Em extinção, espécie de planta do Cerrado é descrita com participação da UFSC

30/10/2023 10:59

Detalhes da nova espécie localizada e descrita (Divulgação)

Microlicia indurata é o nome de uma nova espécie endêmica do Cerrado que foi descoberta por um professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) durante um trabalho de campo e que está oficialmente descrita na Phytotaxa, periódico de taxonomia botânica. A planta foi localizada na Serra dos Pirineus, em Goiás, e descrita em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas e do Departamento de Botânica da California Academy of Sciences.

O professor João de Deus Medeiros, aposentado do departamento de Botânica, localizou a planta numa das expedições de campo para produção do Guia de Campo de espécies do Cerrado, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente.

“A princípio imaginei tratar-se de uma outra espécie já descrita, porém depois com auxílio dos especialistas em taxonomia da família Melastomataceae, vimos que ela apresentava características distintas das espécies já conhecidas”, comenta. O status de conservação da nova espécie, feito com base nos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), indica distribuição muito restrita, ocorrendo em área de cerrado rupestre próxima aos limites do Parque Estadual da Serra dos Pireneus, no município de Pirenópolis, Goiás, estando ameaçada de extinção.

Isso ocorre por conta das pressões decorrentes da ampliação do risco de queimadas, assim como da conversão de novas áreas para agricultura e mineração. A planta foi coletada em 2017 pelo professor e depositada no Herbário FLOR da UFSC.  De acordo com Medeiros, chama atenção o potencial ornamental da espécie, tanto pelas belas flores quanto pelo aspecto singular das suas folhas. O professora também destaca “o aspecto lenhoso e duro das cápsulas – frutos – quando maduros, o que levou a equipe a usar a designação “indurata” para essa nova espécie de Microlicia.

Conforme o artigo, o parque onde a nova espécie foi localizada abrange uma área de 2.833 hectares, em uma região montanhosa de formações rochosas de quartzito e arenito da era pré-cambriana. Está localizado entre os municípios de Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, no divisor de águas entre o Bacias dos rios Prata e Tocantins.

Ainda conforme o estudo recém publicado, outras plantas da mesma família são localizadas em Minas Gerais e na Bahia, mas esta só tem localização conhecida nesta região de Goiás. Recentemente, o professor já havia encontrado e descrito a Commelina catharinensis, planta rara das dunas no litoral de Santa Catarina, também ameaçada de extinção.

Agora, o pesquisador trabalha com a equipe do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, elaborando guias de identificação das espécies de restinga da baixada do Massiambú, no bioma Mata Atlantica. Foi nestre trabalho que a planta nativa das dunas catarinenses foi encontrada.

Tags: botânicaGuia de Campo de espécies do CerradoMicrolicia induratNova espécie de plantaPhytotaxa

Pesquisadoras da UFSC catalogam flora da Lagoa do Peri

09/08/2021 16:16

Publicação traz a relação de 677 espécies. Foto: Duane F. Lima

O Monumento Natural Municipal (Mona) da Lagoa do Peri, em Florianópolis, agora tem a lista de espécies de sua flora publicada no Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação (UCs) do Brasil. Trata-se da primeira UC municipal a integrar essa plataforma online. O trabalho foi realizado pela professora Mayara Caddah, do Departamento de Botânica e do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em conjunto com alunas de graduação e pós-graduação. 

A publicação traz a relação de 677 espécies, sendo 564 angiospermas (plantas com flores) e 113 espécies de samambaias e licófitas. Destaca-se a riqueza da família das orquídeas nessa UC, com registro de 93 espécies. As orquídeas correspondem ainda a um terço das plantas ameaçadas de extinção presentes no Mona Lagoa do Peri, com quatro espécies classificadas pelo CNCFlora na categoria Vulnerável (VU). A lista também registra sete espécies de plantas que são endêmicas do estado.

Além da vegetação de floresta ombrófila, ou seja, característica de áreas com chuvas abundantes e frequentes, a lista dessa UC também é a primeira do catálogo a apresentar espécies de restinga. O Mona tem importância estratégica para os catarinenses, pois em sua área se encontra o maior corpo de água doce do estado, com mananciais que abastecem quase todos os bairros do sul e do leste da Ilha de Santa Catarina.
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Tags: botânicaDepartamento de BotânicaLagoa do PeriPrograma de Pós-Graduação em Biologia de Fungos Algas e PlantasUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Curso propõe diálogo com idosos sobre plantas medicinais e ferramentas on-line

28/04/2021 10:42

Estão abertas as inscrições para o curso Dialogando com os idosos sobre a história das plantas medicinais e as ferramentas on-line, oferecido pelo Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS/UFSC em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão (Proex) e o Núcleo de Estudos da Terceira Idade (Neti). As aulas ocorrem on-line, pelo Moodle Grupos, de 11 de maio a 15 de junho, às terças feiras das 15h às 17h, e têm como público-alvo pessoas com 50 anos ou mais. 

