Estudantes de Maryland e Nova York participam de minicurso no Museu da UFSC

11/01/2013 08:58

Minicurso sobre acervo arqueológico das Fortalezas da Ilha de SC no Museu Universitário. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Estudantes das universidades de Maryland e Nova York participaram, no dia 10 de janeiro deste ano, de minicurso sobre o acervo arqueológico das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, no Auditório do Museu da UFSC. Professores, arqueólogos e estudantes da Universidade conduziram os trabalhos.
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Tags: Forte São Jose da Ponta GrossaMuseu UniversitárioUFSC

Vivências com Povos Indígenas

30/05/2012 08:31

A Divisão de Museologia do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral promove nesta sexta-feira, 1° de junho, a palestra Vivências com Povos Indígenas. O convidado é o professor Bartomeu Melià (Assunção – Paraguai). O encontro será realizado no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC, a partir de 18h30min.

Na segunda o mesmo setor promove a aula aberta ´A PEC 215 contra os direitos indígenas, quilombolas e ambientais`, com o professor e antropólogo João Pacheco de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No auditório da  Reitoria, a partir de 18h30min. Os eventos são abertos ao público.

Mais informações: (48) 3721-8604 / 3721-6473 / 3721-9325

Tags: Museu Universitáriopovos indígenasUFSC

Pesquisadores e índio Ticuna promovem diálogo sobre culturas na UFSC

14/05/2012 08:00

Os Ticuna, nação do Alto Rio Solimões, são homenageados nas atividades em comemoração à décima Semana Nacional dos Museus na UFSC, com início na terça-feira, dia 15

A arte, a ciência e o misticismo dos índios brasileiros encerram ainda um mundo de mistério que fascina e intriga as sociedades brancas na descoberta do outro colonizado. Os Ticuna, povo indígena mais numeroso da Amazônia e do Brasil, são os grandes homenageados das atividades em comemoração à décima Semana Nacional dos Museus na Universidade Federal de Santa Catarina. Pacíficos mas irredutíveis na luta por seus direitos, os Ticuna, ou povo Magüta, são tema de conferências, debates e de uma impressionante exposição de máscaras, esculturas e objetos ritualísticos que representantes dessa nação do Alto Rio Solimões irão conhecer em visita ao campus universitário em Florianópolis.

Com a presença de Nino Fernandes, representante famoso da nação Ticuna (ou Tukúna), o debate “Museus e povos indígenas: espaço para o diálogo intercultural” abre a Semana dos Museus na terça-feira,  dia 15 de maio, como parte das atividades do Projeto Museu em Curso. A mesa-redonda será realizada às 18h, no segundo andar do novo prédio do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE/UFSC), em uma parceria com o Curso de Graduação em Museologia da UFSC, o Instituto Brasil Plural e o Museu Amazônico da Universidade Federal da Amazônia. Além do ticuna Nino Fernandes, diretor do Museu Magüta, localizado em Manaus, participam da mesa de discussão João Pacheco de Oliveira e Priscila Faulhaber, dois grandes antropólogos, pesquisadores e indigenistas.

O objetivo da semana é imergir no mundo pensado e vivido pelo povo Ticuna, diz a chefe da Divisão de Museologia, Cristina Castellano. Mundialmente conhecidos por seus rituais de iniciação da puberdade, como a Festa da Moça Nova, os Magüta foram visitados por um pesquisador catarinense pela primeira vem em julho de 1962. Nesse ano, o antropólogo do antigo Museu da UFSC, Sílvio Coelho dos Santos, já falecido, realizou sua pesquisa de campo do Curso de Pós Graduação em Antropologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro entre os Magüta do Alto Solimões.

A exposição “Ticuna em dois tempos”, que vai até o dia 25 de outubro no Marque, reunindo a coleção do antropólogo e do artista plástico amazonense Jair Jacmont, é uma mostra do colorido e da exuberância da arte desse povo, que se notabilizou em todo mundo por sua cosmogonia e objetos ritualísticos. As mais de 300 peças em exposição expressam também o modo de ver o mundo dessa grande nação espalhada entre a Amazônia brasileira, Colômbia e Peri, que divide os indivíduos de sua sociedade de castas em duas linhagens, entre as quais se classificam todos os seres vivos, humanos ou não: a das aves e a das plantas.

Palestrantes
O Ticuna Nino Fernandes dirige o Museu Magüta, o primeiro museu indígena do país que, em 1996, foi premiado pelo International Commitee on Museums (ICOM) e em 1999 foi tema de uma grande exposição realizada no Tropenzmuseum (Museu Tropical) em Amsterdam. Nino Fernandes recebeu a Ordem do Mérito Cultural do ano de 2005 do então presidente Lula e do ministro da Cultura Gilberto Gil. Em 2007 foi agraciado com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e em dezembro de 2008 com o Prêmio Chico Mendes, outorgado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Autor de volumosa obra, entre livros e artigos publicados, João Pacheco de Oliveira é Professor Titular do Museu Nacional do Rio de Janeiro, curador das coleções etnológicas do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e docente do da UFRJ. Foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) entre 1994 e 1996 e por diversas vezes exerceu a função de coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas, função pela qual responde também na atual gestão.

Atuando ao lado dos Ticuna desde a década de 1970, Oliveira foi um dos fundadores e primeiro presidente do Centro de Documentação e Pesquisa do Alto Solimões. A entidade criada em 1986 deu origem ao atual Museu Magüta, administrado pelo movimento indígena, por meio do Conselho Geral da Tribo Tikuna. Em 1977 publicou a dissertação As Facções e a Ordem Política em uma Reserva Tükuna, defendida pela UnB e em 1988 a tese “O Nosso Governo”; os Ticuna e o Regime Tutelar, pela UFRJ.

Priscila Faulhaber
é pesquisadora da Coordenação de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins e pesquisadora-associada do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém. Atua como professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Amazonas e do Programa de Pós-Graduação em Museologia da Unirio.

