Pesquisadores da UFSC trabalham na recuperação de vegetação afetada por javalis no Parque Nacional de São Joaquim

06/07/2026 09:09

Pesquisadores do programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração – Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-BISC) utilizam pela primeira vez uma técnica de restauração para recuperar a vegetação campestre no Parque Nacional de São Joaquim em Urubici (SC). A área foi impactada pela presença de javalis, uma espécie exótica invasora no Brasil, e está sendo palco de um experimento que visa a recuperação da vegetação nativa a partir da transferência de feno.

A técnica funciona como uma doação: a vegetação de um campo saudável é roçada no período de frutificação das plantas e essa biomassa que contém sementes é implantada na área afetada. Assim, é formado um “colchão”  de proteção para o solo, oferecendo estrutura e sementes para germinação.

A doutoranda em Ecologia pela UFSC Sofia Casali explicou o processo no segundo episódio do Pod[e] Bisc, Os javalis e os campos. A técnica utilizada atualmente é o segundo experimento realizado pelo PELD BISC com o intuito de recuperar a vegetação no parque. A pesquisadora conta que, durante o primeiro experimento, de 2023 a 2025, foram utilizadas semeaduras de sementes de grupo de plantas típicas dos campos de altitude. Em ambos os casos, áreas do parque foram cercadas para evitar a entrada de javalis.

Introduzidos no Uruguai para a comercialização da carne, os javalis são uma espécie originária da Europa e da Ásia. A partir do solturas e escapes acidentais e com uma grande capacidade de dispersão e reprodução, os animais logo chegaram ao Brasil. À procura de alimento, reviram a terra dos campos e deixam o solo exposto e mais suscetível a erosão. Sofia aponta que, uma das áreas impactadas no Parque Nacional chegou a quatro hectares, ou seja, quarenta mil metros quadrados afetados pela presença de javalis.

O problema não é recente, mas tem ganhado visibilidade conforme os impactos econômicos crescem. Entre eles, estão os danos nas lavouras, que geram perdas na safra dos produtores, e a transmissão de doenças para animais domésticos. Além disso, as polêmicas sobre o controle por abate costumam carregar desinformação, principalmente nas redes sociais, segundo a pesquisadora.

Na entrevista, ela ressalta que as soluções envolvem empenhos interdisciplinares com trabalhadores rurais, pesquisadores, gestores ambientais e empresas. “A gente [pesquisadores] têm um dever não só com a sociedade, mas com as políticas que já estão sendo implementadas. Somos uma peça desse quebra-cabeça que vai configurar uma possível resolução do problema a partir das evidências científicas”, enfatiza.

Ouça o episódio completo no Spotify e na Orelo.

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Projeto da UFSC no Parque Nacional de São Joaquim recebe visita técnica de rede de pesquisadores em mudanças climáticas

24/04/2026 19:07

Equipe INCT ClimaVeg em visita ao Parque Nacional de São Joaquim (SC). Foto: Rafael Barbizan Sühs.

O município de Urubici, em Santa Catarina (SC), sediou o primeiro encontro do recém-aprovado INCT ClimaVeg, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para estudos sobre biodiversidade, ecologia e mudanças climáticas, com ênfase na adaptação da vegetação nativa. A iniciativa investiga o manejo e a conservação da biodiversidade e seus benefícios em campos e savanas diante da crise climática. Ao longo de cinco dias, cerca de 30 participantes estiveram reunidos em diversas atividades, entre elas uma visita técnica ao experimento do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-Bisc), vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e à Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). O projeto está situado no Parque Nacional de São Joaquim (SC).

Para o coordenador do PELD-Bisc e professor da UFSC, Eduardo Giehl, “a conservação da biodiversidade enfrenta hoje muitos desafios. Parte deles se dá por lacunas em nosso conhecimento, que pode ser resolvida com experimentos como os que estamos realizando aqui e que foram visitados pelos pesquisadores que integram o INCT ClimaVeg. Nossas expectativas são muito grandes de produzir o conhecimento necessário com o grupo formado, conhecimento esse que será certamente muito relevante para melhorarmos a capacidade de responder adequadamente aos desafios que temos pela frente”.

Equipe INCT ClimaVeg em visita ao experimento do PELD Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-Bisc). Foto: Carolina Rigo

O INCT ClimaVeg reúne mais de 20 instituições de referência— incluindo instituições de ensino superior, IBAMA, Embrapa e ICMBio -, aproximadamente 40 pesquisadores nacionais e internacionais e amplia uma interface científica internacional de colaboração que envolve Brasil, Uruguai, Argentina, África do Sul e Alemanha. A coordenação é dos professores Valério De Patta Pillar (coordenador geral) e Gerhard Overbeck (vice-coordenador), ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o programa surge diante da urgência de compreender e enfrentar a crise climática nos ecossistemas abertos — ambientes ainda pouco protegidos, mas essenciais para as populações humanas e para a saúde do planeta no Antropoceno. A proposta é contribuir para o desenvolvimento de soluções concretas e baseadas em evidências para o uso da terra, com foco na redução da perda de biodiversidade.

“O INCT ClimaVeg foi motivado pela necessidade de soluções baseadas na natureza para a crise climática. Precisamos lidar com eventos extremos climáticos, que têm acontecido cada vez mais frequentemente. No caso da vegetação nativa de campos e de cerrados, que ocupava originalmente perto de 40% do território brasileiro, o risco de incêndio aumenta muito durante uma seca extrema se a área não estiver sob uso pastoril. Isso tem acontecido frequentemente nas nossas unidades de conservação. O INCT ClimaVeg foi criado com o objetivo de estudar práticas de manejo pastoril, combinadas ou não com queimadas prescritas, com vistas a reduzir o risco de incêndios catastróficos em vegetação nativa de campo ou cerrado”, explica Valério De Patta Pillar, professor do Instituto de Biociências da UFRGS e coordenador do projeto.

A proposta envolve uma ampla rede científica que integra sínteses de dados existentes, novos estudos experimentais e não experimentais e modelos de simulação de cenários climáticos e de manejo. Experimentos em rede serão implementados com protocolos comuns. Modelos de dinâmica da vegetação e do uso da terra serão desenvolvidos considerando fatores de manejo e sua dinâmica, projetando seus efeitos na biodiversidade e nos benefícios associados sob diferentes cenários climáticos. Os resultados deverão subsidiar políticas públicas de adaptação à crise climática de abrangência nacional e global.

Mais informações pelo e-mail campossulinos@ufrgs.br

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CCB recebe exposição fotográfica de estudantes da Pós-Graduação em Ecologia

01/09/2022 08:31

O hall do auditório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebe até 27 de setembro a exposição fotográfica dos alunos do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGEco), em parceria com o Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração Biodiversidade de Santa Catarina (PELD/BISC).

O projeto é realizado pelos estudantes da disciplina Fotografia na Pesquisa e Divulgação Científica, ministrada pelo professor Áthila Bertoncini no primeiro semestre de 2022. A mostra exibe imagens feitas no campus da UFSC na Trindade, em Florianópolis, e durante uma visita ao Parque Estadual da Serra Furada (PASEF), onde os alunos experimentaram, além da fotografia da natureza, técnicas que lightpainting e de luz estroboscópica, expostas aqui sobre fundo preto.
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