Café Philo e lançamento de livro nesta quarta-feira

11/12/2012 11:12

O Café Philo desta quarta-feira, dia 12 de dezembro, às 19h, na Fundação Badesc, à rua Visconde de Ouro Preto nº 216, com o professor Wladimir Antônio da Costa Garcia, da UFSC, debate o ensaio Substituição, dentro do pensamento de Lévinas. Na mesma noite haverá lançamento do livro Foucault e o Cristianismo, organizado por Cesar Candiotto e Pedro de Souza.

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Artaud é tema do Café Philo desta quarta-feira

14/11/2012 16:53

Antonin Artaud

O Café Philo desta quarta-feira, dia 14 de novembro, será realizado às 19h, no Auditório da Fundação Cultural Badesc, tendo como palestrante a professora Clélia Mello, debatendo a obra de Antonin Artaud. O Café Philo é um projeto de extensão coordenado pelo professor Pedro de Souza, do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em parceria com a Aliança Francesa de Florianópolis e a Secretaria de Cultura da UFSC (SeCult), com o apoio do centro cultural BADESC.

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Café Philo desta quarta-feira debate Michel de Montaigne

17/10/2012 09:20

Rosana Silva de Moura, professora de Filosofia da Educação da UFSC, será a palestrante do 47º Café Philo,  gratuito e aberto ao público, marcado para esta quarta-feira,  às 19h,  no auditório da Fundação Badesc, que irá abordar alguns aspectos da filosofia de Michel de Montaigne (1533-1592). O objetivo da palestra é mostrar que apesar de ser um filósofo renascentista do século XVI, os temas abordados pelo francês são contemporâneos. No debate desta semana, a professora destaca características do pensamento de Montaigne, como a utilização de ensaios para desvelar os conteúdos filosóficos e também a temática da finitude humana.

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Michel Onfray, o filósofo do prazer e da liberdade, na pauta do Café Philo

25/09/2012 17:03

Café Philo tem edição especial com a “A Potência de Existir em Michel Onfray”

De um lado o elogio ao prazer e à liberdade, de outro, a denúncia de toda forma de prazer superficial e consumista. Sobre esses dois pilares se estrutura o materialismo hedonista do filósofo francês Michel Onfray, que virá a Santa Catarina no início de outubro como convidado do programa Fronteiras do Pensamento. Crítico contumaz da tradição judaico-cristã, Onfray advoga a herança de Nietzsche e dos filósofos cínicos, como Diógenes, para mostrar o quanto a culpa e a recusa ao prazer construíram os dois extremos que desviam o ser humano da potência de vida na modernidade: o fundamentalismo religioso e o culto ao consumo. Onfray está no centro dos debates do próximo Café Philo, que será conduzido por João da Mata, especialista em sua obra e doutorando em psicologia, no dia 27 de setembro, às 20 horas, no auditório da Reitoria da UFSC.

Em uma parceria da coordenação do Café Philo com o Ciclo Fronteiras do Pensamento, a palestra “A Potência de Existir em Michel Onfray” servirá como uma espécie de fundamentação teórica e preparação do público para o encontro com o mestre do hedonismo, que estará em Florianópolis pela primeira vez no dia 9 de outubro, no auditório do Teatro Pedro Ivo. O cineasta britânico Peter Greenaway e o escritor carioca Fernando Gabeira estão entre as outras duas personalidades incluídas na edição dessa série de altos estudos sobre os principais temas da contemporaneidade, que irá de 8 a 10 de outubro.  Durante a Edição Especial do Café Philo, conduzido por João da Mata na quinta-feira (27), excepcionalmente, haverá um sorteio de ingressos para a conferência de Michel Onfray.

Incitando uma visão provocativa sobre o pensamento de Onfray, João da Mata Rosa Cesse Neto vai abordar as posturas afirmativas de vida propostas pelo filósofo, que considera indefensável a forma como as religiões tornam-se um instrumento de dominação e de ruptura com a realidade. Também bate de frente com o niilismo camuflado no ideal vulgar de felicidade sustentado pela busca do sucesso na sociedade capitalista.

“O tédio caiu sobre nosso século, e com ele o desejo de acabar com os contendores da vida”, escreve Onfray, que opõe a potência de vida ao poder da morte alimentado, segundo sua teoria, pela recusa ao prazer e pela moral, ambos impedindo o desenvolvimento do homem. “A moral serve há muito tempo para conferir todo o poder à morte, desde a própria eclosão das personalidades. Ela persegue com seus raios a carne e os corpos, os espíritos e os entusiasmos para erradicar da matéria as energias que revelam a vida.” Seus escritos comemoram o hedonismo, o ateísmo, a filosofia, na linha dos pensadores gregos, e celebram a autonomia de pensamento e de vida.

O Café Philo é um projeto de extensão coordenado pelo professor de Literatura e Linguística Pedro de Souza, do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em parceria com Secretaria de Cultura da UFSC (SeCult), Aliança Francesa e Fundação Cultural Badesc. Esses encontros de debates mensais, sempre às quintas-feiras, regados por uma mesa de café oferecida pela SeCult, têm o diferencial de promover o diálogo informal sobre grandes pensadores franceses com um público mais amplo. O objetivo é que os participantes se aproximem da filosofia e conheçam diferentes intelectuais clássicos ou contemporâneos sob o intermédio de um pesquisador brasileiro. A conferência com João da Matta será coordenada pelo professor Souza e a a produtora Marta Cesar, assessora cultural da RBS no programa Fronteiras do Pensamento.

O filósofo francês:

Michel Onfray apareceu há alguns anos na cena intelectual da França como um nietzschiano iconoclasta, defensor de um hedonismo atualizado ao tempo presente. Doutor em Filosofia, hoje, é um dos ensaístas mais populares e prestigiados de seu país. Suas obras estão traduzidas para vários outros idiomas e têm se espalhado por diversos países do mundo. Nascido em Argentan, na França, em 1959, em uma fazenda da qual o pai era trabalhador e a mãe governanta, passou parte de sua infância em uma escola católica que funcionou como uma espécie de orfanato.

Lecionou por 20 anos em um liceu para secundaristas até criar a “Universidade Popular de Caen” em 2002, após demitir-se do sistema de ensino francês. Em seu afastamento alegou todos os motivos do seu desgosto pelo ensino tradicional: a burocracia, o adestramento no lugar da educação, a disciplina no lugar da instrução, a formatação intelectual e ideológica de indivíduos destinados a servir ao mercado, o conteúdo pobre, o corpo docente triste, sem patos, desmobilizado pelo desprezo dos alunos.

Crítico da “militarização” dos estabelecimentos e da sede de poder no meio escolar, criou um anti-sistema de ensino, no qual ministra aulas diárias e gratuitas de filosofia, política, psicanálise e artes junto a outros filósofos para um público eclético. A Universidade Popular de Caen é gratuita, sem obrigação de títulos, sem diplomas, sem visar o lucro, ela é livre, organizada em torno do saber existencial. As aulas são gravadas e difundidas pela rádio pública “France Culture” e tornaram-se sucesso de audiência, justamente por proporem um modelo alternativo ao tradicional.

O conferencista: 

João da Mata é doutorando em Psicologia Social pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e doutorando em Sociologia Econômica e das Organizações pelo ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, em Portugal. Mestre em Filosofia com a Dissertação “O Materialismo Hedonista de Michel Onfray” e graduado em Psicologia é autor de “Prazer e Rebeldia” entre outros.

Onfray por João da Mata:

Onfray tem se tornado um autor conhecido por defender um materialismo hedonista, propondo o direito do ser humano ao prazer. No entanto, suas publicações também abordam temas como a política, a gastronomia, a atualidade, a história da filosofia, a pedagogia libertária, a religião e a estética. A julgar pelas declarações de Onfray, a sua proposta filosófica se quer inserida no cotidiano, articulada à experimentação com o real. Autor de um pensamento vigoroso, sua presença entre nós é urgente para denunciar as falácias produzidas pelo prazer vulgar do consumo imediato e desenfreado. O que lhe interessa são posturas afirmativas de vida, que coloquem-se contrárias ao niilismo reinante e camuflado de ideal de felicidade. Dentre suas obras publicadas no Brasil, destacamos aqui “A Política do Rebelde”, “A Escultura de Si”, “O Tratado de Ateologia” e os quatro primeiros volumes da “Conta-História da Filosofia”.

 Debat d’idées (Serviço)

Café Philo – Edição Especial: “A Potência de Existir em Michel Onfray”

Quando: 27 de setembro,

Horário: das 20 horas às 22 horas

Debatedor: João da Mata

Onde: Auditório Reitoria da UFSC

Organização: Pedro de Souza

Promoção: Secretaria de Cultura da UFSC e Aliança Francesa

Entrada: Gratuita

Por Raquel Wandelli/Jornalista da UFSC na SeCult

 

99110524 e 3721-9459

www.secult.ufsc.br – www.ufsc.br

Tags: Café PhiloJoão da MataOnfrayUFSC

Café Philo debate as ideias do mestre da filosofia do prazer Michel Onfray

21/09/2012 08:56

Debate sobre Michel Onfray (foto) acontece no dia 27 no auditório da Reitoria da UFSC. Evento servirá de preparação para encontro com Onfray, que estará em Florianópolis no dia 9 de outubro para o evento Fronteiras do Pensamento

De um lado o elogio ao prazer e à liberdade, de outro, a denúncia de toda forma de prazer superficial e consumista. Sobre esses dois pilares se estrutura o materialismo hedonista do filósofo francês Michel Onfray, que virá a Santa Catarina no início de outubro como convidado do programa Fronteiras do Pensamento. Crítico contumaz da tradição judaico-cristã, Onfray advoga a herança de Nietzsche e dos filósofos cínicos, como Diógenes, para mostrar o quanto a culpa e a recusa ao prazer construíram os dois extremos que desviam o ser humano da potência de vida na modernidade: o fundamentalismo religioso e o culto ao consumo. Onfray está no centro dos debates do próximo Café Philo, que será conduzido por José da Mata, especialista em sua obra e doutorando em psicologia, no dia 27 de setembro, às 20 horas, no auditório da Reitoria da UFSC.