Sua dissertação de mestrado, defendida em 1983 (UnB), foi publicada em livro sob o título O Navio Encantado; Etnia e Alianças em Tefé. Nela a pesquisadora enfoca o contexto das relações interétnicas dos povos Miranha, Matsé (Mayoruna) e Cambeba e vários segmentos da sociedade envolvente na região de Tefé, no Médio Rio Solimões. Sua tese, O Lago dos Espelhos; um estudo antropológico a partir do movimento dos índios de Tefé/AM, de 1992 (Unicamp), publicada em 1998, oferece exame sobre o entendimento de fronteira étnica, definida a partir das tensões produzidas com a demarcação das terras indígenas no Médio Solimões.

As relações entre a iconografia das máscaras ticuna da Coleção Curt Nimuendaju (1941/1942) e a mitologia exposta na monografia desse etnólogo remete, como escreve a autora, “à análise da performance do ritual de puberdade feminina”. Diz Priscila Faulhaber que essa simbologia “toca as temáticas da fertilidade da mulher e da natureza, da complementaridade das metades, da passagem do tempo, das obrigações sociais da mulher e dos papéis e lugares na organização social Ticuna.”

Quem são os Ticuna

1.    Autodenominação – Magüta
2.    Língua e família linguística – Ticuna
3.    Quantos são – totalizam cerca de 52.000 pessoas
4.    Onde habitam – no Brasil, Colômbia e Peru. No Brasil a maioria ocupa a região do Alto Solimões, ocorrendo também presença no médio e no baixo curso do rio Solimões, estado do Amazonas
5.    Terras Indígenas no Brasil – atualmente somam 28. Homologadas e registradas: 20; homologadas: 03; declaradas: 04 e em identificação: 01

Vivem em mais de uma centena de aldeias e atualmente algumas famílias habitam também centros urbanos como, por exemplo, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Beruri e Manaus.

Integrantes do povo Ticuna se encontram em processo de escolarização nas aldeias ou fora delas, o que implica o ingresso em diversos cursos superiores, incluindo os de Licenciatura Intercultural Indígena, da Universidade Estadual de Amazonas (UEA) e Universidade Federal de Amazonas (UFAM). Para incentivar e monitorar esse processo de escolarização, os Ticuna criaram a Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngues (OGPTB) em dezembro de 1986.
Em sua vigorosa postura pela autodeterminação e reconhecimento de seus direitos territoriais instituíram, em 1982, o Conselho Geral da Tribo Ticuna (CGTT) e posteriormente, em 1990, o Museu Magüta, localizado no município de Benjamin Constant, no Amazonas.

Fonte: Instituto Socioambiental (http://www.socioambiental.org.br/)

Serviço:
O quê:
 Mesa-redonda do Projeto Museu em Curso “Museus e Povos Indígenas: Espaço Para o Diálogo Intercultural”.
Quando
: 15 de maio de 2012, das 16h às 18h
Onde
: 2° Piso do Pavilhão Antropólogo Sílvio Coelho dos Santos / MArquE – UFSC / Campus Universitário
Entrada franca com direito a certificados

Informações: (48) 3721-8604 ou 3721-9325 / E-mail: 

Por Raquel Wandelli / Jornalista da UFSC na SeCArte / / (48) 37219459 e 99110524

Tags: Museu UniversitárioUFSC

UFSC inaugura o maior museu arqueológico do sul do país

25/04/2012 17:30
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(clique duas vezes para ampliar) Fotos: Cláudia Reis

Duas gerações de antropólogos e museólogos se encontraram na terça-feira, 24 de abril, à noite, para celebrar a evolução do Museu Universitário em cinco décadas de história. A instituição que começou a funcionar em uma estrebaria adaptada, na antiga Fazenda Assis Brasil, onde a UFSC se instalou na década de 60, passa agora a ostentar uma das maiores estruturas museológicas do país em tamanho e excelência.  O encontro ocorreu durante a reabertura do Museu Arqueológico e Etnográfico Oswaldo Rodrigues Cabral e inauguração do Pavilhão Expositivo Sílvio Coelho dos Santos, que agora poderá expor coleções arqueológicas e indígenas de valor cultural inestimável, além da obra de Franklin Cascaes, que não podiam ser exibidas por falta de espaço adequado de conservação. A  primeira exposição, denominada “Ticuna em dois tempos”, uma herança de Sílvio Coelho, já abrirá no dia 9 de maio.

