Pesquisadores da UFSC trabalham na recuperação de vegetação afetada por javalis no Parque Nacional de São Joaquim
Pesquisadores do programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração – Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-BISC) utilizam pela primeira vez uma técnica de restauração para recuperar a vegetação campestre no Parque Nacional de São Joaquim em Urubici (SC). A área foi impactada pela presença de javalis, uma espécie exótica invasora no Brasil, e está sendo palco de um experimento que visa a recuperação da vegetação nativa a partir da transferência de feno.
A técnica funciona como uma doação: a vegetação de um campo saudável é roçada no período de frutificação das plantas e essa biomassa que contém sementes é implantada na área afetada. Assim, é formado um “colchão” de proteção para o solo, oferecendo estrutura e sementes para germinação.
A doutoranda em Ecologia pela UFSC Sofia Casali explicou o processo no segundo episódio do Pod[e] Bisc, Os javalis e os campos. A técnica utilizada atualmente é o segundo experimento realizado pelo PELD BISC com o intuito de recuperar a vegetação no parque. A pesquisadora conta que, durante o primeiro experimento, de 2023 a 2025, foram utilizadas semeaduras de sementes de grupo de plantas típicas dos campos de altitude. Em ambos os casos, áreas do parque foram cercadas para evitar a entrada de javalis.
Introduzidos no Uruguai para a comercialização da carne, os javalis são uma espécie originária da Europa e da Ásia. A partir do solturas e escapes acidentais e com uma grande capacidade de dispersão e reprodução, os animais logo chegaram ao Brasil. À procura de alimento, reviram a terra dos campos e deixam o solo exposto e mais suscetível a erosão. Sofia aponta que, uma das áreas impactadas no Parque Nacional chegou a quatro hectares, ou seja, quarenta mil metros quadrados afetados pela presença de javalis.
O problema não é recente, mas tem ganhado visibilidade conforme os impactos econômicos crescem. Entre eles, estão os danos nas lavouras, que geram perdas na safra dos produtores, e a transmissão de doenças para animais domésticos. Além disso, as polêmicas sobre o controle por abate costumam carregar desinformação, principalmente nas redes sociais, segundo a pesquisadora.
Na entrevista, ela ressalta que as soluções envolvem empenhos interdisciplinares com trabalhadores rurais, pesquisadores, gestores ambientais e empresas. “A gente [pesquisadores] têm um dever não só com a sociedade, mas com as políticas que já estão sendo implementadas. Somos uma peça desse quebra-cabeça que vai configurar uma possível resolução do problema a partir das evidências científicas”, enfatiza.