Em uma parceria da coordenação do Café Philo com o Ciclo Fronteiras do Pensamento, a palestra “A Potência de Existir em Michel Onfray” servirá como uma espécie de fundamentação teórica e preparação do público para o encontro com o mestre do hedonismo, que estará em Florianópolis pela primeira vez no dia 9 de outubro, no auditório do Teatro Pedro Ivo. O cineasta britânico Peter Greenaway e o escritor carioca Fernando Gabeira estão entre as outras duas personalidades incluídas na edição dessa série de altos estudos sobre os principais temas da contemporaneidade, que irá de 8 a 10 de outubro.  Durante a Edição Especial do Café Philo, conduzida por João da Mata na quinta-feira (27), excepcionalmente, haverá um sorteio de ingressos para a conferência de Michel Onfray.

Incitando uma visão provocativa sobre o pensamento de Onfray, João da Mata Rosa Cesse Neto vai abordar as posturas afirmativas de vida propostas pelo filósofo, que considera indefensável a forma como as religiões tornam-se um instrumento de dominação e de ruptura com a realidade. Também bate de frente com o niilismo camuflado no ideal vulgar de felicidade sustentado pela busca do sucesso na sociedade capitalista.

“O tédio caiu sobre nosso século, e com ele o desejo de acabar com os contendores da vida”, escreve Onfray, que opõe a potência de vida ao poder da morte alimentado, segundo sua teoria, pela recusa ao prazer e pela moral, ambos impedindo o desenvolvimento do homem. “A moral serve há muito tempo para conferir todo o poder à morte, desde a própria eclosão das personalidades. Ela persegue com seus raios a carne e os corpos, os espíritos e os entusiasmos para erradicar da matéria as energias que revelam a vida.” Seus escritos comemoram o hedonismo, o ateísmo, a filosofia, na linha dos pensadores gregos, e celebram a autonomia de pensamento e de vida.

O Café Philo é um projeto de extensão coordenado pelo professor de Literatura e Linguística Pedro de Souza, do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em parceria com Secretaria de Cultura da UFSC (SeCult), Aliança Francesa e Fundação Cultural Badesc. Esses encontros de debates mensais, sempre às quintas-feiras, regados por uma mesa de café oferecida pela SeCult, têm o diferencial de promover o diálogo informal sobre grandes pensadores franceses com um público mais amplo. O objetivo é que os participantes se aproximem da filosofia e conheçam diferentes intelectuais clássicos ou contemporâneos sob o intermédio de um pesquisador brasileiro. A conferência com João da Matta será coordenada pelo professor Souza e pela produtora Marta Cesar, assessora cultural da RBS no programa Fronteiras do Pensamento.

O filósofo francês:

Michel Onfray apareceu há alguns anos na cena intelectual da França como um nietzschiano iconoclasta, defensor de um hedonismo atualizado ao tempo presente. Doutor em Filosofia, hoje é um dos ensaístas mais populares e prestigiados de seu país. Suas obras estão traduzidas para vários outros idiomas e têm se espalhado por diversos países do mundo. Nascido em Argentan, na França, em 1959, em uma fazenda da qual o pai era trabalhador e a mãe governanta, passou parte de sua infância em uma escola católica que funcionou como uma espécie de orfanato.

Lecionou por 20 anos em um liceu para secundaristas até criar a “Universidade Popular de Caen” em 2002, após demitir-se do sistema de ensino francês. Em seu afastamento alegou todos os motivos do seu desgosto pelo ensino tradicional: a burocracia, o adestramento no lugar da educação, a disciplina no lugar da instrução, a formatação intelectual e ideológica de indivíduos destinados a servir ao mercado, o conteúdo pobre, o corpo docente triste, sem patos, desmobilizado pelo desprezo dos alunos.

Crítico da “militarização” dos estabelecimentos e da sede de poder no meio escolar, criou um anti-sistema de ensino, no qual ministra aulas diárias e gratuitas de filosofia, política, psicanálise e artes junto a outros filósofos para um público eclético. A Universidade Popular de Caen é gratuita, sem obrigação de títulos, sem diplomas, sem visar o lucro, ela é livre, organizada em torno do saber existencial. As aulas são gravadas e difundidas pela rádio pública “France Culture” e tornaram-se sucesso de audiência, justamente por proporem um modelo alternativo ao tradicional.

O conferencista:

João da Mata é doutorando em Psicologia Social pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e doutorando em Sociologia Econômica e das Organizações pelo ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, em Portugal. Mestre em Filosofia com a Dissertação “O Materialismo Hedonista de Michel Onfray” e graduado em Psicologia, é autor de “Prazer e Rebeldia” entre outros.

Onfray por João da Mata:

Onfray tem se tornado um autor conhecido por defender um materialismo hedonista, propondo o direito do ser humano ao prazer. No entanto, suas publicações também abordam temas como a política, a gastronomia, a atualidade, a história da filosofia, a pedagogia libertária, a religião e a estética. A julgar pelas declarações de Onfray, a sua proposta filosófica se quer inserida no cotidiano, articulada à experimentação com o real. Autor de um pensamento vigoroso, sua presença entre nós é urgente para denunciar as falácias produzidas pelo prazer vulgar do consumo imediato e desenfreado. O que lhe interessa são posturas afirmativas de vida, que se coloquem contrárias ao niilismo reinante e camuflado de ideal de felicidade. Dentre suas obras publicadas no Brasil, destacamos aqui “A Política do Rebelde”, “A Escultura de Si”, “O Tratado de Ateologia” e os quatro primeiros volumes da “Conta-História da Filosofia”.

Debat d’idées (Serviço)

Café Philo – Edição Especial:  “A Potência de Existir em Michel Onfray”
Quando: 27 de setembro,
Horário: das 20 horas às 22 horas
Debatedor: João da Mata
Onde: Auditório Reitoria da UFSC
Organização: Pedro de Souza e Marta Cesar
Promoção: Secretaria de Cultura da UFSC e Aliança Francesa
Entrada: Gratuita

Por Raquel Wandelli
Jornalista da UFSC na SeCult

99110524 e 3721-9459
www.secult.ufsc.br – www.ufsc.br

 

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Café Philo discute o silêncio em Maurice Blanchot

19/09/2012 11:07

Literatura se faz com a palavra, mas explora o silêncio da palavra, escreve Eleonora Frenkel sobre o pensamento de Maurice Blanchot. Na próxima edição do Café Philo do dia 19 de setembro, a professora de Literatura da UFSC falará sobre “Maurice Blanchot e o silêncio da palavra”, no auditório da Fundação Cultural Badesc, das 19h às 21h.
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Café Philo discute o silêncio em Maurice Blanchot

12/09/2012 13:15

Literatura se faz com a palavra, mas explora o silêncio da palavra, escreve Eleonora Frenkel sobre o pensamento de Maurice Blanchot. Na próxima edição do Café Philo do dia 19 de setembro, a professora de Literatura da UFSC falará sobre “Maurice Blanchot e o silêncio da palavra”, no auditório da Fundação Cultural Badesc, das 19h às 21h.

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Café Philo discute Pierre Clastres e as sociedades sem estado

20/08/2012 18:52
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Pierre Clastres reinventou o selvagem como um sujeito que conseguiu livrar-se das artimanhas do poder estatal de que é feita a história das culturas ocidentais

Na conferência do dia 22 de agosto, antropólogo Oscar Calavia-Sáez conduz o debate sobre o pensador que colocou em xeque a organização política estatal das sociedades ditas civilizadas

 

Um antropólogo francês que causou impacto nos anos 70, conhecido por seu traço transgressor, é o foco do próximo encontro da série Café Philo do dia 22 de agosto. Para conduzir o debate de ideias, outro antropólogo, o professor da UFSC Oscar Calavia-Sáez, vai apresentar o pensamento de Pierre Clastres (Paris, 1934-1977). Pouco conhecido do grande público, o francês Pierre Clastres reinventou o selvagem, não mais como um ser que teria ficado congelado no início dos tempos, mas como um sujeito que conseguiu, século após século, livrar-se das artimanhas do poder estatal de que é feita a história das culturas ocidentais.

Sob o título “Pierre Clastres e a sociedade contra o estado”, a conferência começa às 19 horas, no auditório da Fundação Badesc, e termina às 21 horas, com um café oferecido pela Secretaria de Cultura da UFSC. Com sua obra breve, Pierre Clastres conseguiu um lugar definitivo no pensamento contemporâneo deixando um traço profundo no estudo das sociedades indígenas. Sem cair em um primitivismo absoluto, construiu uma antropologia política “desenvestida” do etnocentrismo evolucionista que caracteriza boa parte das teorias antropológicas do século XX, ao contrapor as “sociedades sem estado” ao modo de organização política repressor das sociedades brancas.

Uma única etnografia, A crônica dos índios Guayaqui (1972), e duas coletâneas de artigos, A sociedade contra o estado (1974) e Antropologia da violência, publicada após sua morte em acidente de trânsito, conseguiram alterar o paradigma da supremacia dos ditos povos civilizados e lançar o conceito de sociedade sem estado. “Por mais relevância que continue a ter entre os etnólogos especializados na América do Sul, essa obra é, sobretudo, um marco do pensamento político, ou do pensamento contra a política, entendida como um exercício de construção do Estado”, anota Calavia-Sáez.

O Café Philo é um projeto de extensão coordenado pelo professor de Literatura e Linguística Pedro de Souza, do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em parceria com a Aliança Francesa e Secretaria de Cultura da UFSC. Buscando promover o diálogo com um público sem necessária vinculação com o meio acadêmico, o projeto prevê reuniões mensais, sempre as quartas-feiras. A idéia é permitir que os participantes se aproximem da filosofia e conheçam diferentes pensadores franceses clássicos ou contemporâneos sob o intermédio de um intelectual da atualidade. No próximo Café, do dia 19 de setembro, a professora de Literatura da UFSC, Eleonora Frenklel falará sobre “Maurice Blanchot e o silêncio da palavra”.

 

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O professor da UFSC Oscar Calavia-Sáez é quem irá apresentar o pensamento de Pierre Clastres no evento

Sobre o palestrante
Graduado em Geografia e História pela Universidad Complutense de Madrid (1986), Oscar Calavia-Saez fez mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1991), doutorado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1995) e pós-doutorado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (2003). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidad Complutense de Madrid e pesquisador associado do Centre National de la Recherche Scientifique e da Societé des Americanistes. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnologia Indígena, atuando principalmente nos seguintes temas: etno-história, com foco nas etnias Pano, Yaminawa e Amazonia-China. Este ano publicou Dos viajes de vuelta pela National Geographic, de Barcelona.