Com a inauguração do pavilhão, o museu reabre suas portas após uma década em que se manteve fechado ao público, concentrando-se apenas no  trabalho de pesquisa. Ao abrir a cerimônia, o reitor Alvaro Prata disse estar entregando à comunidade de Santa Catarina um prédio construído inteiramente com recursos próprios (R$ 5 milhões) dentro do que há de excelência em matéria de museu e acessibilidade. Prata acrescentou que a universidade precisará do apoio das instituições de fomento cultural e da comunidade catarinense para equipar e mobiliar a obra, com um total de 2.400 metros quadrados, seguindo o seu padrão internacional. A secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Borges, afirmou que o museu será uma referência na América Latina, pela importância do seu acervo que agora poderá ser conhecido.
Cerca de 300 pessoas, entre estudantes, professores, pró-reitores, diretores de centro, ex-reitores, jornalistas, parlamentares, dirigentes de instituições culturais do estado participaram da primeira visita ao Pavilhão, composto por cinco andares com elevadores, sendo dois mezaninos, três grandes espaços expositivos e um terraço para exposição de grandes objetos e apresentações artísticas, além de salas para atividades culturais e educativas, laboratórios de restauração, café e sala de estar. O grande homenageado da noite foi o antropólogo Sílvio Coelho dos Santos, ex-pró-reitor de Ensino e de Pesquisa e Pós Graduação da UFSC, e um dos fundadores do museu ao lado de Oswaldo Rodrigues Cabral, Walter Piazza e Anamaria Beck. Representado pela esposa, Alair Santos, o filho Paulo e a neta Júlia,  bióloga, Silvio Coelho deixou antes de morrer, em 2008, coleções de objetos das etnias indígenas de Santa Catarina de grande importância histórica e cultural e também dos índios Ticuna, de Manaus.
Diretoras de três períodos diferentes do museu participaram da solenidade: Anamaria Beck, Neusa Bloemer e Teresa Fossari, a atual dirigente. Uma das fundadoras do antigo Instituto de Antropologia, que deu origem ao museu, Anamaria Beck fez um relato sobre os desafios que ela e Sílvio Coelho dos Santos enfrentaram para criar a instituição e fomentar os acervos e confessou: “Pensei  que não fosse suportar a emoção quando vi o seu nome na entrada do pavilhão”.
Com três grandes salas de exposições totalizando 1.900 metros quadrados, todas apresentando condições ideais de climatização, iluminação, controle de umidade e um eficiente sistema de segurança monitorado, a nova construção vai dar vazão ao trabalho de pesquisa que o museu manteve durante todas essas décadas. “Nossas coleções são peças-chave para compreender a formação do povo catarinense”, salientou Teresa Fossari. A diretora disse também que o prédio possibilitou a mudança de estatuto e nome do Museu Universitário para Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE). “Agora temos um padrão de conservação apto para receber qualquer acervo do mundo em circulação pelo país”, lembrou Fossari, que agradeceu o empenho de toda a equipe.
Até mesmo a manifestação de uma turma de estudantes de Geologia, que aproveitou a inauguração para protestar contra a falta de professores, entrou no espírito de congraçamento em torno da conquista. Garantindo que a reitoria está envidando todos os esforços para que o Congresso Nacional aprove a contratação de mais professores, o reitor considerou justa e procedente a manifestação dos alunos, que espontaneamente recolheram as faixas e cartazes e participaram em harmonia do evento e da visita ao novo museu.
Por Raquel Wandelli, jornalista da SeCArte/UFSC.
Contatos: (48) 99110524 – 37219459
Tags: Museu UniversitárioUFSC

Museu Universitário reabre nesta terça como espaço de padrão internacional

23/04/2012 08:50
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O prédio novo e o antigo; acervos não precisarão circular pelo ambiente externo graças à integração arquitetônica. Fotos: Wagner Behr/Agecom

Santa Catarina ganha neste mês um novo espaço museológico de qualidade e dimensões inigualáveis no Sul do Brasil. Depois de 10 anos de lutas por recursos para finalizar a construção do prédio com um padrão internacional de conservação e segurança, a Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina reabre ao público as portas do museu com uma nova e potente estrutura.

Nesta terça-feira, 24 de abril, às 19h, o reitor Alvaro Prata inaugura o Pavilhão de Exposições Antropólogo Sílvio Coelho dos Santos, um prédio de quatro andares, sendo dois mezaninos, com 1.900 m2 de área, no qual a UFSC investiu R$ 5 milhões em recursos próprios para que o Estado esteja apto a abrigar diferentes exposições tanto do acervo institucional quanto de mostras itinerantes.

Com o novo prédio, o Museu Universitário, fundado em 1968 pelo professor Oswaldo Cabral, ganha identidade própria e passa agora a se chamar Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE). Em uma construção datada dos anos 40, uma das primeiras da antiga Fazenda Assis Brasil, onde a UFSC se instalou na década de 60, os pioneiros historiadores Cabral, Sílvio Coelho dos Santos e Walter Piazza iniciaram os trabalhos do museu. Agora, a antiga sede acomodará apenas a administração.

O acervo, composto por objetos etnográficos produzidos por grupos indígenas e descendentes de migrantes, além da obra de Cascaes, que não podia ser exposta ao público por falta de espaços com condições de conservação, migrará para o novo prédio. A moderna construção está equipada com três grandes salas de exposições em condições ideais de climatização e um eficiente sistema de segurança com o monitoramente de seus espaços.

Na área construída, erguem-se quatro pisos, incluindo dois grandes andares, dois mezaninos e um amplo terraço com vista panorâmica na cobertura. A obra se diferencia pelas dimensões e também pelas condições de acessibilidade e deslocamento de acervos previstas na estrutura: há elevadores para todos os andares, áreas de circulação climatizadas, com amplos corredores e escadarias, rampas, estacionamento, facilidades de acesso aos espaços expositivos para cadeirantes, cegos e surdos.

A acessibilidade beneficia pessoas com diversos tipos de necessidades especiais e também o deslocamento dos acervos, que não precisarão circular pelo ambiente externo graças à integração arquitetônica entre a reserva técnica e os espaços de exibição e, ainda, entre o antigo prédio do museu e o atual. Destaca-se ainda uma estrutura diferenciada de apoio e incremento às atividades do museu, como o laboratório de restauração e salas para o desenvolvimento de programas educativos e culturais, como visitas mediadas, contação de histórias, oficinas de arte-educação e palestras, entre outras atividades. Na entrada do prédio, está previsto o funcionamento de um café e, no segundo andar, uma sala de estar para os visitantes. “Em termos comparativos, não existe no sul do Brasil uma estrutura museológica dessa magnitude. Santa Catarina contará com espaço ímpar”, diz orgulhoso o reitor Alvaro Prata.

Três grandes salas de exposição
Assinado pela equipe do Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia da UFSC, o projeto arquitetônico visou uma construção elegante e neutra, em forma de paralelepípedo. Predominam o branco e a claridade nos amplos espaços de circulação e corredores, a fim de concentrar o olhar do visitante nas exposições e na experiência sensorial da visita. Os salões de exposição totalizam 800 m2 divididos em três espaços distintos, dotados, como todos os espaços do museu, de condições de temperatura e umidade adaptadas ao tipo de objeto a ser exposto. Todos os espaços expositivos receberam um sistema de iluminação adequado, piso em relevo para o uso de luminárias móveis e paredes internas em vidro jateado.

