Palestra reune preservação cultura e ação social

26/09/2011 15:27

A palestra com a antropóloga Anamaria Beck e a jornalista Rosina Duarte foi realizada na quarta-feira, 21/09, com o tema Mulheres, Memórias e Museus, que debateu o papel da renda de bilro na cultura tradicionalista do litoral catarinense, as atribuições da mulher na história da comunidade pesqueira e a denotação histórica da preservação da memória nos grupos sociais “invisíveis”. A conversa fez parte da 5ª Primavera dos Museus, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBAM) que tem programação nacional com palestras e exposições nos museus de todo o Brasil. A confêrencia ocorreu no Auditório do Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, no campus na UFSC.

A antropóloga Anamaria Beck defende que a renda de bilro é caracterizada como um marcador do gênero feminino nas comunidades pesqueiras do litoral catarinense. “Onde há rede, há renda”. Com essa afirmação, Anamaria faz a relação da construção familiar com os costumes característicos na comunidade açoriana entre a rede de pesca – associada aos homens – e a renda de bilro – associada às mulheres.

Segundo a antropóloga, a prática da renda é uma herança familiar de afirmação da cultura, é transmitida através das gerações, porém foi perdendo essa característica em função do conflito da ocupação dessas comunidades pelas frentes econômicas do turismo, que, de acordo com Anamaria, marginalizam a cultura tradicional para a periferia da cidade. A renda de bilro tem papel fundamental na atribuição e preservação da identidade das comunidades; é função da sociedade resguardar a memória desses costumes e afirmar a existência dessas comunidades na história da região.

“A memória nos preserva. É um direito sagrado”. A jornalista Rosina Duarte sustenta com essa frase a importância de registrar a história e a lembrança das populações “invisíveis” – como os moradores de rua, as prostitutas e os índios. A jornalista compara o museu antropológico e as características do jornalismo diário. Segundo ela, as empresas de comunicação não retratam o cotidiano das populações. “Os jornais relatam o contexto e a exceção.” Diferente dos relatos antropológicos que descrevem e preservam o comportamento e as peculiaridades do dia a dia das comunidades “esquecidas”.

Rosina também comentou sobre a ONG Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação), na qual é coordenadora e desenvolve um trabalho de preservação do direito à comunicação das populações ditas invisíveis através da elaboração de um jornal trimestral produzido por moradores de rua de Porto Alegre (RS). O objetivo da ONG é desenvolver projetos de jornalismo social para discutir o comportamento, a ética, as tendências da grande imprensa, formar leitores críticos, contribuir para democratização e qualificação do acesso a informação no país.

De acordo com as palestrantes, debater a permanência da cultura no contexto histórico é manter a memória viva e presente. Desse modo, será possível criar um banco de dados de memórias para o acesso irrestrito da sociedade, resguardando-se assim, o valor cultural das rendas e o grito de atenção das populações, agora, visíveis.

Por Ricardo Pessetti/ Bolsista de Jornalismo na Agecom

Tags: açorianaantropologiajornalismoMuseu Universitário