 

Serviço
Quando: 22 de agosto, das 19 horas às 21 horas
O quê: 45º Café Phillo “Pierre Clastres e a Sociedade contra o estado”
Quem: Professor Oscar Calavia-Sáez (Pós-Graduação em Antropologia)
Onde: Auditório da Fundação Badesc (2º andar).
Rua Visconde de Ouro Preto, 216 (Esquina com a rua Artista Bittencourt) – Centro, Florianópolis / SC
Quanto: Gratuito, aberto ao público.

 

Próximo Café Philo: “Maurice Blanchot e o silêncio da palavra”
Quando: 19 de setembro, das 19 horas às 21 horas
Quem: Professora Eleanora Frenkel
Onde: Auditório da Fundação Badesc

 

Raquel Wandelli / Jornalista da SeCult / UFSC

Tags: antropologiaCafé PhiloUFSC

Café Philo discute Pierre Clastres e as sociedades sem estado

16/08/2012 11:01

O palestrante, Oscar Calavia-Sáez, é pesquisador associado do Centre National de la Recherche Scientifique e da Societé des Americanistes

O antropólogo e professor da UFSC Oscar Calavia-Sáez vai conduzir o debate marcado para o dia 22 de agosto, quarta-feira, sobre o pensador francês Pierre Clastres (1934-1977), cujas ideias causaram impacto nos anos 70, dentro da programação do Café Philo, projeto de extensão do centro de Comunicação e Expressão da UFSC. Conhecido por seu traço transgressor, Clastres não chegou a atingir o grande público, mas discutiu a reinvenção do selvagem, não mais como um ser que teria ficado congelado no início dos tempos, mas como um sujeito que conseguiu, século após século, livrar-se das artimanhas do poder estatal de que é feita a história das culturas ocidentais.
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Tags: Café PhiloculturafilosofiaUFSC

Café Philo desta quarta-feira aborda Bergson e a questão da memória

06/08/2012 08:03

A série Café Philo retorna nesta quarta-feira, 8 de agosto, com um debate sobre as ideias de Henri Bergson. O filósofo sobrepõe seu ponto de vista biológico à tradicional concepção materialista da ciência e da metafísica, contribuindo para estabelecer o fim da era cartesiana. Sua originalidade reside no tipo de ruptura que ele introduz no racionalismo do século 17. Enquanto outros estudiosos opõem ao racionalismo a subjetividade ou a história, Bergson gera um novo modelo de pensamento. Sob o título ´Henri Bergson e o problema de memória`, a conferência do historiador e professor da UFSC Marcos Montsyuma começa às 19h, na Fundação Badesc, na sala de oficinas.

Doutor em Letras pela Universidade de Paris, com uma tese sobre Aristóteles, Bergson constrói os seus preceitos sobre quatro fundamentos: a “intuição”, a “durée”, a “memória” e o “élan vital”. O pensador acredita que o ser humano tem o poder de transcender a esfera do inteligível, para então vencer a face paralisante da moral e da religião e preservar o ímpeto criativo até exceder os limites do que ele chama de élan vital, o estímulo vivo que provém da divindade pessoal de cada indivíduo.

Para Bergson, a “durée”, a duração de um acontecimento, não é uma unidade matemática objetiva, e sim uma percepção subjetiva de tempo-espaço. Sendo assim, segundo o autor, as convenções da prática científica são incompatíveis com a experiência vivida. A “memória” integra os diferentes momentos da “durée”, absolutamente diferentes entre si, mas unificados numa totalidade movente.

Bergson defende que a filosofia não só se distingue da ciência, como mantém com as coisas uma relação que é o oposto da relação científica. A partir de 1901 ele passa a integrar o Instituto de França, tornando-se membro da Academia Francesa em 1914. No ano de 1927, ganha o Prêmio Nobel de Literatura. Famoso, especialmente pela publicação de suas obras Matière et mémoire (Matéria e memória), de 1896, e L´Évolution créatrice (Evolução Criativa), lançada em 1907, é apreciado nas mais distintas áreas, seja na literatura, na neuropsicologia, no cinema, entre outros campos. Seus ensinamentos são amplamente absorvidos pelos acadêmicos e suas aulas no Liceu Henri 4° na École Normale Supérieure e no Collège de France amplamente disputadas.

Após a apresentação e do debate, os organizadores e parceiros do evento oferecerão um coffee-break. Projeto de extensão coordenado pelo professor de Literatura e Linguística Pedro de Souza, do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, o Café Philo é fruto de uma parceria entre a Aliança Francesa e Secretaria de Cultura da UFSC. Buscando promover o diálogo com um público independentemente de sua vinculação com o meio acadêmico, o
projeto prevê reuniões quinzenais nas quartas-feiras, quando os participantes têm o privilégio de se aproximar da filosofia e de conhecer diferentes pensadores franceses clássicos ou contemporâneos sob o intermédio de um intelectual da atualidade. No próximo Café, no dia 22 de agosto, o palestrante professor Oscar Calavia Saez falará sobre ´Pierre Clastres e a Sociedade contra o estado`.

Sobre o palestrante
O professor e apresentador da conferência Marcos Montsuyuma tem graduação em História pela Universidade Federal do Acre (1985), mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990) e doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). É professor da Universidade Federal de Santa Catarina, presidente da Comissão Própria de Avaliação da UFSC e professor visitante na Universidade de Buenos Aires. Tem experiência na área de História Contemporânea e História do Brasil, com pesquisas voltadas principalmente para os seguintes temas: etnoconhecimento, extrativismo, cultura e meio ambiente, Amazônia, história oral, meio ambiente e fontes orais, gênero e meio ambiente, história e memória.

Serviço
O quê: 44º Café Phillo
Quando: 8 de agosto, às 19h
Quem: Professor Marcos Montsuyuma, sob o tema ´Henri Bergson e o problema de memória`
Onde: Fundação Badesc / sala de oficinas (2ºandar) /Rua Visconde de Ouro Preto, 216 (Esquina com a rua Artista Bittencourt) / Centro
Quanto: Gratuito, aberto ao público.

Aline Takaschima / Estagiária de Jornalismo na SeCult / UFSC
/  9646-2945 / 3721-9459

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Café Philo: O elogio francês ao pensamento selvagem

28/06/2012 18:07

Antropólogo Oscar Calavia-Sáez mostra que obra de Lévi-Strauss estabelece os pilares da cultura humana sem incorrer na arrogância humanista sobre a superioridade da espécie 

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta

Os teóricos franceses são conhecidos por seu grau de abstração e digressão. Mas tendo dedicado um século de vida para estudar a cultura dos povos ditos “primitivos” e escrever um compêndio de 2.500 páginas sobre a mitologia dos indígenas das Américas, Lévi-Strauss rendeu-se à força do pensamento selvagem. Além de revelar ao mundo a eficiência do raciocínio concreto dos indígenas, baseado na observação e inteligência sensorial, procurou absorvê-lo no seu modo de pensar – e de existir. Lévi-Strauss amava os totens, os ideogramas orientais e a arte figurativa, apenas. “Nada que abolisse as formas e a relação com a natureza lhe interessava. Para ele, nenhuma arte faz sentido se não estiver ligada ao mundo sensível”, revelou Oscar Calavia-Sáez, que conduziu a 43º Edição do Café Philo na noite de quarta-feira (27), no auditório da Aliança Francesa.

O mais surpreendente na obra do antropólogo é que tendo estruturado as bases teóricas sobre as quais se ergue o edifício da cultura humana, Lévi-Strauss foi um dos poucos pensadores do seu tempo que não reproduziu o paradigma antropocêntrico. “Ele decididamente não foi um humanista”, disparou Calavia. E se explicou: “O conceito de humanismo se cria às custas de tudo o que não é humano. E o antropocentrismo que gera é responsável por uma longa lista de malfeitos contra as outras espécies e inclusive contra o próprio homem”.  Vários textos de Lévi-Strauss são muito explícitos na crítica ao sentimento de superioridade da espécie humana, lembra Calavia, sobretudo o final do terceiro volume deMitológicos, em que ele enaltece alguns rituais indígenas que visavam proteger a natureza da contaminação vinda do sujeito, enquanto o homem branco só pensa em se proteger ele próprio dos perigos do meio. Num sentido mais profundo, Lévi-Strauss acreditava que as mesmas formas que definem o pensamento humano estão inscritas nas coisas e que o homem não pode reclamar uma transcendência independente dos outros seres vivos e não vivos.
Professor do Departamento de Antropologia da UFSC, e bom conhecedor da obra do pai do estruturalismo, Calavia encerrou a série de debates deste semestre com uma fala eloquente sobre Totemismo e Pensamento Selvagem em Lévi-Strauss.  Autor de Amazônia, China, dos viages de vueltaO nome e o tempo dos Yaminawa: etnologia e história dos Yaminawa do Alto Acre e Deus e o Diabo em terras católicas, ele substituiu o professor e escritor Sérgio Medeiros, que adoeceu e transferiu sua conferência e o lançamento do livro de poesias Totens para o segundo semestre.