O primeiro deles, no térreo, com 206 m2 possibilita a montagem de mostras de curta duração. No dia 9 de maio o novo pavilhão já dirá a que veio com a abertura da exposição “Ticuna em dois tempos”, que até novembro vai expor duas coleções de artefatos indígenas dos Ticuna, do norte do País. Uma delas, sob a guarda do MArquE, foi recolhida na década de 1960 por Sílvio Coelho dos Santos na região dos Ticuna, no alto Solimões, Amazonas. A outra coleção foi reunida na década de 1970 por Jair Jacmont, na cidade de Manaus e hoje se encontra no Museu Amazônico, da UFAM. Destacam-se a presença de objetos ligados ao “ritual da moça nova”, além de registros feitos pelo antropólogo Sílvio Coelho dos Santos, que incluem diapositivos e diários de campo. A exposição é um projeto desenvolvido a partir da Rede de Museus do Instituto Brasil Plural – IBP.

No segundo andar localiza-se um dos maiores espaços museológicos do País: uma sala de 472 m2, destinada a exposições de longa duração. Foi projetado para as exposições de acervo sob a guarda da instituição, no que se incluem os objetos arqueológicos, as coleções indígenas e das populações migradas para Santa Catarina a partir do período colonial, conforme explica a museóloga Viviane Wermelinger. “Com essa obra o museu Marque será uma referência na América do Sul porque poderá dar visibilidade ao seu importante acervo relativo às populações indígenas Caingang, Xocleng e Guarani”, acentua a secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Borges.

Há, ainda, uma terceira e elegante sala de exposição com 104 m2 no segundo mezanino, denominada Gabinete de Papel, que abrigará em breve a coleção de desenhos de Franklin Cascaes. O terraço é um capítulo à parte, pela vista da bela paisagem e pelas possibilidades que oferece de exploração para eventos culturais. Foi planejado para realizar exposições de materiais que podem ser submetidos a intempéries, como esculturas e grandes objetos não perecíveis e, ainda, para realizar concertos, apresentações de dança, lançamentos de livro, entre outros eventos.

A equipe do Museu, dirigida por Teresa Fossari, está criando um plano para o uso dos espaços museológicos temporários. Está previsto o lançamento, ainda em 2012, de um edital para exposições de curta duração. A Divisão de Museologia também elaborou e aprovou projetos para editais de fomento à área museológica, além de desenvolver ações como ciclos de palestras, pesquisas, oficinas, cursos. “Essa obra vai permitir que o museu cumpra, em sua plenitude, seu papel social e cultural, realizando ações voltadas à comunidade, à representação de sua identidade e à documentação da sua memória”, explica a diretora da Divisão de Museologia Cristina Castellano.

Sem financiamento extra ou recursos externos, contando apenas com o orçamento da UFSC junto ao MEC, a obra levou uma década para ser concluída, tempo em que o Museu ficou sem espaço expositivo, voltando-se para o desenvolvimento de pesquisas, qualificação dos espaços de reserva técnica e atendimento de pesquisadores externos. O projeto inicial, assinado pelo arquiteto Antônio Carlos Silva, foi sendo modificado e adaptado às transformações no próprio conceito de museu pelo arquiteto Roberto Tonera, também da UFSC. A diretora Fossari está convidando para a solenidade de inauguração instituições de fomento à cultura e empresários que poderão vislumbrar o potencial da instituição e constituir parcerias com a universidade buscando equipá-la e permitir seu pleno funcionamento.

História começou em uma fazenda
O marco inicial do Museu da UFSC se confunde com a prática pedagógica da antropologia em Santa Catarina. Foi a partir da criação da Faculdade de Filosofia, em 1951, que a Antropologia começou a ser ensinada no estado. Mais tarde, em 1964, os professores Oswaldo Rodrigues Cabral, Silvio Coelho dos Santos e Walter Piazza propuseram a criação de um Instituto de Antropologia, que viria a ser inaugurado em 29 de maio de 1968, com sede no campus da UFSC. Além do diretor Oswaldo Cabral, a instituição contava inicialmente com os professores Silvio Coelho dos Santos, Anamaria Beck e Edson Araújo. Motivados pela diversidade étnica de Santa Catarina, os primeiros projetos de pesquisa da equipe focaram as populações indígenas e pré-coloniais do sul do Brasil.

Por Raquel Wandelli (jornalista, SeCArte) / (48) 99110524 / 37219459 / / / www.secarte.ufsc.br

SERVIÇO:
Reabertura do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral e inauguração do Pavilhão Sílvio Coelho dos Santos
Data: 24 de abril, às 19h
Local: Campus Universitário, próximo ao Colégio de Aplicação

Tags: Museu UniversitárioUFSC

Ações Educativas em Museus

23/04/2012 07:48

O Projeto Museu em Curso, realização da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, promove nesta quarta-feira, 25 de abril, a palestra “Ações educativas em museus: entre função, políticas e práticas”. O encontro gratuito será realizado a partir de 16h, no auditório do museu.

A convidada é a professora Maria Helena Rosa Barbosa, coordenadora da Rede de Educadores em Museus de Santa Catarina. A proposta é refletir sobre a função dos museus no que diz respeito às práticas educativas, a partir de documentos oficiais que determinam uma política educacional para estes espaços e de textos de pesquisadores que investigam a educação em museus. Serão fornecidos certificados.

