Projeto da UFSC avalia minhocas e outros organismos como bioindicadores da qualidade do solo

03/02/2026 09:28
Coleta de minhocas

Coleta de minhocas. Foto: Divulgação

Projeto de pesquisa desenvolvido no campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está investigando como minhocas, micro minhocas, colêmbolos e ácaros podem atuar como bioindicadores da qualidade do solo.  A iniciativa é uma das primeiras no Brasil a aplicar o conceito de Faixa Normal de Operação (Normal Operating Range – NOR) às comunidades de fauna do solo, integrando parâmetros biológicos, físicos e químicos para compreender a dinâmica natural desses organismos ao longo do tempo.

Coordenado pela professora  Júlia Carina Niemeyerdo Departamento de Agricultura, Biodiversidade e Florestas e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais (PPGEAN), o projeto é conduzido pelo Núcleo de Ecologia e Ecotoxicologia do Solo (Necotox) da UFSC Curitibanos. A pesquisa conta com financiamento internacional da Bayer AG, Crop Science Division, da Alemanha, e da CloverStrategy, de Portugal, além do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos.

A fauna do solo desempenha funções ecológicas essenciais, como a fragmentação da matéria orgânica, a formação de agregados, a ciclagem de nutrientes e a regulação da microbiota. A presença abundante e diversificada desses organismos está diretamente associada à boa estrutura do solo, à fertilidade e à oferta de serviços ecossistêmicos, refletindo em maior produtividade agrícola. Por serem sensíveis a alterações ambientais, esses organismos também funcionam como importantes bioindicadores. “Ao identificarmos padrões sazonais naturais, a NOR poderá ser utilizada como uma ferramenta de monitoramento capaz de diferenciar variações naturais das alterações causadas por práticas agrícolas ou impactos ambientais, como o uso de agrotóxicos”, explica Júlia Niemeyer.

Metodologia e áreas de estudo

As coletas de amostras de solo estão sendo realizadas na região do Planalto Catarinense, nos municípios de Curitibanos e Frei Rogério, contemplando quatro sistemas distintos de uso do solo: mata nativa, pastagem, sistema de plantio direto e sistema de preparo convencional. As primeiras coletas ocorreram nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2025, e as análises laboratoriais foram conduzidas no Laboratório Auxiliar de Ecotoxicologia e Biologia do Solo da UFSC Curitibanos. Segundo a pesquisadora, a escolha desses ambientes permite representar um gradiente de intensidade de uso e impacto sobre o ecossistema do solo. Os trabalhos tiveram início em 2025 e seguem até o final de 2026, envolvendo 18 participantes, entre pesquisadores nacionais e internacionais, profissionais das instituições parceiras, além de pós-graduandos e bolsistas de graduação da UFSC. Entre os colaboradores está a bióloga e taxonomista de minhocas  Marie Bartz.

Resultados e impactos esperados

Análises preliminares já indicam que o tipo de uso do solo e fatores climáticos influenciam a composição e a abundância da fauna ao longo do ano. Esses dados reforçam o potencial dos organismos estudados como indicadores ecológicos capazes de refletir impactos positivos ou negativos das práticas agrícolas. “O principal benefício do projeto é fornecer parâmetros ecológicos para o biomonitoramento do solo. Assim, será possível avaliar se variações nas populações estão dentro do esperado para determinada época do ano ou se resultam de impactos antrópicos”, ressalta Júlia Niemeyer.  A expectativa é que os resultados subsidiem políticas públicas, promovam práticas agrícolas mais sustentáveis e contribuam para o aprimoramento da avaliação de risco de agrotóxicos no Brasil, além de orientar estratégias de recuperação de áreas degradadas.

 

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UFSC Curitibanos pesquisa os efeitos dos agrotóxicos em minhocas

08/01/2025 08:14

O trabalho de campo envolveu cerca de 20 pessoas, entre estudantes de graduação e pós-graduação e técnicos da UFSC Curitibanos (Foto: Divulgação)

Uma equipe do campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está pesquisando os efeitos dos agrotóxicos em minhocas nativas do Brasil. Inédito no país, o trabalho coordenado pela professora Júlia Carina Niemeyer começou em 2022 e contribui para a avaliação dos riscos e dos limites para o uso de defensivos agrícolas.