Sobre o famoso conservadorismo do antropólogo nas artes, Calavia explicou que sua crítica à arte não figurativa advém de uma postura ecológica (pioneira na sua época) de que o ser humano não deve ir além das condições que a natureza lhe dá

Sobre o famoso conservadorismo do antropólogo nas artes, Calavia explicou que sua crítica à arte não figurativa advém de uma postura em certo sentido ecológica (e pioneira na sua época) de que o ser humano não deve ir além das condições que a natureza lhe dá. “Entendia que o homem precisa respeitar os seus limites para que o resto dos seres no planeta pudesse sobreviver”.  O autor de Tristes Trópicos recusava a obsessão fáustica de que o homem deve quebrar os limites da natureza e considerava que a felicidade estava justamente na dimensão concreta da vida.
A admiração de Lévi-Strauss pelo pensamento e pela arte selvagem está materializada em quatro volumes de Mitológicas, tetrologia de I a IV.Nessa transcrição alucinante de 800 mitos ameríndios que vão do Alasca à Terra do Fogo, ele mostra que todos encontram-se, de algum modo, conectados: um mito é a variante do outro. Não há possibilidade de criação de um relato original, pois todo relato é a transformação de outro, explicou o professor.
Antes disso, em Totemismo, Strauss já desmitificara o antagonismo entre o pensamento ocidental, abstrato ou domesticado, e o selvagem, mostrando que antes de qualquer elaboração teórica apreendemos o mundo pela experiência sensível. O livro desautoriza a utilização do totemismo para demonstrar que há um corte vertical entre as duas culturas. “Nesse ataque ao totemismo, ele o ressuscita, destituindo o que outros pensadores publicaram anteriormente sobre essa separação e mostrando que todas as culturas estão crivadas de totens”. Antes de Lévi-Strauss, o totem tinha sido discutido durante decênios como um enigma, sem que nenhuma teoria conseguisse dar conta da sua complexidade, pois ora o totem tem um caráter individual, ora coletivo; ora os animais representados importam para a alimentação, ora são incomestíveis.
Já antes de Lévi-Strauss os antropólogos perceberam que o totemismo não servia como categoria teórica instrumental para classificar o que quer que seja e preferiram abandoná-lo como categoria teórica, anota Calavia. Todavia, Strauss reabilitou a noção, transferindo-a para um patamar superior ou mais amplo. O que ele disse? “O totemismo foi um falso problema inventado pelos estudiosos para separar o pensamento primitivo do nosso pensamento, uma espécie de curral onde se manteriam separadas formas de pensar que são universais, mas que eram tidas como incompatíveis com a racionalidade”.  Em outras palavras, o totem (o urso, a águia, o búfalo) nos fala apenas do poder ou da utilidade da diversidade das formas no mundo natural para organizar e apoiar o nosso pensamento. Como a espécie humana é muito mais homogênea do que as outras, nos valemos da natureza para ajudar a designar nossa diversidade de ser e nos orientar na selva humana, pois são as diferenças que organizam o pensamento, mostra o professor. Exemplo disso é o totemismo do esporte, onde desfilam leões, gaviões, figueira.
E convencido de que esse “totemismo” é igualmente comum entre africanos, siberianos ou euro-americanos, Lévi-Strauss provocou seus antigos colegas de filosofia, colocando lado a lado o texto de Henri Bérgson, filósofo mais prestigiado da época, e o de um índio Lakota. Considerada uma das atas de nascimento da filosofia indígena, a publicação desses dois textos que descreviam como se desenvolve o ser dizendo praticamente o mesmo, quebrou o pilar da arrogância ocidental. Em O Pensamento Selvagem, Strauss diria que a diferença desse pensamento não domesticado é que “brota como uma flor silvestre”, sem uma disciplina especializada e dedicada a cultivá-lo e mais especificamente sem submeter-se a processos de refinamento pela escrita. A forma como pensamos, portanto, é um produto da domesticação desse pensamento selvagem, com todas as delícias e principalmente dores que o antropólogo francês indianizado demonstrou em sua generosa obra.
O Café Philo é uma promoção do professor Pedro de Souza, do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em parceria com a Aliança Francesa e apoio da Secretaria de Cultura.

Texto e entrevista: Raquel Wandelli
Jornalista e assessora de Comunicação da Secretaria de Cultura da UFSC
37219459 e 99110524 – 


Quem é Oscar Calavia-Sáez?

Graduado em Geografia e História pela Universidad Complutense de Madrid (1986), fez mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1991), doutorado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1995) e pós-doutorado pela Centre National de la Recherche Scientifique (2003). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidad Complutense de Madrid e pesquisador associado do Centre National de la Recherche Scientifique e da Societé des Americanistes. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnologia Indígena, atuando principalmente nos seguintes temas: etno-história, com foco nas etnias Pano, Yaminawa e Amazonia-China. Este ano publicou Dos viajes de vuelta pela National Geographic, de Barcelona.

Alguns livros publicados:
SAEZ, O. C. . Os caminhos de Santiago e outros ensaios sobre o paganismo. Rio de Janeiro: Booklink, 2007
SAEZ, O. C. . O nome e o tempo dos Yaminawa. Etnologia e história dos Yaminawa do Alto Acre. 1ª. ed. São Paulo: Editora da Universidade do Estado de São Paulo, 2006. 478 p.
SAEZ, O. C. . Las formas locales de la vida religiosa. Antropología e historia de los santuarios de La Rioja.. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2002. v. 1. 234 p.
SAEZ, O. C. . Deus e o Diabo em terras católicas. Brasil-Espanha. Taubaté: GEIC, 1999. v. 1.
SAEZ, O. C. . Fantasmas falados. 1. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996. 216 p.
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Café Philo: O totemismo além de Lévi-Strauss

21/06/2012 14:20

Na conferência do dia 27, poeta Sérgio Medeiros pensa o totemismo na arte a partir de Lévi-Strauss, que elevou o “pensamento selvagem” ao mesmo patamar do raciocínio  “domesticado” ocidental

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta

Seria preciso muito mais que uma vida, muito mais que os 101 anos vividos pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss para compreender a sua obra e a matéria viva que a inspira: o espírito selvagem. O encontro entre o pensamento francês e ocidental, caracterizado pela abstração, com o pensamento dito concreto dos povos ameríndios se faz por avanços e recuos, revisões críticas, contradições e encantamentos. Lévi-Strauss viu na imagem do totem a representação mais bem acabada de uma lógica de raciocínio que ele chamou ironicamente de “selvagem” para contrastar com o raciocínio “domesticado” ou abstrato do homem ocidental. Sua grande contribuição foi desautorizar a relação de superioridade e mesmo de antagonismo entre um e outro. “Não se trata de pensamento dos selvagens, mas de pensamento selvagem”, cunhou o etnólogo.

Transitando entre a antropologia e a teoria literária, o poeta, professor e ensaísta Sérgio Medeiros tomou o pensamento totêmico como paradigma filosófico e emblema para sua produção poética. Medeiros comanda o próximo encontro do Café Philo deste semestre, no dia 27 de junho, às 19 horas, no auditório da Aliança Francesa, com uma conversa sobre “Claude Lévi-Strauss e o Totemismo”. A conferência é uma homenagem ao célebre antropólogo com quem trocou conhecimento no Laboratório de Antropologia Social, em Paris, onde realizou pesquisa sobre os heróis  Jê entre 1994 e 1995. Desde então, Medeiros persegue o emblema do totem. Além de motivar suas pesquisas sobre a cosmogonia dos povos indígenas da Amazônia e os estudos de literatura comparada entre a arte de vanguarda e a lógica do pensamento dos povos ameríndios e orientais, a figura totêmica assombra a obra poética de diretor da Editora da UFSC. É o caso de Totens, seu último livro de poemas, publicado pela Iluminuras, que ele lança ao final do 43º encontro do Café Philo, um projeto de extensão do pesquisador Pedro de Souza, professor do curso de Pós-Graduação em Literatura, em parceria com a Aliança Francesa e a Secretaria de Cultura.

O pensamento selvagem se desenvolve a partir de termos concretos e estaria a serviço das sociedades extraocidentais, mas também do discurso da arte universal. Strauss mostrou que esse pensamento não se vale de termos abstratos, como na lógica ocidental, mas dispõe de outras ferramentas específicas para atingir os mesmos fins e, por isso, não pode ser usado para justificar uma inferiorização do homem “primitivo” em relação ao moderno ou “civilizado”. “A linguagem é uma razão humana que tem suas razões, e que o homem não sabe”, disparou o etnólogo na obra O pensamento selvagem (1963). O contato com a lógica do concreto é, portanto, fundamental para que se entendam os procedimentos de outras culturas sem subjugá-los.

Sérgio Medeiros comanda o próximo encontro do Café Philo deste semestre, no dia 27 de junho, às 19 horas, no auditório da Aliança Francesa, com uma conversa sobre “Claude Lévi-Strauss e o Totemismo”

Um passo decisivo para que Lévi-Strauss delineasse em sua obra os procedimentos dessa lógica do concreto foi a rediscussão do conceito de totemismo. Antes dele, a ciência ocidental  acreditava que a arte totêmica pressupunha uma continuidade entre natureza e cultura, enquanto a lógica abstrata sempre parte do princípio de uma descontinuidade. A postulação de uma identidade de parentesco entre o animal, a planta ou a água revelaria um raciocínio ingênuo ou primitivo que as sociedades brancas já teriam superado. “Embora sejamos defensores da ecologia, sabemos que compartilhamos um espaço com animais e plantas, mas não somos idênticos a eles”, diz Medeiros.

Lévi-Strauss mostrou que o totemismo não é afirmação ingênua da identidade entre homem e natureza, mas um sistema de classificação com a mesma operacionalidade de outros em uma perspectiva diferente. O antropólogo sustentou, assim, que o argumento da ingenuidade é inaceitável para essencializar o primitivismo intelectual das populações que não se valem da lógica abstrata. Os índios usam termos concretos que já existem, como nomes de animais, plantas e fenômenos meteorológicos, para classificar grupos humanos, em vez de inventar novos nomes. “E de certa forma nós também fazemos isso quando usamos palavras como carneiro, pinheiro, leão, barata a título de sobrenome”.

Arte promove encontro entre homem e natureza

Empenhado em livrar o totemismo do estigma de mistificação, Lévi-Strauss acabou, contudo, negando seu peso afetivo e ritualístico. Fez isso inclusive tentando estabelecer uma regra estrutural fixa para o seu funcionamento. É nesse ponto que o discípulo lança um olhar crítico para o mestre, repensando a repercussão da teoria totêmica no campo da arte. Para Medeiros, é possível sim, afirmar que na arte se produz uma continuidade entre homem e natureza, sem que se incorra em uma visão de mundo ingênua ou infantil. De que modo? Pela importância que nela assume a infância, entendida como um estado pleno de revelação do mundo onde seres de diferentes naturezas podem se encontrar e se confundir.