A palestrante:

Maria Helena Rosa Barbosa é Mestre em Artes Visuais (2009) e Licenciada em Educação Artística (1994) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), é Arte-educadora no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), desde 2003, e coordenadora da Rede de Educadores em Museus de Santa Catarina (REM/SC). Tem experiência na área de artes, com ênfase no ensino da arte em educação formal e não formal, especialmente em ações educativas e culturais em museus e mediação em exposições com diferentes públicos, bem como artigos publicados sobre museus e o que envolve a educação nesse espaço.

Informações: 3721-8604 / 3721-9325 /

Tags: Museu UniversitárioUFSC

Museu Universitário reabre na terça como espaço de padrão internacional

20/04/2012 18:19
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O prédio novo e o antigo; acervos não precisarão circular pelo ambiente externo graças à integração arquitetônica - Fotos: Wagner Behr

Três grandes salas de exposição com controle de temperatura e umidade, acessibilidade, terraço, laboratório, café, salas para atividades educativas e conferências. O novo prédio do Museu da UFSC será inaugurado na próxima terça, dia 24

 

Santa Catarina ganha neste mês um novo espaço museológico de qualidade e dimensões inigualáveis no Sul do Brasil. Depois de 10 anos de lutas por recursos para finalizar a construção do prédio com um padrão internacional de conservação e segurança, a Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina reabre ao público as portas do museu com uma nova e potente estrutura. Na próxima terça, 24 de abril, às 19h, o reitor Alvaro Prata inaugura o Pavilhão de Exposições Antropólogo Sílvio Coelho dos Santos, um prédio de quatro andares, sendo dois mezaninos, com 1.900 m2 de área, no qual a UFSC investiu R$ 5 milhões em recursos próprios para que o Estado esteja apto a abrigar diferentes exposições tanto do acervo institucional quanto de mostras itinerantes.

 

Com o novo prédio, o Museu Universitário, fundado em 1968 pelo professor Oswaldo Cabral, ganha identidade própria e passa agora a se chamar Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE). Em uma construção datada dos anos 40, uma das primeiras da antiga Fazenda Assis Brasil, onde a UFSC se instalou na década de 60, os pioneiros historiadores Cabral, Sílvio Coelho dos Santos e Walter Piazza iniciaram os trabalhos do museu. Agora, a antiga sede acomodará apenas a administração. O acervo, composto por objetos etnográficos produzidos por grupos indígenas e descendentes de migrantes, além da obra de Cascaes, que não podia ser exposta ao público por falta de espaços com condições de conservação, migrará para o novo prédio. A moderna construção está equipada com três grandes salas de exposições em condições ideais de climatização e um eficiente sistema de segurança com o monitoramente de seus espaços.

 

Na área construída, erguem-se quatro pisos, incluindo dois grandes andares, dois mezaninos e um amplo terraço com vista panorâmica na cobertura. A obra se diferencia pelas dimensões e também pelas condições de acessibilidade e deslocamento de acervos previstas na estrutura: há elevadores para todos os andares, áreas de circulação climatizadas, com amplos corredores e escadarias, rampas, estacionamento, facilidades de acesso aos espaços expositivos para cadeirantes, cegos e surdos.

 

A acessibilidade beneficia pessoas com diversos tipos de necessidades especiais e também o deslocamento dos acervos, que não precisarão circular pelo ambiente externo graças à integração arquitetônica entre a reserva técnica e os espaços de exibição e, ainda, entre o antigo prédio do museu e o atual. Destaca-se ainda uma estrutura diferenciada de apoio e incremento às atividades do museu, como o laboratório de restauração e salas para o desenvolvimento de programas educativos e culturais, como visitas mediadas, contação de histórias, oficinas de arte-educação e palestras, entre outras atividades. Na entrada do prédio, está previsto o funcionamento de um café e, no segundo andar, uma sala de estar para os visitantes. “Em termos comparativos, não existe no sul do Brasil uma estrutura museológica dessa magnitude. Santa Catarina contará com espaço ímpar”, diz orgulhoso o reitor Álvaro Prata.

 

Três grandes salas de exposição

Assinado pela equipe do Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia da UFSC, o projeto arquitetônico visou uma construção elegante e neutra, em forma de paralelepípedo. Predominam o branco e a claridade nos amplos espaços de circulação e corredores, a fim de concentrar o olhar do visitante nas exposições e na experiência sensorial da visita. Os salões de exposição totalizam 800 m2 divididos em três espaços distintos, dotados, como todos os espaços do museu, de condições de temperatura e umidade adaptadas ao tipo de objeto a ser exposto. Todos os espaços expositivos receberam um sistema de iluminação adequado, piso em relevo para o uso de luminárias móveis e paredes internas em vidro jateado.

 

O primeiro deles, no térreo, com 206 m2 possibilita a montagem de mostras de curta duração. No dia 9 de maio o novo pavilhão já dirá a que veio com a abertura da exposição “Ticuna em dois tempos”, que até novembro vai expor duas coleções de artefatos indígenas dos Ticuna, do norte do País. Uma delas, sob a guarda do MArquE, foi recolhida na década de 1960 por Sílvio Coelho dos Santos na região dos Ticuna, no alto Solimões, Amazonas. A outra coleção foi reunida na década de 1970 por Jair Jacmont, na cidade de Manaus e hoje se encontra no Museu Amazônico, da UFAM. Destacam-se a presença de objetos ligados ao “ritual da moça nova”, além de registros feitos pelo antropólogo Sílvio Coelho dos Santos, que incluem diapositivos e diários de campo. A exposição é um projeto desenvolvido a partir da Rede de Museus do Instituto Brasil Plural – IBP.

 

No segundo andar localiza-se um dos maiores espaços museológicos do País: uma sala de 472 m2, destinada a exposições de longa duração. Foi projetado para as exposições de acervo sob a guarda da instituição, no que se incluem os objetos arqueológicos, as coleções indígenas e das populações migradas para Santa Catarina a partir do período colonial, conforme explica a museóloga Viviane Wermelinger. “Com essa obra o museu Marque será uma referência na América do Sul porque poderá dar visibilidade ao seu importante acervo relativo às populações indígenas Caingang, Xocleng e Guarani”, acentua a secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Borges.