Financiado pela alemã Bayer, o projeto é realizado em parceria com a empresa Cloverstrategy, com sede em Portugal e que atua nas áreas de gestão e consultoria ambiental integradas, especialmente nas áreas de valorização de recursos naturais e de avaliação de risco retrospectivo e recuperação de áreas degradadas.

“Em países europeus, quando um agrotóxico em fase de registro apresenta ecotoxicidade em níveis inaceitáveis para os organismos da fauna de solo em estudos laboratoriais, é solicitado às empresas que realizem um experimento de campo para verificar se ocorrerão efeitos tóxicos sobre a comunidade de minhocas”, relata a professora Júlia Niemeyer.

“Como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está avançando nas questões relacionadas à avaliação de risco de agrotóxicos para o ambiente, fez-se necessário entender como poderiam ser realizadas avaliações de campo para complementar os ensaios de ecotoxicidade laboratoriais, nas fases mais avançadas da avaliação”, explica a coordenadora da iniciativa.
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Projeto da UFSC Curitibanos pesquisa efeitos dos agrotóxicos em minhocas nativas do Brasil

04/06/2024 13:22

Equipe do projeto Earthworms Brazil realiza coleta de minhocas para estudo. Foto: Divulgação.

O Núcleo de Ecologia e Ecotoxicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (Necotox/UFSC Curitibanos) desenvolve o projeto Earthworms Brazil, cujo objetivo é pesquisar os efeitos dos agrotóxicos em minhocas nativas do Brasil. Inédito no país, o projeto realiza periodicamente coleta e triagem de minhocas para estudo de espécie e comportamento no solo. O projeto teve início em 2022 e em 2024 ingressou na terceira fase.

O trabalho é coordenado pela professora Júlia Carina Niemeyer, que explica: “Estamos estudando uma espécie nova de minhocas e seu comportamento no solo. Vamos estudar o potencial desta espécie para uso em ensaios de ecotoxicidade por se tratar de uma espécie endogeica, ou seja, que vive dentro do solo”. Financiado pela alemã Bayer e realizado em parceria com a empresa Cloverstrategy, com sede em Portugal, a iniciativa também conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

Texto reproduzido parcialmente da página da Fapeu.

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‘Minhocas’ é lançamento de professora e alunos do 1º ano do ensino fundamental do Colégio de Aplicação

17/04/2015 10:11

A turma do 1º ano A de 2013 do ensino fundamental do Colégio de Aplicação (CA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), orientada pela professora Mariza Konradt de Campos, lança o livro Minhocas, na sexta-feira, 17 de abril, às 18h30, no auditório do CA.

Livro e Minhocario - Foto Henrique Almeida

Turma do 1º ano A de 2013 do ensino fundamental e a professora Mariza Konradt de Campos. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Segundo a professora Mariza, o interesse dos alunos surgiu a partir da observação de minhocas enquanto trabalhavam na horta. Mariza definiu que eles criariam um “minhocário”, por meio do qual poderiam acompanhar o desenvolvimento de minhocas e cuidar delas, devido ao grande entusiasmo que os 20 alunos da turma apresentaram.

Começaram, então, uma longa caminhada. Buscaram parcerias, pesquisaram, leram, registraram,  ouviram  palestras e descobriram muitas coisas sobre as minhocas. Com auxílio de Fausto Rodrigues Cardoso, aluno do curso de Agronomia da UFSC, montaram um terrário com minhocas comuns para poder observar as galerias que elas escavam.  Do engenheiro ambiental Gilberto Napoleão, da Organização Nosso Lixo, ganharam um minhocário da Califórnia. Gilberto também esclareceu as dúvidas da turma sobre minhocas e orientou os cuidados que os alunos deveriam ter com o minhocário.

Com tantas informações, a turma resolveu organizar um livro para que pudesse socializar com outras pessoas suas experiências, vivências pedagógicas e tudo o que aprenderam sobre as minhocas. A obra, com muitas ilustrações de tudo o que foi vivenciado durante os estudos sobre as minhocas, faz parte do trabalho pedagógico do projeto  “Um caminho diferente para aprender a ler e escrever”.

 

 

 

 

Assista à reportagem feita pelo Universidade Já/ TV UFSC

 

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