Em sua conferência, Medeiros vai exibir postes totêmicos esculpidos por índios que vivem entre Estados Unidos e Canadá, na região da Costa do Pacífico, como mostra de uma arte viva, que sobrevive nas mitologias, nas crenças e na escultura e inspira a arte ocidental. Sua própria obra poética é visceralmente impactada pela associação entre esses postes e o totemismo, um sistema tribal de classificação de nomes de família, em que animais e vegetais do convívio humano são eleitos como símbolos de linhagens de diferentes clãs. O escritor identifica poeticamente os personagens de seus livros por “postes totêmicos”, como neste fragmento de Totens:

a gesticulação copiosa a voz enérgica do artista impressionava e era

de se prever que os ouvintes satisfeitos encheriam de cédulas o chapéu

de palha do maestro

tocando fogoso seu órgão selvagem Henry Flower casou um Carneiro

com uma Leitão casou uma Carvalho com um Pinheiro casou um

Laranjeira com uma Loureiro casou uma Lima com um Rocha casou

uma Pedra com uma Barata

e foi casando árvore com árvore e árvore com bicho e árvore com pedra

Riacho nuvem lagoa etc. sobretudo com pássaros

Enquanto em Sexo vegetal (finalista do Prêmio Brasil-Portugal Telecom e Jabuti de 2010) se inscreve sob o totem de vapor, em Totens imperam a árvore, o tronco e o calor da floresta. O personagem dos poemas é um especialista em música vegetal que tem o sobrenome de flor e o tronco como totem. Em Figurantes (finalista do Prêmio Jabuti 2012), assim como nas demais obras, as cenas que provocam os versos inspirados em hai kais brotam de paisagens híbridas de natureza e cultura, nunca puramente humanas. “Os artistas estão sempre tentando reinventar o totemismo”, diz o autor, que no próximo semestre ministra um curso sobre o assunto na Pós-Graduação em Literatura da UFSC.

Esse olhar para o espírito selvagem que se manifesta na arte devolve ao totem o seu peso simbólico e ritualístico afastado por Lévi-Strauss no esforço teórico de dessacralizar o totemismo. Medeiros vai mostrar como diversos artistas celebrados elegem símbolos naturais, à maneira das sociedades totêmicas, para representar totalidades: o sapo, do poeta japonês Bashô; a romã do romancista e dramaturgo italiano D´Annunzio, além de Borges e o labirinto. A onça reina em Guimarães Rosa, a barata em Kafka, a maçã em Clarice Lispector e o ovo nas esculturas de Brancusi, artista plástico romeno. Brancusi, as esculturas soldadas (Tanktotens) de David Smith e Joyce são as maiores referências do poeta.  “James Joyce inspirou Totens, com sua leitura totêmica de Dublin, numa Irlanda desmatada e vizinha ao Canadá”, conta.

Pinturas, esculturas, poemas, narrativas, obras e totens se entrecruzam no olhar estético de Sérgio Medeiros para a obra de Lévi-Strauss. Nessa leitura, o totemismo pode reconciliar sua validade científica como lógica e inteligência com a atração afetiva e ritualística que exerce sobre a arte. E também pode reconciliar ciência e magia na obra de Strauss, afinal, como ele próprio afirmou, “nenhuma civilização pode se desenvolver se não possui valores aos quais se agarrar profundamente”. (Raquel Wandelli).

Quem é Claude Lévi-Strauss?

Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, nasceu em novembro de 1908, em Bruxelas, e morreu em novembro de 2009, em Paris. De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro “Tristes Trópicos” (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte. O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. “Estruturalismo”, diz Lévi-Strauss, “é a procura por harmonias inovadoras”.

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em “O Pensamento Selvagem”, que a língua é uma razão que tem suas razões – e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta. Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17º Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: “Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente”. (fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/claude-levi-strauss.jhtm)

O conferencista

Tradutor, ensaísta e poeta, Sérgio Rodrigues Medeiros é mestre em Letras e doutor em Letras na área de Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP.  Atual diretor executivo da editora da UFSC, realizou estágio de pós-doutorado na Stanford University em 2001. Voltado para a pesquisa nas áreas de literatura, mitologia, escrita de viagem, poesia, poesia indígena e canto, publicou várias traduções e cinco livros de poesia.

No Brasil, lançou Figurantes e Sexo vegetal, que teve também uma tradução completa publicada pela editora norte-americana Uno Press, e agora Totens, todos pela Iluminuras, de São Paulo. Sua poesia já foi traduzida para o inglês e o espanhol.  Traduziu na íntegra para o português, com revisão técnica de Gordon Brotherston (Stanford University), a cosmogonia maia-quiché Popol Vuh (Iluminuras, 2007), finalista do Prêmio Jabuti em 2008. Membro do Conselho Editorial da Revista de Estudos Mayas, da Universidade do Estado de Ohio. Em 2008, organizou Makunaíma e Jurupari (Perspectiva, 2002), que a Fundação Biblioteca Nacional incluiu em seu acervo.

SERVIÇO:

Café Philo – “Claude Lévi-Strauss e o Totemismo”

Conferencista: Sérgio Medeiros

Data: 27 de junho

Horário: 19 horas

Local: Aliança Francesa, Rua Visconde de Ouro Preto, Centro

Entrada: Aberta ao público e gratuita

Textos e divulgação: Raquel Wandelli

Assessora de Comunicação da Secretaria de Cultura da UFSC

37219459 e 99110524

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Café Philo aproxima Lacan e Merleau-Ponty nesta quarta

13/06/2012 17:04
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No Café Philo desta  quarta, 13,  o  filósofo Marcos Müller, da UFSC, trava diálogo entre pulsão de morte da psicanálise e o olhar da fenomenologia, aproximando Lacan e Merleau- Ponty. O evento acontece às 19h, na Sede do Museu Vitor Meirelles, no Centro de Florianópolis (próximo aos Correios).

Ele foi o filósofo da percepção, do efeito interpretativo sobre as sensações e da fenomenologia do ser em sua indivisibilidade entre corpo e alma. Mostrou que antes do olho há um olhar a instaurar sentido para tudo. Ao mesmo tempo em que reconheceu o primado da subjetividade no mundo da linguagem, proclamou os filósofos a se despirem dos seus véus para compreender o fenômeno, o objeto. Essa intersecção entre comportamento e filosofia fez de Merleau-Ponty o pensador francês mais revisitado pela psicanálise. Travar um diálogo entre Merleau Ponty e Lacan a partir da relação entre o olhar e a pulsão de morte é a proposta do filósofo, psicólogo clínico, analista gestáltico e professor da UFSC Marcos José Müller-Granzotto, que comanda na próxima quarta, 13 de junho, o 42º encontro do Café Philo.

Sob o título “Esquize e pulsão: o olhar segundo Merleau-Ponty”, a conferência começa às 19 horas, no Museu Vitor Meirelles, no Centro de Florianópolis e é seguida de debate. “Filosofar é reaprender a ver o mundo, voltar às próprias coisas”, ensinou Ponty. Ultrapassando a teoria clássica da percepção, o autor francês mostrou que a consciência se insere no mundo pela interpretação das sensações em um processo que integra e ressignifica todos os sentidos (visão, paladar, tato, audição). Nessa perspectiva, não há sensações puras: não há azul sem o céu, assim como não há mundo sem história, sem um campo de simbolismo anterior e produtor de significados ou sem o que o filósofo chamou de “intermundos”.

A violência desse olhar estrangeiro que se estabelece na diferença entre o visível e o invisível no processo de percepção é o foco do colóquio do Café Philo, projeto coordenado pelo professor Pedro de Souza do Departamento de Línguas e Literaturas Vernáculas da UFSC, ao lado de Rogério Luiz de Souza, docente do curso de História, com apoio da Secretaria de Cultura.  Autor de vários artigos em revistas nacionais e internacionais sobre fenomenologia, psicanálise e Gestalt-terapia, o filósofo lança, às 20h da quarta-feira do dia 20 de junho, no Muro Temakeria Lounge, na Lagoa da Conceição, em parceria com a mulher Rosane Müller-Granzotto, também filósofa e piscanalista, o livro Psicose e Sofrimento. Na obra, os autores dedicam vários capítulos à discussão sobre o diálogo travado entre Lacan e Merleau-Ponty pela questão do olhar.

 

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Professor Marcos José Muller-Granzotto

Em viagem à Espanha, Marcos Müller, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e da disciplina de Ontologia e Fenomenologia do Curso de Pós-Graduação em Literatura da UFSC concedeu a seguinte entrevista por e-mail:

R.W. – Qual será o foco da sua conferência?

Marcos Müller: Quero apresentar e discutir a leitura que Lacan fez da distinção proposta por Merleau-Ponty entre o ‘olho’ e o ‘olhar’ e na qual Lacan reconheceu uma forma de designar o que ele próprio, por meio da noção de objeto, tentava apontar em Freud, precisamente, a presença da pulsão de morte como causa do desejo.

 

R.W. – Que aproximações são possíveis entre Lacan e Merleau-Ponty, sendo teóricos de linhas tão distintas, um da psicanálise, outro da fenomenologia?

Marcos Müller – Quando não se é dogmático, a distinção ou diversidade nos pontos de vista costuma ser muito benéfica para o tratamento de temas comuns, como parece ser o interesse de Merleau-Ponty e Lacan sobre Freud. Ainda que não se propusesse ao ofício ético de uma clínica, como é o caso de Lacan, Merleau-Ponty estava interessado em incluir, em suas discussões filosóficas sobre a indivisão entre a percepção e o pensamento, a tese de que, mesmo em nossa experiência perceptiva não estamos sozinhos; o que significa dizer que, nalgum momento, encontraremos um olhar do qual não somos protagonistas e diante do qual não temos alternativa que não seja a passividade. Essa forma de descrever a experiência de encontro com o olhar estranho em muito se aproxima, segundo a avaliação lacaniana, do encontro com o real da pulsão. E meu objetivo é aprofundar as consequências éticas dessa constatação no campo da clínica e do discurso filosófico.

 

R.W. – Que relação Merleau-Ponty estabelece entre o olho e o olhar?

Marcos Müller – O olho só pode ver à medida que faz dele próprio um partícipe do mundo visto. O que significa dizer que o olho, para ver, deve poder emprestar, às coisas mundanas, um aspecto visível, como delas recolher a tangibilidade, o som, o sabor… Há entre o olho e o mundo uma familiaridade, que permite a cada pequeno núcleo de visibilidade exprimir um invisível mais além do que cada núcleo encerra.

 

R.W. – Qual a diferença entre o olhar para Lacan e para Merleau-Ponty?

Marcos Müller – Lacan suspeita que Merleau-Ponty, nalgum momento, abdicou da tese inicial de que, diante do olhar estranho, sempre somos passivos. Para Lacan, é como se Merleau-Ponty por fim tivesse harmonizado esta relação, fazendo do olhar estranho uma versão de uma idéia ou princípio universal, que cada olho levaria consigo. Trata-se, segundo meu ponto de vista, de uma leitura equivocada de Lacan.

 

R.W – E qual é, afinal, a sua interpretação sobre o impacto do olhar estranho para Merleau-Ponty?

