Estudo da UFSC revela que mosquito transmissor da malária é, na verdade, cinco espécies diferentes

20/03/2026 10:40

Pesquisadoras da UFSC Kamila Voges (à esq.) e Luísa Rona Pitaluga, autoras do estudo que identificou espécies crípticas do mosquito Anopheles cruzii, transmissor da malária na Mata Atlântica. Foto: Divulgação

O mosquito Anopheles cruzii, que era considerado como uma única espécie transmissora da malária em áreas de Mata Atlântica, é, na verdade, um complexo de cinco linhagens geneticamente distintas. A descoberta pode revolucionar as estratégias de controle da doença no Sul e Sudeste do Brasil e é resultado de pesquisa com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicada em fevereiro na revista Communications Biology, do grupo Nature.

Desde o início do século XX, quando foi registrada uma epidemia de malária durante a construção da ferrovia São Paulo-Santos, o mosquito Anopheles cruzii é conhecido como o principal vetor da doença em áreas de Mata Atlântica. No entanto, a pesquisa conduzida por pesquisadores da UFSC revelou que esse “vilão”, na verdade, não está sozinho. Utilizando tecnologia genômica de ponta, os pesquisadores descobriram que o mosquito que era tratado como uma única espécie são, na verdade, pelo menos cinco espécies crípticas — insetos que possuem a mesma aparência externa, mas que são geneticamente incapazes de se reproduzir entre si.

No estudo, os cientistas da UFSC, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) utilizaram a filogenômica — a análise de milhares de genes — para mapear o DNA desses mosquitos. O resultado confirmou que o complexo An. cruzii é formado por cinco linhagens distintas, batizadas de A, B, C, D e E. As equipes fizeram coletas de mosquitos em áreas de Mata Atlântica em dez cidades da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. As análises mostraram que a linhagem A é mais amplamente distribuída na região costeira, incluindo Florianópolis, enquanto as demais apresentaram características mais locais – como a linhagem E, observada apenas nas amostras coletadas no município de Santa Teresa (ES).
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UFSC identifica mosquito transmissor da febre amarela silvestre pela primeira vez em SC

11/12/2025 08:57

Bióloga Sabrina Fernandes Cardoso durante coleta de espécimes para a pesquisa, em Braço do Norte. Foto: Divulgação

Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) confirmou a ocorrência do mosquito Haemagogus leucocelaenus, vetor da febre amarela silvestre, em áreas de mata de cinco municípios de Santa Catarina: Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Braço do Norte, São Martinho e Pedras Grandes. É o primeiro registro oficial da presença dessa espécie no Estado, o que contribui para reforçar a importância da imunização contra a febre amarela. Desde 2018, Santa Catarina é área de recomendação para vacinação contra a doença, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A febre amarela é uma doença viral infecciosa grave que pode evoluir rapidamente, se não for diagnosticada e tratada imediatamente. O vírus Flavivirus circula por dois ciclos de transmissão. No ciclo urbano, a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos infectados – no caso, o mosquito Aedes aegypti, que também transmite outras doenças, como a dengue, a chikungunya e a zika. Já no ciclo silvestre, os transmissores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em áreas de floresta e infectam principalmente os macacos.
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UFSC desenvolve método mais rápido e econômico para detecção de febre amarela em animais silvestres

25/11/2024 13:30

Sabrina Cardoso, autora principal da tese, realiza testagem de amostras de vírus da febre amarela no Laboratório Rona-Pitaluga da UFSC. Foto: acervo pessoal

O monitoramento de casos de febre amarela em primatas não humanos, como os macacos, é um sistema de alerta precoce para surtos silvestres da doença, ajudando a prevenir a ocorrência de casos em humanos. Contudo, os testes atuais para diagnóstico do vírus nesses animais possuem alta complexidade e custo financeiro. Com o objetivo de fortalecer as respostas de saúde pública à doença, pesquisadores do Laboratório Rona-Pitaluga do Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética (BEG) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desenvolveram um método mais simples, rápido e econômico para o monitoramento e a detecção da febre amarela silvestre.

Segundo os autores da pesquisa, o novo método possibilita aprimorar a vigilância da doença no Brasil. Os resultados promissores do estudo desenvolvido na UFSC, nomeado Development and validation of RT-LAMP for detecting yellow fever virus in non-human primates samples from Brazil, ou Desenvolvimento e validação de RT-LAMP para detectar o vírus da febre amarela em amostras de primatas não humanos do Brasil em português, foram publicados em setembro deste ano na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature.

O estudo integra a tese de doutorado de Sabrina Fernandes Cardoso, estudante de Pós-Graduação em Biologia Celular e do Desenvolvimento da UFSC e bióloga da SES/SC, orientada pela professora Luísa Rona e pelo pesquisador da Fiocruz André Pitaluga, coordenadores do Laboratório Rona-Pitaluga. Participaram também os pesquisadores Maycon Neves e Dinair Couto-Lima, da Fiocruz, o professor Daniel Mansur e os pós-graduandos André Akira, Iara Pinheiro e Lucilene Granella, da UFSC.

Conforme o estudo, nos últimos anos, a reemergência da febre amarela impactou significativamente a saúde pública brasileira. Desde 2002, o vírus expandiu sua circulação, espalhando-se do Leste em direção ao Sul do país. Durante a expansão, foram registrados diversos surtos e milhares de mortes de primatas foram documentadas. Desde então, mais de 2.100 casos humanos foram relatados, com uma taxa de letalidade de aproximadamente 30% entre as pessoas que desenvolveram a doença em forma grave.
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