Yúpuri é primeiro indígena brasileiro a concluir o doutorado na UFSC

28/06/2019 13:50

João Rivelino Rezende Barreto durante a defesa da tese.

João Rivelino Rezende Barreto (também conhecido pelo nome indígena Yúpuri – guardião das portas do universo) tem 38 anos, é casado e pai de três filhos. Natural do município de São Gabriel da Cachoeira, extremo noroeste do estado do Amazonas, fronteira com a Colômbia e a Venezuela, nasceu na aldeia tukana São Domingos Sávio. Yúpuri é o primeiro indígena brasileiro a concluir o doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A defesa da tese ‘ÚKŨSSE: forma de conhecimento Tukano via arte do diálogo Kumuãnica’ desenvolvida por Rivelino no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFSC) foi realizada na tarde do dia 13 de junho de 2019 no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) e contou com a participação, na banca, da professora-orientadora Evelyn Martina Schuler Zea, dos professores externos Renato Monteiro Athias (UFPE/via videoconferência) e Danilo Paiva Ramos (UFBA), dos professores internos do PPGAS José Antônio Kelly Luciani e Antonella Maria Imperatriz Tassinari.

O ingresso no doutorado aconteceu em 2015 após conhecer mais sobre a UFSC em um evento realizado em Manaus pelo curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, local em que João atualmente reside. Foi aos 11 anos que Yúpuri deixou a aldeia, porém as raízes culturais sempre o acompanharam. “Gosto de estudar as questões que envolvem o conhecimento indígena, por isso no mestrado e no doutorado busquei saber mais sobre o meu povo, o povo Tukano”, revela ele.

Com kumu tukano Luciano Barreto aprendendo a construir jequí (armadilha de peixe), Novo Airão (interior de Manaus).

Por meio da ‘etnografia em casa’, Rivelino desenvolveu a sua pesquisa estando em contato direto com três figuras definidas como detentoras de conhecimentos excepcionais: kumu (o pensador tukano), yai (o pajé), baya (o mestre de música). “A ciência tem focado que o conhecimento é concentrado no pajé, porém na minha pesquisa identifiquei que o kumu e o baya detêm muito conhecimento, sendo o kumu o mais forte”.

Na pesquisa de João o kumu foi o seu pai, Luciano Borges Barreto, que apresentou por meio do diálogo kumuãnica o pensamento, a formação, a organização social e a hierarquização dos tukanos. Assim, Yúpuri restabeleceu um laço forte com a sua comunidade indígena como forma aprofundar e documentar esses conhecimentos. “Com a pesquisa foi possível mostrar como acontece o processo de formação dessas três figuras, a responsabilidade de cada um, mostrando a existência do conhecimento Tukano”, enaltece João.
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Licenciatura Intercultural Indígena promove evento com benzedor Luciano Barreto

29/07/2014 08:25

AACC.Luciano BarretoO curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica promove – no dia 30 de julho, quarta-feira, às 13h30min – palestra com Luciano Barreto (kumu, benzedor), da etnia tukano, da região do Alto Rio Negro, noroeste amazônico. Além da língua tukana, Barreto é falante de mais 12 línguas indígenas dessa região.

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