Marcos Müller – Nossa participação nessa reversibilidade visível/invisível encontra um ponto de detenção, um escoamento impossível de integrar quando nos deparamos com o olhar estranho, que vem lá do fundo de invisibilidade, como se, mais além da visibilidade da tela, a montanha (invisível) que alcançamos ver, nos devolvesse um olhar que não é nosso e mais além do qual não podemos ir, nem sequer dele fugir.  E é nesse momento que, para Merleau-Ponty, a carnalidade da experiência encontra, pela primeira vez, com uma dimensão ética, entendendo-se por ética a passividade diante do estranho.

 

 

SERVIÇO

Quando: 13 de junho, às 19 horas

O quê? 42º Café Phillo (Lacan e Merleau-Ponty)

Quem: filósofo e psicanalista Marcos José Müller-Granzotto

Onde: Sede do Museu Vitor Meirelles, Centro – Florianópolis/SC (próximo aos Correios)

Quanto: Gratuito, aberto ao público.

Contatos conferencista:

Por Raquel Wandelli/ Coordenadora de Comunicação Social da SeCult/UFSC

, 9911-0524 e 3721-9459 – www.secarte.ufsc.br



Esquize e pulsão: o olhar segundo Merleau-Ponty (uma síntese da conferência)

Por Marcos José Müller-Granzotto

 Em excelente estudo intitulado Uma libra de carne, Charles Shepherdson (2006, p. 97) discute a relevância de certas reflexões de Maurice Merleau-Ponty (sobre a estrutura do olhar) para a consideração lacaniana da pulsão de morte no contexto do Seminário XI – Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (Lacan, 1964).  Shepherdson interessa-se particularmente pelo momento em que Jacques Lacan interrompe a primeira sessão desse seminário para então se ocupar de um tema que, na obra póstuma O visível e o invisível, Merleau-Ponty descreveu nos termos de uma diferença entre o olho e o olhar: mais além da visibilidade do mundo, no seio daquilo que emerge como horizonte de invisibilidade, um olhar vem me surpreender, denunciando minha passividade a uma vidência estranha.

 

Lacan reconheceu, na noção merleau-pontyana de olhar estrangeiro, uma possível indicação daquilo que Freud denominou de pulsão de morte; como se, para Merleau-Ponty, a co-presença daquele olhar estrangeiro viesse denunciar – qual pulsão de morte – minha própria divisão (castração) e, por conseguinte, o que exigiria de mim eu me fazer objeto ao Outro. E na esteira da prudência analítica de Lacan (1964, p. 77-78) – ora convencido da absoluta novidade introduzida pela noção merleau-pontyana de olhar, ao menos em relação à tradição filosófica, ora desconfiado de que tal noção denunciaria a presença de um vidente universal platônico, do qual nosso olho seria uma versão – Shepherdson revela-se também muito cuidadoso, o que não o impediu de concluir pela distância entre Merleau-Ponty e as expectativas da psicanálise lacaniana. Afinal, conforme sugere Lacan (1964, p. 71), a descrição merleau-pontyana do encontro com o olhar dá a entender certa experiência de “satisfação”, tal qual aquela que sucede na realização de um desejo – satisfação esta que não se confunde com o gozo (jouissance) característico do encontro com a pulsão de morte.

 

E o que gostaríamos de questionar nesta conclusão lacaniana – seguida por Shepherdson – não é tanto a sugestão de que, em Merleau-Ponty, o enfrentamento ao olhar estranho pudesse ensejar algum tipo de satisfação. Em muitos lugares, Merleau-Ponty relaciona o olhar estranho à experiência de encontro com o insondável, com o que não faz sentido, qual outrem – de sorte que aí não pode haver satisfação. Mais problemático, todavia, é a sugestão – em momento algum demonstrada por Lacan ou por Shepherdson – de que, em Merleau-Ponty, o olhar estranho poderia valer como “substância” ou “elemento” primordial, que precederia o sujeito, qual seu lugar de “nascimento, sua origem, chora e assim por diante” (Shepherdson, 2006, p. 120).

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Café Philo apresenta manuscritos desaparecidos de Durkheim

28/05/2012 16:48


O tema do Café Philo desta quarta-feira, 30 de maio, às 19h, na sede do Museu Victor Meirelles, tem uma história tão instigante quanto o seu conteúdo. Em 1914, três anos antes de morrer, Émile Durkheim ministrou um célebre curso na Sorbonne Nouvelle denominado “Pragmatismo e Sociologia”, considerado pelo antropólogo Marcel Mauss o coração da sua obra.

(mais…)

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Café Philo apresenta manuscritos desaparecidos de Durkheim

25/05/2012 17:03
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Durkheim defende que é necessário preservar e renovar o racionalismo, pois sua total rejeição constitui um “perigo para o espírito francês”, pois implicaria em “uma mudança radical de toda a nossa cultura”

Na conferência do dia 30 de maio, tradutor de Durkheim discute o conteúdo do curso ministrado pelo sociólogo na Sorbonne, só recuperado quase meio século depois de sua morte

O tema do Café Philo do dia 30 de maio, às 19 horas, na sede do Museu Victor Meirelles, tem uma história tão instigante quanto o seu conteúdo. Em 1914, três anos antes de morrer, Émile Durkheim ministrou um célebre curso na Sorbonne Nouvelle denominado “Pragmatismo e Sociologia”, considerado pelo antropólogo Marcel Mauss o coração da sua obra. Entre os poucos e privilegiados alunos, estava o filho, André Durkheim. Durante a I Guerra Mundial, André morreu e desapareceram com ele as anotações referentes ao último curso do pai da sociologia. Com a II Guerra, a obra prima de Durkheim sofre novo golpe quando os nazistas bombardeiam Paris, destruindo as anotações originais que o mestre havia redigido e selecionado para o curso.

Acreditando que estavam nesses manuscritos “a coroação da filosofia de Durkheim”,  Marcel Mauss, sobrinho do pensador, promoveu uma verdadeira campanha para recuperá-la. Na revista Anais de Sociologia (1925), Mauss lançou um apelo aos possíveis alunos sobreviventes para que tentassem resgatar as 20 lições que compunham a última herança do fundador da Escola Francesa de Sociologia. Graças a essa história inusitada de amor ao conhecimento, essa obra pouco conhecida foi salva do esquecimento definitivo e causou grande impacto no mundo acadêmico.

A primeira publicação francesa, de 1955, e a segunda, também em língua francesa, de 1981, foram rapidamente esgotadas. E assim permaneceram até 2004, quando a UFSC e a Unisul fizeram uma parceria para trazer essas ruínas filosóficas novamente do limbo. Dessa vez, o responsável pelo resgate arqueológico de Durkheim foi o antropólogo Aldo Litaiff, o conferencista convidado para o próximo Café Philo, que traduziu a obra do original em francês. Em 2005, durante o seu Pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e em meio às comemorações do ano do Brasil na França, as editoras da UFSC e da Unisul lançaram a primeira publicação de Pragmatismo e Sociologia em língua portuguesa no mundo e a primeira edição não-francesa.

O sociólogo proferiu seu último curso entre 9 de dezembro de 1913 e 12 de maio de 1914, algum tempo depois da publicação de Formas Elementares da Vida Religiosa. “Uma das curiosidades que marca essa fase final do pensamento de Durkheim é a proposta de renovar o Racionalismo que caracteriza o pensamento francês através das críticas do Pragmatismo americano!”, admira-se Litaiff, antropólogo do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC e professor do Curso de Doutorado em Ciências da Linguagem da Unisul.

Durkheim defende que é necessário preservar e renovar o racionalismo, pois sua total rejeição constitui um “perigo para o espírito francês”, pois implicaria em “uma mudança radical de toda a nossa cultura”. Segundo o raciocínio do teórico, se as críticas pragmatistas são verdadeiras, está em questão toda a tradição filosófica ocidental, especificamente o Racionalismo. O grande valor das lições de pragmatismo de Durkheim reside na transformação crítica que operaram sobre seu próprio pensamento. Na obra anterior, ele afirmava e demonstrava que o pensamento conceitual tem sua origem nas representações impessoais de uma comunidade. “A partir das críticas pragmatistas, o sociólogo revê suas posições anteriores, passando a considerar que o papel do indivíduo é o de um verdadeiro criador e que o principal fator de renovação do social é a consciência”, escreve Litaiff no prefácio do livro.

 

Ampliação de público

Gratuito e aberto ao público, o Café Philo é um projeto de extensão do Centro de Comunicação e Expressão em parceria com a Aliança Francesa e com apoio na divulgação da Secretaria de Cultura e Arte. Os próximos dois debates, do dia 30 de maio e do dia 13 de junho, foram transferidos da sede da Aliança Francesa para o Museu Vitor Meirelles, no Centro de Florianópolis, em razão da necessidade de maior espaço para acomodar o grande crescimento do público nas últimas conferências,  conforme explica o professor Pedro de Souza do Departamento de Línguas e Literaturas Vernáculas da UFSC, mentor e organizador do Projeto, ao lado de e Rogério Luiz de Souza, docente do curso de História.

As conferências ocorrem quinzenalmente às quartas-feiras, sempre com a apresentação de um intelectual da atualidade abordando obras de pensadores franceses clássicos ou contemporâneos. Em edições anteriores foram discutidas as ideias de autores como Foucault, Paul Ricoeur, Blanchot, Rousseau, Deleuze, Albert Camus, Derrida, entre outros. Permeadas pela informalidade, as reuniões buscam facilitar o diálogo com um público sem vinculação direta com o meio acadêmico e aproximar a filosofia da vida das pessoas.

 

Sobre o palestrante

Aldo Litaiff é PhD em Antropologia pela Universidade de Montreal, Québec (estado do Canadá francês), com mestrado em Ciências Sociais e licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Sua tese de doutorado partiu, principalmente, das contribuições de Claude Lévi-Strauss, um dos sucessores mais ilustres do autor de Pragmatismo e Sociologia, obra que ele traduz ela primeira vez em língua portuguesa. Atualmente desenvolve pesquisas junto ao Museu Arqueológico e Etnológico da UFSC e é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Sul do Estado de Santa Catarina (Unisul).