 

Há, ainda, uma terceira e elegante sala de exposição com 104 m2 no segundo mezanino, denominada Gabinete de Papel, que abrigará em breve a coleção de desenhos de Franklin Cascaes. O terraço é um capítulo à parte, pela vista da bela paisagem e pelas possibilidades que oferece de exploração para eventos culturais. Foi planejado para realizar exposições de materiais que podem ser submetidos a intempéries, como esculturas e grandes objetos não perecíveis e, ainda, para realizar concertos, apresentações de dança, lançamentos de livro, entre outros eventos.

A equipe do Museu, dirigida por Teresa Fossari, está criando um plano para o uso dos espaços museológicos temporários. Está previsto o lançamento, ainda em 2012, de um edital para exposições de curta duração. A Divisão de Museologia também elaborou e aprovou projetos para editais de fomento à área museológica, além de desenvolver ações como ciclos de palestras, pesquisas, oficinas, cursos. “Essa obra vai permitir que o museu cumpra, em sua plenitude, seu papel social e cultural, realizando ações voltadas à comunidade, à representação de sua identidade e à documentação da sua memória”, explica a diretora da Divisão de Museologia Cristina Castellano.

 

Sem financiamento extra ou recursos externos, contando apenas com o orçamento da UFSC junto ao MEC, a obra levou uma década para ser concluída, tempo em que o Museu ficou sem espaço expositivo, voltando-se para o desenvolvimento de pesquisas, qualificação dos espaços de reserva técnica e atendimento de pesquisadores externos. O projeto inicial, assinado pelo arquiteto Antônio Carlos Silva, foi sendo modificado e adaptado às transformações no próprio conceito de museu pelo arquiteto Roberto Tonera, também da UFSC. A diretora Fossari está convidando para a solenidade de inauguração instituições de fomento à cultura e empresários que poderão vislumbrar o potencial da instituição e constituir parcerias com a universidade buscando equipá-la e permitir seu pleno funcionamento.

 

História começou em uma fazenda

O marco inicial do Museu da UFSC se confunde com a prática pedagógica da antropologia em Santa Catarina. Foi a partir da criação da Faculdade de Filosofia, em 1951, que a Antropologia começou a ser ensinada no estado. Mais tarde, em 1964, os professores Oswaldo Rodrigues Cabral, Silvio Coelho dos Santos e Walter Piazza propuseram a criação de um Instituto de Antropologia, que viria a ser inaugurado em 29 de maio de 1968, com sede no campus da UFSC. Além do diretor Oswaldo Cabral, a instituição contava inicialmente com os professores Silvio Coelho dos Santos, Anamaria Beck e Edson Araújo. Motivados pela diversidade étnica de Santa Catarina, os primeiros projetos de pesquisa da equipe focaram as populações indígenas e pré-coloniais do sul do Brasil.

Texto: Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte)
Contatos: (48) 99110524 – 37219459


www.secarte.ufsc.br

 

SERVIÇO:
Reabertura do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo
Rodrigues Cabral e inauguração do Pavilhão Sílvio Coelho dos Santos
Data: 24 de abril, às 19 horas
Local: Campus Universitário, próximo ao Colégio de Aplicação

Tags: Museu Universitário

Museu Universitário recebe recursos para modernização

15/12/2011 09:24

O projeto “Modernização dos Espaços Museais”, elaborado pelo Museu Universitário, foi aprovado no Edital de Modernização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) deste final de ano. A partir do primeiro semestre de 2012, aproximadamente R$ 183.000,00 serão investidos na modernização e ampliação das reservas técnicas do acervo do museu. Uma equipe formada por três profissionais, sendo uma museóloga, uma restauradora, uma arquivista e cinco bolsistas ficará responsável pela organização dos objetos.

Chamados de “reservas técnicas”, os três espaços de guarda de acervo do Museu Universitário têm acesso restrito e controlado. Neles, os objetos do acervo são, depois de submetidos a uma série de procedimentos, finalmente armazenados em locais específicos. Com os recursos do projeto, uma sala será anexada para ampliar os espaços das reservas técnicas I e II.

“Os objetos de maneira geral têm uma sobrevida limitada, o que fazemos em um museu é garantir a longevidade dos objetos, com medidas que tratam de subtrair os fatores de deterioração”, explica Cristina Castellano, diretora da Divisão de Museologia. As medidas vão desde temperatura e umidade constante, dedetização e desinfecção dos objetos com manipulação adequada, higienização dos espaços e dos objetos e documentação adequada até a colocação de portas corta-fogo nas reservas técnicas, fechamento de janelas e melhorias nos sistemas de segurança.

Mais informações:  (48) 3721-9325

Por Raquel Wandelli / Jornalista na SeCArte/UFSC / Fones: 3721-8729 e 9911-0524 /www.secarte.ufsc.br /

 

Tags: Museu Universitário

Museu do século XXI não é para turista, mas para comunidade

29/11/2011 17:59
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Vicenzo Padiglione: "museu contemporâneo está mudando sua identidade e revolucionando nossas concepções sobre patrimônio” Fotos: Wagner Behr/ Agecom

Antropólogo e professor italiano defende que museus deixem de ser instituições onde se guarda o pó do passado para refletirem o patrimônio da contemporaneidade

 

É preciso abandonar tudo que guardamos no imaginário sobre os museus para poder compreender qual é sua missão no Século XXI. Essa velha instituição que remonta a Idade Média chegou ao Terceiro Milênio completamente transformada: não é mais lugar de pó e velharia, não é mais uma redoma de vidro onde se isola o patrimônio etnográfico da cultura que lhe deu origem e não é mais lugar apenas para ver. “O museu contemporâneo está mudando sua identidade e revolucionando nossas concepções sobre patrimônio”, afirmou o antropólogo e museólogo italiano Vicenzo Padiglione, que na tarde de segunda (28/11) falou sobre patrimônio cultural nas comunidades aos participantes da última conferência do Projeto Museu em Curso, no auditório do Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral.

