Estudantes animam o Centro de Ciências Agrárias no primeiro dia do UFSC Rural
Aproximadamente 200 estudantes de escolas da região de Florianópolis animaram o Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina nesta sexta-feira, 28 de setembro, primeiro dia de atividades do UFSC Rural, evento em que a Universidade apresenta à comunidade diversas iniciativas e projetos ligados ao mundo rural. As atividades do UFSC Rural continuam neste sábado, 29 de setembro, com estandes, exposições, minicursos e feirinha de produtos da agricultura, abertos à participação de toda a comunidade. A programação para os dois dias do evento prevê a realização de 32 atividades.
Os estudantes que estiveram no CCA nesta sexta-feira, receberam um “passaporte”, espécie de panfleto que recebia selos a cada estação de conhecimento visitada por eles: ‘Mundo das Abelhas’, ‘Descobrindo os Insetos’, ‘Animais do Mar’ e ’O Solo é Assim’. O objetivo da rota é permitir que os alunos possam descobrir o funcionamento da fauna, flora e solos existentes na natureza.
Os visitantes eram recebidos e conduzidos por guias, como a engenheira agrônoma Raíssa Podestá, mestranda no Programa de Pós-Graduação de Agroecossistemas na UFSC. “É bastante importante que haja, desde cedo, uma educação ambiental. E apresentar a pluralidade que tem a universidade em diversos âmbitos de pesquisa”, disse ela.
Abelhas e outros insetos
A primeira estação, ‘Mundo das Abelhas’, compartilha conhecimentos sobre as abelhas sem ferrão e a polinização. Esta atividade atraiu a atenção da estudante Monique de Salles Batista, 15 anos, do colégio Severo Honorato da Costa, no Pântano do Sul. Ela aproveitou o passeio da escola para saber mais sobre territórios, cultivos e criação de animais. “Eu gostei de como as abelhas se organizam. A mandaçaia tem uma colmeia diferente da iraí. Cada uma tem um formato e um jeito de se organizar diferente também”.
Na estação ‘Descobrindo os Insetos’, os visitantes recebiam informações sobre os diferentes tipos de insetos e a sua importância para o meio ambiente. Brian Moreno Xavier, também estudante do colégio Severo Norato da Costa, gostou muito da exposição sobre os insetos. Ele também estava interessado em ver animais invertebrados.
O professor Renes Rossi Pinheiro, substituto da disciplina de Entomologia Agrícola, era um dos apresentadores da atividade. “As crianças entram aqui no nosso laboratório e já ficam encantadas, porque são muitos insetos, são coleções preservadas”, empolgou-se ele. O professor também destacou a importância do UFSC Rural. “É um momento que nós abrimos as portas da universidade para a população, é um movimento que a UFSC já vem fazendo ao longo dos tempos, abrindo as portas dos laboratórios, das atividades de pesquisa. É excelente essa interação com a população.”
Na terceira estação, sobre ‘Animais do Mar’, eram apresentadas curiosidades aquáticas, animais marinhos e até a possibilidade de escutar os batimentos cardíacos de um peixe.
Na última atividade do roteiro, o estudante de pós-graduação em agroecossistemas na UFSC, Paulo Câmara, ministra a atividade ‘O solo é assim’. A atividade apresenta aos visitantes os diferentes tipos de solo e o funcionamento da formação geológica dos solos a partir da contação de história em audiovisual, do livro O solo está vivo e o Começo, meio e fim, o solo é assim ambos produzidos por pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
Depois, o público infanto-juvenil interage com alguns tipos de solos. Os participantes ainda podem soltar a criatividade com desenhos feitos a partir da geotinta, produzida a base de água, cola branca e solo.
A natureza como sujeito de direitos
O Centro de Ciência Jurídicas (CCJ) participa do UFSC Rural com duas atividades relacionadas à biodiversidade e à conservação, apresentando as ações do grupo de pesquisa Direito Ambiental na Sociedade de Risco (GPDA) e do Observatório da Justiça Ecológica. A diretora do CCJ, professora Carolina Bahia, afirmou que a iniciativa do CCA é extremamente importante. “Acho que é um momento também de a gente dar visibilidade ao trabalho que é feito por várias unidades acadêmicas. Praticamente todas têm interface com a questão ambiental.”
Ela também é integrante do GPDA e ressalta a importância do debate sobre o modelo de Estado que necessitamos, que seria o Estado de Direito Ecológico, para fazer frente às ameaças que enfrentamos hoje diante das mudanças climáticas. “Acho que é um momento também importante para a Universidade mostrar o que produz para a sociedade, nesse momento que a gente vive de muito obscurantismo, de questionamento da ciência”.
O professor José Rubens Morato Leite, também integrante do GPDA, apresenta o conceito de que a natureza também deve ser protegida por direitos. “Na linha do direito, a gente trabalha com ecologização do direito, para que o direito tenha mais efetividade em relação à proteção ambiental, englobando não só a visão antropocêntrica (centrada no ser humano), mas uma visão biocêntrica, na qual a natureza também é protegida para que ela seja harmônica com as atividades do ser humano”, afirma o professor Morato Leite.
Luiz Cucco – Estagiário Agecom UFSC e
Ayana Araújo – Estagiária Agecom UFSC
e-mail: agecom@contato.ufsc.br
