O curso é gratuito e tem o objetivo de compartilhar conhecimento sobre a história do uso de plantas medicinais, plantas medicinais indígenas, morfologia vegetal e etnobotânica. Também abordará o uso de ferramentas on-line para a identificação de plantas e a interação entre plantas e medicamentos.

Os interessados devem realizar a inscrição até a data de início da atividade pelo site:  inscricoes.ufsc.br/dialogandocomidosos. Pessoas que não tenham idUFSC devem primeiro realizar o cadastro seguindo as informações especificadas no tutorial. Os participantes terão direito a certificado de 24 horas.

A ação faz parte do programa O protagonismo do idoso no uso adequado de plantas medicinais e preservação do meio ambiente. Serão realizados cinco cursos de extensão on-line sobre o uso adequado de plantas medicinais e a preservação do meio ambiente. Em cada um, será incentivado o protagonismo do idoso com suas experiências de vida e a troca de saberes entre os sujeitos envolvidos.

Mais informações no site do Horto e pelas redes sociais (Facebook e Instagram).

Tags: botânicaHorto DidáticoNETIplantas medicinaisPROEXUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Projeto de Biorremediação da UFSC é contemplado em programa de Ecologia

29/04/2016 14:24

O Programa iGUi Ecologia, da fábrica de piscinas iGUi, apóia projetos de pesquisa e extensão ligados à conservação e recuperação ambiental. Na edição atual, a equipe da UFSC vinculada ao Departamento de Botânica (BOT), ao curso de Oceanografia e ao Programa de Pós Graduação em Biotecnologia e Biociências (PPG-BB) teve aprovado o projeto: “Biorremediação de poluentes inorgânicos (N, P) na lagoa da Conceição/SC utilizando a macroalga Ulva lactuca.

O Programa concedeu bolsa para a acadêmica de Oceanografia Mariana Bastiani, além de uma estrutura em fibra de vidro para experimentos de biorremediação. O projeto é orientado pelo doutorando Eduardo de Oliveira Bastos, pela mestranda Ana Gabriela Itokazu Canzian da Silva, ambos do PPG-BB e pelo professor Leonardo Rörig (BOT). Segundo o professor, o grupo está iniciando com este e outros projetos uma série de proposições ligadas a remediação ambiental utilizando tecnologias ecológicas e de baixo custo para a solução de problemas críticos na região costeira de Santa Catarina. A ficorremediação, pouco usada no Brasil, promete ser uma inovação acessível e de muito sucesso na área de saneamento ambiental.

Mais informações no site.

Tags: BiorremediaçãobotânicaPrograma iGUi EcologiaUFSC

UFSC caracteriza fósseis da vegetação de turfeiras e campos do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro

08/03/2013 17:40

Nos topos da Serra do Tabuleiro, área de turfeira com sua cobertura típica de briófitas, plantas que vivem preferencialmente em locais úmidos. Fotos: Hermann Behling

Maior unidade de conservação de Santa Cataria, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro ocupa 87 mil hectares de ilhas, cordões litorâneos, manguezais, encostas, montanhas e campos. Nos campos, em meio ao relevo montanhoso, abriga grande número de turfeiras, ambientes encharcados, formados principalmente por plantas que vivem em local úmido e ácido, com acúmulo de grande quantidade de matéria orgânica.

Por suas características, as turfeiras são sumidouros de carbono, são reguladores do escoamento fluvial e fontes de nutrientes para a vegetação ao seu redor. Para a ciência, por sua capacidade de preservar tecidos vegetais, são também arquivos ambientais e cronológicos da evolução da paisagem.

Áreas do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro formadas por esse ecossistema são estudas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisas que integram professores e estudantes dos departamentos de Geociências e de Botânica incluem o mapeamento e caracterização das áreas de turfeiras, o levantamento florístico atual desses ambientes e sua comparação com material fóssil extraído de sedimentos – em estudo na área de paleoecologia, que utiliza fósseis para reconstruir ecossistemas do passado.

O trabalho de campo é desenvolvido em áreas de topo da Serra do Tabuleiro, nos municípios de Santo Amaro da Imperatriz e São Bonifácio. Com apoio da Fundação O Boticário, na linha temática Impacto das Mudanças Climáticas em Espécies e Ecossistemas, o projeto é executado via Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Tecnológica (FAPEU).