 

As mudanças anunciadas pelo professor da Sapienza Università di Roma reservam ainda uma quarta novidade: as instituições museológicas não devem ser mais concebidas, projetadas e administradas para agradar turistas, preferencialmente, mas devem estar voltadas para a comunidade em torno. Em suma, tudo o que acreditávamos definir um museu como um depósito de coisas antigas que merecem ser conservadas é precisamente o que ele não é mais. Mas então o que é o museu para essas novas correntes antropológicas que norteiam o trabalho atual do Museu da UFSC?

 

O professor Padiglioni resume a resposta a essa questão em quatro pontos: uma instituição que está ligada ao tempo presente e não mais ao passado; que promove a identidade essencialmente impura e plural das culturas; que convida o visitante não apenas a ver, mas a refletir sobre seus próprios hábitos de vida e, por último, que compreende os objetos museais a partir do seu vínculo estreito com a comunidade-território de onde se originam, em vez de expô-los como representação fetichizada dessas comunidades. Hoje, as instituições orientadas por essas novas ideias, estão se propondo a repatriar esses objetos, devolvendo-os a suas etnias para que seu uso e significado simbólico seja restabelecido ou propondo reflexões críticas sobre a representação que as sociedades ocidentais têm feito desses bens culturais.

 

Curador de sete pequenos museus, e tendo ocupado o cargo de presidente da Associação Profissional dos Antropólogos de Museus, na Itália, Padiglioni trouxe várias ilustrações de projetos empreendidos por ele que colocam em prática a nova filosofia. Mostrou como exemplo uma grande foto dos habitantes da comunidade no centro de uma província a 130 km de Roma, ao lado de seus marcos naturais e urbanos mais importantes. Refeita depois de 15 anos, a foto afixada no museu local, teve um impacto muito forte na comunidade, ajudando a reavivar a instituição e fazendo-a perceber como lugar de preservação da memória contemporânea.

 

Outro exemplo que ilustrou com imagens foi o da reconstituição do quarto de pessoas idosas, incluindo objetos, vestuário, mobiliário e cenas que revelam hábitos e modos de viver. Não podemos mais pensar no museu como lugar empoeirado ou cemitério de velharia, tampouco que seja feito para turistas. “Isso foi um erro do passado: o museu é para os moradores do lugar”. Agora se pensa e se projeta museus para o desenvolvimento da sociedade local, para a promoção da economia, da cultura, para criar lugar de socialização e não para mostrar aos turistas as provas da cultura local, argumenta. O museu também se torna um lugar chave das políticas culturais que exigem um posicionamento político e impossibilitam a neutralidade, acentua o teórico. Sua ênfase não é mais visual, mas reflexiva: o crescente sucesso dos museus mostra que é preciso refletir sobre a sua própria ação de construir e desconstruir patrimônios, elegendo-os ou não como preserváveis e ainda desconstruir noções como tradição, memória, patrimônio e história.

 

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC
Fones: 37218729 e 99110524

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Tags: Museu Universitário

Palestra reune preservação cultura e ação social

26/09/2011 15:27

A palestra com a antropóloga Anamaria Beck e a jornalista Rosina Duarte foi realizada na quarta-feira, 21/09, com o tema Mulheres, Memórias e Museus, que debateu o papel da renda de bilro na cultura tradicionalista do litoral catarinense, as atribuições da mulher na história da comunidade pesqueira e a denotação histórica da preservação da memória nos grupos sociais “invisíveis”. A conversa fez parte da 5ª Primavera dos Museus, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBAM) que tem programação nacional com palestras e exposições nos museus de todo o Brasil. A confêrencia ocorreu no Auditório do Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, no campus na UFSC.

A antropóloga Anamaria Beck defende que a renda de bilro é caracterizada como um marcador do gênero feminino nas comunidades pesqueiras do litoral catarinense. “Onde há rede, há renda”. Com essa afirmação, Anamaria faz a relação da construção familiar com os costumes característicos na comunidade açoriana entre a rede de pesca – associada aos homens – e a renda de bilro – associada às mulheres.

Segundo a antropóloga, a prática da renda é uma herança familiar de afirmação da cultura, é transmitida através das gerações, porém foi perdendo essa característica em função do conflito da ocupação dessas comunidades pelas frentes econômicas do turismo, que, de acordo com Anamaria, marginalizam a cultura tradicional para a periferia da cidade. A renda de bilro tem papel fundamental na atribuição e preservação da identidade das comunidades; é função da sociedade resguardar a memória desses costumes e afirmar a existência dessas comunidades na história da região.

“A memória nos preserva. É um direito sagrado”. A jornalista Rosina Duarte sustenta com essa frase a importância de registrar a história e a lembrança das populações “invisíveis” – como os moradores de rua, as prostitutas e os índios. A jornalista compara o museu antropológico e as características do jornalismo diário. Segundo ela, as empresas de comunicação não retratam o cotidiano das populações. “Os jornais relatam o contexto e a exceção.” Diferente dos relatos antropológicos que descrevem e preservam o comportamento e as peculiaridades do dia a dia das comunidades “esquecidas”.

Rosina também comentou sobre a ONG Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação), na qual é coordenadora e desenvolve um trabalho de preservação do direito à comunicação das populações ditas invisíveis através da elaboração de um jornal trimestral produzido por moradores de rua de Porto Alegre (RS). O objetivo da ONG é desenvolver projetos de jornalismo social para discutir o comportamento, a ética, as tendências da grande imprensa, formar leitores críticos, contribuir para democratização e qualificação do acesso a informação no país.