 

Serviço

Quando: 30 de maio, às 17 horas
O quê: 41º Café Phillo
Quem: antropólogo Aldo Litaiff sob o tema: O último curso de Emmile Durkheim
Onde: Sede do Museu Vitor Meirelles, Centro – Florianópolis/SC (próximo aos Correios)
Quanto: Gratuito, aberto ao público.
Próximo Café Philo: 13 de junho – palestrante Marcos Muller – tema: Merleau-Ponty e a questão da memória

 

Por Raquel Wandelli/Coordenadora de Comunicação Social da SeCult/UFSC

– 9911-0524 e 3721-8729 – www.secarte.ufsc.br

Tags: Café Philo

Café Philo discute nesta quarta as ideias do filósofo Foucault

16/05/2012 14:35

Sociólogo e professor de psicologia da UFSC, Kleber Prado Filho falará sobre as idéias de Michel Foucault nesta quarta, às 19 horas, na Aliança Francesa  

A edição número 40 do Projeto Café Philo é dedicada ao filósofo francês Michel Foucault. O autor de Vigiar e punir, Microfísica do poder e História da Loucura é o foco da conferência desta quarta-feira, 16 de maio, às 19 horas, sobre o corpo disciplinar. Kleber Prado Filho, doutor em sociologia pela USP e docente do Departamento de Psicologia da UFSC é o palestrante convidado para conduzir as discussões que acontecem na sede da Aliança francesa, na rua Visconde de Ouro Preto, 282, Centro.

Questões como a disciplinarização do corpo e do sujeito na modernidade e as diferenças entre a concepção de corpo no oriente e ocidente estão no centro da sessão. O professor Kleber Filho fará uma exposição de 40 minutos e depois abrirá para o debate com a plateia. Ao mesmo tempo ousado e rigoroso, o filósofo francês postula o nascimento de uma nova forma de poder coercitivo surgida no Ocidente no século XVIII, baseada na sofisticação psíquica dos mecanismos políticos e sociais de vigilância das multidões e exceção pública. Foucault propõe que as relações entre vigilância e punição se estabelecem pelo olhar e pela disciplina do corpo.

Essa economia repressiva do poder pela descentralização dos sistemas de controle e vigilância nasce de uma nova concepção da sociedade com a queda do chamado poder soberano predominante nos regimes absolutistas da Europa. Torna-se, segundo sua teoria, o poder disciplinar mais eficaz para garantir a ordem, substituindo os suplícios e espetáculos de execução pública por uma silenciosa forma de controle, onde o vigiado é também o vigia do outro e de si mesmo.

Gratuito e aberto ao público, o Café Philo é um projeto de extensão do Centro de Comunicação e Expressão em parceria com a Aliança Francesa e com apoio na divulgação da Secretaria de Cultura (Secult) da UFSC. Organizado pelos professores Pedro de Souza, do Departamento de Línguas e Literaturas Vernáculas da UFSC, e Rogério Luiz de Souza, docente do curso de História, ocorre quinzenalmente às quartas-feiras, sempre com a apresentação de um intelectual da atualidade abordando obras de pensadores franceses clássicos ou contemporâneos. Em edições anteriores foram discutidas as ideias de autores como Foucault, Paul Ricoeur, Blanchot, Rousseau, Deleuze, Albert Camus, Derrida, entre outros. Permeadas pela informalidade, as reuniões buscam facilitar o diálogo com um público sem vinculação direta com o meio acadêmico.

O pensador

Filho do cirurgião Paul Foucault e de Anna Malapert, Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, no dia 15 de outubro de 1926. Embora pertencesse a uma tradicional família de médicos, Michel caminhou em outra direção. Na sua educação escolar encontrou todas as influências necessárias para guiá-lo no caminho da
filosofia. Seu primeiro mentor foi o Padre De Montsabert, do qual herdou seu gosto pela história. Além disso, era um autodidata e adorava ler. Foucault viveu o contexto da Segunda Guerra Mundial, o que estimulava ainda mais seu interesse pelas Ciências Humanas. Mesmo contrariando os desejos paternos de que seguisse a Medicina, suas condições sócio-financeiras lhe permitiam seguir com seus estudos.

Em 1945, com o fim da Guerra, Michel passa a morar em Paris e, neste mesmo ano, tenta pela primeira vez entrar na Escola Normal Superior, mas é reprovado. Vai estudar então no Liceu, onde tem aulas com o famoso filósofo hegelianista Jean Hyppolite. No ano seguinte ele consegue finalmente ingressar na Escola Normal Superior da França, e aí tem aulas com Maurice Merleau-Ponty. Foucault realiza sua graduação em Filosofia na Sorbonne, em 1949 obtém o diploma de Psicologia e coroa seus estudos filosóficos com uma tese sobre Hegel, orientado por Jean Hyppolite. Foucault foi sempre mentalmente inquieto, curioso e angustiado diante da existência, o que o levou a tentar o suicídio várias vezes. Politicamente ele tentou se enquadrar no Partido Comunista Francês, mas essa filiação durou pouco tempo, porque não suportou suas ingerências na vida pessoal.

Michel Foucault, em 1951, passa a ministrar aulas de psicologia na Escola Normal Superior e, entre seus alunos, estão Derrida e Paul Veyne, entre outros. Ainda neste ano ele adquire uma experiência fundamental no Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne, que irá repercutir posteriormente em seus escritos sobre a loucura. O filósofo começa a seguir as trilhas do Seminário de Jacques Lacan, e neste mesmo período aproxima-se de Nietzsche, através de Maurice Blanchot e Georges Bataille. No campo psicológico, ele conclui seus estudos em Psicologia Experimental, estudando Janet, Piaget, Lacan e Freud. De 1970 a 1984, Michel ocupa o cargo de Professor de História dos Sistemas de Pensamento no Collége de France, no qual ele toma posse com uma aula que se
torna famosa sob o título de “Ordem do Discurso”.

Suas obras, desde a “História da Loucura” até “A História da Sexualidade”, que com sua morte ficaria inacabada, enquadram-se dentro da Filosofia do Conhecimento. Anteriormente, porém, publicou “Doença Mental e Psicologia”, quando ainda tinha 28 anos. Mas foi realmente com “História da Loucura”, de 1961, sua tese de doutorado na Sorbonne, que ele se consolidou na Filosofia. Neste livro ele explora as razões que teriam levado, nos séculos XVII e XVIII, à marginalização daqueles que eram considerados desprovidos da capacidade racional. Seus estudos sobre o saber, o poder e o sujeito inovaram o campo reflexivo sobre estas questões. Tudo que se concebia sobre estes temas em termos modernos é transgredido pelo pensamento foucaultiano, o que levam muitos a considerarem o filósofo, a despeito de sua própria auto-opinião, um pós-moderno.

A princípio Foucault seguiu uma linha estruturalista, mas em obras como “Vigiar e Punir” e “A História da Sexualidade”, ele é concebido como um pós-estruturalista. A questão do ‘poder’ é amplamente discutida pelo
filósofo, mas não no seu sentido tradicional, inserido na esfera estatal ou institucional, o que tornaria a concepção marxista de conquista do poder uma mera utopia. Segundo ele, este conceito está entranhado em todas as instâncias da vida e em cada pessoa, ninguém está a salvo dele. Assim, Michel considera o poder como algo não só repressor, mas também criador de verdades e de saberes, e onipresente no sujeito. Ele estuda o que de mais íntimo existe em cada cultura ou estrutura, investigando a loucura, o ponto de vista da Medicina, em
“Nascimento da Clínica”, a essência das Ciências Humanas, no livro “As Palavras e as Coisas”, os mecanismos do saber em “A Arqueologia do Saber”. Na sua produção acadêmica ele investiu contra a psiquiatria e a psicanálise
tradicionais. Além da sua obra conhecida, muitos cursos e entrevistas do autor contribuem para uma melhor compreensão de sua forma de pensar. No mês de junho de 1984, o filósofo foi vítima de um agravamento da AIDS, que provocou em seu organismo uma septicemia.

Fontes: Ana Lúcia Santana:
http://www.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/
http://www.pucsp.br/~filopuc/verbete/foucault.htm

Serviço:

O que: 40 Café Phillo
Quando: 16 de maio (quarta-feira), às 19h
Onde: Sede da Aliança Francesa, Rua Visconde de Ouro Preto, 282 – Centro – Florianópolis/SC
Quanto: Gratuito, aberto ao público.

Próximos eventos:
30 de maio – Wladimir Antônio da Costa Garcia – tema: Levinas
13 de junho – Marcos Montysuma – tema: H. Bergson e a questão da memória

Por Raquel Wandelli, coordenadora de Comunicação Social da Secult/UFSC

www.secarte.ufsc.br

Tags: Café PhiloCentro de Comunicação e ExpressãoSecultUFSC

Café Philo desta quarta põe em xeque o sistema de ensino

01/05/2012 15:00
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Bordieu desenvolveu sociologia autocrítica, refletindo contradições e perversidades do campo intelectual ao qual pertenceu

Profundo conhecedor da obra do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o professor Norberto Dallabrida falará sobre os mecanismos de exclusão social  nas escolas e academias

 

No próximo Café Philo as idéias de Pierre Bourdieu sobre os mecanismos de reprodução da desigualdade social e do elitismo nos sistemas de ensino dos países capitalistas estarão em debate. Os estudos do pensador sobre o chamado “campo intelectual” serão apresentados e discutidos pelo professor de história da Udesc Norberto Dallabrida. A palestra,

seguida de debate, acontece nesta quarta feira, 2 de maio, às 19h na sede da Aliança Francesa. Esta é a 39ª edição do Café Philo, que é gratuito e aberto ao público.

 

O projeto Café Philo ocorre quinzenalmente, às quartas-feiras, sempre com a apresentação de um intelectual da atualidade abordando obras de pensadores franceses clássicos ou contemporâneos. “O objetivo é reunir a comunidade para discutir temas que tocam a experiência de viver juntos em uma mesma cidade”, explica o idealizador do evento, Pedro de Souza, professor da Pós-Graduação em Literatura da UFSC, que coordena o evento ao lado do professor Rogério Luiz de Souza. Os temas podem ser de ordem filosófica, política, religiosa, literária, entre outros.

 

O pensador
O sociólogo Pierre Félix Bourdieu (Denguin – França, 1 de agosto de 1930 — Paris – França, 23 de janeiro de 2002) desenvolveu uma espécie de sociologia autocrítica, que reflete sobre as contradições e perversidades do próprio campo intelectual e acadêmico ao qual ele pertenceu. Os estudos de Bourdieu abordam questões de dominação do ponto de vista antropológico e sociológico pelas diversas estruturas de ensino. Suas contribuições alcançam as mais variadas áreas do conhecimento humano, discutindo estruturas de poder implicadas na educação, cultura, literatura, arte, mídia, linguística e política.

