Estudantes animam o Centro de Ciências Agrárias no primeiro dia do UFSC Rural

28/08/2026 18:50

Visitantes do UFSC Rural podem conhecer mais sobre as abelhas (Fotos: Gustavo Diehl – Agecom UFSC)

Aproximadamente 200 estudantes de escolas da região de Florianópolis animaram o Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina nesta sexta-feira, 28 de setembro, primeiro dia de atividades do UFSC Rural, evento em que a Universidade apresenta à comunidade diversas iniciativas e projetos ligados ao mundo rural. As atividades do UFSC Rural continuam neste sábado, 29 de setembro, com estandes, exposições, minicursos e feirinha de produtos da agricultura, abertos à participação de toda a comunidade. A programação para os dois dias do evento prevê a realização de 32 atividades.

Os estudantes que estiveram no CCA nesta sexta-feira, receberam um “passaporte”, espécie de panfleto que recebia selos a cada estação de conhecimento visitada por eles: ‘Mundo das Abelhas’, ‘Descobrindo os Insetos’, ‘Animais do Mar’ e ’O Solo é Assim’. O objetivo da rota é permitir que os alunos possam descobrir o funcionamento da fauna, flora e solos existentes na natureza.

Os visitantes eram recebidos e conduzidos por guias, como a engenheira agrônoma Raíssa Podestá, mestranda no Programa de Pós-Graduação de Agroecossistemas na UFSC. “É bastante importante que haja, desde cedo, uma educação ambiental. E apresentar a pluralidade que tem a universidade em diversos âmbitos de pesquisa”, disse ela.

Abelhas e outros insetos

A primeira estação, ‘Mundo das Abelhas’, compartilha conhecimentos sobre as abelhas sem ferrão e a polinização. Esta atividade atraiu a atenção da estudante Monique de Salles Batista, 15 anos, do colégio Severo Honorato da Costa, no Pântano do Sul. Ela aproveitou o passeio da escola para saber mais sobre territórios, cultivos e criação de animais. “Eu gostei de como as abelhas se organizam. A mandaçaia tem uma colmeia diferente da iraí. Cada uma tem um formato e um jeito de se organizar diferente também”.

Na estação ‘Descobrindo os Insetos’, os visitantes recebiam informações sobre os diferentes tipos de insetos e a sua importância para o meio ambiente. Brian Moreno Xavier, também estudante do colégio Severo Norato da Costa, gostou muito da exposição sobre os insetos. Ele também estava interessado em ver animais invertebrados.

Estação ‘Descobrindo os insetos” apresenta coleções bem preservadas

O professor Renes Rossi Pinheiro, substituto da disciplina de Entomologia Agrícola, era um dos apresentadores da atividade. “As crianças entram aqui no nosso laboratório e já ficam encantadas, porque são muitos insetos, são coleções preservadas”, empolgou-se ele. O professor também destacou a importância do UFSC Rural. “É um momento que nós abrimos as portas da universidade para a população, é um movimento que a UFSC já vem fazendo ao longo dos tempos, abrindo as portas dos laboratórios, das atividades de pesquisa. É excelente essa interação com a população.”

Na terceira estação, sobre ‘Animais do Mar’, eram apresentadas curiosidades aquáticas, animais marinhos e até a possibilidade de escutar os batimentos cardíacos de um peixe.

Na última atividade do roteiro, o estudante de pós-graduação em agroecossistemas na UFSC, Paulo Câmara, ministra a atividade ‘O solo é assim’. A atividade apresenta aos visitantes os diferentes tipos de solo e o funcionamento da formação geológica dos solos a partir da contação de história em audiovisual, do livro O solo está vivo e o Começo, meio e fim, o solo é assim ambos produzidos por pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Depois, o público infanto-juvenil interage com alguns tipos de solos. Os participantes ainda podem soltar a criatividade com desenhos feitos a partir da geotinta, produzida a base de água, cola branca e solo.

A natureza como sujeito de direitos

O Centro de Ciência Jurídicas (CCJ) participa do UFSC Rural com duas atividades relacionadas à biodiversidade e à conservação, apresentando as ações do grupo de pesquisa Direito Ambiental na Sociedade de Risco (GPDA) e do Observatório da Justiça Ecológica. A diretora do CCJ, professora Carolina Bahia, afirmou que a iniciativa do CCA é extremamente importante. “Acho que é um momento também de a gente dar visibilidade ao trabalho que é feito por várias unidades acadêmicas. Praticamente todas têm interface com a questão ambiental.”

Estação ‘O solo é assim” oferece a atividade lúdica de pintura com geotintas

Ela também é integrante do GPDA e ressalta a importância do debate sobre o modelo de Estado que necessitamos, que seria o Estado de Direito Ecológico, para fazer frente às ameaças que enfrentamos hoje diante das mudanças climáticas. “Acho que é um momento também importante para a Universidade mostrar o que produz para a sociedade, nesse momento que a gente vive de muito obscurantismo, de questionamento da ciência”.

O professor José Rubens Morato Leite, também integrante do GPDA, apresenta o conceito de que a natureza também deve ser protegida por direitos. “Na linha do direito, a gente trabalha com ecologização do direito, para que o direito tenha mais efetividade em relação à proteção ambiental, englobando não só a visão antropocêntrica (centrada no ser humano), mas uma visão biocêntrica, na qual a natureza também é protegida para que ela seja harmônica com as atividades do ser humano”, afirma o professor Morato Leite.

 

Luiz Cucco – Estagiário Agecom UFSC e

Ayana Araújo – Estagiária Agecom UFSC

e-mail: agecom@contato.ufsc.br

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