“A proposta articula o estudo de turfeiras ao da vegetação, com o objetivo de definir a variação da vegetação ao longo da serra, atualmente e sob o efeito de mudanças globais do passado”, explica o coordenador do projeto, professor Marcelo Accioly Teixeira de Oliveira, do Departamento de Geociências.

Segundo ele, outros estudos demonstram o predomínio de campos na região atualmente protegida pelo parque há pelo menos 40 mil anos, sugerindo que se trata de vegetação remanescente de transformações nesse ambiente. Além disso, resultados preliminares obtidos a partir da nova pesquisa estendem a idade de registro de sedimentos do parque para 90 mil anos.

“A caracterização desses campos de altitude constitui contribuição científica relevante, com alto impacto para a conservação e o zoneamento do parque”, considera o professor, ressaltando que turfeiras são ainda muito pouco estudadas no Brasil. Sua importância é destacada pelo Comitê para a Ação Global sobre Turfeiras, que defende esforços globais para a conservação e definição de sua função ambiental como áreas úmidas.

Periódico internacional

As pesquisas da UFSC vêm sendo realizadas desde 2003, com saídas de campo nos chapadões da Serra do Tabuleiro, entre 860 e 1200 metros acima do nível do mar. Com equipamentos especiais, entre eles um Radar de Penetração de Solo, são obtidos perfis geofísicos, que permitem estudos sobre as camadas de sedimentos. São também coletadas amostras das turfeiras para análise em laboratório de fósseis vegetais.

Em laboratório, amostras de camadas de sedimento são processadas e analisadas . Fotos: Cláudia Reis

Para a equipe, o material representa importante testemunho sedimentológico. Parte do trabalho, em que 83 amostras foram processadas na UFSC e analisadas em laboratório da Alemanha, resultou em artigo científico publicado no periódico internacional “Vegetation History and Archaeobotany”.

As análises buscam classificar as turfeiras do parque e avaliar cenários evolutivos, gerando conhecimento básico sobre esses habitats. O trabalho de campo, com saídas sistemáticas mensais, permitiu também coletas de plantas de áreas de campos e turfeiras do parque.

A vegetação coletada é identificada e catalogada no Herbário Flor, ligado ao Departamento de Botânica. Depois, as exsicatas são levadas para o Laboratório de Geodinâmica Superficial, ligado ao Departamento de Geociências, para coleta de grãos de pólen. Assim, além de incrementar o acervo do Herbário Flor, os estudos estão permitindo a implantação de uma palinoteca dos campos da Serra do Tabuleiro. Essa coleção está sendo constituída junto ao Laboratório de Geodinâmicas Superficial, para resguardar grãos de pólen, que são identificados, catalogados e preservados em acervo.

Para a FATMA (Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina), órgão que gerencia o parque, a equipe vai elaborar cartas de localização e caracterização das turfeiras do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Relatórios e outros documentos também vão gerar subsídios que podem auxiliar no manejo da área e na produção de materiais de educação ambiental e de informação para a comunidade.

“O objetivo é valorizar os arquivos de história natural preservados nos depósitos orgânicos da maior unidade de conservação de proteção integral do Estado de Santa Catarina. Além disso, estamos capacitando recursos humanos para a valorização de estudos paleoecológicos como ferramenta fundamental para ações de conservação”, salienta o professor Marcelo.

Mais informações com o professor Marcelo Accioly Teixeira de Oliveira / Departamento de Geociências / UFSC / maroliv@cfh.ufsc.br

Material produzido para a Revista da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (FAPEU) ∕  www.fapeu.br
Jornalista responsável: Arley Reis ∕  arleyreis@gmail.com

Fotos: Hermann Behling e Cláudia Reis

 

Tags: botânicafapeugeociênciasLaboratório de Geodinâmica SuperficialturfeiraUFSC

Inscrições abertas para o Congresso Nacional de Botânica

27/07/2012 09:21

Estão abertas até 15 de agosto as inscrições para apresentações de trabalhos no 63° Congresso Nacional de Botânica, que será realizado de 11 a 16 de novembro, na cidade de Joinville. A UFSC é uma das parceiras do evento promovido pela Sociedade Botânica do Brasil e realizado pela Universidade da Região de Joinville (Univile).

Com o tema “A Botânica Frente às Mudanças Globais”, o evento vai tratar de diferentes questões relacionadas à conservação da natureza, biodiversidade, uso sustentável e mercado de trabalho. São esperadas cerca de 3 mil pessoas, entre estudantes, especialistas, mestres e doutores dos diversos segmentos da Botânica.

Mais informações: http://www.63cnbot.com.br/

Tags: botânicacongressoUFSC