 

Entre suas principais obras estão O Poder Simbólico (1992) e As Estruturas Sociais da Economia (2001)Seu primeiro livro, Sociologia da Argélia (1958), discute a organização social da sociedade cabila, e em particular, como o sistema colonial interferiu naquela sociedade, em suas cultura e estruturas sociais.

 

Nas próximas edições do Café Philo estão previstas conferências sobre Foucault, Emmanuel Levinas e Henri Bergson. Em edições anteriores foram discutidas as ideias de autores como Paul Ricoeur, Blanchot, Rousseau, Deleuze, Felix Guattari, Albert Camus, Derrida, entre outros. O ciclo é realizado em parceria entre a UFSC e a Aliança Francesa, organizado pelos professores Pedro de Souza (Literatura e Linguística) e Rogério Luiz de Souza (História), com apoio na divulgação da Secretaria de Cultura e Arte.

 

SERVIÇO:

O que: 39º Café Phillo
Quando:
 02 de maio, às 19h
Onde:
 Sede da Aliança Francesa, Rua Visconde de Ouro Preto, 282 – Centro – Florianópolis/SC
Quanto:
 Gratuito, aberto ao público.

 

Próximas edições do Café Philo:
16 de maio – palestrante Kléber Prado Filho – tema: Foucault
30 de maio – palestrante Wladimir Antônio da Costa Garcia – tema: Emmanuel Levinas
13 de junho – palestrante Marcos Montysuma – tema: Henri Bergson e a questão da memória

 

Por Matheus Moreira Moraes/ Estagiário de Jornalismo da SeCArte/UFSC – 3721-8729 / 

 

Informações para mídia: 9911-0524 e 3721-8729 – www.secarte.ufsc.br
Informações para o público: Pedro de Souza

 

Tags: Café Philo

Café Philo discute relações entre poder e sociedade

13/04/2012 12:09

Os estudos do historiador francês Marc Bloch sobre as relações entre poder, psicologia coletiva e crenças na sociedade contemporânea são o foco do segundo Café Philo de 2012. O professor do Curso de História da UFSC, Rogério Luiz de Souza, será o palestrante da 37ª edição do projeto. A palestra, seguida de debate, acontece na próxima quarta feira, 18 de abril, às 19h na sede da Aliança Francesa.

Gratuito e aberto ao público, o projeto Café Philo ocorre a partir deste ano, quinzenalmente às quartas-feiras, sempre com a apresentação de um intelectual da atualidade abordando obras de pensadores franceses clássicos ou contemporâneos. “O objetivo é reunir a comunidade para discutir temas que tocam a experiência de viver juntos em uma mesma cidade”, explica o idealizador do evento, Pedro de Souza, professor da Pós-Graduação em Literatura da UFSC, que coordena o evento ao lado do professor Rogério Luiz de Souza. Os temas podem ser de ordem filosófica, política, religiosa, literária, entre outros.

O historiador

Marc Bloch notabilizou-se como um dos fundadores da Escola dos Annales. É considerado o maior medievalista contemporâneo e um dos maiores historiadores do século XX. Seus trabalhos e pesquisas reformularam os paradigmas nos estudos sobre o feudalismo. Foi responsável por importantes inovações no pensamento histórico, estimulando reflexões sobre a relação entre homem, sociedade e tempo na construção da História. “História é a ciência dos homens no transcurso tempo”, cunhou o autor.

Entre suas principais obras estão: La société féodale (1939); e Les róis thaumaturges: Étude sur le caractère surnaturel attribué à la puissance royale particulièrement en France et en Angleterre (1924) – traduzido para o português sob o título Os reis taumaturgos.(1993). Sua última obra, L’étrange défaite (Derrota Estranha, 1946), traz uma avaliação da derrota francesa na invasão alemã de 1940. Na fase final da vida, escreveu Apologia da História, obra que deixou inacabada ao morrer, em 16 de junho de 1944, fuzilado por agentes da Gestapo.

Nas próximas edições do Café Philo estão previstas conferências sobre Pierre Bourdieu e o sistema escolar, Foucault, Emmanuel Levinas e Henri Bergson . Em edições anteriores foram discutidas as ideias de autores como Foucault, Paul Ricoeur, Blanchot, Rousseau, Deleuze, Felix Guattari, Albert Camus, Derrida, entre outros. O ciclo é realizado em parceria entre a UFSC e a Aliança Francesa, organizado pelos professores Pedro de Souza (Literatura e Linguística) e Rogério Luiz de Souza (História), com apoio na divulgação da Secretaria de Cultura e Arte.

SERVIÇO:

O quê: 37º Café Phillo

Quando: 18 de abril, às 19h

Onde: Sede da Aliança Francesa, Rua Visconde de Ouro Preto, 282 – Centro
– Florianópolis/SC

Quanto: Gratuito, aberto ao público.

Próximas edições do Café Philo:

02 de maio – palestrante Norberto Dallabrida, sociólogo – tema: Pierre Bourdieu e o sistema escolar

16 de maio – palestrante Kléber Prado Filho – tema: Foucault

30 de maio – palestrante Wladimir Antônio da Costa Garcia – tema: Emmanuel Levinas

13 de junho – palestrante Marcos Montysuma – tema: Henri Bergson e a questão da memória

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Jornalismo da SeCArte/UFSC

3721-8729 /

Informações: 99110524 e 37218729, www.secarte.ufsc.br.

Tags: Café PhilopsicologiaSociedadeUFSC

Pensamento de Durkheim abre Café Philo deste ano

03/04/2012 13:17

As concepções do sociólogo, antropólogo e filósofo Émile Durkheim sobre o direito internacional no entre guerras são o tema da conferência da primeira edição de 2012 do Café Phillo. O professor do curso de direito Arno Dal Ri Júnior é o convidado da 35ª edição do projeto para falar sobre as ideias do pensador francês, conhecido pela obra O suicídio(1897) e pela estruturação das chamadas Ciências Humanas. A palestra, seguida de debate, acontece nesta quinta- feira, 5 de abril,  às 19h, na sede da Aliança Francesa, gratuito e aberto ao público.

 
(mais…)

Tags: Arno Dal Ri JúniorCafé PhiloDurkheimUFSC

Café Filosófico discute cultura industrial cibernética nesta sexta

25/11/2011 15:14

 A série Café Filosófico deste semestre encerra na sexta-feira, (25/11), às 19 h, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), com o filósofo Rodrigo Duarte falando sobre “Indústria cultural 2.0”. Com acesso público e gratuito, o ciclo de encontros deste semestre iniciou em agosto promovendo uma série de palestras seguidas de debates dedicados à temática Estética e Filosofia da Arte. Presidente da Associação Brasileira de Estética e natural de Minas Gerais, Duarte é bacharel e mestre em Filosofia pela UFMG com a dissertação “O Conceito de Natureza em O capital”, de Marx. Realizou doutoramento na Universität Gesamthochschule Kassel, na Alemanha, onde defendeu a tese sobre o filósofo Theodor Adorno, considerado o grande crítico da indústria cultural.

Professor titular do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, Duarte é autor do livro Teoria crítica da indústria cultural, publicado pela Editora UFMG em 2003, no qual faz uma abordagem crítica sobre o fenômeno da indústria cultural em relação ao capitalismo até chegar à cultura internáutica. O autor traça um percurso histórico desde a fundação da Escola de Frankfurt até os desdobramentos econômico-políticos atuais do fenômeno da globalização da cultura de massa, passando pelas formulações de Marcuse, Benjamin e detendo-se em Adorno. As principais áreas de atuação do conferencista são: Estética e Filosofia Social.

 

Mesmo ciente das diferenças entre o mundo globalizado e o estágio capitalista dos anos quarenta, quando atuaram os teóricos dessa escola, Rodrigo Duarte procura mostrar o quanto a crítica de Adorno e Horkheimer ainda permanece válida. Mostra como todo o aperfeiçoamento da tecnologia da indústria cultural teve a orientação de enfatizar o tratamento que ela dispensa a seus consumidores, tratados sempre como objetos de investigação estatística. Permanece, na indústria cultura, a “invariável tentativa de mantê-los em um estado de manipulação e de menoridade através de estereótipos e formas que privilegiam sempre a resignação perante o sistema como um todo”, explica o  Verlaine Freitas, professor do Departamento de Filosofia da UFMG, em comentário à obra. A professora Cláudia Drucker, do Curso de Artes Cênicas, que também foi palestrante dessa série será debatedora nesta rodada.

 

Realizado desde 2009 pela Secretaria de Cultura e Arte com apoio da Pós-Graduação em Filosofia e Núcleo de Investigações Metafísicas, o ciclo Café Filosófico promove o encontro mensal de estudantes, professores e pesquisadores com grandes filósofos da contemporaneidade para a discussão de temas atuais e emergentes abordados por renomados estudiosos. “É uma forma de democratizarmos o acesso ao saber filosófico e divulgarmos a obra dos pensadores que mudaram nosso modo de pensar e ver a realidade”, pontua a secretária de Cultura e Arte da UFSC, Maria de Lourdes Borges. As exposições são marcadas pelo caráter introdutório e acessível ao grande público e se encerram sempre com uma mesa de café.

 

Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte) / Contatos: (48) 99110524 – 37219459  /  / / www.secarte.ufsc.br

 

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Café Philo

17/08/2011 10:41

A 27ª edição do Café Philo traz o professor Cláudio Reichert do Nascimento para falar sobre a filosofia de “Paul Ricoeur – Hermenêutica e compreensão de si”, dia 18, às 19 horas, na Biblioteca Pública. A promoção é da Aliança Francesa e Biblioteca Pública.

Tags: Café Philohermenêutica

Conversas em torno dos filósofos franceses discute Derrida

02/08/2011 16:46

A 26ª edição do Café Philo, organizada pelo professor Pedro Souza, do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas, trará o professor Felipe Lins para debater a obra de Jaques Derrida, sob a perspectiva do “animal que somos”. O evento acontece na quinta, 04/08, às 19h, na Biblioteca Pública de SC.

Mais informações: 3721-9581 ou 3028-8063.

Imagem de capa: Wutong Pudong

Tags: Café Philoderrida
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