De acordo com as palestrantes, debater a permanência da cultura no contexto histórico é manter a memória viva e presente. Desse modo, será possível criar um banco de dados de memórias para o acesso irrestrito da sociedade, resguardando-se assim, o valor cultural das rendas e o grito de atenção das populações, agora, visíveis.

Por Ricardo Pessetti/ Bolsista de Jornalismo na Agecom

Tags: açorianaantropologiajornalismoMuseu Universitário

Antropólogo Ricardo Gomes Lima, na terceira conferência do Museu em Curso

24/11/2010 14:51

Museu e Cultura Popular é o tema da conferência que o antropólogo Ricardo Gomes Lima, pesquisador do Centro Nacional de Cultura Popular e Diretor do Departamento Cultural da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) profere, no dia 25 de novembro, das 18h30 às 20h30, no auditório do Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (M.U.), na UFSC. Na terceira palestra da série Museu em Curso, o antropólogo abordará entre outros pontos sua experiência como pesquisador no Museu de Folclore Edison Carneiro do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, órgão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A palestra é aberta ao público em geral, mas direcionada a estudantes, pesquisadores e funcionários das áreas de história, antropologia e museologia com direito a certificado e sem inscrição prévia. Empreender uma política de formação de pessoas que atuam em museus e proporcionar a discussão sobre temas relativos à memória cultural é o objetivo do projeto Museu em Curso, uma realização do Museu da UFSC em parceria com a Associação dos Amigos do Museu Universitário.

A programação prevê a realização de uma palestra mensal voltada às diversas áreas da teoria e da prática museológica que valorizam a pesquisa científica como função essencial a ser desenvolvida pelas instituições museológicas. “Como espaço de produção e difusão de conhecimento, os museus só se sustentam com pesquisa”, explica Teresa Fossari, diretora do M.U.  Todas as palestras giram em torno da concepção da UFSC sobre Museu: “um espaço de memória, antigas ou contemporâneas, com o objetivo de preservação, difusão e reflexão sobre os significados simbólicos da cultura”, conforme define a museóloga Viviane Wermelinger.

Quem é Ricardo Gomes Lima?

Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pelo Instituto de Ciências Humanas e Filosofia / UFF (1978). Mestre em Artes Visuais / Antropologia da Arte pela Escola de Belas Artes / UFRJ (1993). Doutor em Antropologia Cultural pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais / UFRJ (2006). Professor Adjunto do Instituto de Artes / UERJ (desde 1995), onde leciona na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Artes, coordena o Núcleo de Cultura Popular e é co-editor da Revista Textos Escolhidos de Cultura Popular. Pesquisador do Centro Nacional de Cultura Popular / IPHAN / MinC (desde 1983), onde é Responsável pelo Setor de Pesquisa e Coordenador da Sala do Artista Popular. Realiza pesquisas sobre o universo da cultura popular, em especial o campo da arte e do artesanato populares. Assumiu a Direção do Departamento Cultural da UERJ em janeiro de 2008.

Sobre o Museu Universitário:

O Museu Universitário Prof. Oswaldo Rodrigues Cabral, pertencente a UFSC, tem sua origem no Instituto de Antropologia, criado em 1965. Na década de 70, o Instituto de Antropologia foi transformado em Museu de Antropologia e posteriormente denominado Museu Universitário. Em 1993, passou a ser denominado Museu Universitário “Prof. Oswaldo Rodrigues Cabral”, em homenagem ao seu idealizador, fundador e primeiro diretor.

Durante mais de 40 anos, o MU/UFSC vem pesquisando, produzindo e sistematizando conhecimento interdisciplinar sobre populações pré-coloniais, indígenas e descendentes de imigrantes europeus. A partir do seu acervo, desenvolve ações museológicas que promovem a reflexão crítica sobre a diversidade sociocultural, principalmente da região em que está inserido.

A formação do acervo do MU/UFSC está ligada à trajetória da instituição, precursora do ensino e da pesquisa no campo da Antropologia no Estado. Por ser proveniente de pesquisas científicas realizadas pelos integrantes e colaboradores do museu em diferentes partes do Estado e do país, o acervo encontra-se bem documentado e apresenta alto valor acadêmico. Compõe-se pelas seguintes coleções: etnográfica, indígena, arqueológica e de artes e ofícios. E ainda pelo seu caráter científico, destaca-se a Coleção Documental, resultante das pesquisas executadas pela equipe do MU/UFSC.

O espaço expositivo do MU vai ser muito incrementado com a construção de um arrojado edifício de 2.692 m2, destinado a abrigar exposições de longa duração, bem como exposições de curta duração. A edificação possuirá dois grandes pisos, dois mezaninos e um terraço na cobertura. Em termos funcionais, além dos espaços expositivos, vai comportar biblioteca, laboratórios, salas de atividades educativas e culturais, de descanso, de administração e de apoio – como instalações sanitárias, cafés e guarda-volumes. Nesse espaço, a instituição pretende mostrar a diversidade e o alcance da cultural dita local; aproximar o distante, estranhar o familiar, transcender objetos em direção a experiências e sensações que envolvem ambientes, relações, cosmologias e diferentes contextos.

Serviço:

O quê: Museu em curso, palestra com Ricardo Gomes Lima

Quando: 25 de novembro de 2010, das 18h30 às 20h30

Onde: Auditório do Museu Universitário

Quanto: Entrada franca

Informações: 48 3721-8604 ou 9325

Serão fornecidos certificados

Viviane Wermelinger – Museóloga
Tel. 48 8802-4521
Museu Universitário – UFSC
Campus Reitor João David Ferreira Lima -Trindade
Florianópolis – SC
CEP. 88040-970
Tel. 48 3721-8604

Fonte: Raquel Wandelli/ jornalista SeCarte/UFSC

Fones: 3721-9459 e 9911-0524

www.secarte.ufsc.br

Tags: Museu UniversitárioRicardo Gomes LimaUFSC