir-se sem coerção, sem decretos, mas segundo o desabrochar da consciência de cada homem: pois todos sabemos de nossos deveres, todos podemos comunicar da mesma alegria. Basta abrir a porta.

8.       Vejo que sua obra é povoada por esposas vegetais, animais contemporâneos ou míticos, seres heterogêneos. Nos originais do livro Folias do Ornitorrinco que estão no prelo da Editora da UFSC, vi alguns versos que evocam o caráter trans-humano da arte, como em “Invenção do olfato: “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano/ seu rosto modelado por visível piedade/ Fala também com os répteis do lobo e sonha”. O filósofo francês François Lyotard cita em O inumano uma frase de Apollinaire segundo a qual “a Arte mantém-se fiel aos homens unicamente por sua inumanidade para com eles”. O que você pensa dessa relação entre a arte e o não humano?

 Rodrigo de Haro: Devemos acreditar na comunhão dos seres, das coisas. O olhar da criança é um olhar cúmplice dos anjos, logo fala com as coisas e os bichos. “O olho da flor da arnica amarela à minha porta, piscou-me esta manhã. Toda poesia de verdade será trans-humana por definição, pois cabe a ela restabelecer uma corrente rompida na queda, o antigo elo solidário entre as coisas e as criaturas.

9.       Espelho dos Melodramas e Folias do ornitorrinco: como se pode falar dessas obras que você lança pela Editora da UFSC?

 Rodrigo de Haro: E esses dois volumes de poesia acompanham Voz, Idílios vagabundos e Lanterna mágica, outros inéditos que produzi nos últimos tempos, neste voluntário recolhimento do Morro do Assopro. O primeiro deles representa minha adesão ao campo lírico, ao drama – pois trata (por vezes) do excesso, dos movimentos violentos ou dolorosos do espírito, mas com humor. Já Folias do Ornitorrinco obedece a um caráter sintético. São dois livros diferentes, mas compostos pelo mesmo homem. Estão próximos.

10.   Quais são os grandes autores da literatura brasileira e qual a melhor contribuição que deram, no seu ponto de vista, à renovação literária?

 Rodrigo de Haro: Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso.

11.   Na convivência com o multiartista Rodrigo de Haro, percebe-se que estamos diante de um homem de 72 anos com uma rotina de trabalho diria até rigorosa, obstinada. Como é essa rotina e o que o move dessa forma ao trabalho artístico? Você se sente tomado por um sentimento de urgência de criação?

Rodrigo de Haro: Trabalho artístico ou simplesmente trabalho… Com o tempo, estabelecida a rotina, torna-se impossível fugir a ela. O trabalho de um atelier-escritório é riquíssimo. É tudo a fazer o tempo todo. Os quadros te arrastam para o cavalete, os cadernos sussurram nos ouvidos. Impossível aproximar-se do material sem ser de novo absorvido pelo visgo da invenção, do retoque, de alguma nova sugestão.

12.   Que outros projetos ainda estão saindo do atelier multiartístico de Rodrigo de Haro? A propósito, qual a importância do ambiente de trabalho no seu processo de criação?

  1. Rodrigo de Haro: Sempre são muitos os projetos, pois o hábito contínuo da reflexão se resolve em sonhos de realização urgentíssimos. Nada é mais importante do que sonhar para materializar.

Texto e entrevista a Raquel Wandelli

Lançamento: Livro-embalagem “Poemas”

(Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas)

Autor: Rodrigo de Haro

Editora UFSC

Quando: 20 de dezembro, às 19h30min

Onde: Fundação Cultural Badesc

Entrada aberta ao público

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: 37218729 e 99110524

www.secarte.ufsc.br

www.agecom.ufsc.br

 

Tags: Editora da UFSCLançamento livro PoemasRodrigo de Haro

Lançamento: livro-embalagem “Poemas”

08/12/2011 08:07

Com uma festa de lançamento da nova obra poética de Rodrigo de Haro, a Editora UFSC comemora sua trajetória de inovação do livro no dia 20 de dezembro, às 19h30min, no Centro Cultural do Badesc, na rua Vitor Konder.

A caixa-presente “Poemas” traz Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco, dois livros inéditos do poeta e artista plástico catarinense que é, na avaliação do editor Sérgio Medeiros, uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira. Aos 72 anos, Rodrigo está em sua fase mais produtiva, alternando-se no talhe da palavra e da pintura.

Lançamento: Livro-embalagem “Poemas”
(Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas)
Autor: Rodrigo de Haro
Editora UFSC
Quando: 20 de novembro, às 19h30min
Onde: Fundação Cultural Badesc
Entrada aberta ao público

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC
Fones: 37218729 e 99110524

www.secarte.ufsc.br

Tags: EdUFSCRodrigo de Haro